Minhas Impressões: A Playlist de Hayden - Michelle Falkoff


Depois da morte de seu amigo, Sam parece um fantasma vagando pelos corredores da escola o que não é muito diferente de antes. Ele sabe que tem que aceitar o que Hayden fez, mas se culpa pelo que aconteceu e não consegue mudar o que sente.
Enquanto ouve música por música da lista deixada por Hayden, Sam tenta descobrir o que exatamente aconteceu naquela noite. E, quanto mais ele ouve e reflete sobre o passado, mais segredos descobre sobre seu amigo e sobre a vida que ele levava.
A PLAYLIST DE HAYDEN é uma história inquietante sobre perda, raiva, superação e bullying. Acima de tudo, sobre encontrar esperança quando essa parte parece ser a mais difícil.
FALKOFF, Michelle. A Playlist de Hayden. Ribeirão Preto, SP: Novo Conceito Editora, 2015. 288 p.


Tem livro que dá vontade de ouvir. Michelle Falkoff, no livro A Playlist de Hayden, usa a arte da música a seu favor, e faz com que nós (leitores), bem como Sam, busquemos o sentido das músicas deixadas como um bilhete de despedida por Hayden para seu melhor amigo.

Um relato de amizade, que permeia diversas lembranças de Sam e Hayden, o livro faz com que reflitamos sobre como é estar no lugar do outro. A narrativa aparentemente triste aborda temáticas importantes, a partir da história de uma vivência sobre dor e culpa, refletindo questões dificilmente pensadas, como o bullying e o suicídio.

Será que Sam vai entender a playlist? A playlist de Hayden parece cheio de reviravoltas e mistérios, incluindo um quê de sobrenatural (quem, afinal, será o Arquimago?). Talvez a história seja não só uma descoberta sobre o melhor amigo, mas também sobre ele mesmo. E já que a Novo Conceito enviou apenas uma pequena amostra, só nos resta esperar.

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Simplesmente Acontece - Cecelia Ahern

Sinopse: Namorar aquele grande amigo da adolescência já deve ter passado pela sua cabeça. Depois de pensar por algum tempo, você acabou desistindo, porque teve medo de colocar a amizade em risco. O seu amigo começou a namorar outra garota, você também conheceu alguém... E as circunstâncias empurraram vocês dois para longe um do outro. É assim que começa a história de Rosie e Alex. Todo mundo tinha certeza de que eles formariam um casal, mas, distraidamente, eles foram adiando a aproximação. Até que o destino se encarregou de colocar um ponto-final na história, mandando Alex para outro continente. Ele se tornou um cirurgião renomado... Ela continua correndo atrás do sonho de trabalhar em um hotel luxuoso. Mesmo sofrendo com a distância, os dois aprenderam a viver um sem o outro. Só que o destino gosta de se divertir, e já mostrou que a história deles não termina assim, de maneira tão simples. (Skoob)
AHERN, Cecelia. Simplesmente Acontece. Novo Conceito, 2014. 448 p.

De: Julia G
Para: Carlos
Assunto: Resenha de segunda
Oi, Carlos!
Já decidiu qual livro ira resenhar na próxima segunda?

De: Carlos
Para: Julia G
Assunto: Re: Resenha de segunda
Olá, Ju!
Já, sim. Comecei Simplesmente Acontece. Vou ver o filme no fim de semana, mas antes quero ler o livro.

De: Julia G
Para: Carlos
Assunto: Re: Re: Resenha de segunda
Já ouvi falar bem desse livro. Está gostando?

De: Carlos
Para: Julia G
Assunto: Re: Re: Re: Resenha de segunda
Eu comprei sem abrir e, quando abri já em casa, tive uma surpresa. A história é toda contada através de cartas, e-mails, mensagens e conversas pelo celular. Não gosto muito desse tipo de narrativa. No entanto, levei outra surpresa quando comecei a ler e constatei que não me estava incomodando em nada. Os eventos aconteciam numa sequência fácil de entender, e a linguagem corriqueira que usamos hoje em dia para nos comunicar causou familiaridade. Estou gostando, e muito.

VOCÊ RECEBEU UMA MENSAGEM DE CARLOS

Carlos: E aí, Ju?

Julia G: Tudo bem, Carlos

Carlos: Tô na metade do livro.

Julia G: E continua gostando?

Carlos: Sim. Rosie e Alex são personagens carismáticos, imperfeitos, inconsequentes dentro da idade em que estão.

Julia G: Quando a história começa, eles têm quantos anos?

Carlos: Com 7. E vamos acompanhando a construção da amizade dos dois através dos anos. E o que aprontam e o que erram corresponde ao que nós fazemos na mesma idade. A identificação do leitor com os dois é quase instantânea. Achei curioso que existe uma inversão de papeis com relação ao sexo.

Julia G: Como assim?

Carlos: As atitudes e pensamentos de Alex condizem mais com uma mulher. E as de Rosie, com um homem. Por exemplo: Rosie gosta de beber, fuma, é inconsequente nas travessuras, fala palavrão, não pensa no futuro, só quer se divertir. Alex é mais romântico, tem um plano definido para sua carreira, é mais responsável nas atitudes. Isso contraria o estereotipo que estamos habituados.

Julia G: E achou ruim?

Carlos: Não, de forma alguma. Pelo contrário. Sai da mesmice e cria situação hilárias entre os dois. Rosie se mete em confusões, enquanto Alex prossegue com a vida. Um dos motivos deles se desencontrarem está relacionado com essas atitudes inconsequentes de Rosie. Mas em momento algum surge alguma antipatia ou falta verossimilhança dos personagens.

Julia G: Que bom que está gostando.

Carlos: vou voltar pra leitura. Xau.

Carlos saiu


De: Carlos
Para: Julia G
Assunto: Terminei
Olá, Ju!
Terminei Simplesmente Acontece! \o/
Quer saber minhas considerações finais antes de publicar a resenha?

De: Julia G
Para: Carlos
Assunto: Re: Terminei
Oi, Carlos!
Quero sim, estou curiosa! :)

De: Carlos
Para: Julia G
Assunto: Re: Re: Terminei
Fiquei dividido. Eu gostei, mas ficou a impressão de que poderia ser melhor.

De: Julia G
Para: Carlos
Assunto: Re: Re: Terminei
Explica isso melhor, Carlos, porque não entendi nada kkkkkkkk

De: Carlos
Para: Julia G
Assunto: Re: Re: Re: Terminei
É assim: acompanhamos a vida de Rosie e Alex por quase 50 anos. No início, era engraçado as situações que ocorriam e que acabavam levando os dois em direções opostas. Tudo corriqueiro e crível. Mas as situações continuaram ocorrendo com o passar dos anos. Sempre que os dois chegavam perto de formar um casal, acontecia algo que os separava. E essas situações corriqueiras passaram a parecer forçadas pela quantidade. Depois da metade do livro, de engraçadas passaram a ser irritantes, e depois perderam a credibilidade. Muitas delas poderiam ser resolvidas com apenas uma conversa. Inclusive, as trocas de mensagens, às vezes, estavam separadas umas das outras por vários anos. E quando eles voltavam a se falar era como se apenas tivessem passados dias. Acabou atrapalhando um pouco o prazer da leitura. Nos últimos capítulos, já fica claro como será o final, mas ficamos com a expectativa de que esse final seja apresentado com a mesma tranquilidade e falta de pressa que toda a história até ali, mas não, ocorre o contrário: o final simplesmente resolve tudo com uma carta, que poderia ter sido enviada várias e várias vezes nos anos que se passaram, e depois dessa carta tudo fica resolvido. Foi um final de duas páginas que joga para o alto toda a dificuldade que eles tiveram até aquele momento. Ficou estranho.

De: Julia G
Para: Carlos
Assunto: Duvida
Mas e a parte boa? Você disse que ficou dividido.

De: Carlos
Para: Julia G
Assunto: Re: Duvida
A parte boa está nas situações que, embora se tornem maçantes, conseguem manter o bom humor e o leitor acaba rindo; e Katie, a filha de Rosie. Ela é a versão jovem da mãe, com os mesmos medos e imperfeições, mas com as qualidades melhoradas, e as decisões também. Ela repete diversas situações que Rosie também experimentou, mas se sai melhor que ela. E as trocas de cartas e as atitudes que Katie tem com a esposa de Alex, são fantásticas.

VOCÊ RECEBEU UMA MENSAGEM DE CARLOS

Carlos: Ju? Está aí?

Julia G: Tô, sim

Carlos: Acabei de sair do cinema.

Julia G: E aí? Ficou fiel ao livro?

