Sequestrados - Robert Crais

Quando Nita Morales contrata Elvis Cole para encontrar sua filha desaparecida, ela não está com medo, mesmo tendo recebido um telefonema pedindo resgate. Ela sabe que é uma farsa, que sua filha está com o cara que Nita chama somente de “aquele garoto” e que eles precisam de dinheiro. Mas ela está errada. A moça e o namorado foram sequestrados por bajadores – bandidos que se aproveitam de outros bandidos, profissionais da fronteira que se aproveitam não só de vítimas inocentes, mas um do outro. Eles roubam drogas, armas e pessoas – comprando e vendendo vítimas como mercadorias, e matando aqueles que não geram negócio. Elvis Cole e Joe Pike encontram o local onde o casal foi sequestrado. Há marcas de pneus, cápsulas de balas e manchas de sangue. Eles sabem que as coisas podem não ser tão ruins quanto parecem. Mas eles também estão errados, porque a situação está prestes a piorar. O próprio Cole é sequestrado quando, à paisana, localiza os dois jovens e tenta compra-los de volta. E agora cabe a Joe Pike refazer os passos de Cole, infiltrando-se no duro e perigoso mundo do tráfico de pessoas para encontrar seu amigo.O problema é que pode ser tarde demais... 
CRAIS, Robert. Sequestrados. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2015. 304 p.

Não sou muito de ler romances policiais. Não que eu ache o gênero ruim, mas nenhum livro desse tipo nunca conseguiu me prender de verdade e podem ter certeza que eu tentei, e tentei muito. Já abandonei muitos livros da Agatha Christie (por favor, não me julguem) e gostei bem mais ou menos de algumas histórias do Sir Arthur Conan Doyle. Justamente por esses motivos comecei a leitura de Sequestrados bem despretensiosamente, quase que por obrigação. Apesar de não ter sido uma leitura 100%, posso dizer que me surpreendeu bastante. 

O livro começa nos apresentando o casal Jack e Krista, que foram sequestrados por bajadores (pessoas que roubam imigrantes ilegais dos coiotes) junto a um grupo de imigrantes ilegais apenas pelo fato de estarem no lugar errado, na hora errada. Após algum tempo após o sequestro, a mãe de Krista, Nita Morales, resolve contratar Elvis Cole (o melhor detetive do mundo) para encontrar a sua filha. 

Elvis Cole descobre, então, que o que Nita achava ser apenas uma brincadeira de adolescentes é algo muito maior e mais perigoso do que eles mesmos imaginam. Sendo assim, Cole se junta com o seu companheiro Joe Pike para encontrar Krista e Jack, a todo custo. Salvar os dois se torna prioridade assim que Cole e Pike descobrem sobre a quadrilha de tráfico humano.

A obra é narrada sobre diversos pontos de vista que se alternam entre Elvis Cole (o único em primeira pessoa), Jack e Krista e alguns parceiros que Cole conseguiu para o ajudarem na missão. Há também as famosas mudanças temporais, que foram muito bem sinalizadas, portanto não causam nenhum tipo de confusão. A narrativa é tão fluida que não conseguia me desgrudar do livro e sofria quando tinha que interromper a leitura. Se eu não tivesse na casa da minha tia que tem criança pequena (e eu adoro criança pequena), com certeza teria lido tudo em uma sentada. 

"— E se o seu amigo não conseguir nos encontrar?
— Ele vai. Há certas pessoas que nunca deixam você na mão."

Fazendo algumas pesquisas para a resenha, descobri que Sequestrados não é o primeiro livro com os personagens Elvis Cole e Joe Pike, e sim o 15º. Na verdade, foram lançados 16 livros com os personagens, mas apenas Sequestrados e Suspeitos foram publicados aqui no Brasil, ambos pela Companhia Editora Nacional. Ler os livros fora de ordem aparentemente não atrapalha no entendimento da história, mas gostaria muito de ter lido a série completa, desde o primeiro. 

Sequestrados é um romance de tirar o fôlego. Me senti um pouco retraída nas cenas mais pesadas, geralmente as do ponto de vista de Krista ou Jack que retratava o cativeiro. Se preparem pois há bastante morte e sangue, algumas coisas narradas com muitos detalhes. Gostei muito de toda a história porque sabemos que essas coisas realmente acontecem, mesmo que no livro tenha sido totalmente inventado. 

