Six of Crows - Leigh Bardugo

Sinopse: A oeste de Ravka, onde grishas são escravizados e envolvidos em jogos de contrabandistas e mercadores, fica Ketterdam, capital de Kerch, um lugar agitado onde tudo pode ser conseguido pelo preço certo. Nas ruas e nos becos que fervilham de traições, mercadorias ilegais e assuntos escusos entre gangues, ninguém é melhor negociador que Kaz Brekker, a trapaça em pessoa e o dono do Clube do Corvo. Por isso, Kaz é contratado para liderar um assalto improvável e evitar que uma terrível droga caia em mãos erradas, o que poderia instaurar um caos devastador. Apenas dois desfechos são possíveis para esse roubo: uma morte dolorosa ou uma fortuna muito maior que todos os seus sonhos de riqueza. Apostando a própria vida, o dono do Clube do Corvo monta a sua equipe de elite para a missão: a espiã conhecida como Espectro; um fugitivo perito em explosivos e com um misterioso passado de privilégios; um atirador viciado em jogos de azar; uma grisha sangradora que está muito longe de casa; e um prisioneiro que quer se vingar do amor de sua vida. O destino do mundo está nas mãos de seis foras da lei – isso se eles sobreviverem uns aos outros . (Skoob)
BARDUGO, Leigh Six of Crows. Gutenberg, 2016. 376 p.


As aventuras vividas pelos personagens de Six of Crows se passam no mesmo mundo, criado por Bardugo, da série Sombra e Ossos, que já conta com três volumes publicados no Brasil. Apesar disso, não é na mesma época ou local desses livros. O que permanece são os poderes mágicos que algumas pessoas controlam.


Um diferencial de Six of Crows reside no fato de que não existe um mocinho, ou um herói, no sentido pleno da palavra. Motivados, cada um à sua maneira, pela vida que tiveram desde a infância, os seis personagens são corruptos em algum nível. Mesmo quando têm objetivos morais elogiáveis, por trás, eles possuem algum ganho, pessoal ou material.

Kaz Brekker, com suas luvas, que nunca tira, e sua bengala, com uma espada escondida no seu interior, é a personificação da dualidade entre o bem e o mal. O leitor nunca sabe o que esperar dele, e isso é o melhor do livro. Você só torce por ele, mesmo desconfiando que está sendo enganado de forma vergonhosa. O personagem é apaixonante, muito bem construído, com um passado que convence e justifica seu caráter e suas atitudes.


Inej, a jovem Espectro, com habilidades fantásticas na furtividade e no parkour, é a sombra de Kaz. Onde ele vai, ela vai atrás, escondida, invisível, pronta para defender o líder e, até mesmo se sacrificar. Toda essa lealdade não se deve apenas à gratidão por Kaz a ter resgatado de um destino deplorável. Ela ama Kaz. E Kaz ama Inej. Eles dizem isso um para o outro? Claro que não! E esse é outro ponto positivo na trama. O leitor se envolve no sentimento que um sente pelo outro, mas que escondem por causa do medo de se enganarem.

Nina é uma grisha, ou seja, ela tem poderes; e Mathias é sua paixão, que enganou e condenou a uma vida na cela de uma prisão. Os dois se odeiam. Os dois se amam. Com ajuda de Kaz, Nina resgata Mathias e, a partir daí, tenta reconquistar sua confiança e seu amor. Ou morrer nas suas mãos.

Ainda temos Jesper, exímio no manejo das armas, e Wylan, aprendiz na arte de criar bombas. Ambos são a ponta fraca da trupe, uma vez que não se sabe o nível da lealdade para com Kaz.


Os seis personagens partem em uma missão, cujo lucro poderá fazê-los ricos para o resto de suas vidas, para resgatarem um cientista da mais perigosa e protegida fortaleza do país. Óbvio que muita coisa errada acontece, muitas lutas, perseguições, planos, traições, sacrifícios, etc., etc., etc.

