Posso te amar - Zeli Scheibel

Créditos da Imagem: blog Pétalas de Liberdade
Sinopse: Decorria o ano da graduação e Lívia achava que a vida estava completa. Com 23 anos se formaria e ganharia o mundo. Mas, em meio a turbulências emocionais, a vida e os sonhos ganharam outro rumo.
Às vezes, mutilações internas são as maiores tempestades. Precisamos nos adaptar e reaprender a viver. Tudo depende do esforço de cada um, no sentido de ampliar o olhar sobre questões que estão além da materialidade, que transcendem o EU, na busca incessante do amor à vida. Não devemos desperdiçar nosso tempo, independentemente da idade, o que precisamos é seguir superando obstáculos.
Em muitos momentos, somos chamados a vencer as vicissitudes da vida. A vontade de continuar deve ter alicerce num contínuo caminhar em busca do aprimoramento moral, espiritual e intelectual. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
SCHEIBEL, Zeli. Posso te amar. Ler Editorial, 2018. 304 p.


Posso te amar me chamou atenção pela capa, pelo que prometia e pelo tema, já que envolve questões espirituais, então não hesitei quando tive oportunidade de ler. Fico muito triste em dizer que a leitura se tornou daquele tipo que poderia ter sido muito boa, mas não foi. Logo quando eu achei que a autora não optaria por seguir o caminho do senso comum, foi esse o rumo que ela tomou e, entre outras coisas, isso acabou me desanimando com a trama. 

No começo do livro Lívia espera se formar na faculdade e realizar seu sonho de trabalhar com idosos, para mostrar a eles que a vida pode ser boa em qualquer idade. Seu sonho de liberdade se aproxima, mas a jovem nem imagina o quanto as coisas mudarão em sua vida quando ela encontra um idoso em coma, com quem ela sente uma forte ligação. 

É interessante ver que, a princípio, o foco do livro não é o romance, embora ele esteja presente desde as primeiras páginas. Na verdade, o objetivo da trama é abordar os mistérios que envolvem Otávio, a afinidade que Lívia sente em relação a ele e os fatos espirituais que rondam o enredo. Nesse ponto, gostei bastante da forma como a autora conseguiu demonstrar que as coisas acontecem sempre por alguma razão e que tudo se encaixa quando tem que acontecer, é só ter paciência e saber esperar. 

Por outro lado, em outros pontos a história me deixou um pouco chateada. Não que se tratem de aspectos negativos, mas foram detalhes que acabaram por me afastar da protagonista e impedir meu envolvimento com a obra. 

O primeiro deles, por exemplo, é sobre o trabalho que Lívia pretendia fazer no Hospital. Eu achei aquela ideia incrível e adoraria ver isso melhor explorado durante o enredo, mas a autora se limitou a mostrar Lívia com Otávio. Vou tentar explicar melhor o motivo da minha frustração: o trabalho com idosos não aconteceu, não foram citadas outras pessoas nessa condição, apenas Otávio, que estava em coma. Acho que esse ponto poderia ter sido melhor abordado, ainda que fosse uma abordagem superficial. 

A própria protagonista me causou antipatia e não me convenceu. Ela se mostrou chata, birrenta e indecisa. Um exemplo disso era a forma como ela tratava sua mãe – em especial quando disse que queria saber quais mistérios a mãe escondia, mas quando a mãe tentou contar, saiu bradando que não queria ouvir e descobriria sozinha. Também me estranhou o fato de que ela aceitou muito bem sua origem e quis deixar tudo para trás, inclusive mudar seu sobrenome sem nem refletir a respeito – o que me pareceu, na verdade, uma forma de aproveitar tudo o que o nome poderia lhe dar, mas não um desejo genuíno. 

Por fim, o romance também não foi o que eu esperava. Achei que a protagonista se apaixonou rápido demais e, como leitora, não consegui me vincular a esse sentimento. Ela viu Caio e, só com isso, já sabia que ele era o homem da sua vida. O que mais me chateou, porém, foi o final, como se Lívia só pudesse ser feliz com Caio ao seu lado, mesmo que tivesse uma família incrível e cheia de amor, com seus sonhos tornados reais e sua realização profissional. 

De qualquer forma, a trama tem mensagens bonitas e um enredo cheio de mistérios, que faz o leitor querer acompanhar a história. No meu caso, se tornou uma leitura agradável e que funcionou como uma boa companhia, mas que infelizmente não trouxe algo de memorável.

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Desejo e Escândalo - Lorraine Heath

Sinopse: Mick Trewlove é o filho bastardo do duque de Hedley, mas ninguém sabe disso. Mesmo depois de se tornar um empresário de sucesso, ele ainda busca vingança contra o homem que o abandonou. E qual a melhor forma de fazer isso do que seduzir a noiva do filho legítimo do duque? Lady Aslyn está noiva do conde Kipwick, filho único do duque de Hedley, mas se vê, inesperadamente, apaixonada pelo misterioso bilionário Mick Trewlove. Durante os passeios pelos parques de Londres, ela começa a desconfiar de que algo se esconde por trás do sorriso sedutor, mas não tem certeza. Quando os segredos são revelados, uma reviravolta inesperada surpreende Mick, que terá que escolher entre manter seu plano de vingança ou ser feliz. (Skoob)
HEATH, Lorraine. Desejo e Escândalo. #1. Editora: Harlequin Brasil, 2018. 304 p.



