A Grana - Cynthia D'Aprix Sweeney

Sinopse: Um romance engraçado e perspicaz sobre quatro irmãos adultos e o destino do dinheiro que moldou a vida e as escolhas de toda a família. Leo Plumb estava bêbado e drogado quando fugiu sorrateiramente da festa de casamento do primo, levando uma das garçonetes a tiracolo. No calor do momento, dirigindo para longe dali, os dois sofrem um acidente de carro com graves consequências. Para fazer com que seus problemas desaparecessem, Leo precisou usar o dinheiro de uma conta da família, um dinheiro sagrado: o pé-de-meia que garantiria o futuro dos irmãos Plumb. Ansiosos para receberem sua parte e horrorizados ao descobrirem que a mãe permitiu que Leo torrasse aquela grana, eles marcam um encontro para deliberar quando e como o dinheiro será restituído. Melody, esposa e mãe de gêmeas adolescentes que mora num subúrbio luxuoso, tem uma hipoteca cara e duas mensalidades universitárias se aproximando no horizonte. Jack, um vendedor de antiguidades, escondeu do marido que, para sustentar seu negócio, empenhou uma das propriedades do casal. E Bea, que já foi considerada uma promessa da cena literária, não consegue mais escrever. Reunidos novamente, como nunca estiveram, os irmãos terão que superar antigos ressentimentos e as escolhas erradas que fizeram na vida. Uma análise inteligente e afetuosa de como a expectativa desempenha um papel central em nossas vidas, A Grana tem o ingrediente mais explosivo de qualquer boa briga de família: dinheiro. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
SWEENEY, Cynthia D'Aprix. A Grana. Editora Intrínseca, 2016. 336 p.


Gente, eu juro que eu tento controlar, mas eu não consigo. Por favor, não julguem o meu problema, é bem mais forte que eu. Estão confusos sobre o quê estou falando? Pois é sobre a maldita mania de escolher livros pela capa. Mas convenhamos que é difícil resistir a uma capa como a de A Grana, não é mesmo? Porém o que ele tem de lindo, ele tem de supérfluo.

A Grana é um drama familiar que envolve a família Plumb, mais especificamente os quatro irmãos. Tudo começa quando Leo, o irmão mais velho, resolve dar uma escapada de carro da festa de casamento do primo com uma das garçonetes e os dois sofrem um grave acidente. Como estava bêbado e drogado, Leo foi obrigado a pagar uma gorda indenização para a garçonete. Tudo estaria nos conformes se o homem não estivesse falido e não precisasse usar o dinheiro do pé-de-meia da família, dinheiro este que garantiria o futuro dos quatro irmãos. 

Se você está pensando como Leo teve coragem de pegar o dinheiro da família para resolver um problema pessoal, a resposta é simples: a mãe permitiu tudo, com a condição que fosse um empréstimo. E pior, escondeu o fato da família, já que os filhos só teriam acesso à conta com o dinheiro quando Melody, a filha mais nova, completasse quarenta anos. Mas pensem comigo... Se o Leo está falido, onde é que ele vai arrumar dinheiro para pagar essa dívida imensa? Antes de saber o desenrolar da história já sentia cheiro de confusão.

Apesar de o foco central do livro ser o Leo, a narrativa se dá sob o ponto de vista dos outros irmãos (Beatrice, Jack e Melody) e da mãe, então conseguimos ver os problemas financeiros de cada membro da família. Para falar a verdade, a família Plumb é aquela típica família que um dia foi rica, mas não soube como lidar com tanto dinheiro. Porém as coisas começam a ficar confusas quando personagens super aleatórios entram no meio da narração. A única coisa que esses personagens têm em comum é o fato de estarem ligados ao Leo de alguma forma. Para mim, foi totalmente desnecessário. Senti que foi apenas uma jogada para encher as páginas do livro.

Não minto que o enredo tem um potencial gigante, um tema que é interessante, mas que Sweeney não soube explorar. O único ponto positivo em toda a história foi a forma como a autora reaproximou os irmãos em meio à tragédia. Tirando isso, senti que A Grana foi uma leitura desnecessária e sem propósito, com um excesso de personagens sem profundidade alguma, apenas para dar vida à um livro que simplesmente não saiu do lugar.

Sempre gosto de frisar, quando faço uma resenha negativa, que o livro não funcionou para mim. Espero sinceramente que essa história faça diferença na vida de alguém, de alguma forma. Infelizmente, a beleza de A Grana fica apenas na capa.


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Pá de cal - Gustavo Ávlia

Sinopse: Seis pessoas acordam sem memória em uma vila. Cada uma delas em uma casa, no interior de uma estranha floresta artificial. Em cada casa há uma caixa trancada por seis fechaduras e uma carta, com uma das chaves e um bilhete que diz: "Suas lembranças estão no interior desta caixa. Para abri-la você terá que reunir as chaves das outras cinco pessoas que estão na vila. Se uma pessoa reunir as seis chaves e abrir a caixa, um sistema irá destruir automaticamente o interior das outras cinco. Somente um poderá se lembrar quem é. Boa sorte." Descubra por que as seis pessoas estão nessa misteriosa vila. Quem conseguirá recuperar sua memória. Como ela fará isso. E, principalmente, a que custo. (Skoob)
ÁVILA, Gustavo Pá de cal. Edição Independente, 2016. 40 p.


A primeira obra que li de Gustavo Ávila, foi O sorriso da hiena. A história do serial killer que busca repetir em crianças o mesmo horror que sofreu na infância, tinha tudo para ser inesquecível. Infelizmente, a falta de revisão e os enormes furos do enredo, jogaram abaixo qualquer expectativa. Então, quando soube que ele havia lançado um conto, Pá de cal, na Amazon, em formato ebook, corri a comprar. Queria ver se a escrita do autor havia amadurecido.


Novamente, total decepção. Não pela história em si, que usa como base situações similares a livros como Maze Runner, Jogos Vorazes e Jogos Mortais, mas, sim, pela, novamente, quantidade de furos e falta de revisão. Recomendo, fortemente, que o autor consiga ajuda nessa parte. E se já tiver, que troque.

Mesmo que o leitor consiga abstrair essas falhas, acompanhando com descrença a luta mortal entre os seis personagens para recuperarem suas memórias às custas das vidas dos outros, chegamos a um clímax interessante, mas com uma conclusão totalmente sem sentido. A sensação que passa é semelhante a você se perguntar porque determinada pessoa morreu, e eu responder que estou assistindo televisão. Sim. Não tem sentido.


Embora seja um conto e, como tal, não tem necessidade de explicar todos os pontos, o que ele deixa de explicar é tão amplo, que acaba prejudicando a leitura.

O que é uma pena, porque, com uma revisão mais apurada, e um cuidado maior nas explicações finais, daria um excelente livro.

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O primeiro último beijo - Ali Harris

Fonte da imagem: Gettub
Sinopse: O primeiro último beijo conta a história de amor de Ryan e Molly, de como eles se encontraram e se perderam diversas vezes ao longo do caminho. Na primeira vez em que eles se beijaram, Molly soube que ficariam juntos para sempre. Seis anos e muitos beijos depois, ela esta casada com o homem que ama. Mas hoje Molly percebe quantos beijos desperdiçou, por que o futuro lhes reserva algo que nenhum dos dois poderia prever... Esta história comovente, bem-humorada e profundamente tocante mostra que o amor pode ser enlouquecedor e frustrante, mas também sublime. Na mesma tradição de P.S. Eu te amo e Um dia, O primeiro último beijo vai fazer você suspirar e derramar lágrimas com a mesma intensidade. (Skoob)
Harris Ali. O primeiro último beijo. Editora Verus, 2016. 448 p. 


Neste livro, iremos conhecer Molly e Ryan, que são apaixonados desde a adolescência e, como qualquer casal, tem seus altos e baixos, suas brigas e seus momentos de amor, mas que apesar das dificuldades se amam desesperadamente.

