Minha vida (não tão) perfeita - Sophie Kinsella

Sinopse: Dramas, confusões e uma boa dose de amor são os ingredientes do novo romance de Sophie Kinsella. Uma divertida crítica aos julgamentos errados que uma boa foto no Instagram pode gerar. Cat Brenner tem uma vida perfeita mora num flat em Londres, tem um emprego glamoroso e um perfil supercool no Instagram. Ah, ok... Não é bem assim... Seu flat tem um quarto minúsculo sem espaço nem para guarda-roupa , seu trabalho numa agência de publicidade é burocrático e chato, e a vida que compartilha no Instagram não reflete exatamente a realidade. E seu nome verdadeiro nem é Cat, é Katie. Mas um dia seus sonhos se tornarão realidade. Bom, é nisso que ela acredita até que, de repente, sua vida não tão perfeita desmorona. Demeter, sua chefe bem-sucedida, a demite. Tudo o que Katie sempre sonhou vai por água abaixo, e ela resolve dar um tempo na casa da família, em Somerset. Em sua cidadezinha natal, ela decide ajudar o pai e a madrasta com a nova empreitada do casal: os dois planejam transformar a fazenda da família em um glamping, uma espécie de camping de luxo e estão muito empolgados com o novo negócio, mas não sabem muito bem por onde começar. E não é justamente lá que o destino coloca Katie e sua ex-chefe cara a cara de novo? Demeter e a família vão passar as férias no glamping, e Katie tem a chance de, enfim, colocar aquela megera no seu devido lugar. Mas será que ela deve mesmo se vingar da pessoa que arruinou sua vida? Ou apenas tentar recuperar seu emprego? Demeter - a executiva que tem tudo a seus pés - possui mesmo uma vida tão perfeita, ou quem sabe, as duas têm mais em comum do que imaginam? Por que, pensando bem, o que há de errado em não ter uma vida (não tão) perfeita assim? (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora.
KINSELLA, Sophie. Minha vida (não tão) perfeita. Editora Record, 2017. 406 p.


Ainda na adolescência, tive meu primeiro contato com Sophie Kinsella: lembro que O segredo de Emma Corrigan me arrancou gargalhadas e o nome de Sophie ficou marcado desde então como uma das autoras que devo ler sempre que tiver oportunidade. Mais tarde, o primeiro livro que li inteiramente em inglês foi da série Os Delírios de Consumo de Becky Bloom e eu também me diverti muito, mesmo tendo feito a leitura em outra língua que eu ainda não compreendia completamente. Assim, fiquei encantada quando recebi um exemplar de Minha vida (não tão) perfeita da Editora Record e esperava uma leitura tão engraçada quanto as anteriores, mas não foi bem isso que encontrei nesse livro. Como sempre acontece quando as expectativas são grandes, acabei um pouco decepcionada.

Minha vida (não tão) perfeita conta a história de Katie, que sempre sonhou morar em Londres e viver tudo de bom que a cidade oferece. Embora a realidade seja muito mais difícil do que ela deixa transparecer - apartamento pequeno que divide com dois desconhecidos, longe do trabalho, um emprego que não é bem aquilo que ela esperava, nenhum amigo e uma chefe horrível - ela se sente londrina e até adotou uma nova personalidade: Cat. Não bastasse isso, nunca sobra dinheiro para muita coisa e o pior acontece: Cat é demitida. Sem muitas opções, ela volta para a cidade onde cresceu para ajudar seu pai e sua madrasta com seu novo negócio e, por causa das coincidências da vida, é lá que ela tem oportunidade de se vingar da pessoa que mais a prejudicou.

"Morar em Londres é como morar em um set de filmagem, das ruas mais afastadas no estilo dickensiano até os reluzentes prédios de escritórios, passando pelos jardins secretos. Você pode ser quem quiser."

A autora utiliza uma linguagem fácil e gostosa, então é difícil não se deixar envolver por sua história, pelo menos depois de algumas páginas. Isso porque, no primeiro capítulo, Kinsella lança dezenas de informações que poderiam ser melhor trabalhadas no decorrer da leitura, o que dá a impressão de estarmos na companhia de uma protagonista chata e reclamona. Com o decorrer do texto, percebe-se que Katie não é chata, mas fica difícil pensar isso quando ela joga tudo de ruim que acontece em sua vida logo nas primeiras páginas.

Depois desse início "antipático", a leitura logo engrena e passa rápido. Adorei a forma como a autora construiu seu enredo com foco no drama profissional de Katie e inseriu mulheres de garra em toda a história. Tenho que admitir que algumas delas não eram assim tão legais, mas, mesmo no caso daquelas que fizeram algumas vilanias, elas foram as protagonistas do livro, do início ao fim. Tratou-se de um livro sobre elas, sobre tudo de bom ou de ruim que uma mulher pode fazer, sem colocá-las como coadjuvantes ou como frágeis, e acho que o maior exemplo disso foi Demeter, que mesmo no momento de maior fragilidade conseguiu mostrar que não era uma coitadinha.

"É esse o problema de conhecer as pessoas na vida real: não temos o perfil delas ao lado da foto."

Demeter, aliás, se tornou minha personagem favorita, por ser inspiradora, inteligente e forte ao mostrar quão duro foi para ela conciliar uma carreira de sucesso com marido e filhos. Difícil, mas não impossível. Só que eu gostei mais ainda dela por se importar com as pessoas, por não se preocupar com rancor, mesmo que em alguns momentos ela tenha demonstrado que não tinha o menor tato para lidar com as pessoas.

O mais importante do enredo criado por Sophie Kinsella, porém, foi a crítica sobre a falsa realidade criada nas redes sociais e a inveja que é gerada por ela. Embora essa crítica tenha sido mais superficial do que eu esperava - já que eu imaginei que tudo aconteceria em decorrência da internet, e não foi bem assim - foi a inveja de uma falsa percepção que movimentou, indiretamente, todos os acontecimentos da obra. De fato, por mais perfeita que a vida de alguém pareça, todo mundo tem seus momentos ruins e, talvez, as pessoas tenham decidido mostrar apenas a parte que gostam.

"Acho que finalmente descobri como me sentir bem em relação à vida. Sempre que vir alguém muito feliz, lembre-se: essa pessoa também tem seus momentos não tão perfeitos."

O problema do livro, para mim, foi que eu esperava me divertir muito com o enredo, mas passei longe disso. Houve uma única cena que me trouxe algumas risadas e senti falta de mais disso. As partes que deveriam ser engraçadas me pareciam tão exageradas que eu só conseguia sentir constrangimento pelos personagens. E me irritou um pouco o fato de que todos pareciam mentir com uma enorme facilidade, inclusive para as pessoas mais próximas, sem se importarem, como se fosse normal. Como as mentiras sempre levavam a mais constrangimento, deveria ser engraçado, mas não era para mim, então elas só me irritaram.

Fora esse humor mal sucedido, Minha vida (não tão) perfeita ainda conseguiu trazer uma história bonitinha, cheia de mensagens importantes e fofa, mas não mais que isso. É uma leitura gostosa e otimista, mas não consegue ser marcante, nem pelo lado do drama, nem da comédia. Ainda assim, só por falar de família, sonhos e das perspectivas frustrantes de viver a vida com olhar na vida dos outros, o livro conseguiu trazer alguma coisa boa e foi uma ótima companhia por um tempo.

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Conjunto de Séries #23: Séries que abandonei - parte 2

Há alguns meses fiz um post especial na coluna Conjunto de Séries para contar sobre alguns seriados que deixei de acompanhar, e expliquei por lá os motivos de ter deixado as tramas de lado. De lá para cá, comecei a assistir novas séries, continuei algumas que já acompanho há tempos, e abandonei outras. Por isso, achei legal trazer para vocês a "parte 2" das séries que abandonei.

Good Morning Call


Comecei a assistir Good Morning Call em um dia que foi bem pesado para mim, em um momento da minha vida em que tudo estava um pouco fora dos eixos. Eu precisava me distrair e decidi que queria algo muito leve, muito divertido, então procurei por "dorama" na Netflix e, das opções, escolhi esse.

