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A Hora do Lobisomem - Stephen King

Sinopse: O primeiro grito veio de um trabalhador da ferrovia isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceravam sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia vem de uma mulher atacada no próprio quarto. Agora,a cada vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’sMill, surgem novas cenas de terror inimaginável. Quem será o próximo? Quando a lua cresce no céu,um terror paralisante toma os moradores da cidade. Uivos quase humanos ecoam no vento. E por todo lado as pegadas de um monstro cuja fome nunca é saciada. Um clássico de Stephen King,com as ilustrações originais de Bernie Wrightson. (Skoob)
KING, Stephen. A Hora do Lobisomem. Editora Suma de Letras, 2017. 152 p.

A primeira vez que tive contato com esta história de Stephen King, foi através de um filme que passava na Sessão da Tarde na época do colégio, Bala de Prata. Nos créditos, descobri que era baseado em um livro e corri atrás para conseguir. Agora, apenas um par de anos mais tarde :), foi lançado este novo volume, ilustrado e com um capricho de fazer chorar.

Narrado em terceira pessoa, no mesmo tom de um contador de histórias, cada capítulo é um mês do ano e um ataque diferente que o lobisomem faz. Sempre em luas cheias, que o autor faz questão de explicar não seguir a padrão natural, mas forçar a coincidência com momentos importantes, como feriados e datas comemorativas, a criatura vai, aos poucos, aterrorizando e matando os habitantes de uma pequena cidade no interior dos EUA.

King não economiza nas descrições dos ataques, o que fica ainda mais visceral por causa das ilustrações das mortes em cada capítulo. Feitas com traços a lápis, ou imitando, elas combinam com o tom casual da narrativa. No fim do livro, somos brindados com mais cinco pinturas feitas por artistas diferentes das partes que eles mais gostaram da história. Estilos diferentes, proporcionam uma beleza e tornam a edição ainda mais primorosa.

A Hora do Lobisomem é aquele terror clássico juvenil, seguindo a tradição do monstro, inclusive com sua fraqueza quanto a balas de prata, por isso o título da adaptação cinematográfica. O livro é bem curto, quase um conto, e pode ser lido sem qualquer pausa. E, como sempre, King traz a salvação nas mãos do mais improvável herói, o que torna a sensação de nostalgia ainda maior.

Divertido, curioso, é uma obra indispensável na estante de qualquer leitor, que, após ser lida, deixa uma vontade imensa no leitor de procurar por mais histórias do gênero. Infelizmente, vai ser difícil de encontrar, ainda mais que os lobisomens de hoje em dia, ficam correndo de tronco nu por florestas onde vivem fadas que são confundidas com vampiros. ;)​

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A Rainha de Tearling - Erika Johansen

Sinopse: Quando a rainha Elyssa morre, a princesa Kelsea é levada para um esconderijo, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar. Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta. Mesmo sendo a rainha de direito e estando de posse da safira Tear – uma joia de imenso poder –, Kelsea nunca se sentiu mais insegura e despreparada para governar. Em seu desespero para conseguir justiça para um povo oprimido há décadas, ela desperta a fúria da Rainha Vermelha, uma poderosa feiticeira que comanda o reino vizinho, Mortmesne. Mas Kelsea é determinada e se torna cada dia mais experiente em navegar as políticas perigosas da corte. Sua jornada para salvar o reino e se tornar a rainha que deseja ser está apenas começando. Muitos mistérios, intrigas e batalhas virão antes que seu governo se torne uma lenda... ou uma tragédia. (Skoob)
JOHANSEN, Erika. A rainha de Tearling. Editora: Suma das Letras, 2017. 352 p.

"E se a verdade não for algo que você queira ouvir?"

Eu só tenho uma palavra para definir esse livro: maravilhoso.

Kelsea viveu toda sua vida com seus pais adotivos, que foram incumbidos da responsabilidade de ensinar-lhe a ser rainha. Agora, 19 anos depois, ela está de volta para ser coroada rainha do reino de Tearling, mas sua jornada não será fácil, já que o que não falta são pessoas dispostas a lhe destruir.

Kelsea tem características fora do comum, pelo menos nos padrões que vemos em livros, ela não tem um corpo escultural, cabelo e olhos perfeitos, ela na verdade é bem comum e a autora ganhou vários pontos comigo por isso. Ela foi uma personagem nota mil, pois apesar de saber que não tinha conhecimento o suficiente para governar, já que todos escondem algo dela, estava ali disposta a fazer qualquer coisa pelo bem maior. A luta era constante já que até mesmo seu tio, o regente, queria vê-la morta.

"Pessoas que cometem erros não costumam sobreviver a eles."

Kelsea não fica de mimimi, simplesmente vai e faz, ela é forte, guerreira, determinada e, apesar de se mostrar um tanto ingênua, não se deixa abater, já que muitas vidas dependem dela e de sua firmeza. Ela tem seus momentos também, seus erros e acertos, isso apenas a torna humana.

A Rainha de Tearling foi um livro que respondeu todas as minhas expectativas e, principalmente por este primeiro ser mais introdutório, em momento algum me senti fora do lugar ou confusa sobre alguma coisa.

Esse livro quase não tem romance, apenas um ligeiro balançar de coração de Kelsea. A ênfase desse livro é na política e no reino de Tearling, não posso dizer que estou decepcionada, pois já esperava isso dado o tema principal do livro, mas estou animada pelos próximos dois, espero que a autora nos agracie com um romancezinho, afinal não faz mal a ninguém.

"Minha vida e aquele trono são uma coisa só."



Há vários personagens que se destacam no decorrer da trama, em especial um da guarda da rainha, que recebeu a missão de ir buscar Kelsea, cujo nome é Clava, ele é um guerreiro com um humor negro que ajudou a rainha quando ela mais precisava dele e mostrou sua lealdade para com ela.

Eu fiquei um pouco confusa quanto ao gênero principal, já que o livro é uma mistura de fantasia, medieval e um pouco de distopia, porém não do jeito que costumamos ver em livros. Aqui não tem avanço na tecnologia e inovação, muito pelo contrário, a impressão que tive é que tudo isso foi perdido no decorrer do tempo.

A narrativa é feita em terceira pessoa, o que nos dá uma visão geral de outros personagens, a diagramação está perfeita, essa capa é linda e não encontrei nenhum erro ortográfico.

Esse livro que fala sobre lealdade, mas também não esconde as consequências de uma traição, fala de amor poderoso capaz de vencer qualquer barreira, e esse amor é de uma rainha para com o seu povo.

Estou ansiosa pelo próximo livro, ele realmente promete. Então se você curte o gênero, ou gêneros, não deixem de conferir A Rainha de Tearling, espero que sua experiência seja tão boa quanto a minha.

"O mundo é um lugar perigoso demais para dormir."

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Depois da última dança - Sarra Manning

Sinopse: Estação de King´s Cross, 1943. Rose chega a Londres querendo se entregar a uma vida de romance, glamour e dança, e para isso ela escolhe o Rainbow Corner, o mais famoso salão de dança da cidade. Enquanto a Segunda Guerra Mundial entra em seu momento final, Rose se apaixona perdidamente por um piloto, mas terá que lidar com as reviravoltas do destino antes que a guerra chegue ao fim.
Las Vegas, dias atuais. Uma linda mulher vestida de noiva entra em um bar procurando alguém para se casar com ela. Quando Leo assume o papel e diz “sim”, ele não tem nenhuma ideia da situação em que está se metendo. Quem será Jane, a mulher misteriosa? Quando Jane e Rose, agora uma senhora de idade, se conhecem, a fagulha da discórdia se acende. Mas acontecimentos que elas não podem controlar fazem com que o tempo se torne um bem muito precioso. Depois da última dança conta a extraordinária história dessas duas mulheres, separadas pelo tempo mas ligadas pelo destino. Um romance que fará com que você acredite no poder do amor. (Skoob)
MANNING, Sarra. Depois da Última Dança. Suma de Letras, 2016. 336 p.


