O reino de Zália - Luly Trigo

O primeiro livro de fantasia de Luly Trigo, uma princesa se vê obrigada a assumir o governo do país em meio a revoltas populares, intrigas políticas, conflitos familiares e romances arrebatadores. Por ser a segunda filha, a princesa Zália sempre esteve afastada dos conflitos da monarquia de Galdino, um arquipélago tropical. Desde pequena ela estuda em um colégio interno, onde conheceu seus três melhores amigos, e sonha em seguir sua paixão pela fotografia. Tudo muda quando Victor, o príncipe herdeiro, sofre um atentado. Zália retorna ao palácio e, antes que possa superar a perda do irmão, precisa assumir o posto de regente e dar continuidade ao governo do pai. Porém, quanto mais se aproxima do povo, mais ela começa a questionar as decisões do rei e a dar ouvidos à Resistência, um grupo que lidera revoltas por todo o país. Para complicar a situação, Zália está com o coração dividido: ela ainda nutre sentimentos por um amor do passado, mas começa a se abrir para um novo romance. Agora, comprometida com um cargo que nunca desejou, Zália terá de descobrir em quem pode confiar - e que tipo de rainha quer se tornar. (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora.
TRIGO, Luly. O reino de Zália. Seguinte, 2018. 436 p.


Zália é a princesa do reino de Galdino, a segunda na linha de sucessão do trono, mas, quando seu irmão Victor morre num atentado causado pela Resistência, ela passa a ser a primeira e precisa atuar como regente, pois seu pai encontra-se debilitado. Com 17 anos, Zália tem que lidar com um reino corrupto, seu pai que não quer desistir do poder e deseja tê-la no trono apenas como fachada, e problemas do coração, encontrando-se dividida entre dois garotos.

O livro tem essencialmente esses três pontos principais para lidar, além de algumas coisinhas aqui e ali, não é nem tanto, mas a autora não soube desenvolvê-las bem. Eu gostei do livro, ele não é ruim, não sentir vontade de fechá-lo e parar de ler em nenhum momento, contudo é mais uma leitura para passar o tempo do que algo que te prende realmente. Eu queria um pouco mais de profundidade, porque toda a trama foi muito superficial e genérica.

Para começar, não há desenvolvimento nos personagens, não houve nada sobre eles que me encantou e fez torcer por eles. Eles são planos e previsíveis e não saíram do clichê. Eu também diria que 90% dos mistérios da trama estava na cara. E o romance? Cadê o romance pelo amor de Deus? Eu odeio triângulos amorosos de coração, mas fui preparada para ele, para me irritar com essa história de te quero, mas não te quero, até imaginei algo tipo A Seleção pela sinopse, mas não há nada do tipo. Não há triângulo amoroso, porque não há nem sequer a interação da protagonista com mais de um dos pretendentes, então não há como conhecê-lo ou me importar com ele.

A autora é brasileira e foi perceptível o uso dela dos conflitos que se passa no Brasil, como a corrupção sem limite e a questão da aposentadoria. Houve diversas críticas ao governo, mas em nenhum momento a autora dá uma solução e assim é fácil, dizer que algo não está certo e que não pode ser assim é a coisa mais fácil que existe, e eu não quero uma solução real para o mundo real, eu não espero que ela resolva os problemas do Brasil, mas eu quero uma solução possível dentro dos limites ficcionais da história que ela criou e eu não tive isso.

Enfim, acredito que tinha uma boa base para ser uma história maravilhosa, entretanto não foi tão bem executado como eu esperava, poderia ter algumas melhorias, um melhor desenvolvimento. Mas foi um bom livro para passar o tempo, fazendo-me refleti sobre alguns pontos políticos e familiares além do abordado pela autora.

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Juntos Somos Eternos - Jeff Zentner

Sinopse: Dill não é um garoto popular na escola — e não é culpa dele. Depois de seu pai se envolver em um escândalo, o garoto se tornou alvo de piadas dos colegas e passou a ser evitado pela maioria das pessoas na cidadezinha onde mora. Felizmente, ele pode contar com seus melhores amigos, Travis e Lydia, que se sentem tão excluídos ali quanto ele. Assim que os três começam o último ano do ensino médio, mudar de vida parece um sonho cada vez mais distante para Dill. Enquanto Travis está feliz em continuar no interior e Lydia pretende fazer faculdade em uma cidade grande, Dill carrega o peso das dívidas que seu pai deixou para trás. Só que o futuro nem sempre segue nossos planos — e a vida de Dill, Travis e Lydia está prestes a mudar para sempre.
ZENTNER, Jeff. Juntos Somos Eternos. São Paulo: Editora Seguinte, 2018. 344 p. 


Eu não sabia exatamente o que esperar de Juntos Somos Eternos, porque na verdade o que chamou minha atenção foi o título poético do livro. No fim das contas, encontrei uma obra que tinha tudo para ser o maior clichê do mundo, mas que acabou se tornando um dos poucos favoritos do ano. Jeff Zentner acertou ao contar a história de três melhores amigos que usam a união e o amor que sentem uns pelos outros para driblar os problemas da vida. 

O livro, a princípio, tem uma trama bastante simples, com narrativa em terceira pessoa sob o ponto de vista dos três personagens principais: Dill, rejeitado por (quase) todos os colegas da escola por causa do crime que colocou seu pai — e pastor de uma das congregações da cidade — na cadeia; Travis, o adolescente "diferentão" fã de literatura que tem muitos, muitos problemas com o pai abusivo; Lydia, uma blogueira famosa de moda que sonha em fazer faculdade na cidade grande. O que tornou essa história tão grandiosa foi a forma como a trama foi desenvolvida. 

