Confissões de uma garota excluída, mal amada e (um pouco) dramática - Thalita Rebouças

Sinopse: Tetê acaba de se mudar com a família toda para Copacabana, no Rio de Janeiro, para a casa dos avós. O lindo e espaçoso apartamento da Barra da Tijuca em que morava teve que ser vendido, pois com a crise o pai foi demitido, e o resultado é que a vida dela virou de cabeça para baixo. Além de perder a privacidade, tendo que dividir o espaço com cinco parentes malucos que brigam o tempo todo, ela perdeu todas as suas referências. A única coisa que a deixa feliz é cozinhar. E, claro, comer as delícias que faz.O lado bom foi se livrar do antigo colégio, no qual sofria bullying por causa de seu jeito peculiar. Sem contar sua desilusão amorosa... O problema é que ela está apavorada, porque agora tudo será novo e estranho, com o ensino médio, com a nova escola, e sem conhecer ninguém. E morre de medo de ser excluída ou de sofrer bullying novamente. Ela está bem mal, para dizer a verdade. Ou talvez seja um pouco de drama, porque já no primeiro dia as coisas parecem ser um pouco diferentes... Pelo jeito, tudo vai mudar, e para melhor. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
REBOUÇAS, Thalita. Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática. São Paulo: Arqueiro, 2016. 272p.


Eu já passei da adolescência há algum tempo, mas sempre que surge a oportunidade de revivê-la em livros juvenis, eu aproveito. Não que tenha sido uma fase perfeita, afinal, nunca é, mas eu tenho boas lembranças daquele tempo. Somado a isso, sempre quis conhecer a escrita de Thalita Rebouças, então quando a Editora Arqueiro publicou Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática não titubeei em solicitá-lo.

O livro conta a história de Teanira, ou melhor, Tete, uma garota tímida que nunca teve amigos e sempre foi excluída na escola. Os problemas financeiros dos pais obrigaram a família a se mudar para a casa dos avós de Tete, o que resultou em um novo bairro e um novo local para estudar. Apesar de assustada com as mudanças em sua vida e com medo de ser rejeitada novamente, Tete dá um primeiro passo e percebe que as mudanças podem não ser tão ruins assim.

"A gente costuma pôr a culpa das coisas nos outros e em geral espera que os outros mudem, que o mundo mude, mas a verdade que eu descobri é que nada muda. Mas se a gente der um passo, um passinho que seja em direção a fazer algo diferente pela gente mesma e modificar o que a gente é, plim! A mágica acontece e tudo muda ao nosso redor! Até as pessoas mudam! Na verdade, eu acho que o que muda é o nosso jeito de ver tudo."

Ao iniciar a leitura do livro, meus pensamentos se rebelaram e adotaram a postura do "isso não é para mim". Tete não segura a matraca, fala milhares de besteiras e se mete em cada confusão à la Mia Thermopolis que eu quase desisti de ler o livro. Sério, os acontecimentos são tão excêntricos que fica um pouco inacreditável que uma pessoa possa causar a si mesma tanto constrangimento. Decidi prosseguir e, felizmente, a leitura não foi ruim como aparentou à primeira vista. Depois do exagero inicial, consegui criar alguma empatia com a protagonista. Além do mais, Erik e Dudu, fofos demais, ajudam, devo confessar.

A trama é recheada de intrigas e dramas adolescentes, como não poderia deixar de ser. As inseguranças da idade, os encantamentos com o sexo oposto, a importância da amizade e da família, tudo isso está lá. E também o tema principal deste livro de Thalita: o bullying. Gostei da forma como a autora abordou o assunto, mostrando como se sente aquele que sofre, mas sem esquecer de comentar o papel daquele que pratica.

Ademais, vale comentar que o que mais gostei na história foram as descobertas românticas de Tete. É engraçado como a sensação do primeiro amor e do primeiro beijo são deixadas escondidas em algum canto escuro de nossas mentes. Por isso, enquanto eu lia, adorei reviver e relembrar a sensação, e achei ótima a forma que a autora construiu esses momentos.

Ainda assim, Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática é voltado para o público juvenil, então todas aquelas confusões e dramas adolescentes podem não ser interessantes para o leitor mais velho. O livro é fofo, mas nem de perto uma das melhores leituras que já fiz.









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Novidades #143: Lançamentos Intrínseca Agosto

Olá pessoal! Como vocês estão?

O papo de hoje é para falar dos lançamentos da Editora Intrínseca para este mês. Como sempre, tem livros para todos os gostos: recriação de clássicos, Neil Gaiman, sequências de séries, e muito mais! Olha só:


Alerta Vermelho, de Bill Browder - Bill Browder iniciou sua vida adulta como um rebelde de Wall Street cujos instintos o levaram para a Rússia logo após a queda da União Soviética. E foi ali que ele fez fortuna.
Esta é a trajetória de um ativista por acidente.
Ao longo do caminho, ele expôs casos chocantes de corrupção no país e por muito pouco não consegue escapar com vida. Seu advogado russo, Sergei Magnitsky, não teve tanta sorte assim: terminou na cadeia, onde foi torturado até a morte. Aquilo mudaria para sempre a vida de Bill Browder. Depois de entrar em contato com cerne assassino do regime de Vladimir Putin, ele passou os últimos anos em uma luta incansável para expor o que viu. Por causa disso, veio a se tornar o inimigo número um de Putin, principalmente depois de contribuir para a criação de uma lei nos Estados Unidos que puniria os russos envolvidos na morte de Sergei. A famosa retaliação de Putin abriu os olhos do mundo: o líder do Kremlin criou uma lei que proíbe americanos de adotar crianças russas.
Ao mesmo tempo uma aventura no mundo financeiro, um thriller criminal e uma cruzada com casos de polícia, Alerta vermelho é a história de um homem que foi contra todas as probabilidades em busca de mudar o mundo. E foi a partir daí que encontrou, mesmo sem esperar, um sentido para a sua vida.

