Ser Feliz é Assim - Jennifer E. Smith

Sinopse: Após Graham enviar, por engano, um e-mail para Ellie falando sobre seu porco de estimação Wilbur, nasce uma inesperada amizade virtual. Ele é um astro de cinema, e ela, uma menina simples que faz o possível para passar despercebida, tentando esconder um escândalo do passado. Sem nem saber o nome um do outro, eles começam uma correspondência virtual, compartilhando segredos, esperanças e medos. Quando surge a oportunidade de Graham filmar seu próximo filme na pequena cidade de Ellie, o relacionamento ganha contornos reais. Duas pessoas de mundos tão diferentes conseguirão ficar juntas? (Skoob)

SMITH, Jennifer E.. Ser Feliz É Assim. Galera Record: 2014. 392 p.

Semanas atrás, eu fiz a resenha de outro livro de Jennifer E. Smith: A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista. Quem leu essa minha resenha, sabe que não gostei, porque a autora se preocupou demais em explicar o drama sentimental da personagem principal com o pai, sem um motivo coerente, e deixou o romance em segundo plano.

Não sei se isso aconteceu, mas suponho que alguém gritou no ouvido dela o erro que cometeu, porque Ser Feliz é Assim corrige todos os problemas desse outro livro.

Novamente narrado em terceiro pessoa, desta vez conhecemos ambos os lados dos dramas pessoais que Graham e Ellie enfrentam em relação à sua família.

A mãe de Ellie se apaixonou pelo homem errado: após ficar grávida, descobriu que ele tinha outra família e um futuro profissional que o impedia, em termos, de assumir seu papel de pai de Ellie. Isso é explicado mais para o meio livro e faz todo o sentido.

Já Graham enfrenta a solidão e a desconfiança das amizades que surgem de todos os lados, devido à sua fama como estrela de filmes juvenis de ação. Somado a isso, existe uma espécie de abandono dos pais, que nunca parecem sentir vontade de participar de sua vida. Ele sente a falta deles, mas não sabe como trazê-los para perto.

“No entanto, do lugar onde estava Graham conseguia enxergá-la perfeitamente: o cabelo ruivo ondulado e a camiseta grandona com a figura de uma lagosta sorridente na frente, o jeito como as pernas estavam encolhidas por baixo do corpo no assento da namoradeira de balanço e o nariz coberto de sardas. Ele conseguia vê-la bem, e a reação foi exatamente aquela que havia imaginado mais cedo. Foi como levar um soco em cheio no estômago.”

Em diversos momentos somos apresentados a acontecimentos passados que explicam a relação de Ellie e Graham com essas dificuldades, mas sem atrapalhar ou roubar os momentos que constroem o romance dos dois. São trechos curtos, colocados entre ações e nunca no meio delas, evitando a quebra de ritmo.

“Outro rojão explodiu no céu, agora em anéis de luz verde e roxa, mas esse Ellie acabou perdendo. Ela estava ocupada demais observando Graham, e, quando ele girou o corpo, os olhares de ambos se encontraram imediatamente. Os dois ficaram daquele jeito por um longo instante enquanto chovia fagulhas coloridas.”

Não existe realmente muito a se dizer sobre a história em si. Ela gira ao redor das tentativas de Graham em convencer Ellie de que sua fama não vai impedir que eles possam se amar e ficarem juntos. Somando a isso, existe a solução do problema de cada um deles com os pais.

Pode parecer pouco para um livro com tantas páginas, mas não é. Assim, Smith tem o espaço necessário para escrever o que mais importa: as conversas entre Ellie e Graham, e a troca de e-mails, sempre muito curtos, mas carregados de emoção e dualidade. Explico: as mensagens são pequenas, mas o que não é dito nelas, apenas sugerido, força a imaginação do leitor a criar exatamente o que fica oculto. E quanto Ellie e Graham estão juntos, aquilo que o leitor imaginou é confirmado pelos dois.

Ellie e Graham formam um casal apaixonante, e é impossível não torcer para que fiquem juntos no final, independente dos desencontros que surgem pelo caminho. Os diálogos não são formados por frases cheias de significado, daquelas elaboradas, que perdem a credibilidade por não serem naturais, por parecerem pensadas demais, certinhas demais. Eles conversam sobre trivialidades, sobre seus sentimentos, desejos, medos, dificuldades, sonhos, etc., exatamente como qualquer casal apaixonado conversaria.

“Ela: Você não acha um saco quando pessoas respondem e-mails usando emoticons?
Ele: :)
Ela: Vou fingir que não vi isso.”

Talvez esse seja o motivo do livro ser tão fácil de ler.

Talvez esse seja o motivo de, ao virar a última página, você seja flagrado com um sorriso no rosto.


Carlos H. Barros
Carlos H. Barros

Carlos tem várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamenta o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco -, e não saber desenhar. Autor também do blog Gettub

8 comentários:

  1. Eu sempre fiquei curiosa para ler A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista, mas agora, depois da sua resenha, fiquei na dúvida se devo mesmo, talvez eu devesse já pular para Ser Feliz É Assim, gosto mais da premissa deste e adoro livros que nos deixam sorrindo. Tudo Tem Refrão

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    1. Oi, Ágata!
      Não sou de dizer para não ler um livro. Você pode gostar do que eu não gosto, e vice-versa. APEDAAPV é fininho e dá para ser lido em um par de horas. Mas se decidir pular assim mesmo, vai encontrar em SFEA um casal tão fofo quanto o outro, só que muito mais desenvolvido e consistente.
      Obrigado pela visita! ;)

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  2. Oie
    Gostei muito de sua resenha Carlos. Confesso que esse livro nunca chamou minha atenção, e pela sua resenha percebi que ele é muito bom e um tema interessante. Quem sabe um dia eu leia.
    Essa capa é bem legal!

    Beijinhos

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    1. Olá, Nessa!
      Sabe? Não é aquela história cheia de acontecimentos, mas é muito gostosa de acompanhar. Acho que me senti menos estressado ao final do livro...rsssss
      Abs

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  3. A sua resenha me deu muita vontade de ler o livro. E eu estava até querendo um livro mais leve assim para começar quando terminar o que estou lendo atualmente. Vou gravar o nome desse ;)

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    1. Oi, Deby!
      Se quer um livro alto astral, descompromissado, leitura fácil... achou! rsss
      Abs

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  4. Oi Carlos!

    Já vi um monte de resenhas desse livro pela blogosfera, e todos com impressões muito positivas. O título é uma graça e só por ele eu já leria o livro, mas a sua resenha me deixou com uma curiosidade ímpar. Diferente do outro livro da autora, esse sim dá aquela vontade desesperadora de ler.

    Beijo!
    http://www.roendolivros.com/

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    1. Olá, Ana!
      Não deixe de ler mesmo, a história é simples mas muito fofa.
      Abração pra vc!

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