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Quase Pronta - Meg Cabot

Sinopse: Samantha foi convidada a passar o final de semana na casa de campo do seu namorado que não é ninguém menos que o filho do presidente! David tem mil atividades programadas para eles, mas Samantha desconfia que ele a tenha convidado por outro motivo. E, se for verdade, ela não tem certeza se vai estar preparada... (Skoob)
 CABOT, Meg. Quase Pronta. Galera Record, 2008. 288p.


Em A Garota Americana, Sam salvou o presidente e sua vida mudou. Agora ela está namorando o filho dele e acredita que ele quer fazer sexo. Ela acaba dizendo isso em voz alta em rede nacional de televisão e sua vida muda mais ainda.

Claro que salvar o presidente e namorar o filho dele já a deixa famosa, mas imagina então dizer para todo mundo que eles estavam transando (apesar de nem estarem ainda) numa época em que até cantoras pop tinham que fingir ser virgens e quando o sogro dela incentiva a abstinência dos adolescentes como melhor método de se evitar gravidez indesejada e DSTs.

São diversos momentos de vergonha alheia de conversas em família sobre sexo que me fizeram rir muito, principalmente os pais e a empregada repreendendo a Samantha e falando da má influência para a irmã mais nova, e esta respondendo que já sabe tudo sobre o assunto. Afinal, lembrando, ela é superdotada. A mídia também é engraçada, ao mesmo tempo que imprópria e intrometida, fazendo perguntas absurdas como "Vocês fizeram no quarto de Lincoln?" se referindo a um antigo presidente.

Nesse livro, a Sam arrumou um emprego na locadora Potomac. Eu li esse livro em 2008 e ainda frequentava locadoras, mas se vocês forem ler agora, vão ter muita nostalgia. A personagem fazia listas desde o primeiro livro e as desse são muito boas, porque várias são de filmes, e eu sempre volto nelas para ver quais eu já vi e quais quero ver. Na locadora, trabalha uma menina superdescolada que tem cabelo colorido e não mora com os pais, tudo que a Sam sonha em ser. Elas se tornam amigas. É interessante, principalmente porque ela é muito mais experiente que a Sam sobre sexo.

Outra que tenta aconselhar e ensinar algumas coisas é sua irmã mais velha, Lucy, que tem também sua própria história nesse livro. Ela precisa fazer aulas particulares e se apaixona pelo professor. Essa parte é fofa. 

Sam continua fazendo aulas de arte e agora tem que fazer pintura de modelos nus, algo que ela tem pavor, ainda mais porque agora está pensando em ter sua primeira vez.

Esse livro é bem criticado. Principalmente porque, quando você chega no final, você vê que não tinha necessidade de tudo aquilo, que foi dramático. Eu concordo, mas até gosto, e não acho que isso seja o bastante para dizer que essa continuação não deveria existir, porque outras histórias, como a da Lucy, foram legais. Na época que eu li, minhas amigas não gostaram do final por um outro motivo: que faltou fechar alguns pontos. Eu concordei, porém gostei mesmo assim, e eu geralmente não gosto quando o final não é muito fechado.

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A Garota Americana - Meg Cabot

Sinopse: A GAROTA AMERICANA acompanha o cotidiano de Samantha, uma típica garota americana, que leva uma vida muito parecida com a de tantas outras meninas de sua idade. Até que um dia resolve matar aula de arte e, por acaso, salva o presidente americano de uma tentativa de assassinato. Samantha logo vê sua vida virar de cabeça para baixo ao ser nomeada embaixadora da ONU, sem saber exatamente o que o cargo significa. (Skoob) 
CABOT, Megan. A Garota Americana. Galera Record, 2008. 352p.


A Garota Americana conta a história de Samantha Madison, uma garota rebelde que está entre sua irmã mais velha popular e linda e sua irmã mais nova superdotada. Ela leva uma vida como a de muitas garotas, até o dia em que resolve matar a aula de arte e acaba salvando o presidente. Após isso, as pessoas passam a achar que ela é uma heroína, apesar de ela não aceitar isso. As pessoas começam a mandar agradecimentos e presentes, a turma dos populares passa a puxar saco dela e ninguém mais a trata mal como antes. Ainda por cima tem David, o filho do presidente por quem ela sente um frisson, apesar de achar que está apaixonada pelo namorado da sua irmã, Jack. Muitas coisas engraçadas e loucas acontecem na vida dela, como ser nomeada embaixadora teen da ONU. E muitas reviravoltas acontecem na história. 

Eu não concordo com o título em inglês, All American Girl (que é alguma coisa como garota toda americana, ou seja garota que define bem o que é ser uma garota americana) pois ela não é como todas as garotas americanas ou mesmo muitas delas. Ela é gótica, só come hambúrguer, só ouve ska (gênero musical das bandas No Doubt e Os Paralamas do Sucesso) e é artista. Bem diferente de todos os estereótipos que a gente vê nas histórias americanas. Mesmo do estereótipo da artista ou da gótica, que sim, ela é bem parecida, mas ainda tem aspectos que tornam ela única. Eu adoro a Sam e acho que por mais que ela seja meio esnobe no início, parte do estereótipo, e até um pouco chata, ela tem características das quais as garotas podem se identificar com pelo menos uma, o que talvez torne o título mais coerente. Ela adora fazer listas, e o livro é recheado com elas, que são bem legais e dá para a gente reler bastante. Eu faço isso principalmente com as do segundo livro, Quase Pronta, porque tem umas dicas de filme. Essas listas são um jeito de a gente conhecer mais sobre ela de um jeito que num livro, mesmo de tamanho bom, 352 páginas, não seria possível porque tem muitas outras coisas para descrever. Ela tem listas sobre cultura pop, a vida dela, pensamentos que ela tem e em 10 itens a gente vê tudo que ela sabe sobre história, ciência, como ela pensa. Essas listas não só são divertidas como trazem muitas informações interessantes para a vida. Inclusive, em vez de uma sinopse, o livro tem uma lista na capa de trás e esse foi um grande motivo que me fez comprar.

A família da Sam é como uma perfeita família de série de comédia. É muito divertido assistir todo mundo. A irmã mais velha dela, Lucy, é outro exemplo de como a Meg usa clichês aqui de um jeito diferente. Ela é líder de torcida, superpatricinha, mas tem um namorado muito mais parecido com a Sam, e é uma garota legal que não trata mal a Sam por ser desse jeito, apesar de tentar fazer o clássico makeover. E a Rebecca com o conhecimento teórico e sem o prático, por estudar numa escola de gênios e o tipo de "pirralha" que percebe tudo acontecendo com os mais velhos, até melhor que eles mesmos às vezes. Faz tempo que eu li o livro, então é difícil eu descrever muito, mas a maioria dos personagens é boa e eles são todos tipos bem diferentes de pessoas, mas que ao mesmo tempo não andam só com quem é igual a eles, o que é legal de ver. A família tem até uma empregada ou babá que é tão divertida quanto eles.

Esse foi o primeiro livro da Meg Cabot que eu li há um bom tempo atrás e eu amei na época e ainda amo. Eu sei que os livros que eu li da Meg são os que os fãs mesmo não gostam muito (exceto O Garoto da Casa ao Lado que eu não tenho certeza do consenso geral), mas eu gostei de todos. Até da continuação, que é considerada desnecessária. Eu tenho alguns dos mais amados dela aqui que ainda não li, mas esse sempre vai ter um espaço especial no meu coração, junto com os outros que tenho dela e já li. Eu não me importaria de ter mais continuações, afinal a Meg tem várias séries.

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Uma História de Verão - Pam Gonçalves

Sinopse: É o último verão de Analu perto de casa antes da faculdade. Entre a dificuldade de se entender com seus pais, que queriam que ela cursasse Direito e não Cinema, e as persistentes comparações com seu irmão gêmeo, André Luiz, o grande exemplo de filho que faz tudo para agradar, a garota está cansada de tanta hipocrisia e da cobrança de todos e só quer aproveitar suas férias com os amigos. O lugar é lindo, o clima está ideal e não faltam lembranças em cada cantinho da praia. Pena que nem todas são boas: a primeira decepção amorosa e grande paixão de Ana Luísa, Murilo, está de volta com o sorriso cafajeste de sempre e novas promessas. De um lado, o futuro em uma nova e incrível cidade, São Paulo; do outro, os amigos, a família e um amor traiçoeiro que ao mesmo tempo machuca e envolve. (Skoob)
GONÇALVES, Pam. Uma História de Verão. Galera Record, 2017. 304p.