Desejo e Escândalo não foi o meu primeiro contato com a escrita da autora Lorraine Heath, eu já tive o prazer de ler dois outros livros de sua autoria que são: Codinome Lady V e O segredo do Conde que fazem parte da série Os Sedutores de Havisham

Mick Trewlove é filho bastardo do Duque de Hedley, ele foi abandonado quando ainda era um bebê, mas apesar disso, ele não se deixou abater e trabalhou duro para deixar a vida miserável para trás e ajudar sua mãe adotiva e os seus irmãos. Agora que é um empresário de sucesso ele vai em busca da sua tão sonhada vingança. 

Enquanto Mick cresceu à margem da sociedade como um ninguém, Kipwick, o filho legitimo do conde cresceu com todas as regalias e luxos que a vida em sociedade permitia, e agora Mick irá tirar tudo dele, inclusive a noiva. 

Lady Aslyn foi criada sob a tutela do Duque de Hedlkey, ela perdeu seus pais muito jovem e desde então vive dentro de uma gaiola dourada. Ela está prometida em casamento a Kip, apesar de não sentir nenhuma atração por ele e ter sentimentos mais fraternais a seu respeito, contudo, ela está conformada com o seu destino, até que Mick surge em sua vida para lhe mostrar que ela pode ansiar por muito mais. 

Mas, apesar da imediata atração, Mick não pode se deixar levar pelos seus sentimentos, afinal, ele que ser reconhecido como filho do Duque e não mais como um filho bastardo de um nobre qualquer. 

Desejo e Escândalo é uma leitura intrigante, que mescla romance e drama de uma forma surpreendentemente sutil. Um ponto que foi trabalhado e que eu gostaria de citar é que naquela época existiam viúvas que recebiam os filhos bastardos dos nobres e depois os matavam e esse tema foi trabalho nessa obra de uma maneira muito cuidadosa, mas isso não diminuiu o horror que é imaginar uma cena dessas. 

Mick foi um personagem que amadureceu muito no decorrer do livro, ele usou toda a sua força de vontade para crescer na vida e isso foi moldando seu caráter, ele não é egoísta e pensa mais nos outros do que em si mesmo e apesar do seu desejo de vingança, ficou perceptível que tudo isso era gerado por um orgulho ferido. 

Aslyn foi uma personagem que demostrou ser bem mais do que apenas uma Lady criada para responder as expectativas de uma sociedade, ela é inteligente, geniosa e não fecha os outros para as injustiças naqueles que cresceram sendo menos favorecidos, e isso foi algo que eu adorei em sua personalidade e caráter. 

O romance foi dosado da maneira certa. E apesar dos motivos obscuros de Mick, foi possível observar que os sentimentos que existiam entre eles eram verdadeiros. O plot twist foi algo que me surpreendeu bastante e foi muito além das minhas expectativas. 

A edição está linda e eu adorei essa capa, a narrativa é feita em terceira pessoa, alternando entre os personagens. A trama em si é muito intrigante, a autora conseguiu dar lugar a diversos outros personagens, sem perder o foco no casal principal. Já tem dois outros livros lançados, que contará a história de Gillie e Finn, contudo, a personagem que eu mais estou ansiosa para conhecer mais profundamente é Fancy, irmã adotiva de Mick. No contexto geral, essa foi uma leitura rápida e intrigante, que me deixou com um gostinho de quero mais.

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O Museu das Coisas Intangíveis - Wendy Wunder

Sinopse: Noah, o irmãozinho de oito anos de Zoe, tem uma síndrome rara. Ele aprendeu a ler quando tinha dois anos.
Entende a teoria da relatividade de Einstein e já leu todos os livros do Stephen Hawking. É obcecado pelo cosmo e fala constantemente sobre isso, sem nem mesmo perceber se você está escutando ou não.
Apesar disso tudo, não consegue processar qualquer coisa irracional ou intangível. Emoções são um mistério para ele. Sonhar ou imaginar é algo totalmente estranho.
Zoe, para ajudá-lo, criou para ele, o Museu das Coisas Intangíveis, com instalações conceituais artísticas complexas, improvisadas no porão de sua casa.
Medo, inveja, coragem, despreocupação, verdade, perdão, vergonha: e tantos sentimentos que ela tenta ilustrar e definir para ele todos os dias.
Zoe acredita que Hannah, sua melhor amiga, não tem controle sobre as coisas intangíveis da vida.
Um dia, Zoe convence Hannah pegar a estrada juntas, e assim como fez com seu irmão, ela começa a expor sua amiga a situações que procuram mostrar o significado e o valor de todas essas coisas, fazendo com que ambas percebam o que realmente querem da vida. (Skoob)

Livro recebido como cortesia da editora 
WUNDER, Wendy. O Museu das Coisas Intangíveis. Novo Conceito, 2018.


Hannah tem um pai alcoólatra que acabou de roubar o dinheiro que ela ganhou vendendo cachorro quente, ideia que ele mesmo teve pois não quer pagar pela sua faculdade. Sua melhor amiga, Zoe, tem transtorno bipolar e durante um de seus episódios resolve fazer uma viagem de carro com Hannah e ensinar para ela coisas intangíveis do mesmo jeito que faz com seu irmão, que tem síndrome de Asperger.

Hannah e Zoe moram numa cidade pequena de Nova Jérsei na qual a educação pública é um fiasco. As feiras de ciência tem dez participantes e apenas os pais de um deles se importa. Como falta professores, quando os alunos terminam as partes mais básicas não precisam mais ir à escola à tarde, porque não tem quem ensine os avançados. Eles não tem mais quadra de ginástica, aula de artes ou extracurriculares. Por tudo isso, Hannah e Zoe entram no sótão da escola particular da cidade para ter um aprendizado decente.