Eu me conectei muito com Travis e Dill, as criaturas mais bondosas, pacientes e amáveis do Universo, mas tive muitos problemas com Lydia, que para mim não passa de uma garota grossa e mimada. A forma como ela trata os amigos só reforça aquele estereótipo de "pessoa rica que se acha melhor que todo mundo", e isso me incomodou muito. Claro que depois de certos acontecimentos ela acabar percebendo a pessoa escrota que estava sendo, mas eu já tinha pegado um rancinho e não consegui sentir muita empatia por ela. Os pilares desse livro são, com certeza, Dill e Travis, dois arrasos de personagens.

— Li em algum lugar que muitas das estrelas que vemos não existem mais. Já morreram e demora milhões de anos para a luz delas chegar à Terra — Dill disse.
— Esse não seria um jeito ruim de morrer — Lydia respondeu. — Emitir luz por milhões de anos depois da morte. (p. 107)

O engraçado é que o começo de Juntos Somos Eternos é muito comum e até meio parado. A vida dos três adolescentes é exatamente igual à nossa quando tínhamos uns 16, 17 anos, mas a escrita de Zentner é tão boa que é impossível largar. Quando os dramas familiares aparecem, o livro toma outra cara. Um dos focos da narrativa é o fanatismo religioso, que foi muito bem representado através de Dill, um garoto maravilhoso, mas totalmente oprimido pela mãe, que sempre o acusava de agir contra as vontades de Deus. O mais triste foi ver o que atitudes como essas podem causar no emocional da pessoa.

Eu já estava gostando muito do livro, mas o plot twist me marcou demais. A partir desse ponto, foi impossível controlar minhas emoções. Só de lembrar fico com vontade de chorar — até porque desse ponto pra frente só chorei mesmo —, porque realmente mexeu muito comigo e me mostrou que vale a pena continuar vivendo mesmo quando tudo parece conspirar contra, e que isso é muito mais fácil quando temos pessoas que nos amam perto de nós. 

Eu realmente não consigo descrever o quanto gostei, mas espero que tenha passado pelo menos um pouquinho do que eu senti para vocês. Juntos Somos Eternos foi muito mais do que eu esperava. É uma leitura dolorosa, cheia de verdades difíceis de engolir, mas ao mesmo tempo é lindo, transmite uma mensagem maravilhosa sobre amizade, amor, esperança e fé, em um Ser Maior, no Universo e em nós mesmos. Com certeza vai ficar do meu coração por muito tempo.

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Je suis là - Clélie Avit

Sinopse: Elsa n’a plus froid, plus faim, plus peur depuis qu’un accident de montagne l’a plongée dans le coma. Thibault a perdu toute confiance le jour où son frère a renversé deux jeunes filles en voiture. Un jour, Thibault pénètre par erreur dans la chambre d’Elsa et s’installe pour une sieste. Elle ne risque pas de le dénoncer, dans son état. Mais le silence est pesant, même face à quelqu’un dans le coma. Alors, le voilà qui se met à parler, sans attendre de réponse. Ce qu’il ignore, c’est que pour Elsa, tout est fini, jamais elle ne se réveillera. Mais tandis que médecins, amis et famille baissent les bras, Thibault, lui, construit une relation avec Elsa. Est-il à ce point désespéré lui-même ? Ou a-t-il décelé chez elle ce que plus personne ne voit ?
Prix Nouveau Talent 2015 de la Fondation Bouygues Telecom (Skoob)
AVIT, Clélie. Je suis là. Le Livre de Poche, 2016. 240p.


Quando li esse livro pela primeira vez, quase virei a noite lendo. Comecei a ler antes de dormir e não consegui parar até chegar ao final. Dessa vez demorei um pouco mais, mas só porque li a versão original em francês (que é uma língua que ainda estou aprendendo).

Elsa é uma alpinista que está em coma há cinco meses após um acidente em uma de suas escaladas. Sua família já não tem mais a esperança de que ela vá sair dessa situação e já estão inclusive discutindo a possibilidade de tirá-la do suporte de vida. Ela pode escutar tudo a sua volta e pela forma desanimada como ela relata as visitas da família, temos a impressão de que ela mesma está desistindo da vida. Até que Thibault, um estranho que entra em seu quarto por engano, começa a visitá-la.

Thibault só ia até o hospital levar sua mãe, ele se recusa a entrar no quarto de seu irmão que, depois de muito beber, causou um acidente que acabou matando duas adolescentes que tinham um futuro inteiro pela frente. Em uma das visitas, enquanto sua mãe estava com seu irmão, ele entrou em um quarto por engano, mas quando foi se desculpar percebeu que a paciente não podia respondê-lo pois estava em coma. Ele resolveu cochilar ali um pouco e desde então, quando leva sua mãe ao hospital, vai ao quarto de Elsa conversar com ela e as vezes dormir um pouco.

A narrativa é em primeira pessoa, alternada entre Elsa e Thibault. Eu amo livros assim, pois temos um pouco a visão do todo e ao mesmo tempo sabemos exatamente o que os personagens estão pensando. Além disso, a escrita da autora é extremamente fluida e nos prende do começo ao fim. Da primeira vez que li o livro, não imaginei que fosse gostar tanto.

Os personagens são muito bem desenvolvidos, adorei a relação entre os personagens principais. Um dos motivos que mais me prendeu à história foi a curiosidade em ver como Thibault afetava Elsa e a fazia querer sair do coma só para vê-lo. Ver também como ela afetava ele mesmo sem fazer nada (literalmente). Para mim essa evolução foi natural, não senti nada forçado, o que colaborou bastante no desenvolvimento da leitura.

Outra coisa que gostei, que pode desagradar alguns, é que a história é constante, não tem aquele pico que te faz ler 50 páginas em um minuto, mas também não tem aquela parte insuportável onde lemos praticamente uma página por dia. O desenrolar de tudo é bem sutil e o final, apesar de esperado, ainda consegue nos cativar um pouco.

