Precisamos Falar Sobre o Kevin - Lionel Shriver


Sinopse: Precisamos Falar Sobre o Kevin - Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos. (Skoob)
SHRIVER, Lionel. Precisamos Falar Sobre o Kevin. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012. 464 p.


Uma das coisas que eu mais odeio na vida é ver um filme e descobrir que ele foi adaptação de um livro. Quem é leitor de carteirinha geralmente prefere ler o livro antes de assistir ao filme, mas comigo aconteceu o contrário pelo motivo que citei anteriormente. Quando eu assisti Precisamos Falar Sobre o Kevin, eu não fazia ideia que ele era uma adaptação. Na verdade, só assisti porque o Ezra Miller, que faz o papel do Kevin, é meu ator favorito. Porém, o filme é tão profundo que, quando descobri meu infortúnio, comprei o livro imediatamente.

O livro é escrito em formas de cartas que Eva destina ao seu marido, Franklin. Essas cartas são um misto do seu passado e presente para tentar entender o futuro. Desde os primeiros capítulos do livro percebemos a aversão de Eva à maternidade. Essa aversão é tão forte que até quem não planeja ter filhos se assusta com a forma que ela trata o assunto.

Para início de conversa, temos uma mulher que não ama seu filho. Isso parece ser totalmente justificável, já que Kevin também não ama sua mãe. Por mais que Eva tente, ela não consegue manter um relacionamento afetivo sólido com o garoto. A única coisa que ela consegue, no decorrer dos anos, é se distanciar do marido, que morre de amores pelo filho.

"Veja só, tudo o que me fazia bonita era intrínseco à
maternidade, e até mesmo o meu desejo de que os homens me
considerassem atraente era uma imaginação do corpo 
projetada para expelir seu próprio substituto. [...] Sentia-me dispensável,
jogada fora, engolida por um grande projeto biológico que não iniciei 
nem escolhi, que me produziu mas que também iria me 
mastigar e depois cuspir fora. Eu me senti usada."

Logo percebemos que, ao contrário de Eva, Franklin desejou Kevin desde o início do casamento, por mais que não demonstrasse. E foi justamente esse desejo que o fez construir uma relação de puro encanto com o filho. É claro que, na minha opinião, não se esqueçam disso, Kevin tinha essa amizade com o pai apenas para afrontar a mãe, mas há quem acredite que Kevin realmente amou o pai.

O início do livro é bem arrastado, mas acreditem: há um pote de ouro no fim do arco-íris. Se a autora passa muito tempo detalhando a concepção e a infância de Kevin, mostrando toda a repulsa que o filho sente pela mãe e vice-versa é por uma finalidade. Precisamos conhecer cada traço da história para tirarmos nossa conclusão no final dela.

Precisamos Falar Sobre o Kevin é um livro pesado e polêmico. Afinal, quem gosta de escrever sobre crianças que, apesar de aparentemente puras são na verdade demônios (não consegui encontrar outro termo para comparar, me desculpem) com a mente perversa?

Após o término do livro ficamos com aquela eterna dúvida no ar: de quem é a culpa? De Eva, que nunca quis a gravidez e não conseguiu amá-lo, de Franklin, que além de fazer todas as vontades o filho, sempre foi alheio às atitudes dele ou foi simplesmente influência da sociedade? Sem dúvida, ainda temos muito o que falar sobre o Kevin.

Ana Clara
Ana Clara

Amante de livros sonha em ter uma biblioteca gigantesca em casa. Lê qualquer coisa que colocarem na frente, desde biografias a rótulos de shampoo. Detesta cachorros e, para ela, os gatos são as criaturas mais fantásticas do mundo. Quando o assunto é música, não cansa de mostrar seu amor pelos Beatles, além de ser fã de fé dos Engenheiros do Hawaii. Também é apaixonada por MPD e louca por O Teatro Mágico do último fio de cabelo até a planta dos pés. Se quiserem saber mais, acompanhem também o blog Roendo Livros.