As mil noites, de E. K. Johnston - Clássico da literatura universal, as histórias de As mil e uma noites estão no imaginário de todos - do Oriente ao Ocidente. É impossível que alguém nunca tenha ouvido falar sobre Ali Babá e seus quarenta ladrões, ou sobre Aladim e o gênio da lâmpada. Ou sobre Sherazade, a mulher sagaz e inteligente que se casou com um homem cruel, e, por mil e uma noites, driblou a morte narrando contos de amor e ódio, medo e paixão, capazes de dobrar até mesmo um rei. Em As mil noites, a história se repete, mas com algumas diferenças...
Quando Lo-Melkhiin chega àquela aldeia - após ter matado trezentas noivas -, a garota sabe que o rei desejará desposar a menina mais bela: sua irmã. Desesperada para salvar a irmã da morte certa, ela faz de tudo para ser levada para o palácio em seu lugar. A corte de Lo-Melkhiin é um local perigoso e cheio de beleza: intricadas estátuas com olhos assombrados habitam os jardins e fios da mais fina seda são usados para tecer vestidos elegantes. Mas a morte está à espreita, e ela olha para tudo como se fosse a última vez. Porém, uma estranha magia parece fluir entre a garota e o rei, e noite após noite Lo-Melkhiin vai até seu quarto para ouvir suas histórias; e dia após dia, ela continua viva.
Encontrando poder nas histórias que conta todas as noites, suas palavras parecem ganhar vida própria. Coisas pequenas, a princípio: um vestido de seu lar, uma visão de sua irmã. Logo, ela sonha com uma magia muito mais terrível, poderosa o suficiente para salvar um rei...

Baseado em fatos reais, de Delphine de Vigan - Em uma obra em que o leitor é levado constantemente a questionar o que lhe é apresentado, Delphine de Vigan constrói um clima confessional, sombrio e opressivo para expor a obsessão do mercado editorial e do cinema pelas narrativas baseadas em fatos reais. A linha tênue entre verdade e mentira oscila para enriquecer uma poderosa reflexão sobre o fazer literário e questionar as fronteiras entre aparentes dicotomias, como real e ficção, razão e loucura, público e privado. Um livro brilhante, que joga com os códigos da autoficção e do thriller psicológico.
Após o grande sucesso de seu último livro, em que revelava perturbadores segredos familiares, Delphine se vê diante da temível pergunta: o que vem depois de um texto tão pessoal, que comove tantos leitores? A inércia. O sucesso a fragiliza a tal ponto que a deixa completamente vulnerável. Ela não consegue mais escrever nem uma linha, nem sequer se sentar diante do computador ou segurar uma caneta. Está esgotada, e vive assombrada pela pressão da próxima obra.
Tomada pelo bloqueio criativo, o sentimento de impotência e isolamento permeiam constantemente sua vida: os filhos gêmeos, Louise e Paul, estão prestes a sair de casa para seguir o próprio caminho e ingressar na universidade. Além disso, seu namorado, François, é um famoso jornalista e apresentador de um programa de crítica literária e está sempre viajando para o exterior. A instabilidade emocional de Delphine ainda é agravada pelas cartas de teor bastante violento que recebe de um remetente anônimo, ameaçando-a por ter exposto publicamente sua família.
Nesse cenário de fragilidade, Delphine conhece L., uma mulher sofisticada, confiante, feminina, carismática e atraente. Tudo o que ela sempre desejou ser. L. parece ter um passado misterioso, trabalha como ghost-writer, e entra de modo insidioso na vida da escritora, que vê na amizade uma forma de superar seu bloqueio criativo. L. é a amiga perfeita, sempre disponível, e logo passa a interferir nos aspectos mais íntimos da vida de Delphine. O domínio de uma sobre a outra é inesperado. A conexão entre elas parece... inacreditável.

Biblioteca de Almas, de Ransom Riggs - Um poder extraordinário.
Um exército de monstros.
Uma batalha épica pela sobrevivência do mundo peculiar.
Biblioteca de Almas é o último volume da celebrada trilogia iniciada com O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares. Neste terceiro livro, depois de sofrer com a morte do avô, conhecer crianças com habilidades peculiares em uma fenda temporal e partir pelo mar em uma busca desesperada para curar a srta. Peregrine, Jacob vai finalmente enfrentar a inevitável conclusão dessa turbulenta jornada.
Jacob descobre uma poderosa habilidade e não demora a explorá-la para resgatar os amigos peculiares e as ymbrynes da fortaleza dos acólitos. Junto com ele vai Emma Bloom, uma menina capaz de produzir fogo com as mãos, e Addison MacHenry, um cão com faro especial para encontrar crianças perdidas.
Partindo da Londres dos dias atuais, o grupo vai percorrer as ruelas labirínticas do chamado Recanto do Demônio, uma complexa fenda temporal que abriga todo tipo de vícios e perversões. É ali que o destino de peculiares de toda parte será decidido de uma vez por todas. Tal como os volumes anteriores da série, Biblioteca de Almas une fantasia, aventura e sombrias fotografias de época para criar uma experiência de leitura única.