Sei que ler a versão em francês pode trazer um desafio extra, mas sinceramente eu gostei ainda mais da versão original. Para quem sabe a língua, vale muito a pena o esforço. Infelizmente, mesmo sem querer, algumas coisas se perdem na tradução e, quando entendemos um pouco melhor o jeitinho francês, a história faz ainda mais sentido.

Je suis là (em português, Eu Estou Aqui) foi um livro que li por um acaso e que acabou me conquistando, é um dos poucos livros que li mais de uma vez e leria novamente. Ainda não tive a oportunidade de ler outras obras da autora, mas definitivamente o faria.

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Leah fora de sintonia - Becky Albertalli

Créditos da Imagem: Blog Entre Linhas
Sinopse: Leah odeia demonstrações públicas de afeto. Odeia clichês adolescentes. Odeia quem odeia Harry Potter. Odeia o novo namorado da mãe. Odeia pessoas fofas e felizes. Ela odeia muitas coisas e não tem o menor problema em expor suas opiniões. Mas, ultimamente, ela tem se sentido estranha, como se algo em sua vida estivesse fora de sintonia. No último ano do colégio, em poucas semanas vai ter que se despedir dos amigos, da mãe, da banda em que toca bateria, de tudo que conhece. E, para completar, seus amigos não fazem ideia de que ela pode estar apaixonada por alguém que até então odiava, uma garota que não sai de sua cabeça.
Nesta sequência do sucesso Com Amor, Simon, vamos mergulhar na vida e nas dúvidas da melhor amiga de Simon Spier. Em um livro só dela, mas com participações mais do que especiais dos personagens do primeiro livro, vamos acompanhar Leah em sua luta para se encontrar e saber com quem dividir suas verdades e seus sentimentos mais profundos.
Em Leah fora de sintonia, Becky Albertalli mostra por que é uma das vozes mais importantes e necessárias de sua geração. Sem nunca soar didática, a escritora lança mão dos mesmos ingredientes que tornaram Com Amor, Simon um sucesso mundial: a leveza, o senso de humor, a representatividade e a certeza de que vale a pena contar histórias sobre jovens que podem até estar perdidos, mas estão determinados a encontrar seu caminho. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
ALBERTALLI, Becky. Leah fora de sintonia. Editora Intrínseca, 2018. 320 p.


Muito embora eu não tenha lido o livro mais famoso de Becky Albertalli - Simon vs a agenda homo sapiens - pude conferir a forma como a autora constrói seu texto em Os 27 crushes de Molly e adorei a naturalidade com que ela trata questões que a sociedade insiste em complicar, como os padrões de beleza e a sexualidade, tudo isso sem deixar de lado o turbilhão que é a adolescência. A autora tem aquele tipo de escrita que serve para todos os leitores, pois é difícil não se identificar com pelo menos um dos pontos trazidos na história.

Leah fora de sintonia traz a perspectiva de Leah, melhor amiga de Simon, uma garota que se sabe bissexual e que está "acima do peso". O interessante é que ela se reconhece assim e pronto, isso não é uma questão - mesmo que ela nunca tenha contado para os seus amigos que é bi. Nesse ponto, a história não se restringe a discutir esses detalhes, Leah é uma pessoa e, sendo assim, tem aspectos que vão muito além de seu corpo e sua sexualidade.

Um dos pontos principais foi o conflito que a protagonista passava ao saber que o fim do ensino médio estava se aproximando. Ela relutava em reconhecer o quanto isso a afetava e tentava não demonstrar seus sentimentos, mas todo mundo sabe que é impossível esconder seus receios, pois eles se mostram das mais diferentes formas - seja pela tristeza, seja pela raiva. Afinal, as mudanças são assustadoras. E ainda tinha um agravante, é claro: Leah estava apaixonada.

O romance do livro é uma coisa fofa de doer. Sério. É bonito ver como a autora trata esse sentimento, ao mostrar aquela fase das borboletas no estômago, aquele frio na barriga e a sensação do primeiro beijo. Adorei como Becky conseguiu transformar em palavras a inconstância do primeiro amor, a aflição que ele causa, mas, principalmente, as coisas boas que vêm com ele.

Como personagem, acho que Leah podia ser um pouco menos chata. Além de ser mal-humorada e mal agradecida, principalmente com sua mãe, ela fazia dramas gigantes com coisas que poderiam ser esclarecidas com um pouco de conversa. Mesmo assim, a autora consegue expor as razões da personagem para cada atitude e, ainda que eu não concorde com algumas delas, é possível compreendê-la.

Senti falta do aprofundamento de alguns personagens, pois tive a impressão de que não os conhecia de verdade, como Abby, Nick e Simon. Talvez pelo fato de que eles já foram apresentados no primeiro livro, que eu não li, mas eu não consegui construir uma personalidade completa para eles.

De qualquer forma, Leah fora de sintonia é um retrato da adolescência e dos conflitos por que todos passam, um livro leve e cheio de representatividade.

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Bela Maldade - Rebecca James

Sinopse: Após uma horrível tragédia que deixou sua família, antes perfeita, devastada, Katherine Patterson se muda para uma nova cidade e inicia uma nova vida em um tranquilo anonimato.

Mas seu plano de viver solitária e discretamente se torna difícil quando ela conhece a linda e sociável Alice Parrie. Incapaz de resistir à atenção que Alice lhe dedica, Katherine fica encantada com aquele entusiasmo contagiante, e logo as duas começam uma intensa amizade.
No entanto, conviver com Alice é complicado. Quando Katherine passa a conhecê-la melhor, percebe que, embora possa ser encantadora, a amiga também tem um lado sombrio. E, por vezes, cruel.
Ao se perguntar se Alice é realmente o tipo de pessoa que deseja ter por perto, Katherine descobre mais uma coisa sobre a amiga: Alice não gosta de ser rejeitada... (Skoob)
JAMES, Rebecca. Bela Maldade. Intrínseca, 2011. 304p.