Também por isso, apesar de superinteligente, Hannah sequer fez as provas de entrada na universidade e a única faculdade que ela pensa em fazer é a comunitária da cidade porque não acha que com essa educação ela conseguiria qualquer outra coisa, muito menos o dinheiro. Eu gostei bastante dessa parte do livro que é mais no começo, mas ela volta a mencionar faculdade porque claro que é importante, já que elas estão no último ano, acho. Faculdades gratuitas são um luxo que muitos brasileiros não percebem. E mesmo as que têm mensalidades são muito mais baratas. E ver que o ensino público pode ser ruim também nos Estados Unidos é bom para as pessoas que idolatram demais o país.

Também é triste a vida familiar da Hannah que além do pai alcoólatra que a explora e envergonha, tem uma mãe depressiva que mal sai de casa e por isso Hannah teve que começar a sair para pagar as contas. Ela também sempre cozinha. Zoe foi abandonada pelo pai, que antes disso era abusivo com a mãe, e parece que isso teve influência nela. Ela é muito interessada em garotos e não nos bons.

"Um casal de patos voa baixo e furiosamente sobra a superfície do lago. 
- Eles se unem para a vida toda, sabia? - Danny diz.
- Porque a vida deles é curta - retruco, sarcástica.
- Você é do tipo garota-do-copo-meio-vazio, né?
- Não, na verdade não. Eu simplesmente gosto de surpresas, então mantenho minhas expectativas baixas.
Ele parece refletir por um momento e então diz:
- A diferença é sutil."

A parte da viagem é legal porque passa por vários estados do EUA que nós nunca vimos retratados como Dakota do Sul e Wyoming. Como é mais difícil ter acesso a material de outros países para ver viagens pelo interior deles, é legal para mim fazer isso com os Estados Unidos pelo menos. A capa é muito legal e nos óculos delas têm elementos relacionados à viagem. Só é complicado às vezes se divertir com elas se divertindo na viagem quando a gente se lembra de como a Zoe está. Não que precise lembrar, porque geralmente dá pra perceber.

Sobre o que me incomodou um pouco foi como a Zoe tenta convencer a Hannah de fazer várias coisas porque toda a parte dos "ensinamentos" dela é para ela deixar de ser tão certinha. Eu não tenho problema com personagens fazendo coisas erradas, mas quando é desse jeito pode ser que a Hannah só esteja fazendo por ser pressionada, o que não é legal. Além disso, elas fizeram coisas que dão cadeia. Ela também me irrita com algumas verdades que ela pensa que tem, mas eu gosto dela. Também é complicado dizer que é a Zoe e quem é o desbalanço químico no cérebro. Tem diversas coisas complicadas com relação a ela. Em consequência, a amizade delas também.

Sobre a bipolaridade da Zoe, eu vi uma resenha dizer que ficou decepcionada com como trataram e com a Hannah não ajudando. Mas não acho que tem como cobrar muito da amiga da mesma idade quando nem a mãe ENFERMEIRA faz a menina tomar remédios. Ela passou uma semana inteira no quarto, dormindo quase o tempo todo e a mãe dela só resolveu interná-la como já havia feito aos 14 anos e não funcionou nada porque ela escondia os remédios em vez de tomar. Quando a Hannah contou isso, esse é um momento que ela podia ter dito pra Zoe não fazer isso ou contado pra alguém, mas também ela só tinha 14 anos e tava em choque e provavelmente não sabia muita coisa.

Mas apesar de ela ir nessa viagem e embarcar nas loucuras que a Zoe quer fazer durante ela, dá pra ver que no geral a Hannah costuma ajudar ela contra essas impulsividades. E ela também chegou a criar um código quando crianças pra Zoe comunicar (pra si mesma e pra Hannah) que estava no estado depressivo ou maníaco. E ela durante a viagem tenta várias vezes dizer para Zoe voltar para casa ou que ela está nesse estado. Se ela não tivesse ido, não teria adiantado muito, a menos que ela desse um jeito de prender a Zoe até comunicar a mãe dela, e vai saber as consequências disso também.

Noah, irmão da Zoe, aparece pouco porque não vai para a viagem, mas ele é muito fofo. O jeito que a Zoe ensina ele dos sentimentos, que pessoas com a síndrome não entendem bem pois são subjetivos, é supercriativo e lindo. Mostra o quão ela na verdade é uma boa pessoa. É um museu de verdade porque ela criava como uma instalação sobre aquele sentimento. Faz um coração com uma faca, usa sofás, marionetes, depoimentos de pessoas. Cada capítulo tem como título uma "coisa intangível" que a Zoe ensinou para o Noah ou para a Hannah. No caso da Hannah, são todos durante a viagem antes do Estado em que ela vai começar. Os do Noah também acredito que tiveram a ver com o que aconteceu no capítulo, apesar de eles não mostrarem o Noah, pois o ensinamento dele foi todo falado em um mesmo capítulo. Mas era aquele sentimento aplicado às meninas.

Esse livro foi meio que uma surpresa. Eu só aceitei ler porque vinha de cortesia e baseado na sinopse e uma resenha negativa. Eu gostei dele, mas não sei dizer se recomendo. Se você não é fã de personagens fazendo muita coisa errada, não leia. Eu parei em algumas partes por uns segundos por ser tão certinha quanto a Hannah e não ter coragem de ver o que ia acontecer rs. E é um livro triste. Tenho várias emoções, até ao mesmo tempo, provavelmente porque é como é conviver com alguém bipolar que não se trata. Mesmo quando vocês estão no melhor dos momentos, você acaba descobrindo que a pessoa está num episódio. Porque qualquer alto ou baixo é perigoso.

