Os Bons Segredos - Ann Leary

Hildy Good é uma caipira chique que sempre viveu numa histórica comunidade da região da costa norte de Boston. Ela sabe quase tudo sobre todo mundo. Hildy é descendente de uma das bruxas de Salém, e acredita-se que ela possa ter herdado alguns dons paranormais.
Não é verdade, claro; ela apenas é boa em decifrar as pessoas. Hildy é boa em várias coisas, aliás. É uma bem-sucedida corretora de imóveis, mãe e avó. Seus dias são atarefados, mas suas noites têm sido solitárias desde que suas filhas, convencidas de que a mãe estava bebendo além da conta, a mandaram para uma clínica. Agora ela está em recuperação — ou não.
Os Bons Segredos é ao mesmo tempo cômico, triste e mordaz. Um clássico tipo de história que revela os segredos de uma cidade pequena, esse espirituoso romance vai ficar na memória do leitor até muito tempo depois de terminada sua leitura. (Skoob)
LEARY, Ann. Os Bons Segredos. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2015. 381 p.

Quando li a sinopse de Os Bons Segredos pela primeira vez, fiquei muito curiosa ao imaginar um ambiente interiorano com uma senhora com tons de bruxaria e apesar de realmente se passar em uma pequena comunidade, os tons de Salem de fato não aparecem como deveriam.

Hildy é uma bem sucedida corretora de imóveis - uma das mais prósperas empresárias da região -, conhece os mais intricados segredos de todo mundo e possui um dor impressionante de decifrar as pessoas. Sendo descendente de umas das bruxas de Salem, correm boatos de sua magia. Entretanto, ela mesma afirma que nada passa de truques e observação herdados de suas parentes.

Por trás de toda boa aparência e sucesso, Hildy enfrenta graves problemas com a bebida, a ponto de ser mandada para centros de reabilitação e grupos do AA pelas filhas. Agora não mais frequentando às reuniões, ela vive sozinha encarando a tentação de beber - especialmente quando se tem uma caixa de vinho no porão.

"Acho que desci apenas uma vez, ou talvez duas vezes, para tornar a encher minha caneca, mas tinha sido só isso [...] Mas o vinho que eu tinha aberto era particularmente delicioso e parecia uma pena não terminar a garrafa".

Sabe aquele ambiente de cidade pequena e vida de todo mundo contada pra todo mundo? É essa a ambientação de Os Bons Segredos. Com uma narrativa simples e fluida, Ann Leary nos conta despretensiosamente a vida dos moradores de Wendover, as casas com potencial de vendas, os romances proibidos e especificamente, os pormenores de Hildy Good. Hoje solitária e aparentemente em recuperação, Hildy tem um bom relacionamento com todo mundo, mas sempre paira aquela sensação de estar sendo observada por sua relação com o álcool.

A narrativa em primeira pessoa por ela nos permite ter essa visão mais claramente. Como o alcoólatra se vê realmente? Eles de fato se consideram assim? Essa visão é bem perceptível na narrativa de Hildy, onde ela sabe que bebe demais, que é perigoso, mas não assume e acredita sempre estar no controle. Percebemos que esse controle não é tão justamente na visão e falatório dos outros.

Eu imaginava um livro voltado mais para a questão da bruxaria, nos boatos da vizinhança, até mesmo porque o subtítulo (É impossível provar que não se é uma bruxa) dá a entender isso. Na verdade o livro todo passa sem grandes acontecimentos, somente narrando o cotidiano de Hildy e alguns segredos obscuros do resto da vizinhança, entretanto, nada realmente emocionante. Mas mesmo com todo esse desenvolvimento lento, a obra ficou bem longe de se tornar de fato maçante. A narrativa fluida não deixa o leitor desapegar da história ou mesmo dar uma "paradinha".

Talvez por conta desse "atraso" no desenvolver do enredo que alguns acontecimentos já do meio para o fim me soaram dispersos e sem nexo, o que acabou por me fazer finalizar a obra com um sentimento confuso e uma sensação de ligeira má construção do começo, meio e fim.

Entretanto, acho importante destacar que apesar de desprovido de real emoção, a obra de Ann Leary é agradável, interessante e fluida. O grande potencial do livro se encontra na narração, clara e fácil. Eu gostei bastante do livro, apesar dos fatores citados.
Sofia
Sofia

Geminiana de 13/06/00, blogueira no Lendo de Tudo e (completamente) apaixonada por livros. Sejam eles fictícios ou verídicos, românticos ou terror. Mas incondicionalmente fã de J.K. Rowling, Rick Riordan e Agatha Christie. Indecisa, - mas também determinada (como assim, ué?)- casada com o teatro, amante dos livros, sofro de sinceridade aguda.

5 comentários:

  1. Oi Sofia!
    Não conhecia o livro e quando vi a capa pensei que devia ser um drama-romance comum. Me surpreendi com os elementos que você mencionou, a começar pela bruxaria. Mas o que mais me interessou mesmo foi a perspectiva do alcoolismo da personagem.
    Uma pena que seja um pouco enrolado, mas que bom que isso não chegou a atrapalhar o seu envolvimento.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  2. Não conhecia este livro, mas por a história ser sem grandes acontecimentos não fiquei muito interessada não, mas sua resenha está muito boa, quem sabe futuramente eu resolva ler.

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  3. Oi Sofia!

    Problemas de alcoolismo são realmente muito graves, e sim, o alcoólatra nunca assume o seu vício. Acho que queria que a bruxaria fosse mais trabalhada, aí sim ficaria curiosa de verdade com história. Muito legal você ter gostado tando do livro mesmo com alguns pontos negativos e narrativa enroladinha.

    Beijo!
    http://www.roendolivros.com/

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  4. Oi Ju
    Não estou lembrando desse livro, acho que ainda não tinha visto ele. A premissa até é interessante, mas não chegou a me despertar curiosidade. Ainda sim o leria, é interessante.

    Beijos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  5. Oi Ju!
    Já estava bastante interessada em ler esse livro só pela sinopse, e agora depois de ver essa resenha, apesar dos pontos negativo que você apontou, fiquei ainda mais curiosa em conferi essa história.
    Beijos!

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