Contagem Regressiva - Ken Follett

Sinopse: Certa manhã, um homem acorda no chão de uma estação de trem, sem saber como foi parar ali. Não faz ideia de onde mora nem o que faz para viver. Não lembra sequer o próprio nome. Quando se convence de que é um morador de rua que sofre de alcoolismo, uma matéria no jornal sobre o lançamento de um satélite chama sua atenção e o faz desconfiar de que sua situação não é o que parece.
O ano é 1958 e os Estados Unidos estão prestes a lançar seu primeiro satélite, numa tentativa desesperada de se equiparar à União Soviética, com seu Sputnik, e recuperar a liderança na corrida espacial.
À medida que Luke remonta a história da própria vida e junta as peças do que está por trás de sua amnésia, percebe que seu destino está ligado ao foguete que será disparado dali a algumas horas em Cabo Canaveral.
Ao mesmo tempo, descobre segredos muito bem guardados sobre sua esposa, seu melhor amigo e a mulher que ele um dia amou mais que tudo. Em meio a mentiras, traição e a ameaça real de controle da mente, Luke precisa correr contra o tempo para conter a onda de destruição que se aproxima a cada segundo. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora.
FOLLETT, Ken. Contagem Regressiva: três dias que poderiam mudar o cenário político mundial. Editora Arqueiro, 2018. 320 p.


Não fazia ideia que os filmes de Os Pilares da Terra eram baseados em livros de Ken Follett quando os assisti, lá em 2010, antes mesmo que Hayley Atwell e Eddie Redmayne se tornassem conhecidos como são hoje. Desde que soube disso, porém, quis ler algo do autor, mas a oportunidade só surgiu agora, com Contagem Regressiva, publicado este ano pela Editora Arqueiro.

Ironias à parte - ou não -, o livro foi lançado no Brasil bem próximo às comemorações dos 60 anos do lançamento do primeiro satélite espacial americano, o Explorer I. A obra começa com uma nota histórica que conta sobre o adiamento do lançamento, em duas noites consecutivas, por razões que aparentavam não ser realísticas. Até achei que o autor tinha criado essa nota para dar o start em sua obra, então fui buscar fontes seguras que divulgassem essa informação, e encontrei nessa matéria publicada no blog da NASA. Isso significa que Ken Follett criou todo um enredo fictício a partir de uma verdade e, para ser justa, trata-se de um enredo viciante.

Na trama, Luke acorda sem memória nenhuma sobre sua vida, ainda que consiga lembrar de outros conhecimentos não biográficos, como matemática, história e inglês. A princípio, não sabe nem mesmo seu nome, mas tudo parece querer lhe convencer de que é um morador de rua. O problema é que algumas coisas não fazem sentido para ele, então ele resolve descobrir quem ele é e porque perdeu a memória.

"O que havia acontecido na noite anterior? Não conseguia lembrar.
O medo histérico começou a retornar quando percebeu que não conseguia se lembrar de nada."

A trama construída por Ken Follett é absolutamente viciante. Assim como Luke, o leitor também não faz ideia de como o protagonista foi parar naquela situação, então os detalhes são descobertos junto com o personagem. É instigante acompanhar as relações feitas por Luke, detalhes que ele descobre sobre si mesmo para continuar sua busca. Afinal, ele não sabe nada sobre si mesmo, então de que ponto ele poderia partir para buscar algo? Essas maquinações o levam de detalhe em detalhe, até finalmente chegar a pessoas que podem auxiliá-lo, amigos do passado.

Os capítulos se intercalam, tanto entre os personagens, quanto em relação à época. No que se refere ao ponto de vista, o texto vai além da visão de Luke, pois mostra também outros personagens, como Elspeth, Anthony e Billie, sempre em terceira pessoa. Além disso, enquanto alguns capítulos se passam em 1958, ano do lançamento do satélite espacial americano, em plena Guerra Fria, outros retornam para 1943 para mostrar os personagens quando jovens, ainda em Harvard, na época da Segunda Guerra Mundial, e como a amizade entre eles surgiu.

"Mais uma vez Luke pensou se estava imaginando coisas. Tinha acordado num mundo desconcertante onde qualquer coisa podia ser verdade."

Embora mostre a visão de todos eles, ainda assim é difícil saber suas intenções. É quase como se eles não gostassem de admitir seus defeitos nem para eles mesmos, o que impede de saber quem está de que lado. O próprio Luke pode ser o "vilão", pois ele nem lembra o que fez até perder a memória. Essa construção é quase enlouquecedora, porque se quer logo compreender o que aconteceu, o que nos faz devorar as páginas para desvendar o mistério.

Contagem regressiva é um romance envolvente e carregado de adrenalina. O livro é repleto de cenas de ação, entremeado por espionagem em plena Guerra Fria e conta ainda com romance e traição. É aquele tipo de livro que diverte e te faz procurar as pistas junto com o personagem e, quando se percebe, já chegou ao fim.

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Semana Especial #3: Os temas de Liane Moriarty


O que Alice esqueceu é o novo lançamento da autora Liane Moriarty pela Editora Intrínseca e chegou às livrarias no último dia 15. O livro havia sido lançado no Brasil há alguns anos, com o título As lembranças de Alice, mas agora ganhou uma nova edição, com capa semelhante aos demais livros da autora lançados pela Editora. Para comemorar o lançamento, a Editora Intrínseca convidou os blogs parceiros para uma Semana Especial dedicada a Liane Moriarty.