Depois da Última Dança, de Sarra Manning, despertou minha curiosidade por alguns diferentes motivos. Primeiro, porque intercala passado e presente, e alguns dos livros que eu mais gostei tinham essa construção. Em segundo lugar, porque parte da história se passa durante a segunda guerra mundial e, além de adorar tramas que se desenrolam nesse momento histórico, questionei-me se a autora (conhecida por publicar livros mais voltados aos jovens, como Os Adoráveis e Onde Deixarei Meu Coração) conseguiria dar ao enredo a seriedade necessária. Sarra Manning não me decepcionou e conseguiu criar um romance intenso e realista, duro, mas sem deixar de lado a doçura necessária às histórias de amor.

A narração do livro é feita em terceira pessoa e os capítulos se dividem entre os tempos de guerra, em que Rose era uma jovem que fugiu para Londres em busca de um pouco de brilho para sua vida, e os dias atuais, mais focados em Jane, uma mulher incrivelmente bela que pode criar para si várias novas personalidades, mas não consegue ser ela mesma. E o mais interessante: a história dessas duas mulheres se cruza em determinado momento e, ainda que não saibam, elas deixarão suas marcas na história uma da outra.

"Não deveria mesmo se importar se Rose acreditava nela ou não, e Jane não deveria se preocupar. Ela deveria estar ali só de passagem, esse fora o plano, só que não tinha sido bem um plano, e sim mais uma série de eventos catastróficos que haviam colocado Jane na órbita de Rose."

É difícil dizer qual dos trechos é o mais interessante. A vida das duas mulheres possui pontos de luz e de escuridão e ambas são admiráveis e desprezíveis na mesma medida. Quero dizer que as duas erraram e acertaram, tiveram seus momentos de egoísmo e de altruísmo, mas, igualmente, foram moldadas pela dureza da vida. Manning criou personagens críveis, ainda que romantizadas, que podiam não ser exemplos de bom comportamento, mas que faziam seu melhor quando estava ao seu alcance - no caso de Jane, isso acontecia regado pelo interesse próprio, mas acontecia.

Todas essas nuances das personagens, porém, não aparecem de uma única vez, a autora não entregou um pacote pronto. Muito pouco é contado no início e a verdadeira natureza de Jane e Rose não são claras ao leitor, mas, no decorrer dos capítulos, aspectos do passado das duas vão aparecendo e compreende-se as marcas que cada uma carrega.

Além disso, a autora é irritantemente comedida: ela deixa escapar apenas pouco a cada capítulo e assim que alcançamos o ápice daquele momento, ela encerra o trecho de uma personagem e parte para a outra. Isso significa dizer que a curiosidade do leitor é constantemente aguçada, pois há sempre um enredo pendente de conclusão, e a leitura avança sem qualquer dificuldade. Apesar de me sentir um pouco frustrada quando o foco do texto alternava, porque queria muito saber o que acontecia na sequência com a personagem anterior, admito que essa construção foi ousada e magistral, dando ao enredo certa cadência que manteve, durante todo o livro, o bom ritmo da leitura.

"- Quando eu estiver pronta, você vai estar aqui, não vai?
- Querida, eu não vou a lugar nenhum. Vamos cuidar para que você não esteja sozinha.
- Tem que ser você. Você é forte. Vou precisar que você seja forte o bastante por nós duas - disse Rose.
- Não sei se sou tão forte assim - hesitou Jane quando os olhos de Rose, de repente bem focados, olharam bem no fundo dos dela.
- Você é. Como eu era. Acho que nós duas somos bem parecidas. Nenhuma de nós tem medo de enfrentar o futuro de cabeça erguida.
- Ah, Rose, querida, não. Você... - Jane engoliu em seco. - Quando veio para Londres, você estava correndo em direção a alguma coisa. Tudo o que eu já fiz foi correr das coisas."

Os personagens secundários são tão complexos quanto as protagonistas. Os amigos de Rose nos dias atuais, por exemplo, são daqueles que nos tocam o coração, e Charles foi um personagem que se destacou, sobre o qual eu adoraria saber ainda mais. Por outro lado, os parceiros românticos de Rose e de Jane são tão cheios de defeitos que, no início, questionamos se autora pretendia mesmo que elas se apaixonassem por eles, o que parecia bastante difícil de acontecer. Manning, no entanto, conseguiu mostrar também as diversas facetas de Danny, de Edward e de Leo, e o leitor logo se vê sentindo a mesma emoção daquelas mulheres.

O que mais gostei do livro foi o fato de autora ter colocado como protagonistas duas mulheres com tantas diferenças, mas muito semelhantes. Em especial, o fato de que as duas são fortes, independentes e decididas, que se permitem amar e viver com alguém, não para serem subjugadas por qualquer homem, mas para com eles construirem algo, juntos.

Depois da Última Dança é um romance com protagonistas femininas fortes e cheias de defeitos, mas admiráveis mesmo assim, e a leitura é encantadora, deliciosa e apaixonante. Terminei o livro com um sorriso no rosto e acho que a história só não ficou em maior conta comigo porque senti falta de alguma coisa, algo que a destacasse dos demais romances e marcasse a leitura de alguma forma. De todo modo, trata-se de uma bela história, tão séria quando precisava ser e que me fez querer ler outras obras de Sarra Manning.

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Guia astrológico para corações partidos - Silvia Zucca

Sinopse: Alice tem certeza de que está vivendo um inferno astral. Será que as dicas de seu guia astrológico poderão ajudá-la?
Quando Alice recebe, na mesma semana, a notícia de que seu ex vai se casar e de que a empresa onde trabalha contratou um consultor chamado David Nardi para avaliar e demitir parte do pessoal, ela tem certeza de que está vivendo um inferno astral.
E tem razão.
Tito, seu melhor amigo e super entendido de astrologia, jura que é um péssimo momento para ser de Libra, mas que as estrelas também estão lá para nos dizer os dias mais auspiciosos para a esfera profissional ou para encontrarmos nossa alma gêmea.
Embora cética, Alice decide apostar nas dicas de seu guia astrológico, mas, estranhamente, a astrologia não a protege de encontros péssimos, decepções terríveis e algumas pequenas surpresas emocionantes. Por exemplo: por que David lhe parece cada vez mais interessante, se seus quadros astrológicos são a combinação para um desastre? (Skoob)
ZUCCA, Silvia. Guia astrológico para corações partidos. Suma de Letras: 2016. 360 p.

Decidi que queria ler Guia astrológico para corações partidos, de Silvia Zucca, pelo simples fato de que o livro parecia totalmente diferente de minhas últimas leituras. Eu não conhecia a autora e a capa não dá muito espaço à imaginação, mas quem não gosta de astrologia, nem que seja um pouquinho? Que bom que minhas escolhas impulsivas - e sem qualquer lógica - me levaram a escolher esse livro, porque se tornou um dos melhores e mais divertidos chick-lits que já li.

O livro é narrado em primeira pessoa por Alice, funcionária de uma pequena rede de televisão que vê sua vida de pernas para o ar quando descobre que seu ex-namorado está prestes a casar e que sua empresa contratou um consultou para avaliar as necessidades de pessoal e demitir quem for desnecessário, se for o caso. No meio de toda essa bagunça, ela conhece Tito, que se torna seu guia astrológico e a faz enxergar, nas estrelas, maneiras de superar as dificuldades nas esferas profissional e amorosa.