Analu vai passar o último verão de férias antes da faculdade na Praia do Rosa com seus amigos, Gisele e Yuri, e depois disso eles se separam, pois ela vai para São Paulo e Gisele para Florianópolis, só Yuri continuará em Tubarão. Só que infelizmente, ela se verá obrigada a reecontrar um ex-namorado que quebrou seu coração nesse mesmo lugar.

Como alguns de vocês devem saber, a Pam tem um canal famoso no Youtube. Eu fiquei sabendo quando ela lançou o primeiro livro e esse segundo - não por ser fã, eu só assisto os vídeos dela de vez em quando - porque é raro ver YAs nacionais fora dos livros de booktubers, motivo pelo qual eu fico sabendo dos lançamentos até de quem eu nunca assisti a um vídeo. O primeiro livro dela faz mais meu estilo, mas quando me deu a coceira de compra com esse e eu fui ver se ainda tinha o outro na loja, não achei.

O livro traz alguns aspectos que a gente já viu em histórias de "último verão antes de tal ano da escola ou faculdade", mas me surpreendeu bastante quanto ao que eu esperava dele, pelo que nos foi apresentado de início. Em vários momentos aconteceu o contrário do que eu pensava, incluindo o clímax, que não tinha a ver com a história principal do livro, mas a sub-história, que na minha opinião foi o mais interessante dele.

Analu é uma personagem que vive tomando decisões que o leitor pode não concordar e se incomodar, mas é até o ponto da história, já que muitas pessoas têm dificuldade de se desapegar de alguém que os magoou. Eu gosto da Analu, mas a Gisele, Yuri, Barbara (tia da Gisele com quase a mesma idade) e alguns outros são personagens legais que as pessoas podem gostar mais. Além de engraçados e bons, Gisele é negra, provavelmente a Barbara também, e vai ter uma outra representatividade que eu não quero falar porque me surpreendeu. Eu estou dizendo isso para ajudar quem estiver procurando representatividade, não por qualquer outro motivo como fazer alguém ler por isso, que eu não sei se valeria a pena.

O livro não tem aquelas personagens femininas bem inexperientes, como é comum, sendo a Gisele e Barbara bem abertas sobre suas vidas sexuais e a Analu um pouco menos, mas ainda tendo um passado que vai além desse ex que ela reencontrou na viagem. A Pam faz questão de colocar uma cena falando no assunto para normalizar a sexualidade feminina. Em umas cenas de sexo que tem aqui, ela também coloca a vontade da garota como talvez só seja vista em livros mais adultos, mas não é uma descrição como as desses livros, então pode ler tranquilo.

É legal a discussão de como a vida muda na faculdade e como é diferente dos filmes, o medo dos trotes. A Analu tem que se virar já que não tem o apoio do pai para fazer o curso que ela escolheu. Tem também toda a questão de falsas famílias perfeitas.

Honestamente, o único questionamento que eu tive com o livro é algo que nem é um problema, o fato de eles estarem no início do ano seguinte ao 3º ano do Ensino Médio e todos já terem 18 e a Gisele até já ter carteira de motorista. Tirando pessoas de situações complicadas ou que reprovem, a maioria se forma com 17 e até entra na faculdade com essa idade. Mesmo que eles tenham feito aniversário de dezembro até agora, ou seja depois da formatura, menos estranho, eu não sei se daria tempo de tirar a CNH. A Malhação também já fez isso de ter pessoas de 18 só para ter quem dirija, e no caso desse livro, também pode ser para ninguém reclamar que incentiva beber antes da maioridade e pelo sexo. Mas como eu disse, isso não chega a me incomodar, pode ser até que a realidade de se formar com 18 seja bem maior do que eu imagine mesmo para pessoas de boas condições financeiras como a Analu. 

Essa foi uma leitura ótima, leve e que pode trazer uns questionamentos esteja você na mesma idade ou bem mais velho. 

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À primeira vista - David Levithan e Nina LaCour

Foto: SOODA Blog
Sinopse: Esqueça amor “à primeira vista”. Esta é uma história de amizade “à primeira vista”... Ou quase. Mark e Kate são da mesma turma de cálculo, mas nunca trocaram uma única palavra. Fora da escola, seus caminhos nunca se cruzaram... Até uma noite, em meio à semana do orgulho gay de São Francisco. Mark, apaixonado pelo melhor amigo — que pode ou não se sentir do mesmo jeito —, aceita o desafio que mudará sua vida. E sobe no balcão do bar em um concurso de dança um pouco diferente... Na plateia, Kate, fugindo da garota que ela ama a distância por meses e confusa por não se sentir mais em sintonia com as próprias amigas, se encanta pela coragem e entrega do rapaz. E decide: eles vão ser amigos. Em meio a festas exclusivas, fotógrafos famosos, exposições em galerias hypadas, essa ligação se torna cada vez mais forte. E Mark e Kate logo descobrem que, em muito pouco tempo, conhecem um ao outro melhor que qualquer pessoa. Uma história comovente sobre navegar as alegrias e tristezas do primeiro amor... Uma verdade de cada vez.

LACOUR, Nina; LEVITHAN, David. À primeira vista. Rio de Janeiro: Editora Galera, 2017. 294 p.


Eu sempre vou me interessar por qualquer coisa escrita pelo David Levithan, com ou sem parceria. É impossível não se admirar com a forma real e sucinta com que ele descreve a vida dos adolescentes, o que faz dele um dos melhores — se não o melhor — escritores do gênero YA, na minha opinião. À primeira vista não é uma história extraordinária e cheia de reviravoltas, mas é impossível não se afeiçoar aos personagens criados por Levithan e LaCour. 

Mark e Kate são dois jovens que não tem, aparentemente, absolutamente nada em comum a não ser a matéria de Cálculo que fazem juntos. Porém, em uma noite qualquer, enquanto Kate está fugindo de um encontro que vinha esperando há meses — já ouviram falar do famoso medo das coisas não darem certo? —, ela dá de cara com Mark em uma boate gay e decidem que eles devem ser amigos, mesmo sem nunca terem se falado antes. O mais bacana de tudo é que essa amizade surge em um momento delicado para a vida dos dois, já que Mark é apaixonado pelo melhor amigo e, aparentemente, Ryan não dá a mínima para ele.

O livro é narrado em primeira pessoa pelos protagonistas, sempre intercalando os capítulos entre os dois. A especialidade de Levithan é criar personagens incríveis e bem construídos, mas o diferencial de À primeira vista é que LaCour não fica para trás nesse quesito. O que eu senti durante a leitura é que Mark e Kate eram o complemento um do outro, o que fazia deles uma ótima dupla. 

A história não segue uma estrutura pré determinada, isso porque não existe um ápice ou uma reviravolta que prende, mas puramente o dia a dia dos personagens, o que não foi ruim. A verdade é que poucos autores conseguem a proeza de uma história que segue apenas um ritmo sem torná-la maçante. Acompanhamos Kate e Mark durante semana do Orgulho Gay, que tem um espaço enorme nessa história justamente pela mensagem que passa: amor, independente de tudo. Eu sempre me assusto com o fato de estarmos tão cercados de preconceito. 

Nina e David combinaram tanto na escrita que não parece um livro escrito por duas pessoas e isso é sensacional. A delicadeza dessa história é de se admirar. Estamos sempre acostumados com as mesmas pessoas de sempre, a mesma rotina de sempre. Mark e Kate são a prova viva que é possível sair da zona de conforto, perder os medos, conhecer pessoas novas — que, incrivelmente, nos conhecem melhor do que as pessoas que conhecemos há anos.

À primeira vista é um livro simples, mas é tudo. Os autores conseguem encantar pela narrativa, que é especial, e por terem construído uma amizade verdadeira em tão pouco tempo. É uma leitura leve e fluida, ideal para aqueles dias de ressaca literária. A mensagem final é muito simples, mas importante: o poder da amizade e como isso é refletido em nós mesmos.

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A geografia de nós dois - Jennifer E. Smith

Lucy mora no vigésimo quarto andar. Owen, no subsolo... E é a meio caminho que ambos se encontram - presos em um elevador, entre dois pisos de um prédio de luxo em Nova York. A cidade está às escuras graças a um blecaute. E entre sorvetes derretidos, caos no trânsito, estrelas e confissões, eles descobrem muitas coisas em comum. Mas logo a geografia os separa. E somos convidados a refletir... Onde mora o amor? E pode esse sentimento resistir à distância? Em A Geografia de Nós Dois, Jennifer E. Smith cria tramas cheias de experiências, filosofia e verdade. (Skoob)
SMITH, Jennifer E. A geografia de nós dois. Galera Record, 2016. 272 p.


"No primeiro dia de setembro, o mundo ficou escuro."

