Lições de Vida - Anne Tyler

Sinopse: Maggie Moran e seu marido são comuns, até um pouco tediosos. E é esse realismo que torna esta história tão eficaz e comovente... Começa em um dia de verão, quando Maggie e Ira viajam de Baltimore para a Pensilvânia para um funeral. Maggie é impetuosa, desastrada, desajeitada, propensa a acidentes e tagarela. Ira é reservado, preciso, respeitável, tem uma mania irritante de assobiar músicas que traem seus pensamentos mais profundos e acha que sua esposa transforma os fatos de maneira que se encaixem na sua opinião sobre as pessoas que ama.
Ambos sentem que seus filhos são estranhos, que a cultura das novas gerações está indo por água abaixo e que, de alguma forma, se enganaram com essa sociedade cujos valores não reconhecem mais. Mas esta viagem vai levá-los a refletir sobre estas angústias, e vai mostrá-los como é importante reavaliar seus sentimentos. (Skoob)
TYLER, Anne. Lições de Vida. Editora Novo Conceito, 2013. 365 p.

Maggie e Ira Moran estão casados há bastante tempo, já chegaram à meia idade, e estão passando por aquela fase da relação em que quase não há mais paixão, mas que aquilo que construíram no dia-a-dia os faz bem.

Em uma manhã de sábado, eles precisaram cruzar o Estado para ir ao enterro do marido da melhor amiga de Maggie, Serena, e passar esse tempo juntos, inesperadamente, mudaria alguma coisa que já tinha sido deixada para trás: o companheirismo, a necessidade de prestar atenção um no outro. Com Dayse e Jesse, seus filhos, já crescidos e seguindo seus próprios rumos, talvez fosse hora de cuidar mais de si mesmos.


"Serena costumava dizer que Ira era um mistério, o que era um elogio naquela época. Maggia ainda não estava namorando Ira e estava noiva de outro, mas Serena vivia dizendo:
- Como você pode resistir? Ele é um mistério. É tão cheio de segredos.
Maggie dizia:
- Eu não preciso resistir. Ele não está a fim de mim.
Mas ela ficava pensando. (Serena estava certa. Ele era todo aquele mistério.) Mas a própria Serena havia escolhido o garoto mais escancarado do mundo: o velho e hilário Max! Não havia nada de secreto nele." (p. 17)

Esperava de Lições de Vida, de Anne Tyler, algo grandioso. Imaginei que haveria grandes acontecimentos que fizessem repensar algo que se faz durante a vida. Foi mais ou menos isso, com uma grande diferença: não há nada de mais na história. Só que até agora, quase dois meses depois de ter concluído a leitura, não decidi se isso é bom ou ruim.

Dividido em partes que expõem, em terceira pessoa, o ponto de vista de Ira ou de Maggie, o enredo do livro é, basicamente, a viagem que eles fazem para o Estado vizinho, enquanto, durante o caminho, repensam e repassam seus problemas atuais, os desentendimentos que os afastam, ao mesmo tempo em que relembram o que os trouxe até esse ponto. Durante esses vislumbres de suas histórias, é possível conhecê-los mais a fundo, já que há lembranças de toda uma vida, os sentimentos mais profundos, a juventude e os filhos, assim como o ressentimento quanto a serem vítimas de seus destinos. Dessa forma, durante o único dia em que se passa o livro, conhece-se todas as alegrias e tristezas encaradas pelo casal.

Esse enredo simples, e tão completo ao mesmo tempo, teria tudo para encantar, mas a mesma receita que funcionou com outros livros, como Proteja-me, de Juliette Fay, não caiu tão bem neste caso. O texto se encaminhou para um final ótimo que simplesmente não aconteceu. A impressão é que a autora quis mostrar que, em um único dia, se quisermos, tudo pode mudar e, ainda assim, ficar exatamente igual. Pura dissonância, que, para mim, tornou-se frustração: os personagens erraram, tentaram consertar, aprenderam, mas voltaram ao mesmo ponto.