"- Você deveria ser clonado. Se todas as mulheres tivessem um amigo assim, tenho certeza de que muito menos gente no mundo sofreria por amor.
Ele gargalha.
- Uma espécie de guru, hein? Bom, eu ficaria ótimo de turbante...
- Mais do que um guru, um guia... Um guia astrológico... para corações partidos."

O mais agradável na leitura de Guia Astrológico é sua leveza e improbabilidade. Alice, de cética, se torna uma fanática do horóscopo e cada pequeno acontecimento de sua vida passa a ser explicado, em suas palavras, pelo movimento dos astros. Isso se torna praticamente uma obsessão, mas o humor da protagonista ao citar os trígonos e planetas, e seja lá mais o que for, arranca boas risadas. A ironia se faz presente durante todo o livro, e as sacadas inteligentes me faziam dar gargalhadas muito, MUITO altas. Algumas coisas são tão inimagináveis que, só de tentar ilustrar a cena na minha cabeça, um ataque de risos me acorria. Fazia muito tempo que eu não dava risadas tão boas ao ler um livro.

Por outro lado, preciso deixar claro que o humor não é óbvio, pelo menos não o que realmente me agradou. Como todo chick-lit, o livro tem algumas situações que são um pouco exageradas, mas que, para mim, tiveram pouca graça. Foi nas entrelinhas que eu encontrei as passagens mais divertidas, pois a autora, com maestria, retomava citações anteriores do livro e as transformava em alguma fala inteligente, em uma referência que só o leitor envolvido na história compreenderia.

"Tito disse que me ajudaria com os homens, mas nunca acha nada bom. Por exemplo, pensei que Sagitário fosse um signo compatível com o meu. Ele falou isso mais de uma vez, só que, quando fui comemorar por ter encontrado alguém que combinava comigo, Tito veio com essa história de que também precisa saber o Ascendente. Caramba! Ele muda o jogo depois que todas as cartas já estão na mesa."

Outro detalhe que me agradou no livro foi o crescimento de Alice. A personagem, no início carente e sempre à procura de um homem, sempre se metia em confusões exatamente por querer chamar a atenção de alguém ou porque perdia a concentração devaneando sobre seu futuro romântico. Fica óbvio, desde o início, que se trata de uma mulher insegura e cheia de medos, com erros e acertos. No decorrer da obra, porém, ela aprende que precisa primeiro estar bem consigo mesma, pensar em sua vida e alcançar seus objetivos, para depois poder compartilhar isso com outra pessoa.

Reconheço que, apesar de ter gostado tanto do enredo, algumas passagens poderiam ter sido deixadas de lado e não fariam nenhuma falta. Em alguns momentos, tive a impressão de que algumas cenas, e mesmo personagens, foram inseridas para aumentar o número de páginas, sem qualquer função real dentro da trama. Os trotes com Alejandro, um dos vários ex de Alice, por exemplo, não fizeram muito sentido, da mesma forma como também não consegui entender a presença de Giorgio no livro (apesar de ele ter protagonizado uma das cenas mais hilárias da história, admito!).

A edição também merece destaque. A capa é simples, não diz muito sobre a história, mas o início de cada capítulo conta com a ilustração dos signos e os mesclam aos nomes de filmes, sempre relacionando-os com o enredo. Só para citar um exemplo, o capítulo 5 tem o título "Libriana à beira de um ataque de nervos", em analogia ao filme "Mulheres à beira de um ataque de nervos", de 1989.

Para fãs de livros do gênero, acredito que Guia astrológico para corações partidos é uma ótima pedida. Além de trazer aquela leveza tão necessária em alguns momentos da vida, vai deixar qualquer um com vontade de consultar seu horóscopo, saber seu ascendente, ver os planetas regentes e se guiar um pouquinho pela astrologia - sempre considerando, é claro, que as decisões que importam são aquelas que nós fazemos, e não as estrelas.

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Misery, Louca Obsessão - Stephen King


Sinopse: Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho.
A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo. (Skoob) 
KING, Stephen. Misery. Suma de Letras, 2014. 326 p.


Misery é um livro incrível, escrito pelo nosso querido Stephen King. Que criatividade esse senhor tem!
O livro inteiro se passa basicamente dentro de uma casa, com dois personagens, Paul Sheldon, que é um grande escritor e Annie Wilkers, sua fã número um.
Paul acaba sofrendo um acidente numa estrada um tanto deserta e por ironia do destino Annie o encontra e o "salva" da morte. 

"Trevas. E então a dor e a névoa. Então a percepção de que, embora a dor fosse constante, ela às
vezes sumia em uma trégua incerta que ele supunha ser alívio. A primeira lembrança verdadeira: parar, e ser estuprado de volta à vida pelo sopro fétido da mulher."

Quando Paul acorda, ele sente-se um tanto aliviado por alguém tê-lo encontrado, mas o que ele não esperava, era que Annie era uma mulher louca, psicopata e muito má.
Ela o mantém encarcerado, já que não permite que ele saia em momento algum. Mesmo se pudesse, não sairia, pois suas pernas estão quebradas e ele sente muita dor, vive a base de Novril, que é um analgésico muito forte (medicamento fictício).
Annie decide que só deixará Paul ir embora quando der outro fim para a sua série de livros de maior sucesso, "Misery", pois ela não se convenceu do final que ele deu.

Cada vez me surpreendo mais com a escrita de Stephen King, não sei como não comecei antes a ler seus livros! Ele consegue criar personagens incríveis, com personalidades bem distintas, cada um inteligente à sua maneira. Mexe com o psicológico do leitor de uma forma única, sinto um prazer enorme em ler suas obras.

Annie é uma mulher bem esperta, mas também muito perturbada, psicótica e sem escrúpulos. Em alguns momentos, ela se desligava do mundo, ficava por alguns minutos paralisada, presa em outra dimensão, isso era um tanto assustador. Ela faz coisas terríveis com Paul, a cada página que eu virava era uma nova surpresa, uma novo ato cruel dessa mulher. Ela torturou tanto Paul, que me dava agonia só de ler!

"Subitamente seu rosto se transformou. A teimosia endurecida se esfacelou e o que se revelou por trás foram as feições de uma criança enfurecida até a loucura. Por um momento  Paul acreditou que a intensidade do horror iria matá-lo. 
— Então fique aí sentado — disse ela, com os lábios repuxados no ricto sorridente — e lembre-se de quem é que manda, e em tudo o que eu posso fazer para machucar você se você se comportar mal ou tentar me enganar."

Paul, mesmo com todas as dificuldades, preso, com dores, e com as pernas machucadas, conseguia planejar maneiras de fugir e se livrar dessa louca. Acho que a única coisa boa que ele tirou dessa situação foi conseguir superar seus limites e dar um novo destino para Misery. Ele criou uma história muito melhor do que todas as outras que já tinha escrito.

Dentro deste livro, existe este livro que Paul está escrevendo, podemos perceber que a história criada é totalmente diferente das histórias de Stephen King, dando a impressão de que é mesmo Paul Sheldon que a escreveu. Isso tornou o livro muito rico e fiquei curiosa com o destino dos "dois" livros, é uma experiência muito legal!

Achei muito bacana o trabalho da editora, nos momentos em que Paul escrevia o livro, a fonte mudava. A máquina de escrever que ele usava estava com a tecla "N" faltando, e Paul pedia para que Annie preenchesse à mão, então a fonte ficava mais uma vez diferente quando a letra "N" era usada.