Um blecaute acontece. Nova York apaga-se. Dois jovens ficam preso num elevador. O amor acontece. (Ah, o amor!)

Lucy e Owen são duas pessoas diferentes trancadas dentro de um cubículo por poucos minutos, menos de uma hora, mas a ligação daquele momento foi maior do que sentiram a vida toda. Depois que são resgatados, eles passam o resto da noite sozinhos juntos, subindo e descendo escadas, tomando sorvetes derretidos, discutindo sobre cartões postas e "queria que você estivesse aqui", e sobre onde realmente queriam estar.

Mas é uma noite, apenas uma noite - e sol nasce, a energia volta e eles se veem jogados para direções opostas, sem esperança de voltarem a se chocarem alguma vez, novamente, quem sabe.

"Se traçassem um mapa dos dois, de onde tinham começado e de onde terminariam, as linhas seguiriam para longe uma da outra como ímãs de polos opostos. (...) O mapa era o mesmo que uma porta prestes a se fechar. E a geografia da situação - a geografia dos dois - estava completa e irremediavelmente errada."

Meu primeiro pensamento ao estar lendo era que seria Lucy e Owen no elevador escuro e... Uma história meio que A probabilidade estatística do amor à primeira vista da mesma autora, onde eles se conhecem em pouco tempo mais do que conseguiriam se tivesse muito tempo, dizendo coisas a um estranho que nunca diria a um melhor amigo, protegidos pela certeza que nunca terão essa oportunidade de novo. Não é isso que acontece.

A geografia de nós dois é o que título diz, é sobre o espaço, a geografia, entre eles. Lucy acaba se mudando para Algum Lugar e Owen se ver numa viagem pelo país a procura de Qualquer Lugar. Numa piada e num desejo de manterem contatos, eles ficam mandando cartões postais, mas... não funciona. O momento esfria, vira uma lembrança borrada, a alegria parece um sonho distante e perdido e eles param de se falar.

Mesmo que não queiram. Mesmo que ainda pensem um no outro. As coisas são como são.

Ou talvez não.

"Quanto tempo se pode de fato esperar que uma única noite dure? Até que ponto se pode esticar um conjunto tão pequeno de minutos? Ele era apenas um garoto em um terraço. Ela era apenas uma garota em um elevador. Talvez tenha sido o fim."

É linda a forma como a autora terminava um capítulo e continuava o outro, como eles se completavam, como se diferenciavam. Lucy e Owen são pessoas diferentes, pessoas que nunca teriam conversado se não fosse pela escuridão do elevador, mas eles conversaram e uma conversa bastou - eles não se apaixonaram, mas uma conversa foi o suficiente para que a perspectiva de algo mais, quem sabe, no futuro, acontecer. E isso é lindo.

Leiam. Simples assim. Esse livro difere de A probabilidade estatística do amor à primeira vista, mas te prende tanto quanto. A narração da autora em terceira pessoa, alternando entre os protagonistas, é encantadora; e ela retratou um romance juvenil à distância com todos os problemas que merecem ser discutidos sem drama desnecessário (autores adoram dramas desnecessário), e você se identifica-se com ambos, concorda com os dois, e não irá acreditar em amor à primeira vista (se for eu, não, nada contra quem acredita), mas acreditará como algumas coisas são como são, apesar de nada ser como é... Do que eu estou falando?

"Talvez nunca estivessem destinados a mais que uma única noite. Afinal, nem tudo pode durar. Nem tudo deve ter algum significado."

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O ódio que você semeia - Angie Thomas

Sinopse: Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra. Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa. Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar. (Skoob)
THOMAS, Angie. O ódio que você semeia. Rio de Janeiro: Editora Galera, 2017. 378 p.


No Brasil, um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos. Em agosto de 2014, Michael Brown foi morto, aos 18 anos, por um policial branco em Ferguson (Missouri). Ele não portava armas e não possuía antecedentes criminais. O júri decidiu não processar Darren Wilson "porque considerou que não existem provas suficientes para processá-lo pelo assassinato". Seis tiros tiraram a vida de Brown. Em julho do mesmo ano, Eric Garner foi asfixiado por um policial branco por cerca de 15 segundos que foram suficientes para matá-lo. O assassinato aconteceu em Nova Iorque. Eric Garner era negro. O policial que cometeu o crime também foi inocentado pelo júri. 

O ódio que você semeia foi inspirado na história desses dois jovens, que deram voz ao movimento global Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). O BLM começou nos Estados Unidos, onde ativistas saíam em favor às vítimas da violência policial. Assim como aconteceu com Brown e Garner, Khalil, melhor amigo da protagonista Starr, foi morto à tiros por um policial branco. Starr presenciou tudo. Khalil não estava fazendo nada de errado, não portava armas, era só um adolescente de 16 anos. A partir dessa experiência tão horrível, Starr começa a pensar sobre o que é justiça, se ela realmente existe e, o mais importante, se é válida. 

Nesta história, Angie Thomas aborda vários temas importantes para todo mundo, como racismo, injustiça, lutas diárias, privilégios e muitas outras questões que, sinceramente, precisam ser discutidas. Eu, como pessoa branca, não consigo explicar para nenhum de vocês de forma satisfatória o que foi ler a história de Starr. Quer dizer, meus pais nunca precisaram me ensinar o que fazer se eu fosse parada pela polícia em uma blitz. Eu nunca vi nenhuma pessoa sendo morta. Eu não tenho a mínima ideia de como é o barulho de um tiro. O livro traz, o tempo todo, esse tipo de reflexão e as coisas foram jogadas na minha cara de uma forma que tudo o que eu conseguia pensar é o quão privilegiada sou por não presenciar ou sofrer tanta coisa absurda simplesmente por ser branca, e eu realmente me senti péssima por isso.

Também somos inseridos no dia a dia de Starr, uma adolescente negra que estuda em um colégio branco, filha de um ex-presidiário que deu a volta por cima. Justamente pelo fato de frequentar um colégio fora do seu bairro, a gente consegue mais do que nunca enxergar o choque de duas realidades totalmente diferentes, opostas. Eu não consigo pensar em outra coisa para falar sobre O ódio que você semeia a não ser o quanto ele é importante e bom. A história é sensacional e, o melhor de tudo, real. A narrativa é sem comparações. Os personagens são incríveis. Tudo, tudo é digno nesse livro. 

Eu não sei como a história de Khalil e Starr chegará para outras pessoas, mas provavelmente vai ficar na minha cabeça por muito tempo. Cada capítulo me proporcionou uma emoção diferente e é isso o que eu quero sentir sempre que estou lendo um livro. Eu chorei porque é muito difícil saber de todos os meus privilégios enquanto tantas outras pessoas estão em outros lugares sofrendo, vendo pessoas queridas morrerem, sendo julgadas. 

O ódio que você semeia é um livro difícil, pouco confortável — não digo isso em um sentido pejorativo, e sim porque é uma história extremamente dolorosa —, mas necessário para mostrar que coisas ruins acontecem o tempo todo, mesmo que não aconteçam comigo. Às vezes tudo o que a gente precisa são histórias que nos mostrem a realidade, ainda que não sejam fáceis.

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O Problema do Para Sempre - Jennifer L. Armentrout

Foto: Literatura Estrangeira 
Sinopse: Mallory viveu muito tempo em silêncio. Mas o destino lhe reserva um novo desafio. E ela percebe que está na hora de encontrar a própria voz. Já na infância, Mallory Dodge percebeu que só poderia sobreviver se ficasse calada. Teve que aprender a ficar o mais quieta possível. Aprendeu a passar despercebida. A se esconder. Mas agora, após ter sido adotada por pais amorosos e dedicados, ela precisa enfrentar um novo desafio: sobreviver ao último ano do Ensino Médio numa escola de verdade. O que Mallory não imaginava é que logo no primeiro dia de aula daria de cara com um velho amigo que não via desde criança, quando viviam juntos no abrigo. E começa a notar que não é a única que guarda cicatrizes do passado, além de uma paixão adormecida e inevitável. (Skoob)
ARMENTROUT, Jennifer L. O Problema do Para Sempre. Rio De Janeiro: Editora Galera Record, 2017. 392 p.


Gosto muito de ler livros que falam de superação. Quando li a sinopse de O Problema do Para Sempre, não tive dúvidas de que ia gostar da história, mesmo com o clichê da paixão que a personagem provavelmente sentiria pelo amigo de infância que não vê há muito tempo — algo que nos é entregado logo na sinopse. O que me interessou de verdade foi o trauma vivido por Mallory Dodge na sua infância, e como isso seria retratado na fase da vida que ela se encontra na trama. 

