Halo - Alexandra Adornetto

Sinopse: Três anjos são enviados à Terra com planos de se misturarem aos humanos para assegurar a paz e trazer a bondade: Gabriel, o Herói de Deus, um antigo guerreiro que se disfarça de professor de música; Ivy, serafim abençoada com poderes de cura; e Bethany, a mais nova e inexperiente do grupo, enviada como uma jovem estudante para aprender sobre a humanidade. Após Bethany se encantar com a vida humana, ela começa a viver todas as experiências de uma adolescente normal, até se apaixonar por um rapaz e colocar toda a missão em risco. As forças do mal se aproveitarão dessa situação para pôr seus planos malignos em prática. Um romance de tirar o fôlego, que responderá a pergunta: será que o amor é forte o suficiente para vencer as forças do mal? (Skoob)

ADORNETTO, Alexandra. Halo. Agir: 2010. 470 p.


Halo sempre me chamou a atenção por causa da capa. Ela é linda e reflete com perfeição o que os dois personagens principais sentem. Bethany se apaixona por Xavier logo na primeira vez que o vê. E como na capa, onde ele fica de encontro à árvore com ela o empurrando e se esticando para beijá-lo, é ela quem controla a relação. Isso não quer dizer que Xavier a ama menos, mas é a personalidade de Bethany que provoca e define todas as situações. Ela o ama com a intensidade de alguém que não sabe o que é sentir, enquanto ele a ama com a intensidade de um garoto.

Antes de comprar e começar a ler, sempre faço uma pesquisa em resenhas espalhadas pela Internet. Descobri que Halo é um livro cheio de altos e baixos. Há quem o ame, e há quem o deteste. Ou seja, não consegui descobrir previamente se poderia gostar ou não da leitura. Assim, resolvi tirar minhas próprias conclusões.

“Ele não poderia ter mais de 17 anos, mas era possível enxergar nele o homem que um dia se tornaria. Usava bermuda cargo até os joelhos e uma camiseta branca larga com as mangas cortadas. Suas pernas musculosas pendiam da beirada do píer. Ele pescava e tinha uma sacola de tela cheia de iscas e molinetes sortidos ao lado. Paramos de súbito assim que o avistamos e teríamos dado meia-volta, se ele já não nos tivesse visto.”

Após a leitura, compreendi perfeitamente o motivo de tanta dualidade. É muito fácil gostar de Halo; mas também é muito fácil apontar vários defeitos que podem incomodar um ou outro leitor.

Note-se que o livro foi escrito quando Alexandra Adornetto era uma adolescente. Pode-se dizer que não é desculpa para as falhas, mas explica a inconstância do enredo, uma vez que nessa idade a gente se comporta da mesma forma.

E essas inconstâncias não estão presentes apenas nos momentos de ação da história, mas também na forma como ela é contada. No início do livro temos várias e várias páginas descrevendo a chegada dos três anjos, Gabriel, Ivy e Bethany, bem como a casa onde vão morar, a forma como se vestem, o que comem, seus deveres como servos de Deus, a fragilidade de Bethany por ser sua primeira missão, entre outros detalhes que, à primeira vista, podem não acrescentar nada à história. E muitas pessoas, nas resenhas que li, reclamaram disso. Entretanto, essas páginas ajudaram a compor o ambiente e a imagem de pureza dos três personagens, que não seria possível com um parágrafo apenas.

“Sua mão  era larga e quente. Ele segurou a minha por uma fração de segundo a mais. Lembrei-me do que Gabriel dissera a respeito de evitar interações humanas arriscadas. Sinos de alerta soaram a minha cabeça enquanto eu franzia o cenho e puxava a mão de volta.”

Logo após essa primeira parte, o livro aumenta a agilidade dos acontecimentos e desenvolve o romance entre Bethany e Xavier, que torna-se mais perigoso do que o surgimento do inimigo. E nesse ponto, reside um outro defeito. Jake, o demônio que pretende trazer o mal à cidade, demora muito a aparecer. E o melhor do livro está exatamente quando isso acontece.

Não é formado um triângulo amoroso que deixa o leitor em dúvida sobre a preferência de cada personagem, porque Bethany sempre deixa bem claro de que seus sentimentos por Xavier são muito mais fortes do que por qualquer outra pessoa, mas as estocadas de Jake para conquistá-la e afastar Xavier apimentam a história e criam momentos de tensão, que poderiam ser em mais quantidade e maiores se tivessem começado mais cedo.