O final ao meu ver foi bem satisfatório, é um livro que vale realmente a pena ser lido, cada página dele é muito bem pensada e me deixou instigada a ler.

A capa ficou linda, bem condizente com a história. Só me resta recomendar o livro, entre nos diversos mundos de Stephen King!

"Era assim que depressivos ficavam antes de atirar em toda a família e neles próprios por último. Era o desespero psicótico da mulher que veste as crianças com as melhores roupas, leva-as para tomar sorvete, caminha com elas até a ponte mais próxima, então pega uma em cada braço e pula. Depressivos se matam. Psicóticos, acalentados no berço venenoso de seus egos, querem fazer um favor aos outros, levando-os junto."

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Joyland - Stephen King

Sinopse: Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer. Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria. O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais. (Skoob)
KING, Stephen. Joyland. Suma de Letras, 2015. 240 p.

Existem alguns escritores que são tão completos no seu ofício, tão dispersos nos gêneros, que nunca podemos ter certeza do que iremos encontrar em suas obras. Stephen King é um desses autores, e suas obras diferem entre si de forma absurda. Podemos encontrar terror, aventura, romance, mistério, ficção científica, fantasia ou, simplesmente, uma história sobre a nostalgia do amadurecimento do caráter e da justiça na busca por um assassino.

Apesar de Joyland ser vendido como uma história, onde um garoto conta com a ajuda do espírito de uma garota, assassinada anos antes, para pegar o assassino, o que você vai acompanhar é a trajetória de Devin Jones, um jovem universitário em busca de seu próprio lugar no mundo, e a redenção de uma mãe, que cortou relações com sua família para tentar dar um conforto ao seu filho, condenado a uma cadeira de rodas por causa de uma distrofia muscular.

"Ele desenrolou  a linha e a pipa subiu, primeiro sobre a areia e depois sobre o mar, indo cada vez mais alto naquele azul de fim de tarde em setembro. Eu observei por algum tempo, depois arrisquei um olhar para a mulher. Ela não se enrijeceu com meu olhar porque não o viu. Toda a sua atenção estava no filho. Acho que nunca vi tanto amor e tanta felicidade no rosto de uma pessoa. Porque ele estava feliz. Os olhos dele brilhavam e a tosse havia parado."

A história de Linda Gray, a garota assassinada no parque, fica como pano de fundo e só ganha alguma importância, mas não muita, no final do livro. Stephen King preferiu se concentrar nos acontecimentos que, pouco a pouco, vão moldando Devin, e no relacionamento deste com Ann e Mike, a mãe e o garoto da cadeira de rodas.

Inclusive, no fim do livro, quando Linda Gray tem alguma participação efetiva, esta serve apenas para encerrar seu martírio de permanecer vagando em nosso mundo, e para confirmar a sensibilidade de Mike em perceber coisas que pessoais normais não percebem. Não que Mike possua algum poder, mas, sim, pelo fato dele estar mais perto do mundo do além do que do nosso.

Joyland não é, nem de longe, o melhor livro de Stephen King, mas isso não significa que seja ruim. Pelo contrário. King sabe compor personagens com carisma e com um background complexo o suficiente para causar verossimilhança. Ele sabe conduzir uma história, por mais simples que ela seja, de forma a criar curiosidade e interesse na sua conclusão.

King não é apenas um autor de histórias fantásticas, mas também de personagens fantásticos. A ligação construída entre Devin, Ann e Mike é cuidadosa, sem pressa, criando um elo emocional que vai crescendo até que o leitor se sente emocionalmente preso.

O desfecho de Joyland emociona, não pela tristeza, mas pela constatação de que a vida nem sempre nos fornece o suficiente para ter um final 100% feliz.

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O Vilarejo - Raphael Montes

Sinopse: Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome. As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão. (Skoob)
MONTES, Raphael. O Vilarejo. Suma de Letras, 2015. 96 p.

Composto por 7 contos bem curtos, além de um prefácio e um posfácio, a obra de Raphael Montes é vendida através da opinião, impressa na capa e contracapa, de alguns autores conhecidos, como Fernanda Torres e André Vianco. Sempre suspeito desse tipo de incentivo para a leitura, uma vez que as frases usadas são retiradas do contexto e, muitas vezes, são ditas com base em pedidos ou amizades. Infelizmente, acertei e a obra não faz jus ao que é dito.

Fica claro, conforme se lê, que o objetivo é tentar surpreender o leitor com uma revelação ou uma reviravolta no fim de cada conto. A surpresa existe, mas sem muito impacto, uma vez que ela não é fundamentada em ações coerentes. Como em O Negro Caolho, onde uma personagem muda completamente de atitude e personalidade apenas para produzir um desfecho bizarro e cheio de violência. No conto final é dada uma explicação para todas as atitudes dos personagens, mas de forma forçada.


Existe uma ligação tênue entre os contos, além do fato de que se passam no mesmo vilarejo e com personagens que são citados diversas vezes. Essa ligação é tão sem interesse, que, da mesma forma que a surpresa, não empolga. Para tentar ser mais claro, basta o leitor imaginar um personagem com atitudes normais, que no meio do conto, ou no seu desfecho, são alteradas sem apresentar pistas ou explicações, com o intuito de tornar o fim inesperado.

"Vonda treme de medo. Ela não está morto. Ela corre para casa com uma imensa vontade de chorar. Sua mente procura uma solução. Não há solução. Ele a viu, sabe que ela é a responsável por tudo aquilo. Ela será presa. Odiada pela família. Repugnada pelo vilarejo. Por que sempre fazia tudo errado?"

Quando se pretende surpreender o leitor, como, por exemplo, no filme O Sexto Sentido, é necessário construir uma linha de acontecimentos corriqueiros e que combinam de forma lógica, sem o leitor, ou expectador, perceber. Ele só percebe o que realmente está acontecendo quando, no fim, é apresentado à solução do problema. Então, tudo o que leu, ou viu, ganha uma nova dimensão e ele se vê diante da incredulidade de que deixou passar tantas pistas.

Essa seria a intenção de O Vilarejo, somado a uma dose de terror, mas o que encontrei foi apenas personagens com atitudes grotescas que agem sem motivação e cujas ações são justificadas pela presença de uma entidade que também não explica nenhum objetivo.

No início do livro, existe a frase: “O caráter do homem é o seu demônio.”, e acredito que esse era o objetivo principal do autor. Mas não foi isso que consegui encontrar nas páginas seguintes, porque a explicação dada para o caráter dos personagens não reside neles próprios, mas na interferência dessa entidade.


De qualquer forma, a edição está muito caprichada. As páginas são de papel mais grosso e áspero, com pinturas de jatos de sangue em alguns cantos. Existem desenhos em todos os contos, todos muito bem feitos e bonitos, mas em estilo cartoon. Isso acaba não combinando com as histórias. Um traço mais realista teria mais sentido e ajudaria na atmosfera pesada das ações violentas dos personagens.

"Mobuto puxa os garfos de quatro dentes, deixando um rastro de sangue que escorre de seus pés. Arremete os garfos contra a sra. Helga. Ela é igual aos outros, ela também é culpada pelo sequestro de suas filhas. Rejubila-se em fúria enquanto desfere os garfos contra os olhos da mulher. Arranca-os."

A leitura é rápida e, embora tenha decepcionado na criatividade e construção dos contos, consegui ler sem qualquer dificuldade. Para quem não gosta do gênero terror, pode ler sem problema. Não existe nenhum susto, apenas muitas mortes com um toque de sadismo e gore. Como aqueles filmes onde não existe preocupação com a lógica do que acontece, apenas em como será a morte de cada personagem.


