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O reino de Zália - Luly Trigo

O primeiro livro de fantasia de Luly Trigo, uma princesa se vê obrigada a assumir o governo do país em meio a revoltas populares, intrigas políticas, conflitos familiares e romances arrebatadores. Por ser a segunda filha, a princesa Zália sempre esteve afastada dos conflitos da monarquia de Galdino, um arquipélago tropical. Desde pequena ela estuda em um colégio interno, onde conheceu seus três melhores amigos, e sonha em seguir sua paixão pela fotografia. Tudo muda quando Victor, o príncipe herdeiro, sofre um atentado. Zália retorna ao palácio e, antes que possa superar a perda do irmão, precisa assumir o posto de regente e dar continuidade ao governo do pai. Porém, quanto mais se aproxima do povo, mais ela começa a questionar as decisões do rei e a dar ouvidos à Resistência, um grupo que lidera revoltas por todo o país. Para complicar a situação, Zália está com o coração dividido: ela ainda nutre sentimentos por um amor do passado, mas começa a se abrir para um novo romance. Agora, comprometida com um cargo que nunca desejou, Zália terá de descobrir em quem pode confiar - e que tipo de rainha quer se tornar. (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora.
TRIGO, Luly. O reino de Zália. Seguinte, 2018. 436 p.


Zália é a princesa do reino de Galdino, a segunda na linha de sucessão do trono, mas, quando seu irmão Victor morre num atentado causado pela Resistência, ela passa a ser a primeira e precisa atuar como regente, pois seu pai encontra-se debilitado. Com 17 anos, Zália tem que lidar com um reino corrupto, seu pai que não quer desistir do poder e deseja tê-la no trono apenas como fachada, e problemas do coração, encontrando-se dividida entre dois garotos.

O livro tem essencialmente esses três pontos principais para lidar, além de algumas coisinhas aqui e ali, não é nem tanto, mas a autora não soube desenvolvê-las bem. Eu gostei do livro, ele não é ruim, não sentir vontade de fechá-lo e parar de ler em nenhum momento, contudo é mais uma leitura para passar o tempo do que algo que te prende realmente. Eu queria um pouco mais de profundidade, porque toda a trama foi muito superficial e genérica.

Para começar, não há desenvolvimento nos personagens, não houve nada sobre eles que me encantou e fez torcer por eles. Eles são planos e previsíveis e não saíram do clichê. Eu também diria que 90% dos mistérios da trama estava na cara. E o romance? Cadê o romance pelo amor de Deus? Eu odeio triângulos amorosos de coração, mas fui preparada para ele, para me irritar com essa história de te quero, mas não te quero, até imaginei algo tipo A Seleção pela sinopse, mas não há nada do tipo. Não há triângulo amoroso, porque não há nem sequer a interação da protagonista com mais de um dos pretendentes, então não há como conhecê-lo ou me importar com ele.

A autora é brasileira e foi perceptível o uso dela dos conflitos que se passa no Brasil, como a corrupção sem limite e a questão da aposentadoria. Houve diversas críticas ao governo, mas em nenhum momento a autora dá uma solução e assim é fácil, dizer que algo não está certo e que não pode ser assim é a coisa mais fácil que existe, e eu não quero uma solução real para o mundo real, eu não espero que ela resolva os problemas do Brasil, mas eu quero uma solução possível dentro dos limites ficcionais da história que ela criou e eu não tive isso.

Enfim, acredito que tinha uma boa base para ser uma história maravilhosa, entretanto não foi tão bem executado como eu esperava, poderia ter algumas melhorias, um melhor desenvolvimento. Mas foi um bom livro para passar o tempo, fazendo-me refleti sobre alguns pontos políticos e familiares além do abordado pela autora.

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Juntos Somos Eternos - Jeff Zentner

Sinopse: Dill não é um garoto popular na escola — e não é culpa dele. Depois de seu pai se envolver em um escândalo, o garoto se tornou alvo de piadas dos colegas e passou a ser evitado pela maioria das pessoas na cidadezinha onde mora. Felizmente, ele pode contar com seus melhores amigos, Travis e Lydia, que se sentem tão excluídos ali quanto ele. Assim que os três começam o último ano do ensino médio, mudar de vida parece um sonho cada vez mais distante para Dill. Enquanto Travis está feliz em continuar no interior e Lydia pretende fazer faculdade em uma cidade grande, Dill carrega o peso das dívidas que seu pai deixou para trás. Só que o futuro nem sempre segue nossos planos — e a vida de Dill, Travis e Lydia está prestes a mudar para sempre.
ZENTNER, Jeff. Juntos Somos Eternos. São Paulo: Editora Seguinte, 2018. 344 p. 


Eu não sabia exatamente o que esperar de Juntos Somos Eternos, porque na verdade o que chamou minha atenção foi o título poético do livro. No fim das contas, encontrei uma obra que tinha tudo para ser o maior clichê do mundo, mas que acabou se tornando um dos poucos favoritos do ano. Jeff Zentner acertou ao contar a história de três melhores amigos que usam a união e o amor que sentem uns pelos outros para driblar os problemas da vida. 

O livro, a princípio, tem uma trama bastante simples, com narrativa em terceira pessoa sob o ponto de vista dos três personagens principais: Dill, rejeitado por (quase) todos os colegas da escola por causa do crime que colocou seu pai — e pastor de uma das congregações da cidade — na cadeia; Travis, o adolescente "diferentão" fã de literatura que tem muitos, muitos problemas com o pai abusivo; Lydia, uma blogueira famosa de moda que sonha em fazer faculdade na cidade grande. O que tornou essa história tão grandiosa foi a forma como a trama foi desenvolvida. 

Eu me conectei muito com Travis e Dill, as criaturas mais bondosas, pacientes e amáveis do Universo, mas tive muitos problemas com Lydia, que para mim não passa de uma garota grossa e mimada. A forma como ela trata os amigos só reforça aquele estereótipo de "pessoa rica que se acha melhor que todo mundo", e isso me incomodou muito. Claro que depois de certos acontecimentos ela acabar percebendo a pessoa escrota que estava sendo, mas eu já tinha pegado um rancinho e não consegui sentir muita empatia por ela. Os pilares desse livro são, com certeza, Dill e Travis, dois arrasos de personagens.

— Li em algum lugar que muitas das estrelas que vemos não existem mais. Já morreram e demora milhões de anos para a luz delas chegar à Terra — Dill disse.
— Esse não seria um jeito ruim de morrer — Lydia respondeu. — Emitir luz por milhões de anos depois da morte. (p. 107)

O engraçado é que o começo de Juntos Somos Eternos é muito comum e até meio parado. A vida dos três adolescentes é exatamente igual à nossa quando tínhamos uns 16, 17 anos, mas a escrita de Zentner é tão boa que é impossível largar. Quando os dramas familiares aparecem, o livro toma outra cara. Um dos focos da narrativa é o fanatismo religioso, que foi muito bem representado através de Dill, um garoto maravilhoso, mas totalmente oprimido pela mãe, que sempre o acusava de agir contra as vontades de Deus. O mais triste foi ver o que atitudes como essas podem causar no emocional da pessoa.

Eu já estava gostando muito do livro, mas o plot twist me marcou demais. A partir desse ponto, foi impossível controlar minhas emoções. Só de lembrar fico com vontade de chorar — até porque desse ponto pra frente só chorei mesmo —, porque realmente mexeu muito comigo e me mostrou que vale a pena continuar vivendo mesmo quando tudo parece conspirar contra, e que isso é muito mais fácil quando temos pessoas que nos amam perto de nós. 

Eu realmente não consigo descrever o quanto gostei, mas espero que tenha passado pelo menos um pouquinho do que eu senti para vocês. Juntos Somos Eternos foi muito mais do que eu esperava. É uma leitura dolorosa, cheia de verdades difíceis de engolir, mas ao mesmo tempo é lindo, transmite uma mensagem maravilhosa sobre amizade, amor, esperança e fé, em um Ser Maior, no Universo e em nós mesmos. Com certeza vai ficar do meu coração por muito tempo.