A trama é realmente bem leve e conta a história de dois adolescentes que, por "acidente", acabam morando juntos. Apesar de não terem nada em comum, eles se aproximam com o decorrer dos capítulos e, claro, se apaixonam. Good Morning Call tem um enredo bem adolescente e fofinho, e é uma delícia acompanhar. 

Assisti quase toda a primeira temporada, mas depois que os casal finalmente ficou junto, achei que a história poderia ter acabado. Os capítulos seguintes começaram a ficar enrolados, sem muita história para contar e com intrigas que não tinham mais tanta graça. Acabei desanimando de assistir e, por isso, a série entrou para a lista daquelas que eu abandonei. Pode ser que um dia eu resgate ela e continue assistindo, mas acho que o enredo adolescente funcionou muito bem para mim no momento em que eu não estava muito legal, mas agora as tramas mais densas me atraem muito mais.

Lie to Me


Quando decidi assistir Lie to Me, queria uma trama inteligente, mas um pouco mais tranquila, para que pudesse ser minha pausa antes de dormir. Por um tempo, funcionou. Cal, protagonista da série, é especialista em linguagem corporal e, junto com sua equipe, atua em diversas investigações.

O problema é que a série é baseada em nuances, detalhes que poucos conseguem ver além do próprio protagonista. Pode ser que eu não estivesse muito no clima de assistir algo assim, mas como não era algo que me levava a pensar e me envolver de verdade com a trama, os capítulos começaram a me parecer parados e chatos demais. É engraçado que eu não pensei em abandonar a série conscientemente, mas, sempre que buscava algo no streaming, evitava escolher essa. Um mês passou, dois meses, vários meses, e faz tempo que não assisto um único episódio. Nem terminei a primeira temporada, então é inevitável que a série entre nessa lista.

Black Mirror


Depois de ler vários elogios a Black Mirror e ver que era super comentada nas redes sociais, decidi encarar. Porém, abandonei no primeiro episódio. Gente, que série mais bad vibe. Pelo que entendi, a série é uma ficção científica com episódios autônomos que examinam a sociedade e as consequências da tecnologia de uma forma satirizada. 

Pelo pouco que assisti, minha impressão é de que se trata de um retrato muito inteligente do comportamento humano, mas absurdamente assustador e obscuro. A sensação foi de que a série pegou o pior da humanidade para fazer seu retrato e, por mais genial que ela seja, não sou feita para absorver essas coisas negativas. Já basta telejornal, então, obrigada, mas estou fora. A angústia que senti com o primeiro episódio foi equivalente a centenas de filmes de terror juntos - que eu nem assisto mais, por falar nisso -, então não quero isso para mim não.



E vocês? Já assistiram essas séries? Ainda acompanham? E quais séries abandonaram? Conta aí para a gente.

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Sonhos em Flor - Estelle Laure

Sinopse: Eden Jones tem 17 anos e o futuro todo planejado. Com o apoio dos pais amorosos, do irmão gêmeo que a entende como ninguém e de Lucille, a melhor amiga de todas, sonha em estudar em Nova York e se tornar uma grande bailarina. Então seu mundinho perfeito começa a desmoronar... Além de não se sair bem no primeiro teste para um balé importante, fica sem chão quando Lucille e seu irmão escondem dela que estão namorando. Mas o destino achou que isso não era o bastante. Eden passa por uma incrível experiência de quase morte, porém volta com muitas perguntas e não consegue retomar a vida. As alucinações com flores negras e com a garota em coma na mesma ala do hospital onde esteve internada a levam a Joe, e só aí ela entende que não ter o controle das coisas pode ser libertador. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora.
LAURE, Estelle. Sonhos em Flor. Editora Arqueiro, 2018. 272 p.

"Existem várias maneiras de morrer. Por enquanto, porém, escolho viver."

Eden Jones é uma jovem que sonha em se tornar uma bailarina profissional, desde muito nova se dedicou imensamente a isso, porém, seus sonhos são interrompidos quando ela sofre um acidente e fica em coma por mais de um mês. Durante esse período, ela consegue ouvir seus familiares, amigos e certa vez, vê flores negras e uma garota desconhecida em um lugar que ela considera ser o intermediário - um lugar entre a vida e a morte - e após acordar, ela descobre que a garota existe e está em coma, no mesmo hospital que ela.

Esse mês em coma a prejudicou muito, ela acordou com dificuldades em se alimentar, mal consegue andar, portanto, tem que reaprender a realizar essas e outras atividades e obviamente, está impossibilitada de dançar. Quando acordou, as coisas parecem ter mudado para Eden, ela busca um sentido para a vida, principalmente sem o balé. Outra coisa que a deixa incomodada é o fato de sua melhor amiga, Lucille, estar namorando seu irmão gêmeo, pois ela nem sabia que ela era apaixonada por ele.

Eden passou um bom tempo no hospital e lá, observava a garota do Intermediário, e até colocou um nome fictício: Vasquez. Posteriormente, descobriu que na verdade ela se chama Jasmine e também é conhecida por Jaz. Ao ficar olhando para o quarto dessa garota, Eden sempre via um visitante, Joe, um garoto que constantemente  ia até o quarto de Jaz e levava lindas flores brancas. 

Conhecendo Joe, ela descobre um pouco sobre sua vida e a de Jaz. Ela não tem família, é trabalhadora e Joe é seu único amigo. Joe por sua vez, é um rapaz que trabalha na floricultura de seu pai e sua madrasta, perdeu a mãe e está com muito medo de perder Jaz também. Eden e Joe acabam se encontrando muito neste quarto e um sentimento vai nascendo entre eles. Eden começa a ter uma nova perspectiva em sua vida, além de decidir o que vai fazer em relação ao balé, também deseja descobrir porquê viu Jaz durante o coma, o que ela queria dizer?


Bom, posso dizer que gostei do livro, ele tem um toque sobrenatural, misturado com romance e uma pitada de drama, porém, o considerei um pouco raso. Ao decorrer de toda a leitura senti que faltava um pouco mais de emoção. Quando li a sinopse, imaginei algo mais profundo e não foi exatamente o que encontrei, mas ainda assim consegui aproveitar bem a leitura e até gostaria que houvesse uma continuação, para saber um pouquinho mais sobre o desfecho dessa história.

Devido a experiência de quase morte, Eden ficou um pouco confusa com relação ao seu futuro. Pude acompanhar seu amadurecimento e seus medos e inseguranças foram bem trabalhados no livro. Joe é um fofo, é daqueles personagens que sentimos vontade de colocar num potinho! Ele tem grandes feridas do seu passado e é muito apegado à Jaz, não aceita sua partida e quer fazer de tudo para que sua amiga sobreviva. 

Lucille é uma personagem forte e responsável. Sabe quando um personagem secundário nos chama atenção e pensamos: Poxa, esse personagem devia ter seu próprio livro! Pois então, foi isso que aconteceu com Lucille e para minha surpresa, descobri que já existe o livro dela! Sim, foi falta de atenção da minha parte, já que na contracapa está a capa do livro Essa Luz Tão Brilhante. Acho que não ter lido o primeiro não interferiu tanto na leitura, mas recomendo que seja lido na ordem.

A escrita da autora é bem lírica, tornando a leitura muito gostosa, e é bem fluída também, começava a ler e quando me dava conta, já tinha lido quase cem páginas. A editora caprichou na edição, a capa é muito linda e a diagramação bem confortável, o que facilita ainda mais a leitura. Recomendo o livro para todos, pois traz uma mensagem bonita com leveza, mesmo tratando de um tema complicado.


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Promoção: Ninguém Nasce Herói


"A verdade é que ninguém nasce herói.
Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando."

Ei pessoal, como vão? No final do ano passado publiquei a resenha de Ninguém Nasce Herói, e desde então estou pensando em fazer um sorteio de um exemplar do livro que recebi de cortesia da Editora Seguinte. O livro é de um autor nacional e narra um futuro próximo em que um governo totalitário baseado em um fundamentalismo religioso se instalou no país. Curioso? Então confira como participar e concorra!