No início, tudo o que sabemos sobre Mallory é que ela teve uma infância terrível em um orfanato, onde ela e outras crianças eram abusadas pelo dono do estabelecimento. A protagonista sofreu longos anos até que aconteceu um "acidente" e os médicos que cuidaram dela acabaram se afeiçoando tanto a menina que a adotaram. Mallory teve muita sorte, mas quatro anos após o acontecido, ela não esqueceu nem por um minuto o seu melhor amigo Rider, que era o seu porto seguro, sua fonte de paz, e quem geralmente a salvava de acontecimentos muito ruins.

Depois de quatro anos de tratamentos intensivos, estudando em casa, Mallory decide que está na hora de frequentar uma escola como pessoas normais, pois quer mais que tudo entrar em uma faculdade. O que ela não esperava, obviamente, era encontrar Rider logo no primeiro dia de aula, depois de tanto tempo. Não é difícil de imaginar o desenrolar da história: os dois se reaproximam e um sentimento maior que amizade aparece entre eles — o que, até certo ponto, é normal, já que eles têm uma ligação muito forte.

O que me deixou incomodada com O Problema do Para Sempre não foi o clichê do reencontro e o romance em si. Provavelmente essa foi a parte que mais gostei, porque eu não engano ninguém falando que eu não gosto de clichê sendo que eu claramente adoro. O que me irritou foi que Rider queria porque queria fazer tudo por Mallory, como se ela não tivesse nem um pouco de capacidade de se defender ou fazer qualquer coisa sozinha. Até certo ponto pode ser entendível, visto que na infância tudo era muito confuso e ele protegia a menina de tudo de ruim que acontecia, mas começou a ficar uma coisa muito irritante mesmo. Não sei como autoras ainda não superaram essa coisa machista de todos os personagens masculinos que escrevem!

Um detalhe super importante sobre Mallory é que devido aos traumas, ela desenvolveu uma dificuldade gigantesca de se comunicar com as pessoas, e quando eu digo isso quero dizer que ela não conseguia dar um simples "oi" para uma pessoa que não fosse Rosa e Carl — seus pais adotivos —, Rider e sua melhor amiga. Gostei muito, muito mesmo de como a personagem foi abandonando esse medo aos poucos e ia se tornando um pouco mais sociável, se aproximando mais dos colegas de classe, dos amigos do Rider.

O Problema do Para Sempre é um jovem adulto e como todo livro do gênero, existem algumas partes um pouco mais quentes. A tensão sexual entre Mallory e Rider estava sempre marcada, mas não era o foco das cenas, o que me agradou bastante. A única coisa que me incomodou nesse ponto foi uma sensualização super forçada que Armentrout acrescentou à personagem, uma coisa que não tinha absolutamente nada a ver com ela. 

Uma última coisa que eu preciso falar e que me deixou muito pistola foi uma personagem feminina que aparece em certo ponto da narrativa, Paige. Meu Deus do céu, eu tinha vontade de esfregar a cara da menina no asfalto de tão insuportável e injusta. Parece muito aquelas vilãs de filme de Sessão da Tarde, tipo a Regina George de Meninas Malvadas, que fala coisas muito horríveis para as pessoas e acha que está tudo bem. Em relação aos outros personagens, gostei muito, principalmente de Hector e Jayden, os irmãos adotivos de Rider. Gostei tanto que realmente queria que eles tivessem uma presença maior no livro.

Apesar de alguns pontos negativos, eu realmente gostei de O Problema do Para Sempre. Foi um livro que li num espaço de tempo muito curto, após um período onde eu não estava conseguindo ler nada ou não gostava de nada que estava lendo. Gostei tanto que li o livro em praticamente o dia e realmente fiquei grata por conhecer essa história da Jennifer L. Armentrout. Acho que a única coisa que a gente tem que ter em mente é que não é legal e nunca vai ser um garoto achar que uma mulher não é capaz de fazer as coisas sem algum tipo de ajuda.

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Bela Gratidão - Corey Ann Haydu

Sinopse: Um romance sobre amadurecimento e a dureza de crescer em uma cultura que exige das mulheres nada menos que a perfeição. Corey Ann Haydu explora as complexidades da família, os limites do amor e quão duro é crescer em uma cultura que premia a beleza acima de qualquer outra coisa e cobra das mulheres nada menos que a perfeição. Uma leitura atual que dialoga direta e honestamente com a multiplicidade de questões enfrentadas por adolescentes e jovens no mundo todo – a confusão do primeiro amor, os dramas familiares e a construção da própria identidade no meio de toda essa loucura. O livro está cheio de personagens realistas, que tropeçam nos próprios medos e cometem erros com alguns dos quais é impossível não se identificar. Montana e sua irmã Arizona têm um pacto desde que a mãe as deixou: São elas duas contra todo o mundo. Com o pai sempre imerso em relacionamentos tóxicos e uma sucessão de madrastas essa foi a maneira que encontraram de seguir em frente. Mas agora que Arizona foi para a faculdade Montana se sente deixada pra trás e perdida, mergulhando em uma amizade vertiginosa e empolgante com a ousada Karissa. No meio disso tudo, Montana encontra uma distração em Bernardo. Resta saber se Montana têm a confiança necessária no que sentem um pelo outro para encaixar Bernardo na sua vida imperfeita. (Skoob)
HAYDU, Corey Ann. Bela Gratidão. Galera Record, 2017. 432 p.


Bela Gratidão, de Corey Ann Haydu, conta, em primeira pessoa, a história de Montana, uma garota que passa por um período de transformações e, não bastassem as complicações naturais da adolescência, ela carrega diversos problemas e inseguranças: sua mãe foi embora quando era criança, sua irmã mais velha se afastou quando foi para a faculdade, seu pai troca sempre de esposas e acabou de apresentar sua nova noiva - o que abala as mais inocentes expectativas da garota.

O interessante do livro é que ele aborda diversas questões relevantes sobre os problemas que os adolescentes enfrentam, desde a insegurança e os problemas que muitas vezes são causados pelos próprios pais, até as transformações que crescer traz para as nossas vidas e os caminhos que precisamos escolher para adiante. Todo mundo em algum momento percebeu que já não poderia mais manter as coisas como eram antes, e é nessa encruzilhada que Montana se encontra.

A vida da protagonista não parece tão traumática, mas os problemas da falta de estrutura familiar são bem visíveis durante o livro. Além da constante rejeição que ela sente pelo fato de a mãe ter ido embora quando era tão nova, o pai, cirurgião plástico, não parece ver nela muito além de mais uma mulher a ser aperfeiçoada em uma mesa de operação. Além disso, as bases de sua vida - que consistiam na relação com sua irmã - são drasticamente alteradas, então ela precisa reconstruir e redescobrir a si mesma no meio desse turbilhão.

"Ela me ensinou sobre o Diário de Gratidão. Ela escreve uma lista de dez motivos pelos quais é grata todos os dias. Eu tento escrever três."

Questões como amizade, primeiro amor e más influências estão bastante presentes no livro, que mostra o quanto as pessoas que nos cercam nos transformam de algum modo - alguns mais, outros menos. E embora o livro tenha uma sinopse que promete muita coisa ao inserir esses diversos temas, tive a impressão de que a autora se perdeu ao abordar tantas questões, e por essa razão o livro não funcionou para mim.

Enquanto o livro fala das perspectivas da protagonistas pela lógica do cotidiano, Montana narra diversas coisas que não têm a menor importância para a história, o que a torna cansativa em diversos pontos. Além disso, temas pesados e importantes de serem discutidos, como drogas e bebidas, são abordados sem nenhum tipo de mensagem sobre responsabilidade, o que me incomodou um pouco.

Além disso, Montana estava o tempo todo querendo provar algo para alguém, suas ações sempre eram refletidas com base no que alguém pensava. Parecia até que ela mesma não tinha opinião e, quando tinha, tomava atitudes bastante imaturas. O romance, que começou fofinho e doce, se tornou irritante e sem lógica. No momento que o livro teve a oportunidade de mostrar um ensinamento de relevância para adolescentes, a autora optou por simplesmente ignorar e mostrar uma cena de entendimento entre pai e filha - what?

Uma coisa é fato: os personagens conseguem envolver e irritar na mesma medida. Não teve um deles que fosse o queridinho da história e, embora isso possa parecer um ponto positivo (pois a autora conseguiu construí-los de uma forma realista), na verdade foi mais um detalhe que me tornou indiferente à trama.

Bela Gratidão só conseguiu me agradar na capa e na ideia de que existem pequenas coisas pelas quais devemos agradecer todos os dias. Não é um livro ruim, mas também não é bom, e não me acrescentou muito ter lido.