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O reino de Zália - Luly Trigo

O primeiro livro de fantasia de Luly Trigo, uma princesa se vê obrigada a assumir o governo do país em meio a revoltas populares, intrigas políticas, conflitos familiares e romances arrebatadores. Por ser a segunda filha, a princesa Zália sempre esteve afastada dos conflitos da monarquia de Galdino, um arquipélago tropical. Desde pequena ela estuda em um colégio interno, onde conheceu seus três melhores amigos, e sonha em seguir sua paixão pela fotografia. Tudo muda quando Victor, o príncipe herdeiro, sofre um atentado. Zália retorna ao palácio e, antes que possa superar a perda do irmão, precisa assumir o posto de regente e dar continuidade ao governo do pai. Porém, quanto mais se aproxima do povo, mais ela começa a questionar as decisões do rei e a dar ouvidos à Resistência, um grupo que lidera revoltas por todo o país. Para complicar a situação, Zália está com o coração dividido: ela ainda nutre sentimentos por um amor do passado, mas começa a se abrir para um novo romance. Agora, comprometida com um cargo que nunca desejou, Zália terá de descobrir em quem pode confiar - e que tipo de rainha quer se tornar. (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora.
TRIGO, Luly. O reino de Zália. Seguinte, 2018. 436 p.


Zália é a princesa do reino de Galdino, a segunda na linha de sucessão do trono, mas, quando seu irmão Victor morre num atentado causado pela Resistência, ela passa a ser a primeira e precisa atuar como regente, pois seu pai encontra-se debilitado. Com 17 anos, Zália tem que lidar com um reino corrupto, seu pai que não quer desistir do poder e deseja tê-la no trono apenas como fachada, e problemas do coração, encontrando-se dividida entre dois garotos.

O livro tem essencialmente esses três pontos principais para lidar, além de algumas coisinhas aqui e ali, não é nem tanto, mas a autora não soube desenvolvê-las bem. Eu gostei do livro, ele não é ruim, não sentir vontade de fechá-lo e parar de ler em nenhum momento, contudo é mais uma leitura para passar o tempo do que algo que te prende realmente. Eu queria um pouco mais de profundidade, porque toda a trama foi muito superficial e genérica.

Para começar, não há desenvolvimento nos personagens, não houve nada sobre eles que me encantou e fez torcer por eles. Eles são planos e previsíveis e não saíram do clichê. Eu também diria que 90% dos mistérios da trama estava na cara. E o romance? Cadê o romance pelo amor de Deus? Eu odeio triângulos amorosos de coração, mas fui preparada para ele, para me irritar com essa história de te quero, mas não te quero, até imaginei algo tipo A Seleção pela sinopse, mas não há nada do tipo. Não há triângulo amoroso, porque não há nem sequer a interação da protagonista com mais de um dos pretendentes, então não há como conhecê-lo ou me importar com ele.

A autora é brasileira e foi perceptível o uso dela dos conflitos que se passa no Brasil, como a corrupção sem limite e a questão da aposentadoria. Houve diversas críticas ao governo, mas em nenhum momento a autora dá uma solução e assim é fácil, dizer que algo não está certo e que não pode ser assim é a coisa mais fácil que existe, e eu não quero uma solução real para o mundo real, eu não espero que ela resolva os problemas do Brasil, mas eu quero uma solução possível dentro dos limites ficcionais da história que ela criou e eu não tive isso.

Enfim, acredito que tinha uma boa base para ser uma história maravilhosa, entretanto não foi tão bem executado como eu esperava, poderia ter algumas melhorias, um melhor desenvolvimento. Mas foi um bom livro para passar o tempo, fazendo-me refleti sobre alguns pontos políticos e familiares além do abordado pela autora.

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Juntos Somos Eternos - Jeff Zentner

Sinopse: Dill não é um garoto popular na escola — e não é culpa dele. Depois de seu pai se envolver em um escândalo, o garoto se tornou alvo de piadas dos colegas e passou a ser evitado pela maioria das pessoas na cidadezinha onde mora. Felizmente, ele pode contar com seus melhores amigos, Travis e Lydia, que se sentem tão excluídos ali quanto ele. Assim que os três começam o último ano do ensino médio, mudar de vida parece um sonho cada vez mais distante para Dill. Enquanto Travis está feliz em continuar no interior e Lydia pretende fazer faculdade em uma cidade grande, Dill carrega o peso das dívidas que seu pai deixou para trás. Só que o futuro nem sempre segue nossos planos — e a vida de Dill, Travis e Lydia está prestes a mudar para sempre.
ZENTNER, Jeff. Juntos Somos Eternos. São Paulo: Editora Seguinte, 2018. 344 p. 


Eu não sabia exatamente o que esperar de Juntos Somos Eternos, porque na verdade o que chamou minha atenção foi o título poético do livro. No fim das contas, encontrei uma obra que tinha tudo para ser o maior clichê do mundo, mas que acabou se tornando um dos poucos favoritos do ano. Jeff Zentner acertou ao contar a história de três melhores amigos que usam a união e o amor que sentem uns pelos outros para driblar os problemas da vida. 

O livro, a princípio, tem uma trama bastante simples, com narrativa em terceira pessoa sob o ponto de vista dos três personagens principais: Dill, rejeitado por (quase) todos os colegas da escola por causa do crime que colocou seu pai — e pastor de uma das congregações da cidade — na cadeia; Travis, o adolescente "diferentão" fã de literatura que tem muitos, muitos problemas com o pai abusivo; Lydia, uma blogueira famosa de moda que sonha em fazer faculdade na cidade grande. O que tornou essa história tão grandiosa foi a forma como a trama foi desenvolvida. 