Molly e Ryan são como água e vinho: ela é uma sonhadora, aventureira que tem vontade de viajar pelo mundo e seguir carreira como fotógrafa; ele é um típico menino bonito de cidade pequena que gosta e aprecia as pequenas coisas da vida e é feliz dessa maneira.

"Dizem que há um momento com que toda garota sonha durante a vida inteira. Você sabe: um garoto de joelhos oferecendo-lhe o coração. Bem, eu nunca fui esse tipo de garota. Mas, mesmo se fosse, o momento acabou sendo melhor do que eu jamais poderia ter imaginado."

Com o passar do tempo, o relacionamento deles vai se desgastando, e o amor já não é mais o mesmo, por falta de conversar, talvez, ou pelo fato de não aceitarem que esse relacionamento já deu o que tinha que dar. Ambos acabam cometendo erros, que cada vez mais os separam, até que, por fim, vem a traição. E, consequentemente, a separação. Por uma escolha precipitada, Molly acaba criando o estopim, que leva ao fim desse relacionamento.

Neste livro, vemos que o amor é lindo, porém quando não se da o devido valor, ele tende a se desgastar. A química entre o casal é quase palpável, mas há erros que nem sempre podem ser apagados por um simples "me desculpe" ou um "eu te amo".

Demorei um pouco para me conectar com os personagens, porque o livro tem uma narrativa não-linear, alternando entre presente e passado, o que deixa a leitura um tanto quanto chata no começo. Mas no decorrer da narrativa, vemos como os fatos são interligados e é impossível não torcer pelo casal.

"O beijo é um adorável truque inventado pela natureza para interromper a fala quando as palavras se tornam supérfluas, foi o que Ingrid Bergman disse certa vez, e é verdade."

O primeiro último beijo me levou a fazer diversas reflexões sobre a vida, como um simples momento com a pessoa amada pode fazer toda a diferença, ou nem sempre o amor é lindo como dizem os contos de fadas, e o felizes para sempre pode, simplesmente, nunca chegar.

O livro é narrado em primeiro pessoa pela Molly. Acompanhamos o amadurecimento da personagem, o descobrimento dela como mulher, o reconhecimento de que não é necessário se anular para viver um relacionamento feliz e que, as vezes, é necessário se perder para, enfim, encontrar o caminho de volta.

Fonte da imagem: Gettub

O primeiro último beijo é emocionante, a história foi muito bem construída, cada personagem tem sua personalidade própria, seu jeito de ser, enfim, uma leitura super recomendada.

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Lugar Nenhum - Neil Gaiman

Em Lugar Nenhum Neil Gaiman conta a história de Richard Mayhew, um jovem escocês que vive uma vida normal em Londres. Tem um bom emprego e vai se casar com a mulher ideal. Uma noite, porém, ele encontra na rua uma misteriosa garota ferida e decide socorrê-la. Depois disso, parecer ter se tornado invisível para todas as outras pessoas. As poucas que notam sua presença não conseguem lembrar exatamente quem ele é. Sem emprego, noiva ou apartamento, é como se Richard não existisse mais. Pelo menos não nessa Londres. Sim, porque existe uma outra - a Londres-de-Baixo. Constituída de uma espécie de labirinto subterrâneo, entre canais de esgoto e estações de metrô abandonadas, essa outra Londres é povoada por monstros, monges, párias, nobres, decaídos e assassinos - e é para lá que Richard vai.
Lugar Nenhum é o primeiro romance de Neil Gaiman, autor dos best-sellers Deuses Americanos (Conrad, 2004) e Filhos de Anansi (Conrad, 2006), e criador da revolucionária série de quadrinhos Sandman. Concebida originalmente como série de TV em seis capítulos, Lugar Nenhum foi transmitida pela rede inglesa BBC. A transformação em romance resultou em sucesso imediato, conduzindo a obra às listas de best-sellers do Los Angeles Times e do San Francisco Chronicle, entre outras.
GAIMAN, Neil. Lugar Nenhum. Editora Conrad, 2007.336 p.


Este foi o primeiro livro que li de Neil Gaiman, sim, demorei muito para conhecer o autor, mas agora que conheci, pretendo ler muitas de suas obras. A escrita é muito criativa e ágil, tornando a leitura muito prazerosa.

Em Lugar nenhum conhecemos Richard Mayhew, um escocês que mora em Londres e lá vive tranquilamente. Tem um bom emprego e é noivo de uma moça um tanto esquisita. Mas em certo dia, quando menos esperava, sua vida vira de cabeça para baixo. Sua aventura começa num ambiente um tanto diferente chamado Londres de Baixo, onde monstros habitam e coisas estranhas acontecem. Esse local é uma versão da Londres antiga, só que um tanto mais bizarra.

A loucura começa quando Richard encontra uma moça muito machucada no caminho do restaurante em que ia jantar com sua noiva. Ele decide levá-la pra casa para socorrê-la, já que a garota se recusa a ir a um hospital, deixando sua noiva - e sua vida toda - para trás.

"Na sexta-feira eu tinha um emprego, uma noiva, uma casa e uma vida normal (bom, até o ponto em que a vida consegue ser normal). Então encontrei uma moça sangrando na calçada e tentei bancar o Bom Samaritano. Agora não tenho mais noiva, casa ou emprego, fico andando a esmo a uns sessenta metros abaixo das ruas de Londres e minha expectativa de vida é tão longa quanto a de uma drosófila suicida." 

A tal garota se chama Door ("porta", em inglês), que vivia na Londres de Baixo e estava fugindo de dois assassinos, Croup e Vandemar. Ela tem o poder de abrir coisas, sendo assim abriu uma porta para Londres de Cima. E agora que Richard a ajudou, passou por uma espécie de transformação, onde ficou invisível para as pessoas ds Londres de Cima. Ele quer sua vida de volta e para isso precisa encontrar Door e seu amigo, Marquês de Carabás a fim de recuperar tudo o que perdeu.

Porém, após ir para Londres de Baixo, percebe que não será nada fácil, pois Door tem seus próprios problemas para resolver, ela quer de alguma formar descobrir quem matou sua família e se vingar a qualquer custo.

A narrativa de Gaiman é bem fluida e instigante, o livro tem um belo toque de fantasia e mistério. Existem pessoas que tem o dom de falar com ratos, há uma variedade de objetos mágicos, anjos bem estranhos... É uma mistura que deu super certo!
Nesta jornada, eles passam pelo Mercado Flutuante, onde tudo pode ser trocado, gostei bastante dessa parte, é tudo muito lúdico. Lá é possível encontrar de tudo, tudo mesmo! Tem até lixo: " – Porcaria! Nojeiras! Sobras! Dejetos! Podem vir que aqui tem! Nada inteiro, tudo com defeito!", me peguei pensando no que seria útil trocar algo por lixo?!

Os personagens são muito bem descritos e diferentes, Richard é todo medroso e certinho, Door é super corajosa e determinada, Marquês de Carabás nada confiável... Gostei muito de Hunter também, que se tornou a guarda costas de Door. Croup e Vandemar são tão maus, mas tão cômicos ao mesmo tempo! Essa variedade entre personalidades é muito agradável, dá pra entrar mesmo na história, como se os personagens de alguma forma fossem reais.

Fiquei bem impressionada, pois a escrita de Gaiman já era bem desenvolvida apesar de ter sido um de seus primeiros escritos literários. O mundo que criou é muito interessante, não sei se é por que não tenho costume de ler fantasia, a criatividade me encantou demais. Espero que encante vocês também!

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Conjuntando #68: Dez livros para o verão

Fonte da Imagem: Shifter
Vocês perceberam que eu tenho adorado criar listas? rsrs Só em janeiro já publiquei uma lista de músicas que eu acho que combinam com a série Splintered e outras de livros para o início de ano. Mas como listas nunca são demais, hoje resolvi trazer mais uma!