Alerta de Risco, de Neil Gaiman - É com palavras assim que Neil Gaiman apresenta Alerta de risco, uma rica coletânea de histórias de terror e de fantasmas, ficção científica e conto de fadas, fábula e poesia que exploram o poder da imaginação.
Em "História de aventura", Gaiman pondera sobre a morte e sobre como, ao morrer, as pessoas levam consigo suas histórias. No suspense "Caso de morte e mel", ele nos presenteia com sua versão do mundo de Sherlock Holmes. Em "A Bela e a Adormecida", duas conhecidas personagens de contos de fadas têm suas histórias entrelaçadas em uma releitura bastante original. "Hora nenhuma" é um conto muito especial sobre Doctor Who, escrita para o quinquagésimo aniversário da série de tevê, em 2013. E há também um conto escrito exclusivamente para esta coletânea: "Cão negro", que revisita o mundo de Deuses americanos ao narrar um episódio que envolve Shadow Moon em um bar durante seu retorno aos Estados Unidos.
Um escritor sofisticado cujo gênio criativo não tem paralelos, Gaiman hipnotiza com sua alquimia literária e nos transporta para as profundezas de uma terra desconhecida em que o fantástico se torna real e o cotidiano resplandece. Repleto de estranheza e terror, surpresa e diversão, Alerta de risco é um tesouro que conquista a mente e agita o coração do leitor.


E, como sempre, tem mais! Para conferir outros títulos, clique na imagem abaixo:



Quais vocês gostariam de ler?


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Espada de Vidro - Victoria Aveyard

Se sou uma espada, sou uma espada de vidro, e já me sinto prestes a estilhaçar.
O sangue de Mare Barrow é vermelho, da mesma cor da população comum, mas sua habilidade de controlar a eletricidade a torna tão poderosa quanto os membros da elite de sangue prateado. Depois que essa revelação foi feita em rede nacional, Mare se transformou numa arma perigosa que a corte real quer esconder e controlar.
Quando finalmente consegue escapar do palácio e do príncipe Maven, Mare descobre algo surpreendente: ela não era a única vermelha com poderes. Agora, enquanto foge do vingativo Maven, a garota elétrica tenta encontrar e recrutar outros sanguenovos como ela, para formar um exército contra a nobreza opressora. Essa é uma jornada perigosa, e Mare precisará tomar cuidado para não se tornar exatamente o tipo de monstro que ela está tentando deter.
AVEYARD, Victoria. Espada de Vidro. A Rainha Vermelha #2. Editora Seguinte, 2016. 496 p.

A Rainha Vermelha foi uma leitura que surgiu de uma forma inusitada: apesar de não ser parceira da Editora Seguinte ou da Companhia das Letras, faço parte de um rol de blogueiros para os quais eles oferecem alguns livros para resenha. Eu já tinha visto algumas resenhas por aí, mas não me detive nos detalhes da trama, então quando realmente peguei o livro para ler, fui fisgada facilmente pelas surpresas concebidas por Victoria Aveyard.

Espada de Vidro, segundo volume da série, consegue ser ainda mais intenso que o primeiro livro. É irritantemente viciante, pois as mudanças repentinas tiram constantemente o fôlego do leitor. Em vários momentos me peguei chocada com alguém, com alguma coisa, e simplesmente não conseguia acreditar. Aí, para minha surpresa, Victoria Aveyard chacoalhava a trama toda e – AI MEU DEUS – fui enganada novamente. A leitura foi cansativa, desgastante – e incrível.

"A Mare de Palafiras morreu no dia em que caiu no escudo elétrico. Mareena, a princesa prateada desaparecida, morreu no Ossário. E não sei quem é a pessoa que abriu os olhos no subtrem. Só sei o que ela foi e o que perdeu, e o peso disso é quase esmagador."

Algumas coisas são diferentes do primeiro livro. Mare não é mais só uma menina boba, tem uma segurança que não tinha antes e é perceptível a maturidade que adquiriu no decorrer da história. Ela está mais corajosa, consegue enfrentar quem quer que seja e se posicionar sobre o que acredita. Por outro lado, ela está ferida, foi traída por uma das pessoas em que mais confiava e isso a magoou profundamente. O problema é que agora ela não consegue confiar em ninguém, e é irritante a quantidade de vezes que ela afasta aqueles que, indubitavelmente, só querem o seu bem.

O segundo livro é repleto de ação e aventura, e há poucas cenas em que alguma calmaria acontece. Geralmente os personagens estão em busca de sanguenovos – outros vermelhos com poderes como Mare –, infiltrando-se em cidades, ou em alguma fuga alucinada. Essa construção da narrativa é envolvente e dinâmica e, como já comentei, torna a leitura ainda mais atrativa.

Como no primeiro livro, também há algum romance, suave, discreto, que serve para contrabalancear o enredo, mas está longe de ser o aspecto principal. E há ainda maior cautela agora, existem mágoas demais para ignorar e outras pessoas que podem se machucar.

"Antes, eu acreditava que o sangue era tudo no mundo, a diferença entre a luz e a escuridão, uma divisão irrevogável e intransponível. Tornava os prateados poderosos, frios e brutais, desumanos até, quando comparados aos meus irmãos vermelhos. Mas pessoas como Cal, Julian e até mesmo Lucas me mostraram como eu estava errada. Os prateados são humanos como nós, cheios dos mesmos medos e esperanças. Não estão livres do pecado, mas também não estamos. Nem eu estou."

