Trash - Andy Mulligan

Sinopse: Não por acaso, Raphael, Gardo e Rato são adolescentes que vivem e trabalham no lixão de Behala, situado em um país de terceiro mundo não nomeado, mas que poderia ser qualquer um da América Latina. A ocupação deles é revirar o lixo em busca de plástico e papel, de onde tiram o sustento da família. Dia após dia, sabem exatamente o que encontrarão: barro e mais barro. Ainda assim, sempre esperam por algo surpreendente, que altere essa difícil realidade. Até que eles enfim têm um dia de sorte – mas o bilhete premiado se mostra muito mais perigoso do que parecia. O segredo está em uma bolsa encontrada em meio ao lixo, contendo um documento, algum dinheiro e uma chave dourada que pode abrir todas as portas da miséria que os enclausura – ou fechá-las para sempre. (Skoob)

MULLIGAN, Andy. Trash. Cosac Naify, 2013. 226 p.

Oi! Aqui é o Carlos!

Queria contar que conheci três garotos incríveis: o Raphael; o Gardo, e o Rato (o nome dele é Jun-Jun, mas todos o conhecem pelo apelido, mesmo). Eles moram em um depósito de lixo chamado Behala, nas Filipinas. Sobrevivem vendendo aquilo que encontram. Sim, sobrevivem, porque não posso dizer que seja vida o que eles levam. Andam descalços para sentir o tipo de lixo que pisam. Assim sabem se é valioso o suficiente para justificar seu recolhimento.

Eles são muito leais, verdadeiros amigos. O Raphael tem 14 anos, é inteligente, sensível, amoroso. Tem um sorriso encantador.

O Gardo também tem 14 anos, é um pouco mais alto e forte, tem o cabelo raspado e é o protetor da turma, sempre disposto a enfrentar os perigos.

E o Rato, de 11 anos, é muito magro, cheio de segredos e planos, mas sempre encontra uma saída para os piores problemas.

Eles são incríveis! É muito fácil gostar deles.

Também conheci o padre Juilliard, o responsável pela Escola Missionária Pascal Aguila, que é feita de containers abandonados por navios e fica ao lado do lixão; e a irmã Olivia, uma inglesa que até quis adotar o Rato, mas o padre Juilliard não deixou.

E como conheci eles? Bem, um dia ouvi falar da história de três garotos que não tinham nada, a não ser seus ideais. E através deles, depuseram um importante político.

Fiquei curioso para saber como e fui atrás deles.

A polícia também. Ela queria fazê-los desaparecer.

Descobri que os três encontraram uma carteira com uma chave. A chave levou a uma carta. A carta a um código secreto. O código a um prisioneiro. O prisioneiro a uma bíblia. A bíblia a uma fortuna em dinheiro. O dinheiro... nossa, vocês não têm ideia do que aconteceu.

Mas como isso é possível, você se pergunta. Um certo Andy Mulligan lançou um livro com o depoimento dos três, do padre e da Olivia. Procure esse livro e conheça uma história de determinação, coragem, lealdade e honestidade.

Quanto a mim, depois de os conhecer e acompanhar sua aventura, fiquei triste por deixá-los. Mas a vida deles era outra, bem diferente da minha. Felizmente, não mais no lixão. E eles encontraram uma menina. Quem?

No fim, queria saber mais sobre eles, mas a única notícia que chegou até mim, é que... bem... vou deixar você mesmo descobrir.

Ah, também fiquei sabendo que a história deles rendeu um filme dirigido por um cara conhecido, o Stephen Daldry. Só que passado aqui no Brasil, o que não torna o lixão assim tão diferente. E nem os três garotos.


Mudaram algumas coisas para adaptar, mas poucas. Deram um rosto à polícia, o Selton Mello. Também tem o Wagner Moura como o autor da carta que eles encontraram no lixão. O padre Juilliard é o Martin Sheen, e a irmã Olivia é a Rooney Mara.

Não resisti e vi esse filme.


O Gardo e o Rato até ficaram parecidos. O Raphael ficou com o cabelo menos liso, mas O.K., valeu assim mesmo. De resto, eram eles. Os mesmos sorrisos, os mesmos olhares. Os três garotos do lixão de Behala, ou do Rio de Janeiro, ou de Belo Horizonte, ou de São Paulo, ou de qualquer outro lixão que transforma a vida em uma luta e onde o amanhã só é visto por um dia, uma vez que não se sabe se estará vivo quando amanhecer.


Saí do cinema com um sorriso no rosto e uma lágrima de saudades.

“Aprendi mais do que seria possível aprender em qualquer faculdade. Aprendi que o mundo gira em torno de dinheiro. Há valores, virtudes e morais; há relacionamentos, confiança e amor - tudo isso importa. No entanto, o dinheiro é mais importante, e pinga o tempo todo, como se fosse água. Alguns bebem muito dessa água; outros passam sede. Sem dinheiro, você encolhe e morre. A falta de dinheiro cria um deserto onde nada cresce. Ninguém sabe o valor da água até morar em um lugar árido e seco - como Behala. Tantas pessoas moram lá, esperando a chuva chegar.”


Carlos H. Barros
Carlos H. Barros

Carlos tem várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamenta o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco -, e não saber desenhar. Autor também do blog Gettub

6 comentários:

  1. Carlos, tenho que comentar: que resenha perfeita!
    Adorei sua criatividade, quando percebi tinha acabado de ler a resenha e queria saber mais. Parabéns!

    Beijos, Ju

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    1. Nossa, obrigado!!! É demais saber q gostou!!! Acho que fiquei meio envergonhado...rsss Se puder, leia o livro... dá pena ser tão pouco conhecido. Fiquei bobo ao descobrir que a primeira edição só teve 3.000 exemplares. Quando comprei, só encontrei ele na Amazon. Não sei se agora está disponível em outros lugares. Espero que sim!

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  2. Oie Carlos =)

    Não conhecia o livro e nem o filme, mas fiquei muito curiosa.
    Adoro essas história mais reais que conseguem deixar a gente emocionado e ao mesmo tempo cheio de questionamentos.

    Parabéns!

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary


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    1. Obrigado, Ane! Acho que o filme ainda está em cartaz, aproveita! ;)

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  3. Oi Carlos
    Concordo com a Ju, sua resenha está perfeita, e uauu me deixou curiosa para ler o livro. Quero saber da menina e o desfecho final. Adoreii!!

    Beijos

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