De Repente Acontece - Susane Colasanti

Sinopse: No último ano da escola, Sara e Tobey não poderiam andar em direções mais opostas. Ela quer entrar na melhor faculdade; ele quer vencer a Batalha das Bandas... O outro objetivo de Sara é encontrar um amor verdadeiro. Tobey jura que esse alguém pode ser ele mesmo, mas, para Sara reparar nele, é preciso tirar o lindo e perfeito Dave do seu caminho. Enquanto Tobey joga longas partidas de xadrez com Matt, Dave ganha terreno com a garota dos seus sonhos. Mas toda boa estratégia leva um tempo para mostrar resultados. Tobey saberá dar o xeque-mate na hora certa - pelo menos é o que ele espera. (Skoob)
COLASANTI, Susane. De Repente Acontece. Novo Conceito: 2014. 288 p.


Quando Sara e Tobey entram na sala, eu abro meu bloco de anotações para não esquecer de fazer nenhuma pergunta. Marquei essa entrevista porque os dois lançaram um livro chamado De Repente Acontece, com as memórias do que viveram durante o último ano colegial.

Sara tem os cabelos compridos, escuros e é muito bonita.

Tobey é alto, magro, cabelos pretos e olhos azuis. Seu físico é definido, como se ele malhasse.

Espero os dois se sentarem na minha frente, me apresento e começamos a entrevista.

– Como foi escrever um livro juntos, alternando os capítulos com as memórias do que aconteceu sob o ponto de vista de cada um?

– É estranho e legal ao mesmo tempo – quem responde é Sara, olhando para Tobey, procurando uma confirmação pelo que está dizendo. – Eu não sabia o que ele escrevia, e ele também não sabia o que eu escrevia. Só descobrimos quando juntamos tudo para entregar à Susane Colasanti.

– Sim, foi muito legal descobrir o que a Sara pensava – diz Tobey. – Muitas vezes, eu achava que ela tinha uma opinião e na verdade era outra coisa completamente diferente. Acho que nunca vou conseguir adivinhar o que uma garota pensa.

– E eu o que um garoto quer – completa Sara.

Os dois riem. Mais um para o outro do que para mim. Eles parecem compartilhar uma cumplicidade diferente, como se um completasse o outro.

– E por onde resolveram começar? – perguntei.

– Eu e Tobey meio que conversamos um pouco no ano passado. Até achava que ele gostava de mim, mas ele nunca disse nada... e aí apareceu o Dave. Eu começo explicando o quanto me sentia atraída, porque o Dave é muito bonito.

– Eu começo contando que tentei me aproximar de Sara... só que não sabia como... nem se ela iria corresponder. E aí, realmente, apareceu o Dave e ela só olhava para ele.

Consulto minhas anotações para saber de quem eles estão falando. Dave é um aluno que entrou no colégio no fim do ano passado e que faz parte do time de basquete. Não tem boas notas e parecer ser bastante popular. Normalmente uma coisa é consequência da outra.

– Você e Dave ficaram amigos? – pergunto para Sara.

– No último dia de aulas ele pediu meu telefone e eu quase pulei de alegria – conta ela, primeiro animada, depois nem tanto. – Mas não ligou para mim. Só que quando a aulas recomeçaram, ele me procurou e explicou o motivo de não ter telefonado. Aí saímos algumas vezes e começamos a namorar.

– E você, Tobey? Desistiu? – pergunto.

Ele pensa um pouco antes de responder.

– Conversei com o Mike e Josh...

– Que são...? – interrompo.

– São meus dois melhores amigos. Nós temos uma banda, a Mindflame, e ensaiamos para a Batalha das Bandas. O Josh é o baterista e tem bastante de garra. Ele não pensa muito antes de agir e, talvez por isso, não dá muita sorte nas namoradas. Já o Mike é oposto. Ele planeja e analisa tudo primeiro. Procura relacionamentos mais reais, mas prefere ficar na paquera. Ele toca baixo na banda e divide o vocal comigo.

– Certo, certo... – confirmo o que ele disse com minhas anotações e faço sinal com a mão para ele continuar.

– Então... os dois me ajudaram a bolar planos para chegar junto de Sara.

– E funcionaram?

Tobey olha para Sara, e ela sorri.

– No início, não. Alguma coisa sempre dava errado. Só que um dia eu criei coragem e resolvi pedir ajuda a Laila.

– Laila é sua amiga, não é, Sara?

– É, sim! Eu andava sempre com ela e a Maggie. A Laila é perfeita em tudo o que faz e tem o sonho de ser pediatra. A família dela é toda de médicos, sabe? E a Maggie é aquela garota que chama a atenção por onde passa de tão bonita. Só que ela acha que é menos inteligente do que eu e Laila. Vive lendo até dicionário, só para aprender palavras novas. Lembro que chamaram ela para o grupo das patricinhas, mas ela recusou, porque teria que parar de andar comigo e com a Laila.

– Entendo... – digo, pronto para perguntar sobre algo que ela disse logo no início. – Por que disse que andava com elas, no passado?

Tobey inclina a cabeça e também fica esperando pela resposta, embora eu desconfie de que ele já sabe e que não concorda.

– É que a turma do Dave, a Caitlin e o Matt, não gostam da Laila e da Maggie.

– E para namorar o Dave, você tem que ficar sem as duas?

– Não. Eu ainda fico com elas, mas menos.

– Por causa do Dave?

– É – confirma ela, meio relutante.

Tobey faz uma expressão de censura, mas não diz nada.

– Você não aprova essa atitude, Tobey? – perguntou, tentando puxar dele uma opinião.