A ideia de hoje é falar um pouquinho sobre os temas das tramas criadas por Liane Moriarty. Nas primeiras postagens, acabei mencionando um pouco isso, mas agora tentarei resumir os tópicos tratados pela autora para ver se convenço de vez todo mundo a conhecer a obra dela. rsrs

Se você abrir um livro de Liane Moriarty, não tenha dúvida que irá encontrar:

a) conflitos familiares: Liane não economiza nesses conflitos, que, em geral, movimentam suas tramas. Ela aborda sem medo as difíceis relações entre pais e filhos, principalmente na época da adolescência, as dificuldades do casamento, seja pelo desgaste da relação ou por alguma traição, a competitividade natural entre irmãos, os sentimentos conflitantes em relação às pessoas que amamos, os traumas que os adultos carregam por causa dos pais, entre outros. A autora consegue se aprofundar nas minúcias das questões psicológicas de seus personagens e das dificuldades das relações humanas e, mesmo que seus enredos sejam bastante cotidianos, ela disseca essas relações, como vi em poucas obras.

b) mulheres fortes: as mulheres sempre estão no centro das histórias criadas por Liane Moriarty e, ainda que cada uma delas seja exatamente como eu e você, cheia de inseguranças, defeitos e problemas para resolver, a autora consegue mostrar o quanto uma mulher consegue se desdobrar para fazer tudo dar certo. Em alguns casos, suas personagens vão muito além do que acreditam que podem suportar, pelo bem daqueles que amam.

c) transformações: Liane sabe como ninguém abordar as transformações pelas quais as pessoas passam durante sua vida. Todos os seus livros mostram, por exemplo, ao analisar seus personagens, os reflexos da infância e das referências para a construção de sua vida adulta. Mas não é só isso; a autora consegue mostrar como a rotina nos transforma, como o peso das responsabilidades nos moldam e como as pequenas decisões podem implicar grandes mudanças. O mais interessante disso é que, ao lermos um livro da autora, conseguimos visualizar exatamente que ponto representou tal mudança. Mas e quanto às nossas vidas reais? O quanto mudamos e o que causou isso? Sempre que leio seus livros, não consigo evitar de analisar as transformações pelas quais passou minha própria vida.

d) crises nos relacionamentos: ainda que esse tema esteja diretamente relacionado aos itens "a" e "c", achei relevante trazer um tópico específico para ele. Isso porque é um tema bem central trazido nas obras de Liane Moriarty, em especial quando se tratam de casamentos de muitos anos. Vamos ser sinceros: as pessoas mudam, os sentimentos mudam e às vezes aquilo que relacionamento se tornou talvez não seja mais suficiente. Depois de anos, não há mais aquele sentimento do início, aquela sensação de descoberta, a rotina e o cansaço vão tomando conta e, por consequência, as brigas também. Liane mostra muito bem essa transformação em seus livros e nos faz ficar divididos entre manter aquilo que um dia foi tão bom ou tentar buscar algo novo e melhor. São ilustrações sinceras e dolorosas sobre relacionamentos, mas extremamente verdadeiras.

e)  relatos sinceros sobre sentimentos: Nos livros de Liane, seus personagens são demonstrados por inteiro, sem máscaras. A autora vai ao âmago do ser humano e não esconde nada - seja o que há de melhor, seja o pior. Inveja, raiva, egoísmo, amor, doçura, tudo está escancarado e misturado. Por isso mesmo, seus personagens são sempre tão reais e é fácil se identificar com eles, o que contribui muito também para o sentimento de empatia. Em suas tramas, a autora sempre insere aquela percepção, por algum personagem, de que a vida do outro é melhor, perfeita; mas Liane faz questão de desconstruir todos esses mitos e mostrar que todo mundo tem problemas.

f) perdão: Ironicamente ou não, todos os livros da autora terminam com algum tipo de perdão. Liane mostra que o perdão é um processo, uma decisão difícil, e que perdoar é uma forma linda de se livrar da dor. Claro que não é fácil, mas isso não significa que seja ruim.

Esses itens são só alguns dos temas bastante comuns nos livros de Liane Moriarty, mas existem outros que estão presentes, como a dificuldade de criação de filhos, o desejo de ter filhos, inseminação artificial, adoção, esperanças e frustrações dos personagens, entre muitos outros. Os livros são sempre muito ricos na análise humana e, talvez por isso, tão apaixonantes.

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Semana Especial #2: Outros livros de Liane Moriarty


O que Alice esqueceu é o novo lançamento da autora Liane Moriarty pela Editora Intrínseca e chegou às livrarias no último dia 15. O livro havia sido lançado no Brasil há alguns anos, com o título As lembranças de Alice, mas agora ganhou uma nova edição, com capa semelhante aos demais livros da autora lançados pela Editora.

Para comemorar o lançamento, a Editora Intrínseca convidou os blogs parceiros para uma Semana Especial dedicada a Liane Moriarty. Fã da autora que sou, não poderia ficar de fora. Ontem contei para vocês o que eu achei dessa nova obra - se não ficou claro, eu amei. Hoje vamos relembrar os outros livros da autora e já adianto para vocês: para quem gosta de um enredo com personagens bem construídos, instigante e repleto de dramas familiares, Liane Moriarty é sem dúvidas a escolha certa.