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A Nuvem - Neal Shusterman

Sinopse: No segundo volume da série Scythe, a Ceifa está mais corrompida do que nunca, e cabe a Citra e Rowan descobrir como impedir que os ceifadores que não seguem os mandamentos da instituição acabem com o futuro da humanidade.
Em um mundo perfeito em que a humanidade venceu a morte, tudo é regulado pela incorruptível Nimbo Cúmulo, uma evolução da nuvem de dados. Mas a perfeição não se aplica aos ceifadores, os humanos responsáveis por controlar o crescimento populacional. Quem é morto por eles não pode ser revivido, e seus critérios para matar parecem cada vez mais imorais. Até a chegada do ceifador Lúcifer, que promete eliminar todos os que não seguem os mandamentos da Ceifa. E como a Nimbo Cúmulo não pode interferir nas questões dos ceifadores, resta a ela observar.
Enquanto isso, Citra e Rowan também estão preocupados com o destino da Ceifa. Um ano depois de terem sido escolhidos como aprendizes, os dois acreditam que podem melhorar a instituição de maneiras diferentes. Citra pretende inspirar jovens ceifadores ao matar com compaixão e piedade, enquanto Rowan assume uma nova identidade e passa a investigar ceifadores corruptos. Mas talvez as mudanças da Ceifa dependam mais da Nimbo Cúmulo do que deles. Será que a nuvem irá quebrar suas regras e intervir, ou apenas verá seu mundo perfeito desmoronar? (Skoob)

SHUSTERMAN, Neal. A Nuvem. Scythe #2. Seguinte: 2018. 496 p.


Antes de começar a ler A Nuvem eu jurava, jurava mesmo, que Scythe era uma duologia. Não sei por que essa ideia passou pela minha cabeça, mas quanto mais eu me aproximava do fim do livro, mais percebia que não seria possível concluir a história nesse volume. Neal Shusterman tinha muita coisa para contar, muita trama para desenrolar e, com tudo o que estava acontecendo, eu fiquei chocada com a forma como essa continuação de O Ceifador terminou.

O futuro criado por Shusterman é bastante interessante, já que a tecnologia atingiu seu ápice e agora é a Nimbo-Cúmulo - a nuvem - quem governa a humanidade. Não de uma forma ruim, como estamos acostumados a ver nos filmes em que as máquinas passam a dominar, pois a Nimbo-Cúmulo é perfeita e justa. Esse contexto já havia sido mostrado no livro anterior, mas esse segundo volume aprofunda a consciência da nuvem e, mais importante, mostra as consequências da luta de Citra e Rowan contra a corrupção na Ceifa - cada um por seus próprios meios.

Se no primeiro volume a narração intercalava os pontos de vista dos dois aprendizes - que agora são ceifadores -, neste segundo livro surgem capítulos com as perspectivas de outros personagens, para mostrar os reflexos dessa luta dissimulada entre benevolência e corrupção. Assim, além de Citra e Rowan, podemos acompanhar o que acontece com diversos ceifadores, bons ou maus, e com personagens que, no primeiro volume, pareciam não ter grande relevância, como Tyger Salazar e Greyson Tolliver.

Também, os capítulos são intercalados por trechos narrados pela própria Nimbo, o que ajuda a compreender suas regras e suas atitudes. É instigante observar como cada passo é calculado e como tudo tem uma razão, mesmo quando as decisões da nuvem não parecem, a primeira vista, ter qualquer sentido.

Essa dinâmica de narração dá ainda mais agilidade à trama, visto que os acontecimentos se espraiam em diversos ângulos ao mesmo tempo. São tantas tramas paralelas que o livro ganha uma complexidade inesperada, considerado seu enredo jovem, pois ainda que seja carregado de crítica social, sua trama seguia, até então, por um caminho linear. Ademais, embora dê a impressão de que está perdendo o foco de sua narrativa, é surpreendente a forma como o autor consegue unir todos esses contextos em um grande acontecimento no final.

Sobre esse acontecimento final, aliás, só posso dizer que estou até agora paralisada e angustiada para saber o que vai acontecer. Não consigo acreditar quando um livro termina assim, com tudo posto abaixo e sem respostas, na ansiedade para saber como as coisas serão resolvidas. É aquela sensação de amor e ódio ao mesmo tempo, pois o autor foi corajoso o suficiente para arriscar tudo, mas em que se sabe que o próximo passo pode fazer a história se perder. Eu espero sinceramente que não.

A Nuvem é uma trama ágil e viciante, que sabe explorar o mundo criado em suas páginas de uma forma original e única. Embora se pareça um pouco com uma fantasia, não há nada de poderes mágicos por aqui, já que trata, na verdade, de uma realidade quase possível. Além disso, nos presenteia com uma capa linda que, embora simples, é bastante representativa de sua história.

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Graça e Fúria - Tracy Banghart

Sinopse: Duas irmãs lutam para mudar o próprio destino no primeiro volume de uma série de fantasia repleta de romance, ação e intrigas políticas. Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças — jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro. Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real — mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos. Como punição, a garota é enviada a uma ilha que serve de prisão para mulheres rebeldes. Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram — e farão de tudo para se reencontrar. (Skoob)
BANGHART, Tracy. Graça e Fúria #1. Editora: Seguinte, 2018. 304 p.


Em Graça e Fúria, conhecemos as irmãs Serina e Naomi, duas jovens moradoras do reino de Viridia, onde as mulheres são constantemente oprimidas e vivem as suas vidas sem direito praticamente nenhum. Serina, como irmã mais velha, foi criada para ser uma graça, uma das poucas mulheres que podem servir o rei e os seus herdeiros, em troca de riquezas e uma vida melhor para a sua família.

Em contrapartida temos Naomi, uma jovem de personalidade forte, que não se contenta com o papel que tem na sociedade e sonha com o dia em que poderá fazer as suas próprias escolhas e ser livre. Ela acompanhará a sua irmã na seleção, ou seja, será sua aia e a pessoa que auxiliará Serina se ela se tornar uma graça. 

Contudo, alguns acontecimentos fizeram com que o herdeiro do trono escolhesse Noami como sua graça, fazendo com que Serina, a jovem que sonhava com o dia em que se tornaria uma graça, virasse aia da sua irmã. Para piorar ainda mais a situação, Serina é pega com um livro na mão, que foi roubado da biblioteca pela sua irmã que, mesmo sabendo das regras, aprendeu a ler; como isso é considero um crime, Serina é mandada para uma prisão feminina onde terá que lutar pela sua vida.

Agora as irmãs terão que se adaptar às vidas que nunca quiseram para si, Serina na prisão, tendo que deixar a sua delicadeza e costumes de lado para sobreviver, e Noami, que está num ninho de cobras e terá que aprender rápido e se comportar como uma graça. 

Graça e Fúria é um livro que traz uma história de empoderamento feminino e que trabalha diversos assuntos, como o papel da mulher em meio a sociedade. A trama em si é muito clichê e bem previsível, mas, ainda assim, a autora conseguiu me cativar com alguns personagens e com a sua escrita, que extremamente rápida e fluída.

Serina foi uma personagem que me surpreendeu bastante pela força e coragem que demostrou ter nos momentos difíceis que passou. Naomi, por outro lado, foi uma personagem que não me cativou muito, ela tem uma coragem muito grande, mas o seu jeito impulsivo de ser a colocou em diversos problemas, pelas atitudes impulsivas que ela tomou no calor do momento, a começar pelo roubo do livro. Por outro lado, eu adorei a pessoa que ela se tornou quando o assunto era sua irmã, o amor que ambas demostraram ter uma com a outra, foi lindo de observar e isso foi, sem dúvidas, um dos pontos altos desse livro.

A trama de Graça e Fúria traz uma proposta muito interessante e eu acho que a autora introduziu bem o leitor a esse mundo. Nada foi trabalhado de forma muito profunda, contudo, tudo teve a sua devida introdução. O único ponto que deixou um pouco a desejar, foi plot twist que, a meu ver, estava muito óbvio e já trazia algo que vemos em muitos outros livros.

Em relação à parte física do livro, eu adorei a capa, ela traz uma foto das irmãs, o que deu um charme a edição, as folhas são amareladas e as letras confortáveis. A narrativa é feita em terceira pessoa, alternando entre Serina e Naomi, o que nos possibilita conhecer e acompanhar as irmãs nessa dura jornada. Graça e Fúria foi uma leitura rápida, que trabalha um tema muito interessante e que, apesar dos vários clichês, me deixou muito curiosa para o próximo livro, que tem como título: “Queen of Ruin” em tradução livre “Rainha da Ruína”.

