Sinopse: Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina.
O SILÊNCIO PODE SER ENSURDECEDOR #100PALAVRAS
O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.
Esse é só o começo...
Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.
...mas não é o fim.
Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.
Livro recebido em parceria com a Editora.
DALCHER Christina. Vox. Editora Arqueiro, 2018. 320p.
Os Estados Unidos foram dominados por um governo de extrema direita, onde líderes religiosos com opiniões retrógradas decidiram extinguir direitos de certa parcela da população. Essa parcela inclui todas as mulheres, homossexuais e qualquer pessoa que tenha opinião contrária ao governo. As mulheres perderam o direito de fala, limitando o número de palavras para 100 por dia. Elas são obrigadas a usar uma pulseira com um contador e caso exceda o limite de palavras, são punidas com choques cada vez mais fortes. Além disso, parecem ter voltado anos na história: não podem mais trabalhar, devem ser completamente submissas aos homens e pedir permissão para fazer qualquer coisa. Já os homossexuais, são presos, humilhados e obrigados trabalharem como escravos.
A Dra. Jean McClellan é mais uma das mulheres que estão sofrendo com essas novas regras, entretanto, agora o governo precisa dela. Ela é neurolinguista e estudou doenças que afetam a fala, principalmente uma doença chamada afasia. Por isso, seus conhecimentos são necessários quando o irmão do presidente sofre um acidente e é afetado pela tal doença. O presidente quer que ela trabalhe no desenvolvimento de uma cura, que inclusive já vinha trabalhando antes de ser impedida pelo governo. Em troca, eles tiram sua pulseira e concedem alguns outros poucos benefícios, entretanto, ela sabe que após descobrir a cura, sua vida voltará a ser o mesmo pesadelo.
Ela tem três filhos e uma filha. Filha essa que já sofre com a impotência das mulheres. Desde pequena, a garota tem que se acostumar com a pulseira limitando suas palavras, seu vocabulário é extremamente limitado, dificultando muito seu desenvolvimento. Além disso, assim como as outras meninas, ela estuda em escolas separadas e só aprendem basicamente como serem donas de casa.
Mesmo sabendo que se trata de uma situação hipotética e realmente muito extrema, a leitura é completamente angustiante; só de imaginar que algo do tipo um dia pudesse vir a acontecer, senti uma dor no coração. Além disso, sabemos quem em alguns países as mulheres se encontram em situações bem parecidas com essa. É chocante imaginar algo do tipo, o direito das pessoas sendo tomados dessa forma, é algo absurdo e que foi bem retratado no livro.
A escrita é fluida, a todo momento novidades aparecerem, gerando diversos questionamentos no leitor. A narrativa fica toda por conta de Jean, que em diversos momentos relembra como era antes de tudo acontecer e voltando ainda mais no passado, se lembra de como uma amiga de faculdade participava de manifestações contra esse tipo de governo e ela nunca deu bola. Ao ter esses pensamentos, ela se sente ainda mais culpada e sua vontade de reagir se intensifica cada vez mais.
Além de todo esse cenário, Jean tem questões pessoais a resolver que estão sendo diretamente afetadas pelos acontecimentos atuais e a pressão que sofre é enorme. Trabalhando para o governo, ela entende a situação um pouco melhor e descobre os planos do presidente para o futuro do país, planos que dividiriam ainda mais a população e destruiria o sonho de um dia tudo voltar ao normal.
Um personagem que me marcou bastante foi Steven, filho mais velho de Jean. Ele é um garoto que se deixou dominar facilmente pelas ideologias do governo, assim como várias outras pessoas, parece ter sofrido uma lavagem cerebral e se dispôs a seguir as novas regras do governo fielmente, mesmo que tenha que ir contra seus próprios amigos e familiares. Ele começou a tratar até sua mãe como um ser inferior e isso me deixou muito irritada.
O único ponto que não me agradou totalmente na obra foi o final. Acho que a autora poderia ter desenvolvido mais, abrangido mais todos os elementos disponíveis para causar um impacto ainda maior. Senti falta de detalhes, de mais resoluções que não vieram. Mas ainda assim, indico esse livro para todos, pois mesmo sendo uma ficção, é capaz de causar grande choque e quem sabe, conscientizar algumas pessoas sobre temas políticos e sociais, principalmente.
































