Eu tinha esse livro há um tempo como "quero ler" no Skoob, então quando eu estava num sebo procurando livros para pegar em troca dos que eu levei e achei esse depois de um longo tempo por um preço bom, fiz o que achei certo e peguei sem nem reler sobre o que ele era. Só li os trechos de críticas da contracapa antes de começar a ler. Portanto o livro pra mim foi ainda mais legal porque foi muito mais surpreendente.

Katherine é uma menina quieta, não porque é introvertida, mas porque ela tem medo de se abrir e destruir sua vida de novo ou que descubram o que ela esconde. Até que a popular Alice se aproxima dela e as duas se tornam grandes amigas, e Robbie também se torna seu amigo.

A narração é intercalada entre a Katherine adulta, 5 anos depois, Katherine conhecendo a Alice e o passado que a traumatizou. Assim, tem mistérios em três épocas diferentes. O livro já começa com a Katherine adulta falando do quanto odeia a Alice e assim a gente fica apreensiva esperando o que que ela vai fazer. O segredo foi revelado até bem cedo. Eu não tenho certeza se foi a melhor ideia, mas de qualquer forma ainda sobrou mil dúvidas de como aquilo teria acontecido e, quando chega nas partes em que acontece, é tão terrível quanto a gente podia imaginar ou mais. E é interessante as mil ideias que passam pela nossa cabeça a cada nova informação dada em qualquer um dos períodos. Se você vê a Katherine com medo de algo ou falando mal de algo, você pode imaginar que ela ficou traumatizada com isso ou que por causa disso que aconteceu esse segredo que destruiu ela.

Também tem uns dois capítulos que são narrados em segunda pessoa, "você". Eu não sei se é necessariamente falando com o leitor ou só o "Você" no sentido de "As pessoas" como a gente usa às vezes e tem até uma cena no livro sobre isso.

Eu adorei esse livro. Eu fiquei realmente muito perturbada e triste em algumas partes. A Katherine não merece tudo que aconteceu com ela. Praticamente nenhum personagem merece o que aconteceu com eles. Mesmo a Alice, porque ela nem se deu tão mal quanto poderia. 

Eu me surpreendi com algumas das revelações durante a leitura. O livro é meio que uma boneca russa, que você vai tirando e vai aparecendo uma menorzinha nele, cada desenvolvimento tem mais desenvolvimentos, praticamente nada é colocado aqui por acaso. E isso é muito legal.

O livro fala muito de culpa e como conviver com ela, e porque senti-la mesmo que não seja realmente nossa culpa. E ele tem um tema de se como uma pessoa é criada é desculpa para as ações dela. Ele também pode te deixar com medo de se relacionar com pessoas sem conhecê-las completamente e com medo de praticamente qualquer coisa, mas ele mesmo diz que você precisa viver a vida com coragem porque só assim para se ter alguma chance de ser feliz. Claro, coragem nas doses certas.

É uma leitura pesada, mas eu recomendo para quem não passou por tanta coisa ruim ou para quem passou e precisa se relacionar um pouco e conseguir algum alívio. Além de conseguir alívio nas horas que os personagens desabafam ou estão bem, provavelmente também terá naquele sentido de "pelo menos eu estou melhor que eles".

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Conjunto de Séries #29: One Day at a Time


Nos últimos seis meses minha vida passou por várias mudanças (esperadas e inesperadas), e com todas essas mudanças eu acabei travando um pouco nas leituras e entrei com tudo no mundo das séries. Coloquei em dia algumas séries que já assistia e comecei a assistir outras indicadas por amigos. One Day at a Time foi uma série indicada por uma amiga que acabou me surpreendendo muito e faz parte agora das minhas séries favoritas.

Já em sua terceira temporada, One Day at a Time retrata a vida de uma família cubano-americana que mora em Los Angeles. Penélope Alvarez (Justina Machado), uma veterana do Corpo de Enfermagem do Exército dos Estados Unidos, que ainda sofre com problemas de seu tempo no Exército, se divorciou de seu marido, pois ele – também um veterano – não lidou bem com a volta à vida civil e se tornou um alcoólatra. Agora, com a ajuda de sua mãe, Lydia (Rita Moreno), ela está criando seus dois filhos, Elena (Isabella Gómez) e Alex (Marcel Ruiz).

Lydia é uma refugiada que deixou Cuba ainda adolescente, após a ascensão de Fidel Castro ao poder. Ela adora contar suas histórias, principalmente como amava seu falecido marido, Berto (Tony Plana). Elena está prestes a fazer quinze anos e sua mãe e avó querem que ela tenha uma quinceañera, para honrar sua herança cubana, mas a garota ainda está resistente à ideia. Além disso, ela está descobrindo mais sobre si mesma e agora tem que encontrar a melhor forma de contar para sua família que é lésbica. Alex é um pouco mais novo que Elena e tem uma relação muito forte com sua avó. Para fechar o elenco principal com chave de ouro, temos Schneider (Todd Grindell), o dono do prédio onde a família mora, que é também um ex-alcoólatra com uma família disfuncional. Ele acaba se tornando o melhor amigo de Penélope e está sempre na casa dos Alvarez.


O que mais me chamou atenção na série foi a forma como ela trata de tantos assuntos polêmicos, como depressão, ansiedade, sexualidade, xenofobia, religião e alcoolismo de maneira realista e séria, mas sem pesar muito o clima. Os personagens foram muito bem desenvolvidos e os atores são simplesmente fantásticos! Ver como eles reagem às situações, e como vão se descobrindo no meio do caminho, tudo isso nos faz refletir.