Carlos: Mais ou menos. Não ri, mas também fiquei dividido! Rssssssssssss

Julia G: Kkkkkkkkkkkk Pq?

Carlos: Sabe aqueles defeitos que apontei sobre o livro?

Julia G: Sim

Carlos: Então, eles corrigiram tudo no filme. Inclusive, ele abrange um período bem menor da vida de Rosie e Alex, o que, na minha opinião, também ficou bem melhor.

Julia G: Mas...?

Carlos: Não ri de novo... rssss ... mas tudo o que o livro tinha de bom, eles estragaram no filme!

Julia G: Kkkkkkkkkk

Carlos: É sério. Katie, por exemplo, não tem nenhuma das hilárias situações que acompanhamos no livro. E as conversas entre Rosie e Alex ficaram melosas e tristes, algo que no livro é tratado, muitas vezes, de forma leve e humorística.

Julia G: Mas mesmo assim é bonito?

Carlos: É, sim. Os dois atores têm química e ficaram perfeitos no papel. A perda das situações cômicas deu um peso maior na história e lá para a metade ficou meio chata, mas a parte final, pelo menos, compensa por ser muito mais coerente que no livro. Recomendo.

Julia G: Então vou ver, sim!

Carlos: Veja, sim! Vai gostar.

Carlos saiu


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O Primeiro Telefonema do Céu - Mitch Albom


Como você se sentiria se um dia recebesse uma ligação de alguém que ama muito e que já se foi?
Numa sexta-feira comum, o telefone de Tess Rafferty toca. É sua mãe, Ruth, que morreu quatro anos antes. Em seguida, Jack Sellers e Katherine Yellin recebem ligações semelhantes, do filho e da irmã, também já falecidos.
Nas semanas seguintes, outros habitantes de Coldwater afirmam que estão em contato direto com o além, e que seus interlocutores lhes pediram para espalhar a boa-nova ao maior número possível de pessoas. A mensagem é simples: o céu existe, e é um lugar onde todos são iguais.
Em pouco tempo, correspondentes de diversos meios de comunicação aportam na cidade para transmitir os desdobramentos do fenômeno que pode ser o maior milagre da atualidade. Visitantes do país inteiro começam a surgir, as vendas de telefone disparam e as igrejas se enchem de fiéis.
Apenas uma pessoa desconfia da história: Sully Harding, ex-piloto das Forças Armadas. Após quase morrer num desastre aéreo, perder a mulher e cumprir pena por um crime que não cometeu, ele não acredita num mundo melhor, muito menos após a morte. E quando seu filho pequeno começa a esperar uma ligação da mãe morta, ele decide provar que estão todos sendo enganados. (Skoob)
ALBOM, Mitch. O Primeiro Telefonema do Céu. Arqueiro, 2015. 288 p.

Quando algumas pessoas passam a receber telefonemas diretamente do céu, a cidade de Coldwater entra em destaque. Milhares de fiéis ávidos para conferirem esse milagre, milhares de céticos prontos para contestar, e milhares de seres humanos desolados pela perda. 

O Primeiro Telefonema do Céu é um livro absolutamente completo. Eu não esperava uma história tão singela e intensa. Quando você pega um livro sem expectativas há chances de tanto se decepcionar quanto se surpreender. Felizmente, Mitch Albom foi muito além de simplesmente me surpreender.

Mitch Albom nos narra a história intercalando entre os mais diversos personagens da trama, transmitindo-nos todas suas sensações, angústias e desilusões. Desta forma, foi realmente intenso acompanhar a vida desses personagens, o quanto estavam abalados pela perda, e o quanto ficaram aliviados (e assustados) com a "volta" dos entes queridos. Nós todos estamos sujeitos a perdas, e passar por essa fase é sempre muito difícil. Entramos em fase de negação e sentimos a ausência constantemente. Portanto, até que ponto pode-se acreditar em pessoas que estão passando por isso? Seria realmente verdade o que eles falam? Mas e se você recebesse esse telefonema? Mudaria tudo.

Em Colwater todas as pessoas estão ansiosas para receberem esse milagre também, que chegam ao desespero. É absolutamente incrível observar como as pessoas ficam alteradas e esperançosas. Muitos não acreditam no milagre, mas no fundo querem recebê-lo. O desespero é tão intenso que alguns compram os mesmos celulares dos escolhidos (como são chamados os que receberam o milagre dos céus). 

"Foi nesse dia que o mundo recebeu seu primeiro telefonema do céu. O que aconteceu depois depende do tamanho da fé de cada um".

O autor aborda um tema difícil, a questão da fé e da religião. Mas vale ressaltar que em momento algum ele soa persuasivo ou tenta induzir o leitor a seguir uma outra religião. Pra mim isso foi muito importante, visto que este é um tema difícil e complicado e chega a dividir muito as pessoas, mesmo tratando-se de ficção.

Eu gostei muito do livro, da forma como ele abordou a questão da perda e da fé. Mitch Albom escreveu um livro completo. Poucas vezes li livros tão completos, que tratam de diversas questões tão bem, mesmo isoladamente. Ele sem sombras de dúvidas, conquistou uma fã <3 A narrativa é muito fluida e instigante e o mistério por trás dos telefonemas me manteve muito ligada à trama. Não posso dizer que amei este livro mais do que eu amei, gente, ele é incrível.

"É preciso começar de novo. É o que todos dizem. A vida, no entanto não é um jogo de tabuleiro, e a perda de uma pessoa querida nunca é como 'recomeçar um jogo'. É acima de tudo, 'continuar sem'." 

O Primeiro Telefonema do Céu envolve drama, romance, suspense e fé. É um livro que consegue unir esses quatro pontos magistralmente, sem deixar nenhuma ponta solta e muito menos cansar o leitor. Deixe todo e qualquer receio de lado e confira a obra. É impressionante :D

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Objetos Cortantes - Gillian Flynn

Uma narrativa tensa e cheia de reviravoltas. Um livro viciante, assombroso e inesquecível. Recém-saída de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar a tendência à automutilação que deixou seu corpo todo marcado, a repórter de um jornal sem prestígio em Chicago, Camille Preaker, tem um novo desafio pela frente. Frank Curry, o editor-chefe da publicação, pede que ela retorne à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida.

Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado. Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas e aos poucos desvenda os segredos de sua família, quase tão macabros quanto as cicatrizes sob suas roupas.
FLYNN, Gillian. Objetos Cortantes. Intrínseca: 2015. 256 p.

Gillian Flynn estourou no Brasil depois do lançamento do livro Garota Exemplar e foi praticamente unânime o reconhecimento do talento da autora, se consideradas todas as resenhas a respeito da obra. Eu não tive a oportunidade de conferir em primeira mão, mas assisti ao filme e fiquei embasbacada com a construção daquele enredo, tanto que permaneci dias chocada com a história de Amy. Desta vez, com Objetos Cortantes, pude compreender um pouco do que está por trás do renome de Gillian Flynn.

Camille Preaker é quem narra os acontecimentos e, em um primeiro momento, a impressão é de que adentramos na vida da personagem em um instante qualquer, que invadimos sua mente sem que ela percebesse e, em razão disso, ela não se preocupa em explicar nada além daquilo que pensa naturalmente. Ela não explica quem é, o que faz, ela somente narra os acontecimentos e deixa o leitor descobrir sua história com o tempo. Essa forma de narrar pode ser frustrante para aqueles que quiserem logo mais informações, mas pode ser perfeita, pois por toda a trama são apresentadas novidades, pequenos detalhes que permitem montar um perfil da protagonista e de todos os outros que interagem com ela.

É fácil perceber que Flynn não se prende a padrões para desenhar seus personagens e acredito que seja por isso que seus textos têm se destacado tanto. Não há vilões ou mocinhos em Objetos Cortantes, há pessoas que agem da forma que agem de acordo com seus motivos, sejam eles condenáveis ou não. 

"- Bem, tenho feito algumas matérias importantes. Cobri três assassinatos desde o começo do ano.
- E isso é uma coisa boa, Camille? - reagiu minha mãe, parando de mordiscar. - Nunca entenderei de onde vem seu gosto pela feiura. Parece que você tem o suficiente disso na vida sem precisar procurar por vontade própria." 


Camille mesmo é o oposto da mulher politicamente correta. Em alguns momentos, cheguei a questionar se ela teria algum filtro, algum discurso moralista, algum padrão do que é certo socialmente, e não, ela não tem. O que significa que, hipócrita, ela não é. Ela é uma pessoa que fez muita coisa moralmente condenável perante a sociedade e que, no entanto, está bem resolvida quanto às suas escolhas, tenham sido elas sensatas ou estúpidas. Mesmo que se pudesse usar o discurso de que a culpa não era sua no caso de Camille, por ela ser da forma que era, ela acreditava que era sim, e assumia a responsabilidade por seus atos.