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Tempestade de Guerra - Victoria Aveyard

Crédito da Imagem: blog Amiga da Leitora
Sinopse: Mare Barrow aprendeu rápido que, para vencer, é preciso pagar um preço muito alto. Depois da traição de Cal, ela se esforça para proteger seu coração e continuar a lutar junto aos rebeldes pela liberdade de todos os vermelhos e sanguenovos de Norta. A jovem fará de tudo para derrubar o governo de uma vez por todas — começando pela coroa de Maven.
Mas nenhuma guerra pode ser vencida sem ajuda, e logo Mare se vê obrigada a se unir ao garoto que partiu seu coração para derrotar aquele que quase a destruiu. Cal tem aliados prateados poderosos que, somados à Guarda Escarlate, se tornam uma força imbatível. Por outro lado, Maven é guiado por uma obsessão profunda e fará qualquer coisa para ter Mare de volta, nem que tenha que passar por cima de tudo — e todos — no caminho. (Skoob)
AVEYARD, Victoria. Tempestade de Guerra. A Rainha Vermelha #4. Editora Seguinte, 2018. 699 p.


Sempre me sindo dividida quando chego ao fim de uma série que adoro - entre a vontade enlouquecedora de saber o que a autora preparou para o tão aguardado final e o medo, tanto pela possibilidade de sofrer muito ou de achar muito ruim. Não poderia ser diferente com Tempestade de Guerra, último volume da série A Rainha Vermelha, ainda mais quando a autora conseguiu preencher os volumes anteriores com reviravoltas e traições, além de muita agitação. Num contexto geral, gostei do final, mas não muito, e quero explicar para vocês por quê.

Tempestade de Guerra consegue manter o bom ritmo que me agradou nos livros anteriores, intercalando cenas de lutas, ação e um pouco de humor com toques de drama, grandes reflexões e discussões políticas, o que deu um equilíbrio entre o sério e o divertido. Além disso, o livro teve espaço para tratar de assuntos que ainda estavam incompleto, até porque foram mais de 700 páginas nesse volume.

Desde o início, sabemos que qualquer coisa pode acontecer e a autora não decepciona nas muitas cenas de luta - afinal, os personagens estão em uma guerra declarada. As alianças, que são bastante frágeis, podem mudar a qualquer tempo, mesmo porque cada grupo defende seu próprio interesse e são as circunstâncias que determinam a união ou a desunião no meio desse jogo.

Gostei da forma como as questões políticas foram abordadas na trama, ainda mais quanto permitiram à autora explorar mais os reinos vizinhos de Norta. Montefort, Piedmont e Lakeland, que já tinham sido citados nos volumes anteriores, ganham papel de destaque na luta e são melhor compreendidos, alguns até "visitados". Além disso, embora se trate de uma série de fantasia, a trama aborda com propriedade questões sociais bastante atuais, em especial aquilo que decorre do preconceito. Na história, é a cor do sangue que gera segregação - mas nada impede a comparação com as discriminações com as quais convivemos todos os dias.

Tempestade de Guerra também traz capítulos narrados por outros personagens, intercalados pela perspectiva de Mare, o que enriquece a trama, por trazer ópticas bastante variadas. É interessante ver as coisas por outros pontos de vista, inclusive os dos inimigos.

Não vou negar para vocês que comecei o livro com um receio gigante, pois é o último livro da série e os personagens estavam em guerra e seria fácil para a autora deixar mais alguém morrer. Eu estava me preparando tanto para a dor que não consegui me preparar para o que realmente encontrei - e foi pouco, muito menos do que eu esperava. 

Achei que a autora optou por encerrar com o caminho fácil, sem enfrentar as questões mais problemáticas que trouxe aos seus protagonistas. Quando terminei a leitura, fiquei procurando a continuação, porque achei que muitas coisas ficaram em aberto. Considerando o número de páginas, acho que o livro poderia ter algumas a mais para encerrar completamente a trama principal, até porque não vi a profecia de Jon se concretizar e achei a cena final bastante vazia.

Em resumo, Tempestade de Guerra foi um bom livro e uma ótima continuação para uma série incrível, mas que deixou um pouco quanto ao encerramento da história.

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Uma coisa absolutamente fantástica - Hank Green

Em seu aguardado livro de estreia, Hank Green traz a história original e envolvente de uma jovem que se torna uma celebridade sem querer — mas logo se vê no centro de um mistério muito maior do que poderia imaginar. Enquanto volta para casa depois de trabalhar até de madrugada, a jovem April May esbarra numa escultura gigante. Impressionada com sua aparência — uma espécie de robô de três metros de altura —, April chama seu amigo Andy para gravar um vídeo sobre a aparição e postar no YouTube. No dia seguinte, a garota acorda e descobre que há esculturas idênticas em dezenas de cidades pelo mundo, sem que ninguém saiba como foram parar lá. Por ter sido o primeiro registro, o vídeo de April viraliza e ela se vê sob os holofotes da mídia mundial. Agora, April terá de lidar com os impactos da fama em seus relacionamentos, em sua segurança, e em sua própria identidade. Tudo isso enquanto tenta descobrir o que são essas esculturas — e o que querem de nós. Divertida e envolvente, essa história trata de temas muito relevantes nos dias atuais: como lidamos com o medo e o desconhecido e, principalmente, como as redes sociais estão mudando conceitos como fama, retórica e radicalização. (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora
GREEN, Hank. Uma coisa absolutamente fantástica. Seguinte, 2018. 344 p.


Uma coisa absolutamente fantástica tem um título irônico; ao menos para mim, por falta de uma palavra melhor, porque enquanto lia esse termo mudou de significado, parou de significar algo bom. É uma coisa absolutamente fantástica? Sim! E ainda é, mas não é algo realmente bom, algo que você possa separar nesse dualismo bom e mau, e estou falando de diferentes assuntos: Carls, internet, fama... quem é Carl? É o ponto principal da história.

A primeira pessoa a vê-lo(s), a parar e prestar atenção, foi April May, que encontrou um dos Carl no meio de uma rua de madrugada. Ela iria passar direto sem ligar, ela passou, mas então voltou, olhou-o e ligou para seu amigo Andy, para fazer um vídeo sobre ele, porque Carl (como ela nomeou) era um robô gigante estilo Transformers e aquilo era absolutamente fantástico, e como alguém que admira/trabalha com arte, ela tinha que divulgar aquela obra belíssima. O que April, Andy ou ninguém sabia, era que aquele robô apareceu em diferentes cidades no mundo todo e ninguém pode dizer de onde eles vieram.

Por ser a primeira pessoa a gravar um vídeo, a postá-lo, April vira uma celebridade do dia para noite, a porta-voz dos Carls, chamada em todo canto para ser ouvida e por que não ir? Ela não se importa com tudo isso de fama e famosos e pode muito bem ganhar em cima enquanto a querem. Até que April May se importa demais com tudo isso e sua vida já não é mais a mesma. E o quê e de onde os Carls vieram mesmo?

"Quero que a ideia de April May contrabalance a ideia dos Carls. Se eles são poderosos, vou ser fraca. Se são assustadores, vou ser fofa. Se são extraterrestres, vou ser humana."

Eu quero matar Hank Green. Tipo assim. Só de leve. Só fazê-lo sofrer um pouco. Como ele pode finalizar o livro desse jeito? Eu quero mais! Eu quero mais, eu quero uma continuação, eu quero saber o que vem depois e nem gostei do livro tanto assim. Vai entender. Para mim, ficou faltando um resolução dos problemas e dos mistérios; eu entendi a história que ele quis passar sobre internet e fama e como elas mudam as pessoas sem perceber, mas comigo não cola isso. Se você me apresenta um problema, eu quero a solução, não adianta dizer que não importa, porque se não importasse não estaria lá.

Outra coisa que não gostei foi... bem, April. Antes de mais nada, saiba disso, esteja ciente disso: April May é uma cretina. Eu gostei da história, mas não da protagonista. Foi estranho. Foi a primeira vez que algo assim aconteceu. Eu já encontrei personagens com ações duvidosas que gostei, que penso até o que isso significa de mim, mas... não consegui sentir nenhuma empatia por April. Ela cavou o próprio buraco ciente disso. O estranho é que eu gostei da narração dela, mas não dela como protagonista, agindo, porque, meu Deus, que cretina. Aí, quando eu estava quase gostando dela, quase o finalzinho do livro, foi como se nada tivesse mudado e ela fosse novamente a cretina de sempre.

Mas eu gostei da história. Eu já disse o quanto isso é novo para mim e foi uma coisa absolutamente fantástica?

"(...) só dá para fingir até certo ponto antes de se tornar quem se está fingindo ser."