Muitas vezes temos medo de discutir certos assuntos com medo de sermos rotulados ou de soarmos ignorantes, mas ao assistir a série vemos não só a importância e a necessidade de se falar sobre isso, mas percebemos as diferentes opiniões e como nada na vida é tão concreto que não possa mudar. Percebemos a necessidade de se quebrar essa barreira criada pela sociedade, pois muitas vezes o que estamos escondendo atrás dela pode mudar a vida de quem está ao seu lado.


A cada episódio eu ri, chorei, me identifiquei com algum personagem e me diverti com cada minuto. Acredito que nem preciso dizer que maratonei as três temporadas como se não tivesse mais nada a fazer, e ao final do último episódio da terceira temporada ainda fiquei com aquele gostinho de quero mais.

One Day at a Time mexeu comigo de uma forma inesperada e com certeza vou indicar a série para todos que conheço. Há rumores de que a terceira temporada foi possivelmente a última, mas espero que não seja verdade, pois não estou preparada para dizer adeus a essa história.

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O que você gostaria de fazer antes de morrer? - Jonnie Penn, Dave Lingwood, Duncan Penn e Ben Nemtin

E VOCÊ TIVESSE SÓ MAIS UM DIA DE VIDA, O QUE IRIA FAZER? PLANTARIA UMA ÁRVORE? ASSALTARIA UM BANCO? IRIA SE ABRIR COM ALGUÉM? O QUE VOCÊ GOSTARIA DE FAZER ANTES DE MORRER? é o livro ilustrado dos seus sonhos mais loucos. As 200 coisas mais instigantes, criativas, divertidas e geniais que você pode fazer antes deixar este planeta foram reunidas pelos criadores da série The Buried Life. Esses quatro caras totalmente comuns estão engajados em uma missão: realizar 100 coisas dessa lista. Para cada item cumprido, eles ajudam um desconhecido a realizar um sonho da sua própria lista. O livro acabou se tornando uma deliciosa coleção de reflexões, segredos e histórias que, nos últimos cinco anos, têm respondido a pergunta: O que você gostaria de fazer antes de morrer? VOCÊ VAI ADORAR ESTE LIVRO PORQUE: Sua vida pode mudar dramaticamente. (A nossa mudou.) Você pode fazer coisas que nunca sonhou. (Nós estamos fazendo.) Você pode sentir a alegria plena de estar vivo. INSPIRE-SE. FAÇA SUA PRÓPRIA LISTA. VIVA SEUS SONHOS. Jonnie Penn, Dave Lingwood, Duncan Penn e Ben Nemtin participaram do seriado The Buried Life, da MTV norte-americana.  (Skoob)
PENN, Jonnie. LIGWOOD, Dave. PENN, Duncan. NEMTIN, Ben. O que você gostaria de fazer antes de morrer? Novo Conceito: 2018. 232 p.


O que você gostaria de fazer antes de morrer? não é o livro que eu esperava, fato de que eu gostei e que foi surpreendente para mim, pois esse não é o tipo de livro que normalmente leio. Estou até arrependida por nunca ter lido algo só tipo antes, de ter rejeitado tanto livro antes de colocar a mão neles, porque esse foi maravilhoso.

O livro inicia-se com uma história rápida de como tudo começou, umas 20 páginas, passaram rapidamente assim, contando a história verídica de Jonnie Penn, Dave Lingwood, Duncan Penn e Ben Nemtin, integrantes do The Buried Life, que decidiram sair pelo mundo realizado seus sonhos, suas ambições, seus desejos de fazerem algo e serem felizes. No meio disso, eles se compremetaram que a cada desejo realizado, realizariam o de mais alguém, numa forma de retribuir todas as pessoas que o sajudaram - é nisso que está o restante do livro.


Cheio de imagens lindas que contam o que várias pessoas gostariam de fazer e esses desejos são dos mais variados. Eu estava lá, lendo um feliz, otimista, quando me sento caindo do precipício por algo banal, algo banal para mim, algo que todos deveriam ter e não se preocupar, ou então tem alguns que apenas me deixaram triste, porque não deveria ser assim.

Há também relatos de algumas histórias entre essas imagens, tanto dos The Buried Life quanto de pessoas que eles conheceram, que foi mais uma coisa surpreendente dentre tantas no livro, porque tudo é real. O que eles fizeram e realizaram e ajudaram a realizar; eu li o livro em parte maravilhada, porque existem pessoas que fazem algo pelo próximo ainda, ainda existem essas pessoas e não é uma fábula, tentando trazer uma moral, e são histórias do tipo que se espera ver em cenas de televisão, que nunca creditei à realidade.


Eu tentei fazer minha própria lista das 100 coisas que um gostaria de fazer antes de morrer, até agora mal tenho 20, o que ainda é muita coisa para se realizar. No começo, foi difícil, não havia nada que eu gostaria, nada emocionante para almejar durante a vida; agora, não ficou menos pior, embora algumas coisas sejam tão simples (pular de bang jump), outras praticamente impossível (ir à Marte) e outras que não estão no alcance do meu poder totalmente, como ver o cometa halley, porque, ei, será que estou viva até lá?

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Adulta Sim, Madura Nem Sempre - Camila Fremder

Sinopse: A vida adulta chega de uma hora para outra e nem sempre estamos preparados para ela. E tudo bem.Um dia você é a jovem moderna que ouve música alta e incomoda a vizinha. Num piscar de olhos é você quem está interfonando para o porteiro e reclamando, aos berros, do som da garota que mora no andar de cima. O que aconteceu? Simples: a vida adulta chegou. Quer dizer, não tem nada de simples.
Como Camila Fremder mostra neste seu novo livro, a vida adulta costuma chegar de uma hora para outra, sem avisar, sem um curso preparatório, sem nada. Ou pelo menos é assim que a gente se sente. E a consequência disso é muito estranhamento, reflexões e boas risadas.
Saem de cena as noites agitadas e os dias sem grandes preocupações, sendo substituídos por fraldas (no caso de quem tem filho), boletos e muita paranoia com a aparência. Com observações perspicazes e bom humor, Camila nos ajuda a entender e aceitar melhor essa transição. Um livro que você não vai conseguir largar. A menos que o bebê acorde ou esteja na hora de você correr para o batente.
FREMDER, Camila. Adulta Sim, Madura Nem Sempre. São Paulo: Editora Paralela, 2018. 120 p.


