Schroder - Amity Gaige

Créditos da Imagem: Pausa para um café
Sinopse: Um folheto de divulgação de uma colônia de férias exibe meninos americanos felizes e integrados. Para se tornar um deles, o adolescente Erik, que deixou a Alemanha Oriental rumo aos Estados Unidos aos cinco anos, acredita que deve ter um inglês impecável e sem sotaque, uma história familiar enraizada nos Estados Unidos e o sobrenome Kennedy. Ao se inscrever na colônia de férias, Erik Schroder assumirá uma nova identidade, romperá com seu passado, e, talvez tarde demais, descobrirá quanto se tornou refém da própria mentira. E então nem mesmo uma filha e o casamento dos seus sonhos poderão ajudá-lo. (Skoob)
GAIGE, Amity. Schroder. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 2014. 272 p.

Comprei Schroder, de Amity Gaige, mais pela capa do que pela promessa da sinopse. Não que a sinopse não fosse boa, mas a capa trouxe consigo um mistério e uma beleza que, por si, superaram qualquer sinopse. Ao adicionar o livro na minha estante no Skoob, porém, percebi que pouquíssimas pessoas chegaram a ler a obra. Como estou me sentido uma criança em razão das perguntas mais tolas que me atiçam a curiosidade - aguçada pelos detalhes aparentemente mais irrelevantes - quis entender o porquê por trás de tudo isso - da capa, da sinopse, das poucas leituras. E terminei Schroder com mais perguntas do que respostas.

Amity Gaige tem uma escrita impecável. A desenvoltura com as palavras é perceptível logo nas primeiras páginas, as quais nos sugam para dentro da história com uma rapidez impressionante. A divisão do livro em capítulos curtos contribui para a celeridade da leitura: com poucas frases, a autora consegue nos contar muitas coisas, fazer reflexões profundas, demonstrar fatos e sentimentos. É concisa, sem ser superficial.

A construção do texto em primeira pessoa só nos permite conhecer Erik - e os outros personagens pelo ponto de vista de Erik. Trata-se de um relato do próprio protagonista tentando explicar os motivos pelos quais fez o que fez, todos sempre relacionados ao sentimento de orgulho, de amor, de medo. Por isso, essa construção nos permite conhecer Erik em todas as suas nuances, entendê-lo no seu desacerto, visualizá-lo no seu desespero e não julgá-lo, por mais equivocado e imoral que seja o seu comportamento. Roubar um carro, sequestrar sua filha e fugir não são as atitudes mais racionais - mas quem falou em racionalidade?

"E ele ainda se pergunta o que teria acontecido se eles tivessem conseguido manter isso, se eles tivessem conseguido ficar apaixonados daquele jeito, talvez pudessem ter ido para uma espécie de casulo, um lugar onde o amor deles encontrasse a permanência. Porque, no fim, as grandes forças antagônicas da nossa existência não são vida versus morte (o noivo acreditava nisso), mas sim amor versus tempo. Na maioria das vezes, o amor não sobrevive à passagem do tempo. Mas, às vezes, sobrevive. Tem que sobreviver, às vezes."

Erik Kennedy nem ao menos se chama Erik Kennedy. Toda a sua vida foi construída com base em uma mentira - uma mentira que inicialmente parecia inocente, pois ele era apenas um garoto que queria pertencer a algum lugar, ser alguém. Só que a mentira tomou tamanha proporção que já não podia ser desfeita, e tudo aquilo que pudesse ameaçá-la tinha de ser mantido longe - inclusive seu próprio pai.

Schroder conseguiu mexer comigo de uma forma que eu talvez não consiga explicar. Porque eu torcia por Erik, queria que ele fosse compreendido, queria que ele pudesse sair do lodo no qual ele parecia se afundar cada vez mais. Só que, a cada passo, ele se comprometia cada vez mais, se perdia cada vez mais. E a minha frustração foi imensa quando eu cheguei na última página e vi que não haveria mais nada depois dela.