Victoria também não nos poupa de alguma dor. Eu geralmente adoro quando um autor tem coragem de arriscar seus personagens, e isso também se aplica aqui, mas eu simplesmente não consegui superar o fato de que ela matou meu personagem favorito. Não estou sabendo lidar com isso, e quero deixar registrado que o livro só não entrou para minha lista de favoritos por conta disso.

Não posso comentar nada mais para não soltar spoilers da série, e acreditem em mim, é a surpresa que torna o livro tão fascinante. Para aqueles que desejam livros que vão mudar a sua vida, a série A Rainha Vermelha não se volta a essa finalidade. Mas se o interesse for uma história envolvente, divertida, emocionante e intensa, tudo ao mesmo tempo, a série é mais do que recomendada.

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Talvez um dia - Colleen Hoover

Sinopse: Sydney acabou de completar 22 anos e já fez algo inédito em sua vida: socou a cara da ex- melhor amiga. Até hoje, ela não podia reclamar da vida. Um namorado atencioso, uma melhor amiga com quem dividia o apartamento... Tudo bem, até Sydney descobrir que as duas pessoas em quem mais confiava se pegavam quando ela não estava por perto. Até que foi um soco merecido. Sydney encontra abrigo na casa de Ridge. Um músico cujo talento ela vinha admirando há um tempo. Juntos, os dois descobrem um entrosamento fora do comum para compor e uma atração que só cresce com o tempo. O problema é que Ridge tem uma namorada, e a última coisa que Sydney precisa agora é se transformar numa traidora. (Skoob)
HOOVER, Colleen Talvez um dia. Editora Galera, 2016. 368 p.

É fácil você reconhecer quando um escritor, ou escritora neste caso, é competente: é quando consegue transformar clichês em algo que parece novo. Sydney foi traída pelo namorado com a melhor amiga, mas ela faz a mesma coisa tempos mais tarde com outra pessoa; Ridge é o cara legal que toca violão e por quem todas se apaixonam, mas ele é surdo e não é assim tão perfeito; a namorada de Ridge sofre de um problema de saúde, que poderia ser o motivo para solucionar o dilema de Ridge, mas isso não acontece, e o dilema é solucionado da forma mais justa. E assim por diante. Ou seja, você conhece as situações, mas passa a não conhecer os resultados. E isso, só quem é talentoso consegue fazer.


Mas Hoover vai além e acerta em vários outros pontos, como construir personagens multidimensionais, com um passado consistente e verossímil, que justifica perfeitamente o caráter e as atitudes de cada um. E todos eles, mesmo quando são irritantes, como Warren, o amigo de Ridge, ou implicantes, como Bridgette, a namorada de Warren, conseguem conquistar o leitor, exatamente porque parecem reais.

Ela também acerta no relacionamento entre eles. Tanto na construção gradativa da amizade de Sydney com Warren e Bridgette, no relacionamento cauteloso de Sydney com Maggie, a namorada de Ridge, e, finalmente, no romance entre Sydney e Ridge, que é o cerne da história.

Alguns trechos são recheados de um erotismo sútil, mas muito mais efetivo do que se fosse explícito, como quando Ridge ouve Sydney cantar, encostando seu ouvido na barriga dela. É difícil imaginar o quanto duas pessoas apaixonadas precisam se controlar para não se agarrarem numa situação como essa. E Hoover a descreve com cuidado, com calma, com riqueza de detalhes, deixando o leitor totalmente imerso no que está acontecendo.


Inclusive, a forma como os sentimentos que Sydney e Ridge evoluem, pode ser comparado ao clima crescente de tensão de um filme de suspense. O gráfico subjetivo que a autora constrói é perfeito, e o leitor sente que os dois vão, aos poucos, chegando ao limite da resistência para se manterem afastados e não cruzarem o limite que irá magoar Maggie, tornar Sydney em um tipo de pessoa que ela abomina, e Ridge em um traidor. E os limites que eles próprios se impõem, são totalmente compreensíveis.

Entretando, e apesar de ter gostado muito da obra, a ponto de querer ler mais livros de Hoover, preciso fazer duas pequenas ressalvas: a primeira é em relação à autora ter prolongado demais o impasse entre Sydney e Ridge, o que ocasionou a repetição de algumas situações e quase tornou a leitura cansativa em alguns pontos; a segunda se refere ao momento que a autora escolheu para que Ridge voltasse a falar, uma vez que ele se mantém mudo desde a infância, devido a motivos bem compreensíveis e emocionantes. Existiram dois outros momentos, mais para o fim do livro, onde a voz de Ridge causaria muito mais impacto do que o escolhido.


Mas isso não afeta em quase nada o resultado final do livro. Inclusive, o momento da verdade entre Sysdney, Maggie e Ridge, não poderia ser de forma diferente da colocada no livro. É algo que se tornou comum hoje em dia e que, por isso mesmo, convence totalmente, além de deixar os três personagens com sua dignidade e com suas escolhas feitas com base no que realmente sentem e no que realmente viveram juntos.

Enfim, Talvez um dia é um romance leve, sem muitos acontecimentos, mas que abusa da criatividade em situações comuns e que apresenta personagens cativantes e muito bem construídos, com um final digno. :)

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Leituras do Mês: Julho


Julho foi um mês e tanto! Depois da correria do final de semestre, deu tudo certo. Agora sou uma senhora formada, bacharel em Direito :D rsrsrs

Por conta disso, também estou mais livre para minhas leituras. Em julho foram cinco livros, e gostei muito da maioria deles.