Eu me conectei muito com Travis e Dill, as criaturas mais bondosas, pacientes e amáveis do Universo, mas tive muitos problemas com Lydia, que para mim não passa de uma garota grossa e mimada. A forma como ela trata os amigos só reforça aquele estereótipo de "pessoa rica que se acha melhor que todo mundo", e isso me incomodou muito. Claro que depois de certos acontecimentos ela acabar percebendo a pessoa escrota que estava sendo, mas eu já tinha pegado um rancinho e não consegui sentir muita empatia por ela. Os pilares desse livro são, com certeza, Dill e Travis, dois arrasos de personagens.

— Li em algum lugar que muitas das estrelas que vemos não existem mais. Já morreram e demora milhões de anos para a luz delas chegar à Terra — Dill disse.
— Esse não seria um jeito ruim de morrer — Lydia respondeu. — Emitir luz por milhões de anos depois da morte. (p. 107)

O engraçado é que o começo de Juntos Somos Eternos é muito comum e até meio parado. A vida dos três adolescentes é exatamente igual à nossa quando tínhamos uns 16, 17 anos, mas a escrita de Zentner é tão boa que é impossível largar. Quando os dramas familiares aparecem, o livro toma outra cara. Um dos focos da narrativa é o fanatismo religioso, que foi muito bem representado através de Dill, um garoto maravilhoso, mas totalmente oprimido pela mãe, que sempre o acusava de agir contra as vontades de Deus. O mais triste foi ver o que atitudes como essas podem causar no emocional da pessoa.

Eu já estava gostando muito do livro, mas o plot twist me marcou demais. A partir desse ponto, foi impossível controlar minhas emoções. Só de lembrar fico com vontade de chorar — até porque desse ponto pra frente só chorei mesmo —, porque realmente mexeu muito comigo e me mostrou que vale a pena continuar vivendo mesmo quando tudo parece conspirar contra, e que isso é muito mais fácil quando temos pessoas que nos amam perto de nós. 

Eu realmente não consigo descrever o quanto gostei, mas espero que tenha passado pelo menos um pouquinho do que eu senti para vocês. Juntos Somos Eternos foi muito mais do que eu esperava. É uma leitura dolorosa, cheia de verdades difíceis de engolir, mas ao mesmo tempo é lindo, transmite uma mensagem maravilhosa sobre amizade, amor, esperança e fé, em um Ser Maior, no Universo e em nós mesmos. Com certeza vai ficar do meu coração por muito tempo.

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Je suis là - Clélie Avit

Sinopse: Elsa n’a plus froid, plus faim, plus peur depuis qu’un accident de montagne l’a plongée dans le coma. Thibault a perdu toute confiance le jour où son frère a renversé deux jeunes filles en voiture. Un jour, Thibault pénètre par erreur dans la chambre d’Elsa et s’installe pour une sieste. Elle ne risque pas de le dénoncer, dans son état. Mais le silence est pesant, même face à quelqu’un dans le coma. Alors, le voilà qui se met à parler, sans attendre de réponse. Ce qu’il ignore, c’est que pour Elsa, tout est fini, jamais elle ne se réveillera. Mais tandis que médecins, amis et famille baissent les bras, Thibault, lui, construit une relation avec Elsa. Est-il à ce point désespéré lui-même ? Ou a-t-il décelé chez elle ce que plus personne ne voit ?
Prix Nouveau Talent 2015 de la Fondation Bouygues Telecom (Skoob)
AVIT, Clélie. Je suis là. Le Livre de Poche, 2016. 240p.


Quando li esse livro pela primeira vez, quase virei a noite lendo. Comecei a ler antes de dormir e não consegui parar até chegar ao final. Dessa vez demorei um pouco mais, mas só porque li a versão original em francês (que é uma língua que ainda estou aprendendo).

Elsa é uma alpinista que está em coma há cinco meses após um acidente em uma de suas escaladas. Sua família já não tem mais a esperança de que ela vá sair dessa situação e já estão inclusive discutindo a possibilidade de tirá-la do suporte de vida. Ela pode escutar tudo a sua volta e pela forma desanimada como ela relata as visitas da família, temos a impressão de que ela mesma está desistindo da vida. Até que Thibault, um estranho que entra em seu quarto por engano, começa a visitá-la.

Thibault só ia até o hospital levar sua mãe, ele se recusa a entrar no quarto de seu irmão que, depois de muito beber, causou um acidente que acabou matando duas adolescentes que tinham um futuro inteiro pela frente. Em uma das visitas, enquanto sua mãe estava com seu irmão, ele entrou em um quarto por engano, mas quando foi se desculpar percebeu que a paciente não podia respondê-lo pois estava em coma. Ele resolveu cochilar ali um pouco e desde então, quando leva sua mãe ao hospital, vai ao quarto de Elsa conversar com ela e as vezes dormir um pouco.

A narrativa é em primeira pessoa, alternada entre Elsa e Thibault. Eu amo livros assim, pois temos um pouco a visão do todo e ao mesmo tempo sabemos exatamente o que os personagens estão pensando. Além disso, a escrita da autora é extremamente fluida e nos prende do começo ao fim. Da primeira vez que li o livro, não imaginei que fosse gostar tanto.

Os personagens são muito bem desenvolvidos, adorei a relação entre os personagens principais. Um dos motivos que mais me prendeu à história foi a curiosidade em ver como Thibault afetava Elsa e a fazia querer sair do coma só para vê-lo. Ver também como ela afetava ele mesmo sem fazer nada (literalmente). Para mim essa evolução foi natural, não senti nada forçado, o que colaborou bastante no desenvolvimento da leitura.