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Um de nós está mentindo - Karen McManus

Cinco alunos entram em detenção na escola e apenas quatro saem com vida. Todos são suspeitos e cada um tem algo a esconder. Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo? O que realmente importa é até onde você iria para proteger os seus. (Skoob)
MCMANUS, Karen M. Um de nós está mentindo. Galera Recorde, 2018. 384 p.


Tenho que dizer que eu estou orgulhosa de mim mesma. Eu não fui até o último capítulo para saber quem é o culpado ou pulei um capítulo para descobrir o que eu queria em específico. Eu fui tão, mas tão paciente, que estou orgulhosa, porque saber quem matou Simon e quais são os segredos de cada um dos protagonistas foi sensacional. A emoção foi maravilhosa. Eu tive que dizer muito para mim mesma "Não, não, não, Izabela! Supere isso! Supere isso! Você consegue!".

Mentira.

Eu pulei algumas partes e acidentalmente (foi de propósito) descobri quem matou Simon, mas então esqueci e descobri que estava errada. Contexto é tudo, gente!

"Bayview é um colégio fofoqueiro, mas pelo menos o Falando Nisso não paira mais sobre a cabeça de todo mundo. E, sendo cem por cento sincera, tenho que admitir — isto é um alívio."

Todos estão mentindo, é claro. E quem matou Simon foi a maior surpresa e mentira e eu não esperava por aquela. Ao entender o contexto.

O livro soube mesclar bem romance e mistério, só que... acabou ficando um pouco nem lá nem cá e parece um pouco superficial. Eu queria um pouco mais de aprofundamento. Eu esperava algo mais bem trabalhado, minhas expectativas eram altas. Eles citam o acontecimento, como "oh, sabe hoje de manhã? Aconteceu isso", ao invés de colocar, provavelmente para não deixar muito extenso ou repetitivo, mas tinha cenas que eu realmente queria ver, que eu iria adorar ler.

Eu iria adorar ver mais as interações entre os personagens, porque eu gostei do pouco que teve deles, da breve olhada no âmago deles que mostrou que eles são mais do que aparentam ser. Eu gostei da Bronwyn e do Nate, deles um com o outro, mas não foi nada "uau", foi um pouco o clichê de sempre. Addy foi a maior surpresa sem dúvida, a reviravolta do personagem dela, o crescimento que ela teve... sensacional. Cooper também foi um personagem que eu gostei, o segredo dele foi o que mais demorou para revelar, não que eu esteja reclamando, pois acredito que faltou uma enrolada na descoberta dos segredos dos personagens. Eu comecei a leitura e... bam! Eu sabia o segredo de cada um.

"Vocês acham que eu estava brincando a respeito de ter matado Simon? Leiam e chorem, molecada. Todo mundo na detenção com Simon na semana passada tinha um motivo muito especial para querer vê-lo morto. Prova A: a postagem acima, que ele estava prestes a publicar no Falando Nisso.
Agora eis o dever de casa: liguem os pontos. Será que está todo mundo mancomunado ou alguém está no controle?
Quem é o manipulador e quem são as marionetes?
Vou dar uma pista para vocês começarem: todo mundo está mentindo.
Valendo!"

Por ser narrado em primeira pessoa, não houve um momento que eu duvidei deles e eu acho que a melhor parte de uma história de mistério é duvidar dos protagonistas, dos "mocinhos". A voz de cada personagem estava muito bem distinta, o que é complicado de fazer num livro em que a narração dos quatro protagonistas é em primeira pessoa.

Se não deu para perceber, tenho sentimentos mistos por esse livro. Eu acho que ele foi bem escrito e eu gostei dele, todavia não sou cega para os erros, mas os erros vêm acompanhados de algo positivo e... Eu estou perdida. Cadê outro livro para me ajudar a ter uma opinião concreta sobre essa autora?

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Tênis ou Tiaras - Grace Dent

Sinopse: Olha só, para começo de conversa, eu nem queria um diário. Passei seis meses usando a palavra “iPod” em todas as minhas frases, e para quê? Mas até que foi bom: esse ano definitivamente foi fora do comum... Tudo começou no Festival de Inverno da minha escola. Juro que tudo aquilo era para ser uma piada inocente, mas acabou com uma pancadaria generalizada e com a “Academia de Encrenqueiros” nos jornais – de novo. Aí minha melhor amiga se apaixonou pelo Bezzie. E, de repente, Carrie ficou totalmente chata, e só pensa em Bezzie pra cá, Bezzie pra lá... Aí arrumei um emprego na Comidas Tilak, que faz comida oriental congelada, e agora eu fico fedendo a kafta de carneiro o tempo todo. E nem me deixaram passar um gloss, porque é contra as normas da empresa. Aí minha irmã, Cava-Sue, brigou com a minha mãe, saiu de casa e não dá notícias há dois dias. Depois que Cava-Sue começou a estudar teatro, está muito chata e só escuta bandas esquisitas e “não-comerciais”. Mas qual a graça de ouvir uma banda que ninguém conhece? (Skoob)
DENT, Grace. Tênis ou Tiaras. Diário de uma Encrenqueira #1. Galera Record, 2010. 240p. 


Shiraz Bailey Wood mora no condado de Essex próximo a Londres, em um distrito chamado Goodmayes. Ela quase sempre fala o que pensa, por isso acha que se daria bem na TV e tem vontade de entrar no Big Brother, e não quer entrar numa faculdade. Os amigos dela também não querem, não é à toa que a escola deles teve a nota mais baixa nos exames. Mas isso não é só por eles serem vagabundos e preguiçosos, a própria mãe dela acha que faculdade é pra preguiçosos que preferem gastar dinheiro estudando em vez de trabalhar duro. A irmã dela, a Cava-Sue (eu sei, o nome dela, e dos outros é muito estranho), não ajuda a melhorar essa imagem, já que é uma tremenda hipster que diz que "prefere escutar bandas que ninguém conhece porque isso é original" e finge não conhecer as músicas comerciais. Essa citação abaixo define tanta gente.

"É muito estranho porque, quanto mais coisas inteligentes Cava-Sue aprende na faculdade, mais superficiais ficam as coisas que ela fala."

Essa coleção em inglês se chama Diary of a CHAV, CHAV é tipo um estereótipo britânico de pessoas "encrenqueiras", mas que usam roupas de marca tipo Adidas e bonés/capuz, comem no MC Donald's, poderia ser tipo as "maloqueiras" do Brasil. Ou pessoas do funk. Mas não julguem a Shiraz, ela é bem legal. A verdade é que ela e a melhor amiga, Carrie, sofrem o maior preconceito por andar de casaco com capuz (quando eu li achei bizarro) como se elas fossem delinquentes. Pra ajudar, ainda tem o fato delas estudarem na Academia Mayflower, que está sempre nos jornais como "Academia de Encrenqueiros Mayflower". Não que elas sejam santas também, a Shiraz foi responsável por uma confusão, mas não chega no nível das CHAV, que batem nos outros sem motivo nenhum. Por isso eu nem acho que ela seja uma, aliás, ela só se encaixa na roupa, e acho muito chato julgar as pessoas por isso.

Encontrei uns errinhos de edição, do tipo o nome da personagem "Uma" com letra minúscula, e às vezes dizia que ela tava no 1º ano do Ensino Médio, outras no 8º e aí quando ela mudou de série, ela disse que agora tava no 9º, então não entendi bem como são as séries por lá.

O livro é superdivertido, eu copiei várias passagens. A graça dele é essa mesmo, já que o livro é narrado como diário, então não chega a ter um clímax. Não acontece uma coisa bombástica que te deixa curioso pra ler, o máximo que pode te deixar assim são algumas coisas na sinopse que demoram bastante pra acontecer (aí vai de você ler a sinopse ou não). Eu achei que esse livro pode ser tipo o Querido Diário Otário adolescente q acho que quem gostou, pode gostar desse também. Ele é bem curtinho e a leitura flui muito. Eu comecei numa noite e terminei no dia seguinte, mas dá para terminar no mesmo dia tranquilamente.