Além de Camille, são muitos os personagens de destaque, principalmente os femininos. Adora e Amma, mãe e irmã de Camille, respectivamente, eram o retrato de pessoas problemáticas que vivem em famílias inconstantes moldadas pela sociedade. Adora, a mãe, que se portava perfeitamente perante os outros, nada tinha a dar às filhas dentro de casa; Amma, de apenas 13 anos, que na frente da mãe era a garotinha frágil, tornava-se a mulher fatal ao sair da porta para fora. Enquanto isso, “má” gritava na pele. 

"Bebi mais vodca. O que eu mais queria era ficar novamente inconsciente, envolta pela escuridão, alheia a tudo. Estava péssima. Eu sentia as lágrimas represadas, como um balão de água cheio prestes a explodir. Suplicando por um furo de alfinete. Wind Gap era tóxica para mim. Aquela casa era tóxica para mim."

Os conflitos internos da protagonista ocuparam em grande parte a obra, mas os assassinatos aos quais ela foi cobrir, como jornalista, em sua cidade natal, também tiveram o espaço apropriado. Desde o início, elaborei uma teoria e apontei um suspeito, que mais tarde viria a ser descoberto também pela polícia. Porém, é claro que não seria tão simples e um elemento surpresa ainda foi apresentado para rematar o final.

Se Garota Exemplar é o melhor livro de Gillian Flynn, não sei dizer. Mas Objetos Cortantes remexe a natureza humana como poucos têm coragem de fazer, é perturbador, mas por isso mesmo incrível.

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Pesquisa de Opinião 2015



Já faz algum tempo que eu queria organizar uma Pesquisa de Opinião para conhecer o Conjunto da Obra pelo ponto de vista de vocês, que leem o blog.

Depois de muito pensar a respeito daquilo que eu gostaria de saber, elaborei o formulário abaixo (que também pode ser acessado AQUI), com perguntas mais diretas o possível, que podem ser respondidas com poucas palavras, mas também podem ter respostas bem elaboradas, para aqueles que querem comentar bastante.

O formulário estará disponível até o próximo dia 15/04, e eu espero que vocês respondam, e com toda a sinceridade, ok? E podem ficar tranquilos, ele é totalmente anônimo.


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Diário de Um Adolescente Apaixonado - Rafael Moreira

Ele suou frio quando deu o primeiro beijo. Já sofreu bullying na escola. Já gostou de quem não gostava dele. Sente muita falta de quem foi embora. Já brigou com a namorada por Whatsapp e depois pediu desculpas. Ele não troca os amigos por ninguém. Se bem que amigo, AMIGO mesmo, pra ele, é a família.
Em 24 crônicas bem-humoradas (claro), o Rafa conversa com a gente como se estivesse bem pertinho. Acostumado a mostrar o rosto na internet, ele criou coragem e começou a escrever sobre as situações da sua infância, sua relação com a família, com as meninas, com os amigos. De cada história, ele tirava uma reflexão sobre as mudanças que já aconteceram na sua vida e o que ele aprendeu com elas.
O resultado está aqui, neste livro que você vai ler e depois abraçar bem apertado.
MOREIRA, Rafael. Diário de um Adolescente Apaixonado. Novo Conceito Editora, 2015. 128 p.

Tenho que confessar uma coisa: quando decidi que leria Diário de um Adolescente Apaixonado, o primeiro pensamento que me veio foi “O que esse garoto poderia ter de interessante a falar?”. Rafael Moreira tem 17 anos, apenas. Comecei a leitura com o pé atrás por esse motivo e, mesmo que não possa dizer que o livro é incrível ou que amei, também não foi nada ruim.

Na parte de trás do livro, na classificação que a Editora Novo Conceito tem colocado em seus últimos livros, Diário de um Adolescente Apaixonado foi inserido na categoria “Biografia”. Contudo, por mais que Rafael cite algumas passagens de sua vida, minha opinião pessoal é que a obra se inseriria mais no gênero “Autoajuda”. Não é, no entanto, um autoajuda comum. Cheio de humor e com base, principalmente, na sua experiência pessoal, Rafael faz um recorte de suas ideias e opiniões sobre as coisas mais rotineiras da vida de um adolescente: namoro, família, atitude, planos e tudo o mais.

“Não dê valor a um 'eu te amo' qualquer, dê valor às atitudes que demonstrem isso.
E, claro, não se esqueça do mais importante:
SE VOCÊ TEM PRINCÍPIOS, NÃO OS ABANDONE.” 

Para mim, que já passei de 25, Rafa não passa de um moleque – sem pedantismo. Ele tem a idade do meu irmão caçula, então, sim, é um moleque (quem tem irmão mais novo sabe). Mas fiquei impressionada com as ideias do garoto, que mostrou uma maturidade que eu não esperava. Ele ainda tem algumas visões ingênuas sobre certas coisas, até idealizadas, talvez, nada mais natural. Mas alguns posicionamentos foram bastante sensatos, equilibrados e, nesse ponto, Rafael derrubou qualquer barreira que eu poderia ter construído.


“[...] uma coisa tem que estar em sua cabeça o tempo todo: PARA VOCÊ QUERER CHEGAR EM ALGUM LUGAR, PRIMEIRO PRECISA SABER PRA ONDE VOCÊ QUER IR. O caminho pode ser longo, mas você precisa ter foco, principalmente para não cair nas tentações, nas armadilhas dos atalhos.”

A leitura mais parece uma conversa, já que é nesse tom que o livro está escrito. Boa parte das páginas tem artes e desenhos como a foto acima, o que deixa o livro ainda mais informal e divertido. Como é curtinho, a leitura pode ser feita em menos de uma tarde, que foi como aconteceu comigo. No fim, gostei de ler exatamente porque não esperava, e aqueles que estão na adolescência, ou que acompanham o canal do autor no Youtube, provavelmente irão adorar.


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After - Anna Todd

Sinopse: After - Tessa, de 18 anos, sai de casa, onde mora com a mãe, para ir para a faculdade. Até então sua vida se resumia a estudar e ir ao cinema com o namorado doce que conheceu ainda criança. No primeiro dia na faculdade, onde ela passa a dividir um quarto com uma amiga que adora festas, Tessa conhece Hardin, um jovem rude, tatuado e com piercings que implica com seu jeito de garota certinha. Logo, no entanto, os dois se envolvem e Tessa, que era virgem, vê sua sexualidade aflorar. Tessa logo descobre que Hardin possui um passado cheio de fantasmas e os dois começam um relacionamento intenso e turbulento. Depois dele, ela nunca mais será a mesma. (Skoob)
TODD, Ana. After. Paralela, 2014. 524 p.

Tessa vem de uma família conservadora e possui um namorado igualmente conservador. Habituada ao conforto de uma vida sem extremos, ela se sente perdida quando entra para a faculdade e precisa deixar esse mundo seguro para trás. Para aumentar o contraste, sua colega de quarto usa roupas despojadas e é uma assídua frequentadora de baladas. Também conhece Hardin, dono de um comportamento agressivo, condizente com suas tatuagens espalhadas por todo o corpo. Depois de uma antipatia inicial, os dois começam a se envolver numa relação doentia e destrutiva.

Ler After foi uma tarefa difícil.

Ouvi falar dele através de uma amiga. Devido ao sucesso que alcançou no Wattpad, rendi-me e comprei o livro. Afinal, precisava conhecer o que ele possuía de tão sensacional para colocar mais de 1 bilhão de leituras no seu contador.

O que encontrei me espantou. E precisei pensar muito antes de começar esta resenha.

"Ele fica me encarando em silêncio por um instante. E, quando penso que vai se desculpar... cai na risada. É uma gargalhada sincera, que seria quase agradável se não viesse de alguém tão detestável. As covinhas ficam visíveis em seu rosto quando ele ri, e eu me sinto uma idiota, sem saber o que fazer nem o que falar."

Primeiro, acho importante destacar que After é uma fanfic e usa os cantores do One Direction como personagens, apenas mudando um pouco seus nomes; foi escrito em capítulos curtos, característica própria dos livros do Wattpad; e que ele foi desenvolvido mediante a resposta que os leitores passavam para a autora. Assim, não foi uma criação normal de um livro, mas sim uma criação sob a demanda do desejo dos leitores. Quando se escreve algo nessas condições, você pode acabar perdendo do foco o desenvolvimento emocional e as características psicológicas de seus personagens. Você cai na armadilha de criar situações que mantenham os leitores on-line e deixa todo o resto para trás. Eu não sei se foi realmente isso que aconteceu, mas foi a justificativa crível que encontrei para a total falta de conteúdo de After.