Além disso, não é tão fácil criar vínculos com os personagens. As passagens que os protagonistas contam seu romance ou a história de seus filhos são bem envolventes, mas, quando passam a falar do que se tornou sua rotina, é cansativo, e há muito de rotina. Ainda, os capítulos longos não ajudam, e o vai e vem das lembranças pode confundir, ainda mais quando as pausas precisam ser feitas no meio desses capítulos.

Particularmente, foi uma leitura à qual fiquei indiferente. Não foi de todo ruim, mas não me deixou grandes marcas. Talvez a simplicidade possa encantar outros leitores, só não funcionou comigo.
Ju - Conjunto da Obra
Ju - Conjunto da Obra

Apaixonada pela leitura desde a infância, tantos livros lidos que é impossível quantificar. Alguém que vê os livros como uma forma de viajar o mundo e lugares mais incríveis que possam ser criados pela imaginação, sem precisar sair do lugar. Tem o blog como uma forma de dividir experiências e, principalmente, as emoções que as leituras despertaram, para compartilhar idéias e aproveitar sugestões de leitura, envolvendo mais e mais pessoas em um mundo onde a imaginação não tem limites.

11 comentários:

  1. Quando li o quote pensei se tratar de outra coisa... o livro não deve ser ruim, mas este tipo de livro não me agrada muito, não é uma leitura que prende muito.

    Tem post novo, depois da uma passada lá! :D
    Beijos.
    http://tamigarotaindecisa.blogspot.com.br/

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  2. Parece ser um livro legal, mas não é o tipo de leitura que me agrada muito.
    Beijo,
    Nic

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  3. Oi Ju**
    Gostei da sua resenha, mas sei lá, a temática deste livro não me desperta curiosidade sabe? Mas um dia o lerei.

    Beijos*

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  4. Simplicidade não marca, é chula. Não gosto de livros assim.
    Beijo!

    http://estantedasfadas.blogspot.com.br/

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  5. Oi Julia!
    A história parece ser bonita, mas nada que vá mudar nossas vidas... Não sei se leria.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  6. bom, acho que a autora resolveu expor tanto a rotina do casal de personagens que acabou fazendo do livro enfadonho. a história é boa, uma pena ela não ter equilibrado alguns pontos. detesto me sentir assim também, a gente sente que o livro poderia render mais, frustante. aparecendo oportunidade eu leio, mas não será uma das minhas prioridades de leitura. =/

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  7. Oi Júlia e eu achando que demorava para escrever resenhas. Dois meses? Você demorou bastante para organizar o que queria dizer e parece que ainda não tem bem certeza do que sentiu.
    Tenho dois livros da Anne Tyler, mas apesar de ter tudo para dar certo parece que seus livros não são tudo o que o leitor espera.
    Acho que foi uma leitura frustrante para você. É horrível quando vemos que o autor tinha tudo para criar uma ótima história, mas não conseguiu.

    Beijos
    Caline - Mundo de papel

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  8. Oi Ju! É estranho quando o livro não mexe conosco, eu entendi o que você quis dizer, ontem mesmo li um que não achei chato, mas também não acrescentou nada, estou pensando como fazer a resenha. Este livro aqui é uma interrogação, eu vou ter que ler e ver o que acho, mas não acredito que será uma leitura impactante. Bjos!

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  9. Ei Ju,

    Eu não peguei este e nem o Proteja-me, mas desde que lançou não me interessou muito. Pelo que você disse parece ser uma historia legal, mas que faltou algo. Eu sempre olho a média do GR sabe? antes de pedir os lançamentos da NC, a não ser os que de série ou autor que já conheço pq ai vou querer mesmo. E quando a média está baixa por lá eu nem pego, já imagino que possa ser legal, mas um nota 3 rs.
    bjs

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  10. Ju,

    Não conhecia esse livro, mas não me interessei pela leitura do mesmo :/

    Beijos
    www.procurei-em-sonhos.com

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  11. Olá moça,

    Todos temos lições de vida a passar, vou colocar na minha lista de leituras...

    Bjus.
    José Agenor
    Blog: http://www.blogdojoseagenor.com.br/
    Fan page: https://www.facebook.com/BlogdoJoseAgenor

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