Ah, vocês me desculpem, mas não consegui não sentir ódio de Krista o tempo todo, porque para mim a culpa de os dois terem sido sequestrados foi dela. Tudo bem, ela não podia imaginar que daria de cara com bajadores em uma noite qualquer, mas o tanto de hora que ela fez dava para eles terem saído ilesos. Para vocês terem ideia, ela ficou parada tirando fotos da situação enquanto Jack chamava por ela!

Se estiverem procurando um livro com a história marcante, Sequestrados está mais que indicado. Tem suspense do início ao fim e o romance não se torna o foco da narrativa em nenhum momento. Apesar do final um pouco corrido, tive aquela sensação que eu mais amo em uma leitura: a sede de saber o que acontecerá com os personagens no final. 


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Leituras do Mês: Julho


Eu achei que em Julho eu iria arrasar e teria uma pilha de leitura para mostrar para vocês tipo aquela que eu mostrei em janeiro, com oito livros ou mais, já que eu estava de férias. Mas não foi bem assim, infelizmente. Minha TBR da Maratona Literária de Inverno foi quase inteira abandonada, já que surgiram outros livros que eu queria ler e deixei alguns daqueles de lado, mas li alguns deles também. O problema foi que eu queria assistir tantos filmes e séries que estavam na minha lista do Netflix que as leituras ficaram em segundo plano.

No total, foram quatro livros lidos, o que eu não acho exatamente ruim, mas esperava ter lido mais. Em compensação, todas as leituras que fiz foram incríveis, ótimas, maravilhosas e eu amei <3 rsrs

Em formato impresso, li Estação Onze, que já tem resenha no blog, Delírio, que eu pretendo comentar em breve, e Lugares Escuros, que tem resenha e promoção publicadas.

Li ainda Plutão, em formato digital, e fiquei apaixonada por essa fofura. A resenha também já está disponível aqui.

Acho que Agosto pode render um pouco também, já que minhas aulas recomeçam na próxima semana, mas o primeiro mês é sempre mais tranquilo.

E para vocês, como foram as leituras durante o mês?

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Promoção: Lugares Escuros


Quando consultei os leitores do blog sobre alguns dos livros que gostariam de ler no Facebook, grande parte me respondeu que tinha curiosidade de conhecer Lugares Escuros, da autora Gillian Flynn. Eu li o livro há alguns dias e publiquei a resenha na última semana, neste link.

E agora, em parceria com a Editora Intrínseca, o Conjunto da Obra vai poder sortear um exemplar deste ótimo livro para um de vocês.

Para participar é simples! Basta seguir o blog Conjunto da Obra pelo Google Friend Connect (clicar em "Participar deste site" na barra lateral direita) e preencher essa entrada no formulário. Depois, várias outras entradas serão abertas, para quem quiser ter ainda mais chances.

a Rafflecopter giveaway

As inscrições serão feitas por meio da ferramenta Rafflecopter. Para os que ainda têm dúvidas sobre como utilizá-la, podem ver este tutorial aqui. As inscrições são válidas até dia 20 de agosto, e o resultado será divulgado em até 3 dias, neste mesmo post. 

Após o resultado, o Conjunto da Obra entrará em contato com o vencedor por e-mail, que deverá ser respondido em até 48 horas. O exemplar será remetido pela Editora Intrínseca.

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Top Comentarista - Agosto + Resultado


Gente, eu adorei a participação de vocês no Top Comentarista de Julho. Adorei mesmo! Estou contando com vocês de novo em Agosto, pode ser? rsrs

Para se inscrever é preciso:
  • Ter endereço de entrega em território Brasileiro.
Serão cinco títulos disponíveis:
1. Maximum Ride: Projeto Angel;
2. Todo Dia;
3. O amor mora ao lado;
4. Sonhos Despedaçados;
5. Alma Menina.