Já estamos no finzinho de janeiro, mas ainda temos dois meses de verão pela frente. Por que não aproveitar então para ler alguns livros que têm tudo a ver com essa época?

1. Vinte garotos no verão - Sarah Ockler




Vinte garotos no verão tem uma história um pouco dramática, de perda e superação. O enredo transcorre no verão e, embora não seja uma trama puramente alegre e divertida, traz consigo uma bela mensagem sobre autoconhecimento e amadurecimento.




2. O homem perfeito - Vanessa Bosso




Vou ser sincera com vocês: não faço mais a mínima ideia se a história de O homem perfeito se passa mesmo no verão. Mesmo que não seja o caso, a trama acontece em Paraty e tem a maior cara da estação. Os acontecimentos são exagerados e muito divertidos, e o livro é uma ótima opção para esses dias de calor, em que tudo que a gente quer são boas risadas.



3. Para todos os garotos que já amei - Jenny Han



O enredo de Para todos os garotos que já amei definitivamente não tem nada a ver com a estação, que fiquem avisados. Mas a história é tão lindinha, fofa e gostosa de ler que vale a pena colocar nessa lista. Para quem quiser uma companhia para arrebatar o coração, a opção é essa. A série tem mais um livro publicado, P.S.: Ainda amo você, e o terceiro livro, Always and Forever Lara Jean, deve sair neste primeiro semestre.



4. A mulher do viajante no tempo - Audrey Niffenegger



Não, esse livro também não está aqui por causa da época do ano em que se passa a história. Até porque essa história se estende por anos, invernos e verões. Porém, para quem gosta de um bom e intenso romance, essa é a escolha mais acertada. A mulher do viajante no tempo é daqueles livros que todos deveriam ler uma vez na vida, na minha opinião, então por que não no verão?




5. Isla e o final feliz - Stephanie Perkins



Stephanie Perkins é outra autora que sempre lança romances leves, divertidos e apaixonantes. Isla e o final feliz também não se passa no verão, mas quem se importa? O livro é uma delícia de ler, então para quem quer algo arrebatador e leve ao mesmo tempo, vale a pena conferir. Ah, isso vale para os outros livros publicados da autora também, viu?




6. A filha perdida - Elena Ferrante



Para quem gosta de livros um pouquinho mais adultos e que trazem uma boa reflexão, A filha perdida deve ser incluído nas possibilidades. A história é curta e de rápida leitura, e traz verdades cruas e dolorosas acerca da maternidade. Além disso, a trama se passa no verão, nas paisagens do litoral sul da Itália. Que tal?




7. Aconteceu naquele verão - organização de Stephanie Perkins



Aconteceu naquele verão é um livro de contos organizado por Stephanie Perkins, que reúne diversos autores da literatura jovem atual, como Veronica Roth, Jennifer E. Smith, Cassandra Clare e outros. São doze histórias de amor, com terror, fantasia, e seja lá mais o que se passou na mente do autor ao escrever o conto. É o livro típico da época, de leitura rápida e inspirador para os apaixonados pela estação.



8. A rebelde do deserto - Alwyn Hamilton




Para quem gosta de fantasia, A rebelde do deserto tem que entrar na lista de leitura. As cenas que narram a dificuldade do calor escaldante, a areia fina e o vento do deserto vão combinar bem com o verão quente que temos tido, com o bônus de muita aventura e um pouquinho de romance também.




9. A caminho do verão - Sarah Dessen



Apesar de ter incluído A caminho do verão na lista, quero deixar claro que só li um livro da Sarah Dessen, e não foi esse, e sim Uma canção de ninar. Porém, esse título tem mais a ver com a proposta dessa postagem e a impressão que eu tenho é que a autora adora que seus enredos se passem nessa época do ano. Para quem gosta de livros com dramas adolescentes e enredos leves, acredito que qualquer livro da autora pode ser incluído na lista de leituras da estação.



10. Quando o vento sumiu - Graciela Mayrink



Todos os livros da Graciela Mayrink têm a cara do verão: são leves, divertidos e se passam em terras brasileiras. Quando o vento sumiu entrou nessa lista porque a história se passa na praia e é o meu favorito da autora, mas para quem quiser outras opções, Até eu te encontrar e A namorada do meu amigo podem ser incluídos na fila de leituras sem qualquer problema.






Agora me contem: o que acharam da lista? Já leram algum? Quais outros livros vocês indicam?

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Para Continuar - Felipe Colbert

Foto: Dear Maidy
Sinopse: Envolver-se com a jovem Ayako é a oportunidade perfeita para Leonardo César esquecer a sua vida tediosa e perigosamente limitada, tudo por culpa do seu coração defeituoso. Enquanto isso, com a ajuda de seu avô, Ayako tem a difícil missão de manter inacessível um porão de dimensões que vão além da loja de luminárias que ela gerencia, repleto de milhares de lanternas orientais, cujo mistério envolve os habitantes do bairro da Liberdade. A partir dos crescentes encontros entre Leonardo e Ayako, uma nova lanterna surgirá para os dois. Eles terão que protegê-la com afinco, ou tudo que construíram juntos poderá desaparecer a qualquer momento. O que ninguém conseguiria prever é que Ho, um jovem chinês também apaixonado por Ayako, colocaria em risco o futuro desse objeto. E com ele, o sentimento mais importante que dois seres humanos já experimentaram. (Skoob)
COLBERT, Felipe. Para Continuar. Editora Novo Conceito, 2015. 244 p.

Tenho tido várias surpresas positivas com os livros nacionais que ando lendo e, com Para Continuar não foi diferente. Arrisco dizer que foi um dos melhores que li até hoje, mesmo com alguns pontos negativos. Ainda assim, confesso que o que me atraiu nesse livro foi a capa maravilhosa. Não sei se vocês sabem, mas eu adoro a cultura japonesa e sério, não poderiam ter escolhido uma capa melhor que essa. Antes de tudo, é importante frisar que a história não se passa no Japão, mas no bairro da Liberdade em São Paulo, onde a cultura é totalmente predominante (não sou muito conhecedora das coisas, pessoa, se eu falar algo errado me corrijam). 

Leonardo César é um jovem de 20 anos que faz faculdade de Design Gráfico na Faculdade Belas Artes, em São Paulo. Pode-se dizer que ele leva uma vida super pacata e tranquila, a não ser por um detalhe: ele sofre de uma doença cardíaca chamada cardimiopatia dilatada idiopatica, que traduzida para nossa língua significa que o coração dele não tem força suficiente para bombear o sangue para o resto do corpo. Em um dia qualquer, enquanto voltava da aula de metrô, Leonardo vê uma linda garota oriental e se sente imediatamente atraído por ela e após algum tempo tenta puxar assunto com ela. Só que o único contato que o garoto tem com a menina é terem compartilhado o fone de ouvido dela por alguns instantes. Logo depois, ela sai do vagão sem nem dizer o seu nome. É claro que Léo fica totalmente obcecado por ela e começa a pegar o metrô todos os dias na esperança de encontrá-la novamente. 

Ayako Miyake vive no bairro da Liberdade com seu ojiisan (avó, em português) e o jovem chinês Ho, que é perdidamente apaixonado por Ayako desde que se entende por gente. Ho tem uma deficiência mental que faz ele agir como uma criança. Os três, juntos, tomam conta de uma lojinha de luminárias muito simpática que guarda um grande segredo em seu porão. Ayako e seu ojiisan têm a incrível missão de cuidar das luminárias orientais mágicas que ficam no subsolo. Além de protegê-las do mundo, os dois tentam a todo custo manter Ho afastado delas, pois qualquer movimento que seja pode causar um grande impacto. 

Não é difícil imaginar Leonardo e Ayako se apaixonam perdidamente, não é? Mas diferente da maioria das histórias que acontecem por aí, não senti aquela coisa forçada. Sim, o primeiro encontro dos dois no metrô teve impacto o suficiente para fazê-los pensarem um no outro, mas não teve nada daquele amor que acontece assim, sem mais nem menos. Acredito que o romance foi muito bem construído, e o melhor, aos poucos. E não é difícil imaginar quantas pessoas se conhecem nos lugares mais banais e começam um relacionamento, não é mesmo? Para mim a mágica do amor está justamente aí, nas coisas mais simples.