Outra coisa que gostei, que pode desagradar alguns, é que a história é constante, não tem aquele pico que te faz ler 50 páginas em um minuto, mas também não tem aquela parte insuportável onde lemos praticamente uma página por dia. O desenrolar de tudo é bem sutil e o final, apesar de esperado, ainda consegue nos cativar um pouco.

Sei que ler a versão em francês pode trazer um desafio extra, mas sinceramente eu gostei ainda mais da versão original. Para quem sabe a língua, vale muito a pena o esforço. Infelizmente, mesmo sem querer, algumas coisas se perdem na tradução e, quando entendemos um pouco melhor o jeitinho francês, a história faz ainda mais sentido.

Je suis là (em português, Eu Estou Aqui) foi um livro que li por um acaso e que acabou me conquistando, é um dos poucos livros que li mais de uma vez e leria novamente. Ainda não tive a oportunidade de ler outras obras da autora, mas definitivamente o faria.

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Leah fora de sintonia - Becky Albertalli

Créditos da Imagem: Blog Entre Linhas
Sinopse: Leah odeia demonstrações públicas de afeto. Odeia clichês adolescentes. Odeia quem odeia Harry Potter. Odeia o novo namorado da mãe. Odeia pessoas fofas e felizes. Ela odeia muitas coisas e não tem o menor problema em expor suas opiniões. Mas, ultimamente, ela tem se sentido estranha, como se algo em sua vida estivesse fora de sintonia. No último ano do colégio, em poucas semanas vai ter que se despedir dos amigos, da mãe, da banda em que toca bateria, de tudo que conhece. E, para completar, seus amigos não fazem ideia de que ela pode estar apaixonada por alguém que até então odiava, uma garota que não sai de sua cabeça.
Nesta sequência do sucesso Com Amor, Simon, vamos mergulhar na vida e nas dúvidas da melhor amiga de Simon Spier. Em um livro só dela, mas com participações mais do que especiais dos personagens do primeiro livro, vamos acompanhar Leah em sua luta para se encontrar e saber com quem dividir suas verdades e seus sentimentos mais profundos.
Em Leah fora de sintonia, Becky Albertalli mostra por que é uma das vozes mais importantes e necessárias de sua geração. Sem nunca soar didática, a escritora lança mão dos mesmos ingredientes que tornaram Com Amor, Simon um sucesso mundial: a leveza, o senso de humor, a representatividade e a certeza de que vale a pena contar histórias sobre jovens que podem até estar perdidos, mas estão determinados a encontrar seu caminho. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
ALBERTALLI, Becky. Leah fora de sintonia. Editora Intrínseca, 2018. 320 p.


Muito embora eu não tenha lido o livro mais famoso de Becky Albertalli - Simon vs a agenda homo sapiens - pude conferir a forma como a autora constrói seu texto em Os 27 crushes de Molly e adorei a naturalidade com que ela trata questões que a sociedade insiste em complicar, como os padrões de beleza e a sexualidade, tudo isso sem deixar de lado o turbilhão que é a adolescência. A autora tem aquele tipo de escrita que serve para todos os leitores, pois é difícil não se identificar com pelo menos um dos pontos trazidos na história.

Leah fora de sintonia traz a perspectiva de Leah, melhor amiga de Simon, uma garota que se sabe bissexual e que está "acima do peso". O interessante é que ela se reconhece assim e pronto, isso não é uma questão - mesmo que ela nunca tenha contado para os seus amigos que é bi. Nesse ponto, a história não se restringe a discutir esses detalhes, Leah é uma pessoa e, sendo assim, tem aspectos que vão muito além de seu corpo e sua sexualidade.

Um dos pontos principais foi o conflito que a protagonista passava ao saber que o fim do ensino médio estava se aproximando. Ela relutava em reconhecer o quanto isso a afetava e tentava não demonstrar seus sentimentos, mas todo mundo sabe que é impossível esconder seus receios, pois eles se mostram das mais diferentes formas - seja pela tristeza, seja pela raiva. Afinal, as mudanças são assustadoras. E ainda tinha um agravante, é claro: Leah estava apaixonada.

O romance do livro é uma coisa fofa de doer. Sério. É bonito ver como a autora trata esse sentimento, ao mostrar aquela fase das borboletas no estômago, aquele frio na barriga e a sensação do primeiro beijo. Adorei como Becky conseguiu transformar em palavras a inconstância do primeiro amor, a aflição que ele causa, mas, principalmente, as coisas boas que vêm com ele.

Como personagem, acho que Leah podia ser um pouco menos chata. Além de ser mal-humorada e mal agradecida, principalmente com sua mãe, ela fazia dramas gigantes com coisas que poderiam ser esclarecidas com um pouco de conversa. Mesmo assim, a autora consegue expor as razões da personagem para cada atitude e, ainda que eu não concorde com algumas delas, é possível compreendê-la.

Senti falta do aprofundamento de alguns personagens, pois tive a impressão de que não os conhecia de verdade, como Abby, Nick e Simon. Talvez pelo fato de que eles já foram apresentados no primeiro livro, que eu não li, mas eu não consegui construir uma personalidade completa para eles.

De qualquer forma, Leah fora de sintonia é um retrato da adolescência e dos conflitos por que todos passam, um livro leve e cheio de representatividade.

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Bela Maldade - Rebecca James

Sinopse: Após uma horrível tragédia que deixou sua família, antes perfeita, devastada, Katherine Patterson se muda para uma nova cidade e inicia uma nova vida em um tranquilo anonimato.