Uma coisa que eu amei no livro são o tanto de referências dele. Adoro livros que citam músicas e tal. Shi adora hip hop (como é fácil de prever) e R&B e odeia Westlife, uma boyband britânica que eu até gosto, o que me faz supor que ela não é fã de músicas melosas. Ela colocou um rap pesado como toque de celular da mãe dela e eu fico imaginando a reação das pessoas quando toca e se chegam a ouvir as partes mais explícitas. Esse é um dos exemplos de como a Shiraz é engraçada. Também citam os 500 programas da Inglaterra que eu não conheço nenhum, mas tá valendo, e redes sociais, principalmente o Orkut, saudade. Sim, eu sei, elas combinam mais com Orkut que Facebook ou qualquer outra, só ver o perfil delas kk. A Carrie diz pra Shi no perfil dela "Academia de Enquenqueiras 4 ever" kkkk Elas são completamente o tipo de pessoa que escreveria "mal te conheço, mas já te considero pacas" em um depoimento. O Orkut tinha aquela coisa mais "brega", sei lá, né? E esse é o único motivo que eu imagino pra elas usarem Orkut (se elas usarem, porque podem ter mudado o nome da rede social na edição brasileira) porque que eu saiba o Orkut só fez sucesso mesmo no Brasil e na Índia.

Enfim, super recomendo para quem quer uma leitura leve e divertida. A coleção tem mais 4 livros lançados, mas aqui no Brasil só tem mais 2,  infelizmente.

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Quando cai o raio - Meg Cabot

Sinopse: Mandaram que eu escrevesse um relato, em primeira pessoa, sobre o que aconteceu comigo, falando toda a verdade e nada mais do que a verdade. Então tá. O que aconteceu comigo: fui atingida por um raio. Tudo culpa da Ruth, que resolveu que queria voltar da escola andando, para queimar uns quilinhos... Acabou que eu é quem fui queimada. Ninguém acreditou em mim, nem eu mesma, pra ser sincera. Eu não estava me sentindo mal, não tinha nenhuma marca ou machucado... Nem estava chamuscada! Mas logo as coisas começaram a mudar. Quando acordei no dia seguinte, de alguma forma sabia onde estavam as duas crianças cujas fotos estampavam a caixa de leite, aquelas do Disque-Desaparecidos, sabe? Pois é. Eu tinha certeza absoluta sobre onde elas estavam. O problema é que eu achava que estava fazendo uma coisa boa! Liguei para o Disque-Desaparecidos e avisei à simpática senhorinha onde estavam essas duas crianças, e depois mais outras... Até que dois não-tão-simpáticos agentes federais apareceram na minha escola para conversar comigo. Até parece! Agora sou foragida da justiça, tenho que ajudar um dos meninos que foram encontrados e ainda preciso disfarçar o quanto o motoqueiro da sala de detenção mexe comigo... Ainda bem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar... Certo? (Skoob)
CABOT, Meg. Quando cai o raio. Galera Record, 2011. 272 p.


Jessica Mastriani tem 16 anos e já está acostumada a ficar de detenção na escola. Ela mora com os pais e os dois irmãos mais velhos. Ela sempre fica depois da hora na escola por causa das várias detenções que recebe por não levar desaforo e socar os valentões que falam coisas idiotas. Ruth, que é a melhor amiga de Jess, sempre a leva de volta para casa em seu carro. Mas em um dia atípico, após ouvir uma gracinha sobre seu peso de um dos jogadores da escola (e Jessica com certeza o socou, merecidamente), Ruth decidi ir andando com Jess para tentar perder alguns kilos.

Jessica com certeza não fica nada feliz em voltar para casa andando ainda mais com a chuva que se preparava. E não é de se esperar que uma violenta tempestade as impedi de seguir o caminho. As duas voltam para a escola e se abrigam embaixo da arquibancada. O que Jess não esperava que que um raio atingiria a arquibancada de metal e acabaria a atingindo a jogando para longe. Apesar disso, Jess volta para casa ilesa apenas com uma marca embaixo da sua clavícula. O que ela não esperava era que ao acordar no dia seguinte ela saberia exatamente o paradeiro de duas crianças que desapareceram a anos. E foi aí que os problemas de Jess começaram.

"Ele correspondeu meu beijo por um tempo, e foi exatamente como em Branca de Neve, quando todos os animais da floresta aparecem e começam a cantar, e o Príncipe Encantado a coloca sobre o cavalo. Por um minuto, mais ou menos, foi assim. Quero dizer, meu coração estava cantando assim como um daqueles malditos esquilos."

Meg Cabot me conquistou com A mediadora. Quando li me encantei por sua escrita envolvente e fluída, seus personagens cativantes e sua trama bem escrita. São livros que cativam o leitor e rápidos de ler (ótimo para sair de uma ressaca literária). Fico feliz em dizer que assim como A mediadora, Quando cai o raio me conquistou e me fez amar ainda mais os livros da Meg. 

Os personagens são ótimos! Jess é divertida, sarcástica e assim como todas as protagonistas de Meg Cabot é um para-raio (o trocadilho não foi de propósito rs) para encrencas. É daquelas que não leva desaforo para casa mesmo e é muito corajosa. Ruth não me cativou. Para falar a verdade achei ela bem chatinha. Rob (o cara pelo qual Jess tem um queda) é um tipico bad boy marrentão e preciso admitir que bad boys são meu ponto fraco rs. Acho que nem preciso mencionar o quanto estou apaixonada 💘 Seu jeito misterioso me conquistou!

Um ponto que achei bem interessante foi a autora ter abordado sobre um tema importante e muito real (infelizmente) que é o suicídio. Não é o tema central do livro, mas é mostrado os desdobramentos que acontecem após uma tentativa de suicídio. Como os pais estão tentando lidar com isso e a própria pessoa que no caso é um dos irmãos de Jess. Apesar disso, é um livro bem adolescente. Então, se você não curte livros que tenham uma pegada mais juvenil talvez a leitura não vá te agradar tanto. 

A edição me decepcionou um pouco. Não o conteúdo, mas sim a capa (o que também deixa a desejar em A mediadora). Acho que a Meg merecia uma capa mais bem feita para seu livro. Por que a editora não coloca mais amor nos livros da autora? 

Contudo, mais que recomendo! Se você curti livros com histórias leves, uma leitura rápida e divertida leia sem medo! Permita que Meg Cabot conquiste seu coração ♥

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Corte de Espinhos e Rosas - Sarah J. Maas

Sinopse: Em Corte de Espinhos e Rosas, um misto de A Bela e A Fera e Game of Thrones, Sarah J. Maas cria um universo repleto de ação, intrigas e romance. Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira que ela só conhecia através de lendas , a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la... Ou Tamlin e seu povo estarão condenados. (Skoob)
MAAS, Sarah J. Corte de Espinhos e Rosas. Editora Galera, 2015. 434 p.

Após muito prolongar a leitura de Corte de Espinhos e Rosas, aproveitei que uma amiga estava lendo e a acompanhei. Eu não sabia bem o que encontraria, mas fiquei surpreso por se tratar, na sua maior parte, de uma releitura do clássico A Bela e a Fera. Existem trechos que são muito parecidos, além do casal principal, óbvio. Entretanto, também existe muita coisa diferente, como o mundo onde se passa a história, os poderes dos personagens, a presença de vários monstros e inimigos, além de toda uma fantasia que é bastante original e intrigante.

A relação entre o casal principal, Feyre (a Bella) e Tamlin (a Fera), segue o mesmo roteiro do clássico infantil: medo, repulsa, aceitação, curiosidade, simpatia, admiração e, finalmente, amor. A forma como tudo isso acontece é natural, sem pressa, convincente. Aliás, essa é uma das características positivas da obra: a autora narra tudo sem pressa, com os detalhes necessários para o leitor se acostumar e aceitar as coisas fantásticas que estão acontecendo, e tudo isso sem ser maçante, ou ter partes desnecessárias, o que é difícil de se conseguir.

Feyre é uma garota autoritária, atrevida, que não aceita as coisas de forma diferente daquelas que ela planeja. Isso se deve ao fato de carregar nos ombros a responsabilidade de prover alimento e proteção para seu pai e as duas irmãs. Essa personalidade se mantém por toda a história, e somada à coerência das decisões que Feyre toma, demonstra o cuidado que a autora teve com seus personagens.

Tamlin é inicialmente o vilão que se transforma em herói ao longo da história. Por quase todo o livro, ele é a presença ameaçadora que mantém todos ao seu redor protegidos das ameaças externas, ao mesmo tempo que consegue demonstrar um carinho e uma paixão por Feyre. Essa dureza em choque com sua leveza é a mesma do clássico infantil, e funciona muito bem no livro.

Apesar de Feyre e Tamlin serem os personagens principais, dois secundários roubam o interesse do leitor de forma inequívoca: Lucien, o amigo mais próximo de Turien e seu braço direito; e Rhysand, o inimigo natural de Tamrin.