É engraçado pensar que minha relação com Liane Moriarty começou exatamente quando começou minha parceria com a Editora Intrínseca. Isso porque, quando o blog foi selecionado como parceiro, lá em 2014, a Editora mandou uma cartinha de boas vindas acompanhada de um exemplar de O segredo do meu marido. Aquele carinho todo foi um pouco inesperado e, por isso, mesmo antes de começar a ler o livro, criei uma afeição pela trama. Não demorei muito para iniciar a leitura e me vi completamente surpresa por ter sido fisgada por um enredo quase "banal", com um toque sombrio e divertido ao mesmo tempo, que conseguiu ser instigante e misterioso mesmo assim. Na época em que escrevi a resenha, mencionei que "É uma obra que nos deixa vidrados, porque consegue a mistura exata entre mistério, drama, romance e outros elementos que, mesmo em menor escala, conseguem suprir o que poderia faltar." Até hoje, ainda é meu favorito da autora, ao lado agora de O que Alice esqueceu, como mencionei na resenha.

No ano seguinte, Pequenas Grandes Mentiras chegou às livrarias já com um burburinho, pela expectativa do lançamento da série de televisão baseada no livro. Mais uma vez Liane Moriarty conseguiu criar um enredo cotidiano cheio de humor, ironia e muito mistério. Embora conte uma história de assassinato, Liane foge do comum, porque o mistério não é sobre quem matou, mas sobre quem morreu, muito embora seja no comum que a autora consiga surpreender, já que as situações criadas por ela são aquelas que poderiam acontecer com qualquer um. Além disso, a autora usa seu enredo para se aprofundar em questões relevantes como violência doméstica, educação dos filhos e preconceito.

Em 2017, chegou às livrarias Até que a culpa nos separe. O livro foi bem trabalhado no que trata da construção de seus personagens e dos conflitos existentes entre eles, mas senti que faltou algo a esse enredo. Em comparação aos outros livros da autora, senti que esse foi o mais fraco, mas talvez seja só porque tive minhas expectativas frustradas, como expliquei na resenha. Ainda assim, foi uma boa leitura e serviu para suprir a falta de outras obras da autora.

De qualquer modo, sei que sempre que outro livro da autora for publicado, estarei ansiosa pela leitura. Liane tem um jeito particular de tocar o leitor e quero me ver envolvida com cada novo enredo que a autora criar.

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O que Alice esqueceu - Liane Moriarty

Sinopse: Alice tinha certeza de que era feliz: aos 29 anos, casada com Nick, um marido lindo e amoroso, aguardando o nascimento do primeiro filho rodeada pela linda família formada por sua irmã, a mãe atenciosa e a avó. Mas tudo parece ir por água abaixo quando ela acorda no chão da academia... dez anos depois!
Enquanto tenta descobrir o que aconteceu nesse período, Alice percebe que se tornou alguém muito diferente: uma pessoa que não tem quase nada em comum com quem ela era na juventude e, pior, de quem ela não gosta nem um pouco.
Ao retratar a vida doméstica moderna provocando no leitor muitas risadas e surpresas, Liane Moriarty constrói uma narrativa ao mesmo tempo ágil e leve sobre recomeços, o que queremos lembrar e o que nos esforçamos para esquecer. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora.
MORIARTY, Liane. O que Alice esqueceu. Editora Intrínseca, 2018. 416 p.


Sempre que vejo algo sobre um novo lançamento de Liane Moriarty, pouco me importa a sinopse, sei que vou ler. Tanto que já li todos os livros dela lançados aqui no Brasil pela Intrínseca e O que Alice esqueceu só veio para reforçar essa certeza, pois se tornou meu segundo - ou primeiro (ainda estou em dúvida) - livro favorito da autora, em embate apenas com O segredo do meu marido.

No livro, Alice sofreu um acidente e esqueceu seus últimos dez anos. Ela ainda pensa que é recém casada, apaixonada por Nick e que eles esperam seu primeiro filho. Só que, diferentemente, ela tem três filhos, está se divorciando, se distanciou de sua família e se tornou uma pessoa completamente diferente. Conforme descobre verdade sobre si mesma, ela sente que, durante esses dez anos, uma usurpadora esteve em seu lugar.

"Esse foi o dia em que Alice Mary Love foi à academia e, num descuido, perdeu uma década de vida."

A trama é construída pela perspectiva de três personagens, que se intercalam para ampliar a percepção dos acontecimentos: Alice, em terceira pessoa, Elizabeth, irmã de Alice, por meio de suas anotações pessoais para o seu terapeuta, como um diário, e Frannie, "avó" das duas, por meio de um blog. Achei um pouco irritante que algumas cenas fossem interrompidas para mudar de uma personagem para outra, mas, no contexto, acredito que essa construção foi fundamental para aprofundar outros personagens que não poderiam ser compreendidos apenas pelo ponto de vista de Alice.

Liane Moriarty tem uma escrita envolvente e é difícil largar o livro. Li até sentir meus olhos ficarem secos e pesados, e mesmo assim não queria parar. Embora a história gire em torno de coisas bastante cotidianas, a forma como a autora constrói sua narrativa insere um mistério que queremos logo desvendar. Algo mudou Alice durante esses dez anos, algo dissolveu seu casamento, algo a transformou em uma mulher que ela não imaginava que podia ser, mas ela não lembra, e a curiosidade de saber o que é enorme.

