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Casa das Fúrias - Medeleine Roux

Sinopse: Louisa Ditton não tem para onde ir. Estamos no século XIX. Sozinha e com medo, Louisa acaba de escapar do terrível internato inglês onde repressão e castigos dolorosos eram a principal lição. Assim, quando encontra uma idosa que lhe oferece emprego em uma hospedagem, Louisa acha que finalmente está segura. Logo que chega à Casa Coldthistle, entretanto, a jovem nota algo estranho. O misterioso proprietário do lugar – o sr. Morningside – proporciona a seus hóspedes não um simples lugar para dormir, mas o temido descanso eterno. Numa espécie de tribunal sombrio, o sr. Morningside e a criadagem executam sua justiça obscura àqueles que vivem impunes, e Louisa será obrigada a fazer parte desse grupo de impiedosos justiceiros. Diante disso, a jovem começa a temer pela vida de Lee. Ele não é como os demais hóspedes: carismático e gentil, o rapaz desperta nela o ímpeto de salvá-lo do julgamento iminente. Porém, nessa casa de mentiras e putrefação, como Louisa poderá saber quem carrega a verdade? (Skoob)
ROUX, Mdeleine. Casa das Fúrias. Editora Plataforma21, 2017. 350 p.

Quando li Asylum (resenha, aqui), uma das coisas que me incomodou na leitura, foi a falta de personalidade, talvez de experiência, da autora na construção de seus personagens e na contextualização de sua narrativa. No segundo livro, Scarlets (resenha, aqui), já notei uma melhora significativa em todos os âmbitos.

Em Casa das Fúrias, parece que encontrei uma outra autora, tamanha a diferença de escrita em relação aos outros livros. Não só os personagens são todos bem construídos, interessantes, com um passado, um presente e um futuro que despertam curiosidade, mas também a narrativa é empolgante, criativa, com acontecimentos que surpreendem e provocam sustos, o que é essencial para uma obra de terror.

A narrativa em primeira pessoa, feita por Louise, a personagem principal, conquista já nas primeiras páginas, quando ela descreve sua fuga e sua vida nas ruas do século XIX. Tudo o que se segue, após conhecer a velha estranha e ser convidada para trabalhar na hospedaria, trás uma sensação de novidade. Em um primeiro momento, quando descobrimos os segredos que existem na casa que oferece hospedagem para pessoas terríveis, e onde essas mesmas pessoas encontram seu fim de vida, achamos que Louise está enfrentando demônios sem coração, mas a autora foge do estereótipo e mostra que alguns atos, aparentemente cruéis, podem ter um significado mais nobre e justo.

Isso foi o que mais surpreendeu em Casa das Fúrias. O fato de que o inimigo que pensamos que Louise terá que enfrentar, pode ser um bem diferente daquele que imaginávamos. E algumas das coisas que ela tem contato, realmente metem medo. Isso, sem contar com a descrição de cenas que não economizam no gore, mas sem serem repetitivas ou exageradas. Tudo na obra está na medida certa.

Uma outra coisa que me agradou, foi a atenção da autora aos detalhes, não só dos monstros, mas de todos os personagens e da casa onde eles vivem e trabalham. Vale um destaque para uma das personagens secundárias, que causa uma certa estranheza quando ela é descrita por Louise pela primeira vez, não pela aparência, que é normal, mas por algumas outras informações que o leitor descobre, surpreso, mais para a frente.

Como Casa das Fúrias é o primeiro volume de uma série, algumas coisas ficam pela metade, e outras já antecipam o cenário onde irá se desenrolar o segundo volume, e contra o que Louise terá que lidar. Espero, sinceramente, que a qualidade da história se mantenha. E caso isso se concretize, será uma das melhores séries de terror e fantasia da atualidade.

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Adeus, promessas - Kristin Halbrook

Sinopse: Um menino está morto. Outro está ferido. E, aparentemente, a culpa é de Kayla. Ela presenciou algo que não devia. Mas não contou nada para ninguém. Ninguém sabe o que realmente aconteceu naquela noite: o porquê de ela estar dirigindo um carro que caiu numa vala depois da festa de sua melhor amiga; do que viu nas horas que antecederam o acidente, e da promessa que ela fez para sua amiga Bean antes de sair de férias. Agora, Kayla está voltando para casa para terminar o Ensino Médio. Se ela ficar calada, pode até recuperar a sua antiga vida de volta. Mas, se contar a verdade, corre o risco de perder tudo – e todos – que já amou na vida. Adeus, promessas é um romance emotivo e provocante sobre uma garota que precisa decidir entre o silêncio ou admitir ter sido testemunha de uma terrível agressão. Uma narrativa que trata dos limites entre o segredo e a mentira em uma sociedade predominantemente machista. (Skoob)
HALBROOK, Kristin. Adeus, promessas. Editora Plataforma21, 2016. 296 p.