O primeiro livro lido no mês foi A Rebelde do Deserto, que é muito envolvente e surpreendente! Logo depois li A história de nós dois, romance lindo com um final perfeito. 

Também li Loney, um terror psicológico que me fez até sonhar, ou melhor, ter pesadelos. A resenha foi publicada pelo Carlos, mas eu falei sobre a atmosfera de Loney e a influência católica do autor na Semana Especial da Editora Intrínseca.

Sedução da Seda me fez matar as saudades dos romances de época e, por último li Rick & Cath, que recebi em parceria da Ler Editorial.

Todos já têm resenhas aqui no blog, para ler basta clicar sobre o título.

E vocês, como foram as leituras em julho?

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Rick & Cath - Eva Zooks

Sinopse: Tudo que eles precisam para recomeçar é confiar na força do amor.
O amor não escolhe hora nem lugar para acontecer. Muito menos as tragédias.
Rick e Cath se veem separados por suas escolhas, mas uma fatalidade volta a uni-los.
Será que o amor que sentem um pelo outro é grande o suficiente para superar esse imenso desafio e fazer com que voltem a caminhar juntos, enfrentando as dificuldades?
Ou a tragédia que os abalou poderá separá-los de vez? (Skoob)
ZOOKS, Eva. Rick & Cath. Recomeçar #1. Ler Editorial, 2016. 244 p.

Confesso que escolhi Rick & Cath, de Eva Zooks, mais pela capa do que qualquer outra coisa. Também porque gosto de histórias de recomeço e de superação e as chances de o livro me agradar eram grandes. Infelizmente, não foi bem isso que aconteceu e, apesar de ser uma leitura rápida, que concluí em apenas uma tarde, não fui conquistada pelo livro.

A obra conta a história de cinco amigos e da "caçulinha" do grupo, Cath, a partir de duas tragédias que mudaram a vida dela e de Rick. Com dois bebês para criar, eles perceberam que seria mais fácil fazer isso juntos, e ela passou a morar na casa da fazenda onde residiam os antigos amigos. Mesmo assim, seria preciso superar a perda e as dificuldades, e isso poderia ser ainda muito doloroso.

Destaco que gostei bastante do clima rural da história, da casa grande em uma fazenda, da relação de amizade entre os personagens. Esses aspectos tornaram a leitura muito fácil e rápida, e fui  ainda surpreendida com algumas risadas causadas pelas conversas descontraídas daqueles "meninos". O modo como eles se ajudavam, como não tinham medo de cuidar dos bebês, como faziam o possível e o impossível uns pelos outros, permitiu-me criar um carinho por cada um deles e me trouxe a curiosidade de conhecê-los melhor.

"Caminharam juntos em silêncio. Nenhuma palavra precisou ser dita, nenhum aperto de mão precisou ser trocado. Eram uma unidade, apenas pelo olhar conseguiam entender o que o outro sentia."

A escrita de Eva Zooks é fundamentalmente narrativa, e se preocupa pouco com descrições. Isso dá agilidade à trama, já que se volta aos acontecimentos e às pessoas, sem deixar de ambientar o leitor com aspectos descritivos aqui e ali.

Por outro lado, alguns detalhes do livro esfriaram minha relação com a leitura. Em primeiro lugar, senti falta de uma descrição física dos personagens. Por serem muitos e pelo fato de que apenas uma ou outra característica esparsa foi colocada no texto, não consegui formar uma imagem mental de cada um e tive a sensação de que não consegui colocá-los em foco na minha mente. Além disso, algumas frases eram ditas por alguns personagens sem a correta identificação do locutor, e eu me vi perdida sem saber exatamente quem falou.

Outro ponto que prejudicou um pouco minha leitura foi a impressão de que a história não foi planejada e pensada para seguir uma linearidade. Fiquei com essa sensação porque alguns detalhes que eu, como leitora, deveria conhecer desde o início da história, somente foram apresentados já no decorrer do livro, o que me exigiu reorganizar o contexto que havia apreendido até então. Como exemplo, o fato de que Cath havia sido apaixonada por Rick na adolescência, só foi citado quando os dois já estavam morando sob o mesmo teto, lá pelo capítulo 10. Antes disso, não houve nada, nenhuma pista, nenhum rápido pensamento, nenhum comentário, nem quando eles se encontraram no hospital, nem quando decidiram cuidar dos bebês juntos. Pelo que entendi, o livro foi escrito inicialmente no Wattpad, o que explicaria a situação, já que os capítulos publicados não poderiam ser mais alterados.

O último aspecto que prejudicou minha leitura foram alguns erros de gramática e concordância por toda a história, em quantidade um pouco maior do que o razoável. Compreendo que português é uma língua difícil e, em geral, ignoro a maior parte dos erros, mas neste caso o livro deixou a desejar no que se refere a revisão.

Ainda assim, Rick & Cath flui e é uma leitura agradável, ótima companhia para quem quer um livro curto e despretensioso.

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Novidades #142: Lançamentos Arqueiro Agosto

Oi pessoal! Primeira semana de agosto, e as novidades das editoras vêm pipocando para a gente, especialmente porque está chegando a bienal de São Paulo.

Outra vez não poderei estar lá, e minha forma de estar presente é acompanhar as postagens da galera pelas redes sociais <3 rsrs Mesmo de longe eu curto um pouquinho.