A história em si é muito bonita e bem construída, não só o romance. A ambientação é perfeita e mesmo quem não conhece nada sobre a cultura japonesa não irá ter dificuldade nenhuma durante a leitura. Os personagens também são ótimos! Confesso que me senti um pouco culpada por ficar tão irritada com Ho o tempo inteiro, mesmo sabendo das suas limitações. Mas sem or, eita que ele dá dor de cabeça para Léo e Ayako, viu. Léo me irritou um pouquinho em algumas partes do livro por causa da sua imaturidade (vocês vão entender quando lerem), mas nem liguei tanto assim porque a maioria das pessoas agiriam da mesma forma que ele.

Gente, a diagramação está a coisa mais linda do mundo! Cada capítulo começa com o desenho de algumas luminárias e ai, está fofo demais! Mas enfim, mesmo tendo adivinhado um pouco do final, não consegui não amar a história do mesmo jeito. O final para mim foi o mais especial de todos, porque mostra que o amor pode ultrapassar todas as barreiras (sim, acreditem ou não, eu sou extremamente romântica).

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Novidades #155: Lançamentos Arqueiro Fevereiro

Peops, chegou o dia de conhecer algumas das novidades que a Editora Arqueiro trará para os leitores em fevereiro! Tem muita coisa legal: continuação de séries, livro nacional fofinho, nova edição de livro já publicado... e por aí vai. Vamos conhecer alguns?

A Rainha das Trevas, de Anne Bishop

Jaenelle Angelline é a feiticeira da profecia e rainha de Ebon Askavi. Agora, o reino das sombras está sob sua proteção. No entanto, membros corruptos dos Sangue continuam à espreita e, em um jogo perverso de política e intriga, pretendem destruir todos aqueles que ficaram do seu lado.
Enquanto isso, depois de ter escapado da loucura do reino distorcido, Daemon Sadi finalmente chega a Kaeleer, onde o destino o levará a se reencontrar com Lucivar, Saetan... e Jaenelle. Mesmo após tanto tempo, seu amor continua inabalável. E, sendo consorte prometido da rainha, o poder de sua joia estará a serviço dela, caso Jaenelle assim o deseje. Entretanto, isso pode não ser suficiente para evitar o terrível plano que está prestes a ser executado.
Uma guerra está a caminho. E, quando ela chegar, apenas um grande sacrifício poderá salvar o reino.



Meu jeito certo de fazer tudo errado, de Klara Castanho e Luiza Trigo

Em 2014, na Bienal do Livro de São Paulo, Klara Castanho foi pedir um autógrafo para Luiza Trigo, que estava lançando seu novo livro. Desse encontro nasceu uma amizade.
Um ano depois, inquieta e cheia de ideias, Klara pediu ajuda de Luiza com o conteúdo de um programa jovem de entrevistas que planejava fazer na internet, baseado no que via no dia a dia. Depois de trabalhar um pouco no que Klara havia escrito, Luiza sugeriu: “Que tal pegarmos esses textos e transformarmos em um livro?”. Klara adorou. Assim surgiu a história de Giovana, uma garota que acaba de se mudar com a família para São Paulo e que, de quebra, precisa encarar os dilemas da adolescência. Obedecer sempre aos pais controladores ou se aventurar em busca de independência? Ignorar suas convicções para andar com o grupinho popular do colégio, ou isolar-se com a amiga tímida e solitária? Viver um grande amor e perder o amigo, ou contentar-se com a friendzone?
O resultado disso tudo são situações e personagens coloridos e autênticos, já que suas dúvidas, erros e acertos foram inspirados nas vivências das próprias autoras. E isso mostra um pouco do motivo pelo qual elas compartilham a paixão pela leitura: com ficção podemos exprimir grandes verdades.

A cruz de fogo - Parte I, de Diana Galbadon

O ano é 1771. Na Carolina do Norte, conserva-se a duras penas um frágil equilíbrio entre a aristocracia colonial e os esforçados pioneiros. E entre esses dois lados prestes a entrar em conflito está Jamie Fraser, um homem de honra exilado de sua amada Escócia. Convocado a liderar uma milícia para conter as insurgências, ele sabe que quebrar o juramento que fez à Coroa inglesa o tornará um traidor, mas mantê-lo será a certeza de sua ruína.
A guerra se aproxima, garantiu-lhe sua esposa, Claire Randall. E, mesmo não querendo acreditar nesse triste futuro, Jamie Fraser está ciente de que não pode ignorar o conhecimento que só uma viajante do tempo poderia ter. Afinal, a visão única de Claire já os colocou em risco, mas também lhes trouxe salvação.
A cruz de fogo é uma envolvente história sobre o empenho de Jamie em proteger sua família, construir uma comunidade e manter suas terras às vésperas de um conflito histórico. Nesses esforços, ele é ajudado por sua mulher, sua filha Brianna e seu genro Roger MacKenzie, que nasceram no século XX e agora tentam se adaptar à tortuosa vida do século XVIII.

E para os fãs de Julia Quinn, uma super novidade: a Arqueiro publicará uma nova série, Quarteto Smythe-Smith, todos os livros de uma só vez. Não é incrível? Os livros podem ser comprados separados, ou no box lindo com uma caixa toda especial - e já estão em pré-venda nas principais livrarias. Confiram:

Quarteto Smythe-Smith - Julia Quinn

Os Bridgertons conhecem as Smythe-Smiths. E você?
Há quase vinte anos o sobrenome Smythe-Smith é sinônimo de música desafinada. Ainda assim – talvez por pena, talvez por surdez – a sociedade londrina continua a se reunir anualmente para assistir ao catastrófico concerto das jovens solteiras da família.
Pelo seu palco passam as histórias mais cativantes e os casais mais apaixonantes. Honoria e Marcus se reencontram e reavivam sua amizade, que pode ter um quê a mais (além de muitos bolos e tortas). Anne e Daniel sentem uma atração irresistível e precisam lidar com um perigo mortal – e com uma garotinha que ama unicórnios. Sarah e Hugh são assombrados por um evento do passado, mas não a ponto de não poderem trocar (muitos) beijos. Já Iris e sir Richard... bom, Iris não tem a mais pálida ideia do que o levou a pedi-la em casamento – ele só pode estar escondendo um segredo.
Não perca este magistral quarteto, digno de muitos aplausos!

Para conhecer outros lançamentos da Editora Arqueiro, clique aqui. E você pode conferir também os lançamentos da Editora Sextante, neste link.

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Galveias - José Luiz Peixoto

Sinopse: Pequena aldeia no Alentejo, interior de Portugal, Galveias é onde nasceu José Luís Peixoto. A partir de suas memórias de infância, o autor constrói neste romance o universo de um lugarejo quase parado no tempo, que subitamente se vê diante de um imenso mistério. Com grandes histórias e um elenco de personagens admiráveis, ele traça um retrato da vida rural portuguesa no início dos anos 1980, que vivia então um embate entre a tradição e a inevitável chegada da modernidade, em um momento economicamente difícil para o país. Um livro essencial para compreender a identidade lusitana no mundo contemporâneo. (Skoob)
PEIXOTO, José Luis Galveias. Editora Cia das Letras, 2015. 272 p.


Antes de começar a escrever sobre Galveias, preciso dizer que morei em Lisboa, Portugal, durante quase cinco anos, período em que fiz faculdade. Meu estágio era em uma empresa de informática e, por causa disso, viajava para várias cidades do interior para prestar serviços em clientes.