Para participar, basta seguir o blog Conjunto da Obra pelo Google Friend Connect (clicar em "Participar deste site" na barra lateral direita) e preencher essa entrada no formulário. Depois, várias outras entradas serão abertas, para quem quiser ter ainda mais chances.


As inscrições serão feitas por meio da ferramenta Rafflecopter. As inscrições são válidas até dia 20 de março, e o resultado será divulgado em até 7 dias, neste mesmo post. 

Após o resultado, o Conjunto da Obra entrará em contato com o vencedor por e-mail, que deverá ser respondido em até 24 horas. O livro será remetido em até 60 dias após o sorteio. O Conjunto da Obra não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador e o livros não será enviado novamente.

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Sem Fôlego - Abbi Glines

Sinopse: Sadie White acabou de se mudar com a mãe grávida para a cidade litorânea de Sea Breeze, mas seu emprego de verão não vai ser na praia. Como a mãe dela se recusa a trabalhar, Sadie vai substituí-la como empregada doméstica numa mansão na ilha vizinha. Quando os donos da casa chegam para as férias, Sadie se depara com ninguém menos que Jax Stone, um dos roqueiros mais desejados do mundo. Se Sadie fosse uma garota normal – se ela não tivesse passado a vida cuidando da mãe e dos afazeres domésticos –, talvez estivesse impressionada com a ideia de trabalhar para um astro do rock. Mas ela não está. Na verdade, é Jax quem fica atraído por ela. Tudo a respeito de Sadie o fascina, mas ele luta contra esse desejo: relacionamentos nunca funcionam em seu mundo e, por mais que ele queira Sadie, sabe que ela merece algo melhor. Conforme o verão passa, no entanto, essa paixão começa a deixá-lo sem fôlego – e é como se Sadie fosse a única pessoa capaz de lhe devolver o oxigênio. Será que o amor entre os dois pode superar as diferenças em seus estilos de vida? Jax e Sadie vão precisar respirar fundo e mergulhar nessa relação para descobrir. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora.
GLINES, Abbi. Sem Fôlego. Editora: Arqueiro, 2018. 272 p.


Sem Fôlego é o primeiro livro da Série Sea Breeze, da escritora Abbi Glines e foi publicado aqui no Brasil pela Editora Arqueiro. Abbi Glines é uma das minhas escritoras favoritas quando o assunto é romance, apesar de ter tido algumas decepções com livros da série Rosemary Beach, não poderia deixar de conferir esse novo lançamento e novamente a autora ganhou meu coração. 

Nesse romance iremos conhecer a história de Sadie White e Jax Stone. Sadie é uma jovem de apenas 17 anos, que sempre teve muitas responsabilidades, a começar pela sua mãe Jessica, que sempre se envolvia com homens errados e no seu último caso amoroso acabou grávida e agora cabe a Sadie a responsabilidade de trabalhar para manter a casa. 

Sadie então assume o trabalho da sua mãe na mansão do roqueiro Jax Stone. O que ela não esperava era conhecer pessoas tão maravilhosas que seriam parte de sua vida, pessoas essas que passariam a ser sua família e nesse meio tempo conhecer um garoto que despertaria nela sentimentos únicos. 

Jax Stone é um roqueiro famoso de 19 anos, ele precisa dar um tempo da fama e dos holofotes, por isso decide ir para Sea Breeze e descansar em sua mansão, lugar onde não será perturbado pela mídia, mas o que ele não esperava era conhecer uma jovem que não liga a mínima para sua fama e dinheiro e que é diferente de todas as garotas que ele já conheceu. 

"De alguma maneira, você se tornou a canção dentro de mim."

Jax sabe que não pode se envolver com Sadie, afinal, ele é um astro do rock e em sua vida não há lugar para relacionamentos. Porém, pela primeira vez em muito tempo, ele sabe que encontrou o seu lugar e por mais que tente, não consegue abrir mão dos sentimentos que sente por ela e reconhece que lutar contra eles é uma batalha perdida. 

Sem Fôlego é um livro encantador, com personagens apaixonantes e uma história que se desenvolve a um ritmo incrível. Sadie foi uma das personagens que eu mais gostei da autora, dentre todas as histórias suas que eu já li, ela é forte e muito responsável, sabe que não poderia ter uma vida normal com a mãe que tem e aceita isso da melhor forma possível. 

No entanto ainda tiveram alguns pontos em sua personalidade que não funcionou bem para mim, como o fato de que Sadie é dona de uma beleza estonteante e não ter ciência disso, ela também é muito insegura em relação a si mesma e isso pode até fazer dela uma pessoa fora do comum ou até mesmo especial, mas isso não é algo que me convence ou me faça ver a personagem de uma maneira diferente. 

Jax foi um personagem que me surpreendeu muito, eu esperava um bad boy egocêntrico com um rei na barriga, mas ele não é assim, muito pelo contrário, é um jovem bonito, talentoso e muito encantador, que apesar da carreira que tem não deixou a fama lhe subir à cabeça. 

"'Burra' podia ser uma palavra gentil demais para mim."

Esse é um romance bem juvenil então tem sim, vários clichês e desentendimentos desnecessários, mas ainda assim é uma história que prendeu muito atenção e me fez torcer bastante pelos personagens. O romance é fofo, que se desenvolve de uma maneira muito rápida e isso dá um toque bem bonito a história, já que com Jax, Sadie pode deixar as preocupações um pouco de lado e pela primeira vez em muito, muito tempo, focar apenas nos seus interesses e sentimentos. 

Os personagens secundários foram incríveis e de grande participação na trama, como a Sra. Mary, que vê Sadie como uma filha, o jardineiro com quem Sadie joga xadrez sempre que possível e por último Marcus, que foi colocado na friend-zone, mas que gostaria muito de uma chance com Sadie. E para minha total e plena felicidade o próximo livro vai contar a sua história. 

A diagramação do livro está bem simples, folhas amareladas com letras confortáveis, a Editora a pedido dos fãs manteve a capa original, que combina perfeitamente com a história. A narração é feita em primeira pessoa, alternada entre Jax e Sadie, o que nos dá uma visão geral dos acontecimentos e sentimentos dos personagens.

Sem Fôlego é um livro que fala sobre relações familiares, amizades e um primeiro amor quase impossível, é uma leitura rápida e leve, que apesar de clichê tem lá seus diferenciais, por isso, recomendo esse livro com certeza.


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Desafio de Escrita #2: Passos na areia


Mantive meus olhos fechados por horas, na esperança de que o sono chegasse, mas a imobilidade não impedia que meu corpo se sentisse completamente alerta. Era estranho estar acordada a essa hora da noite, da madrugada, ainda mais para mim, que nunca tive problemas para dormir. A mente vagava para os mais diversos lugares, por todas as lembranças, e eu não conseguia ir contra a adrenalina que corria em mim. Suspirei alto, joguei as cobertas para o lado e desci da cama, para tentar me ocupar com qualquer coisa que me tirasse dessa espiral de emoções conflitantes.

Dirigi-me para a janela e puxei a cortina, o que permitiu que a luz da lua entrasse e iluminasse o quarto. Eu sabia qual era a razão por estar tão ansiosa. A viagem se aproximava e, em poucos dias, eu deixaria para trás a rotina que me era tão familiar. Também sabia que não deveria estar me sentindo tão triste, ainda mais por ter conseguido o emprego com o qual eu sempre sonhei e por saber que estava partindo por vontade própria, mas nunca pensei que teria de ir tão longe para viver essa nova etapa da minha vida.

Encostei minha cabeça no batente da janela para observar a paisagem já tão conhecida e deixei as lembranças me tomarem. Foi aqui que cresci e que brinquei quando criança, construí castelos de areia e joguei bola com os amigos. Foi o lugar onde assisti meus pais ao redor da fogueira para tentar preparar um churrasco que alimentaria uma dezena de crianças que se juntaram para passar o dia. Foi nessa praia que vivi meu primeiro amor, onde conheci minha melhor amiga, onde tive que aprender a viver sozinha depois do acidente que levou meus pais. Saber que vou partir, ainda que seja por um bom motivo, traz o peso de deixar para trás toda uma vida.