Apesar de Tessa ter 18 anos, ela é totalmente reprimida sexual e sentimentalmente. Ela possui a forma de pensar de que o sexo só é válido após o casamento, mesmo não sendo religiosa. Não há uma explicação para isso. Ela simplesmente é assim. E isso é refletido em Noah, seu namorado. Ele é apresentado como alguém sem cor, sabor ou odor. Não existe no personagem qualquer característica que o diferencie de um boneco de plástico de cabelos loiros e olhos azuis. Assim, Tessa e Noah fazem um par perfeito.

Quando Tessa chega à faculdade e vai conhecer o dormitório e sua colega de quarto, ela conhece Hardin, um rapaz que é o oposto de tudo o que ela preserva: ele é grosseiro, tatuado, usa piercing e é mulherengo. Ao contrário de sentir repulsa, ela se sente atraída de imediato.

"Vou caminhando o mais depressa que consigo até o alojamento e depois até meu quarto, e de alguma forma consigo segurar as lágrimas até entrar e fechar a porta. Ainda bem que Steph não está, porque assim posso deixar o choro rolar solto. Como pude ser tão burra? Sabia como Hardin era e mesmo assim topei ficar com ele."

Hardin tem todas as características típicas de um bad boy. Inclusive o segredo de algo traumático que aconteceu no passado e que é tão profundo psicologicamente que o faz ter pesadelos todas as noites. Apesar disso, nada do que é contato em seu passado justifica um trauma. E nem os comportamentos bipolares que ele apresenta durante a história.

Os personagens de After são unidimensionais e são os extremos de suas imperfeições. Apesar de Hardin avisar Tessa, enfaticamente, de que não namora e de que gosta de ficar com uma garota diferente a cada semana, ela fica na expectativa de ser sua namorada a cada demonstração de interesse dele. E apesar de Hardin não hesitar em transar com uma garota, ele se controla e se satisfaz com Tessa apenas com mutua masturbação.

Como descrever dois personagens que não possuem qualquer traço de personalidade ou coerência entre o que pensam, dizem e fazem? Não há evolução de maturidade. Não existem características que prendam o leitor através de alguma identificação.

"Hardin está perigosamente perto de mim, e sei o que ele vai fazer quando se movimenta para me beijar. Tento me afastar, mas suas mãos forte me puxam para mais perto, segurando-me no lugar.  Seus lábios tocam os meus, e sua lingua tenta entrar na minha boca, mas eu não deixo."

After possui um ciclo de um mesmo acontecimento. Tessa tenta conquistar Hardin; Hardin fala alguma grosseria ou faz algo rude; Tessa chora, se recrimina por acreditar nele e promete deixá-lo para trás; Hardin pede desculpas; Tessa, baseada apenas nos olhos verdes dele e no quanto o acha bonito, acredita e aceita as desculpas; um masturba o outro; Hardin solta outra grosseria, e todo o ciclo se repete. E repete. E repete. E repete por todas as 520 páginas do livro.

Se você ler os cinco capítulos iniciais e os cinco finais, fica com toda a história de After. O que existe no meio, é apenas a repetição de uma mesma situação.

Mas aí você me pergunta: por que tanto sucesso no Wattpad?

A explicação talvez seja a mesma que justifica o fascínio por Big Brother ou qualquer outro programa desse tipo: acompanhar a briga e o sexo de dois personagens sem precisar saber seu passado ou seu futuro. O que importa é que brigas aconteçam e que ao fim delas o casal transe.

After agrada mediante esse objetivo. E apenas nele.

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Novidades #93: Notícias Literárias

Galerinha, vou tentar me organizar para trazer em um único post algumas das principais notícias das Editoras para vocês todos os meses. Pode ser que falte alguma coisa, mas vou me esforçar, mesmo porque acho legal ver um resumo de tudo o que acontece nesse mercado tão movimentado que a gente tanto ama, não é mesmo?

Então vamos lá:

Insurgente nos Cinemas

No último dia 19 estreou o segundo livro da Trilogia Divergente. Tenho os livros em casa, preciso ler :)
Assista ao trailer:

Foi divulgado esta semana o banner nacional do filme Cidades de Papel, adaptação do livro homônimo que tem estreia prevista para julho deste ano:


O primeiro trailer também já está disponível:

 




E muitos títulos foram lançados também este mês. Alguns deles:



 

Quais novidades vocês gostaram mais?



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O Circo da Noite - Erin Morgenstern


Sob suas tendas listradas de preto e branco uma experiência única está prestes a ser revelada: um banquete para os sentidos, um lugar no qual é possível se perder em um Labirinto de Nuvens, vagar por um exuberante Jardim de Gelo, assistir maravilhado a uma contorcionista tatuada se dobrar até caber em uma pequena caixa de vidro ou deixar-se envolver pelos deliciosos aromas de caramelo e canela que pairam no ar. Por trás de todos os truques e encantos, porém, uma feroz competição está em andamento: um duelo entre dois jovens mágicos, Celia e Marco, treinados desde a infância para participar de um duelo ao qual apenas um deles sobreviverá. À medida que o circo viaja pelo mundo, as façanhas de magia ganham novos e fantásticos contornos. Celia e Marco, porém, encaram tudo como uma maravilhosa parceria. Inocentes, mergulham de cabeça num amor profundo, mágico e apaixonado, que faz as luzes cintilarem e o ambiente esquentar cada vez que suas mãos se tocam. Mas o jogo tem que continuar, e o destino de todos os envolvidos, do extraordinário elenco circense à plateia, está, assim como os acrobatas acima deles, na corda bamba.

MORGENSTERN, Erin. O Circo da Noite. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 2012. 364 p.

Atenção! Não leia a sinopse se não quiser receber um spoiler daqueles!

Se fosse para eu resumir esse livro em apenas uma palavra, com certeza escolheria "mágico". Não existe adjetivo melhor para caracterizar essa obra. Imaginem só vocês se, sem nenhum aviso prévio, um circo misterioso chegasse à sua cidade. Imagine também que, ao chegar aos portões do circo, você desse de cara com a seguinte frase: "abre ao cair da noite, fecha ao amanhecer"

O lugar, que é todo em preto, branco e escalas de cinza, é simplesmente fantástico, cheio de atrações surreais que só poderiam acontecer de verdade na nossa imaginação. Ele mexe com as emoções e os sentidos e, no momento em que você pôr o pé lá dentro, não vai mais querer sair. 

É nesse cenário incrível que, mesmo antes de se conhecerem, Celia e Marco têm os seus destinos traçados. Ambos são treinados, desde muito jovens, para um duelo do qual as regras são desconhecidas. Tudo o que se sabe é que eles competem entre si, não de forma direta, mas sim mostrando seus talentos como ilusionistas - pessoalmente, eu chamaria tudo isso de magia - no grande palco que é O Circo dos Sonhos (Le Cirque des Rêves). 

"— As pessoas veem o que querem ver. 
E, na maioria das vezes, o que dizem para elas verem."

Mas é claro que, obviamente, o inevitável acontece. Celia e Marco se apaixonam, o que dificulta a posição dos dois no jogo. Apesar do romance não ser o foco do livro, o que eu achei uma pena, ele consegue ser intenso. Vi muitas pessoas falarem que acharam o romance um pouco forçado, só para adicionar um drama a mais à situação, mas eu discordo. Apesar de ser previsível, achei que a autora conseguiu encaixar o amor dos dois muito bem na trama. 

Outro ponto bastante comentado com negatividade, é o fato da história se passar em diversas datas. Em um capítulo, por exemplo, estamos em 1989, no próximo podemos estar em 1902 e, logo após, retroceder para 1900. Concordo que esse detalhe pode deixar a leitura um pouco confusa, mas não me atrapalhou em nada. Porém, é esse detalhe que nos apresenta mais intimamente os outros personagens do livro, que de forma alguma são menos importantes. 

Foi num desses vai-e-vem que minha personagem favorita, Poppet, foi apresentada. Ela, junto com o irmão, nasceram bem na noite de estréia do circo. Guardem bem isso, pois é um fato importante. A partir do momento que os irmãos são inseridos na estória, junto com outro personagem que merece uma atenção especial, o Bailey, é que a trama começa a se desenrolar. 

Apesar de ter amado o livro e ele ter se tornado um favorito, confesso que não é uma obra que vai agradar a todos. Na minha opinião, é uma estória um pouco complexa demais para atingir todos os públicos. É claro que isso não a torna menos inebriante. Portanto, se você achou o enredo tão instigante quanto eu achei, aconselho a dar uma chance para o livro. Porém, frisando que mesmo que seja um favorito para mim, peço para não ir com muita sede ao pote, pois pode acabar sendo uma decepção.