O mistério em si não é grande coisa, então não é bom criar expectativas sobre isso, mas é a simplicidade que desperta reflexões durante a leitura. Afinal, não são as coisas do dia a dia que nos transformam cada dia um pouquinho mais? Acredito que o que envolve nos livros de Moriarty é seu dom de transformar coisas simples e comuns em tópicos instigantes e, a partir disso, fazer o leitor repensar a si mesmo. Por exemplo, será que o meu eu de hoje gostaria de mim mesma daqui a dez anos? E o meu eu de dez anos atrás, o que pensaria de mim hoje?

"Alice detestava a pessoa que tinha se tornado. A única parte boa eram as roupas."


A construção dos personagens é outro ponto alto da trama. Ninguém é apenas uma ou outra coisa, as pessoas são muito mais profundas que isso. Liane não os coloca em caixinhas, mas trabalha suas diversas facetas de forma rica e fascinante. Por exemplo, Elizabeth, irmã de Alice, quis tanto um filho que passou a fazer disso a questão da sua vida, sentia que ninguém a compreendia e qualquer palavra se tornava uma ofensa contra ela. Ela não era uma pessoa má ou boa, só uma pessoa frustrada, desesperançosa, que não conseguiu evitar que isso influenciasse todos os demais aspectos de sua vida. E isso se repete com praticamente todos os personagens, que são trabalhados por todos os ângulos possíveis.

Alice mesmo é uma pessoa comum, cheia de defeitos e qualidades, e é por isso que foi tão fácil se identificar com ela - seja com a Alice de 29 anos, seja com a de 39. Todo mundo já teve momentos cheios de sonhos e esperança, assim como teve aquelas situações cheias de frustrações que ofuscavam todo o resto. No caso da protagonista, perder a memória pode ter sido uma bênção, para poder ver sua vida atual a partir de uma perspectiva menos parcial, pois aquilo nem parecia ter acontecido com ela. Para mim, mostrou que às vezes é preciso se afastar de um sentimento para rever a importância das coisas em nossas vidas e da necessidade de cuidar, no dia a dia, de nossos relacionamentos.

O que Alice esqueceu foi o livro que eu achei mais leve e divertido de Liane Moriarty, sem um grande suspense e sem o tom de ironia que eu sempre percebo por traz de se texto. Não que esses aspectos fossem ruins em outros livros, mas esse conseguiu me atingir de uma forma que eu não esperava. Além disso, o livro é mais voltado para o romance e eu amei isso. Relacionamentos sempre são aspectos importantes nos livros da autora, mas de alguma forma esse foi o que mais me envolveu, e eu só queria que existissem mais cenas que mostrassem o ponto de vista de Nick, pois eu amei esse homem. 

Ainda que eu fale mais e mais sobre o livro, nunca conseguirei abordar todos os tópicos que me encantaram em O que Alice esqueceu, desde a redescoberta, pela protagonista, de seus filhos, já crescidos, como indivíduos, até a necessidade de lidar com a dor da perda, do fim de um relacionamento, a dificuldade de comunicação quando tudo o que poderia já foi dito, ou de descobrir a imensa capacidade que se tem de se reconstruir. Terminei a leitura com lágrimas nos olhos e feliz, muito feliz, de ter conhecido esse outro lado de Liane Moriarty.

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Quando tudo faz sentido - Amy Zhang

Liz Emmerson é uma garota popular no colégio e tem uma vida aparentemente invejável. Por que ela tentaria tirar a própria vida, simulando um acidente de carro depois de assistir a uma aula sobre as Leis de Newton? Neste surpreendente romance de estreia, Amy Zhang, que nasceu na China e mora no estado de Nova York, aborda temas como abandono, bullying, depressão e suicídio com uma narrativa crua e pungente que vai arrebatar os fãs de obras como As vantagens de ser invisível, Nuvens de Ketchup e Meu coração e outros buracos negros, entre outros. Na trama, Liz é resgatada por Liam, um garoto que ela sempre desprezou, mas talvez uma das poucas pessoas ao seu redor capaz de enxergá-la além das aparências. Envolvente e emocionante, o livro – que prende também pelo mistério se a protagonista vai ou não sobreviver (e que só é revelado no final) – mostra a fragilidade, a solidão e os dilemas dos jovens de forma sensível e sincera. (Skoob).
ZHANG, Amy. Quando tudo faz sentido. Rocco, 2017.320 p.


Liz Emmerson sofre um acidente de carro e é levada para o hospital em estado crítico. Entrando e saindo de várias cirurgias, ninguém acredita que a bela e invencível Liz pode morrer a qualquer instante.

E ninguém sabe que o acidente não foi tão acidental quanto acham, mas uma tentativa de suicídio, todavia, apesar das muitas pessoas ali no hospital, esperando uma resposta, muitos não se importariam, porque Liz era amada e odiada e, para muitos, não faria diferença.

"Ela morreria, e talvez todo mundo esquecesse que ela sequer tinha vivido. (...) E não vou esquecer. Prometo a ela o que ninguém mais pode prometer. Prometo a ela, sempre."

Não existe muita coisa na sinopse do livro, apenas que Liz é popular, tem uma vida invejável (será?) e que decide que vai morrer num "acidente" de carro, mas que nada sai como esperado quando Liam, um garoto que ela despreza, a resgata, e, bem, essa sinopse não chega nem perto de descrever a história.

Qualquer um que leia isso vai pensar (eu pensei) que era uma história romântica, mas não é, esse não é o foco. Sim, Liam é apaixonado por Liz, mas teve um momento que a odiou, todos já tiveram esse momento com Liz Emmerson, mas ele a perdoou.

Ela não.