Enquanto o evento não começa, que tal conferirmos alguns dos lançamentos da Editora Arqueiro para este mês?


O coração da esfinge, de Collen Houck - Lily Young achou que viajar pelo mundo com um príncipe egípcio tinha sido sua maior aventura. Mas a grande jornada de sua vida ainda está para começar.
Depois que Amon e Lily se separaram de maneira trágica, ele se transportou para o mundo dos mortos – aquilo que os mortais chamam de inferno. Atormentado pela perda de seu grande e único amor, ele prefere viver em agonia a recorrer à energia vital dela mais uma vez.
Arrasada, Lily vai se refugiar na fazenda da avó. Mesmo em outra dimensão, ela ainda consegue sentir a dor de Amon, e nunca deixa de sonhar com o sofrimento infinito de seu amado. Isso porque, antes de partir, Amon deu uma coisa muito especial a ela: um amuleto que os conecta, mesmo em mundos opostos.
Com a ajuda do deus da mumificação, Lily vai descobrir que deve usar esse objeto para libertar o príncipe egípcio e salvar seus reinos da escuridão e do caos. Resta saber se ela estará pronta para fazer o que for preciso.
Nesta sequência de O despertar do príncipe, o lado mais sombrio e secreto da mitologia egípcia é explorado com um romance apaixonante, cenas de tirar o fôlego e reviravoltas assombrosas.

Essa luz tão brilhante, de Estelle Laure - O pai dela surtou e foi internado. A mãe disse que ia viajar por uns dias e nunca mais voltou. Wren, sua irmãzinha, parece bem, mas já está tendo problemas na escola. Lucille tem só 17 anos, e todos os problemas do mundo. Se não conseguir arrumar um emprego para pagar as contas e fingir para os vizinhos que está tudo em ordem, pode perder a guarda da irmã. Sorte a dela ter Eden, uma amiga tão incrível que se dispõe a matar aulas para ajudá-la. Azar o dela se apaixonar perdidamente justo agora, e justo por Digby, o irmão gêmeo de Eden, que é lindo, ruivo... mas comprometido.
Essa luz tão brilhante é a história de uma garota que descobre uma grande força dentro de si enquanto aprende que a vida e o amor podem ser imprevisíveis, assustadores e maravilhosos – tudo junto e misturado.

As cores da vida, de Kristin Hannah - As irmãs Winona, Aurora e Vivi Ann perderam a mãe cedo e foram criadas por um pai frio e distante. Por isso, o amor que elas conhecem vem do laço que criaram entre si. Embora tenham personalidades bastante diferentes, na verdade são inseparáveis.
Winona, a mais velha e porto seguro das irmãs, nunca se sentiu em casa no rancho da família e sabe que não tem as qualidades que o pai valoriza.
Mas, sendo a melhor advogada da cidade, ela está determinada a lhe provar seu valor.
Aurora, a irmã do meio, é a pacificadora. Ela acalma as tensões familiares e se desdobra pela felicidade de todos – ainda que esconda os próprios problemas.
E Vivi Ann é a estrela entre as três. Linda e sonhadora, tem o coração grande e indomável e é adorada por todos. Parece que em sua vida tudo dá certo. Até que um forasteiro chega à cidade...
Então tudo muda. De uma hora para a outra, a lealdade que as irmãs sempre deram por certa é posta à prova. E quando segredos dolorosos são revelados e um crime abala a cidade, elas se veem em lados opostos da mesma verdade.

Quando o amor bater à sua porta, de Samanta Holtz - Malu Rocha é uma escritora de 29 anos independente, confiante e bem-sucedida. Mora sozinha em São José dos Pinhais, perto de Curitiba, onde mantém uma rotina regrada de pedalar todas as manhãs, escrever e, semanalmente, visitar o avô de 98 anos em uma casa de repouso.
Porém sua vida toda controlada sai do eixo quando um homem bate à sua porta e se apresenta como Luiz Otávio Veronezzi, dizendo ter perdido uma reunião marcada com ela. Malu não se lembra do compromisso e sua primeira reação é dispensá-lo. Mas o belo desconhecido insiste, explicando que sofreu um acidente de carro, ficou em coma e perdeu a memória, assim como seus documentos. As únicas coisas que restaram foram um pouco de dinheiro e um papel com o nome e o endereço de Malu, o nome dele e a data da reunião. Luiz confessa que a escritora era sua última esperança para descobrir a própria identidade.
O problema é que ela não tem a menor ideia de quem ele seja.
Desconfiada, mas sentindo-se responsável pelo acontecido, Malu decide ajudá-lo e embarca em uma jornada para descobrir quem ele é – o que acaba trazendo à tona muitos fatos sobre si mesma, seus medos e segredos mais bem guardados, além de um passado que preferia esquecer.
A bela narrativa e a trama que prende do começo ao fim nos convidam a acompanhar Malu e Luiz nessa busca que se transforma em uma história de amor de tirar o fôlego.

