Depois da última dança - Sarra Manning

Sinopse: Estação de King´s Cross, 1943. Rose chega a Londres querendo se entregar a uma vida de romance, glamour e dança, e para isso ela escolhe o Rainbow Corner, o mais famoso salão de dança da cidade. Enquanto a Segunda Guerra Mundial entra em seu momento final, Rose se apaixona perdidamente por um piloto, mas terá que lidar com as reviravoltas do destino antes que a guerra chegue ao fim.
Las Vegas, dias atuais. Uma linda mulher vestida de noiva entra em um bar procurando alguém para se casar com ela. Quando Leo assume o papel e diz “sim”, ele não tem nenhuma ideia da situação em que está se metendo. Quem será Jane, a mulher misteriosa? Quando Jane e Rose, agora uma senhora de idade, se conhecem, a fagulha da discórdia se acende. Mas acontecimentos que elas não podem controlar fazem com que o tempo se torne um bem muito precioso. Depois da última dança conta a extraordinária história dessas duas mulheres, separadas pelo tempo mas ligadas pelo destino. Um romance que fará com que você acredite no poder do amor. (Skoob)
MANNING, Sarra. Depois da Última Dança. Suma de Letras, 2016. 336 p.


Depois da Última Dança, de Sarra Manning, despertou minha curiosidade por alguns diferentes motivos. Primeiro, porque intercala passado e presente, e alguns dos livros que eu mais gostei tinham essa construção. Em segundo lugar, porque parte da história se passa durante a segunda guerra mundial e, além de adorar tramas que se desenrolam nesse momento histórico, questionei-me se a autora (conhecida por publicar livros mais voltados aos jovens, como Os Adoráveis e Onde Deixarei Meu Coração) conseguiria dar ao enredo a seriedade necessária. Sarra Manning não me decepcionou e conseguiu criar um romance intenso e realista, duro, mas sem deixar de lado a doçura necessária às histórias de amor.

A narração do livro é feita em terceira pessoa e os capítulos se dividem entre os tempos de guerra, em que Rose era uma jovem que fugiu para Londres em busca de um pouco de brilho para sua vida, e os dias atuais, mais focados em Jane, uma mulher incrivelmente bela que pode criar para si várias novas personalidades, mas não consegue ser ela mesma. E o mais interessante: a história dessas duas mulheres se cruza em determinado momento e, ainda que não saibam, elas deixarão suas marcas na história uma da outra.

"Não deveria mesmo se importar se Rose acreditava nela ou não, e Jane não deveria se preocupar. Ela deveria estar ali só de passagem, esse fora o plano, só que não tinha sido bem um plano, e sim mais uma série de eventos catastróficos que haviam colocado Jane na órbita de Rose."

É difícil dizer qual dos trechos é o mais interessante. A vida das duas mulheres possui pontos de luz e de escuridão e ambas são admiráveis e desprezíveis na mesma medida. Quero dizer que as duas erraram e acertaram, tiveram seus momentos de egoísmo e de altruísmo, mas, igualmente, foram moldadas pela dureza da vida. Manning criou personagens críveis, ainda que romantizadas, que podiam não ser exemplos de bom comportamento, mas que faziam seu melhor quando estava ao seu alcance - no caso de Jane, isso acontecia regado pelo interesse próprio, mas acontecia.

Todas essas nuances das personagens, porém, não aparecem de uma única vez, a autora não entregou um pacote pronto. Muito pouco é contado no início e a verdadeira natureza de Jane e Rose não são claras ao leitor, mas, no decorrer dos capítulos, aspectos do passado das duas vão aparecendo e compreende-se as marcas que cada uma carrega.

Além disso, a autora é irritantemente comedida: ela deixa escapar apenas pouco a cada capítulo e assim que alcançamos o ápice daquele momento, ela encerra o trecho de uma personagem e parte para a outra. Isso significa dizer que a curiosidade do leitor é constantemente aguçada, pois há sempre um enredo pendente de conclusão, e a leitura avança sem qualquer dificuldade. Apesar de me sentir um pouco frustrada quando o foco do texto alternava, porque queria muito saber o que acontecia na sequência com a personagem anterior, admito que essa construção foi ousada e magistral, dando ao enredo certa cadência que manteve, durante todo o livro, o bom ritmo da leitura.

"- Quando eu estiver pronta, você vai estar aqui, não vai?
- Querida, eu não vou a lugar nenhum. Vamos cuidar para que você não esteja sozinha.
- Tem que ser você. Você é forte. Vou precisar que você seja forte o bastante por nós duas - disse Rose.
- Não sei se sou tão forte assim - hesitou Jane quando os olhos de Rose, de repente bem focados, olharam bem no fundo dos dela.
- Você é. Como eu era. Acho que nós duas somos bem parecidas. Nenhuma de nós tem medo de enfrentar o futuro de cabeça erguida.
- Ah, Rose, querida, não. Você... - Jane engoliu em seco. - Quando veio para Londres, você estava correndo em direção a alguma coisa. Tudo o que eu já fiz foi correr das coisas."