Estupro não é cometido apenas por marginais ou pessoas mentalmente insanas. Estupro é cometido, também, por quem se acha seguro de que não será punido, que se acha superior, que é machista, que acha que qualquer garota, no fundo, gosta de sexo não consensual, e se não gosta, o problema é unicamente dela.


É assim que alguns garotos, de uma pequena cidade do interior dos EUA, pensam. Filhos de pais ricos e influentes, jogadores de futebol americano no colégio, bonitos, fortes, admirados por quase todos, eles se acham acima da moral e da vontade. Mas não fazem isso abertamente. Fazem pelas sombras, onde não podem ser vistos, onde não existem testemunhas, e certos de que as vítimas não terão coragem de os delatar.

Kayla tem como melhores amigas, o trio: Jen, Selena e Bean. Andam sempre juntas. Isso, até que Kayla, no meio de uma festa de fim de semana, presencia um desses estupros, justamente com uma de suas amigas. Presa, ameaçada e levada por dois dos rapazes, para dentro de um carro, ela é obrigada a dirigir. E, então, faz o que pensa ser possível para se proteger, e proteger a amiga: joga o carro em uma vala, e mata um dos rapazes.

A partir desse ponto, acompanhamos as consequências de seus atos, e dos estupradores, através de uma narrativa em primeira pessoa, que viaja, em capítulos alternados, entre o passado e o presente. Vamos, aos poucos, entendendo o que aconteceu, como aconteceu, ao mesmo tempo que presenciamos o que Kayla terá que suportar, enfrentar e aceitar após o que fez.


O interessante de Adeus, promessas, além, claro, da mensagem que passa sobre estupro, é o clima de alegria presente nos capítulos que contam o passado, e o clima tenso, pesado, esmagador, dos capítulos que contam o presente.

O leitor pode ter uma ideia clara de como as coisas que parecem certas, na verdade podem não ser assim tão certas. De como algumas pessoas, no caso os garotos, podem parecer príncipes maravilhosos, belos, invencíveis, quando, na verdade, são monstros insensíveis, que podem destruir a vida de garotas, pelo único objetivo de transar.

É através dessa alternância que você vê o comportamento alegre de um personagem em um capítulo, para, no capítulo seguinte, ver sua verdadeira face. É uma paralelo incrível, e totalmente crível. É isso que muitas garotas vivenciam nas suas escolas, nos seus trabalhos, na rua, em qualquer lugar.


Por natureza, todos os homens, e, sim, estou generalizando, porque, como homem, sei que é verdade, são machistas e autoritários em relação à mulher. O caráter é o que nos impede de sermos monstros abusadores e agressores. É como se nós fossemos culpados desde que nascemos, e nossos atos é que nos salvam de uma condenação.

Isso também é demonstrado em Adeus, promessas, através de Noah, um garoto que sofre preconceito por ser das Filipinas, e que é o único que se aproxima de Kayla após o acidente. Ele desconfia do que aconteceu de verdade, mas não tem certeza. Mas ele sabe que pode ser verdade. Ele conhece sua raça. E quando tem certeza, sua reação é ambígua. Como se pudesse existir alguma culpa por parte da garota estuprada. Afinal, essa é a desculpa da maioria das pessoas que não acredita, inicialmente, que o estupro acontece por culpa do homem, mas porque a garota se veste de forma provocante, que atiça os garotos, que a culpa é dela por ser bonita e por os garotos não conseguirem se controlar.


Apesar de tudo isso, Adeus, promessas não chega a ser tão impactante quando eu esperava. Ele parece ter sido escrito para mostrar uma ferida aberta da sociedade, mas de forma a não tocar nessa ferida com o dedo. Ele reflete mais uma realidade da classe média-rica americana, onde esses crimes são tratados com sutilezas.

Ao final do livro, a autora conversa com o leitor sobre o estupro, e incentiva as garotas a tomarem uma atitude se forem molestadas e sofrerem algum tipo de abuso. Acho isso muito válido e importante. Conversar sobre estupro, nunca é demais. Assim como ler obras deste tipo.

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