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A Esperança - Suzane Collins

Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. Começou a revolução.
A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo.
O sucesso da revolução dependerá de Katniss aceitar ou não essa responsabilidade. Será que vale a pena colocar sua família em risco novamente? Será que as vidas de Peeta e Gale serão os tributos exigidos nessa nova guerra?
COLLINS, Suzanne. A Esperança. (Jogos Vorazes #3). Rocco, 2011, 424 p.

Não sei dizer o que me atrai em distopias. Eu mergulho nos mundos mais malucos criados pelos autores, sofro com os personagens, e me vejo tão imersa nas tramas que é difícil me desvincular e voltar para o mundo real. Talvez a intensidade seja o grande segredo, realmente não sei. Por isso, voltar para Panem, em A Esperança, foi uma aventura emocionalmente desgastante. E, agora que o estado de torpor pós-leitura passou, tudo o que sinto é frustração.

Da mesma forma como correu nos primeiros livros, Suzanne Collins conseguiu, por meio de suas palavras, mostrar todo o sofrimento vivido pelos personagens que já conhecemos, bem como a dor e a tristeza de ver pessoas queridas envolvidas em uma Guerra e correr perigo. E a autora foi ainda mais longe dessa vez e, se os primeiros livros continham críticas ao poder e à crueldade política, neste terceiro volume tudo está mais acentuado, e a leviandade que permeia a sociedade como um todo é escancarada.

"- Eu não disse isso. - Gale põe o arco ao seu lado. - Mas se tivesse tido uma arma que pudesse ter impedido o que eu vi acontecer no 12... se tivesse tido uma arma que pudesse ter mantido você longe da arena... teria usado.
- Eu também - admito. Mas não sei o que dizer a ele sobre a sensação que se tem depois que você mata uma pessoa. Sobre como a pessoa morta jamais se afasta de você."

Agora, tudo ao redor se tornou a arena. O livro é retratado em primeira pessoa por Katniss e, com isso, o leitor é sugado para dentro de seus pensamentos e seus temores, sem opção de sentir menos, especialmente porque só se sabe o que acontece além de Katniss quando ela toma conhecimento. 

Senti-me mais envolvida no fechamento da trilogia do que nos primeiros livros, até que comecei a me aproximar das últimas páginas. Como li resenhas de leitores que choraram e acharam o final triste, estava preparada para qualquer acontecimento horrível que pudesse vir à tona. Menos aquele. E não porque eu não fiquei triste, eu fiquei, claro, mas o que se seguiu àquilo foi como pegar cada detalhe que aconteceu nos livros até então e jogar pelo ralo.

A forma como a autora preferiu descrever a reação de Katniss fez com que eu entrasse em um torpor profundo. Eu senti muito pouco enquanto lia as páginas e a verdade é que eu teria preferido que Collins tivesse sido totalmente sensacionalista a optar pelo caminho fácil, superficial e corrido. Compreendo que ela não tenha desejado esmiuçar como Katniss sofria, mas a autora não tinha poupado ninguém até então, por que agora? 

"Começo a entender muito bem o quanto as pessoas se engajaram para me protejer. O que significo para os rebeldes. Minha batalha em curso contra a Capital, que frequentemente parecia uma jornada solitária, não foi empreendida sozinha. Eu tinha milhares e milhares de pessoas dos distritos ao meu lado. Eu era o Tordo delas muito antes de aceitar o papel."

Depois, nada mais pareceu ter importância no desenrolar da história. As coisas simplesmente seguiram, aconteceram, porque não existiam outras opções. Katniss se isentou de qualquer atitude para guiar a própria vida, e tanta coisa ficou mal resolvida que, após terminar de ler, levei um bom tempo para decidir se tinha gostado ou não do final. E, como disse no começo dessa resenha: não, eu não gostei. Eu esperava algo diferente depois de tanta coisa, e recebi um “tanto faz”.
 
Em suma, A Esperança foi um bom livro para ser lido, dinâmico, cheio de reviravoltas, mas que deixa a desejar na conclusão da trama. Para mim, não funcionou.

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Conjuntando #37: Fevereiro em fotos

Fevereiro parece ter sido há tanto tempo. Ok, ok, geralmente esse é sempre meu papo nessa coluna, mas é o que eu sinto, realmente.

Minhas aulas começaram na última segunda-feira e, galera, eu estou exausta. Eu saio de casa todo dia às 7h:15, bem carregada de sacolas e bolsas, e cadernos e lanches e roupas para a academia e tudo o mais que eu preciso para o dia inteiro, e começa a maratona diária. Chego em casa às 22h:15, o que até seria tranquilo, não fosse o fato de eu não parar. Tem trabalho, aulas, estágio obrigatório, estudo, leitura... Isso sem contar as várias viagens de ônibus. Está pesado, mas não seria eu se fosse diferente. Março, para as leituras e, talvez, para o blog, começa a ser mais "parado", mas nada que não se dê um jeito ;)

Mas o que interessa hoje: Que tal uma retrospectiva de tudo que apareceu no Instagram do Conjunto da Obra em Fevereiro?


 


E vocês, que novidades tiveram em Fevereiro?


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O Príncipe da Névoa - Carlos Ruiz Zafón

Sinopse: O Príncipe da Névoa - A nova casa dos Carver é cercada por mistério. Ela ainda respira o espírito de Jacob, filho dos ex-proprietários, que se afogou. As estranhas circunstâncias de sua morte só começam a se esclarecer com o aparecimento de um personagem do mal - o Príncipe da Névoa, capaz de conceder qualquer desejo de uma pessoa, a um alto preço. (Skoob)
ZAFÓN, Carlos Ruiz. O Príncipe da Névoa. Suma de Letras, 1993. 180 p.

Movidos pelo início da guerra, a família de Max Carver se muda para uma pequena cidade no litoral. Assim que chegam, Max encontra um jardim com uma misteriosa estátua, sua irmã mais nova, Irina, começa a ouvir vozes, e a irmã mais velha, Alicia, tem sonhos estranhos e assustadores. Quando Max e Alicia conhecem Roland, um garoto que trabalha em um pesqueiro e possui um pequeno barco de passeio, os três começam uma amizade que irá colocá-los dentro de um barco naufragado e diante da volta do Príncipe da Névoa, um homem que possui poderes do tamanho de sua maldade. E ele volta para cobrar seu pagamento por um desejo concedido anos atrás.

"No centro do jardim, uma grande estátua representava um palhaço sorridente, de cabeleira arrepiada, em cima de um pedestal. Tinha o braço estendido para a frente, e o punho fechado dentro de uma luva grande demais, parecia golpear um objeto invisível no ar."

Este foi o primeiro livro Zafón e nele podemos encontrar diversos elementos que foram inseridos nas obras posteriores. Temos o homem misterioso dono de poderes sobre-humanos, os pedidos concedidos em troca de um favor, a nuvem negra, o farol, o barco, o relojoeiro e inventor, a cidade a beira-mar, o romance adolescente de Alicia e Roland e o herói Max, que foi copiado nos livros posteriores, inclusive no mais famoso, A Sombra do Vento.

Por tudo isso, O Príncipe da Névoa é interessante para compreendermos como Zafón não ficou satisfeito com os livros posteriores: As Luzes de Setembro, O Palácio da Meia-Noite e Marina. Ele tentou criar versões diferentes para ações presentes na primeira obra, e só conseguiu com total sucesso em A Sombra do Vento, que, exatamente por isso, é seu livro mais famoso.

"Irina gritou com todas as suas forças e se lançou contra a porta, que cedeu diante dela, fazendo com que caísse no chão do corredor. Sem perder um instante, se jogou escada abaixo, sentindo o hálito frio daquelas vozes na nuca."

Isso quer dizer que as obras anteriores são ruins? Claro que não! Quer dizer apenas que Zafón não se deu por satisfeito com alguma coisa. E para quem leu os quatro livros, pode conseguir identificar os pontos repetidos e o que foi modificado neles. Por exemplo, o final de O Príncipe da Névoa é de cortar corações e apresenta uma situação limite que poderia ser evitada facilmente se ocorresse no mundo real. O final de As Luzes de Setembro também possui um espaço de tempo tão grande para a solução da situação dos dois personagens principais, que fica forçado. O vilão é usado em vários dos livros com pequenas modificações, mas seus poderes são mantidos quase que de forma igual. O relojoeiro está sempre presente. O herói tem apenas sua aparência modificada, ou idade, mas seus comportamentos são idênticos.