Depois de concluir a leitura, li algumas resenhas a respeito do livro. Em uma delas, descobri que a obra é baseada na história real de Clark Rockefeller, e isso trouxe todo o sentido que faltava ao livro. Não cheguei a conferir se havia alguma referência a isso no livro escrito pela autora, mas eu finalmente pude compreender por que o livro terminou da maneira como terminou, visto que, se o caso do próprio Clark não estava definido quando a autora escreveu o livro, como ela poderia decidir o que teria acontecido a Erik?

Schroder é uma leitura fantástica, envolvente e que te faz derrubar preconceitos bastante arraigados sobre lógicas e princípios, especialmente porque, quando se fala de vida e de amor, é difícil impor ao outro o que se concebe ser certo ou errado.


Ju - Conjunto da Obra
Ju - Conjunto da Obra

Apaixonada pela leitura desde a infância, tantos livros lidos que é impossível quantificar. Alguém que vê os livros como uma forma de viajar o mundo e lugares mais incríveis que possam ser criados pela imaginação, sem precisar sair do lugar. Tem o blog como uma forma de dividir experiências e, principalmente, as emoções que as leituras despertaram, para compartilhar idéias e aproveitar sugestões de leitura, envolvendo mais e mais pessoas em um mundo onde a imaginação não tem limites.

8 comentários:

  1. Oi Ju
    Nunca tinha visto este livro, mas essa capa realmente nos deixa curiosos. e é muito linda!!
    Fiquei curiosa para saber mais da história do livro, e é fantástico quando descobrimos algo sobre a obra, ou como no seu caso uma história real. Isso me deixou com mais vontade de ler. Gostei.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com/

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  2. Oi, Ju!
    Nunca tinha visto esse livro, acredita? A capa em si não despertou minha curiosidade como aconteceu com você, mas foi ao ler sua sinopse que fiquei MEGA interessado. Parece ser um livro ótimo. Pelo o que você comentou, a história realmente parece mexer com o leitor.
    Espero poder ler em breve também.
    Abraço!

    "Palavras ao Vento..."
    www.leandro-de-lira.com

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  3. Já tinha visto esse livro e a capa e a sinopse me chamaram a atenção, e agora essa resenha, a primeira que leio dele, me deixou ainda mais interessada em conferi essa história que parece super envolvente.

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  4. Oie Ju =)

    Eu já tinha visto a capa desse livro em alguns blogs, mas a sua é a primeira resenha que leio dele.
    Confesso que imaginava uma história totalmente diferente, em especial por que a capa não chama tanta atenção assim. Agora estou olhando para esse livro com outros olhos e espero poder conhecer a história dele em breve, pois fiquei bastante curiosa.

    Ótima resenha!

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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  5. Oi, Ju! Em primeiro lugar, adorei o blog! Sua escrita flui muito bem nas resenhas. Sobre o livro, fiquei muito atiçada a ler, porque além de adorar um bom mistério/drama, gostei do fato de ser baseado em uma história real! Já adicionei à minha estante no Skoob.

    Beijão, Guta! ♥
    www.opinada.com

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  6. Oi Ju,

    A capa é realmente linda e cativante. Não conhecia o livro, mas sua resenha me deixou curiosa pra conhecer o enredo e descobrir a história do Erik e do Clark na vida real. Também gosto de ler resenhas e a história por trás da obra por meio da visão do autor do livro após terminar uma história. Muitas vezes isso nos torna ainda mais envolvidos e apaixonados pela obra ao final.

    Beijoos

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  7. Olá Ju,


    Esse é mais um livro que fico conhecendo aqui no seu blog, nossa a sinopse me deixou bem curioso e sua resenha ficou ótima e gostei de saber que é baseado em uma história real, vou querer ler com certeza, dica mais do que anotada....bjs.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  8. tenho curiosidade em ler esse livro, parece uma história intrigante, e tem como um ponto a favor que não tenta vitimizar o personagem, só mostra o quão humano ele é. ele fez errado, fez, mas pelo que pude ver, foi mais pelo coração (e a gente muitas vezes tende a ouvi-lo mais que a razão) e ele acabou engolido por isso. a capa passa um romantismo, uma calma que ao ler livro, sabemos que é uma máscara. anotado a dica =)

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