A Senhora do Império, de Raymond E. Feist e Janny WurtsA Senhora do Império é a conclusão da trilogia A Saga do Império, um elaborado jogo de intrigas e poder criado pelas mentes afiadas de Raymond E. Feist e Janny Wurts.Em Kelewan, Mara, a Senhora dos Acoma, sente-se segura e em paz pela primeira vez na vida – até que seus inimigos tentam matá-la e acabam tirando a vida de seu filho. Abalada pela tragédia e cercada por espiões, assassinos e casas rivais, ela enfrentará o maior desafio de sua vida e sofrerá ainda mais perdas durante esse trajeto. Em busca de justiça, ela verá seus planos frustrados pela Assembleia de Magos, que detém o poder real do Império e mantém a população dócil e domesticada, e também pelos terríveis Mantos Negros, que encaram Mara como a ameaça suprema ao seu poder ancestral. Então, para assegurar a paz, Mara deverá viajar para além das fronteiras da civilização, desvendando antigos segredos até os portões de Chakaha, a cidade dos estranhos cho-ja. Reunindo toda a sua coragem e astúcia, a Serva do Império iniciará sua maior batalha em nome da sua vida e do seu lar.

E é claro que tem mais! A Editora lançará este mês o terceiro livro da série As Sete Irmãs, com o título A Irmã da Sombra. Os dois primeiros livros serão relançados com nova capa combinando. Para saber mais sobre esses e outros lançamentos, basta clicar nas imagens:



Agora me contem: quais livros vocês estão mais curiosos para ler?

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Simon vs. a Agenda Homo Sapiens - Becky Albertalli

Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte. Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar. Agora, o adolescente avesso a mudanças precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu. Uma história que trata com naturalidade e bom humor de questões delicadas, explorando a difícil tarefa que é amadurecer e as mudanças e os dilemas pelos quais todos nós, adolescentes ou não, precisamos enfrentar para nos encontrarmos.
ALBERTALLI, Becky. Simon vs. a Agenda Homo Sapiens. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 2016. 272 p.

Gosto bastante de livros com a temática LGBT por motivos óbvios, mas infelizmente ainda existem poucos livros que tratam do assunto. Não preciso nem dizer o porquê de eu ter escolhido Simon vs. a Agenda Homo Sapiens, né? Estava bastante ansiosa pela leitura e, quando a fiz, foi de uma vez só, numa sentada. A leitura é bem rápida e dinâmica e sim, a história é muito fofinha, gostosinha e todos os outro adjetivos do gênero, mas com algumas ressalvas. 

Simon ainda está no Ensino Médio, tem 16 anos, mas possui uma certeza: é gay. Só que, é claro, ninguém sabe. Não que ele tenha medo da reação dos pais ou o que as pessoas vão pensar dele, é só um drama que pode muito bem ser evitado. Simon está trocando e-mails com um garoto misterioso, Blue, há algum tempo, e sente que ele é a única pessoa em que pode confiar a sua sexualidade. O grande problema é que um de seus colegas de escola, Martin, acaba lendo esses e-mails e decide fazer uma chantagenzinha básica para conseguir sair com Abby, a garota dos sonhos. 

O mistério da identidade de Blue já fisga o leitor desde a primeira página e segue até o final da história. Creio que um dos motivos de eu ter lido o livro tão rápido tenha sido a minha curiosidade. Quando pensei que tinha descoberto a identidade do garoto, Becky Albertalli deu uma guinada na história que foi impossível largar até terminar. É claro que os personagens incríveis ajudaram bastante, me apaixonei perdidamente pela Abby. 

O mais legal de tudo é que Simon vs. a Agenda Homo Sapiens não fala apenas sobre homossexualidade, mas também dá uma grande ênfase no tema "amizade virtual". Há quem não acredite, já eu tenho certeza da existência dela. A amizade criada por Blue e Jacques — pseudônimo de Simon — foi de extrema importância para o amadurecimento de ambos, principalmente quando se fala em "sair do armário". O tempo todo a autora tenta dizer que se assumir não é esse terror todo que parece. 

É muito fácil gostar do Simon, apesar dos dramas um pouco desnecessários. Acho que essa foi a única coisa que me desagradou em toda a história, além do fato de eu ter esperado um pouquinho mais da obra em si, principalmente do final. Não que o desfecho da história tenha sido ruim, inclusive foi uma explosão de fofura, só achei que merecia muito mais. A parte que mais me agradou foi, sem dúvidas, a narrativa da Becky Albertalli, que me surpreendeu imensamente. Ah, o fato de o livro intercalar narração e e-mails também deu uma guinada na leitura. 

Por mais que a homossexualidade seja a essência de Simon vs. a Agenda Homo Sapiens, acredito que a real mensagem que a autora quis passar foi "se aceite como você é e seja feliz", lembrando que essa aceitação não depende das outras pessoas, mas sim de nós mesmos. 







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Top Comentarista - Agosto


Agosto também terá Top Comentarista, desta vez em parceria com a Editora Arqueiro! Todos os títulos são da editora, e o ganhador escolherá um deles para receber em casa.
 
Para se inscrever é preciso:
  • Seguir o Conjunto da Obra pelo Google Friend Connect (clicar em "Participar deste Site" na barra lateral direita)
  • Ter endereço de entrega em território Brasileiro.
  • Preencher o formulário abaixo.
  • Comentar em todos os posts publicados no mês de agosto, incluído o publicado ontem, exceto os de lançamentos de novas promoções.