E poderia citar vários mais, mas a resenha se tornaria maçante.

O que vale dizer, é que já no seu primeiro livro, Zafón sabia usar as palavras para criar uma combinação harmoniosa. Ainda estava longe da perfeição que é a escrita de A Sombra do Vento, mas os diálogos, principalmente, já eram cheios de sarcasmo e graça.

"A criatura de água se retorceu e o rosto fantasmagórico que tinha visto em sonhos, o semblante do palhaço, se virou para ele. O palhaço abriu a bocarra pontilhada de presas longas e afiadas como facas de açougueiro e seus olhos cresceram até o tamanho de um pires de chá. Roland sentiu que o ar lhe faltava."

Max, Alicia e Roland formam um trio mais equilibrado que os dos livros seguintes. O romance entre Alicia e Roland é gostoso de acompanhar, e o fato de Max, o personagem principal, ser remetido a coadjuvante em certos momentos, chega a ser interessante pela novidade. Inclusive existe um pequeno trecho entre o casal adolescente que é belo de acompanhar e emociona.

O embate final dos três heróis com o Príncipe da Névoa é muito emocionante, e a constatação do resultado e do valor cobrado é agoniante, porque percebemos a inevitabilidade do que está por vir, e queremos gritar para Zafón não fazer isso como nossos corações.

Mas ele faz! E é doloroso ler.

Não preciso dizer que a leitura é recomendada. É Zafón, afinal!

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TAG: Liebster Award



A Ana, colunista do Conjunto da Obra e autora do blog Roendo Livros me indicou essa Tag há um tempinho, mas até agora nada. rsrs Eu sou uma pessoa meio difícil para falar de mim, mas como é exatamente esse o objetivo do desafio, vamos lá.

Regras:
Escrever 11 fatos sobre você.
Responder as perguntas de quem te indicou a TAG. 
Indicar de 11 a 20 blogs. 
Fazer 11 perguntas pra quem você indicar. 
Inserir no post uma imagem com o selo Liebster Award. 
Linkar de volta quem te indicou.

Fatos sobre mim:

1. Eu fui uma criança curiosa e criativa. Era tão enxerida, que isso me rendeu pelo menos um pé e o nariz quebrados antes mesmo dos 5 anos.

2. O primeiro livro que li sozinha, eu peguei da biblioteca quando estava na pré-escola. Era algo sobre um coelho e eu gostava tanto que quis copiar para ler sempre, já que teria de devolver o livro. Nunca li minha cópia.

3. Eu achei que queria ser jornalista. Pode até ser que eu tivesse me dado bem caso realmente investisse na profissão, mas a vida me levou para outros caminhos e estou mais realizada do que poderia pensar. Hoje sou formada em Administração e estou na metade do curso de Direito.

4. Eu sempre tentei fazer trabalhos manuais. Alguns deram certo, outros não. Aprendi a pintar em tecido e fazia lindamente. Aprendi a bordar e tricotar, mas nada prestava. Tinha muitas ideias para reformar roupas, mas eu sempre fazia algo errado e estragava tudo.

5. Gosto de cozinhar e, modéstia à parte, eu faço isso bem.

6. Há quase dois anos, resolvi fazer reeducação alimentar com acompanhamento de nutricionista. Indico, porque realmente funciona e mesmo eu, que sempre fui magra, desinchei e perdi líquido. Além disso, tudo melhora: humor, cabelo, disposição, TPM... rsrs

7. Traçar planos e metas (possíveis) ajuda. E correr atrás dos objetivos, com garra (pode ser teimosia também, não sei), muda tudo à nossa volta. Depois que comecei a fazer isso, eu também mudei e, de uma pessoa bastante insegura, passei a ser muito mais determinada e confiante, em todos os campos de minha vida.

8. Sou algo indeterminado entre tímida e destemida. Em alguns momentos uma coisa, em outros, a outra.

9. Não gosto de me expor. Não tenho perfil pessoal em nenhuma rede social e, mesmo no blog, não gosto de colocar fotos.

10. Sou um pouco careta. Tenho a mente aberta, não é isso. Só não me animo com baladas. E sou canceriana.

11. Quanto mais coisas eu faço, mais consigo fazer. Faz sentido? rsrs Quando tenho muito tempo livre, a letargia toma conta e não consigo fazer nada render. No entanto, quando tenho muitas coisas a fazer e tenho prazos, eu geralmente os cumpro, e ainda consigo fazer uma ou outra coisa a mais.

Perguntas: 

Qual foi o livro mais triste que você já leu?
O que eu lembro de ter chorado mais, de soluçar, foi Tocada pelas Sombras, de Richelle Mead. Mas é um livro de fantasia, então não sei se conta. O mais triste mesmo foi A menina que roubava livros.

Se você tivesse que escolher apenas um livro para ler o resto da vida, qual seria?
Golpe baixo isso. Não sei. Eu não tenho "o livro da minha vida", tenho livros.

Qual é sua maior paixão platônica literária?
Dimitri, da série Academia de Vampiros. Vários outros também, a cada livro, mas ele me marcou de uma forma diferente.

Qual é o livro mais caro da sua estante?
O livro Four Novels, com quatro romances da Jane Austen. Este aqui. Tem capa dura e o canto das páginas são dourados. Lindo de morrer. Tenho livros técnicos caríssimos também.

Quais blogs/vlogs você acessa com mais frequência?
Eu geralmente visito com mais frequência os blogs que comentam no Conjunto da Obra. Antes de visitar qualquer outro, tento retribuir os comentários. Mas tenho carinho imenso pelos My Dear Library, My Book Lit, Minha Vida Literária, Roendo Livros, Estante Vertical, Book Addict, Diário de Incentivo à Leitura e outros. Geralmente são esses que eu visito quando quero dar só uma olhada.

Se pudesse salvar a vida de um personagem qualquer que tenha morrido, qual seria e porquê?
Ah, todos aqueles do Harry Potter. Eu sofri com cada um deles, é tão injusto! E [spoiller] o Rudy, de A menina que roubava livros.

Qual livro você nunca leria só porque tem a capa feia?
Não tem nenhum que eu faria isso. Eu já li livros com capas horríveis que eram maravilhosos, então perdi o preconceito. Eu deixo de ler livros porque eu acho que vou ter medo, como os do Stephen King, por exemplo, mas não pela capa.

Qual é o seu hábito de leitura mais esquisito?
Não lembro de um hábito esquisito. Talvez que eu não consiga dormir se eu não ler à noite, nem que seja uma página.

Qual seria sua maior realização literária da vida? 
Conseguir ler todos os livros do mundo? É, acho que não dá, mas seria essa.
Existe algum autor que você não aguenta nem ouvir o nome?
Não exatamente, mas tem autores que eu prefiro nem me arriscar a ler outro livro. 

Você se lembra de qual livro mais demorou para ler? Se sim, qual?
O último livro que eu demorei muito para ler foi Fugitivos, que levou quase dois meses. Mas não era porque o livro era ruim, só porque era pesado e eu não conseguia carregar.


Bom, não vou indicar ninguém, mas fiquem à vontade para responder, ok?

Digam o que acharam das respostas :)


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Novidades #92: Editora Intrínseca


Março veio com tudo na Editora Intrínseca! Tem muitos lançamentos bons e acho bem difícil que alguém não crie uma lista com pelo menos uns três livros como desejados. Eu fiquei curiosa com alguns: Ordem é continuação de Silo, que eu já li e resenhei aqui; Pequenas grandes mentiras é da mesma autora de O segredo do meu marido, que também já tem resenha. Além disso, sou louca para ler algo de Jennifer Egan, entre outros que eu leria sem dúvidas.

Vamos conhecer alguns desses lançamentos?


Circo Invisível - Primeiro romance da premiada autora Jennifer Egan, Circo invisível se passa em 1978, tomando as tensões e os dramas políticos dos anos 1960 como cenário da história de Phoebe O'Connor, uma adolescente de 18 anos obcecada pela memória da irmã, Faith, uma hippie bela e idealista que morreu em 1970, na Itália.
Com a intenção de descobrir a verdade sobre a vida e a morte de Faith, Phoebe sai de São Francisco e atravessa o Atlântico para refazer o caminho da irmã pela Europa. A busca gera revelações complexas e inquietantes sobre família, amor e uma geração inteira de jovens perdida.
Uma estreia literária surpreendente e elaborada, prenúncio da habilidade extraordinária de Egan em criar suspenses bem-amarrados, marcados por personagens profundos e nuances de emoção - talento que lhe rendeu em 2011 o Prêmio Pulitzer de Ficção pelo livro A visita cruel do tempo.

