Conjuntando #47: Como foi publicar Fugitivos


Semana passada, a Ju me convidou para escrever um texto narrando o processo de publicação de meu livro, Fugitivos, desde o nascimento da ideia até o dia do lançamento. Desde então, já apaguei três textos prontos, porque o resultado final parecia demasiado pessimista.

Mas, na verdade, o problema não estava no texto, uma vez que ele continha todas as verdades que aprendi nessa aventura pela busca de uma editora. O problema estava no que eu não contei.

Assim, neste, que espero seja o texto definitivo, não vou enfatizar alguns fatos.

Não vou dizer que nenhuma grande editora aceita obras com mais de trezentas páginas de autores desconhecidos, porque o custo é maior e temem o prejuízo de vendas fracas, sem mencionar uma maior campanha de marketing.

Não vou dizer que a enorme maioria das editoras pequenas realizam apenas um trabalho gráfico e de impressão, uma vez que o autor arca com metade dos custos de publicação e praticamente não existe divulgação ou revisão.

Não vou dizer que quase todas as editoras não se dispõem a dar um retorno quando à leitura do original enviado, informando apenas que entram em contato caso a obra agrade.

Não vou dizer que quase todas frisam que se o original não estiver dentro dos parâmetros de letra, espaçamento e margem, não será lido.

Nem vou dizer que grande parte nem recebe originais, prefere apenas um resumo de poucas linhas da história, como se isso fosse suficiente para qualificar a qualidade da obra.

Também não vou dizer que as grandes editoras encaminham os originais para blogs parceiros lerem e não o editor.

Não vou dizer que mesmo as editoras grandes preferem concentrar o marketing em quem já é conhecido e deixam o autor de primeiro livro trabalhar na sua própria divulgação.

E não vou dizer que quase todas deixam claro que não desejam que o autor pergunte sobre a obra que enviou, nem sequer se a receberam, explicando que o contato não será retornado.

Vou me concentrar em explicar que fiquei um ano escrevendo Fugitivos nas madrugadas dos dias de semana, uma vez que trabalho o dia todo e reservo os fins de semana para lazer. Vou dizer como foi emocionante entregar a obra impressa na Biblioteca Nacional e receber o certificado de direitos de cópia. Vou dizer que apesar de tudo o que não disse, continuei procurando editora atrás de editora, até que uma se interessou em arriscar na publicação de uma obra de tantas páginas. E vou dizer que foi único o dia que assinei contrato e iniciei oficialmente o processo de publicação.

Mas tudo isso que não disse e disse fica opaco diante do que realmente aprendi e conheci nesse período. Eu conheci pessoas incríveis. Não pessoalmente, mas virtualmente. Através das redes sociais, como o Instagram, Facebook, Twitter e, de forma mais direta, através de grupos de conversa do Whatsapp. Sem esquecer de mencionar também os blogs, a máquina que trata da divulgação da maioria dos livros vendidos no Brasil e que é tratada com cautela pelas editoras, para que os blogs não vejam que são o meio de marketing mais amplo e barato usado por essas mesmas editoras.

Em poucos meses, uma verdadeira legião de fãs se formou em volta de um livro que não leram, que conheciam apenas a sinopse e uma capa feita de forma precária por mim. Eles em nenhum momento cobraram qualquer retorno de mim, apenas a promessa de que um dia o livro estaria à venda e que eles poderiam ler.

Mais que isso, eu conheci muitas histórias pessoais, algumas alegres, outras nem tanto. História semelhantes às que meu livro narrava. Pessoas semelhantes às que meu livro dava a conhecer. Fiz amizades. Recebi ajuda. Dei ajuda. Fizemos brincadeiras, sorteios, jogos. Criamos situações onde todos se encontravam e se conheciam pessoalmente. Ouvi confidências e contei confidências. Fiz vínculos que levarei por toda minha vida.

Assim, o que aprendi escrevendo e publicando Fugitivos? Que a vida real, as pessoas reais, são muito mais emocionantes, misteriosas, heroicas e determinantes que qualquer personagem do melhor livro já escrito. Aprendi que o laço humano é algo único e que precisa ser cultivado com todo o amor e atenção que dispuser. Seja ele presencial, através da Internet ou de um aplicativo para celular. O que recebi em troca, foi a maior conquista que poderia conseguir.

E quanto ao que eu não disse, esqueça. Dificuldades todos encontramos. Passe por elas, sejam quais forem, e persiga seu sonho até conseguir realizá-lo. Não desanime. Não desista. Tenho certeza de que não se arrependerá. ;)
Carlos H. Barros
Carlos H. Barros

Carlos tem várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamenta o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco -, e não saber desenhar. Autor também do blog Gettub

6 comentários:

  1. Oi Carlos!

    Palmas para mim que chorei mesmo com o seu texto. Sim, sou sensível a esse ponto. Mas enfim, tudo o que você não disse poucas pessoas sabem. A maioria delas acredita que é muito simples e fácil publicar um livro, mas sabemos que não é. Admiro demais a sua força de vontade, porque se fosse eu já teria desistido na primeira recusa. Enfim, meus parabéns pelo lançamento do livro! Espero de verdade poder lê-lo algum dia!

    Beijo!
    http://www.roendolivros.com

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  2. Oie Carlos =)

    Depois de ler o seu texto a minha "revolta" com o mercado editorial brasileiro só aumentou. Sei que muito autores bons demoraram anos para conseguir publicar um livro, e muitos acabam desistindo no meio do caminho desse sonho devido a tanto obstáculos que encontram.
    Mas, ai surgem youtubers com milhões de seguidores e conseguem lançar livros através de grandes editoras. As vezes me pergunto se só eu acho isso injusto sabe. Tudo bem que vivemos em um mundo em que tudo gira em torno do dinheiro, só que me cansa um pouco essa "glamorização" do fútil que vejo que anda acontecendo.
    Fico feliz de verdade de você não ter desistido e de estar lançando seu livro. Que ele seja o primeiro de muitos.
    Parabéns pelo texto!

    Beijos e um bom final de semana;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary


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  3. Oi Carlos!
    Conheci vc e o livro por causa daqui, do blog da Ju. E estou morrendo de curiosidade para lê-lo, essa capa ficou incrível. Te desejo muito sucesso!!

    Beijos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com/

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  4. Já estava bastante interessada em ler esse livro só pela sinopse, e agora depois de ver esse texto do autor fiquei ainda mais curiosa em conferi essa história que parece ser ótima.

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  5. Nossa é revoltante ver a dificuldade que um autor tem de conseguir publicar sua obra e da atitude de algumas editoras em dar mais valor a autores famosos. Mas que bom que apesar das dificuldades você conseguiu publicar seu livro, que tenha muito sucesso e estou aguardando o lançamento.

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  6. Oi!
    Conheço bem esse tipo de situação que o autor brasileiro estreante enfrenta. Recebi algumas recusas, mas não consegui parar de escrever mesmo com desânimo, mas também recebi sinal verde da mesma editora que você, no entanto na época eu não tinha como arcar com uma parte da tiragem do livro e deixei de lado a ideia.
    Parabéns por ter publicado!
    Sucesso...
    Beijin...

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