Liz não era uma pessoa boa, ela fez muitas coisas ruins e sabia disso e queria não fazer, entretanto ela não podia parar. E ela se culpa. E ela não quer mais isso. E ela queria que tudo parasse. Que o mundo parasse. Que ela parasse. Ela decide se parar.

"(...) tentou pensar em um motivo para seguir em frente. Não conseguiu. Porém conseguiu pensar em mil razões para desistir."

Num dia, três semanas antes da morte do seu pai, Liz decide que vai morrer, que vai fazer tudo parecer um acidente, e que vai ser no dia que o seu pai morreu também, porque assim será só um dia triste para sua mãe, porque, se ela não pode ser uma pessoa boa, se não pode mudar, ela também não precisa continuar prejudicando os outros.

Contudo Liz se deu uma semana antes de desistir de vez, para tentar ver se ela não podia mudar mesmo, se ela não podia ser melhor, mas... não conseguiu. Não valia a pena. Ela não valia a pena.

Liz acredita que não.

"Algumas pessoas morriam porque o mundo não as merecia.
Liz Emerson, por outro lado, não merecia o mundo."

Quando você ver uma história sobre bullying, você percebe como a pessoa que é o alvo não é forte, não se acha forte o bastante para fazer isso parar, mas o contrário também acontece. E isso foi o que eu achei interessante e inovador no livro, porque não é sobre quem sofre, é sobre outra vítima, quem pratica também é uma vítima. Liz foi uma vítima. De si mesma. Dos outros. Da vida. E ela não quer mais ser. Ela não quer mais fazer os outros se sentirem mal. Ela quer acabar com tudo e ela decide acabar consigo. Ela decide acabar com a causa para que não haja uma consequência. Ela decide que não merece viver e que precisa fazer algo bom uma única vez na sua vida, e que esse "algo bom" vai ser morrer.

Mas, em nenhum momento, você vai ler que Liz não teve culpa, porque ela teve. Liz é culpada, mas também é inocente. Somos todos inocentes, somos todos culpados (talvez alguns mais do que outros), mas estamos tentando e não podemos parar de tentar, porque ser uma pessoa boa é uma escolha e não acredite no contrário, e é difícil. Se não fosse, todos seriam.

E, não importa de qual lado esteja, você precisa pedir ajuda. Você pode pedir ajuda. Sim, você é forte. Sim, você pode lidar com isso. Mas você não está sozinho. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, não vai torná-lo fraco. Mas admitir que não é tão forte quanto todos acreditam, que você mostra que é? Vai fazê-lo forte. Vai ajudá-lo a ter o que se agarrar. Vai tornar claro que você não está sozinho.

"Eu a vi tentar enfrentar seus medos sozinha, orgulhosa demais para pedir ajuda, teimosa demais para admitir que estava com medo, pequena demais para combatê-los, cansada demais para escapar.
Eu observei Liz crescer.
Você ainda tem a mim."

O ponto alto da história é a narração, porque você não sabe quem está narrando e você quer descobrir - você quer saber se é alguém real, vivo; ou talvez seja um amigo imaginário; ou talvez um anjo da guarda; ou talvez... talvez seja a Morte, acompanhando Liz até aquele momento, vendo todas as suas escolhas. Sim, eu pensei que fosse a morte e... surpresa!

A capa é linda e não tenho vergonha de dizer que foi a primeira coisa que me chamou atenção (capa serve para isso). É um carro que sai da pista, que cai, e tem um monte de fórmulas de física, porque foi assim, durante a aula de física, falando sobre as Leis de Newton, que Liz decidiu morrer. E tem uma mão que segura o carro - o narrador onisciente? E a misteriosa frase "não existe acidente"... Por que o acidente não foi um acidente? Porque toda ação gera uma reação e então nada é acidental?

Outra coisa misteriosa é o titulo "quando tudo faz sentido", além de ser irônico, porque nada nunca faz sentido. Não tem um momento que tudo faz sentido, existem momentos que algumas coisas fazem sentido, mas não tudo. E Liz percebe isso quando gira o volante e está capotando e não morre de imediato, tudo faz sentido... as coisas não são tão simples.

A vida não é tão simples.

"A vida é mais que causa e efeito.
As coisas não eram tão simples assim.
Naquele momento, tudo se encaixou.
E Liz Emerson fechou os olhos.
Pisou no acelerador."

O livro aborda vários temas sérios, como aborto, bulimia, e, é claro, suicídio, de forma crua e direta e ainda sim poética - não tem como não ser por causa do narrador. E o livro é lindo. A história é triste, não me entenda mal, mas o livro é lindo. Eu adorei ele. E mal posso esperar por mais livros da autora, já estou de olho nos lançamentos dela.

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Últimas mensagens recebidas - Emily Trunko

Sinopse: Quando uma mensagem é a última, ela pode significar um fim, uma perda, ou até um alívio. E se você fosse o destinatário?
A partir de contribuições anônimas, a jovem Emily Trunko reuniu nesta coletânea mensagens que contam histórias reais sobre os mais variados tipos de despedida: o fim de uma amizade, o término de um relacionamento ou até mesmo um acontecimento trágico que muda a vida do destinatário e do remetente para sempre.
Enviadas por celular, por e-mail ou pelas redes sociais, essas mensagens narram perdas profundas e inspiram muita reflexão. Será que não deveríamos expressar mais o amor que sentimos pelas pessoas enquanto isso ainda é possível? Ou, em alguns casos, nos afastar o quanto antes daquelas que nos fazem mal? (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora.
TRUNKO, Emily. Últimas mensagens recebidas. Editora Seguinte, 2018. 176 p.