Mas o melhor do livro não é a ação, mas a relação entre os personagens. Principalmente no jogo de sedução entre Kaz e Inej. Apesar da frieza de um e dos segredos da outra, é apaixonante acompanhar o quão estão dispostos a sacrificar um pelo outro. Mas não é só isso. A relação de todos os seis é deliciosa de acompanhar. Tanto que você pode acabar esquecendo de todo o resto e se focar apenas nisso.


Six of Crows é um dos melhores livros de fantasia que li este ano. Foi uma surpresa viciante, recomendada e o melhor: é apenas o primeiro livro de uma série. Que venham mais!
Carlos H. Barros
Carlos H. Barros

Carlos tem várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamenta o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco -, e não saber desenhar. Autor também do blog Gettub

10 comentários:

  1. Me apaixonei pela capa e pelo título do livro.
    E gostei muito da resenha, o livro parece ser realmente muito bom, principalmente pelo fato de não ter colocado mocinhos e vilões, acho mais fácil se identificar com personagens assim.
    Amo fantasia mas odeio o fato de todos os livros do gênero serem sempre uma serie.

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  2. Oi, Carlos!
    Eu comprei o box em inglês dessa série e ele está lindão na minha estante. Antes de ler, vou ler a trilogia Grisha que é pra me familiarizar com o mundo.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe da promoção seis anos de Caverna Literária

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  3. Já estava bastante interessada em ler esse livro só pela sinopse, e agora depois de ver essa resenha fiquei ainda mais curiosa em conferi essa história, curto muito fantasia.

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  4. Uau, de início falo que a capa é linda. Quer dizer, não só a capa, mas como todo o livro parece mergulhar mesmo na história com esses mapas e páginas iniciais. Gostei de tudo isso, mesmo a sinopse não me chamando tanto a atenção, não é um genero que leio muito. Mas poderia dar uma chance só pelo livro kkk
    Abraços

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  5. Olá Carl!
    Esse livro tá lindo!
    Tanto capa, enredo, personagens, páginas...Qro mto!
    Bjs

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  6. Carlos!
    Não conhecia o livro, mas gostei da capa que é bela e gostei ainda mais de saber que as personagens tem poderes e exite uma grande trama por trás de tudo, gosto também quando o livro traz mapas para podermos nos localizar.
    “Para saber uma verdade qualquer a meu respeito, é preciso que eu passe pelo outro.” (Jean-Paul Sartre)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  7. Oi Carlos!
    Não conhecia o livro, mas o que eu gostei na premissa foi esse grupo de anti-heróis. Pelos seus comentários, Kaz Brekker é um personagem que eu iria adorar conhecer.
    Tomara que o restante da serie cumpra com as expectativas deixadas por esse primeiro livro.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  8. Adoro fantasia então jé me interessei e que capa linda. Gostei de saber que todos tem suas ambições, querem algo em troca,pois ninguém é perfeito, isso diferencia das historias de vilões e mocinhos. Essa missão deve proporcionar ao leitor muitas aventuras.

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  9. Oi, Carlos!
    Eu já tinha interesse em ler Sombra e Ossos e fica receosa de essa nova série poder ser lida de modo independente ou não, já que há outras que são assim em épocas e locais diferentes mas acabam por relacionar personagens, famílias, etc. Pelo o que eu pude ver, é realmente bem independente e bem mais fantasiosa que Sombra e Ossos. Ao ler sua resenha eu pensava exatamente isso de o ponto chave ser as relação interpessoais dos personagens, que calham de ter um super pano de fundo. Achei bem interessante não ter esterótipos de personalidades, e acho que realmente deve ser uma leitura bem viciante.

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  10. Oi, Carlos!!
    Estou super interessada em ler esse livro!! Amei a premissa do livro!!
    E que capa mais linda é essa!!
    Beijoss

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