Fazendo um comparativo entre as pequenas cidades portuguesas e brasileiras, é possível encontrar vários pontos em comum. Entretanto, em uma coisa, as vilas portuguesas ganham da gente disparado: no conservadorismo. A vida em muitas dessas localidades simplesmente parou no tempo. Vivem à base de uma agricultura limitadíssima, que também serve de subsistência, de turistas e passam os dias entre rodas de conversas, vinhos, queijos e fugindo de qualquer coisa que seja nova. As notícias do mundo, recebem com tanta incredulidade quanto desinteresse. É como ouvir a história de um livro de ficção, para esquecer em seguida.

É nesse ambiente parado no tempo que se passa a história, ou histórias, de Galveias, uma pequena vila do interior de Portugal. A partir da queda de um objeto do céu, que nunca é totalmente explicado, nos arredores da vila, acompanhamos, em cada um dos capítulos, o passado e presente de alguns dos moradores.

As histórias desses indivíduos, que podem ser ficcionais ou não, uma vez que o autor nasceu em Galveia e disse que o livro é baseado em suas memórias, são variadas e, na sua maioria, interessantes. Passamos por rixas entre irmãos; ataques a uma professora, que tenta ser aceita pelos habitantes; uma prostituta brasileira que vende pães; um rapaz com problemas mentais que é acusado de coisas que cometeu, e não cometeu; um comerciante que esconde sua esposa negra com medo do racismo, entre outros vários casos. Cada um deles com pontos em comum, ou quase em comum, que são suficientes para torná-los uma leitura concisa.


A narrativa de Peixoto é poética. O tratamento que ele emprega em cada frase, em cada parágrafo, é uma arte minuciosa. Ela não chega a ser demasiado descritiva, mas vai ao detalhe que emprega sentimento, que torna uma ação ordinária em algo sútil, belo, ou terrivelmente cruel. O leitor acaba sendo arrebatado pela forma como a história é contada e não, necessariamente, pelo que acontece nela. Sendo assim, Galveias não é uma obra para ser lida por qualquer pessoa. Ela necessita de atenção, de uma dedicação que vai além do entendimento dos acontecimentos, para ir ao entendimento da palavra.

Em termos de história propriamente dita, com exceção para a história da rixa de dois irmãos, não há muitas surpresas. São casos que não chegam a emocionar. Talvez, mais, pelo fato de que não existe foco em nenhum personagem. Assim, o leitor não consegue se afeiçoar a ninguém, e apenas acompanha cada capítulo com o interesse de descobrir o que eles levam em comum, e como se ligam com a queda do objeto do céu.

Galveias também é uma obra recheada de metáforas. Praticamente tudo nela tem duplo sentido. Desde os animais domésticos, como os cachorros, até o cheiro de enxofre que invade a vila após a queda do “sem nome”. Inclusive, a própria passagem do tempo é metafórica, uma vez que, em certos pontos, o leitor não tem certeza se está lendo algo do passado ou do presente.

Por fim, a obra foi a ganhadora do prêmio Oceanos, um dos mais importantes prêmios da literatura de língua portuguesa, ou seja, do Brasil e Portugal. Estavam inscritos mais de 700 livros, dentre os quais eu li vários. Meu interesse principal em ler o livro de Peixoto, residia em tentar entender a escolha dos jurados, e fazer um comparativo com os outros concorrentes que eu conhecia. Depois, eu ainda li algumas resenhas lusitanas, uma vez que no Brasil não encontrei nenhuma, bem como algumas reportagens.


Não serei arrogante a ponto de emitir uma opinião sobre merecimento. Entretanto, a sensação que a escolha me passou, foi a mesma de um livro com uma história absolutamente normal, sem qualquer coisa de espetacular, que é escrita com pompa, lida com exacerbação, em um ambiente requintado, para pessoas que dão mais valor à forma e estilo, do que ao conteúdo. Eu, particularmente, prefiro aqueles ambientes triviais, onde nos sentamos no chão, rodeados de amigos, e ouvimos a leitura de uma história descrita com palavras usuais, mas cuja aventura nos deixa sem fôlego.

Eu dou mais importância ao conteúdo da história, do que à forma como ela é narrada. Mas isso é uma questão de gosto, de perspectiva. E cada um tem o seu.

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Conjunto de Séries #14: Outlander


Desde que li A viajante do tempo, primeiro livro a série Outlander, fiquei inteiramente fascinada pela escrita de Diana Gabaldon e pela história de Jamie e Claire. Quando você olha o tamanho dos livros – e a quantidade deles –, não é raro evitar a leitura com preguiça de tantas páginas, mas depois que começa a ler, mil páginas não são suficientes para tanto amor. Você quer mais livros, mais adaptações, e principalmente a série televisiva – sim, sim, sim!!!

Quando eu soube que a primeira temporada da série chegaria à Netflix, com data para o último dia 5 de outubro (logo depois que terminei de ler o primeiro livro), fiquei quase histérica. Entendam: eu não tenho paciência para fazer download de episódios, então espero tudo chegar no streaming. E olhem só, que sorte a minha: Outlander chegou! Emendei um episódio um no outro e logo já tinha assistido a todos.

Se alguém ainda não ouviu falar da série de livros ou da adaptação, a trama narra a história de Claire Randall, que, após o fim da Segunda Guerra Mundial, vai em lua de mel para a Escócia com seu marido, Frank. Em um passeio pelo círculo de pedras de Craigh na Dun, porém, ela é atraída por um som vindo das rochas e, por alguma força incompreensível, vai parar no século XVIII. Nessa outra época, Claire conhece o cruel ancestral de seu marido, Black Jack Randall, e para não cair nas mãos desse terrível oficial britânico, casa-se com Jamie, um jovem guerreiro escocês.

Preciso comentar que Catriona Balfe e Sam Heughan, que interpretam Claire e Jamie, são bastante diferentes do que eu imaginava, especialmente Catriona, até porque aqueles olhos irritantemente lindos e claros da atriz não se encaixam na descrição dos olhos cor de âmbar que Claire tem no livro. Porém, assim que deixei de lado os personagens da minha imaginação e mergulhei na adaptação, tive de admitir que a escolha dos atores foi adequada: eles sustentam Claire e Jamie, são lindos e, o mais importante, têm uma química incrível juntos.


Ainda mais que os protagonistas, o ator que se destaca, na minha opinião, é Tobias Menzies. Tobias interpreta Jack Randall e Frank e é fascinante como os personagens parecem realmente pessoas diferentes. Algumas cenas interpretadas pelo ator são tão fortes e verdadeiras que eu fiquei estupefata com o trabalho dele.

Felizmente para os fãs da trama, a adaptação é fiel aos livros o máximo possível. Um ou outro detalhe muda, algumas pequenas passagens e cenas são modificadas, mas a essência continua ali. Acredito que algumas modificações foram necessárias para possibilitar a exteriorização de tudo que a autora queria demonstrar, e é bem possível que eu só tenha notado os detalhes porque a leitura havia sido feita muito recentemente. De todo modo, eu adorei a forma como a história foi contada para a TV e, sem dúvida alguma, quero assistir às demais temporadas.

A primeira temporada do seriado adapta apenas história do primeiro livro, e os dois terminam exatamente no mesmo ponto. Pelo que li, cada temporada abordará um dos livros da série e, neste ano, a terceira já deve ir ao ar.

Para os fãs dos livros, a série de TV é uma ótima forma de revisitar essa história tão incrível. De quebra, ela nos presenteia ainda com belas imagens das paisagens escocesas. Para os que conhecem a série e ainda não leram os livros: façam isso logo, porque eles são ainda melhores.


Quem aí já viu a série? E os livros, já leram?