Meu irmão fala muito, muito mesmo. Ele é aquele tipo de pessoa que não consegue ficar em silêncio, a menos que esteja tão concentrado na TV ou no celular que nem perceba que não está falando. Mesmo assim, ele fala - com TV, celular e tudo. Por que estou contando isso? Porque estava sozinha em casa lendo Últimas mensagens recebidas quando ele chegou, falando. Quando levantei os olhos, o que quer que ele estivesse dizendo se esvaiu, e ele me perguntou se eu estava chorando. Sim, eu estava. Com um nó enorme na garganta, por causa daquele tipo de dor que tive poucas vezes na vida, e que espero não ter novamente. A dor, dessa vez, não era minha, mas eu a senti ainda assim.

Assim como em Cartas secretas jamais enviadas, Emily Trunko reuniu em um Tumblr os depoimentos de diversas pessoas que remetem, de forma anônima, as últimas mensagens que receberam de alguém e que marcaram um fim - seja o fim de um relacionamento, o distanciamento de uma amizade, a perda de um ente querido. Algumas mensagens são carinhosas, outras são despropositadas, mas muitas delas são carregadas de sentimentos pesados, como raiva, ingratidão, entre outros.


Apesar de se tratar de um livro curto, ler Últimas mensagens recebidas não é fácil, acho até que mais difícil do que Cartas Secretas Jamais Enviadas, porque todos os casos vão mostrar uma perda, um final. Ele desperta os mais diversos tipos de sentimentos, desde a sensação de luto, a raiva por uma injustiça, e até o arrependimento por alguma coisa que fizemos ou deixamos de fazer. São mensagens verdadeiras e sem filtro, por mais cruéis que tenham sido, seja em seu texto ou na "ironia" do destino. É fácil se identificar com os acontecimentos contados em cada página, acredito que todo mundo já passou por pelo menos uma daquelas situações.

O livro em si também é lindo, de capa dura e todo colorido nas cores preta, vermelha, branca e roxa, com algumas ilustrações, mas em geral com um design bem clean. Algumas mensagens têm uma explicação como nota de rodapé, para que o leitor conheça todas as circunstâncias em que ela foi enviada. Outras são tão diretas que não precisam de explicações. Algumas páginas mostram diálogos completos. Outras contêm apenas uma frase.


Ler Últimas mensagens recebidas é renovador, porque faz pensar sobre as decisões que tomamos na vida, mesmo sobre aquelas que parecem mais simples. Porém, se trata de um livro denso e carregado, daquele tipo que te destrói em pedacinhos para que, só depois, você possa se reconstruir. Ao final, o livro traz instruções para quem sente que precisa de ajuda, com contatos de grupos de apoio emocional e prevenção ao suicídio. Acho que a importância maior do livro é alertar de que ninguém está sozinho e que, por mais doloroso que seja, é possível superar.

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Conjunto de Séries #25: 3%


3% foi a primeira série brasileira a entrar no catálogo da Netflix, no início de 2017.  Na época, segundo informações da empresa, a série alcançou um sucesso imenso no exterior e se tornou a série de língua não inglesa mais assistida nos Estados Unidos. Logo assisti a primeira temporada, mas não sei porque não comentei sobre ela aqui. Este ano a segunda temporada chegou ao streaming e, depois de assistir, achei bem justo comentar com vocês dessa vez.

Na trama, o mundo é dividido entre o continente, sem recursos de qualquer tipo e extremamente miserável, e o Maralto, uma ilha super desenvolvida, com tecnologia de ponta e aparentemente perfeita. O único modo de passar do "lado de cá" para o "lado de lá" é ser aprovado no processo, uma seleção a que todos os jovens de 20 anos se submetem, mas em que apenas 3% são escolhidos.

A primeira temporada é toda voltada para demonstrar o processo em si. Os personagens principais estão na casa dos 20 anos e querem ser aprovados para uma vida melhor. Durante a trama, acompanhamos as provas pelas quais eles passam, quem é eliminado e quem segue na disputa, bem como as atitudes desesperadas de algumas pessoas. O Maralto, tão desejado, é apenas mencionado, e não é foco dessa temporada. A temporada termina com a imagem dos aprovados a caminho do Maralto, mas conhecer a ilha, só mesmo na temporada seguinte.


A segunda temporada, portanto, é um pouco mais ampla e mostra aspectos desse mundo que não tinham sido tão bem explorados. Além de mostrar o Maralto e seu funcionamento, também é possível acompanhar a forma como a ilha foi idealizada e construída, na forma de flashbacks, sem esquecer daqueles que ficaram no continente.

Li algumas críticas negativas sobre a série enquanto assistia, em especial quanto à primeira temporada, mas acho que os brasileiros deveriam ser menos rígidos quando se trata de produto nacional. A série tinha um orçamento limitado e, como todas as tramas fictícias, algumas inconsistências sempre aparecem, mas não achei nada tão grave no que diz respeito a 3%. Ouso dizer até que alguns dos pontos mais criticados, como a escolha de um elenco  em sua maioria pouco conhecido, foram aspectos positivos no meu ponto de vista.

De todo modo, a trama trata de um futuro distópico, mas não impossível, em que os recursos do planeta foram esgotados e as pessoas vivem em condições degradantes. Não só isso, apenas poucos privilegiados podem viver em condições dignas (não parece um pouco a realidade?) e justificam a diferenciação com base no merecimento. A crítica social é escancarada, e acho que esse foi um dos pontos fortes da série.