Ordem - Segundo volume da trilogia Silo, apresenta um mundo pós-apocalíptico, com poucos seres humanos restantes sobrevivendo à atmosfera tóxica do planeta Terra em um silo subterrâneo. No primeiro livro da série, a heroína era Juliette, uma operária nascida nos subterrâneos do bunker.
Na continuação, a história volta ao período anterior e explica como o mundo de Juliette foi transformado. Novos personagens também são apresentados: um portador do século XXIII; um senador da Geórgia num futuro próximo; um garoto abandonado, cuja história termina quando a de Juliette começa, e Troy, que acorda em 2110 sem saber quem é.
Os personagens escapam da morte ao serem congelados em cápsulas criogênicas, sendo acordados de tempos em tempos para tomar remédios, realizar alguns trabalhos alienantes e depois dormir outra vez. O livro volta no tempo, ao ano de 2049, revelando as decisões tomadas por alguns poucos poderosos, responsáveis por bilhões de mortes que deixaram a humanidade em vias de extinção.

Pequenas grandes mentiras - Conta a história de três mulheres, cada uma delas diante de uma encruzilhada. Madeline é forte e decidida. No segundo casamento, está muito chateada porque a filha do primeiro relacionamento quer morar com o pai e a jovem madrasta. Não bastasse isso, Skye, a filha do ex-marido com a nova mulher, está matriculada no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline.
Celeste, mãe dos gêmeos Max e Josh, é uma mulher invejável. É magra, rica e bonita, e seu casamento com Perry parece perfeito demais para ser verdade. Celeste e Madeleine ficam amigas de Jane, a jovem mãe solteira que se mudou para a cidade com o filho, Ziggy, fruto de uma noite malsucedida. Quando Ziggy é acusado de bullying, as opiniões dos pais se dividem. As tensões nos pequenos grupos de mães vão aumentando até o dia em que alguém cai da varanda da escola e morre. Pais e professores têm impressões frequentemente contraditórias e a verdade fica difícil de ser alcançada.
Em Pequenas grandes mentiras, Liane Moriarty, autora do best-seller O segredo do meu marido, coloca em cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos familiares para nos lembrar das perigosas meias verdades que contamos a nós mesmos para sobreviver.

A última dança de Chaplin - Combinando elementos reais com ficção, A última dança de Chaplin conta os últimos anos de um dos maiores ícones do cinema americano. Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. O famoso ator está com oitenta e dois anos, mas ainda não se sente preparado para ver as cortinas se fecharem uma última vez. Desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida.
Enquanto espera o encontro fatídico, Chaplin escreve uma carta para o filho, contando a ele seu passado: da infância pobre na Inglaterra, com o pai alcoólatra e a mãe louca, ao auge do sucesso nas telas de cinema dos Estados Unidos, passando pelo circo, pelo vaudeville e por empregos estranhos, como tipógrafo, boxeador e embalsamador.

E tem outros tão incríveis quanto esses, como Filhotes Submarinos, Um brinde a Isso, Selva de GafanhotosA Segunda Pátria e mais. Se quiser conhecer sobre todos os lançamentos da Editora em março, clique na imagem abaixo:


http://www.intrinseca.com.br/blog/2015/03/lancamentos-de-fevereiro-2/

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Promoção: As cores do entardecer


Depois de comentar o que eu achei de As cores do entardecer, decidi presentear um leitor do blog com um exemplar do livro. Quem quer?

Para concorrer, é muito simples! A promoção será realizada via Fanpage do blog, e para se inscrever é preciso:

1. Comentar na resenha do livro (pode ser um comentário simples);
2. Curtir a página do Conjunto da Obra no Facebook;
3. Compartilhar o link da Promoção;
4. Clicar em "Quero Participar" na aba de Promoções da página do Conjunto da Obra no Facebook.

As inscrições são válidas até dia 31 de março, e o resultado será divulgado em até 7 dias, neste mesmo post e nas redes sociais do blog.
Após o resultado, o Conjunto da Obra entrará em contato com o vencedor por e-mail, que deverá ser respondido em até 48 horas.
Os livros serão enviados pelo blog em até 40 dias;
É preciso ter um endereço válido em território nacional, para remessa do livro;
O Conjunto da Obra não se responsabiliza em caso de extravio pelos correios.

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As cores do entardecer - Julie Kibler

As cores do entardecer - A sonhadora Isabelle e o determinado Robert desejavam, com todas as suas forças, se entregar à paixão que os unia. Mas uma jovem branca e um rapaz negro não poderiam cometer tamanha ousadia em plena década de 30, em uma das regiões mais intolerantes dos Estados Unidos, sem pagar um preço muito alto.
Diante dos ouvidos atentos da cabeleireira Dorrie, a história do amor trágico e proibido se desdobra, enquanto mudanças profundas se instalam em sua própria vida.
Com personagens humanos e, por isso mesmo, memoráveis, As Cores do Entardecer mostra que as relações afetivas muitas vezes são mais profundas que os laços de sangue. A cada etapa da viagem de Isabelle e Dorrie, as lições sobre otimismo e fé se multiplicam.
KIBLER, Julie. As cores do entardecer: Lembranças de um tempo que não terminou. Ribeirão Preto, SP: Novo Conceito Editora, 2015. 352 p.

A capa de As cores do entardecer, livro escrito por Julie Kibler, não me agradou muito, mas seu título, sozinho, já traz certa beleza. Tirei o livro da estante sem saber o que esperar e sem muita curiosidade, ele foi escolhido porque eu não fazia ideia do que gostaria de ler naquele momento. Porém, mergulhei inteiramente na história e torci, a cada página, por um final feliz, tanto para Miss Isabelle quanto para Dorrie, as protagonistas desse romance.

O livro é dividido em capítulos intercalados pelos pontos de vista de Dorrie, nos dias atuais, e de Miss Isabelle, na década de 1940, sempre em primeira pessoa. Quase todo o enredo se passa no percurso que as duas faziam juntas para comparecer a um funeral importante para Miss Isabelle na cidade onde cresceu. Durante o caminho, Miss Isabelle narrava sua história de amor com Robert, proibida pelo simples fato de ele ter outro tom de pele e, ao ouvir as dificuldades daquela senhora tão incrível, Dorrie, também negra, começou a repensar toda a sua vida.

Nos capítulos narrados por Miss Isabele, eu logo me via em 1939 e nos anos seguintes e ficava tão envolvida pela história que, quando os capítulos acabavam para dar espaço àqueles narrados por Dorrie, eu precisava de um tempo para sair do aturdimento de ter sido arrancada de onde estava. Isso significa que aquela trama do passado envolveu mais do que a do presente, mas as duas tiveram suas lições a ensinar.

Aquilo que Miss Isabelle e Dorrie viviam no presente e o caminho percorrido pelas duas, seja aquele para chegar ao velório, seja para chegar ao fundo de si mesmas, foi uma prova das dificuldades de cada vida, seja ela branca ou negra, e de quanto sofrimento ainda se inflinge por causa da intolerância.

O subtítulo do livro, Lembranças de um tempo que não terminou, não poderia refletir de modo mais exato aquilo de que o livro trata. As “regras” de separação entre negros e brancos, bem claras e explícitas em 1940, ainda persistem nos dias de hoje com a diferença de que são veladas, fingidamente inexistentes e, não importa quão boa e esforçada seja uma pessoa em nossa sociedade, todas as primeiras definições a respeito dela ainda terão relação com a cor da pele.

O livro, apesar de escancarar essa triste realidade de uma forma leve e romantizada, traz consigo uma importante crítica social, ideal para reavaliarmos a forma como encaramos a situação. A autora conseguiu mostrar isso sem empregar, na narrativa, violência ou discursos moralistas, mas lançando mão do amor que duas amigas nutriam uma pela outra e, mais ainda, um amor de um casal que tinha tudo para serem felizes juntos, não fosse a cor da pele.

As cores do entardecer é lindo e emocionante, singelo, triste e inteligente, e traz muito mais consigo do que a leitura pode aparentar.