Eu adoro livros de ficção científica e esse é um deles, que engloba outros gêneros, como mistérios, um pouco de suspense, "o que vai acontecer depois?", com uma pitada de romance no meio, além de te fazer refletir sobre esse tema de mídias e popularidade, que dizemos que não nos importamos, mas vivemos com medo de sermos julgados. Só estou citando por alto esses pontos, porque não quero entregar spoiler, e a construção de tudo é ao decorrer das páginas, é algo que você vai assimilando aos poucos sem ser dito, o que com certeza conta muito, porque nem todos escritores conseguem seguir aquela regra do "mostrar e não dizer" que os perseguem.

Um ponto a mais do autor foi quanto ao fato de April não ser hétero, porque eu não sabia disso ao ler a sinopse e até me pegou de surpresa, porque normalmente está lá. E eu amei isso não estar. Porque a orientação sexual de April não importa para a história, não é o ponto central do livro, não faria diferença significativa se ela fosse hétero ou não, essa é apenas mais uma característica dela. E precisamos de personagens LGBTQIA+ (eu gosto do alfabeto completo) que apenas são diversos em suas sexualidades sem precisar abordar isso, tê-los apresentados como normal, porque isso é, eles são; ter personagens assim é tão importante quanto ter personagens que descobrem e aceitam quem são.

"Somos todos indivíduos, mas o fato de estarmos junto é muito maior. Se isso não for protegido e acalentado, nosso futuro é tenebroso."

Enfim, não leia pensando que está lendo John Green, quer você goste dele ou não, porque são histórias diferentes, com focos diferentes. Eu gostei de Uma coisa absolutamente fantástica e definitivamente leria a continuação, embora eu vá querer bater na April um pouquinho se ela continuar desse jeito. Ou pior. Deus nos livre dela estar pior.


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Céu sem Estrelas - Iris Figueiredo

Sinopse: Um romance sensível e envolvente sobre autoestima, família e saúde mental.
Cecília acabou de completar dezoito anos, mas sua vida está longe de entrar nos trilhos. Depois de perder seu primeiro emprego e de ter uma briga terrível com a mãe, a garota decide passar uns tempos na casa da melhor amiga, Iasmin. Lá, se aproxima de Bernardo, o irmão mais velho de Iasmin, e logo os dois começam um relacionamento.
Apesar de estar encantado por Cecília, Bernardo esconde seus próprios traumas e ressentimentos, e terá de descobrir se finalmente está pronto para se comprometer. Cecília, por sua vez, precisará lidar com uma série de inseguranças em relação ao corpo — e com a instabilidade de sua própria mente.
“Uma história brilhante sobre encontrar a sua força mesmo quando não há esperanças. Iris escreve com uma sensibilidade incrível e dá voz aos jovens que vivem a busca constante pelo seu lugar no mundo.” – Vitor Martins, autor de Quinze Dias (Skoob)

Livro recebido como cortesia da editora
FIGUEIREDO, Iris. Céu sem estrelas. Seguinte, 2018. 351p.


Céu sem estrelas é contado em primeira pessoa a partir das perspectivas de Cecília e Bernardo. Cecília é uma menina acima do peso, com problemas de autoimagem, familiares e até sofre de doença mental. Bernardo é irmão da melhor amiga dela e tem problemas também familiares e de saber quem é e o que quer ser. Eles vão ter um relacionamento curto que vai fazer toda a diferença e, na parte 2 do livro, em que eles estão separados, nós vimos o quanto ele afetou cada um.

O livro é bem pesado. Eles mencionam a instabilidade da mente da Cecília na sinopse, mas não o suficiente para você imaginar o quanto ele é pesado. Se você tem algo que acha que não pode ser "engatilhado" de maneira nenhuma, talvez seja melhor não ler. E se você acha que pode lidar porque consegue em um filme ou série, eu acredito que por aqui ser narrado em primeira pessoa é muito mais difícil porque você se identifica mais ainda.

Eu gostei de tudo no livro. A construção do relacionamentos deles, deles como personagens. A Iasmin me irritou em uma parte do livro, mas no geral ela é uma ótima amiga, que simplesmente não sabe como ser uma amiga às vezes. Além da Cecília ser gordinha, ela tem uma amiga cadeirante e outra negra. E a negra, Stephanie, até tem um pouco de história e que faz diferença a raça dela. Já a Rachel é bem secundária. Cecília também tem uma prima lésbica que sofre preconceito da mesma tia que fala do peso dela.

A Cecília e o Bernardo são ambos leitores e vão conversar sobre e também emprestar entre si. A Cecília gosta de livros que fazem sentido com como ela se sente, em especial Sob a Redoma da Sylvia Plath, que é o que ela empresta para o Bernardo. Ele passa a saber mais sobre ela pelos livros. O Bernardo é fã de fantasia e empresta para ela uma distopia, A Revolução dos Bichos, e um do Arthur Conan Doyle, A Nuvem Envenenada. Além disso, ela também gosta de Jane Austen.

Apesar da seriedade do livro, tem uns momentos leves, engraçados, fofos. Alguns são esses que os dois conversam sobre cultura e eles fazem até um acordo meio Lara Jean e Peter de ver o filme que o outro gosta.

A Cecília tem vários problemas difíceis, mas ela também possui um bem comum que é a dúvida do curso que escolher na universidade, que muitos podem se identificar. O Bernardo também sente um pouco disso porque desistiu de cursar Psicologia por Engenharia Mecânica. Ele se sente vazio, também porque não possui amigos como os da Cecília, mas só pessoas com quem sair e jogar conversa fiada. Já a Cecília ainda não fez nenhum amigo na faculdade e não tem vida social. 

Pela capa e o pouco que eu sabia da história, eu nunca imaginaria que teria uma carga emocional tão grande. Esse livro não só é entretenimento, como é necessário, principalmente pelas opções de ajuda que ele aponta. Ele é realista, não ultra-otimista ou ultra-pessimista. Eu tenho um blog aqui onde eu coloquei um podcast que ajuda as pessoas que possuem alguma doença mental e como lidar com isso, que é uma coisa que a Cecília comenta que é bem difícil para as pessoas ao redor. O endereço é esse. Eu sei da importância de se tratar desses problemas há muito tempo, e por isso resolvi fazer isso.

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A Lógica Inexplicável da Minha Vida - Benjamin Alire Sáenz

Sinopse: Salvador levava uma vida tranquila e descomplicada ao lado de seu pai adotivo gay e de Sam, sua melhor amiga. Porém, o último ano do ensino médio vem acompanhado de mudanças sobre as quais o garoto não tem nenhum controle, como ímpetos de raiva que ele não costumava sentir. Além disso, Salvador tem que lidar com a iminente morte da avó, com uma tragédia repentina que acontece na vida de Sam e com o fato de seu pai estar se reaproximando de um ex-namorado. Em meio a esse turbilhão de sentimentos, que vão do luto ao amor e da amizade à solidão, Sal passa a questionar sua própria origem e identidade, e tenta encontrar alguma lógica para a sua vida uma tarefa que parece quase impossível. (Skoob)
SÁENZ, Benjamin Alire. A Lógica Inexplicável da Minha Vida. São Paulo: Editora Seguinte, 2017. 440 p.


Em 2014 eu me apaixonei completamente por Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo. Eu ainda me emociono bastante quando paro para pensar na história de Ari e Dante, uma das minhas histórias preferidas da vida. Quando eu descobri que Benjamin Alire Sáenz publicaria A Lógica Inexplicável da Minha Vida, fui tomada por um contentamento tão grande que não sei explicar. Depois dessa leitura, Sáenz entrou novamente para a minha seleta lista de favoritos. 

Salvador Silva é um adolescente prestes a sair do ensino médio e não está nem um pouco preparado para o que a vida tem a lhe oferecer. Para começar, seu pai adotivo quer que ele escolha uma boa faculdade e sua melhor amiga, Sam, não para de pressioná-lo um minuto sequer para que ele o faça logo. Como se já não fosse o bastante ter que decidir tão cedo uma profissão para seguir o resto da vida, Sal recebe a péssima notícia de que o câncer da sua avó voltou e está no estágio terminal. Além disso, ele não consegue entender os impulsos raivosos que estão surgindo o tempo todo, já que sempre foi um garoto muito calmo. 

A Lógica Inexplicável da Minha Vida é um livro extremamente delicado que tem como ponto central as relações de Salvador, e vemos tudo através dos olhos do menino. A narrativa é quase como se fossem os próprios pensamentos do protagonista, então é inevitável se apaixonar pelas pessoas queridas por Sal. Foi muito interessante acompanhar a jornada dos personagens, todos os sentimentos envolvidos, os carinhos. Mas, provavelmente, o mais tocante de tudo é o que Vicente — o pai adotivo — e Salvador sentem um pelo outro. Acredito que não há exemplo melhor de que pouco importam laços de sangue quando existe amor.