Mas seu plano de viver solitária e discretamente se torna difícil quando ela conhece a linda e sociável Alice Parrie. Incapaz de resistir à atenção que Alice lhe dedica, Katherine fica encantada com aquele entusiasmo contagiante, e logo as duas começam uma intensa amizade.
No entanto, conviver com Alice é complicado. Quando Katherine passa a conhecê-la melhor, percebe que, embora possa ser encantadora, a amiga também tem um lado sombrio. E, por vezes, cruel.
Ao se perguntar se Alice é realmente o tipo de pessoa que deseja ter por perto, Katherine descobre mais uma coisa sobre a amiga: Alice não gosta de ser rejeitada... (Skoob)
JAMES, Rebecca. Bela Maldade. Intrínseca, 2011. 304p.


Eu tinha esse livro há um tempo como "quero ler" no Skoob, então quando eu estava num sebo procurando livros para pegar em troca dos que eu levei e achei esse depois de um longo tempo por um preço bom, fiz o que achei certo e peguei sem nem reler sobre o que ele era. Só li os trechos de críticas da contracapa antes de começar a ler. Portanto o livro pra mim foi ainda mais legal porque foi muito mais surpreendente.

Katherine é uma menina quieta, não porque é introvertida, mas porque ela tem medo de se abrir e destruir sua vida de novo ou que descubram o que ela esconde. Até que a popular Alice se aproxima dela e as duas se tornam grandes amigas, e Robbie também se torna seu amigo.

A narração é intercalada entre a Katherine adulta, 5 anos depois, Katherine conhecendo a Alice e o passado que a traumatizou. Assim, tem mistérios em três épocas diferentes. O livro já começa com a Katherine adulta falando do quanto odeia a Alice e assim a gente fica apreensiva esperando o que que ela vai fazer. O segredo foi revelado até bem cedo. Eu não tenho certeza se foi a melhor ideia, mas de qualquer forma ainda sobrou mil dúvidas de como aquilo teria acontecido e, quando chega nas partes em que acontece, é tão terrível quanto a gente podia imaginar ou mais. E é interessante as mil ideias que passam pela nossa cabeça a cada nova informação dada em qualquer um dos períodos. Se você vê a Katherine com medo de algo ou falando mal de algo, você pode imaginar que ela ficou traumatizada com isso ou que por causa disso que aconteceu esse segredo que destruiu ela.

Também tem uns dois capítulos que são narrados em segunda pessoa, "você". Eu não sei se é necessariamente falando com o leitor ou só o "Você" no sentido de "As pessoas" como a gente usa às vezes e tem até uma cena no livro sobre isso.

Eu adorei esse livro. Eu fiquei realmente muito perturbada e triste em algumas partes. A Katherine não merece tudo que aconteceu com ela. Praticamente nenhum personagem merece o que aconteceu com eles. Mesmo a Alice, porque ela nem se deu tão mal quanto poderia. 

Eu me surpreendi com algumas das revelações durante a leitura. O livro é meio que uma boneca russa, que você vai tirando e vai aparecendo uma menorzinha nele, cada desenvolvimento tem mais desenvolvimentos, praticamente nada é colocado aqui por acaso. E isso é muito legal.

O livro fala muito de culpa e como conviver com ela, e porque senti-la mesmo que não seja realmente nossa culpa. E ele tem um tema de se como uma pessoa é criada é desculpa para as ações dela. Ele também pode te deixar com medo de se relacionar com pessoas sem conhecê-las completamente e com medo de praticamente qualquer coisa, mas ele mesmo diz que você precisa viver a vida com coragem porque só assim para se ter alguma chance de ser feliz. Claro, coragem nas doses certas.

É uma leitura pesada, mas eu recomendo para quem não passou por tanta coisa ruim ou para quem passou e precisa se relacionar um pouco e conseguir algum alívio. Além de conseguir alívio nas horas que os personagens desabafam ou estão bem, provavelmente também terá naquele sentido de "pelo menos eu estou melhor que eles".

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Conjunto de Séries #29: One Day at a Time


Nos últimos seis meses minha vida passou por várias mudanças (esperadas e inesperadas), e com todas essas mudanças eu acabei travando um pouco nas leituras e entrei com tudo no mundo das séries. Coloquei em dia algumas séries que já assistia e comecei a assistir outras indicadas por amigos. One Day at a Time foi uma série indicada por uma amiga que acabou me surpreendendo muito e faz parte agora das minhas séries favoritas.

Já em sua terceira temporada, One Day at a Time retrata a vida de uma família cubano-americana que mora em Los Angeles. Penélope Alvarez (Justina Machado), uma veterana do Corpo de Enfermagem do Exército dos Estados Unidos, que ainda sofre com problemas de seu tempo no Exército, se divorciou de seu marido, pois ele – também um veterano – não lidou bem com a volta à vida civil e se tornou um alcoólatra. Agora, com a ajuda de sua mãe, Lydia (Rita Moreno), ela está criando seus dois filhos, Elena (Isabella Gómez) e Alex (Marcel Ruiz).

Lydia é uma refugiada que deixou Cuba ainda adolescente, após a ascensão de Fidel Castro ao poder. Ela adora contar suas histórias, principalmente como amava seu falecido marido, Berto (Tony Plana). Elena está prestes a fazer quinze anos e sua mãe e avó querem que ela tenha uma quinceañera, para honrar sua herança cubana, mas a garota ainda está resistente à ideia. Além disso, ela está descobrindo mais sobre si mesma e agora tem que encontrar a melhor forma de contar para sua família que é lésbica. Alex é um pouco mais novo que Elena e tem uma relação muito forte com sua avó. Para fechar o elenco principal com chave de ouro, temos Schneider (Todd Grindell), o dono do prédio onde a família mora, que é também um ex-alcoólatra com uma família disfuncional. Ele acaba se tornando o melhor amigo de Penélope e está sempre na casa dos Alvarez.