O barulho do mar me atraiu, como sempre acontecia, e me trouxe um sopro de tranquilidade. Era reconfortante poder ouvir o barulho das ondas que quebravam a alguns metros do quarto onde dormi desde criança, e eu tinha certeza de que essa seria uma das coisas de que mais sentiria falta depois da mudança. A concha do mar que estava na mala era uma tentativa quase desesperada de levar um pouquinho de casa comigo. Decidi trocar o pijama por um conjunto de short e camiseta e desci as escadas em direção à porta da frente, que levava direto à praia.

A brisa que soprava do mar era fresca, o que aliviava um pouco a sensação de abafamento que o final do verão trazia consigo. Sentia a areia sob meus pés e uma sensação de gratidão por ter desfrutado de tantos momentos bons neste lugar me atingiu. Quando enfim cheguei à beira do mar, com uma trilha de passos deixada atrás de mim, fechei os olhos e me senti parte da água quase quente que o mar só tinha durante a noite.

- Pelo visto alguém também não conseguiu dormir esta noite – disse uma voz conhecida às minhas costas, arrancando-me do meu estado de torpor. Sorri para mim mesma ao pensar que esperava inconscientemente por sua presença. Olhei para minha amiga e meu sorriso se expandiu.

- Oi Rafa... Não esperava vê-la aqui tão tarde.

- Sabe como é... nosso ímã – disse ela, dando de ombros enquanto a ponta de um sorriso se insinuava em seu rosto.

Era uma brincadeira nossa, pois sempre conseguíamos nos encontrar mesmo sem qualquer contato ou planejamento. Nós apenas sentíamos e sabíamos onde a outra estaria. Mais importante que isso, sempre sabíamos quando uma precisava da outra, como esta noite.

- Estou morrendo de medo de ficar mais de dois mil quilômetros longe de você – desabafei. Rafa tinha esse efeito sobre mim, nunca conseguia esconder algo dela. – De todos vocês, na verdade. Mesmo depois que meus pais morreram, eu ainda sentia que tinha uma família.

- E você continuará a ter – ela respondeu. – Você sabe que pode contar com todo mundo aqui. A gente te adora. Eu, meus irmãos, nossos vizinhos... Você sabe que pode ligar a qualquer hora. Ou pode voltar para cá a qualquer hora também, se preferir.

Sem consegui conter, um risinho dolorido escapou da minha garganta. Em meu coração, sabia que aquilo era verdade.

- Parece que nem saí daqui ainda e já estou querendo voltar.

Rafa sorriu e pôs as mãos sobre meus ombros, virando-me de frente para ela.

- Tina, eu vou odiar ficar longe de você. Meus dias vão ficar extremamente sem graça sem minha parceira de aventuras. Aposto até que essa cidade toda vai ficar sem brilho sem você aqui – ela soltou uma gargalhada curta, provavelmente lembrando tudo o que havíamos aprontado por todos os cantos quando éramos mais novas. – Mesmo assim, estou feliz por você. Quero que você vá de coração aberto e faça isso como tudo o que fez na vida: por inteiro.

Quando tentei baixar os olhos, ela pousou um dedo em meu queixo e ergueu meu rosto, para que não fugisse dos olhos dela.

- Mudanças são mesmo assustadoras. Eu estou com medo também. Mas não estou pronta para lidar com a pessoa frustrada que você se tornaria se não fosse – disse com um tom que misturava a inocência de uma brincadeira e o deboche, de uma forma que só ela conseguia. Não resisti a sorrir também.

- Você está certa. Acho que preciso me animar mais, afinal é a oportunidade da minha vida – falei, enquanto uma ideia libertadora surgia na minha mente. Puxei a camiseta por cima da cabeça e joguei no chão. – Mas isso não me impede de aproveitar meu lugar favorito no mundo até o último segundo – tirei também o short e corri para o mar.

Como eu já previa, Rafaela me imitou e correu para a água atrás de mim. Enquanto mergulhávamos e brincávamos de jogar água uma na outra, algumas conclusões começaram a surgir. Eu iria embora e abandonaria todos os melhores momentos da minha vida. Porém, isso não me impedia de criar outros momentos tão bons quanto os que já passaram. Conhecer outras pessoas tão importantes quanto as que deixaria naquele lugar. Mas o mais importante de tudo era que as pessoas que importavam, aquelas que eu amava de verdade, ficariam comigo para sempre, onde quer que eu estivesse. No meu coração.

~~*~~*~~

Este conto faz parte do Desafio de Escrita, e foi escrito a partir do tema 19 (Você não consegue dormir). Percebi que tenho muita dificuldade de criar uma história, de dar continuidade a uma cena.  Eu começo e não sei mais para onde quero levar a trama e às vezes levo dias para continuar de onde parei, mesmo que seja um conto tão curto como esse. Então sejam sinceros: o que acharam do texto?

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Garotas de Vidro - Laurie Halse Anderson

Sinopse: Lia está doente e sua obsessão pela magreza a deixa cada vez mais confusa entre a realidade e a mentira. Mas ela perde totalmente o controle quando recebe a notícia de que sua melhor amiga, Cassie, morreu sozinha em um quarto de motel. E o pior: Cassie ligou para Lia 33 vezes antes de morrer.
O que começou como uma aposta entre duas amigas para ver quem ficaria mais magra tornou-se o maior pesadelo de duas adolescentes reféns de seus próprios corpos.
Ao negar seu problema, Lia impõe a si mesma um regime cruel em que contar calorias não é o bastante. Ao omitir seu desespero, apela ao autoflagelo numa tentativa premeditada de aliviar seus tormentos. Seus pais e sua madrasta tentam ajudá-la a qualquer custo, mas nem mesmo sua doce irmã, Emma, consegue fazer com que Lia pare de se destruir.
Agora, Lia precisa encontrar um modo de lidar com todos os seus fantasmas, e a morte de Cassie é um deles.
Garotas de Vidro é uma história intoxicante sobre a autorrepugnância e a busca pela identidade. Neste livro, Laure Halse anderson aborda de modo realista a dolorosa condição de jovens que sofrem de transtornos alimentares e sua complicada relação com o espelho e consigo mesmos. (Skoob)
ANDERSON, Laurie Halse. Garotas de Vidro. Editora Novo Conceito, 2012. 272 p.

Bom, não vou me preocupar em contar muita coisa da história, pois a sinopse já conta praticamente tudo que vamos encontrar, sem se aprofundar, claro, mas isso só será possível saber se você ler e nem vou esperar chegar até o final para te pedir que leia. - Leia, garanto que este é um livro que merece ser lido. - Então, optei por contar somente quais foram os meus sentimentos ao decorrer da leitura e minha opinião sobre a escrita da autora. 

Tenho esse livro há algum tempo, mas sempre acabava passando outros na frente, mas esse ano decidi usar uma tática diferente, para não deixar os livros mais antigos para trás, então logo peguei esse para ler. Após encerrar a leitura me arrependi de não ter lido antes. Esse livro abriu meus olhos para esse tema que é bem complicado e fiquei muito grata em ter a oportunidade de ler esta obra.

Lia tem anorexia e Cassie tinha bulimia. Isso começou com uma aposta boba quando elas ainda eram crianças, mas trouxe consequências terríveis para as garotas. As duas de certa forma foram impedidas de viver por causa dessa obsessão pela magreza. Uma não tem amigos e mal sai de casa, a outra, acabou se matando.

 A história é narrada por Lia e podemos dizer que ela não é uma narradora muito confiável, já que se perde entre o que é real e o que é ilusão. A garota vê Cassie em seu quarto à noite, mas como é possível se Cassie está morta? A culpa por não ter atendido as ligações da amiga a corrói e para piorar Cassie a chama, dizendo que ela está quase lá, que precisa ficar firme... Que ela vai conseguir chegar ao zero.