O leitor nunca sabe quem é Lucien. Ele gosta de Feyre? Ele odeia? Ele realmente é amigo de Turien? Ele tem algum plano secreto? Ele é mau? Ele é bom? A dualidade do personagem conquista na mesma proporção que surpreende. Ao mesmo tempo que ele ajuda Feyre, nessa atitude ela acaba entrando em perigo. Da mesma forma que ele é simpático, ele consegue ser ameaçador. Não há como ficar impassível diante do personagem. Excelente!

Já Rhysand, apesar de ser o inimigo do herói do livro, consegue criar uma empatia com o leitor por suas atitudes com Feyre e por demonstrar que, no fundo, ele não é tão mau assim. Ele poderia até conseguir ser mais interessante que Lucien, mas a autora cria um interesse romântico com Feyre, formando um triangulo amoroso que diminui a força do personagem.

E esse é um dos pontos negativos da obra: o triangulo amoroso. Realmente não há qualquer necessidade dele existir. Fica definido de forma bastante convincente que Feyre ama Tamlin, e lá para o fim do livro, quando Rhysand aparece e demonstra interesse em Feyre, fica algo deslocado, forçado, principalmente as coisas que acontecem em uma determinada prisão.

Deslocado também ficam algumas partes mais quentes do romance de Feyre com Tamlin. Tentar explicar: no meio da história, quando o casal já está apaixonado de forma tão inocente quanto o clássico infantil, a autora solta uma frase de Feyre: senti um molhado entre as pernas. Eu meio que arregalei os olhos e estranhei algo tão explícito de uma hora para outra, uma vez que até aquela parte, não havia nada de hot na história. E depois dessa parte, aparecem mais duas ou três com descrições de seios nus, garras e dentes afiados nos seios e em outras partes do corpo. Ficou muito estranho, deslocado. Foi como assistir ao desenho da Disney e ver a Bella transar com a Fera.

Ainda preciso reclamar de mais um ponto, que é sobre a verdadeira vilã da história, que só aparece no final. Ela é patética. E as atitudes que ela toma, quando está com toda a situação controlada, são dignas daqueles vilões megalomaníacos que fazem de tudo para serem vencidos pelo herói. Desfalcou a intensidade da aventura e descaracterizou a força dos personagens.

Mas, apesar desses percalços, o saldo ainda é positivo, e confesso que gostei do livro. Tanto que pretendo ler o segundo volume, onde já me contaram que não existe mais o triangulo amoroso e onde os acontecimentos são muito melhores. Ainda bem!

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O Canto Mais Escuro da Floresta - Holly Black

Sinopse: Uma história repleta de magia e mistérios, da autora de As Crônicas de Spiderwick. Hazel e seu irmão, Ben, moram em uma cidade onde humanos e fadas convivem. A magia aparentemente inofensiva desses seres atrai turistas de todas as partes, que querem ver de perto as maravilhas do lugar e, principalmente, o garoto de chifres e orelhas pontudas que descansa em um caixão de vidro. Hazel e Ben eram fascinados pelo garoto quando crianças. Mas, à medida que crescem, as histórias e teorias que inventavam perdem o encanto. Eles sabem que o garoto de chifres nunca acordará... Até que um dia ele acorda. Agora, os irmãos precisam se tornar os heróis que fingiam ser em suas brincadeiras e desvendar os mistérios que envolvem aquele príncipe com chifres. (Skoob)
BLACK, Holly. O Canto Mais Escuro da Floresta. Galera Record, 2017. 294 p.


Apesar de ser reconhecida principalmente por sua série As Crônicas de Spiderwick (que, inclusive, nunca tive interesse de ler), Holly Black é uma autora de muito potencial: escreve extremamente bem e é super criativa. Prova disso é O Canto Mais Escuro da Floresta, uma mistura de fantasia com YA que prende do início ao fim. 

Aqui, conhecemos a história de Hazel e Ben, que moram em Fairfold, uma cidadezinha turística repleta de magia, onde humanos e criaturas místicas convivem em perfeita harmonia. A maioria dos turistas querem dar uma conferida na maior "atração" da cidade: um jovem de chifres e orelhas pontudas que está em sono profundo em um caixão de vidro, no meio da floresta. Até aqui, tudo bem. Eis que começam a acontecer coisas esquisitas em Fairfold a partir do momento que o garoto acorda, sem nenhuma explicação. 

Apesar de parecer um pouco infantil inicialmente, a história contada por Holly Black é muito legal e divertida. A escrita da autora é envolvente demais e o fato de os personagens serem jovens na casa dos 17 anos faz com que o enredo, apesar de toda a magia envolvida, deixa tudo muito mais maduro. Os personagens são muito diversificados, tendo desde pessoas abençoadas por fadas, como Ben, até changelings vivendo como um humano normal, como Jack, cada um com uma personalidade incrível e bem trabalhada. 

Algo que me agradou bastante em O Canto Mais Escuro da Floresta foi a dinâmica entre Hazel e Ben, que cultivam uma cumplicidade desde que eram criancinhas. O mais engraçado é que cada um é importante à sua maneira, mas ambos têm um pouquinho de inveja do que o outro é, então acabam guardando muitos segredos que geram alguns conflitos durante a história. Eu não tenho irmãos de sangue, mas imagino que esse tipo de coisa acaba acontecendo em um momento ou outro, não é mesmo?

A história em si é muito simples, mas é impossível não deixar a curiosidade da gente bem atiçada. Há várias reviravoltas na trama, bem típicas de livro de fantasia, mas nada muito surpreendente — o que não é necessariamente um ponto negativo, ok? Além disso, Holly Black inseriu um tema bastante atual no livro, a sexualidade. Pode parecer bobagem, mas é muito bom ter essa representatividade na literatura. Eu acredito que esse tipo de situação deixa a leitura muito mais interessante e dinâmica.

O Canto Mais Escuro da Floresta é a opção perfeita para quando queremos sair daquela ressaca literária que está durando meses, ou até mesmo quando estamos a fim de ler alguma coisinha mais leve. Holly Black sempre escreve de forma deliciosamente fluida, o que facilita muito as coisas, independe do momento.

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Nunca, Jamais - Parte 2 - Colleen Hoover

Sinopse: A segunda parte do suspense romântico de tirar o fôlego “Nunca Jamais” Um garoto abre os olhos e sequer se lembra que seu nome é Silas. O telefone toca... “Encontrou ela?”, pergunta a voz do outro lado da linha. Quem é ela? Quem sou eu? Charlie se vê presa em um lugar parecido com quartos de hospital (ou de um manicômio). Também não se lembra de nada, nem sequer do próprio rosto. O tempo passa e ninguém vem salvá-la. Ela precisa escapar por conta própria. Aos poucos, os dois descobrem que vêm perdendo a memória em períodos cíclicos. E também que se amam imensamente. Numa corrida para descobrir a razão dos apagões em suas memórias, Silas e Charlie acabam descobrindo muito mais sobre si e os mistérios que envolvem suas famílias. Mas muito em breve vão esquecer tudo de novo. E precisam estar juntos para evitar o pior. (Skoob)
HOOVER, Colleen. Nunca, Jamais - parte 2. Editora Galera, 2017. 144 p.


Quando li Nunca Jamais, fui totalmente surpreendido pelo final, uma vez que não sabia que a história tinha continuação. Ávido para saber o que aconteceria com Charlie e Silas, o casal de namorados que perde a memória a cada 48 horas, comprei o segundo volume assim que ele começou a ser vendido.


Nesta segunda parte, algumas coisas são explicadas, como quem é a cartomante, qual o significado do quadro de uma casa no quarto de Charlie, o que aconteceu entre os pais dos dois, o motivo de Charlie e Silas terem terminado, o motivo do pai de Charlie ter sido preso, quem é a garota cor de rosa, além de uma ideia mais clara do que está causando a perda de memória.

Desta vez, a narrativa é mais centrada em Silas, mas a de Charlie, embora menor, é mais emocionante, uma vez que ela começa presa em um quarto, sem saber quem a prendeu. O que um sente pelo outro, continua forte, mais até, e é fofo ver como, mesmo sem se lembrarem, eles necessitam do toque de pele, da companhia, du suporte.


Outra coisa legal, é o irmão de Silas descobrir o que está acontecendo e ajudá-los. Isso afasta um pouco o incômodo dos dois persistirem em não buscar ajuda.

Infelizmente, o livro é bem, bem, bem curto. Tanto, que li tudo enquanto jantava. Tão curto, que mais parece um conto. Isso causa um pouco de decepção, porque, obviamente, as duas autoras poderiam ter encerrado tudo neste volume.


Nunca Jamais - parte 2 não decepciona em relação ao primeiro. Gostei tanto, quanto. Agora, esperar o dia que virá a terceira parte, para, finalmente, descobrir se os dois resolverão todos os mistérios e poderão aproveitar o amor que um sente pelo outro.

