WE3: Instinto de Sobrevivência - Grant Morrison e Frank Quitely

Sinopse: Três animais foram treinados pelo governo e equipados com avançados exoesqueletos para se tornarem as mais mortíferas armas já produzidas: inteligentes, obedientes e – acima de tudo – letais. No entanto, dentro das armaduras estão três amedrontados bichos de estimação, cujo instinto de sobrevivência pode se sobrepor aos desmandos de seus criadores. (Skoob)
MORRISON, Grant e QUITELY, Frank. WE3: Instinto de Sobrevivência. Panini Comics, 2006. 114 p.

Grant Morrison já é uma lenda, graças a suas histórias densas, complexas, cheias de detalhes e referências, não só nos gibis, como também em livros. Ele já escreveu para os maiores heróis da DC e Marvel, como Batman, LJA, X-Men, Vampirella, Quarteto Fantástico, entre muitos outros.

Frank Quitely é um dos mais prestigiados desenhistas do mundo. Seu trabalho nas séries The Authority, All-Star Superman, Novos X-Men, por exemplo, é simplesmente incrível. E parte de sua genialidade pode ser conferida em WE3, o que lhe conferiu o prêmio Eisner, o equivalente ao Oscar nos quadrinhos.


A primeira coisa que precisa ter em mente ao ler este gibi, é que toda a genialidade da história e dos desenhos reside, principalmente, nos detalhes. Embora os desenhos de Quitely encham os olhos, sua maior qualidade está nos enquadramentos, nas posições de cada personagem, nas expressões dos rostos, ou dos focinhos, no caso dos animais, e na absurda violência literal e psicológica em cada quadrinho.


Embora o resumo da história seja fuga e sobrevivência, um tema existente em diversas outras obras, sem qualquer novidade, o trabalho de Morrison não se resume a escrever balões. É o escritor quem define o que cada quadrinho deve transmitir, tenha ele algum texto ou não. Então, é Morrison quem direciona Quitely para o que ele deve desenhar, e é Quitely, por sua vez, quem usa seu talento para elevar o trabalho de Morrison ao nível de arte.


Bandit (o cão), Tinker (o gato) e Pirate (o coelho), embora tenham sido modificados e transformados em armas mortais, são, na sua essência, os representantes genuínos de suas raças. Após serem considerados obsoletos pelo exército, dando lugar ao WE4, uma nova arma, mais moderna e eficiente, a cientista que os criou, e por quem nutre um amor, que cobra seu preço no fim da história, decide jogar tudo para o alto e libertá-los.


O cão tem o instinto de voltar para casa, para seu dono, uma característica básica desse animal. O gato é furtivo, não tem interesse em se localizar, é desconfiado, mas se mantém fiel ao bando. O coelho representa a inocência, se sente perdido, sem conseguir identificar sua liberdade e o perigo que representa em contato com os seres humanos. Os três só querem viver, ou sobreviver.


A coisa sai do controle, quando o exército não consegue recuperá-los e solta sua WE4 atrás deles. A carnificina é impressionante!


Um ponto fundamental nesta obra, é o fato de que muitos animais realmente são usados como cobaias em experimentos, sem qualquer preocupação em relação ao que sentem. Deixando de lado a discussão de sentimentos, almas, ou qualquer assunto nesse sentido, o fato real é que eles são seres vivos, que sofrem, que sentem dor, que merecem a mesma chance de viver como qualquer outro. E é esse ponto que WE3 se concentra. Tudo que o trio realiza após a fuga, ele realiza como forma de sobrevivência e não como ataque.


Como toda obra de arte, WE3 causa questionamentos pessoais, causa assombro, impressiona por sua beleza, por sua profundidade e deixa, moralmente, dúvidas sobre quem são os animais irracionais na história.


Um conselho? Corra e compre! É uma obra indispensável em sua coleção, seja você leitor ou não de quadrinhos.
Carlos H. Barros
Carlos H. Barros

Carlos tem várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamenta o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco -, e não saber desenhar. Autor também do blog Gettub

8 comentários:

  1. Tirando a Turma da Mônica nunca li nenhum quadrinho, nunca me interessei muito. Mas amei as ilustrações e achei a história bem diferente também.

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  2. Já li quadrinhos antes,mas deste nunca ouvi falar e já fiquei louca para comprar. Simplesmente amo os posts deste blog e a variedade de livros. Podemos conhecer e se apaixonar por livros novos,amei.

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  3. Oie! Não conhecia...Acho q assim como Maíra nunca li outros quadrinhos sem ser da Turma da Mônica rsrsrs
    Sou doida por animais, tenho ctz q vou adorar esses quadrinhos!
    Bjs! Parabéns pelo post!

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  4. Olha, eu gosto de quadrinhos e mangás, mas sou super impressionável. Por exemplo eu tava lendo o sandman, que é bem longo, e lá perto do fim, quando acontece algo ruim com um bebê eu ganhei aversão pela obra que estava adorando. Acho que esse lance dos animais ia mexer demais comigo, não tenho estomago. A arte parece belíssima, no entanto.

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  5. Não conhecia esse quadrinho, achei interessante a historia dos três e sobre eles serem cobaias, como acontece de verdade, o livro nos leva a avaliar muitas atitudes que são tomadas contra os animais. Achei as ilustrações lindas.

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  6. Nossa que história hem, curto muito HQs, essa resenha me deixou supe interessada em compra esse livro.

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  7. Não gosto muito de quadrinho, apesar de achar essas ilustrações maravilhosas, acho que não leria. Gostei do foco do livro, que trata de certa forma da exploração de animais.

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  8. Olá Carlos!!!
    Eu acho muito triste de saber que animais são usados como cobaias para experimentos, porque no final das contas eles sofrem muito e acabam ás vezes morrendo.
    Eu gosto de quadrinhos, leio alguns e adorei as ilustrações desse porém eu tenho um apego por animais e quando eu vejo algo que trata sobre eles eu tenho vontade de ler.
    Porém ver essa parte de eles sendo utilizados como cobaias é doloroso demais e ver cães tá complicado para mim por causa da perda do meu filhote, mas quem sabe um dia dê uma chance :3

    lereliterario.blogspot.com

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