“Eu poderia dizer que estou animada, mas isso seria uma mentira. O número não importa. Se eu chegasse a 31.700, eu quereria 24.200. Se eu pesasse 4.500, eu não estaria feliz até chegar aos 2. O único número que seria o bastante é 0. Zero quilos, vida zero, tamanho zero, duplo- zero, ponto zero.”

Durante toda leitura há um clima de tristeza, não só devido à morte de Cassie, mas também pela forma que Lia está levando sua vida. Ela criou em sua cabeça algumas regras que as outras pessoas não conseguem entender. Ela se vê totalmente distorcida no espelho e deseja ser cada vez mais magra, se privando quase que totalmente de se alimentar. Lia, uma garota com pouco mais de 40 quilos se acha gorda e se xinga mentalmente a todo momento. Fiquei com o coração apertado durante toda a leitura, com vontade de entrar no livro para tentar fazer alguma coisa por ela. 


É muito nítido o quanto Lia se sentia sozinha e sofria com isso. Seus pais sempre foram ausentes e parecia haver uma barreira que não permitia que a relação entre eles avançasse. Claro que é ficção, mas na vida real isso não é raro acontecer, então é uma coisa que entra mesmo na cabeça, trazendo grande reflexão. 

A escrita é quase poética e possui muitas metáforas. Laurie conseguiu colocar uma grande carga de drama que me fez sentir um nó na garganta em vários momentos da leitura. Achei interessante alguns elementos que a autora usou em sua escrita, como riscar algumas palavras, como se fosse Lia negando alguma coisa, tentando se fazer mudar de ideia. Parece fazer o leitor saber exatamente o que Lia sentia, chegava a ser sufocante em alguns momentos. E sempre quando Lia ia comer alguma coisa ou via alguém comendo, ela automaticamente contava as calorias e isso é descrito no livro também, mostrando o quando a garota era obcecada com a comida. 

Porque eu não posso deixar-me querê-los porque eu não preciso de um muffin (410), eu não quero uma laranja (75) ou torradas (87), e waffles (180) me fazem vomitar.”

Indico o livro para todos, o tema é bem forte, falar sobre transtornos alimentares é sempre difícil, mas precisamos nos abrir para isso, pode acontecer com qualquer um, precisamos estar preparados para ajudar um familiar ou um amigo, ou até nós mesmos.

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Seleção de Resenhistas


Oi pessoal, como estão vocês?

Nos últimos meses recebi notícias tristes de que dois dos nossos colunistas precisavam se desligar da equipe do Conjunto da Obra: o Carlos e a Débora. Já falei para eles pessoalmente, mas gostaria de reiterar meu agradecimento pelo empenho que tiveram com o blog e o carinho com esse espaço.

Por conta dessas recentes perdas para a equipe, decidi escolher mais uma ou duas pessoas para resenharem aqui no blog e abri, de hoje até o dia 5 de março, um formulário para inscrição dos interessados.

Para os que têm interesse em participar, peço que preencham o formulário abaixo ou neste link com as informações mais básicas para que eu possa ver quem tem ou não o perfil do blog. Também peço informações sobre outros trabalhos ou textos para que seja possível analisar o estilo de escrita. Algumas outras informações também podem ser relevantes, mas provavelmente conversarei com os candidatos por e-mail antes de tomar uma decisão definitiva.

O trabalho realizado será não remunerado, mas sempre que possível enviarei alguns brindes, mimos e, também quando possível, livros, como forma de agradecer e recompensar aquele que dedicar seu tempo a este espaço.

Os critérios de seleção serão a ortografia e a construção textual, além de outros aspectos subjetivos quanto ao perfil necessário para escrever no blog. Espero encontrar pessoas responsáveis e comprometidas, que façam com carinho o que se propõem a fazer, porque este espaço tem grande importância para mim.



Obrigada desde já àqueles que se inscreverem.

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Tipos Incomuns - Tom Hanks

Sinopse: Um affaire agitado e divertido entre dois grandes amigos. Um ator medíocre que se torna uma estrela e se vê em meio à frenética viagem de divulgação de um filme. O colunista de uma cidadezinha com um ponto de vista antiquado sobre o mundo. Uma mulher se adaptando à vida na nova vizinhança após o divórcio. Quatro amigos e sua viagem de ida e volta à Lua num foguete construído num fundo de quintal.
Essas são apenas algumas das pessoas e situações que Tom Hanks explora em sua primeira obra de ficção. Os contos têm algo em comum: em todos, uma máquina de escrever desempenha um papel — às vezes menor, às vezes central.
Conhecido por sua sensibilidade como ator, Hanks traz essa característica para sua escrita. Ora extravagante, ora comovente, ocasionalmente melancólico, Tipos incomuns deleitará e surpreenderá seus milhões de fãs. (Skoob)
HANKS, Tom. Tipos Incomuns. Arqueiro, 2017. 352 p.


Quem diria que o renomado ator, diretor, roteirista e produtor, Tom Hanks, também leva jeito para a escrita. Depois de tantos filmes de sucesso Hanks escreve seu primeiro livro e, tenho que admitir, não parece que o autor está em sua primeira viagem.

Tipos Incomuns conta com dezessete contos que retratam pessoas comuns em seu cotidiano. Alguns contos são tão maçantes que demorei dias para terminar, mas em outros a leitura fluiu muito bem. Isso é bem comum já que é quase impossível achar um livro de contos em que todos sejam excelentes e agradem a todos que os leem.


Assim como a maioria dos livros de contos, a obra não tem uma sequência lógica, dando liberdade para o leitor escolher por onde quer começar ou terminar. Hanks nos envolve em suas histórias de uma forma surpreendente, já que ele não retrata nada de extraordinário, apenas pessoas comuns vivendo suas vidas. Me diverti bastante com a maioria dos personagens, que por vezes se apresentaram meio loucos, cada um com uma personalidade diferente. A riqueza de detalhes (algumas vezes exagerada) é realmente impressionante.

Pode ser que muitos venham a adquirir o livro por causa do autor (eu mesma fiz isso), mas garanto que a maioria não vai se decepcionar. Como a sinopse nos chama muita atenção para o fato de uma máquina de escrever estar presente em todos os contos (para quem não sabe, Tom Hanks tem uma coleção de mais de 100 delas), uma das minhas maiores distrações era procurar o papel que a mesma exercia no conto. Algumas vezes foi bem difícil, mas em outras ela já nos era apresentada de cara.


Um bom livro para quem quer descansar, Tipos Incomuns nos faz refletir sobre a nossa própria vida e nos personagens nela contidos. Me surpreendi bastante com o resultado da obra e, caso Tom venha a publicar outro livro, eu com certeza vou colocá-lo na minha lista de leitura.

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Promoção: Aniversário Vivendo Sentimentos

Em março o blog Vivendo Sentimentos irá completar 10 anos! Por isso, juntamos alguns blogs maravilhosos e preparamos um mega sorteio para vocês. Serão quatro ganhadores. Três deles ganharão 10 livros cada (que presentão não?!) + marcadores, e o quarto ganhará 8 livros, um caderninho e mais de 100 marcadores. É muito prêmio maravilhoso, então vamos comemorar junto e participar. Boa sorte para todos!

REGRAS:

- Residir (endereço de entrega) em território nacional.
- Preencher as regras obrigatórias de cada formulário.
- Onde diz Visitar o Facebook, é obrigatório curtir a página.
- Após preencher todas as regras obrigatórias, o formulário irá liberar as regras opcionais. Você pode não preenche-las, mas lembre-se que quanto mais fizer, mais chances tem de ganhar.
- O sorteio é válido até o dia 16/03/2018. O resultado será divulgado até o dia 20/03/2018, nesta postagem e em cada blog participante.
- Será enviado um e-mail para o vencedor, e ele terá 2 dias para responder com seu endereço. Se isso não ocorrer, terá novo sorteio, para escolher novo ganhador.
- No e-mail que enviaremos para o vencedor, constará uma lista dos prêmios do kit com o nome, link e contato de cada blog ou autor responsável por ele.
- Cada blog e autor é o único responsável pelo envio do seu prêmio. Por isso, o prêmio chegará em partes, e não todo junto.
- O prêmio será enviado até 30/04/2018, sem contar a entrega dos Correios. Nenhum de nós será responsabilizado por danos, extravios ou retorno das encomendas.
- O prêmio é individual, intransferível, não passível de troca e não poderá ser convertido em dinheiro. - A participação nesta promoção implica na aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento.
- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.