  • Para participar basta preencher qualquer entrada no formulário Rafflecopter abaixo. A primeira entrada (qualquer uma) me mostrará o interesse do participante de concorrer aos prêmios.
  • Serão dois comentaristas premiados. O primeiro vencedor escolherá um dos livros da promoção para receber em casa; o segundo vencedor escolherá outro livro entre os restantes.
  • O primeiro vencedor será selecionado pela quantidade de entradas no formulário. Cada divulgação ou participação por seguir o blog em alguma rede, por exemplo, valerá uma entrada de 1 ponto cada. As entradas de comentários, no entanto, valerão 3 pontos cada. A pontuação será calculada automaticamente pelo Rafflecopter, basta preencher uma vez a cada atividade realizada.
  • Serão válidos comentários de 1 de agosto a 2 de setembro, incluindo nesta postagem e na que foi ao ar ontem.
  • Só serão aceitos comentários com conteúdo, que demonstrem que a publicação foi lida.
  • Será válido apenas um comentário por participante em cada nova postagem do blog.
  • O formulário ficará aberto até o dia 2 de setembro, para que os participantes possam comentar também nas últimas postagens do mês.
  • É imprescindível que o formulário seja preenchido a cada participação, seja por comentário ou por divulgação, já que somente com base nele farei a contagem de pontos.
  • Ao final do prazo, será apurada a pontuação de cada participante. Aquele que tiver mais pontos por participação preenchidos no formulário, será o primeiro vencedor.
  • Caso os dois participantes que alcancem mais pontuação tenham até 10 pontos de diferença, serão eles os presenteados, por ordem de pontuação. Se a pontuação for a mesma, será definida a ordem de escolha dos prêmios por sorteio. Caso mais de 2 participantes alcancem a mesma pontuação, serão sorteados, entre eles, os vencedores.
  • Se a diferença de pontuação entre o primeiro colocado e o segundo colocado ultrapassar 10 pontos, o primeiro colocado terá direito à escolha do prêmio; o segundo premiado será sorteado entre todos os outros participantes.
  • Por isso, quanto mais participarem, maiores serão as chances de levar prêmios, ok?


a Rafflecopter giveaway

  • Os livros serão enviados aos ganhadores em um prazo de 40 dias úteis após o recebimento dos dados.
  • O Conjunto da Obra não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador e os livros não serão enviados novamente;
  • O ganhador terá o prazo de 24h para responder ao e-mail que lhe será enviado;

Foram 6 participantes do Top Comentarista de Julho e, como já comentei, fiquei bem feliz com a participação de todos.

Dos participantes, cada um obteve a seguinte pontuação:


Amanda Oliveira - 7
Ana Lucia - 83
Mariele Antonello - 92
Milena Soares - 100
Letícia Souza - 34
Vanessa Pereira - 6

Gente, teve gente que se inscreveu e comentou em todas as postagens do mês, mas as regras diziam que só seria contada a pontuação pelo Rafflecopter, que esqueceram de preencher. Eu sinto muito por isso, mas não posso fazer de uma forma para alguns participantes e de outra para outros. Fico bem triste de não poder considerar a pontuação, mas espero que me entendam, tá?

Pelas regras, aquele que alcançasse maior pontuação, seria o primeiro premiado. E pelo terceiro mês consecutivo a premiada será a Milena

Ainda de acordo com as regras, se a diferença entre o primeiro e o segundo colocado não ultrapassasse 10 pontos, o segundo colocado automaticamente levaria o prêmio. E foi o que aconteceu: Parabéns Mariele, e muito obrigada pela participação!

Meu muito obrigada a todos que participaram, espero poder enviar um prêmio para todos logo, ok?


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Penadinho: Vida - Paulo Grumbim e Cristina Eiko


Sinopse: Sétimo título do selo Graphic MSP, em que quadrinhistas convidados reinterpretam os clássicos personagens de Mauricio de Sousa, em seus próprios estilos. Os responsáveis pela releitura, desta vez, são Paulo Crumbim e Cristina Eiko, que construíram uma trama que mescla aventura, humor, romance e suspense, com desenhos lindos. Na trama, Alminha vai reencarnar. E Penadinho nunca teve coragem de dizer que ela é o amor da sua... morte! Pra piorar, a fantasminha sumiu e precisa ser encontrada até o amanhecer, quando a Dona Cegonha a levará. Os autores reimaginam os personagens criados por Mauricio de Sousa de forma terna, apaixonante e divertida. O texto de quarta capa da edição é assinado pelo roteirista e diretor Luiz Bolognesi, do ótimo Uma História de Amor e Fúria. Além disso, o álbum traz esboços, a biografia de Crumbim e Eiko e uma matéria com a primeira aparição dos personagens nas tiras de jornais e revistas. (Skoob)
CRUMBIM, Paulo e EIKO, Cristina. Penadinho: Vida. Panini, 2015. 82 p.