"Só porque meu amor não é perfeito não quer dizer que eu não te amo."

É muito fácil gostar da escrita de Benjamin Alire Sáenz, pois ele fala sobre temas atemporais, como amadurecimento — ou no caso de Sal, sobre como se sentir perdido o tempo todo e não ter a mínima ideia do que fazer —, conceito de família, amizade, perdas, o luto em si. Uma das coisas que eu mais admiro no autor é como ele consegue manter uma certa melancolia em seus livros sem deixar a narrativa pesada. Eu nunca vi nenhum autor conseguir expressar tão bem sentimentos fortes como alegria e tristeza a ponto de nos fazer sentir também. 

Outro ponto que me agradou bastante — e que provavelmente chamou a atenção de várias outras pessoas que leram o livro — é que a homossexualidade de Vicente em momento algum se torna o ponto central da trama. Não estou dizendo que livros com personagens principais gays são ruins, muito pelo contrário, mas gostei de Vicente não ser tratado simplesmente como "o protagonista gay". Aqui, ele é o pai cuidadoso, amigo, cheio de amor para dar e isso foi uma variante muito importante. A representatividade está ali em todo o momento, mas de forma bastante natural. Infelizmente o preconceito ainda está presente e continuaremos a lidar com ele o tempo todo, inclusive na vida real.

O que fez eu me apaixonar por A Lógica Inexplicável da Minha Vida foi a gama de personagens maravilhosos, a sensibilidade ao retratar uma família e, é claro, a escrita maravilhosa de Benjamin Alire Sáenz, que nunca falha. Se eu pudesse indicar apenas um livro pelo resto da minha vida, muito provavelmente a história de Salvador seria a minha primeira opção. Provavelmente nunca conseguirei expressar de forma satisfatória o meu amor por esse livro.

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A caçadora de Dragões - Kristen Ciccarelli

Sinopse: Quando era criança, Asha, a filha do rei de Firgaard, era atormentada por sucessivos pesadelos. Para ajudá-la, a única solução que sua mãe encontrou foi lhe contar histórias antigas, que muitos temiam ser capazes de atrair dragões, os maiores inimigos do reino. Envolvida pelos contos, a pequena Asha acabou despertando Kozu, o mais feroz de todos os dragões, que queimou a cidade e matou milhares de pessoas — um peso que a garota ainda carrega nas costas.
Agora, aos dezessete anos, ela se tornou uma caçadora de dragões temida por todos. Quando recebe de seu pai a missão de matar Kozu, Asha vê uma oportunidade de se redimir frente a seu povo. Mas a garota não vai conseguir concluir a tarefa sem antes descobrir a verdade sobre si mesma — e perceber que mesmo as pessoas destinadas à maldade podem mudar o próprio destino. (Skoob)
CICCARELLI, Kristen. A Caçadora de Dragões. Iskari #1. Seguinte, 2018. 398 p.


Asha cresceu sabendo que foi a responsável, quando criança, por um grande ataque de Kozu, o mais forte dos dragões, que queimou metade de sua cidade. Corrompida pelo fascínio das histórias antigas, que são proibidas, Asha acredita que sua sina é causar destruição. Conhecida como Iskari - aquela que leva destruição e morte - a garota se torna caçadora de dragões e vê uma oportunidade de se redimir quando recebe a tarefa de matar o poderoso dragão. Só que sua jornada lhe mostra muitas verdades que a fazem repensar tudo o que foi ensinada a acreditar.

A Caçadora de Dragões, de Kristen Ciccarelli, é uma aventura deliciosa de acompanhar. A trama até tem alguns pontos que poderiam ser melhor abordados, mas, no meu caso, em que as leituras são qualificadas pelos sentimentos que elas provocam, pouco importam os conceitos racionais que poderiam fazer o enredo menos intenso.

Deixem-me explicar: a obra traz um conceito rígido de bem e de mal, sem intermédios, que tira um pouco a credibilidade de seus acontecimentos. O vilão, por exemplo, é mau porque é mau, simples assim, como se sua natureza fosse essa e não houvesse outra saída para ele além de prejudicar os outros. Ele não foi trabalhado, não foi aperfeiçoado, a autora não conseguiu construir suas camadas a ponto de transformá-lo em um personagem crível, daqueles que amamos odiar. Além disso, há uma descoberta mais para o fim do livro sobre outro personagem que muda tudo que havia sido mencionado sobre ele até então, como se ele tivesse se tornado um monstro, sem nada de bom a ser considerado. Depois de ler e racionalizar o livro, percebi que o enredo poderia ter sido enriquecido se abordasse esses aspectos de outra forma.

Por outro lado, para ser sincera, durante a leitura, esses detalhes não foram significantes. Fiquei tão envolvida com a trama que nem ao menos os percebi, até que olhasse mais friamente. O livro começa de uma forma lenta, já que o contexto do novo mundo criado pela autora é mencionado aos poucos, ao intercalar os conflitos próprios da protagonista com as histórias antigas, mas adquire velocidade da metade para o final, quando a protagonista começa a redescobrir suas próprias verdades.

Asha é uma protagonista forte e destemida e, se faltaram camadas para o vilão, isso não se aplica a ela. No início, ela usa suas marcas e seu porte assustador para esconder suas inseguranças e anseios. Ela não é uma personagem simpática, é odiada por muitos e usa isso a seu favor, mas não quer dizer que não sofra por sua situação. Ela quer tanto ser aceita que se deixa ser manipulada, faz tudo sem questionar as razões, mas, em certo ponto, começa a perceber que nem tudo é o que parece, passa a questionar conceitos sociais e se guia pelo que acha certo, não pelo que os outros lhe dizem ser.

Torwin é definitivamente o melhor personagem da trama. Não entendo como a autora conseguiu construir um personagem tão forte e tão doce ao mesmo tempo, mas ela fez isso de uma forma incrível. Mesmo sendo quase o oposto de Asha, é como se os dois se complementassem: enquanto ele traz o melhor dela à tona, ela o faz enxergar novas possibilidades. Adorei a parceria entre eles, ainda mais quando envolvia dragões - que, por sinal, são tão incríveis quanto Torwin, ou mais. As histórias antigas e a existência de dragões dão à trama um ar místico, o que, junto com as intrigas, os mistérios, os segredos e as reviravoltas do enredo, fazem o livro completamente viciante.

Senti falta também de aprofundamentos sobre outros personagens, como Dax, irmão de Asha, e Safire, prima dos dois. Pelo que pesquisei, o segundo livro da série trará a história de Roa e Dax, então espero que o terceiro conte um pouco mais sobre Safire, sem deixar de lado Asha, pois ainda há muito sobre ela para contar.

Para quem quer uma fantasia cheia de aventuras, reviravoltas e um pouco de romance, A Caçadora de Dragões é uma ótima indicação.

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A heroína da alvorada - Alwyn Hamilton

Quando a atiradora Amani Al-Hiza escapou da cidadezinha em que morava, jamais imaginava se envolver numa rebelião, muito menos ter de comandá-la. Depois que o cruel sultão de Miraji capturou as principais lideranças da revolta, a garota se vê obrigada a tomar as rédeas da situação e seguir até Eremot, uma cidade que não existe em nenhum mapa, apenas nas lendas — e onde seus amigos estariam aprisionados. 
Armada com sua pistola, sua inteligência e seus poderes, ela vai atravessar as areias impiedosas para concluir essa missão de resgate, acompanhada do que restou da rebelião. Enquanto assiste àqueles que ama perderem a vida para soldados inimigos e criaturas do deserto, Amani se pergunta se pode ser a líder de que precisam ou se está conduzindo todos para a morte certa.
HAMILTON, Alwyn. A heroína da alvorada. Editora Seguinte, 2018. Tradução: Eric Novello. 384 p.


Chegar ao fim de uma série da qual se gostou muito pode ser sempre um problema. Não se trata apenas do conflito entre descobrir o final versus ficar sem mais volumes para ler, mas também aquele medo inevitável de que o desfecho não alcance todo o seu potencial. No caso de A Heroína da Alvorada, foi esse medo que me fez enrolar para ler um livro que eu tinha em mãos havia algumas semanas. Porém, ao concluir esse terceiro e último livro da série A Rebelde do Deserto, a sensação foi de alívio, misturada à emoção de que foi um desfecho perfeito para uma série tão incrível.