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A Poção Perdida - Amy Alward

Sinopse: Depois de vencer a Caçada Selvagem, salvando a Princesa Evelyn, a vida de Sam Kemi mudou completamente! Com uma avalanche de entrevistas na TV, o trabalho na loja de poções da família e os preparativos para acompanhar a Princesa – sua nova melhor amiga – numa grande viagem internacional, tudo parece estar indo muito bem, até que de repente não está mais...Alguém adulterou a mente do avô de Sam para tentar descobrir a fórmula da Aqua Vitae, uma poção capaz de curar qualquer doença e que estava perdida entre as páginas de um antigo diário da família Kemi. Sem suas memórias e precioso conhecimento, seu avô está cada vez mais perdido e confuso. E, conforme o tempo passa, seu estado só vai piorando. Agora, Sam precisa encontrar a receita perdida da poção mais poderosa do mundo, aquela que as pessoas matariam para pôr as mãos, e também tentar trazer as memórias do seu avô de volta. Trocando vestidos, príncipes e palácios por dragões, centauros e cavernas, Sam começa a aventura mais importante e perigosa de sua vida – na qual tudo pode acontecer! (Skoob)


Livro recebido em parceria com a Editora
ALWARD, Amy.  A Poção Perdida. Diário de uma Garota Alquimista #2. Editora Jangada, 2017. 448p.


Como eu disse na resenha do primeiro livro da série, eu gostei dele, mas só leria esse se fosse fácil para mim. E como foi oferecido de parceria, eu aceitei. 

A vida da Samantha está completamente diferente do que nós vimos no primeiro livro e até do que vimos na última página. Nós vamos ver todas as consequências dos acontecimentos do primeiro, entre elas, novos amigos da Sam e a loja de poções  da família dela voltou a ter clientes. Também teremos mais problemas do que no livro anterior, com diversos personagens, e a Sam tentará resolver todos. 

Essa continuação foi bem melhor na minha opinião. A começar que não tiveram os capítulos da princesa. E o pior é que, talvez nesse livro, os capítulos dela pudessem ser bons, mas eles tiraram isso de vez. Eu nem sei porque continuaram a escrever "Samantha" em cada capítulo, sendo que todos eram dela, até cansa de ler isso.

Eu continuo adorando a mistura de tecnologia e magia que tem nessa saga, e aqui nós conhecemos alguns lugares que não têm tecnologia e não adotaram o uso dos Sintéticos (tipo remédios fabricados, em contraponto com as poções que são manuais e precisam ser feitas com os ingredientes reais). Outra coisa nova incorporada aqui, com relação à tecnologia são os fóruns de Internet, e as teorias deles às vezes serão úteis para a Sam e outras não.

A Poção Perdida me deixou um pouco mais com medo que A Poção Secreta, acho que me engajou mais um pouco nos perigos que a Samantha corria ou nas decisões que ela podia tomar. Eu também li o segundo volume mais rápido e menos obrigada. E ele me fez querer ler o terceiro (que eu creio ser o último) muito mais do que eu quis ler esse.

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Conjunto de Séries #22: The Crown


Comentei algumas vezes aqui no blog que eu amo História e, por causa disso, geralmente fico encantada em ler livros que se preocupam em contar acontecimentos com riqueza de detalhes. Não sou uma estudante muito aplicada na matéria, nem uma pesquisadora, nem nada assim, mas se posso juntar a História a algo que gosto ainda mais - como um filme, um livro ou uma série -, não tenho dúvidas que vou mergulhar na "atividade". Mais apaixonante que isso, só mesmo acontecimentos que, de alguma forma, se relacionam com a minha realidade atual. E esse é o caso da série The Crown, que narra a vida da Rainha Elizabeth II, sobre quem ouvi falar grande parte da minha vida, mas que não tinha tido oportunidade de conhecer em mais detalhes.

Mais do que História, porém, The Crown é brilhante no que diz respeito à sua construção. Com figurinos impecáveis e ambientação riquíssima, a série original da Netflix se tornou a mais cara da história, com um investimento de U$ 130 milhões apenas na primeira temporada. Cada detalhe remete à época em que se passam os episódios, e é ótimo acompanhar os conflitos internos da família real interligados aos acontecimentos reais já conhecidos. Vale lembrar que Elizabeth é monarca há 65 anos e a série pretende mostrar todo esse período, o que significa que tem ainda muita história para contar.


Em vários episódios, achei alguns acontecimentos tão assombrosos que busquei na internet referências sobre o acontecido. A série abordou fatos que nunca imaginei terem acontecido de verdade e me encantou ao relembrar esses aspectos da Inglaterra e do Mundo. Há muito sobre política, família, relacionamentos, o papel da coroa, tudo mostrado de uma forma humana e realista, o que nos faz repensar conceitos sobre a família real e nos sentir mais empáticos com o papel que desempenham.

Claro que as cenas contam com uma dose de liberdade criativa e envolvem diálogos fictícios, mas tudo é utilizado como ferramental para contextualizar os acontecimentos de uma forma mais objetiva. Quero dizer com isso que, em muitos casos, a série não precisa mostrar (com utilização de outros atores e cenários) o que acontece em outros países, bastando resumi-los nos diálogos entre o núcleo da trama, que é pequeno e bem construído. É assim, por exemplo, que marcos e nomes históricos chegam ao espectador.

Acompanhar as lutas diárias de Elizabeth para mostrar que é merecedora da coroa é um dos aspectos mais interessantes da série, na minha opinião. Isso porque, conciliar uma vida pública em que é a chefe de Estado e de Governadora Suprema da Igreja com o papel de esposa e mãe, de irmã e filha, é definitivamente desafiador. Minha impressão, após ver as duas temporadas disponíveis no streaming, é de que muitas vezes ela tem que deixar de lado suas vontades como pessoa para agir como rainha, e isso sem dúvida é muito complicado.

Para quem gosta de História e política, tenho certeza de que The Crown é uma ótima aposta. Além de envolver o público ao aproximá-lo de seus personagens, a trama narrada na série é rica e detalhista, com ênfase em fatos reais e, por isso mesmo, ainda mais interessantes.

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Fraude Legítima - E. Lockhart

Jule West Williams é uma garota capaz de se adaptar a qualquer lugar ou situação. Imogen Sokoloff é uma herdeira milionária fugindo de suas responsabilidades. Além do fato de serem órfãs, as duas garotas têm pouco em comum, mas isso não as impede de desenvolver uma amizade intensa quando se reencontram anos depois de terem se conhecido no colégio. Elas passam os dias em meio a luxo e privilégios, até que uma série de eventos estranhos começa a tomar curso, culminando no trágico suicídio de Imogen e forçando Jule a descobrir como viver sem sua melhor amiga. Mas, talvez, as histórias das duas garotas tenham se unido de maneira inexorável — e seja tarde demais para voltar atrás.
LOCKHART, E. Fraude Legítima. Editora Seguinte, 2017. 273 p.


Quando vi esse lançamento, logo me interessei, pois já li outros dois livros da autora e gostei bastante. Com esse não foi diferente, gostei demais do que encontrei nas páginas e me surpreendi mais uma vez com sua obra. 

Logo de cara nos deparamos com Jule, uma jovem misteriosa que está hospedada em um hotel no México. Bem nesse comecinho já dá pra saber que tem algo errado, pois ao se apresentar para uma hóspede, a jovem usa o nome de Imogen, sua melhor amiga que cometeu suicídio há pouco tempo atrás. Com isso, podemos perceber que ela está fugindo de algo. Mas porquê?  O que a levou a tomar essa atitude? 