Para mim, Penadinho sempre teve um fascínio especial dentro do universo da Turma da Mônica. Por ser fã de histórias de terror, a turminha do cemitério, junto com as cores mais sóbrias e, por vezes, escuras, puxavam mais meu interesse do que os planos infalíveis do Cebolinha para pegar o Sansão.

Dois anos atrás, quando começaram a publicar os álbuns escritos e desenhados por convidados de Maurício de Souza, fiquei animado ao saber que Penadinho seria um desses personagens reinventados. E ansioso. Esperava que criassem algo que correspondesse à atmosfera sombria dos quadrinhos originais.


Felizmente, Paulo Crumbim e Cristina Eiko foram muito além de minhas expectativas. Tanto na parte do roteiro, como na parte gráfica. Seguindo a linha dos clássicos de terror, eles uniram o romance ao suspense, acrescentaram alguns novos personagens e criaram uma sequência de perseguição que transmite urgência e causa ansiedade para se chegar à conclusão. Isso sem mencionar o medo dos dois personagens principais, Penadinho e Alminha, não ficarem juntos no final, que, não por acaso, é muito lindo!


O carisma dos personagens clássicos foi mantido, inclusive o humor entre suas desavenças, próprias de amigos de longa data. As cores são sempre escuras ou, no máximo, sóbrias, jogando com sombras nos rostos e com cenários de uma única cor, mudando apenas a tonalidade. Isso destaca os personagens, sem tornar os quadrinhos pobres. É uma técnica belíssima e muito eficiente.

Apesar de serem personagens de terror (um fantasma, um monstro, um vampiro, uma múmia e um lobisomem), todos apresentam a mesma personalidade inocente, sem perder a nobreza e a seriedade nos momentos em que precisam entrar em ação para se salvarem, ou salvarem seus amigos.


O vilão da história não traça nenhum plano mirabolante, mas, mesmo assim, e talvez por isso, não decepciona. Ele assusta na medida certa e a forma como é derrotado não desaponta, apesar da facilidade. Ao contrário do normal, ele não esperava ser confrontado. Não havia nenhum oponente conhecido para suas artimanhas. Então é compreensível o quanto ele estava despreparado para enfrentar a turminha do cemitério.


Os dois capangas dele são personagens curiosos e os mais assustadores da história. Isso, porque não possuem uma linha de caráter, por serem estúpidos, burros mesmo. Assim, o que fazem, fazem sem pensar, sem pesarem as consequências, e isso é sempre assustador, porque não há o que dialogar, não existe forma de convencimento, a não ser que se apresente para eles um interesse diferente que os desmotive a continuar. Achei a presença dos dois, ameaçadora.

Por fim, somos presenteados com algumas páginas que demonstram como foi a criação de Penadinho: Vida. Não é muita coisa, mas é o suficiente para entender a complexidade existente em se criar uma pequena peça de arte.


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Lugares Escuros - Gillian Flynn