Serão cinco títulos disponíveis:

1. Quando o amor bater à sua porta
2. Apenas um garoto
3. Sedução da seda
4. A história de nós dois
5. Confissões de uma garota excluída, mal amada e (um pouco) dramática

  • Seguidas todas as regras iniciais, para participar, basta preencher a primeira entrada do formulário. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais.
  • Serão considerados válidos os comentários nas postagens do mês de agosto se feitos até o dia 1º de setembro. Ou seja, será concedido um dia a mais para que os participantes consigam comentar nas últimas postagens do mês.
  • O participante deve fazer comentários válidos, que demonstrem que a postagem foi lida. Não adianta dizer que está curioso para conhecer a história, isso não é suficiente, e o participante será desclassificado.
  • O vencedor será definido por sorteio, dentre os participantes que comentarem em todas as postagens do mês. Apenas depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.
  • O sorteado escolherá o livro que deseja ganhar da lista de livros citada acima.
  • O sorteado será contatado por email, tendo o prazo de 24h para fornecer seus dados. Caso não envie resposta no prazo, será realizado novo sorteio.
  • O livro será enviado pela Editora Arqueiro.
  • A Equipe do Conjunto da Obra se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.
  • Esta postagem também conta para o Top Comentarista.


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Meio Rei - Joe Abercrombie

Sinopse: Filho caçula do rei Uthrik, Yarvi nasceu com a mão deformada e sempre foi considerado fraco pela família. Num mundo em que as leis são ditadas por pessoas de braço forte e coração frio, ser incapaz de brandir uma espada ou portar um escudo é o pior defeito de um homem. Mas o que falta a Yarvi em força física lhe sobra em inteligência. Por isso ele estuda para ser ministro e, pelo resto da vida, curar e aconselhar. Ou pelo menos era o que ele pensava. Certa noite, o jovem recebe a notícia de que o pai e o irmão mais velho foram assassinados e não lhe resta escolha a não ser assumir o trono. De uma hora para outra, ele precisa endurecer para vingar as duas mortes. E logo sua jornada o lança numa saga de crueldade e amargura, traição e cinismo, em que as decisões de Yarvi determinarão o destino do reino e de todo o povo. (Skoob)

ABERCROMBIE, Joe Meio Rei. Editora Arqueiro, 2016. 288 p.

O maior mérito de Meio Rei não está na sua história, repleta de reviravoltas, provações, sacrifícios, vinganças e mortes, mas na construção e na evolução dos personagens, principais e secundários.

Yarvi, o príncipe mais novo do reino de Gettland, possui uma mão deformada, o que, na época em que vive, significa que não pode lutar pelo que reina. Mas ele nem quer. Prefere ser ministro, onde sua inteligência pode fazer mais do que seu físico. Mas sua deformidade também afasta sua mãe, Laithlin, ministra do tesouro, que é uma mulher exigente, fria e incomplacente com o filho.

Quando o rei e o filho mais velho são assassinados por Grom-gil-Gorm, o conquistador rival, Yarvi é obrigado a assumir o trono negro e reinar onde não desejava. Mas não é só ele quem fica descontente. Seu tio, Odem, executa um atentado contra a vida de Yarvi, que só consegue escapar por pura sorte. Mas é abandonado do outro lado do Mar Despedaçado, e todos pensam que ele morreu. Vendido como escravo para um navio de piratas, comandado pela impiedosa Shadikshirram, Yarvi começa uma peregrinação de aprendizado de como sobreviver diante das piores torturas, tendo como motivação seu desejo de vingança contra Odem e a vontade de reassumir o Trono Negro, seu direito de nascença.

"Pessoas gritavam, mas Yarvi mal conseguia ouvir as palavras em meio ao latejamento do sangue nos ouvidos, como o rugido insensato de uma tempestade. Viu a escotilha de proa, cabaleando, estremecedo. Sua mão se fechou em volta da maçaneta. Ele puxou-a e mergulhou de cara na escuridão."

Quase todos os personagens de Meio Rei começam a história com convicções e comportamentos que vão sendo modificados ao longo da aventura. Alguns mostram a verdadeira face, outros crescem em caráter e afeição. Yarvi deixa de ser um garoto temeroso e preso às limitações de só possuir uma mão, e vira um homem calculista, duro, forte nas suas convicções. Ele vira um rei, com todo o peso do título. Sua mãe, Laithlin, descobre que a perda do filho é muito maior do que ela imaginava, e reconhece, na volta dele, o surgimento de alguém muito mais forte do que ela supunha.

Durante a jornada de vingança, Yarvi se apaixona pela escrava Sumael, cria aliados e amigos de sangue, como o misterioso Nada, os bravos Ankran e Rulf, que o acompanham por batalhas, saques, duelos, fugas, no meio de tempestades e desertos gelados, viajando em navios ou a pé. E como disse no início deste texto, todos eles vão sendo modificados, para bem ou para mal, diante daquilo que fazem, ou sofrem.

Quando finalmente, depois de tantas provações, chegamos à tão desejada vingança, somos surpreendidos por revelações que, na verdade, haviam sido planejadas desde as primeiras páginas, mas que não prestamos atenção. Descobrimos que para governar, não é necessário ser rei, mas, sim, saber planejar e executar de forma discreta. E nas últimas páginas, confirmamos que Yarvi não é mais, de forma alguma, aquele jovem temeroso do início. E que virou alguém bem mais inteligente, astuto e calculista do que um rei pode ser.

Meio Rei é o primeiro volume da série Mar Despedaçado. Pelo que pude pesquisar, os próximos livros possuem personagens diferentes, mas fazem referência, ou têm participações secundárias, dos personagens dos outros livros. Não sei dizer como as histórias irão se encontrar, ou se vão se encontrar, mas acredito que prometem ser tão boas quanto a do pequeno grande Yarvi, o meio-homem, meio-escravo, meio-guerreiro, mas rei por completo.

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