As duas garotas tiveram problemas na infância. Imogen foi adotada e Jule teve seus pais assassinados, isso foi um dos motivos pelo qual as duas se sentiam tão ligadas. Também percebemos que logo no começo do livro Jule quer fazer as mesmas coisas que Imogen, usar as mesmas roupas que a amiga... Será que ela ainda não superou a perda?

“Não tinha mais certeza de onde traçar a linha entre elas. Jule usava perfume de jasmim como Imogen, falava como Imogen, amava os livros que Imogen amava. Aquelas coisas eram verdadeiras. Jule era órfã como Immie, uma pessoa que se inventou sozinha, como um pássaro Misterioso. Havia tanto de Imogen em Jule, e tanto de Jule em Imogen.”

O livro é escrito de trás para frente, é isso mesmo! Começa do capítulo dezoito e vai voltando, até chegar ao capítulo um. No final, nos deparamos com o 19º capítulo, que seria um epílogo da história. No começo achei um pouco confusa esse tipo de escrita, mas fui me adaptando, prestando bastante atenção e concluí que seria bem interessante. A cada página ia mergulhando mais e mais na história, que me intrigou a cada acontecimento. A autora vai brincando com o leitor, nos fazendo deduzir várias coisas, mas ao ler os capítulos seguintes vamos vendo que não era nada daquilo que estávamos imaginando, era algo muito melhor.


Ao decorrer das páginas vamos entendendo a relação de Jule e Imogen e os motivos que as levaram a tomar certas decisões. Não vou poder descrever muito sobre a personalidade das duas para não acabar com os mistérios, mas digo que Imogen é muito mimada e acha que o mundo gira ao seu redor e Jule é calculista e esconde muitas coisas. 

Em livros assim, tenho mania de tentar adivinhar o final, e nesse caso, não era nada do que imaginei no começo. A cada capitulo eu era surpreendida e o que achava no capítulo anterior já não fazia mais sentido. Por isso, tratei de correr com a leitura, para saber logo o final.

O final (que na verdade é o começo) me deixou chocada e pensando em como uma coisa levou a outra, como as ações de uma personagem ia se baseando nas atitudes da outra. É só uma pena que o livro seja tão curtinho, desejei ter mais detalhes do passado das duas, para entender melhor algumas coisas. Indico a leitura para todos, mas prestem bastante atenção, porque a escrita atemporal pode dar um nó na cabeça!

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Conjuntando #73: Quotes inspiradores



Comentei com vocês durante o Troféu Literário 2017 que tenho o hábito de anotar quotes dos livros que leio e que posso levar como ensinamentos para a vida.

Inspirada nisso, resolvi fazer um post para vocês apenas com os quotes que eu achei mais inspiradores nos últimos anos. Quem sabe vocês se animam em ler os livros ou em trazer outros quotes aqui para o blog, o que acham?

Ninguém nasce herói

"A verdade é que ninguém nasce herói.
Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando."

Jogo de Espelhos

"- Não me importa de onde as pessoas são, qual a cor da pele delas, quanto dinheiro elas têm, se gostam de homens ou mulheres, ou... ou... qualquer uma dessas merdas. Por que as pessoas não podem simplesmente ser pessoas?"

A vida que enterramos

"[...] Naquele dia, decidi viver a vida em vez de apenas existir. Se eu morresse e descobrisse o paraíso do outro lado, isso seria muito bom, muito legal. Mas se eu não vivesse a minha vida como se já estivesse no paraíso, morresse e encontrasse apenas o nada, bem... eu teria desperdiçado a chance. Eu teria desperdiçado a minha única oportunidade de estar vivo."

Nossas Noites

"Quem imaginaria que, a essa altura da vida, nós ainda poderíamos ter algo desse tipo? Que afinal ainda existe, sim, espaço para mudanças e entusiamos na nossa vida. E que nós ainda não estamos acabados nem física nem espiritualmente."

Quando o amor bater à sua porta

"Porque o amor não foi feito para ser entendido, estudado ou explicado; o amor foi feito para ser sentido."

"Acredito que temos o poder de mudar o futuro a todo instante, de acordo com nossas escolhas e atitudes. A cada decisão que você toma, por menor que seja, um universo inteiro desmorona e dá lugar a uma nova realidade, que altera todo o curso da sua vida."

"- A vida é feita dos momentos que vivemos. Se serão eternos ou passageiros, depende apenas da importância que damos a eles." 

A Viajante do Tempo

"Porque onde todo o amor existe, não há necessidade de palavras. É tudo. É imortal. E se basta."

Confissões de uma garota excluída, mal amada e (um pouco) dramática

"A gente costuma pôr a culpa das coisas nos outros e em geral espera que os outros mudem, que o mundo mude, mas a verdade que eu descobri é que nada muda. Mas se a gente der um passo, um passinho que seja em direção a fazer algo diferente pela gente mesma e modificar o que a gente é, plim! A mágica acontece e tudo muda ao nosso redor! Até as pessoas mudam! Na verdade, eu acho que o que muda é o nosso jeito de ver tudo."

Um verão para recomeçar

"Foi somente então, quando cada dia que eu passava com ele era contado, que eu percebi o quanto eles eram preciosos. Milhares de momentos para os quais eu não tinha dado o devido valor - principalmente por achar que teríamos milhares de outros."

" É que as pessoas se machucam... se machucam de verdade... quando tentam ficar seguras. É assim que as pessoas se machucam, quando eles dão para trás no último instante porque estão com medo. Elas se machucam e machucam outras pessoas."



E vocês, quais foram os livros que vocês fizeram mais marcações? Quais são os quotes que vocês acham mais bonitos?

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Drácula - Bram Stoker

Sinopse: Obra-prima de Bram Stoker, Drácula narra o assustador confronto entre o vampiro mais famoso da literatura, apoiado por sua legião crescente de mortos-vivos, e um grupo decidido a aniquilá-lo, liderado por Jonathan e Mina Harker e o médico holandês Van Helsing. Publicado originalmente em 1897, este livro é considerado marco fundador de um gênero, a literatura de terror. Esta edição traz o texto original sem cortes e uma breve apresentação, no padrão de qualidade dos Clássicos Zahar. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo. (Skoob)
STOKER, Bram. Drácula. Editora Zahar, 2017. 608 p.

A primeira coisa que o leitor precisa ter em mente, antes de começar a leitura de Drácula, é a época em que ele foi escrito, 1897, há 120 anos atrás. Naquela época, a lenda dos vampiros circulava apenas entre um pequeno círculo de pessoas que tinham acesso a livros e jornais. E, mesmo assim, essas pessoas não tinham televisão, Internet, celular, ou qualquer tecnologia para difundir ou visualizar essas criaturas como temos hoje. Ou seja, tudo era imaginação.

Com isso em mente, quando se inicia a leitura, pode-se sentir um pequeno exemplo do terror que a obra de Bram Stoker deve ter incutido nas pessoas, e fica fácil de compreender porque ela foi a base para tudo o que já foi escrito ou filmado sobre vampiros até os dias de hoje (com exceção para uma saga aí de criaturas brilhantes).

A narrativa é feita em primeira pessoa por vários personagens através de cartas e diários. O único de quem não ficamos sabendo o que pensa ou o que faz, através de suas próprias palavras, é o conde Drácula. Isso acaba trazendo um ponto positivo, que é tornar ainda mais misteriosa sua origem e mais amedrontador o seu plano, e um ponto negativo, que é exatamente não deixar o leitor saber mais sobre o vampiro.

Apesar da história ser contada por vários personagens, os principais seriam Jonathan, um jovem advogado inglês que vai ao castelo de Drácula, na Transilvânia, prestar apoio jurídico para uma transação imobiliária, mas que acaba preso pelo conde e quase morto pelo trio de esposas vampiras; e Mina, a noiva de Jonathan, que conta com a ajuda de um professor, Van Helsing, para descobrir onde Drácula se esconde e como matá-lo.