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Top Comentarista - Março


Depois de divulgar o resultado do Top de Fevereiro, pensei em não fazer este mês, mas acabei mudando de ideia. Hora do novo Top Comentarista! As regras serão as mesmas do último mês, então duas pessoas vão receber prêmios, ok?
  •  Serão cinco títulos disponíveis:
1. Eu Fico Loko;
2. Radiante;
3. Diário de um Adolescente Apaixonado;
4. Alma Menina;
5. O Grande Ivan.
  • Desses cinco livros, o vencedor do Top Comentarista terá direito a escolher o de sua preferência (um deles), que receberá em casa.
  • Haverá um segundo premiado, mas esse será definido por sorteio, e que escolherá, dentre os livros restantes, aquele que quer receber.
Será, portanto, um 2 em 1, Top Comentarista e Sorteio. Assim, será possível concorrer apenas pelo Top Comentarista, apenas pelo Sorteio, ou das duas maneiras ao mesmo tempo.
  • Regras:
  1. Para participar do Top Comentarista é necessário preencher a primeira entrada no formulário Rafflecopter abaixo. Apenas a primeira, e já estará concorrendo por esta modalidade.
  2. Ao final da promoção, será sorteado um dos posts que tiver sido publicado entre 10 de março e 10 de abril, incluindo este. Não serão selecionados posts referentes a novas promoções.
  3. Naquela postagem selecionada, será dado um número, por ordem de comentário, apenas àqueles que se inscreveram para participar do Top Comentarista (preenchendo a primeira entrada do formulário). Por esse número, via Random, será sorteado o comentarista que levará o prêmio.
  4. O post em que ocorrerá o sorteio do Top Comentarista só será definido no final da promoção, por isso quanto mais comentários forem feitos, maiores as chances.
  5. Só serão aceitos comentários com conteúdo, que demonstrem que a publicação foi lida.
  6. Serão válidos os comentários feitos nas postagens publicadas de 10 de março a 10 de abril. Este post, que anuncia o início do Top Comentarista, também está valendo.
  7. Será válido apenas um comentário por participante em cada postagem;
  8. Para participar do Sorteio, basta preencher a segunda opção do formulário Rafflecopter abaixo. É essa opção que habilitará o participante a concorrer nessa modalidade. Todas as outras entradas são opcionais, e garantem mais chances de ser sorteado.
  9. O resultado será publicado em até 7 dias, ao final da promoção e divulgado nas redes sociais do blog. O vencedor será contatado por email;
  10. Os livros serão enviados por mim em até 40 dias;
  11.  É preciso ter um endereço válido em território nacional, para remessa do livro;
  12. O Conjunto da Obra não se responsabiliza em caso de extravio pelos correios.

a Rafflecopter giveaway

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O Aprendiz, As Aventuras do Caça-Feitiço - Joseph Delaney

Sinopse: Thomas Ward é o sétimo filho de um sétimo filho e se tornou aprendiz do Caça-Feitiço. A missão é árdua, o Caça-Feitiço é um homem frio e distante, e muitos aprendizes já fracassaram. De alguma forma, Thomas terá de aprender a exorcizar fantasmas, deter feiticeiras e amansar ogros. Quando, porém, é enganado e cai na armadilha de libertar Mãe Malkin, a feiticeira mais malévola do Condado, tem início o horror... (Skoob)
DELANEY, Joseph. As Aventuras do Caça-Feitiço: O Aprendiz. Bertrand Brasil, 2014. 222 p.

Tom é o sétimo filho de um sétimo filho, condição essencial para se tornar aprendiz do Caça-feitiço, um homem misterioso que é igualmente temido pelas pessoas como pelas criaturas que habitam o condado. Aos doze anos, a mãe de Tom oferece o filho como aprendiz, ao invés de deixá-lo ficar na fazenda e ajudar o irmão mais velho e o pai nas tarefas diárias. A contragosto, Tom segue com o misterioso homem, sem imaginar o que terá que enfrentar durante seu aprendizado.

Vou começar esta resenha sendo bastante direto sobre a obra de Joseph DeLaney: que livro foda!!!!

Desculpem o palavreado, mas é a única expressão que chega perto do que senti ao ler... ;)

O livro é de formato reduzido, daqueles um pouco menores que o normal. As letras são médias. Eu li em uma tarde sem nenhum sacrifício. E digo isso, porque quando você começa a leitura não há como parar antes de chegar ao fim.

A narrativa é em primeira pessoa, por Tom, e o formato do livro se assemelha a um diário com capa de couro. Já no primeiro capítulo temos os cabelos do braço arrepiados assim que o caça-feitiço e Tom saem da fazenda e sobem um morro. Com uma descrição sucinta, clara, de poucas linhas, nos deparamos com uma floresta cheias de árvores e nos seus galhos pessoas enforcadas. A forma como somos inseridos nessa imagem é extremamente eficaz e a surpresa que temos ao fim dessa primeira descrição é igual à do próprio personagem.

"Ao chegarmos ao cume do morro, avistei-os embaixo. Devia haver, no mínimo, uns cem, por vezes dois ou três pendurados na mesma árvore, usando uniformes do exército com cinturões de couro e coturnos. Tinham as mãos amarradas às costas e atitudes diversas. Alguns se debatiam desesperadamente, fazendo o galho do qual pendiam sacudir e retorcer, enquanto outros giravam lentamente na ponta das cordas para um lado e para o outro."

Logo a seguir, como primeira tarefa de aprendiz, somos deixados junto com Tom em uma casa assombrada, onde precisamos enfrentar um espírito com apenas uma vela. Eu tremi quando os passos da assombração, invisível, sobe pelas escadas do porão e suas pegadas no chão empoeirado seguem direto para Tom.

E assim sucessivamente. O.O

Não há pausa para o leitor respirar. Capítulo a capítulo somos pescados pelos perigos e tarefas que o coitado do garoto de doze anos precisa enfrentar para se tornar um caça-feitiço. Descobrimos como ogros se movem por caminhos subterrâneos, que as bruxas são enterradas de cabeça para baixo em túmulos cercados por grades de ferro, damos de cara com um morto-vivo que persegue os ossos que perdeu, gatos que rugem mais alto que tigres, e nos apaixonamos pela jovem bruxa mais corajosa e fofa que já ouvi falar.

E tudo isso não é nem metade da incrível aventura que acompanhamos pelas poucas páginas desta obra.

"O silêncio foi quebrado por uma vibrante passada. Depois uma sequência de passos decididamente ritmados. Eles foram ficando mais altos. E mais altos. E mais próximos... Alguém vinha subindo as escadas do porão. Agarrei a vela e me encolhi no canto mais afastado da sala. Tum, tum; sempre mais próximas, vinham as pisadas das botas. Quem poderia estar cavando lá embaixo, no escuro? Quem poderia estar subindo a escada agora? Mas, talvez a questão não fosse quem estava subindo a escada. A questão talvez fosse o quê..."

Apesar dessa condensação de informações, em nenhum momento há pressa na escrita ou nos acontecimentos. Tudo o que acontece é na medida certa, sem amolação, sem esticar uma ação ou a descrição de um local. Mesmo assim, todas as localizadas são descritas com o suficiente de informação para que o leitor consiga construir uma imagem de onde os personagens estão, ou o que eles estão fazendo.

Tom é cativante e não é o herói que enfrenta tudo sem medo. Em certo momento, ele simplesmente abandona tudo e sai correndo de medo. Não há como não rir. E em outros momentos, tremendo, sentindo que vai desmaiar, ele se mantém firme e consegue fazer o que é preciso. Ele também não é aquele personagem inteligente que sabe todas as respostas. Ele segue o que sente no coração, o que aprendeu da mãe, e na sua imaturidade faz bobagens. Por toda essa imperfeição, a identificação com ele é quase imediata, porque ele pensa e se comporta como o leitor na mesma situação.

Gregory, o caça-feitiço, é misterioso, estranho, indecifrável. Em momentos ele é duro. No momento seguinte, sentimos vontade de abraçá-lo. Da mesma forma que Tom, ele não é invencível. Descobrimos seus limites e o quanto custa aquilo que ele faz. Ao fim do livro, sabemos pouco mais do que o que sabíamos no início, mas não nos importamos com isso. Pelo contrário. A incógnita desse personagem é tão bem descrita e seus segredos inseridos de forma tão singela, que apenas queremos acompanhar suas aventuras e deixar que aos poucos ele nos diga o que precisamos saber.

E temos Alice. A bruxinha. Não vou falar muito sobre ela, porque é uma delícia sentir a dualidade que ela apresenta e a inevitável influência e ligação que ela terá com Tom. Falar mais, seria privar você, leitor, do prazer de se indagar sobre se ama ou odeia essa pequena personagem.

O Aprendiz é o primeiro de uma série de livros. No exterior, existem doze volumes publicados. No Brasil, já temos oito. Todos os livros são curtos e seguem o mesmo padrão de adrenalina. Um filme baseado na obra chegará aos cinemas este anos, mas pelo trailer não é nada próximo do que você lerá. Infelizmente.

Desta vez vou fazer diferente e terminar a resenha com o que está escrito na contracapa do livro: CUIDADO, não deve ser lido à noite! Siga esse conselho! ;)

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