O mais desafiador da série é compreender os personagens. Ninguém mostra sua verdadeira face, então é difícil saber quais as intenções de cada um. Eles tomam atitudes dúbias, às vezes parecem querer uma coisa, mas na verdade querem outra. É impossível saber que rumo as coisas vão tomar, já que tudo pode mudar bem rapidamente.

Eu gostei bastante do enredo e fiquei bem feliz em saber que a série já foi renovada para uma terceira temporada. Lendo um pouco sobre ela para fazer essa postagem, descobri que a ideia é que tenha cinco temporadas (espero que sim!). E um detalhe bem legal que descobri nessas leituras, foi que a série teve origem com um grupo de estudantes da USP, que disponibilizaram um piloto no youtube em 2011. Quem tiver interesse em assistir e saber um pouco mais sobre isso, pode ler essa matéria aqui.

Não vou dizer 3% é uma trama inovadora, pois construiu um enredo bastante batido em outras obras literárias e cinematográficas, mas não deixa de ser instigante, principalmente na segunda temporada, que consegue se aprofundar nas vidas de diversos personagens e abordar debates bastante atuais.

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Tênis ou Tiaras - Grace Dent

Sinopse: Olha só, para começo de conversa, eu nem queria um diário. Passei seis meses usando a palavra “iPod” em todas as minhas frases, e para quê? Mas até que foi bom: esse ano definitivamente foi fora do comum... Tudo começou no Festival de Inverno da minha escola. Juro que tudo aquilo era para ser uma piada inocente, mas acabou com uma pancadaria generalizada e com a “Academia de Encrenqueiros” nos jornais – de novo. Aí minha melhor amiga se apaixonou pelo Bezzie. E, de repente, Carrie ficou totalmente chata, e só pensa em Bezzie pra cá, Bezzie pra lá... Aí arrumei um emprego na Comidas Tilak, que faz comida oriental congelada, e agora eu fico fedendo a kafta de carneiro o tempo todo. E nem me deixaram passar um gloss, porque é contra as normas da empresa. Aí minha irmã, Cava-Sue, brigou com a minha mãe, saiu de casa e não dá notícias há dois dias. Depois que Cava-Sue começou a estudar teatro, está muito chata e só escuta bandas esquisitas e “não-comerciais”. Mas qual a graça de ouvir uma banda que ninguém conhece? (Skoob)
DENT, Grace. Tênis ou Tiaras. Diário de uma Encrenqueira #1. Galera Record, 2010. 240p. 


Shiraz Bailey Wood mora no condado de Essex próximo a Londres, em um distrito chamado Goodmayes. Ela quase sempre fala o que pensa, por isso acha que se daria bem na TV e tem vontade de entrar no Big Brother, e não quer entrar numa faculdade. Os amigos dela também não querem, não é à toa que a escola deles teve a nota mais baixa nos exames. Mas isso não é só por eles serem vagabundos e preguiçosos, a própria mãe dela acha que faculdade é pra preguiçosos que preferem gastar dinheiro estudando em vez de trabalhar duro. A irmã dela, a Cava-Sue (eu sei, o nome dela, e dos outros é muito estranho), não ajuda a melhorar essa imagem, já que é uma tremenda hipster que diz que "prefere escutar bandas que ninguém conhece porque isso é original" e finge não conhecer as músicas comerciais. Essa citação abaixo define tanta gente.

"É muito estranho porque, quanto mais coisas inteligentes Cava-Sue aprende na faculdade, mais superficiais ficam as coisas que ela fala."

Essa coleção em inglês se chama Diary of a CHAV, CHAV é tipo um estereótipo britânico de pessoas "encrenqueiras", mas que usam roupas de marca tipo Adidas e bonés/capuz, comem no MC Donald's, poderia ser tipo as "maloqueiras" do Brasil. Ou pessoas do funk. Mas não julguem a Shiraz, ela é bem legal. A verdade é que ela e a melhor amiga, Carrie, sofrem o maior preconceito por andar de casaco com capuz (quando eu li achei bizarro) como se elas fossem delinquentes. Pra ajudar, ainda tem o fato delas estudarem na Academia Mayflower, que está sempre nos jornais como "Academia de Encrenqueiros Mayflower". Não que elas sejam santas também, a Shiraz foi responsável por uma confusão, mas não chega no nível das CHAV, que batem nos outros sem motivo nenhum. Por isso eu nem acho que ela seja uma, aliás, ela só se encaixa na roupa, e acho muito chato julgar as pessoas por isso.

Encontrei uns errinhos de edição, do tipo o nome da personagem "Uma" com letra minúscula, e às vezes dizia que ela tava no 1º ano do Ensino Médio, outras no 8º e aí quando ela mudou de série, ela disse que agora tava no 9º, então não entendi bem como são as séries por lá.

O livro é superdivertido, eu copiei várias passagens. A graça dele é essa mesmo, já que o livro é narrado como diário, então não chega a ter um clímax. Não acontece uma coisa bombástica que te deixa curioso pra ler, o máximo que pode te deixar assim são algumas coisas na sinopse que demoram bastante pra acontecer (aí vai de você ler a sinopse ou não). Eu achei que esse livro pode ser tipo o Querido Diário Otário adolescente q acho que quem gostou, pode gostar desse também. Ele é bem curtinho e a leitura flui muito. Eu comecei numa noite e terminei no dia seguinte, mas dá para terminar no mesmo dia tranquilamente.