Se tornar uma pessoa adulta é uma coisa um tanto complicada. Do nada a gente sai do ensino médio, entra na faculdade, começa a pagar aluguel, contas de água e de luz... Sem contar o monte de problema que surge do nada e temos que resolver sozinhos. Hoje em dia eu brinco com meus amigo que nós não somos adultos de verdade, porque apesar de morarmos sozinhos e termos que fazer tudo o que eu disse anteriormente, somos bancados pelos pais. Então somos no máximo adolescentes de 20 e tantos anos. Mas existe uma receita de bolo pra se tornar adulto de verdade?

Em Adulta Sim, Madura Nem Sempre, Camila Fremder mostra de forma muito bem humorada como é a transição para a vida adulta, e mostra que está tudo bem dar uns "chiliques" de vez em quando, não precisamos ser sérios e maduros o tempo inteiro. É interessante como passamos a maior parte do tempo preocupados com o que as outras pessoas pensam de nós, com os boletos que temos pra pagar e várias outras coisas que a gente não idealizava quando tinha dez anos e queria desesperadamente ser adulto. 

Eu não imaginava que eu ia gostar tanto com as histórias narradas por Fremder nesse livro, muito menos que eu ia me identificar tanto com as coisas, mesmo tendo só 23 anos. Eu nunca pensei na vida que ia ficar feliz em gastar 14,90 num conjunto de toalhinhas de pia flaneladas, por exemplo. Promoção no supermercado? Meu Deus, eu falto pular de tanta alegria. Ri muito com os causos dela e me senti muito representada.

Apesar de não termos a maternidade em comum, essas foram as partes do livro que eu mais gostei e mais ri. Parece que a vida da pessoa vira de cabeça para baixo, mas ao mesmo tempo parece mágico. Eu morro de vontade de ser mãe e não vejo a hora de poder contar coisas engraçadas que aconteceram comigo durante a gravidez e até mesmo os perrengues que todas as mães passam. Acho que até essas partes mais tensas Fremder conseguiu narrar com bom humor. 

A narrativa da autora é tão fluida que quando percebi, já tinha terminado o livro — e olha que não é um gênero que eu leio com frequência. A sensação que eu tinha é que estava lendo o diário de uma amiga bem próxima, e isso me deixou com um quentinho bem gostoso no coração. Um hino de livro, de verdade. Fiquei muito feliz por ter dado uma chance!

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Vox - Christina Dalcher

Sinopse: Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina.
O SILÊNCIO PODE SER ENSURDECEDOR #100PALAVRAS
O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.
Esse é só o começo...
Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.
...mas não é o fim.
Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.

Livro recebido em parceria com a Editora.
DALCHER Christina. Vox. Editora Arqueiro, 2018. 320p.


Os Estados Unidos foram dominados por um governo de extrema direita, onde líderes religiosos com opiniões retrógradas decidiram extinguir direitos de certa parcela da população. Essa parcela inclui todas as mulheres, homossexuais e qualquer pessoa que tenha opinião contrária ao governo. As mulheres perderam o direito de fala, limitando o número de palavras para 100 por dia. Elas são obrigadas a usar uma pulseira com um contador e caso exceda o limite de palavras, são punidas com choques cada vez mais fortes. Além disso, parecem ter voltado anos na história: não podem mais trabalhar, devem ser completamente submissas aos homens e pedir permissão para fazer qualquer coisa. Já os homossexuais, são presos, humilhados e obrigados trabalharem como escravos. 

A Dra. Jean McClellan é mais uma das mulheres que estão sofrendo com essas novas regras, entretanto, agora o governo precisa dela. Ela é neurolinguista e estudou doenças que afetam a fala, principalmente uma doença chamada afasia. Por isso, seus conhecimentos são necessários quando o irmão do presidente sofre um acidente e é afetado pela tal doença. O presidente quer que ela trabalhe no desenvolvimento de uma cura, que inclusive já vinha trabalhando antes de ser impedida pelo governo. Em troca, eles tiram sua pulseira e concedem alguns outros poucos benefícios, entretanto, ela sabe que após descobrir a cura, sua vida voltará a ser o mesmo pesadelo.

Ela tem três filhos e uma filha. Filha essa que já sofre com a impotência das mulheres. Desde pequena, a garota tem que se acostumar com a pulseira limitando suas palavras, seu vocabulário é extremamente limitado, dificultando muito seu desenvolvimento. Além disso, assim como as outras meninas, ela estuda em escolas separadas e só aprendem basicamente como serem donas de casa.  


Mesmo sabendo que se trata de uma situação hipotética e realmente muito extrema, a leitura é completamente angustiante; só de imaginar que algo do tipo um dia pudesse vir a acontecer, senti uma dor no coração. Além disso, sabemos quem em alguns países as mulheres se encontram em situações bem parecidas com essa. É chocante imaginar algo do tipo, o direito das pessoas sendo tomados dessa forma, é algo absurdo e que foi bem retratado no livro. 

A escrita é fluida, a todo momento novidades aparecerem, gerando diversos questionamentos no leitor. A narrativa fica toda por conta de Jean, que em diversos momentos relembra como era antes de tudo acontecer e voltando ainda mais no passado, se lembra de como uma amiga de faculdade participava de manifestações contra esse tipo de governo e ela nunca deu bola. Ao ter esses pensamentos, ela se sente ainda mais culpada e sua vontade de reagir se intensifica cada vez mais.