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À Espera de Um Milagre - Stephen King

Uma trama de mistério e terror, ambientada nos anos 30, em plena Depressão americana, num cenário de desespero e sufoco: a Penitenciária de Cold Mountain. Stephen King foi buscar no lado mais sombrio de sua imaginação a história assombrosa de John Coffey, condenado à morte, e seu encontro fatal com o carcereiro Paul Edgecombe. Originalmente publicado em seis partes, com o título de O Corredor da Morte, o romance é agora lançado em volume único: "À Espera de um milagre". Nas telas, o diretor Frank Darabont recria a história magistral de King, com Tom Hanks interpretando o guarda Edgecombe.
KING, Stephen. À Espera de Um Milagre. Rio de Janeiro: Suma de Letras, 2013. 400 p.

"À Espera de Um Milagre", o filme, é um dos meus filmes preferidos da vida. Descobri há pouco tempo que ele é uma adaptação de um livro, e não um livro qualquer. Seu autor é ninguém mais, ninguém menos que o rei do terror Stephen King, um escritor que, pensava eu, nunca publicaria uma história tão incrível e e emocionante quanto esta. 

Não entendam mal: Stephen King é e sempre será um ótimo escritor. A questão é que se você quer ler esse livro porque pensa que nele encontrará uma história assustadora, pare agora. Acredito que essa sinopse seja apenas para atrair o público que está acostumado aos livros de terror do autor. Na verdade, a história de John Coffey, apesar de ter um leve toque de suspense, é triste e terrivelmente tocante.

Paul Edgecombe trabalhava na Penitenciária de Cold Mountain, mais precisamente no Bloco E (conhecido como O Corredor da Morte, para os de fora, ou simplesmente como Corredor Verde, para os guardas que trabalhavam n bloco) em meados dos anos 1930. Porém, em 1932, ele conhece John Coffey, um homenzarrão negro que foi condenado por estuprar e matar duas menininhas. É exatamente em 1932 que sua vida começa a mudar completamente. Desde o dia da chegada de Coffey no Corredor Verde, Edgecombe já percebe que tem algo errado em toda essa história. O livro é narrado pelo próprio Paul, muitos e muitos anos após os acontecimentos de 1932.

— Seu nome é John Coffey.
— Sim, senhor, patrão, como o que se toma com leite, 
só que não se escreve do mesmo jeito.

Apesar de o livro ser narrado por Paul, pouco sabemos sobre ele além de que sofria com fortes infecções urinárias e era chefe do Bloco E, mas ainda assim há uma proximidade do personagem com o leitor. Não é para menos: o livro não é sobre ele, e sim sobre John Coffey e tudo o que aconteceu na penitenciária no breve período de tempo em que este permaneceu por lá. Stephen King escreve de uma forma tão profunda que conseguimos sentir com ele todos os horrores que aconteceram em 1932 e ficamos bem próximos também dos outros presos e dos guardas que trabalharam e sofreram junto com Paul no Corredor Verde. 

Pessoalmente, gostei muito de Eduard Delacroix, Del, que foi condenado por estuprar uma menininha e, ao tentar esconder a prova do crime, acabou incendiando várias pessoas. É difícil associar esse Del àquele pirado que tinha um ratinho amestrado como animal de estimação. E digo para vocês que sofri bastante com a morte dele. Outro personagem que ganhou meu coração foi Brutal, que apesar do nome, é incrivelmente gentil. É claro que era mesmo brutal com os presos quando precisava ser. 

Paul Edgecomb (Tom Hanks)  & John Coffey (Michael Clarke Duncan)

Não há como negar que o trabalho do King nesse livro foi impecável. Não consigo falar para vocês um mísero defeito nessa obra, mesmo ele próprio citando alguns no posfácio. Creio que poucas pessoas sabem, mas "À Espera de Um Milagre" foi originalmente lançado em seis volumes antes de vir a se tornar um livro único, portanto é de se imaginar que Stephen King tinha um prazo muito curto para entregar os volumes finalizados. Justamente por esse motivo, ele conseguiu levar a obra a perfeição. 

Creio que quem está acostumado aos livros de terror do King poderá estranhar um pouco "À Espera de Um Milagre", já que foge de tudo o que ele já escreveu até hoje, Ainda assim, ele conseguiu criar uma história que conquistará até os leitores mais difíceis. O livro, é claro, acabou se tornando um dos meus favoritos da vida também.

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O Príncipe da Névoa - Carlos Ruiz Zafón

Sinopse: O Príncipe da Névoa - A nova casa dos Carver é cercada por mistério. Ela ainda respira o espírito de Jacob, filho dos ex-proprietários, que se afogou. As estranhas circunstâncias de sua morte só começam a se esclarecer com o aparecimento de um personagem do mal - o Príncipe da Névoa, capaz de conceder qualquer desejo de uma pessoa, a um alto preço. (Skoob)
ZAFÓN, Carlos Ruiz. O Príncipe da Névoa. Suma de Letras, 1993. 180 p.

Movidos pelo início da guerra, a família de Max Carver se muda para uma pequena cidade no litoral. Assim que chegam, Max encontra um jardim com uma misteriosa estátua, sua irmã mais nova, Irina, começa a ouvir vozes, e a irmã mais velha, Alicia, tem sonhos estranhos e assustadores. Quando Max e Alicia conhecem Roland, um garoto que trabalha em um pesqueiro e possui um pequeno barco de passeio, os três começam uma amizade que irá colocá-los dentro de um barco naufragado e diante da volta do Príncipe da Névoa, um homem que possui poderes do tamanho de sua maldade. E ele volta para cobrar seu pagamento por um desejo concedido anos atrás.

"No centro do jardim, uma grande estátua representava um palhaço sorridente, de cabeleira arrepiada, em cima de um pedestal. Tinha o braço estendido para a frente, e o punho fechado dentro de uma luva grande demais, parecia golpear um objeto invisível no ar."

Este foi o primeiro livro Zafón e nele podemos encontrar diversos elementos que foram inseridos nas obras posteriores. Temos o homem misterioso dono de poderes sobre-humanos, os pedidos concedidos em troca de um favor, a nuvem negra, o farol, o barco, o relojoeiro e inventor, a cidade a beira-mar, o romance adolescente de Alicia e Roland e o herói Max, que foi copiado nos livros posteriores, inclusive no mais famoso, A Sombra do Vento.

Por tudo isso, O Príncipe da Névoa é interessante para compreendermos como Zafón não ficou satisfeito com os livros posteriores: As Luzes de Setembro, O Palácio da Meia-Noite e Marina. Ele tentou criar versões diferentes para ações presentes na primeira obra, e só conseguiu com total sucesso em A Sombra do Vento, que, exatamente por isso, é seu livro mais famoso.

"Irina gritou com todas as suas forças e se lançou contra a porta, que cedeu diante dela, fazendo com que caísse no chão do corredor. Sem perder um instante, se jogou escada abaixo, sentindo o hálito frio daquelas vozes na nuca."

Isso quer dizer que as obras anteriores são ruins? Claro que não! Quer dizer apenas que Zafón não se deu por satisfeito com alguma coisa. E para quem leu os quatro livros, pode conseguir identificar os pontos repetidos e o que foi modificado neles. Por exemplo, o final de O Príncipe da Névoa é de cortar corações e apresenta uma situação limite que poderia ser evitada facilmente se ocorresse no mundo real. O final de As Luzes de Setembro também possui um espaço de tempo tão grande para a solução da situação dos dois personagens principais, que fica forçado. O vilão é usado em vários dos livros com pequenas modificações, mas seus poderes são mantidos quase que de forma igual. O relojoeiro está sempre presente. O herói tem apenas sua aparência modificada, ou idade, mas seus comportamentos são idênticos.