O que mais me chamou atenção na série foi a forma como ela trata de tantos assuntos polêmicos, como depressão, ansiedade, sexualidade, xenofobia, religião e alcoolismo de maneira realista e séria, mas sem pesar muito o clima. Os personagens foram muito bem desenvolvidos e os atores são simplesmente fantásticos! Ver como eles reagem às situações, e como vão se descobrindo no meio do caminho, tudo isso nos faz refletir.

Muitas vezes temos medo de discutir certos assuntos com medo de sermos rotulados ou de soarmos ignorantes, mas ao assistir a série vemos não só a importância e a necessidade de se falar sobre isso, mas percebemos as diferentes opiniões e como nada na vida é tão concreto que não possa mudar. Percebemos a necessidade de se quebrar essa barreira criada pela sociedade, pois muitas vezes o que estamos escondendo atrás dela pode mudar a vida de quem está ao seu lado.


A cada episódio eu ri, chorei, me identifiquei com algum personagem e me diverti com cada minuto. Acredito que nem preciso dizer que maratonei as três temporadas como se não tivesse mais nada a fazer, e ao final do último episódio da terceira temporada ainda fiquei com aquele gostinho de quero mais.

One Day at a Time mexeu comigo de uma forma inesperada e com certeza vou indicar a série para todos que conheço. Há rumores de que a terceira temporada foi possivelmente a última, mas espero que não seja verdade, pois não estou preparada para dizer adeus a essa história.

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O que você gostaria de fazer antes de morrer? - Jonnie Penn, Dave Lingwood, Duncan Penn e Ben Nemtin

E VOCÊ TIVESSE SÓ MAIS UM DIA DE VIDA, O QUE IRIA FAZER? PLANTARIA UMA ÁRVORE? ASSALTARIA UM BANCO? IRIA SE ABRIR COM ALGUÉM? O QUE VOCÊ GOSTARIA DE FAZER ANTES DE MORRER? é o livro ilustrado dos seus sonhos mais loucos. As 200 coisas mais instigantes, criativas, divertidas e geniais que você pode fazer antes deixar este planeta foram reunidas pelos criadores da série The Buried Life. Esses quatro caras totalmente comuns estão engajados em uma missão: realizar 100 coisas dessa lista. Para cada item cumprido, eles ajudam um desconhecido a realizar um sonho da sua própria lista. O livro acabou se tornando uma deliciosa coleção de reflexões, segredos e histórias que, nos últimos cinco anos, têm respondido a pergunta: O que você gostaria de fazer antes de morrer? VOCÊ VAI ADORAR ESTE LIVRO PORQUE: Sua vida pode mudar dramaticamente. (A nossa mudou.) Você pode fazer coisas que nunca sonhou. (Nós estamos fazendo.) Você pode sentir a alegria plena de estar vivo. INSPIRE-SE. FAÇA SUA PRÓPRIA LISTA. VIVA SEUS SONHOS. Jonnie Penn, Dave Lingwood, Duncan Penn e Ben Nemtin participaram do seriado The Buried Life, da MTV norte-americana.  (Skoob)
PENN, Jonnie. LIGWOOD, Dave. PENN, Duncan. NEMTIN, Ben. O que você gostaria de fazer antes de morrer? Novo Conceito: 2018. 232 p.


O que você gostaria de fazer antes de morrer? não é o livro que eu esperava, fato de que eu gostei e que foi surpreendente para mim, pois esse não é o tipo de livro que normalmente leio. Estou até arrependida por nunca ter lido algo só tipo antes, de ter rejeitado tanto livro antes de colocar a mão neles, porque esse foi maravilhoso.

O livro inicia-se com uma história rápida de como tudo começou, umas 20 páginas, passaram rapidamente assim, contando a história verídica de Jonnie Penn, Dave Lingwood, Duncan Penn e Ben Nemtin, integrantes do The Buried Life, que decidiram sair pelo mundo realizado seus sonhos, suas ambições, seus desejos de fazerem algo e serem felizes. No meio disso, eles se compremetaram que a cada desejo realizado, realizariam o de mais alguém, numa forma de retribuir todas as pessoas que o sajudaram - é nisso que está o restante do livro.


Cheio de imagens lindas que contam o que várias pessoas gostariam de fazer e esses desejos são dos mais variados. Eu estava lá, lendo um feliz, otimista, quando me sento caindo do precipício por algo banal, algo banal para mim, algo que todos deveriam ter e não se preocupar, ou então tem alguns que apenas me deixaram triste, porque não deveria ser assim.

Há também relatos de algumas histórias entre essas imagens, tanto dos The Buried Life quanto de pessoas que eles conheceram, que foi mais uma coisa surpreendente dentre tantas no livro, porque tudo é real. O que eles fizeram e realizaram e ajudaram a realizar; eu li o livro em parte maravilhada, porque existem pessoas que fazem algo pelo próximo ainda, ainda existem essas pessoas e não é uma fábula, tentando trazer uma moral, e são histórias do tipo que se espera ver em cenas de televisão, que nunca creditei à realidade.


Eu tentei fazer minha própria lista das 100 coisas que um gostaria de fazer antes de morrer, até agora mal tenho 20, o que ainda é muita coisa para se realizar. No começo, foi difícil, não havia nada que eu gostaria, nada emocionante para almejar durante a vida; agora, não ficou menos pior, embora algumas coisas sejam tão simples (pular de bang jump), outras praticamente impossível (ir à Marte) e outras que não estão no alcance do meu poder totalmente, como ver o cometa halley, porque, ei, será que estou viva até lá?

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