Além de todo esse cenário, Jean tem questões pessoais a resolver que estão sendo diretamente afetadas pelos acontecimentos atuais e a pressão que sofre é enorme. Trabalhando para o governo, ela entende a situação um pouco melhor e descobre os planos do presidente para o futuro do país, planos que dividiriam ainda mais a população e destruiria o sonho de um dia tudo voltar ao normal. 

Um personagem que me marcou bastante foi Steven, filho mais velho de Jean. Ele é um garoto que se deixou dominar facilmente pelas ideologias do governo, assim como várias outras pessoas, parece ter sofrido uma lavagem cerebral e se dispôs a seguir as novas regras do governo fielmente, mesmo que tenha que ir contra seus próprios amigos e familiares. Ele começou a tratar até sua mãe como um ser inferior e isso me deixou muito irritada.

O único ponto que não me agradou totalmente na obra foi o final. Acho que a autora poderia ter desenvolvido mais, abrangido mais todos os elementos disponíveis para causar um impacto ainda maior. Senti falta de detalhes, de mais resoluções que não vieram. Mas ainda assim, indico esse livro para todos, pois mesmo sendo uma ficção, é capaz de causar grande choque e quem sabe, conscientizar algumas pessoas sobre temas políticos e sociais, principalmente. 

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Minha vida mora ao lado - Huntley Fitzpatrick

“Minha mãe nunca ficou sabendo de uma coisa, algo que ela reprovaria radicalmente: eu observava os Garrett. O tempo todo.” Os Garrett são tudo que os Reed não são. Barulhentos, caóticos e afetuosos. São de verdade. E, todos os dias, de seu cantinho no telhado, Samantha sonha ser uma deles, ser da família. Até que, numa noite de verão, Jase Garrett vai até lá e... Quanto mais os adolescentes se aproximam, mais real esse amor genuíno vai se tornando. Contudo, precisam aprender a lidar com as estranhezas e maravilhas do primeiro amor. A família de Jase acolhe Samantha, apesar dela ter que esconder o namorado da própria mãe. Até que algo terrível acontece, o mundo de Samantha desmorona e ela é repentinamente forçada a tomar uma decisão quase impossível, porém definitiva. A qual família recorrer? Ou, quem sabe, Sam já é madura o bastante para assumir suas próprias escolhas? Será que está pronta para abraçar a vida e encarar desafios? Quem você estaria disposto a sacrificar pela coisa certa a se fazer? O que você estaria disposto a sacrificar pela verdade? (Skoob)
FITZPATRICK, Huntley. Minha vida mora ao lado. Valentina, 2015. 320 p.


Samantha Reed é uma garota de dezessete anos e não é a filha mais bonita, porque sua irmã ocupa esse cargo, nem a mais inteligente, esse fica para sua melhor amiga, mas é a protagonista da historia. Considerada a filha perfeita por sua mãe deputada, republicana e com TOC, ela esconde um segredo.

Do seu cantinho no telhado, Sam observava os Garrett desde que eles se mudaram para casa ao lado, como se eles fosse o seu reality show particular. Eles eram tudo que sua família, os Reed, não eram, contudo eram tudo que ela queria que fossem. Os Garrett eram numerosos, mais filhos do que se pode imaginar: Joel, Alice, Jase, Andy, Duff, Harry, George e Patty, além do Sr. e da Sra. Garrett. Eles eram cheios, desorganizados, barulhentos, afetuosos. E sua mãe os odiava.

Numa noite, Jase senta-se ao seu lado e ela se vê sugada para esse novo mundo. De uma hora para outra, Samantha começa a encontrá-los em todos os lugares, seus mundos se misturam e ela não quer que eles voltem a se separar. Sam começa a se apaixonar por essa família, principalmente por Jase, mas o que fazer quando sua mãe não os aprova? E quando ela se sente mais próxima a eles do que a sua própria família?

“-Eu sabia.
-Sabia o que? - pergunto me voltando para minha mãe.
-Sabia que se envolver com esses nossos vizinhos só traria problemas.”

Samantha expressa tudo o que uma garota faria naquele momento, ela é uma personagem inteligente e madura, sem todo aquele drama. Jase é o típico garoto que toda garota sonha e que quase nunca vira realidade, mas, o que me fez apaixonar-me pela historia,foi sua família.

Tantos personagens num só lugar, uma família tão grande que te faz pensar que não tem como ser descrita direito, mas a autora conseguiu criar uma personalidade única para cada um. Não ficou aquela coisa monótona, cada um age de uma maneira, se comporta de um jeito diferente. George foi o meu preferido, é claro. Ele é um menininho de 4 anos, mas é tão, tão fofo. Ele é inteligente demais para a idade, bondoso, carinhoso e muito emotivo!

Sinceramente, na primeira vez que li o livro online, não vi a frase escrita abaixo do tema na capa. Só fui perceber quando recomendei para minha amiga e ela comentou sobre isso. Apesar da frase "Um garoto, um verão, um segredo, uma decisão", o livro não se desenvolve através disso, esse não é o foco da historia, o drama ficou em segundo plano e não é diretamente sobre o casal principal, o que não é nenhum problema para mim. Gostei desse desenvolvimento.

"-Essa é Sailor Moon - diz George. - Ela sabe tudo sobre buracos negros.
-E mergulha de costas - acrescenta Harry.
-Mas você não pode ficar com ela, porque ela vai casar com o Jase - conclui George."

A historia ganha forma antes, o relacionamento do casal se desenvolve, assim como as personalidades dos outros personagens, antes que o inevitável aconteça. E você fica sem saber o que fazer. Você se pergunta o que faria no lugar da Sam, do Jase, de qualquer um daqueles envolvidos, mas... As coisas nunca acabam como imaginamos.