– Na verdade, não. O Dave... ele não é bem o que a Sara pensa.

– Ah, mas você também namorou a Cynthia, que é uma galinha – reclama Sara, mais do que depressa, tentando esconder uma pontada de ciúme.

– Ainda namoram? – pergunto.

– Não, não! – Tobey responde bem depressa. – Ela não significou nada. Ficamos ano passado. Não fomos namorados. Só que ela é bem... gostosa... – ele faz um sorriso envergonhado e não tem coragem de conferir a expressão de raiva de Sara. – Por um tempo foi muito bom, até eu começar a sentir um tremendo vazio.

Desta vez, Sara tenta esconder um sorriso pelo que ele diz.

– Então, se entendi, você, Tobey, não aprova o Dave, e a Sara não aprova a Cynthia. Certo?

Nenhum dos dois responde. Eu não insisto. De certa forma, já sei a resposta. Resolvo mudar temporariamente de assunto.

– E os pais de vocês? Como é o relacionamento com eles?

Sara responde primeiro.

– Minha mãe ficou grávida de mim aos 16 anos. Meu pai caiu fora logo em seguida. Ela teve que abandonar os estudos e só terminou o ensino médio por correspondência. É corretora de imóveis. Vive reclamando da vida, como se a culpa fosse minha. Ela acha que eu roubei a sua juventude. Ela me culpa por algo que eu não fiz. Acho que me odeia.

Os olhos dela ficam molhados, mas ela não chora. Tobey chega a se inclinar para consolá-la, mas desiste no último instante. Então, enche o peito de ar e começa a falar.

– Não tenho muito o que dizer de meus pais. Eles já foram apaixonados, mas hoje só os vejo cansados. Não quero isso para mim. Quero conhecer a pessoa certa e ser feliz com ela para... sempre.

Sara passa a mão pelos olhos e sorri por causa do sonho dele.

– E você? – pergunto para Sara. – Quais seus planos?

– Eu sempre fui uma nerd. Cansei de esperar para começar a viver. Alguma coisa tem que acontecer. Quero entrar em uma faculdade, me formar... quero namorar o cara ideal.

Decido tentar colocar um pouco de fogo no que eles dizem.

– O que Tobey faz, ou não faz, que deixa você incomodada? – pergunto para Sara.

– Ele não sabe o que quer da vida. É inteligente, mas só tira notas médias por desinteresse em estudar. E ainda não escolheu uma faculdade.

– E você, Tobey? O que Sara faz que deixa você incomodado?

– Sair com o Dave.

Sara olha para ele com compaixão, como se não fosse seu objetivo fazê-lo sofrer.

– Certo. E o que mais chama a atenção em Tobey?

– Os olhos azuis... o jeito que ele conversa comigo... as coisas que gostamos de fazer juntos.

– E você, Tobey?

– Na Sara? Bem... acho que tudo!

Os dois sorriem, mas não se olham. Parecem com medo do que vão encontrar. Confiro minhas anotações para ler o que ainda preciso perguntar. O tempo está acabando, por isso não sei se terei tempo de descobrir todas as respostas. Decido deixar que eles escolham.

– Ainda tenho algumas perguntas, como o resultado da batalha das bandas, o relacionamento com seus amigos e amigas, com seus pais, se algum plano de Tobey funcionou, se vocês resolveram dar uma chance para se conhecerem... mas acho que não teremos tempo para tudo.

Sara e Tobey trocam um olhar de cumplicidade e sorriem para mim.

– Acho que vai ter que comprar nosso livro para descobrir – respondem ao mesmo tempo.

Eu balanço a cabeça e antes que tenha chance de insistir, os dois vão embora. Abro minha gaveta e pego o livro que escreveram. Começo a ler ansioso. Quero saber como termina essa história.

E você?
Carlos H. Barros
Carlos H. Barros

Carlos tem várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamenta o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco -, e não saber desenhar. Autor também do blog Gettub

6 comentários:

  1. Oi Carlos

    Que estilo de resenha incrível, amei!
    Quanto ao livro, ele foi uma segunda chance que dei a autora.Já havia me decepcionado com ela em outros livros e cheguei até mesmo a abandonar a leitura.
    Achei De Repente Acontece extremamente fofo. Ele conseguiu me conquistar logo nas primeiras páginas apesar de não ser perfeito, nem ter uma história marcante. Foi uma leitura leve e despretensiosa que eu curti bastante.

    Abraços
    Mundo de Papel

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    1. Oi, Caline! Realmente é uma leitura leve e despretensiosa. Talvez até demais! rssss ;) Obrigado pelo comentário! Abs

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  2. Oie
    Já li outros livros da autora e gostei muito. Quero muito ler este.
    Realmente sua resenha ficou maravilhosa!!

    Beijos

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    1. Oi, Nessa! Até que a história de Sara e Tobey e fofa. Fará uma bela leitura! :)
      Abs e obrigado pela visita ;)

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  3. Que maneira diferente de falar de um livro! :D Criar uma crônica narrativa pra falar de um livro? Muito bom! Gostei mesmo!
    Tenho esse livro na minha estante, mas nem sei quando o lerei. A fila está grande, entende? No entanto, algo que de antemão já digo é que adoro o jeito da Susane escrever. Ela não estereotipa os jovens, e isso é um ponto muito positivo pra quem escreve YA's.

    Um abraço, Carlos!

    • Sacudindo Palavras •

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    1. Oi, Erica! Apesar do número de páginas, o livro até se lê rapidinho ;) Não deixa ele na sua estante abandonado... ;)
      Obrigado pelo comentário e aguardo sua volta aqui no blog! :D

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