E poderia citar vários mais, mas a resenha se tornaria maçante.

O que vale dizer, é que já no seu primeiro livro, Zafón sabia usar as palavras para criar uma combinação harmoniosa. Ainda estava longe da perfeição que é a escrita de A Sombra do Vento, mas os diálogos, principalmente, já eram cheios de sarcasmo e graça.

"A criatura de água se retorceu e o rosto fantasmagórico que tinha visto em sonhos, o semblante do palhaço, se virou para ele. O palhaço abriu a bocarra pontilhada de presas longas e afiadas como facas de açougueiro e seus olhos cresceram até o tamanho de um pires de chá. Roland sentiu que o ar lhe faltava."

Max, Alicia e Roland formam um trio mais equilibrado que os dos livros seguintes. O romance entre Alicia e Roland é gostoso de acompanhar, e o fato de Max, o personagem principal, ser remetido a coadjuvante em certos momentos, chega a ser interessante pela novidade. Inclusive existe um pequeno trecho entre o casal adolescente que é belo de acompanhar e emociona.

O embate final dos três heróis com o Príncipe da Névoa é muito emocionante, e a constatação do resultado e do valor cobrado é agoniante, porque percebemos a inevitabilidade do que está por vir, e queremos gritar para Zafón não fazer isso como nossos corações.

Mas ele faz! E é doloroso ler.

Não preciso dizer que a leitura é recomendada. É Zafón, afinal!

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As Luzes de Setembro - Carlos Ruiz Zafón

Sinopse: Durante o verão de 1937, Simone Sauvelle fica de repente viúva e abandona Paris junto com os filhos, Irene e Dorian. Eles se mudam para uma cidadezinha no litoral da Normandia, e Simone começa a trabalhar como governanta para Lazarus Jann, um fabricante de brinquedos que mora na mansão Cravenmoore com a esposa doente. Tudo parece caminhar bem. Lazarus demonstra ser um homem agradável, trata com consideração Simone e os filhos, a quem mostra os estranhos seres mecânicos quecriou: objetos tão bem-feitos que parecem poder se mover por conta própria. Irene fica encantada com a beleza do lugar – os despenhadeiros imensos, o mar e os portos – e por Ismael, o pescador primo de Hannah, cozinheira da casa. Ismael tem um barco, entende tudo sobre navegação e gosta de velejar sozinho, até conhecer Irene e vê-la de maiô... Os dois logo se apaixonam. Entre Simone e Lazarus parece nascer uma amizade. Dorian gosta de ler e, muito curioso, quer entender como os bonecos de Lazarus funcionam. Todos estão animados com a nova vida quando acontecimentos macabros e estranhas aparições perturbam a harmonia de Cravenmoore: Hannah é encontrada morta, e uma sombra misteriosa toma conta da propriedade. Irene e Ismael desvendam o segredo da espetacular mansão repleta de seres mecânicos e sombras do passado. Juntos enfrentam o medo e investigam estranhas luzes que brilham através da névoa em torno do farol de uma ilha. Os moradores do lugar falam sobre uma criatura de pesadelo que se esconde nas profundezas da floresta. Em As luzes de setembro, aquele mágico verão na Baía Azul será para sempre a aventura mais emocionante de suas vidas, num labirinto de amor, luzes e sombras. (Skoob)
ZÁFON, Carlos Ruiz. As Luzes de Setembro. Suma de Letras: 2013. 232 p.

Da mesma forma que pintores, alguns escritores conseguem transmitir em suas obras um sentimento que vai além da história dos personagens. E Zafón é um deles. Suas frases tem um quê de melódico, algo que emociona pela forma como ele coloca cada palavra. Assim, seus livros devem ser apreciados linha a linha, como se você bebericasse um bom vinho, sem pressa, sentindo cada momento com intensidade.

As Luzes de Setembro é seu terceiro livro e, juntamente com O Príncipe da Névoa e O Palácio da Meia-Noite, comprovam o amadurecimento de sua narrativa, que culminará na sua obra mais famosa: A Sombra do Vento. Fino, com poucas páginas, mas descritivo no essencial, é uma leitura rápida, emocionante e indispensável.

Quem leu O Príncipe da Névoa, vai encontrar grandes semelhanças na história de As Luzes de Setembro, no local onde ela ocorre e nos personagens. O próprio autor confessa, em uma nota no início do livro, que era essa sua intenção, uma vez que ele não ficou totalmente satisfeito com seu primeiro livro e queria corrigir algumas coisas. Isso não é um problema, uma vez que essas semelhanças são súteis e não atrapalham em nada a leitura.

Pelo contrário.

O livro se inicia com uma carta de Ismael para Irene e termina com uma carta de resposta enviada 10 anos depois. O motivo é explicado – embora eu não goste ou concorde :>( – , e você não precisa ficar se remoendo por achar que o casal principal não vai ficar junto, que vai morrer, ou sei lá...

Calminha, vou adiantar o motivo desses 10 anos para que não fique me xingando.

O motivo é o mesmo que permeia a maioria dos livros de Zafón. Uma sombra, um medo que fica sempre ao redor e que nunca interfere diretamente nas histórias de seus livros, mas que Zafón faz questão de deixar claro que ele existia, que era terrível e que era a razão da constante tristeza que permeava as entrelinhas de cada parágrafo: a Segunda Guerra Mundial. Essa é a verdadeira sombra que ele nunca deixa de mencionar e o motivo de seus finais melancólicos.

“Vou lhe confessar um segredo. Muitas vezes, durante as longas noites de inverno da guerra, enquanto tiros e gritos soavam na escuridão, deixava meu pensamento me levar novamente para lá, para junto de você, para aquele dia que passamos na ilha do farol. Quem dera nunca tivéssemos saído de lá. Quem dera aquele dia nunca tivesse terminado.”

Voltando à história, Irene e Ismael têm química, e o romance dos dois convence. A descrição dos momentos em que estão juntos, na confiança que um conquista do outro, na forma como se salvam de um perigo de morte e depois enfrentam o inimigo dentro da mansão, é muito bem narrada e dentro da realizada do que dois jovens poderiam fazer.

“Ela ergueu os olhos. Seus lábios estavam entreabertos e tremiam imperceptivelmente. Ismael sentiu um formigamento no estômago e um leve compasso nos ouvidos. Era o próprio coração, martelando a toda velocidade. Paulatinamente, os lábios dos dois se aproximaram com timidez. Irene fechou os olhos. Agora ou nunca, parecia sussurrar uma voz dentro de Ismael...”
Lazarus é misterioso, inteligente, elegante, cordial e triste, tudo na mesma dose. Ele carrega o peso de um passado doloroso e de um arrependimento maior. E Simone, a mãe de Irene, se encaixa perfeitamente no espaço vago para sua recuperação. Devido a isso, o inimigo resolve aparecer e reclamar seu lugar.

Memórias marcadas por escolhas erradas, um casal sem chance de se amar, o homem misterioso detentor de poderes, um mostro negro, autômatos que ganham vida, uma mansão gigantesca e cheia de sombras...

Chega!

Não vou fazer como a editora Suma e escrever mais do que o necessário sobre a história. Na orelha do livro, a editora simplesmente conta quase toda a trama, inclusive o destino de uma personagem que deveria ser surpresa, sem falar que praticamente torna vulgar o primeiro encontro entre Irene e Ismael. Por isso, por favor, quando comprar o livro (e você vai, né?), ignore essa orelha, nem chegue perto, arranque se possível (brincadeira, não estrague seu livro. Só não leia mesmo!).