Nos primeiros livros, vimos a rebelião avançar, com grandes ganhos e perdas. Agora em meio à guerra, Amani precisa liderar os poucos que escaparam do sultão - após terem sido traídos por alguém em quem confiavam - para encontrar e libertar seus amigos presos em Eremot. O percurso à frente é longo e qualquer perda pode significar o fim de tudo por que lutaram.

"Uma parte de mim seria sempre aquela garota egoísta da Vila da Poeira, tentando sobreviver."

Assim como nos outros volumes, o livro é narrado em primeira pessoa por Amani, com alguns capítulos intercalados que mostram os pontos de vistas de outros personagens em terceira pessoa. O interessante desses capítulos é que eles foram contados como se fossem contos ou lendas, histórias narradas por alguém muito tempo depois que haviam acontecido. Alguns desses trechos intercalados ilustravam passagens de antes da guerra; outros conseguiam nos situar sobre o que estava acontecendo com os personagens mantidos longe de Amani. Essa construção não só deu mais consistência ao enredo criado pela autora, mas também serviu para acelerar o coração do leitor, já que cada um deles implicava alguma reviravolta na história.

O enredo todo, aliás, é cheio de reviravoltas. A autora quase me matou de medo em diversos momentos. O perigo, dessa vez, está em cada canto, já que os inimigos estão espalhados por Miraji; não só o sultão e os abdals, mas também os estrangeiros e os djinnis, nunca se sabe em quem se pode confiar. Trata-se de uma guerra, afinal. E só por ter conhecimento disso, o medo de perder personagens que amamos é uma constante durante a leitura, a tensão é inevitável e, é claro, é impossível desgrudar do livro.

"Continuávamos perdendo pessoas. E não só as nossas. Pessoas que pertenciam a outras. Pessoas cujas vidas não tínhamos o direito de sacrificar."

Eu amei a mistura que a série fez entre tópicos aparentemente diferentes entre si, mas que deram complexidade à trama. No enredo, há muita aventura, ação, fantasia, debate de questões políticas e geográficas, amizade e romance. Mas não é só isso: o enredo, embora não tenha de fato muito a ver com a nossa realidade, mostra a importância de acreditar em algo e lutar por isso e revela que é difícil, sim, mas é importante, e nada mudará se não fizermos nada.

A Heroína da Alvorada resgata ainda personagens que apareceram nos primeiros livros e consegue dar para todos eles um desfecho. Sinceramente, de alguns deles eu até já tinha me esquecido, mas não Alwyn Hamilton, que conseguiu trabalhar com um enredo fechadinho, aparou as arestas e trouxe um pouco de equilíbrio entre o passado sofrido de Amani e seu presente.

"Quem eu pensava que era? A filha de um djinni. Uma rebelde. A conselheira do príncipe. Havia enfrentado soldados, pesadelos e andarilhos. Havia lutado e sobrevivido."

Sinceramente, nem podia imaginar a quantidade de emoções que esse livro me trouxe. É engraçado eu dizer isso porque é "só" uma fantasia, mas a obra envolve de tal modo que eu me senti uma amiga daquelas pessoas do deserto. Foi ótimo acompanhar o amadurecimento da protagonista e a forma como seu sentimento por Jin se tornou tão sólido. Foi maravilhoso ver como ela e Shazad se tornaram amigas, mesmo que a diferença entre elas fosse tão gritante. Eu me apaixonei por cada um desses personagens e por tantos outros, cada um construído com maestria, indivíduos cheios de paixão, de compaixão, de fogo e de brandura, tudo ao mesmo tempo, tão diferentes e tão iguais entre si.

Durante a leitura, eu ri muito - de nervoso e de diversão -, mas também chorei descontroladamente. Terminei o livro com lágrimas nos olhos e emocionada com a forma tocante e verdadeira com que Hamilton encerrou o livro. Amani e seus amigos se tornaram lendas, com suas histórias contadas noites adentro na areia do deserto, mas poucos saberiam de verdade a profundidade da dor e do amor envolvidos nela.

"Nós contínhamos nossas próprias histórias. Milhares de pedacinhos dela morreriam conosco."

Se alguém procura uma boa fantasia para ler, por favor, escolha a trilogia A Rebelde do Deserto. É aquele tipo de história que parece não ter muito de novo a oferecer, mas que, quando se percebe, tomou conta de você por inteiro e A Heroína da Alvorada é o melhor final que a série poderia ter.

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Dias de Despedida - Jeff Zentner


Sinopse: "Cadê vocês? Me respondam."
Essa foi a última mensagem que Carver mandou para seus melhores amigos, Mars, Eli e Blake. Logo em seguida os três sofreram um acidente de carro fatal. Agora, o garoto não consegue parar de se culpar pelo que aconteceu e, para piorar, um juiz poderoso está empenhado em abrir uma investigação criminal contra ele. Mas Carver tem alguns aliados: a namorada de Eli, sua única amiga na escola; o dr. Mendez, seu terapeuta; e a avó de Blake, que pede a sua ajuda para organizar um “dia de despedida” para compartilharem lembranças do neto. Quando as outras famílias decidem que também querem um dia de despedida, Carver não tem certeza de suas intenções. Será que eles serão capazes de ficar em paz com suas perdas? Ou esses dias de despedida só vão deixar Carver mais perto de um colapso — ou, pior, da prisão? (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora.
ZENTNER, Jeff. Dias de Despedida. Seguinte, 2017. 392 p.


Carver Briggs passou por um acontecimento que quase ninguém passa na vida. Ele perdeu os três melhores amigos em um acidente de carro e agora tem que lidar com o luto, a culpa e a saudade. Ele tem dezessete anos e já se considera um especialista em velórios. É escritor e estuda na Academia de Artes de Nashville (AAN).

Blake, Eli, Mars e Carver se chamavam de “Trupe do Molho” e cada um tinha um dom especial. Carver, como já foi dito, é escritor; Blake era comediante; Eli era músico e Mars era desenhista. Os quatro eram inseparáveis e já viveram várias aventuras juntos. Tinham um futuro já planejado, mas agora a Trupe do Molho se consiste apenas de um integrante.

“Ajudo a carregar o caixão de Blake até o carro funerário. Pesa uns mil quilos. Um professor de ciências uma vez perguntou para a gente: “O que pesa mais, um quilo de penas ou um quilo de chumbo?”. Todo mundo respondeu chumbo. Mas algumas dezenas de quilos de melhor amigo em um caixão não pesam o mesmo que algumas dezenas de quilos de chumbo ou de penas. Pesam muito mais.”

Após o acidente, Carver começa a ter ataques de pânico e acaba procurando ajuda psicológica para lidar com todos estes acontecimentos. Como se não bastasse, o pai de um dos amigos dele, que é juiz, entra com um processo para culpar o menino pelo acidente que matou seu filho. O que, claro, não colabora nada para o estado já sensível do garoto.

A avó de um dos amigos de Carver o convida para vivenciar o que teria sido o último dia dela com o neto, mas ele tem medo de que não possa aguentar as emoções que podem vir à tona com este “dia de despedida”. Aparentemente, dos familiares dos falecidos, ela é a única que não acredita que tudo tenha sido culpa de Carver.

Sinceramente, não gostei muito do estilo do autor. Entendo que, uma vez que a história é contada através dos olhos de Carver, existe uma carga emocional muito grande, mas alguns trechos do livro eram tão pesados e deprimentes que, ao lê-los, eu mesma me senti mal. Os amigos eram extremamente unidos e, os poucos outros que Carver conhecia, acabaram se virando contra ele após o acidente.

“São 7h17 do primeiro dia de aula da Academia de Artes de Nashville. Jesmyn vai chegar em três minutos. Estou acordado desde as 3h57. Se existe um inferno, imagino que a existência lá seja como um estado perpétuo de ter acordado duas horas e meia antes de precisar ir a algum lugar. Isso sem falar da ansiedade de talvez ir para a cadeia e a ideia de que hoje serão expostas as terminações nervosas da minha perda. Hoje vou lembrar mais da Trupe do Molho do que em qualquer outro momento desde os velórios. E não sei como vou reagir.”

Um ponto que gostei muito foi a amizade e o companheirismo entre Carver e Georgia, sua irmã. Ela sempre esteve lá para ajuda-lo e, nas horas mais difíceis, era para ela que Carver contava tudo e se abria da forma mais sincera possível. A personalidade dela é forte e marcante e, apesar de ser uma personagem secundária, seu papel na história foi muito bem desenvolvido.

