À Espera de Um Milagre - Stephen King

Uma trama de mistério e terror, ambientada nos anos 30, em plena Depressão americana, num cenário de desespero e sufoco: a Penitenciária de Cold Mountain. Stephen King foi buscar no lado mais sombrio de sua imaginação a história assombrosa de John Coffey, condenado à morte, e seu encontro fatal com o carcereiro Paul Edgecombe. Originalmente publicado em seis partes, com o título de O Corredor da Morte, o romance é agora lançado em volume único: "À Espera de um milagre". Nas telas, o diretor Frank Darabont recria a história magistral de King, com Tom Hanks interpretando o guarda Edgecombe.
KING, Stephen. À Espera de Um Milagre. Rio de Janeiro: Suma de Letras, 2013. 400 p.

"À Espera de Um Milagre", o filme, é um dos meus filmes preferidos da vida. Descobri há pouco tempo que ele é uma adaptação de um livro, e não um livro qualquer. Seu autor é ninguém mais, ninguém menos que o rei do terror Stephen King, um escritor que, pensava eu, nunca publicaria uma história tão incrível e e emocionante quanto esta. 

Não entendam mal: Stephen King é e sempre será um ótimo escritor. A questão é que se você quer ler esse livro porque pensa que nele encontrará uma história assustadora, pare agora. Acredito que essa sinopse seja apenas para atrair o público que está acostumado aos livros de terror do autor. Na verdade, a história de John Coffey, apesar de ter um leve toque de suspense, é triste e terrivelmente tocante.

Paul Edgecombe trabalhava na Penitenciária de Cold Mountain, mais precisamente no Bloco E (conhecido como O Corredor da Morte, para os de fora, ou simplesmente como Corredor Verde, para os guardas que trabalhavam n bloco) em meados dos anos 1930. Porém, em 1932, ele conhece John Coffey, um homenzarrão negro que foi condenado por estuprar e matar duas menininhas. É exatamente em 1932 que sua vida começa a mudar completamente. Desde o dia da chegada de Coffey no Corredor Verde, Edgecombe já percebe que tem algo errado em toda essa história. O livro é narrado pelo próprio Paul, muitos e muitos anos após os acontecimentos de 1932.

— Seu nome é John Coffey.
— Sim, senhor, patrão, como o que se toma com leite, 
só que não se escreve do mesmo jeito.

Apesar de o livro ser narrado por Paul, pouco sabemos sobre ele além de que sofria com fortes infecções urinárias e era chefe do Bloco E, mas ainda assim há uma proximidade do personagem com o leitor. Não é para menos: o livro não é sobre ele, e sim sobre John Coffey e tudo o que aconteceu na penitenciária no breve período de tempo em que este permaneceu por lá. Stephen King escreve de uma forma tão profunda que conseguimos sentir com ele todos os horrores que aconteceram em 1932 e ficamos bem próximos também dos outros presos e dos guardas que trabalharam e sofreram junto com Paul no Corredor Verde. 

Pessoalmente, gostei muito de Eduard Delacroix, Del, que foi condenado por estuprar uma menininha e, ao tentar esconder a prova do crime, acabou incendiando várias pessoas. É difícil associar esse Del àquele pirado que tinha um ratinho amestrado como animal de estimação. E digo para vocês que sofri bastante com a morte dele. Outro personagem que ganhou meu coração foi Brutal, que apesar do nome, é incrivelmente gentil. É claro que era mesmo brutal com os presos quando precisava ser. 

Paul Edgecomb (Tom Hanks)  & John Coffey (Michael Clarke Duncan)

Não há como negar que o trabalho do King nesse livro foi impecável. Não consigo falar para vocês um mísero defeito nessa obra, mesmo ele próprio citando alguns no posfácio. Creio que poucas pessoas sabem, mas "À Espera de Um Milagre" foi originalmente lançado em seis volumes antes de vir a se tornar um livro único, portanto é de se imaginar que Stephen King tinha um prazo muito curto para entregar os volumes finalizados. Justamente por esse motivo, ele conseguiu levar a obra a perfeição. 

Creio que quem está acostumado aos livros de terror do King poderá estranhar um pouco "À Espera de Um Milagre", já que foge de tudo o que ele já escreveu até hoje, Ainda assim, ele conseguiu criar uma história que conquistará até os leitores mais difíceis. O livro, é claro, acabou se tornando um dos meus favoritos da vida também.

Ana Clara
Ana Clara

Amante de livros sonha em ter uma biblioteca gigantesca em casa. Lê qualquer coisa que colocarem na frente, desde biografias a rótulos de shampoo. Detesta cachorros e, para ela, os gatos são as criaturas mais fantásticas do mundo. Quando o assunto é música, não cansa de mostrar seu amor pelos Beatles, além de ser fã de fé dos Engenheiros do Hawaii. Também é apaixonada por MPD e louca por O Teatro Mágico do último fio de cabelo até a planta dos pés. Se quiserem saber mais, acompanhem também o blog Roendo Livros.

5 comentários:

  1. Eu lembro de ter assistido partes do filme quando criança.
    Quando comecei a ler livros do King (lá nos meados do meu ensino médio), descobri que o filme foi baseado em uma de duas obras mas, acho que é a única que não tenho taaaaanta vontade de ler.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  2. Oi Ana, não assisti ao filme nem li o livro, só fiquei sabendo que ele existia quando você comentou sobre ele no Roendo Livros. rsrs Também comentei por lá e, se não me engano, disse que não leio livros do autor por medo mesmo, então gostaria muito de poder ler esse.

    Beijão!

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  3. Olá! Amo o filme, é lindo super emocionante, também descobri há pouco tempo que ele é uma adaptação de um livro do gênio Stephen King, já estava doida pra ler esse livro e agora então depois dessa resenha fiquei ainda mais curiosa em conferi essa história no papel.
    Beijos!

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  4. Ei Ana

    Eu amei esse livro, dos meus favoritos .O filme é excelente também, mas o livro é tão emocionante.
    bjs

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  5. Bom, ainda não li o livro e nem assisti o filme, mas só de o livro ser do Stephen King já despertou minha curiosidade, a história parece realmente ser tocante e comovente, pretendo ler o livro.

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