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A Mulher do Viajante no Tempo - Audrey Niffenegger


Sinopse: Henry sofre de um distúrbio genético raro. De tempos em tempos, seu relógio biológico dá uma guinada para frente ou para trás, e ele se vê viajando no tempo, levado a momentos emocionalmente importantes de sua vida tanto no passado quanto no futuro. Causados por acontecimentos estressantes, os deslocamentos são imprevisíveis e Henry é incapaz de controlá-los. A cada viagem, ele tem uma idade diferente e precisa se readaptar mais uma vez à própria vida. E Clare, para quem o tempo passa normalmente, tem de aprender a conviver com a ausência de Henry e com o caráter inusitado de sua relação. (Skoob)
NIFFENEGGER, Audrey. A Mulher do Viajante no Tempo. Suma de Letras: 2009. 456 p.


A primeira coisa que me deixou interessada nesse livro foi a capa. Estava visitando a livraria da minha cidade quando achei A Mulher do Viajante no Tempo bem escondidinho em uma das prateleiras. Foi amor à primeira vista. Depois de ler a sinopse então... O problema é que o preço do livro já é um pouquinho salgado e a livraria daqui conseguiu subi-lo ainda mais. Acho que meu desejo foi tão grande que pouco tempo depois ele entrou em promoção na Submarino. 

O livro nos conta a história do casal Henry e Clare, que é um pouco mais complicada que a dos casais que conhecemos. Acontece que Henry sofre de um distúrbio genético bastante complexo: sem aviso prévio, ele viaja entre seu passado e futuro e, não bastasse isso, ele não tem a mínima ideia de como e para onde irá viajar. A única coisa que Henry sabe sobre é que esses "deslocamentos temporais" acontecem em momentos emocionalmente importantes da sua vida. 

É em uma dessas viagens que Clare vê Henry pela primeira vez, quando ela ainda era apenas uma criança. Uma das coisas difíceis nesse livro, ao menos no começo, é justamente essa mudança temporal. Quando Clare conhece Henry, ele já é um pouco mais velho e leva uma vida com Clare no futuro. Pode parecer um pouco complexo, mas conseguimos entrar no ritmo a medida que a narrativa vai caminhando. 

Além disso, a carga emocional presente no livro é muito grande. Com narração alternada entre Henry e Clare, conseguimos uma visão detalhada dos dois personagens sobre como lidam com o distúrbio, como é o dia-a-dia do casal, como Clare (e o próprio Henry) sofre com as ausências repentinas no marido. É claro que também vemos como ambos superam tudo isso em nome do amor que sentem um pelo outro. 

"Nosso amor foi o fio no labirinto, a rede embaixo de quem
 caminha na corda bamba, a única coisa verdadeira e confiável 
nessa minha vida estranha. Esta noite, sinto que meu amor 
por você tem mais densidade neste mundo do que eu mesmo tenho."

A Mulher do Viajante no Tempo é aquele tipo de livro que você fica louca para saber o final, mas ao mesmo tempo não quer que ele acabe nunca. A obra me cativou e emocionou tanto que, só de estar escrevendo essa resenha, fico com vontade de chorar. Os personagens são exemplos de superação e força não só pela condição de Henry, mas por todas as outras dificuldades que passam. Não é difícil perceber que ele está na minha lista de favoritos, né?

É uma história de espera, amor e devoção. Audrey Niffenegger conseguiu montar o enredo perfeito sem nenhum daqueles clichês que rondam outras tramas que retratam viagem no tempo. Cada capítulo, cada encontro entre Clare e Henry é fundamental e de importância ímpar para o entendimento do livro. 

O livro também ganhou uma adaptação nos cinemas, mas o título no Brasil é Te Amarei Para Sempre (juro que não entendi essa mudança, já que no inglês o livro e o filme são homônimos). Aconselho a não assistirem nem ao trailer antes de lerem o livro, pois ele revela demais sobre a trama, e quando eu digo demais é demais mesmo. Porém, se a curiosidade estiver muito grande, podem ter acesso ao trailer legendado clicando aqui. 

O romance de Niffenegger é sim de apertar o coração, mas que traz uma lição muito importante que todos nós devíamos carregar: devemos praticar e cultivar o amor, independentemente da condição. Além disso, a autora nos mostra que, apesar de todas as dificuldades e acima de tudo, o amor é atemporal. 

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A sombra do vento - Carlos Ruiz Zafón

Sinopse: Tudo começa em Barcelona, em 1945. Daniel Sempere está completando 11 anos. Ao ver o filho triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe já morta, seu pai lhe dá um presente inesquecível: em uma madrugada fantasmagórica, leva-o a um misterioso lugar no coração do centro histórico da cidade, o Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar, conhecido de poucos barceloneses, é uma biblioteca secreta e labiríntica que funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que alguém as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de "A Sombra do Vento", do também barcelonês Julián Carax. O livro desperta no jovem e sensível Daniel um enorme fascínio por aquele autor desconhecido e sua obra, que ele descobre ser vasta.
Obcecado, Daniel começa então uma busca pelos outros livros de Carax e, para sua surpresa, descobre que alguém vem queimando sistematicamente todos os exemplares de todos os livros que o autor já escreveu. Na verdade, o exemplar que Daniel tem em mãos pode ser o último existente. E ele logo irá entender que, se não descobrir a verdade sobre Julián Carax, ele e aqueles que ama poderão ter um destino terrível. (Skoob)

ZAFÓN, Carlos Ruiz. A Sombra do Vento. Rio de Janeiro: Suma de Letras, 2007. 400 p.


Um bom autor é aquele que consegue fazer o leitor mergulhar no enredo que construiu sem que nem perceba; é aquele que faz o leitor se ver, de repente, em um mundo que não é o seu, faz com que o leitor viva aquilo e se envolva com aquilo, por mais fantasioso que seja. Felizmente, hoje, estamos bem servidos de bons autores.

Porém, existem aqueles que conseguem ir além disso, os quais, além de conquistar seus leitores e inebriá-los com suas histórias, conseguem dar forma a uma linguagem somente sua e aguçar sentidos que jamais seriam afetados por qualquer leitura. E entre estes autores está Carlos Ruiz Zafón, autor de A Sombra do Vento. 

“ [...] Cada livro, cada volume que você lê, tem alma.
A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram,
que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos,
cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas,
seu espírito cresce e a pessoa se fortalece.” (p. 9)

Conforme já comentado aqui, Marina, obra do mesmo autor, mostrava características inigualáveis e apaixonantes da escrita de Zafón. Em A Sombra do Vento, todos os aspectos positivos foram mantidos, ainda mais sobressalentes, junto a outros fatores que fizeram desta obra ainda melhor.

É encantador o fato de que, dentro de uma mesma história, o autor não se prende a gênero literário algum, ao tempo em que lança mão de todos os possíveis. Há romance, suspense, drama e mesmo passagens leves o suficiente para dar um toque de humor. E vai além: Zafón constrói um gênero literário todo seu.

Também sua linguagem é única e autêntica. Ainda que seja escrito em prosa, o livro parece aos olhos poesia, tão bonitas as formações de frases e utilização de palavras. São sinestesias, hipérbatos e várias outras figuras de linguagem que enriquecem a escrita e a tornam quase palpável.  