Os personagens de Drácula trazem aquele fascínio das pessoas que viveram dois séculos atrás, junto com todas as qualidades e defeitos pertinentes. Mina, apesar de viver em uma sociedade que acha natural o machismo, é uma mulher decidida, corajosa, inteligente. Tanto que causa espanto no próprio professor. É elogiável que o autor possuísse esse caráter igualitário entre os gêneros, quando isso nem sequer era muito discutido.

Outra qualidade da obra reside exatamente na forma como ela é narrada, uma vez que são diários e cartas de pessoas diferentes. Muitas vezes, elas não contam tudo o que está acontecendo, obrigando o leitor a ir juntando os fatos para formar uma única linha de raciocínio. Sendo mais claro: um personagem escreve sobre algo, para no capítulo seguinte, outro personagem dar continuidade ao acontecimento, mas sob o ponto de vista dele, e não daquele que começou, e assim por diante.

Em 1992, com direção de Francis Ford Coppola, estreou a melhor adaptação da obra para o cinema. Com Gary Oldman (Drácula), Winona Ryder (Mina), Keanu Reeves (Jonathan) e Anthony Hopkins (Van Helsing), o filme é bastante fiel ao livro, conseguindo, inclusive, superá-lo em termos de complexidade, uma vez que explica o surgimento do conde, que seria Vlad Tepes, um líder romeno que foi traído pela Igreja que defendia, quando esta excomungou sua amada esposa por ela ter se suicidado, e Vlad jurou vingança a Deus. Quatrocentos anos depois, com a visita de Jonathan, Vlad, agora chamado de Drácula, vê no retrato de Mina, que Jonathan carrega, a reencarnação de sua esposa. A partir daí, ele parte para Londres com a intensão de conquistar o coração de Mina. Com isso, a história, além de terror, passa a ter uma linha de vingança e romance, com um final mais dramático e emocionante do que o livro.

Se você nunca leu Drácula, ou viu o filme de Coppola, está perdendo uma das obras mais influentes e criativas de sempre. A minha edição é a de bolso da Zahar, que apesar de ser pequena, é muito linda e caprichada, de capa dura, folhas de papel de qualidade e letras muito bem impressas, além de ser bem barata. Recomendo demais!

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Divina Essência - Helena Andrade

Sinopse: Já imaginou se você tivesse a chance de encontrar a cura para uma doença?
E se esta doença atingisse pessoas que você ama?
Uma história de amor arrebatadora, entremeada pela luta de uma intrépida pesquisadora na busca pela cura de uma doença.
Melissa é uma bióloga engajada na pesquisa de plantas com propriedades terapêuticas. Após anos de estudos, ela descobre uma flor rara, capaz de trazer novas possibilidades no tratamento de uma doença hematológica. Unindo-se a uma equipe de cooperação internacional ela parte em busca do objeto de sua pesquisa. Lá ela conhece Giovanni, um jovem médico italiano por quem seu coração irá bater mais forte. Mas ele não está livre para viver esta paixão e Melissa descobrirá que a pesquisa tem mais implicações em sua vida do que poderia imaginar, fazendo surgir novos desafios capazes de impulsioná-la à ultrapassar seus próprios limites.
Envolva-se nesta jornada na busca incessante para manter a vida. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora.
ANDRADE, Helena. Divina Essência. Ler Editorial, 2017. 296 p.


Embora Helena Andrade tenha publicado outro livro pela Ler Editorial, com resenha aqui no blog, somente agora com Divina Essência tive oportunidade de conhecer por mim mesma a escrita da autora. Gostei muito da forma como a autora construiu a sua história e me senti tocada em diversos momentos, mas alguns detalhes também me incomodaram. Esse conflito entre coisas boas e não tão boas tiraram um pouco o brilho da leitura, e tornou um livro que poderia ter sido marcante em apenas um bom livro.

Divina Essência é narrado em primeira pessoa por Melissa, uma bióloga que busca em uma planta rara a cura para a talassemia, uma doença genética que influenciou muito alguém que ela amava. Durante a pesquisa, que envolve uma equipe bem diversificada, ela conhece Lorenzo e Giovanni, que se tornam muito importantes para ela e para a pesquisa. Melissa só não poderia imaginar que teria um novo motivo pessoal para continuar a busca de uma cura para essa doença, que criou implicações em outras áreas de sua vida.

Pode parecer um pouco contraditório o que vou dizer, mas acompanhar essa história foi um processo complexo para mim. Isso porque, a cada característica dada à obra pela autora, eu tinha sentimentos bastante conflitantes e, ao mesmo tempo em que achava algo muito bom, achava também algo que, de alguma forma, não se encaixava. Por exemplo: achei que o casal protagonista se apaixonou rápido demais e, por um tempo, não consegui acompanhar esse sentimento. Por outro lado, em outros momentos me senti tão envolvida que sofri junto dos personagens. E não foi algo linear, que eu compreendi com o tempo e passei a sentir depois; foi mais como uma montanha russa, ora eu estava completamente envolvida pelo romance, ora era quase indiferente, intercalando esses momentos durante a trama.

Outro aspecto que trouxe esse conflito para mim, foi eu ter imaginado que o livro seria muito mais voltado para pesquisa do que para romance. Eu gostei disso por um lado, porque as cenas que falavam da busca pela flor me deixavam um pouco entendiada; em outros momentos, eu senti falta daquele "estalo", daquela descoberta que mudaria todo o rumo da trama, o que só aconteceria se o foco da narrativa fosse o estudo.

Também achei que a autora se estendeu em alguns pontos que não eram essenciais, criou personagens dispensáveis e acabou arrastando a história além do necessário. Por alguma razão, era como se eu não estivesse na mesma frequência da autora e, enquanto ela me dava alguma coisa, eu queria outra. Acredito que esses pontos impediram meu envolvimento completo com a trama, mas pode ser culpa também do meu humor inconstante durante a leitura.

De todo modo, acredito que tenha sido de grande relevância mostrar a questão da talassemia, as implicações do doença, ainda sem cura, o cuidado constante que se faz necessário. Foram essas passagens que mais me tocaram, que mais me alcançaram como leitora e que, em várias cenas, me emocionaram. Senti também meu peito apertar por Lorenzo, mais do que por Giovanni, e fiquei emocionada com o final entre Afonso e Melissa. Só de escrever sobre isso agora me vem lágrimas nos olhos e um aperto à garganta, pois a mensagem que ficou foi de esperança e de amor.

Aliás, acho que o ponto alto do livro de Helena Andrade foi a construção das relações interpessoais. A autora soube mostrar as amizades e os vínculos familiares de uma forma complexa e por vários vieses, sem se deter em uma construção superficial. Os conflitos eram bastante reais e intensos, o que, como acontece na vida real, não minimiza o sentimento existente entre as pessoas.

Divina Essência trouxe sim um conflito para mim como leitora, com aspectos ótimos e outros que poderiam ter sido melhor desenvolvidos, mas nada tira a certeza de que se trata de uma obra linda e tocante.


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Promoção: Os 27 Crushes de Molly



Eu amei Os 27 crushes de Molly e fiquei toda derretida com a fofura dos personagens. Muita gente comentou na resenha do livro que gostaria muito de ler e, por conta disso, em parceria com a Editora Intrínseca, o Conjunto da Obra vai sortear um exemplar do livro para um leitor do blog.

Para participar é simples! Basta seguir o blog Conjunto da Obra pelo Google Friend Connect (clicar em "Participar deste site" na barra lateral direita) e preencher essa entrada no formulário. Depois, várias outras entradas serão abertas, para quem quiser ter ainda mais chances.

As inscrições serão feitas por meio da ferramenta Rafflecopter e são válidas até o dia 4 de março. O resultado será divulgado em até 7 dias, neste mesmo post.

Após o resultado, o Conjunto da Obra entrará em contato com o vencedor por e-mail, que deverá ser respondido em até 24 horas. O exemplar será remetido pela Editora Intrínseca.

Boa sorte a todos!

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