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Novembro, 9 - Colleen Hoover

Fonte da imagem: Gettub
Sinopse: Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angels para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos - a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Bem em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos? (Skoob)
Hoover Colleen. Novembro, 9. Editora Galera, 2016. 352P. 


Sabe aquele (a) autor (a) de quem você leria até a lista de supermercado e diria que foi a melhor coisa que leu em muito tempo? Clichê essa frase, eu sei, mas simplesmente não consigo evitar a Colleen Hoover. Ela conquistou meu coração desde o livro Ugly Love e, de lá para cá, eu me apaixono por todas as suas obras. Ela tem um diferencial na sua escrita mesmo quando se trata de um livro com uma temática para lá de clichê.

Em Novembro, 9 não temos um cenário tão original, já que a obra Um Dia traz uma temática um tanto quanto parecida, com encontros anuais, mas como já havia comentado, a Colleen tem um diferencial que é característico das suas obras, que é pegar um enredo clichê e transformar em algo surpreendente. Mesmo assim, esta não é, nem de longe, sua melhor obra, mas ela me conquistou como todas as outras.

Fallon é uma atriz que, depois de um acidente, teve sua carreira interrompida e sua vida virada de ponta-cabeça. Esse acidente deixou sequelas em seu corpo e quebrou totalmente sua confiança em si mesma. Dois anos depois, ela está de mudança para Nova York, para seguir seus sonhos. Coincidentemente é 9 de Novembro, dia do aniversário de 2 anos do acidente que mudou sua vida, e também será o dia em que o jovem Ben entrará em sua vida para abalar suas estruturas.

Ben tem 18 anos e sonha em ser um escritor. Ele entra na vida de Fallon de uma forma inusitada, já que a mesma estava tendo uma discussão com o pai, que tentava convencê-la a desistir de seguir a carreira que sempre sonhou, ser atriz. O pai dela também é o "responsável" pelo acidente, um incêndio, e carrega essa culpa, mas acaba descontando nela e colocando Fallon para baixo em relação às cicatrizes das queimaduras que o acidente causou em parte de seu rosto. Ben ouve toda a conversa e vai ao resgate da Fallon, fingindo ser seu namorado. Ninguém podia prever o que aconteceria a seguir.

O que você faz quando encontra o amor da sua vida, mas está preste a se mudar para muito, muito longe?

Você vai é obvio.

Apesar da intensa ligação entre Fallon e Ben, ambos sabem que ela precisa viajar e resolvem aproveitar o pouco tempo que ainda lhes resta juntos. A ligação é instantânea, mas Fallon não pode desistir da sua viajem por um garoto que ela mal conhece. Perto do embarque, e não querendo simplesmente dar adeus, ambos resolvem que seria uma boa ideia se encontrarem durante os próximos cinco anos no mesmo dia. Isso dará o enredo do livro que Ben vai escrever sobre eles.

Novembro, 9 tem uma boa carga emocional. Ben e seus segredos, Fallon e seus traumas. Juntos, eles têm um tsunami de emoções. Em alguns momentos, a narração dá uma impressão de que estamos lendo um livro dentro de outro livro, e eu adorei essas partes. É confuso? Absolutamente, não.

A narração é em primeira pessoa, intercalada entre ambos os personagens. Não há um aprofundamento na vida dos personagens nos intervalos entre os anos. O foco é realmente os encontros deles, e é emociante. Com o passar dos anos, algumas coisas dão errado, mas isso é a vida, isso é simplesmente viver.

O que mais me conquistou nessa história foi o fato de que a Fallon não é perfeita. Ela tem suas cicatrizes corporais e também emocionais. Amei acompanhar a evolução dela como personagem, da forma como ela foi ganhando de volta sua confiança e sua auto-estima. Seu crescimento, em alguns momentos, emocionou-me, porque não é fácil aprender a lidar com seu novo corpo e com o fato de que nem seu próprio pai consegue olhar nos seus olhos. Ben foi como um raio de sol em um dia de tempestade, ele chegou iluminando tudo.

Eu me apaixonei pelo Ben na sua primeira interação com nossa mocinha. Ele não ligava para as cicatrizes de Fallon e nem para o fato de que ela não era perfeita, pelo contrário. Para ele, Fallon não poderia ser mais bonita. Por isso, se existir um Ben por aí, por favor, me apresentem, estou precisando de um desses na minha vida :).

Seu crescimento também foi ótimo de acompanhar. Ele deu alguns vacilos no decorrer do livro, mas nada que mudasse minha maneira de pensar em relação a ele. Acho que de todos os livros que já li da Colleen, esse é meu segundo mocinho preferido, depois do Ridge, de Talvez Um Dia. 

Em um determinado momento, o segredo do Ben é um pouco que previsível, mas isso não diminuiu a carga emocional do mesmo, pelo contrario, aumentou o desespero do leitor.

Portanto, não deixem de ler esse livro, tenho certeza de que vocês irão amar. Estejam prontos para uma bela montanha russa de emoções.

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Nunca, Jamais - Colleen Hoover

Sinopse: Charlie Wynwood e Silas Nash são melhores amigos desde pequenos. Mas, agora, são completos estranhos. O primeiro beijo, a primeira briga, o momento em que se apaixonaram... Toda recordação desapareceu. E nenhum dos dois tem ideia do que aconteceu e em quem podem confiar. Charlie e Silas precisam trabalhar juntos para descobrir a verdade sobre o que aconteceu com eles e o porquê. Mas, quanto mais eles aprendem sobre quem eram, mais questionam o motivo pelo qual se juntaram no passado. (Skoob)
HOOVER, Colleen. Nunca, Jamais. Editora Galera Record, 2016. 192 p.


Para conseguir aproveitar a história de Charlie e Silas, um casal de adolescentes que perde a memória episódica, ou seja, de quem são, de seu passado individual, mas continuam com todas as outras memórias, como falar, usar celular, computador, etc., você deve abandonar um pouco seu senso comum. Isso, porque a história não existiria se eles simplesmente procurassem um médico para realizarem exames.


O que os dois fazem é exatamente o oposto. Escondem a perda de memória de todos e resolvem procurar pistas do que aconteceu no mundo exterior, sendo que o que eles têm é um problema biológico. Ignorando esse pequeno detalhe (!), você poderá aproveitar melhor as agruras pelas quais os dois passam.

Charlie é uma personagem complicada. Não consegui simpatizar com ela em nenhum momento. E isso não é um defeito de construção pelo autor, mas, sim, proposital. Hoover fez Charlie dessa forma, para ser chata, egoísta, temperamental, individualista, fria. Exatamente o oposto de Silas.


Silas é carinhoso, romântico, companheiro. Ele se preocupa com Charlie, pensa nela em primeiro lugar, deseja descobrir que o sentia por ela, antes da perda de memória, era tão forte quanto o que ele começa a sentir depois da perda de memória. Ele se apaixona por ela de novo, enquanto Charlie tenta se afastar de todas as formas.

E nesse ponto, fica interessante, porque Charlie reconhece seus defeitos, sua mãe alcoólatra, sua irmã rebelde, todos os problemas que a rodeiam, e não gosta do que vê. É como se ela visse seu reflexo em um espelho quebrado e deseja consertar esse espelho. Por isso, o desejo dela em não se apaixonar por Silas, uma vez que ele é o retrato do que funciona, do que é bom e quente.


O casal funciona tão bem que, quando descobrimos que ambos fizeram coisas para magoar um ao outro, sentimos um pesar no coração. E esse pesar também é sentido por eles. A incredulidade de que o que sentem foi maculado por más escolhas, intrigas e atos provocativos para machucar propositalmente.

O que aconteceu para eles terem chegado a esse ponto? Bem, como eles, o leitor também fica sem saber, uma vez que Nunca, Jamais faz parte de uma trilogia. No primeiro livro, pouco descobrimos. E a história acaba abruptamente, e de uma forma que apaga tudo o que lemos.

Isso é mau? Não. Faz todo o sentido terminar dessa forma. Estamos tratando com perda de memória, com uma busca frenética pelo que aconteceu. É importante o leitor se sentir da mesma forma que os personagens.


Nunca, Jamais consegue misturar uma história romântica bastante casual, com um tempero de mistérios, de urgência, de desespero. Usa de desvios criativos para torar a vida do casal uma tortura, e obriga o leitor a ler página atrás de página para descobrir o que aconteceu. Tanto, que li a obra de uma só vez, em um par de horas.

Que venha o segundo livro, que, infelizmente, ainda não foi publicado no Brasil.

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