Outra amizade que me agradou bastante foi a de Carver e Jesmyn, ex-namorada (ou namorada, não sei) de Eli. Os dois começam a conversar no velório de Blake e a partir daí formaram sua própria trupe (Trupe do Suor). Jesmyn tinha praticamente acabado de se mudar para Nashville para estudar na AAN, então ela também não tinha amigos na escola.

Em geral, a obra foi bem escrita e talvez até agrade a alguns. Mas, do meu ponto de vista, muito drama foi colocado à história sem necessidade. Acredito que, se a história fosse contada de maneira um pouco mais leve, eu teria gostado.


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Aos Dezessete Anos - Ava Dellaira

Sinopse: Em seu novo romance arrebatador, a autora de Cartas de amor aos mortos apresenta uma mãe e uma filha que precisam compreender o passado para poder seguir em frente.
Quando tinha dezessete anos, Marilyn viveu um amor intenso, mas acabou seguindo seu próprio caminho e criando uma filha sozinha. Angie, por sua vez, é mestiça e sempre quis saber mais sobre a família do pai e sua ascendência negra, mas tudo o que sua mãe contou foi que ele morreu num acidente de carro antes de ela nascer.
Quando Angie descobre indícios de que seu pai pode estar vivo, ela viaja para Los Angeles atrás de seu paradeiro, acompanhada de seu ex-namorado, Sam. Em sua busca, Angie vai descobrir mais sobre sua mãe, sobre o que aconteceu com seu pai e, principalmente, sobre si mesma. (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora
 DELLAIRA, Ava. Aos Dezessete Anos. Seguinte, 2018. 448p.


Angela, apelidada de Angie, cresceu apenas com sua mãe e nunca saiu do estado do Novo México onde nasceu. Sempre que tentava perguntar sobre o pai ou a família dele, a mãe desconversava e começava a chorar. Numa cidade com pouquíssima população negra, ela sempre via pessoas estranharem o fato de sua mãe ser branca e nunca teve com quem conversar sobre racismo, uma das maiores faltas de uma relação com o pai. Um dia, Angie achou alguém com o sobrenome de seu pai e teve uma intuição de que era mesmo de sua família. Com poucas informações como o nome e a cidade de Los Angeles, ela recorre à lista telefônica e resolve pegar carona com seu ex-namorado, apesar de não se falarem há meses.

O livro é narrado em terceira pessoa e dividido em partes da Angie e da Marilyn, contando o passado dela. Ele traz muitas referências a músicas e livros, o que ajuda a se localizar no tempo e caracterizar alguns personagens.

A mãe da Angie, Marilyn, passou por várias coisas difícieis na infância e adolescência, antes mesmo de descobrir a gravidez. Ela não tinha o pai e a mãe não tinha os pés no chão e Marilyn tinha que agir como mãe muitas vezes. Quando conheceu o pai da Angie, ela finalmente sentiu pertencer a algum lugar, se sentiu feliz. Ver a relação deles se construir é muito bonita e é triste que eles não estejam mais juntos. Eles são um dos melhores casais que já li. 

Estar em Los Angeles ajuda a Angela a se descobrir do mesmo jeito que aconteceu com a mãe. Ela que se acha simplesmente uma gota no universo, insignificante, e por isso não pensa muito no futuro, é supercética quanto ao amor (em parte pelos pais), começa a pela primeira vez conseguir imaginar o que fazer da vida e a não ter medo do que sente.

Eu adoro essas histórias que mostram que gerações diferentes passam pelas mesmas coisas ou sobre como  os pais influenciam os filhos e eu gostei muito dessa. A mãe de Marilyn também passou por suas próprias dificuldades na juventude e isso de certa forma explica porque ela age assim com a filha. A Marilyn conseguiu quebrar o ciclo, mas também cometeu seus erros com relação ao que contou e deixou de contar à filha. Tem vários pontos importantes que são tratados aqui, como luto, racismo.


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Cartas Secretas Jamais Enviadas - Emily Trunko


Sinopse: Você já desejou poder voltar no tempo e dar conselhos para si mesmo? Já quis ter coragem de falar como é forte o amor que sente por alguém? Alguma vez já se perguntou por que uma pessoa importante na sua vida parou de falar com você? A partir de contribuições anônimas, Emily Trunko reuniu nesta coletânea cartas que revelam segredos profundos de quem as escreveu. Afinal, muitas vezes o único jeito de lidar com nossos sentimentos mais intensos — seja um amor incondicional ou uma perda irreparável — é botando tudo no papel. A leitura destas cartas nos permite mergulhar na vida de seus remetentes e, ao mesmo tempo, redescobrir nossa própria história e perceber que, mesmo nos piores momentos, não estamos sozinhos.
TRUNKO, Emily. Cartas Secretas Jamais Enviadas. Seguinte, 2018. 200 p.


Não sei dizer o que me fez escolher ler Cartas Secretas Jamais Enviadas, de Emily Trunko, mas quando peguei o livro, sem nenhuma perspectiva sobre o que me esperava, senti como se tivesse levado um soco na boca do estômago. Fiquei fascinada e atordoada com o impacto que cada carta exerceu sobre mim e com a quantidade de emoção impregnada em cada linha. Há uma sinceridade tão explícita nas palavras que chega a doer.

O livro começa com uma apresentação de Emily Trunko. Ela explica quem é, conta que criou um tumblr Dear my blank para compartilhar suas próprias cartas e que abriu espaço para que as outras pessoas pudessem dividir um pouquinho de si. A partir daí, o blog explodiu e ela passou a receber cartas sobre tudo, desabafos sobre perdas e sobre amores, traições e amizades, ensinamentos e pedidos de socorro, tudo publicado no blog anonimamente. Algumas dessas cartas, mais tarde, dariam origem ao livro.


É interessante como parece fácil desabafar com um pedaço de papel, sem ninguém para julgar, e saber que provavelmente a pessoa para quem você escreveu talvez nunca leia aquilo. Emily Trunko criou uma forma de ajudar as pessoas a falarem, a desabafarem, e é perceptível o quanto cada carta daquela é verdadeira, porque no anonimato é possível despir as máscaras, contar os segredos mais ocultos e se tornar absurdamente exposto, sem se expor de verdade. E sem as máscaras diárias, aquelas cartas se tornaram quase cruéis de tão verdadeiras, expondo feridas e fraquezas, medos e arrependimentos.

O livro é todo ilustrado e decorado nos tons de azul, branco, preto e verde da capa, o que, junto da capa dura, faz da edição um trabalho lindo. Só por isso eu já gostaria de ter um exemplar na estante, mas depois de ler o livro, quero ter para poder revisitar aqueles sentimentos em outros momentos da minha vida. Além disso, a obra é dividida por temas: Querido eu, Querido Mundo, Amor, Amigos, Família, Coração Partido, Amor não correspondido, Traição, Perda e Obrigado.


No livro, há cartas com apenas cinco ou seis palavras, enquanto outras ocupam mais de uma página. Não é o tamanho da carta, porém, que determina o tanto de emoção que elas podem trazer. Todas têm importância e significado e servem para fazer o leitor enxergar que, não importa por qual dificuldade está passando, ele não está sozinho no mundo, pois alguém também se sentiu da mesma forma em algum momento.

Eu amei Cartas Secretas Jamais Enviadas e fiquei emocionada com diversos textos, tanto os curtos quanto os longos, refletissem eles sentimentos bons ou ruins. O livro é um presente de sinceridade, que abre feridas e faz doer, mas ao mesmo tempo traz um sentimento de conforto que poucas leituras me trouxeram na vida.

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A Caçadora de Dragões - Kristen Ciccarelli

Sinopse: Quando era criança, Asha, a filha do rei de Firgaard, era atormentada por sucessivos pesadelos. Para ajudá-la, a única solução que sua mãe encontrou foi lhe contar histórias antigas, que muitos temiam ser capazes de atrair dragões, os maiores inimigos do reino. Envolvida pelos contos, a pequena Asha acabou despertando Kozu, o mais feroz de todos os dragões, que queimou a cidade e matou milhares de pessoas — um peso que a garota ainda carrega nas costas. Agora, aos dezessete anos, ela se tornou uma caçadora de dragões temida por todos. Quando recebe de seu pai a missão de matar Kozu, Asha vê uma oportunidade de se redimir frente a seu povo. Mas a garota não vai conseguir concluir a tarefa sem antes descobrir a verdade sobre si mesma — e perceber que mesmo as pessoas destinadas à maldade podem mudar o próprio destino.