“Enterrado na luz de cobre que projetava o abajur, penetrei num mundo de imagens e sensações que jamais havia conhecido. Personagens que pareciam tão reais como o ar que respiramos arrastaram-me por um túnel de aventura e mistério do qual eu não podia escapar. Página por página, deixei-me levar pelo sortilégio da história e seu mundo, até que o hálito do amanhecer acariciou minha janela, e meus olhos cansados deslizaram pela última página. Estendi-me na penumbra azul da madrugada com o livro sobre o peito e escutei o som da cidade adormecida pingando sobre os telhados salpicados de púrpura. O sono e a fadiga queriam me derrubar, mas eu resistia a entregar-me. Não queria perder o encantamento da história nem dizer ainda adeus aos seus personagens.” (p. 11)

Diz-se que este livro de Zafón foi escrito visando a um público mais jovem. Pode ser: seus protagonistas são crianças e há um toque doce e infantil que conduz a história. Existem algumas surpresas no enredo, mas nada completamente inusitado ou sensacional. Porém, este fato não diminui a desenvoltura da obra mesmo aos olhos dos mais velhos, que se veem arrebatados pela leitura e até mais encantados de ver o mundo com um olhar que já não é o seu.

Ainda, cabe ressaltar que a leitura é mais densa do que demonstra ser e mais agradável àquele que quiser sair do conforto, que tem tempo e disposição para lhe dar a devida atenção. Como os outros livros do autor, deve see calmamente degustado, aproveitado, para que se perceba, de verdade, a beleza por trás das palavras.

“Os livros são espelhos: neles se vê o que possuímos dentro.” (p. 174)



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Essa Semana... #48


Ei pessoal, como tem sido as leituras de vocês?
As minhas deram uma freiada, estou sem tempo e muito, MUITO cansada. Tenho que reorganizar meus horários, mas está difícil e tenho dormido tão pouco! :(
Então, vamos ver o que rolou por aqui nos últimos dias?

♥ Leitura do momento:


Estou lendo As Violetas de Março, da Sarah Jio. Ainda li pouco e, apesar de não ter bem uma opinião sobre a história, posso dizer que algo dela conseguiu me prender.

♥ Li essa semana: 


Nos últimos dias apenas concluí a leitura de Eu sei o que você está pensando, de John Verdon, que logo terá resenha.

♥ Resenhei:

- As vantagens de ser invisível, que foi bem elogiada :) rsrs

♥ Hey, Mr. Postman:

Chegaram tantas coisinhas *-* E algumas eu só esqueci de mostrar na semana passada:


Minha irmã ganhou Lua de Mel de aniversário, e recebi Nosso Último Verão de uma troca no skoob.


Recebi Sociedade Secreta Rosa & Túmulo de booktour, e comprei Enjaulado para ler para a faculdade.

♥ E mais no blog essa semana: 

- Conjuntando #16: Mais filmes;
- Última semana para participar das promoções Terra Ardente e Não Posso me Apaixonar.

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Marina - Carlos Ruiz Zafón

Sinopse: Neste livro, Zafón constrói um suspense envolvente em que Barcelona é a cidade-personagem, por onde o estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, passa todo o seu tempo livre, andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões.
É um desses antigos casarões aparentemente abandonados que chama a atenção de Oscar, que logo se aventura a entrar na casa. Lá dentro, o jovem se encanta com o som de uma belíssima voz e por um relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas ele se assusta com uma inesperada presença na sala de estar e foge, assustado, levando o relógio. Dias depois, ao retornar à casa para devolver o objeto roubado, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora.
Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério, passando por palacetes e estufas abandonadas, lutando contra manequins vivos e se defrontando com o mesmo símbolo - uma mariposa negra - diversas vezes, nas mais aventurosas situações por entre os cantos remotos de Barcelona. Tudo isso pelos olhos de Oscar, o menino solitário que se apaixona por Marina e tudo o que a envolve, passando a conviver dia e noite com a falta de eletricidade do casarão, o amigável e doente pai da garota, Germán, o gato Kafka, e a coleção de pinturas espectrais da sala de retratos.
Em Marina, o leitor é tragado para dentro de uma investigação cheia de mistérios, conhecendo, a cada capítulo, novas pistas e personagens de uma intrincada história sobre um imigrante de Praga que fez fama e fortuna em Barcelona e teve com sua bela esposa um fim trágico. Ou pelo menos é o que todos imaginam que tenha acontecido, a não ser por Oscar e Marina, que vão correr em busca da verdade - antes de saber que é ela que vai ao encontro deles, como declara um dos complexos personagens do livro. (Skoob)
ZAFÓN, Carlos Ruiz. Marina. Suma de Letras, 2011. 189 p.


Óscar Drai vivia solitário em um internato, e nas horas de folga, saía do colégio para revisitar as históricas ruas de Bercelona, em meados de 1980. Em um casarão que parecia abandonado como tantos outros, ele é atraído por um felino, por uma música e por um relógio antigo. E é este último que o faz voltar ao casarão, apesar do medo, e conhecer Marina.

Uma forte amizade surge desse encontro, e os momentos que dividem são recheados de curiosidades. A curiosidade, inclusive, é o que os leva a conhecer verdades e momentos entremeados de sofrimento e horror que permearam uma outra época, e mesmo que o peso de tudo aquilo tivesse atingido a alma de Óscar, não poderia ser lembrado de outra forma que não com nostalgia, já que Marina havia estado com ele.

"Eu ouvia o eco dos meus passos, mas poderia jurar que estava andando a um palmo do chão."

Cheia de mensagens intensas e que tocam a alma, a narrativa de Carlos Ruiz Zafón, em Marina, conquistou de jeito mais uma leitora. A frase da contracapa ("O talento visionário de Zafón para contar histórias é um gênero literário em si") não poderia sintetizar melhor a mistura de possíveis gêneros literários inseridos nesta obra: romance, suspense, aventura, drama, ficção, e quais mais existir, talvez.


Ainda que não use uma linguagem rebuscada, visto que não há palavras complexas no desenvolvimento do texto, as figuras de linguagem utilizadas por Zafón nos imergem em um mundo poético tão bem emaranhado que fica difícil sair. Essa é uma daquelas histórias que causam eco em nossas mentes por dias a fio. E que nos deixam reflexões sobre o contexto, mas também sobre mensagens isoladas, inseridas timidamente por dentre as páginas.

"Às vezes, as coisas mais reais só acontecem na imaginação [...] A gente só lembra do que nunca aconteceu."

Marina não foi nada do que eu imaginava. Esperava encontrar um romance e um pouco de mistério, e até foi isso que encontrei, diluídos entre tantas outras temáticas que não se pode dizer que se tornaram as mais importantes, mas que não estariam completas umas sem as outras. Encantou-me a maneira com que o passado interferiu no presente, e como acontecimentos de décadas atrás ainda pesavam sobre a Barcelona de Óscar. O desenvolvimento da amizade entre Marina e Óscar foi tão docemente apresentado que isso consegue arrancar algumas lágrimas dos mais sentimentais, e deixar os mais românticos bastante satisfeitos.

“– Precisam ir embora agora [...] Já conhecem a verdade. Aprendam a esquecê-la. 
O véu escondia seu rosto e sua voz mecânica carecia de expressão. Era impossível descobrir a intensão de suas palavras. 
– Seu segredo está a salvo conosco – disse eu, de todo modo. 
– A verdade está sempre a salvo das pessoas.”


Posso me dizer apaixonada pela escrita e pela criatividade imensa de Carlos Ruiz Zafón. A primeira eu já esperava encontrar em sua obra, mas a segunda foi uma surpresa enorme para mim, que esperava apenas belas palavras. Espero não ter sido confusa ao escrever sobre essa leitura, mas qualquer palavra que escapasse aqui poderia estragar a magia da obra para alguém.

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