Enfim, estou ansiosa para ler a continuação, que conta a história da Alice, irmã do Jase, com Tim, além de mostrar mais sobre o drama TimXNanXSam, que não é completamente resolvido aqui, embora eu esteja quase sem esperanças que esse livro seja publicado aqui no Brasil, porque faz tempo que fui publicada no exterior e até agora nada.

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Top Comentarista - Fevereiro


Demorou, mas chegou! O Top Comentarista de fevereiro vai seguir a linha dos últimos, para desapegar de alguns livros da estante, está bem? Como prêmios desse mês, escolhi os dois volumes da série Agentes da Coroa: Como agarrar uma herdeira e Como se casar com um marquês.

Para se inscrever é preciso:

  • Seguir o Conjunto da Obra pelo Google Friend Connect (clicar em "Participar deste Site" na barra lateral direita).
  • Ter endereço de entrega em território Brasileiro.
  • Preencher o formulário abaixo.
  • Comentar em todos os posts publicados no mês de fevereiro, inclusive a resenha de Sinfonia de Letras.

Lembro que os livros são usados, então podem ter pequenos defeitinhos, mas em geral estão em bom estado.

  • Seguidas todas as regras iniciais, para participar, basta preencher a primeira entrada do formulário. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais.
  • Serão considerados válidos os comentários nas postagens do mês de fevereiro se feitos até o dia 1º de março. Ou seja, será concedido um dia a mais para que os participantes consigam comentar nas últimas postagens do mês.
  • O participante deve fazer comentários válidos, que demonstrem que a postagem foi lida. Não adianta dizer que está curioso para conhecer a história, isso não é suficiente, e o participante será desclassificado.
  • O vencedor será definido por sorteio, dentre os participantes que comentarem em todas as postagens do mês. Apenas depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.
  • O sorteado será contatado por e-mail, tendo o prazo de 24h para fornecer seus dados. Caso não enviem resposta no prazo, será realizado novo sorteio.
  • O prazo para envio dos prêmios é de 60 dias após o recebimento dos dados dos vencedores.
  • O Conjunto da Obra não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador e o livros não será enviado novamente;
  • A Equipe do Conjunto da Obra se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.
  • Esta postagem também conta para o Top Comentarista.


a Rafflecopter giveaway Boa sorte! 

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Sinfonia de Letras - Alfer Medeiros

Sinopse: Cada letra tem forma e sons específicos, e suas diversas combinações compõem termos com os quais podemos nos comunicar e expor ideias. Um escritor, tal qual um musicista, manipula letras como notas, onde palavras são acordes harmoniosos.

A musicalidade literária originada dessa amálgama representa a expressão dos sentimentos do seu criador.

E então a sinfonia de letras está criada. (Skoob)
MEDEIROS, Alfer (Org.). Sinfonia de Letras: Contos e crônicas de temática livre. Andross Editora, 2018. 352p.


Sinfonia de Letras é uma coletânea de contos e crônicas. Eu não achei nenhum texto ruim, apenas tem alguns que não são muito meu estilo ou que não entendi muito bem, mas a grande maioria foi muito boa.

Um dia de cada vez, do (a) autor (a) de pseudônimo Wanille, foi o meu conto preferido. Ele é semelhante ao livro Céu Sem Estrelas, que eu também gostei bastante, com uma personagem acima do peso e as suas inseguranças e depressão. A força do texto dá uma forte impressão de que é baseada nas experiências da autora, ainda mais considerando que ela não usa o nome.

O meu segundo preferido também é pesado e parece real, e trata-se de Uma Vida pela Escrita, da autora Alessandra Soletti. Ele conta diversos acontecimentos infelizes de uma aspirante a escritora, que já começam na infância quando seus pais jogam fora seu caderno e dizem "É só uma história, depois você escreve outra". O motivo para ele parecer tão real é a metalinguagem, ele até chega a mencionar que ela escreveu um texto para essa mesma coletânea!

Um tema que perpassa muitos dos contos e das crônicas é sobre viver em função do dinheiro e sem ser feliz, ou a tecnologia atrapalhando a felicidade também. Desses, os destaques para mim foram Genevive, da Isabella Poletto Medeiros, E se fosse um sonho..., da Paula Maciel e O Senhor dos Papéis, do Renato Dutra, que o título obviamente é uma referência a O Senhor dos Anéis e, apesar de eu não ter lido o livro e não poder dizer se o conto em si é uma paródia, eu achei bem interessante o modo como ele conta que nós vivemos sempre em função de papéis, não só de dinheiro. A crônica Sonhos, do Matheus Zuca, traz umas reflexões interessantes e Bruxaria, do Murillo Lino, sobre tecnologia, é um dos poucos contos engraçados dessa coletânea cheia de textos mais tristes, chocantes, um pouco pessimistas. Claro que também tem outros que são leves, mas eu diria que poucos dos leves tinha realmente a intenção de humor como esse teve.

Além dos dois contos que eu falei separadamente e dos três destaques sobre vida infeliz que citei, meus outros favoritos foram O Menino e o Trem, da Amanda de Aguiar Piazza, sobre a 2ª Guerra Mundial; Paraíso de Abutres do Rod Rodrigues Neves, também sobre uma guerra; Reiniciação, Ano 3054 da Kátia Rocha Giraldi, futurista; Suavidade no Deserto da Filomena Perrella, um dos mais criativos e diferentes, sobre uma mosquita que resolve parar de se alimentar para não transmitir doenças para os humanos; E se existisse o amanhã, Clarisse?, da Tabatta Roberts, sobre uma mulher em situação de rua.

Essa foi uma boa leitura e bem diversificada. Tem textos sobre escrita, amor, morte, natureza, entre outras coisas, de autores de todos os estados e idades. Dá para ver isso porque alguns contos são de "causos" de alguma cidade, e vários têm jeitos específicos de falar. Eu recomendo porque vai ter textos para agradar a vários tipos de leitores.

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