Os personagens secundários são tão complexos quanto as protagonistas. Os amigos de Rose nos dias atuais, por exemplo, são daqueles que nos tocam o coração, e Charles foi um personagem que se destacou, sobre o qual eu adoraria saber ainda mais. Por outro lado, os parceiros românticos de Rose e de Jane são tão cheios de defeitos que, no início, questionamos se autora pretendia mesmo que elas se apaixonassem por eles, o que parecia bastante difícil de acontecer. Manning, no entanto, conseguiu mostrar também as diversas facetas de Danny, de Edward e de Leo, e o leitor logo se vê sentindo a mesma emoção daquelas mulheres.

O que mais gostei do livro foi o fato de autora ter colocado como protagonistas duas mulheres com tantas diferenças, mas muito semelhantes. Em especial, o fato de que as duas são fortes, independentes e decididas, que se permitem amar e viver com alguém, não para serem subjugadas por qualquer homem, mas para com eles construirem algo, juntos.

Depois da Última Dança é um romance com protagonistas femininas fortes e cheias de defeitos, mas admiráveis mesmo assim, e a leitura é encantadora, deliciosa e apaixonante. Terminei o livro com um sorriso no rosto e acho que a história só não ficou em maior conta comigo porque senti falta de alguma coisa, algo que a destacasse dos demais romances e marcasse a leitura de alguma forma. De todo modo, trata-se de uma bela história, tão séria quando precisava ser e que me fez querer ler outras obras de Sarra Manning.
Ju - Conjunto da Obra
Ju - Conjunto da Obra

Apaixonada pela leitura desde a infância, tantos livros lidos que é impossível quantificar. Alguém que vê os livros como uma forma de viajar o mundo e lugares mais incríveis que possam ser criados pela imaginação, sem precisar sair do lugar. Tem o blog como uma forma de dividir experiências e, principalmente, as emoções que as leituras despertaram, para compartilhar idéias e aproveitar sugestões de leitura, envolvendo mais e mais pessoas em um mundo onde a imaginação não tem limites.

8 comentários:

  1. Oi, Ju!!
    Não conhecia esse livro e também nunca li nenhum livro dessa escritora, mais gostei muita da história do livro também gosto quando o livro intercala passado e presente. Adorei a resenha e indicação!!
    Beijoss

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  2. Humm, o livro parece ser bem interessante. Gosto do tipo de narrativa, acho que fica gostoso de conferir e até mais misterioso. E parece que a autora aguça a curiosidade só pra acabar de repente. Deve ser irritante e ao mesmo tempo deve deixar a gente louco pra saber o que acontece.
    Está parecendo um daqueles livros que a gente não sabe pra quem torcer ou percebe que não existe um melhor e outro pior para cada pessoa. As duas mulheres me parecem bem reais por terem esses momentos de luz e escuridão como disse. Não ter só uma personalidade ou um tipo de atitude ajuda a ser mais verdadeiro, acho.
    No geral parece um bom livro e penso que iria gostar de ler.

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  3. Ju!
    Já li dois outros livros da autora e seu receio tinha fundamento. Ainda bem que ela trouxe uma história rica e crível, bem diferente dos enredos adolescentes.
    Sou como você: amo passado e presente, e, livros ambientados nas guerras e sem vem com protagonistas femininas fortes e resolutas, fiquei ainda mais interessada pela leitura.
    “Não pedi coisas demais para não confundir Deus que à meia-noite de ano novo está tão ocupado.” (Clarice Lispector)
    FELIZ 2017!
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  4. Oi, JU.
    Eu amo quando as autoras, colocam personagens fortes e decididas na trama, isso me prende muito ao livro. Eu adorei a premissa fiquei curiosa demais para conferir, esse me pareceu ser uma boa leitura, gostei que os par românticos das mocinhas não eram perfeitos e tinha lá seus defeitos, isso é uma quebra de estereotipo que adorei, enfim irei ler sem sombra de dúvidas,
    Boa Noite.

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  5. Como você, também gosto muito de ler livros que a história é intercalada entre presente e passado, não gosto muito de histórias de guerras, ou que se passam em guerras, mas por ser relacionado a dança e ter despertado minha curiosidade eu leria este livro.

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  6. Nossa, já estava bastante interessada em ler esse livro só pela sinopse, também curto história que se passa durante a segunda guerra mundial e agora depois de ver essa resenha fiquei ainda mais curiosa em conferi essa história que parece ser apaixonante.

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  7. Não conhecia o livro mas ele me ganhou no momento que li "Segunda Guerra Mundial", amo histórias ambientadas nessa época e mesmo sendo um romance (gênero que não gosto muito) eu fiquei com muita vontade de ler. As personagens fortes acho que são assim devido a época da guerra, as mulheres que viveram isso tem uma força surreal. Já vou colocar ele na minha lista.

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  8. Gosto de historias que envolvam a segunda guerra me faz ver as coisas com outros olhos, saber o quanto sofreram, deve ser bem comovente a historia dessas duas mulheres, é bom mostrar que elas erram e acertam como qualquer ser humano, pois somos assim como elas.

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