Acredito que a maior parte das pessoas já leu esse livro. Eu, inclusive, já o li há alguns meses. Isso, no entanto, não tira o mérito da narrativa. A hospedeira é uma ficção científica que nos imerge em uma história totalmente diferente e envolvente.
Publicado pela Editora Intrínseca em 2009, o livro é ambientado em um futuro próximo, quando a Terra é invadida por uma espécie alienígena, conhecidos como Almas. Para que as Almas vivam no planeta, elas precisam habitar um corpo humano, que se torna, assim, um hospedeiro.
No início, essa invasão é silenciosa. Mesmo com a mente humana desativada, as Almas retomam a vida cotidiana de seus hospedeiros, o que impede que os humanos percebam imediatamente. Após se darem conta do que acontecia, entretanto, os humanos restantes começaram a resistir.
Os humanos são os hospedeiros mais complexos que as Almas já ocuparam. As emoções intensas, o bombardei de sensações por todos os sentidos, as lembranças e memórias. E é com tudo isso que Peregrina tem que lidar quando é designada para habitar o corpo de Melanie. O que ninguém sabia, porém, era que Melanie não desistiria fácil da posse de sua mente.
"Eu nada sabia sobre o que era considerado beleza entre essas criaturas estranhas, mas, ainda assim, sabia que aquele rosto era bonito. [...]
Meu, disse o pensamento alienígena que não devia existir.
Outra vez, fiquei paralisada, atordoada. Não deveria haver ninguém aqui, exceto eu. E, contudo, o pensameto foi muito forte e muito consciente!
Impossível. Como ela podia ainda estar aqui? Era eu agora.
Meu, repreendi-a, o poder e a autoridade que só a mim pertenciam fluindo pela palavra. Tudo é meu.
Então por que estou respondendo? Perguntava-me, quando as vozes interromperam meus pensamentos."
Melanie bloqueia em sua mente tudo que seja possível sobre sua vida, para impedir que as Almas busquem por sua família. Só aos poucos vai mostrando à Peregrina acontecimentos importantes, até que o sentimento de ambas se confundem:
"Chega - digo em voz alta, esquivando-me da chicotada da dor - Chega! Você já deixou claro! Eu não posso viver sem eles agora. Está satisfeita?"
Melanie percebe então que pode confiar em Peregrina, e mostra a ela onde Jamie e Jared podem estar abrigados. Peregrina deixa de lado tudo a que foi designada, e parte em sua busca por aqueles que amam.
A trama escrita por Stephenie Meyer, em minha opinião, confirma a que a autora veio. O enredo criado nesta obra em nada se assemelha com a série que a consagrou, mas não deixa de ser tão surpreendente e arrebatador quanto. Os personagens são bem estruturados e bem colocados na história, cada um com suas características marcantes, mas com facetas diversas, como todo ser humano realmente é.
Jamie é um fofo, o irmão que qualquer um adoraria ter. Jared, que demora até ceder à verdade em Peregrina, é uma mistura de homem maravilhoso e escroto, mas que, no contexto da história, tem seus motivos para ser dessa forma. Não posso falar mais dos outros personagens, por ser bem provável que solte um spoiler.
O que mais me marcou na história, no entanto, foi o motivo pelo qual ocorreu a invasão. As Almas são inteiramente boas, e só desejam impedir os humanos de destruir o planeta, tentando torná-lo melhor. Mas é exatamente nessas circunstâncias que surge a solidariedade, a união, e o amor.
Beijos.