7 comentários:

  1. Olá Ana,

    Esse livro está na minha lista de desejados, as resenhas que leio só confirmam a qualidade da obra e esse é o único livro que a capa do filme é melhor que a original....kk...parabéns pela resenha....abraço.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  2. Tenho o mesmo sentimento...odeio ver o filme e descobrir q foi baseado num livro hahaha

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  3. assisti o filme e fiquei bem mal. me incomodou demais. não sei explicar se foi a completa falta de humanidade em Kevin, ou a completa falta de sentimento na mulher que o gerou que de mãe passa longe. o filme me desanimou muito em ler o livro apesar de que raramente eu leia o livro depois de ver uma adaptação. acredito que essa era a intenção, incomodar, saber que infelizmente, existe pessoas assim. acredito que o livro também seja carregado, tenso. nunca digo que não vou ler o livro, mas esse com certeza, não o leria agora. adorei a resenha <3

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  4. num geral pela sua resenha acredito que a culpa foi dos dois,não sei bem por que ela engravidou sem desejar ter um filho, para fazer as vontades do marido? e Ele desejou tanto um filho que ignorou os erros do garoto,enfim eu teria que ler o livro para tirar minhas próprias conclusões mas é um livro que eu tenho que esta psicologicamente preparada para ler.
    http://blogradioactive.blogspot.com.br

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  5. Oi Julia! Esse livro faz parte dos meus favoritos!
    Assim como você, também assisti ao filme primeiro.
    Mas vi a obra de um modo diferente que você... A história é narrada por uma mãe em desespero que procura entender de todas as formas "onde foi que errou" quanto à criação de Kevin. Então, ela procura os fatos mais cruéis e - considerados por ela - os mais desprezíveis que poderiam ter feito com que Kevin se tornasse aquele monstro. Ela tenta procurar em seu íntimo se foi devido à gravidez indesejada, ao carinho insuficiente ou aos momentos em que ela "explodiu" com o filho. Ao final, notamos o quanto ela se culpa com tudo isso... E, sim, ama o filho. Pois, nunca o deixa.
    Claro que ela teve momentos bons com o garoto. Contudo, como o intuito é "procurar onde ela errou", Eva se detém somente nos momentos ruins vivenciados. Assim como acontece quando morre alguém que amamos e ficamos pensando "poxa, eu disse isso e aquilo para ele". Ficamos concentrados no que dizemos de negativo e esquecemos todo o resto positivo que teve.
    Enfim... É um thriller psicológico e perturbador que permite múltiplas interpretações. Por isso, é uma bela obra! :D

    Beijos!! Bom fim de semana! \o/

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  6. Oi, Julia!
    Eu também assisti o filme primeiro, mas sabia que era a adaptação de um livro e eu já queria lê-lo há muito tempo. Amei o filme e consegui ganhar o livro ano passado, mas ainda não o li.
    Também sou fã do Ezra.
    Acredito que o livro seja bem mais impactante que o filme. A Lionel parece ser uma escritora bem crítica e ácida. E é bem provável que eu ame a escrita dela.
    Adorei saber sua opinião e espero adorar a leitura também.
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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  7. Olá, Ana! Adoro as suas resenhas, moça!
    Olha só, sou meio fissurada por livros que navegam pela mente de personagens. Quanto mais perturbados forem esses personagens, mais eu gosto do livro. Eu tenho uma curiosidade imensa sobre o assunto psicopatia. Acredito que seres psicopatas não são frutos da realidade na qual vivem, mas sim a sua frieza e total falta de empatia pelo outro é algo já nasce com eles. Faz tempo que li a sinopse do livro "Precisamos falar sobre Kevin" e a minha vontade de adquirir a obra e de lê-lo só cresce a cada dia mais. Deve ser um livro muito desconcertante, forte e inquietante. Eu gosto de obras justamente assim. Que me sacudam. Não quero ler um livro que não cause nada em mim.
    Eu quero ver o filme depois de ler o livro. Dizem que é um filme bastante chocante, quase como o livro, e alguns dizem que é mais chocante do que o livro.
    Enfim, a sua resenha só colaborou para que eu quisesse ler mais essa obra de Lionel.

    Um abraço gigante!

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