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A Maldição da Pedra - Cornelia Funke

Sinopse: John Reckless, pai de Jacob e Will, sumiu sem deixar vestígios. Inconformado, Jacob gasta o dia procurando pistas que lhe deem alguma ideia do seu paradeiro. O garoto vasculha cada cantos do escritório do pai, até que um dia descobre um espelho que servia como um portal para um mundo mágico - um mundo que lhe oferece a perspectiva de liberdade e aventura.
Mantendo segredo do seu achado, Jacob passa cada vez mais tempo do outro lado do espelho. Após doze anos, o mundo sombrio se torna seu verdadeiro lar, onde tem amigos e inimigos e é reconhecido como um dos melhores caçadores de tesouros que já existiram por ali.
Will, o caçula, sente falta do irmão e estranha aqueles sumiços prolongados. Um dia, consegue burlar sua constante vigilância e o segue através do espelho, ato que tem uma consequência terrível. Ferido pelos goyls - homens frios e violentos, que têm pele de pedra e olhos de ouro -, ele acaba vítima de uma maldição: vai se transformando lenta e dolorosamente em uma dessas sinistras criaturas.
Numa corrida contra o tempo, Jacob precisa encontrar o antídoto para o feitiço. Para empreender essa jornada, ele conta com a ajuda da raposa Fox, sua companheira de muito tempo, e Clara, a namorada de Will, que atravessa o espelho para encontrá-lo. Juntos, eles vão enfrentar os perigos e as armadilhas do Mundo do Espelho - antes que seja tarde demais e Jacob perca o irmão para sempre.
Povoado por fadas, bruxas, unicórnios e tritões, e tendo cenários como o castelo da Bela Adormecida e a casa de doces da bruxa de “João e Maria”, o mundo criado por Cornelia Funke remete o leitor aos mais conhecidos contos de fadas de todos os tempos. Na narrativa, contudo, a ênfase da autora recai nos aspectos mais sombrios e brutais das histórias, criando-se uma atmosfera ao mesmo tempo familiar e soturna. É nesse mundo que se desenrolam as aventuras dos irmãos Reckless, uma história de maldição, traições e vingança, mas também de coragem, lealdade e amor. (Skoob)
FUNKE, Cornelia. A Maldição da Pedra. Reckless #1. Editora Seguinte, 2011. 248 p.


Há bastante tempo ouço falar sobre Cornelia Funke, e sempre tive curiosidade de ler algo dela. A Maldição da Pedra surgiu como uma boa oportunidade de conhecer uma obra da autora e, mesmo que eu não soubesse exatamente o que esperar dessa história, fui facilmente fisgada para o mundo novo que existia atrás do espelho.

O livro tem um quê de juvenil, mas pode ser lido sem problemas por leitores de todas as idades, já que uma característica que ninguém pode negar em Funke é a criatividade. Magia, seres diferentes, objetos com funções específicas, entre outras coisas novas e surpreendentes são coisas que não faltam na obra da autora. Fadas, bruxas, anões e outros seres mágicos também estão por toda a parte. O mundo do espelho para o qual Jacob e Will foram levados muito me lembrou o País das Maravilhas, com todas as maluquices e encantamentos que por lá existem.

O grande mote do livro, aliás, são os goyls, homens como pele de pedra que podem transformar humanos em seus semelhantes. Will está passando pela transformação; Jacob, seu irmão, precisa fazer de tudo para evitar que isso aconteça e juntos eles atravessam o mundo do espelho em busca de uma cura, antes que seja tarde.

Meu grande problema com a leitura foi Jacob. O personagem tinha diversas características que me agradaram, como coragem e determinação, mas o fato de ser tão individualista me irritava, pois era isso que causava grande parte dos problemas pelos quais eles passaram. Mesmo quando ele estava fazendo algo pelos outros, queria fazer sozinho, e seu silêncio, que tinha a intenção de proteger a todos, em geral atrapalhava.

Ainda assim, a grande dose de aventura da trama compensou minha antipatia com o protagonista. Os capítulos curtinhos do livro, com não mais de quatro ou cinco páginas, e os elementos surpresa criados pela autora, deram velocidade à leitura e a tornaram intensa. Era difícil largar o livro por saber que cada capítulo traria novos obstáculos, e o fato de a leitura ser tão rápida levava a mais um capítulo, e mais um, e mais um...

Cornelia Funke também não entrega tudo sobre os personagens de cara. O enredo inicia depois que Will já começou a se transformar, e há anos de histórias antes disso. Somente depois, intercalados aos pensamentos dos personagens, é que as lembranças retornam como flashbacks. Isso pode ser um pouco frustrante no início, especialmente para os mais curiosos, mas tudo é respondido com o passar das páginas.

O livro é todo uma obra de arte. A capa conta muito mais da história do que o que se imagina inicialmente, com o desenho do espelho, do castelo e da pedra jade. Além disso, cada capítulo inicia com uma ilustração relacionada à história, ricamente detalhada. Depois de encerrado o capítulo, eu gostava de voltar a cada imagem para ver, com outros olhos, os detalhes que deixei passar.

A Maldição da Pedra nos mostra um mundo todo próprio, com regras que só pertencem a ele. Adorei a dinâmica criada pelos capítulos curtos e a mistura entre aventura e fantasia. Para quem gosta desses elementos e não se importa em ler uma obra com personagens mais jovens, o livro está mais do que indicado.

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As mil noites - E. K. Johnston

Sinopse: Clássico da literatura universal, as histórias de As mil e uma noites estão no imaginário de todos — do Oriente ao Ocidente. É impossível que alguém nunca tenha ouvido falar sobre Ali Babá e seus quarenta ladrões, ou sobre Aladim e o gênio da lâmpada. Ou sobre Sherazade, a mulher sagaz e inteligente que se casou com um homem cruel, e, por mil e uma noites, driblou a morte narrando contos de amor e ódio, medo e paixão, capazes de dobrar até mesmo um rei. Em As mil noites, a história se repete, mas com algumas diferenças…
Quando Lo-Melkhiin chega àquela aldeia — após ter matado trezentas noivas —, a garota sabe que o rei desejará desposar a menina mais bela: sua irmã. Desesperada para salvar a irmã da morte certa, ela faz de tudo para ser levada para o palácio em seu lugar. A corte de Lo-Melkhiin é um local perigoso e cheio de beleza: intricadas estátuas com olhos assombrados habitam os jardins e fios da mais fina seda são usados para tecer vestidos elegantes. Mas a morte está à espreita, e ela olha para tudo como se fosse a última vez. Porém, uma estranha magia parece fluir entre a garota e o rei, e noite após noite Lo-Melkhiin vai até seu quarto para ouvir suas histórias; e dia após dia, ela continua viva.
Encontrando poder nas histórias que conta todas as noites, suas palavras parecem ganhar vida própria. Coisas pequenas, a princípio: um vestido de seu lar, uma visão de sua irmã. Logo, ela sonha com uma magia muito mais terrível, poderosa o suficiente para salvar um rei... (Skoob)
JOHNSTON, E. K. As mil noites. Editora Intrínseca, 2016. 320 p.

Já ouviram falar de Sherazade, a mulher que se casou com um homem cruel e conseguiu sobreviver por mil e uma noites? Provavelmente sim, mas se não ouviu falar dela, com certeza já viu algo sobre as histórias que ela contava para o marido noite após noite, como Aladim, Ali Babá, ou outras. As mil noites, de E. K. Johnston, tem uma premissa semelhante: para salvar a irmã da morte certa, a protagonista se casa com um rei que já teve centenas de esposas, todas mortas por alguma razão inexplicável. As semelhanças com a história original, porém, se encerram por aí, pois a autora envereda por um caminho completamente diferente, mas tão instigante quanto.

A primeira coisa que preciso comentar sobre esse livro é sobre como fiquei impressionada com a construção de uma trama tão rica sem o uso de nomes para os personagens, com exceção de Lo-Melkhiin, o rei. Narrado pela voz da protagonista, o texto identifica os demais personagens pela relação de parentesco: minha irmã, minha mãe, a mãe da minha irmã, a mãe de meu marido, e por aí vai. É estranho no início, pois parece faltar um aspecto principal dos personagens, mas com o tempo se acostuma e o mais interessante é que não há qualquer dificuldade para saber de quem se está falando. Além dos capítulos principais, apenas alguns poucos capítulos (oito, para ser mais exata) possuem outro narrador, e contribuem para explicar os elementos sobrenaturais existentes na trama.