Uma segunda coisa que me incomodou foi a relutância do casal em se relacionar sexualmente. Tudo bem, Bethany não é deste mundo e nunca experimentou esse tipo de prazer. Seria compreensível se a relutância viesse dela e não de Xavier. A situação criada por Adornetto para que eles não tenham uma primeira noite juntos, chega a ser menos crível do que a existência de anjos andando na Terra. Não sei se a autora desejou deixar alguma mensagem de castidade para os adolescentes, ou se foi sua própria imaturidade para lidar com o assunto.

“O garoto que se aproximou da professora não era o que eu esperava. Alguma coisa em sua aparência fez meu coração afundar no estômago. Alto e esguio, tinha o cabelo escuro e liso na altura dos ombros. As maçãs do rosto eram salientes, dando ao rosto uma expressão emaciada, cavernosa. O nariz era encurvado ligeiramente na ponta, e os olhos escuros nos observavam obstinados sob sobrancelhas espessas.”

O clímax do livro seria minha terceira queixa. Ele é rápido e muito meloso. Tanto que chega a incomodar. Ainda mais para uma geração que está habituada a ver séries de TV como Supernatural. Não basta criar uma solução para uma situação e dizer que é o poder escondido da personagem, ainda mais o tipo de poder que ela liberta. Acredito que seja o ponto mais frágil de toda a narrativa e demonstra a imaturidade da autora para criar uma situação que poderia ser cheia de ação e adrenalina.

Como Halo é o primeiro volume de uma trilogia, já toda publicada no Brasil, muita coisa fica em aberto. E, mesmo assim, o que é deixado para o próximo livro não chega a causar muita curiosidade.

Apesar de tudo o que escrevi, preciso confessar que gostei do livro. Talvez seja devido ao carisma do casal principal, ou a forma como eles se relacionam, ou a expectativa de que consigam ficar juntos no último livro, ou simplesmente porque, apesar de todas as irregularidades, a história é cheia de bons sentimentos e me conquistou por causa deles.

Carlos H. Barros
Carlos H. Barros

Carlos tem várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamenta o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco -, e não saber desenhar. Autor também do blog Gettub

6 comentários:

  1. Olá.
    Boa resenha. Que bom que conseguiu gostar do livro, apesar dos pesares. Ainda não li, mas pretendo ler em breve para tirar minhas próprias conclusões também.

    Beijos, Vanessa.
    This Adorable Thing
    http://thisadorablething.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Oie Carlos =)

    Eu tinha esse livro, mas quando percebi que tinha comprado ele no impulso e não iria ler ele acabei trocando.

    Acho que desanimei com o livro por conta das resenhas negativas que fui lendo dele, e por que depois do "frenesi" de livros com anjos acabei perdendo o interesse na história mesmo.

    Sei bem como é isso, de mesmo o livro não sendo 100% a gente acabar gostando e querendo mais.

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

    ResponderExcluir
  3. Oi Carlos
    Sempre tive vontade de ler este livro, mas ficava com um pé a trás, sei lá. Sua resenha me deixou mais curiosa. É um tema que eu curto e me desperta curiosidade. Quero ler.

    Beijos

    ResponderExcluir
  4. Oi Carlos, tudo bem?
    Confesso que essa temática nunca me agradou tanto, e depois de ler tantas resenhas negativas nunca me animei com esse livro.
    Mas que bom que apesar de tudo, foi uma leitura proveitosa pra você.
    Abraços,
    Amanda Almeida
    http://amanda-almeida.com.br

    ResponderExcluir
  5. acho Halo um livro injustiçado. tá longe de ser "O LIVRO" realmente não é, mas pra mim, o livro veio em uma linguagem simples e até com uma pureza, mostrar a proposta da autora. os personagens são bem construídos, Bethany e Xavier são feitos mesmo um para o outro, claro tem toda aquele "medo" das descobertas mas volto a dizer, pra mim funcionou para o livro. quando li a primeira vez achei lento mas com aquela graça aqui e ali. comprei o segundo e reli Halo de novo, então vi que a leitura funcionou mesmo. amei a resenha Carlos, bem objetiva. e concordo plenamente "a história é cheia de bons sentimentos" =)

    ResponderExcluir
  6. Olá Carlos,

    Sempre li resenhas positivas desse livro, mas confesso que nunca me despertou real interesse, mas fico feliz que tenha gostado....abraço.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

Agradeço muito sua visita e peço que participe do blog, deixando um recadinho. Opiniões, idéias, sugestões, são muito importantes para fazer o blog cada vez melhor!
Assim que possível, retribuirei a visita.

Beijos, Julia G.