Livro recebido como cortesia da Editora.
CICCARELLI, Kristen. A Caçadora de Dragões. Iskari #1. Editora: Seguinte, 2018, 398 p.


A Caçadora de Dragões é o primeiro volume da trilogia Iskari, da autora Kristen Ciccarelli, publicado pela Editora Seguinte. Nesse livro, conheceremos a história de Asha, uma caçadora de dragões que é temida por todos, inclusive seu próprio povo. 

Asha é uma caçadora de dragões. Ela cresceu cercada por tragédias, quando ainda era criança perdeu sua mãe de forma bem prematura. Asha tinha muitos pesadelos e sua mãe apelou para todos que pudessem ajudar, mas nada deu certo e foi aí que ela começou a contar histórias antigas e proibidas para ajudar a menina com os pesadelos, e deu certo, mas tudo tem um preço e ela acabou sucumbindo por causa dessas histórias. 

"Algumas história são perigosas demais para serem contadas."

Como se isso já não fosse o bastante, Asha leva consigo a culpa da morte de milhares de pessoa. Segundo as lendas, as histórias antigas atraem dragões e foi isso que Asha fez, contou uma história que atraiu Kozu, o primeiro dragão, mas as coisas não sairam como era esperado e Kozu retaliou toda a cidade e marcou Asha com o fogo de dragão. 

Muitos anos depois, Asha está em busca de vingança. Por causa de Kozu ela é uma pária perante os seus e ganhou o nome de Iskari, que basicamente é aquela que atrai morte e destruição. Ela está prometida em casamento a um homem odioso, mas seu pai – O Rei Dragão – tem poder para desfazer esse noivado, o que ele quer em troca é a cabeça de Kozu, para que assim o Rei acabe com todas as histórias de uma vez por todas.

"Aonde Namsara levava risadas e amor, Iskari levava destruição e morte."

Asha parte então nessa jornada, unindo o útil ao agradável, sua vingança contra Kozu, que foi a sua destruição, e o fim do noivado com o comandante. Mas nem tudo é o que parece e Asha irá questionar tudo o que sabe, tudo o que é e tudo o que imaginou ser.

A Caçadora de Dragões é uma história que me surpreendeu muito, ela traz personagens corajosos e valentes, que estão dispostos a fazer qualquer coisa pelo que acreditam ser o certo. Temos mistérios, aventuras e uma história bem construída, sem esquecer, claro, o romance, que foge um pouco dos padrões, mas que deixa aquela sensação quente no peito. 

Asha é uma protagonista que está longe de ser perfeita, ela é forte e determinada, mas também cresceu marcada por tragédias e acontecimentos que ninguém deveria passar e isso teve o seu preço, ela também e impulsiva e por diversos momentos mete os pés pelas mãos, todavia, o que mais marcou para mim em sua personalidade, foi o seu senso de justiça e determinação em fazer o que era certo. 

"Se alguém a abrisse e olhasse, encontraria um interior similar ao seu exterior: repleto de cicatrizes. Assustador, terrível."

O romance desse livro é algo bem clichê, todavia, eu gostei que ele não é o foco do livro. Um ponto que eu achei interessante nesse sentido é que a Asha teve que abrir mão dos seus medos e preconceitos pelo amor proibido que estava sentindo, ao meu ver, o romance serviu para fortalecer a personagem e quebrar alguns paradigmas que ela mesmo tinha em relação ao que é certo e errado. 

Os personagens secundários foram de grande participação na trama como: Jarek o odioso noivo de Asha, Torwin o escravo de Jarek, Roa uma nativa que teve grande participação na trama, e Dax, irmão de Asha, noivo de Roa, herdeiro do trono de Firgaard e protagonista principal do segundo livro, que tem previsão de lançamento em inglês dia 25 de setembro.

"Onde as histórias antigas eram contadas, havia dragões, onde havia dragões, havia destruição, traição - e fogo, principalmente."

A edição está bem bonita, eu adoro essa capa e, depois de ler o livro, entendo a ligação que ela tem com a história. As folhas são amareladas e as letras confortáveis, encontrei dois erros de revisão, mas nada que atrapalhasse o desenvolvimento da história. A narrativa é feita em terceira pessoa, a escrita da autora é leve e bem fluída, no decorrer da história, temos algumas das histórias proibidas, o que torna tudo ainda mais interessante. 

No contexto geral, A Caçadora de Dragões é um livro cativante, que introduz de maneira bem dinâmica o mundo dos dragões, eu estou muito ansiosa pelo segundo livro, espero que após o lançamento da edição gringa, a Editoria não demore lançar aqui no Brasil.


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Últimas mensagens recebidas - Emily Trunko

Sinopse: Quando uma mensagem é a última, ela pode significar um fim, uma perda, ou até um alívio. E se você fosse o destinatário?
A partir de contribuições anônimas, a jovem Emily Trunko reuniu nesta coletânea mensagens que contam histórias reais sobre os mais variados tipos de despedida: o fim de uma amizade, o término de um relacionamento ou até mesmo um acontecimento trágico que muda a vida do destinatário e do remetente para sempre.
Enviadas por celular, por e-mail ou pelas redes sociais, essas mensagens narram perdas profundas e inspiram muita reflexão. Será que não deveríamos expressar mais o amor que sentimos pelas pessoas enquanto isso ainda é possível? Ou, em alguns casos, nos afastar o quanto antes daquelas que nos fazem mal? (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora.
TRUNKO, Emily. Últimas mensagens recebidas. Editora Seguinte, 2018. 176 p.


Meu irmão fala muito, muito mesmo. Ele é aquele tipo de pessoa que não consegue ficar em silêncio, a menos que esteja tão concentrado na TV ou no celular que nem perceba que não está falando. Mesmo assim, ele fala - com TV, celular e tudo. Por que estou contando isso? Porque estava sozinha em casa lendo Últimas mensagens recebidas quando ele chegou, falando. Quando levantei os olhos, o que quer que ele estivesse dizendo se esvaiu, e ele me perguntou se eu estava chorando. Sim, eu estava. Com um nó enorme na garganta, por causa daquele tipo de dor que tive poucas vezes na vida, e que espero não ter novamente. A dor, dessa vez, não era minha, mas eu a senti ainda assim.

Assim como em Cartas secretas jamais enviadas, Emily Trunko reuniu em um Tumblr os depoimentos de diversas pessoas que remetem, de forma anônima, as últimas mensagens que receberam de alguém e que marcaram um fim - seja o fim de um relacionamento, o distanciamento de uma amizade, a perda de um ente querido. Algumas mensagens são carinhosas, outras são despropositadas, mas muitas delas são carregadas de sentimentos pesados, como raiva, ingratidão, entre outros.


Apesar de se tratar de um livro curto, ler Últimas mensagens recebidas não é fácil, acho até que mais difícil do que Cartas Secretas Jamais Enviadas, porque todos os casos vão mostrar uma perda, um final. Ele desperta os mais diversos tipos de sentimentos, desde a sensação de luto, a raiva por uma injustiça, e até o arrependimento por alguma coisa que fizemos ou deixamos de fazer. São mensagens verdadeiras e sem filtro, por mais cruéis que tenham sido, seja em seu texto ou na "ironia" do destino. É fácil se identificar com os acontecimentos contados em cada página, acredito que todo mundo já passou por pelo menos uma daquelas situações.

O livro em si também é lindo, de capa dura e todo colorido nas cores preta, vermelha, branca e roxa, com algumas ilustrações, mas em geral com um design bem clean. Algumas mensagens têm uma explicação como nota de rodapé, para que o leitor conheça todas as circunstâncias em que ela foi enviada. Outras são tão diretas que não precisam de explicações. Algumas páginas mostram diálogos completos. Outras contêm apenas uma frase.


Ler Últimas mensagens recebidas é renovador, porque faz pensar sobre as decisões que tomamos na vida, mesmo sobre aquelas que parecem mais simples. Porém, se trata de um livro denso e carregado, daquele tipo que te destrói em pedacinhos para que, só depois, você possa se reconstruir. Ao final, o livro traz instruções para quem sente que precisa de ajuda, com contatos de grupos de apoio emocional e prevenção ao suicídio. Acho que a importância maior do livro é alertar de que ninguém está sozinho e que, por mais doloroso que seja, é possível superar.

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