O sobrenatural, aliás, é a principal inovação trazida por E. K. Johnston. Vou ser sincera e confessar que eu esperava tudo, menos isso. Não achava que a história de As mil e uma noites pudesse ser contada com magia e seres fantásticos, mas isso se fez possível, lindamente. De alguma forma, a fantasia se encaixou perfeitamente na história, e deu um tom de encanto aos mistérios e à força das areias do deserto.

"[...] uma garota de cada aldeia e distrito dentro dos muros da cidade, e então o ciclo recomeçaria. Muitas garotas haviam sido perdidas, e eu não queria perder minha irmã para ele. As histórias eram claras com relação a duas coisas: Lo-Melkhiin sempre levava uma garota, e ela sempre, sempre morria."

As mil noites tem uma narrativa fluida, gostosa de acompanhar. A leitura é bem rápida, mas não pelos motivos comuns. A obra é interessante e envolvente, deixa o leitor ansioso por saber o que acontecerá com os personagens, e se diferencia porque não é daquelas tramas intensas cheias de ação e reviravoltas, assim como não é repleta de romance. Sua maior qualidade está, na verdade, na intensidade dos sentimentos que provoca, na paixão inserida em cada palavra. O que dá complexidade ao texto é a força da crença, assim como o amor, a magia e a esperança. É difícil explicar, porque não é algo concreto que dá corpo à narrativa, mas o encantamento trazido pela fé de tantos personagens.

Outro aspecto interessante e relacionado à fé é a correlação, implícita no texto, com a força das mulheres. Apesar de apenas insinuar, em certo trecho do livro, quanto poder a oração das mulheres tem, vi muito mais ali do que a simples força do pensamento. Johnston incutiu a ideia, sem em momento algum deixar isso claro, do quanto as mulheres são poderosas quando se unem, quando se voltam ao mesmo objetivo. Adorei a reflexão discreta, e espero que mais pessoas tenham notado isso.

As mil noites não é, portanto, um livro de romance ou de guerra; é um livro sobre irmandade, união e amor, nas suas mais puras formas.

De resto, só me resta observar o quanto a edição deste livro é linda. Além da linda combinação de cores da capa e das letras douradas, a parte interna da capa é toda decorada e colorida, e os capítulos iniciam com rendas intrincadas. Se as publicações da Intrínseca tendem sempre a agradar, para essa vale uma menção especial.


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Além das Páginas #6: Minha playlist para Splintered

Créditos da Imagem: Mademoiselle Loves Books

É bem comum, quando leio algum livro, que algumas músicas me façam lembrar algum aspecto da história. Minha leitura mais recente foi Qualquer outro lugar, livro de fechamento da série Splintered, que eu simplesmente amei e que devo publicar a resenha completa dizendo o que eu achei na semana que vem.

A trama me deixou cheia de músicas pipocando na cabeça e, por conta disso, decidi compartilhar com vocês a trilha sonora que "criei" para essa série. Algumas não têm relação alguma com Alice no País das Maravilhas, mas de alguma forma se encaixam na história. Confiram minha lista:

Darkside - Kelly Clarkson


The King is Dead, But the Queen is Alive - Pink


All fall down - One Republic


White Rabbit - Pink


Wonderland - Taylor Swift


Alice - Avril Lavgne


Agora me contem: gostaram da lista? Digam também se vocês já leram os livros e acham que tem relação. Que outras músicas vocês incluiriam?

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Diário de uma escrava - Rô Mierling

Sinopse: Laura é uma menina sequestrada e jogada no fundo de um buraco por alguém que todos imaginavam ser um bom homem. Ela vê sua vida mudar da noite para o dia, e passa a descrever com detalhes sinistros e íntimos cada dia, cada ato, cada dor que o sequestro e o aprisionamento lhe fazem passar. Estevão é homem casado, trabalhador, pai de família, mas que guarda em seu íntimo uma personalidade psicopata. Ele percorre ruas e cidades se apossando da vida de meninas ainda muito jovens, pois dentro de si uma voz afirma que é dele que elas precisam. Mergulhando fundo nessa fantasia, ele destrói vidas, famílias e sonhos, deixando atrás de si um rastro de dor e morte. (Skoob)
MIERLING, Rô. Diário de uma escrava. Editora Darkside, 2016. 240 p.


Antes de mais nada, um aviso: esta resenha está lotada de spoilers, e discute, inclusive, o final do livro. Mas, mesmo assim, recomendo que leia tudo, porque Diário de uma escrava tornou-se minha pior leitura do ano. E neste texto, explico o motivo.


A primeira metade da história, retrata de forma detalhada, a vida em cativeiro de Laura, uma garota sequestrada, aos quinze anos, por um monstro em forma de homem, a quem ela chama de Ogro. Já fazem quase quatro anos que ela está presa em um pequeno cômodo subterrâneo, em condições degradantes, sendo estuprada diariamente. Essa parte lembra demais o livro Quarto, mas sem a criança, e não tão bem escrito. Os detalhes de suas condições psicológicas e físicas, são quase as mesmas da mãe do garoto no outro livro.

Apesar da narrativa ser a maior parte em primeira pessoa, feia por Laura, existem algumas partes em terceira pessoa, mostrando o que aconteceu com outras garotas, que também foram atacadas, sequestradas, molestadas e mortas pelo Ogro, e com pessoas ligadas a Laura. Isso acaba dando ao leitor um pouco de alívio no sofrimento da personagem principal, e é bastante acertado, porque senão a leitura ficaria uma tortura.

Então, na segunda metade da história, quando, por causa do descontrole mental do Ogro, que comete ataques precipitados e acaba deixando pistas de quem é, e de como ser encontrado, passamos a acompanhar a sua fuga, na companhia de Laura. Até que chegamos a um final ofensivo, ilógico, artificial, com a nítida intensão de chocar, de criar um clímax que contraria tudo pelo qual Laura lutou na primeira parte, e que ainda tenta ser justificado com a transcrição de uma síndrome que não se aplica, que é mal interpretada pela autora.


Laura foi abusada sexualmente e psicologicamente por quase quatro anos. Em toda a sua narrativa, seu único pensamento é em se manter viva para fugir. Ela tem mais de uma oportunidade de fazer isso na primeira metade da história, mas é possível aceitar que não consegue, pela sua fragilidade física e confusão mental. Quando o Ogro a tira do cativeiro e ameaça de matar a família dela, caso ela tente fugir ou pedir a ajuda de alguém, é difícil, mas também podemos abrir mão da credulidade, novamente devido ao estado de Laura, para aceitar sua conformidade.

Mas a autora vai mais longe. Durante o percurso da fuga, o Ogro sequestra, estupra e mata outras garotas, com a ajuda de Laura! Nesse ponto, a lógica é jogada fora, e a autora transforma Laura, alguém desesperado por ajuda, que planejou durante quatro anos uma forma de fugir, em uma cúmplice de assassinato, com a única desculpa de que ela não tem coragem de enfrentar o Ogro para que ele não mate a sua família. Mas ela deixa ele matar crianças de quatorze anos, de forma cruel e desumana, e, repito, ainda o ajuda, servindo de chamariz.

Novamente, por mais de uma vez, Laura tem a chance de entregar o assassino. Inclusive, em uma dessas vezes, eles são abordados pela polícia. Mesmo sendo ameaçada com uma faca, pelo desespero da personagem, e pelo que ela passou e viu acontecer, mesmo arriscando sua vida, ela tentaria se salvar e delatar o monstro.


Mas não. Página após página, a autora transforma Laura em uma personagem patética, uma expectadora de atrocidades, apaga toda a tortura pelo qual ela passou, com a única justificativa de que ela não quer que o Ogro ataque sua família. Isso é tão absurdo, tão forçado, tão ilógico, que chega a ser ofensivo. Porque fica nítido que o único objetivo é criar choque no leitor, em mostrar as restantes atrocidades que o monstro comete.