Uma coisa que eu amei no livro são o tanto de referências dele. Adoro livros que citam músicas e tal. Shi adora hip hop (como é fácil de prever) e R&B e odeia Westlife, uma boyband britânica que eu até gosto, o que me faz supor que ela não é fã de músicas melosas. Ela colocou um rap pesado como toque de celular da mãe dela e eu fico imaginando a reação das pessoas quando toca e se chegam a ouvir as partes mais explícitas. Esse é um dos exemplos de como a Shiraz é engraçada. Também citam os 500 programas da Inglaterra que eu não conheço nenhum, mas tá valendo, e redes sociais, principalmente o Orkut, saudade. Sim, eu sei, elas combinam mais com Orkut que Facebook ou qualquer outra, só ver o perfil delas kk. A Carrie diz pra Shi no perfil dela "Academia de Enquenqueiras 4 ever" kkkk Elas são completamente o tipo de pessoa que escreveria "mal te conheço, mas já te considero pacas" em um depoimento. O Orkut tinha aquela coisa mais "brega", sei lá, né? E esse é o único motivo que eu imagino pra elas usarem Orkut (se elas usarem, porque podem ter mudado o nome da rede social na edição brasileira) porque que eu saiba o Orkut só fez sucesso mesmo no Brasil e na Índia.

Enfim, super recomendo para quem quer uma leitura leve e divertida. A coleção tem mais 4 livros lançados, mas aqui no Brasil só tem mais 2,  infelizmente.

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Alice - Lewis Carroll

Sinopse: Obras-primas de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho há mais de um século encantam crianças e adultos. Instigante, divertida, inusitada, profunda, a saga de Alice é inesgotavelmente interpretada, parodiada, filmada, citada... e, é claro, lida. Esta charmosa edição de bolso contendo os dois clássicos, inédita no mercado brasileiro, traz os textos na íntegra e ilustrações originais de John Tenniel. (Skoob)
CARROLL, Lewis. Alice: Aventuras de Alice no País das Maravilhas & Através do espelho e o que Alice encontrou por lá. Zahar, 2009. 317 p.


Eu li/assisti tanta história diferente de Alice no País das Maravilhas, que está tudo misturado e eu pensei que soubesse algo sobre essa história. Eu não sei. Ou sei e não faz diferença. Ou faz, porque prefiro a minha visão sobre ela. Se essa história for a original.

"Pois, vejam bem, havia acontecido tanta coisa esquisita ultimamente que Alice tinha começado a pensar que raríssimas coisas eram realmente impossíveis."

Em Alice, há duas histórias: Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através dos Espelhos. Há alguns personagens novos na trama que eu nunca vi antes, como Humpty Dumpty sentado em cima de um muro (o que você está fazendo aí, Ovo? Cuidado para não quebrar!), e alguns personagens que eu vi, mas não na história que eu imaginei que fosse. Eu nunca li Através do Espelho (não que eu saiba) então por que Tweedledee e Tweedledum aparecem lá e não no País das Maravilhas?

Sobre a história, eu entendi menos do que esperava, sinceramente. As coisas acontecem num segundo, mudando tão rápido, assim que Alice pisca os olhos, que é como se fosse um sonho. Não que algo ali não pareça. E poesias. Tem tantas poesias/poemas (eu nunca consigo me lembrar a diferença), e não são do tipo fáceis de interpretar, mas que você precisa de um dicionário ao seu lado e muita paciência para transcrever o significado.

Você precisa de paciência para ler esse livro.


Quem disse que Alice é para crianças?

Alice é um pouco doido e confuso e cheio de personagens impressionantes e frases/conversas inteligentes e divertidas, tudo que crianças gostam; e histórias por trás de histórias, que você pega a moral (ou imagina ter pegado) e que não tem como adultos não gostarem também, contudo há tantas reviravoltas que te deixam tontas e palavras complicadas, que infelizmente eu não aproveitei tanto quanto esperava, porque não estava entendendo nada.

Ah, alguém saber dizer por que um corvo se parece com uma escrivaninha? Eu estou realmente curiosa, é uma das maiores incógnitas da humanidade, creio eu. O que você andava tomando Lewis Carroll?!

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Leituras do Mês: Maio


Oi meus amores, como vocês estão? E as leituras, como andam?

Aqui acho que estou em uma crise literária, porque não consegui mais manter meus quatro ou cinco livrinhos que lia todos os meses. Nos últimos dois meses - inclusive em maio - só consegui ler três #chateada. Espero que em junho isso passe, estão chegando livros bom demais para eu ler tão pouco. rsrs Final de junho conto para vocês como foi.

Por enquanto, o assunto são as leituras de maio. Como disse, foram apenas três livros, mas eu gostei bastante de todos eles.

A primeira leitura do mês foi O colecionador de memórias, um livro sem grandes emoções, mas com ensinamentos muito bonitos. O exemplar foi recebido em parceria com a Novo Conceito e a resenha do livro está disponível neste link.

Também li A forma da água, recebido da Editora Intrínseca. Acho que deixei bem claro o quanto gostei do livro na resenha, mas, se alguém ainda ficou na dúvida, vale dizer que a obra é tipo poesia em forma de livro: lindo, sensível, tocante.

A última leitura do mês foi Últimas mensagens recebidas, recebido da seguinte, que foi uma leitura rápida, mas intensa. Amei, e a resenha deve sair na próxima semana.

E vocês, o que leram em maio?

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