Então, chegamos ao final. Após tanto tempo de cativeiro, após atravessar por cidades sem aproveitar uma chance sequer para fugir, com base na ameaça do ataque à sua família, após ajudar e presenciar o assassinato de várias crianças, ela simplesmente é deixada sozinha em casa, enquanto o Ogro vai enterrar mais um corpo, e só aí que ela decide fugir. Aff!

E o que acontece? Ela procura ajuda da polícia? Vai a um hospital? Não. Ela tem tempo de visitar o antigo namorado e ver que ele casou e teve filhos. Tem tempo de ligar para o pai, que não acredita que é ela, pensa que é um trote. E, então, o que ela decide fazer? Voltar para a casa do Ogro e continuar se sujeitando aos estupros e participando dos assassinatos.

Vejam bem: em nenhum momento, a personagem de Laura aceita sua condição. Apesar de virar cúmplice, apesar das sucessivas falhas, pela autora, em justificar suas desistências em fugir e na sua passividade diante das mortes, ela nunca, nunca, pensou em desistir. Ela não desejava apenas voltar para sua antiga vida, ela desejava ser livre, ela desejava voltar a ser um ser humano. No fim, bastou ela ver o namorado com outra, e o pai não acreditar, pelo telefone, que a ligação não era um trote, para ela aceitar sua condição e voltar de livre vontade para seu cativeiro.

Ou seja, existe uma enorme incoerência de roteiro, mas é ultrajante para todas as garotas que já passaram por situações semelhantes. É um incentivo ao conformismo, que chega a ser repugnante.


Nesse ponto, ainda pensei que Diário de uma escrava era apenas um livro mal construído, mas então cheguei nas notas finais, anexadas pela autora, onde existem transcrições de casos reais nos quais ela se baseou para sua história. Casos onde as agredidas lutaram por suas vidas, sem se tornarem assassinas, e que aproveitaram qualquer chance que tiveram, para se salvarem, que não se contiveram por ameaças ridículas.

E pior: a autora ainda tenta justificar o comportamento de Laura com a Síndrome de Estocolmo. Só que essa síndrome acontece quando a vítima cria um laço de identificação, de amizade, emotivo, de amor, com seu algoz. Isso nunca, em nenhum parágrafo, aconteceu em Diário de uma escrava. Laura tem horror do Ogro. Ela nunca aceitou sua condição. Ela, em nenhum momento, demonstrou qualquer, nem mesmo uma fagulha, de simpatia ou compreensão por seu agressor. Ou seja, é uma justificativa tão ridícula, quanto o que ela faz com sua personagem.


Enfim, por conta desse final totalmente absurdo, inconsequente, ofensivo, sinto-me no dever de dizer: esta foi minha pior leitura do ano. Não apenas pela conclusão forçada e totalmente mal construída, mas pela mensagem de conformismo que ela passa para pessoas que enfrentaram situações semelhantes.

Sinceramente? Totalmente dispensável!

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Novembro, 9 - Colleen Hoover

Fonte da imagem: Gettub
Sinopse: Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angels para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos - a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Bem em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos? (Skoob)
Hoover Colleen. Novembro, 9. Editora Galera, 2016. 352P


Sabe aquele (a) autor (a) de quem você leria até a lista de supermercado e diria que foi a melhor coisa que leu em muito tempo? Clichê essa frase, eu sei, mas simplesmente não consigo evitar a Colleen Hoover. Ela conquistou meu coração desde o livro Ugly Love e, de lá para cá, eu me apaixono por todas as suas obras. Ela tem um diferencial na sua escrita mesmo quando se trata de um livro com uma temática para lá de clichê.

Em Novembro, 9 não temos um cenário tão original, já que a obra Um Dia traz uma temática um tanto quanto parecida, com encontros anuais, mas como já havia comentado, a Colleen tem um diferencial que é característico das suas obras, que é pegar um enredo clichê e transformar em algo surpreendente. Mesmo assim, esta não é, nem de longe, sua melhor obra, mas ela me conquistou como todas as outras.

Fallon é uma atriz que, depois de um acidente, teve sua carreira interrompida e sua vida virada de ponta-cabeça. Esse acidente deixou sequelas em seu corpo e quebrou totalmente sua confiança em si mesma. Dois anos depois, ela está de mudança para Nova York, para seguir seus sonhos. Coincidentemente é 9 de Novembro, dia do aniversário de 2 anos do acidente que mudou sua vida, e também será o dia em que o jovem Ben entrará em sua vida para abalar suas estruturas.

Ben tem 18 anos e sonha em ser um escritor. Ele entra na vida de Fallon de uma forma inusitada, já que a mesma estava tendo uma discussão com o pai, que tentava convencê-la a desistir de seguir a carreira que sempre sonhou, ser atriz. O pai dela também é o "responsável" pelo acidente, um incêndio, e carrega essa culpa, mas acaba descontando nela e colocando Fallon para baixo em relação às cicatrizes das queimaduras que o acidente causou em parte de seu rosto. Ben ouve toda a conversa e vai ao resgate da Fallon, fingindo ser seu namorado. Ninguém podia prever o que aconteceria a seguir.

O que você faz quando encontra o amor da sua vida, mas está preste a se mudar para muito, muito longe?

Você vai é obvio.

Apesar da intensa ligação entre Fallon e Ben, ambos sabem que ela precisa viajar e resolvem aproveitar o pouco tempo que ainda lhes resta juntos. A ligação é instantânea, mas Fallon não pode desistir da sua viajem por um garoto que ela mal conhece. Perto do embarque, e não querendo simplesmente dar adeus, ambos resolvem que seria uma boa ideia se encontrarem durante os próximos cinco anos no mesmo dia. Isso dará o enredo do livro que Ben vai escrever sobre eles.

Novembro, 9 tem uma boa carga emocional. Ben e seus segredos, Fallon e seus traumas. Juntos, eles têm um tsunami de emoções. Em alguns momentos, a narração dá uma impressão de que estamos lendo um livro dentro de outro livro, e eu adorei essas partes. É confuso? Absolutamente, não.

A narração é em primeira pessoa, intercalada entre ambos os personagens. Não há um aprofundamento na vida dos personagens nos intervalos entre os anos. O foco é realmente os encontros deles, e é emociante. Com o passar dos anos, algumas coisas dão errado, mas isso é a vida, isso é simplesmente viver.

O que mais me conquistou nessa história foi o fato de que a Fallon não é perfeita. Ela tem suas cicatrizes corporais e também emocionais. Amei acompanhar a evolução dela como personagem, da forma como ela foi ganhando de volta sua confiança e sua auto-estima. Seu crescimento, em alguns momentos, emocionou-me, porque não é fácil aprender a lidar com seu novo corpo e com o fato de que nem seu próprio pai consegue olhar nos seus olhos. Ben foi como um raio de sol em um dia de tempestade, ele chegou iluminando tudo.

Eu me apaixonei pelo Ben na sua primeira interação com nossa mocinha. Ele não ligava para as cicatrizes de Fallon e nem para o fato de que ela não era perfeita, pelo contrário. Para ele, Fallon não poderia ser mais bonita. Por isso, se existir um Ben por aí, por favor, me apresentem, estou precisando de um desses na minha vida :).

Seu crescimento também foi ótimo de acompanhar. Ele deu alguns vacilos no decorrer do livro, mas nada que mudasse minha maneira de pensar em relação a ele. Acho que de todos os livros que já li da Colleen, esse é meu segundo mocinho preferido, depois do Ridge, de Talvez Um Dia

Em um determinado momento, o segredo do Ben é um pouco que previsível, mas isso não diminuiu a carga emocional do mesmo, pelo contrario, aumentou o desespero do leitor.

Portanto, não deixem de ler esse livro, tenho certeza de que vocês irão amar. Estejam prontos para uma bela montanha russa de emoções.

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