Libby tinha sete anos quando a mãe e as duas irmãs foram assassinadas no "Sacrifício a Satanás de Kinnakee", no Kansas. Enquanto a família jazia agonizante, Libby fugiu da pequena casa da quinta onde viviam e mergulhou na neve gelada de janeiro. Perdeu alguns dedos das mãos e dos pés, mas sobreviveu e ficou célebre por testemunhar contra Ben, o irmão de quinze anos, que acusou de ser o assassino.
Passados vinte cinco anos, Ben encontra-se na prisão e Libby vive com o pouco dinheiro de um fundo criado por pessoas caridosas que há muito se esqueceram dela.
O Kill Club é uma macabra sociedade secreta obcecada por crimes extraordinários. Quando localizam Libby e lhe tentam sacar os pormenores do crime (provas que esperam vir a libertar Ben), Libby engendra um plano para lucrar com a sua história trágica. Por uma determinada maquia, estabelecerá contacto com os intervenientes daquela noite e contará as suas descobertas ao clube... e talvez venha a admitir que afinal o seu testemunho não era assim tão sólido.
À medida que a busca de Libby a leva de clubes de striptease manhosos no Missouri a vilas turísticas de Oklahoma agora abandonadas, a narrativa vai voltando atrás, à noite de 2 de janeiro de 1985. Os acontecimentos desse dia são recontados através da família de Libby, incluindo Ben, um miúdo solitário cuja raiva contra o pai indolente e pela quinta a cair aos pedaços o leva a uma amizade inquietante com a rapariga acabada de chegar à vila.
Peça a peça, a verdade inimaginável começa a vir ao de cima, e Libby dá por si no ponto onde começara: a fugir de um assassino.
FLYNN, Gillian. Lugares Escuros. Intrínseca: 2015. 352 p.

Quando li Objetos Cortantes, de Gillian Flynn, vi-me totalmente atormentada pelo enredo, mas ainda mais envolvida com os mistérios e acontecimentos que pareciam me jogar de um lado para o outro e que não me deixavam elaborar um julgamento moral, porque simplesmente não havia a quem culpar. Em Lugares Escuros, percebi várias impressões do texto de Flynn já presentes no livro anterior, suas marcas aqui e ali, mas são leituras completamente diferentes, ambas incrivelmente fantásticas.

Libby Day é, assim como Camille Preaker era, mentalmente perturbada. Ambas as personagens são repulsivas e cheias de características que geralmente fazem os leitores rejeitar os personagens, mas, de alguma forma, conseguem nos cativar, mesmo assim. São aquele tipo de pessoas que você provavelmente nunca daria um abraço, mas sabe que poderia contar e - por que não? - selaria o compromisso com um aperto de mão. As semelhanças entre as personagens, porém, não vão além disso.

Libby é detestável, como ela mesma se define. Ela é preguiçosa, mal humorada e age como uma adolescente, só que já tem mais de 30 anos. Ainda assim, é fácil e rápido criar um vínculo com a personagens, e queremos, tanto quanto ela, entender o que aconteceu para aceitar um pouco de paz. Por isso, torcemos por Libby, mesmo que não tenhamos a intenção de fazer isso.

Além disso, é impossível julgá-la: toda a sua família foi brutalmente assassinada quando ela tinha apenas sete anos, e Libby é a única testemunha do crime. Pior: ela teve de testemunhar contra seu único irmão ainda vivo, Ben. O quanto isso pode traumatizar e influenciar no desenvolvimento de uma pessoa?

"Eu tenho uma maldade dentro de mim, tão real quanto um órgão. Corte minha barriga e talvez ela escorra para fora, viscosa e escura, e caia no chão para que você possa pisar nela. É o sangue dos Day. Há algo de errado com ele. Nunca fui uma boa menina e piorei depois dos assassinatos [...]"

A maneira como o livro foi organizado não é uma técnica literária nova, mas traz uma dinâmica que o torna praticamente excruciante para o leitor. A cada capítulo narrado em primeira pessoa, no presente, por Libby, segue-se outro, em terceira pessoa, pelo ponto de vista de Patty Day, mãe de Libby, ou de Ben, que contam os acontecimentos daquele dia que culminou na morte da família Day.

Assim, enquanto Libby sai da mesmice, busca pistas para o Kill Club em troca de dinheiro e começa a perceber que Ben pode não ser o único responsável pela morte de sua família, o leitor acompanha, pelos flashbacks, o quanto de má sorte e de decisões erradas levaram àquele resultado tão extremo. O vai e vem entre passado e presente é tenso, é desgastante, porque não é possível largar a leitura até que se descubra exatamente o que aconteceu, o que, é claro, só é revelado nos últimos capítulos.

"De qualquer forma eu não saberia cuidar de uma fazenda. Tenho lembranças do lugar: Ben atravessando a lama fria de primavera, espantando bezerros do caminho; as mãos grossas de minha mãe afundando nas sementes cor de cereja que se transformariam em sorgo; os guinchos de Michelle e Debby saltando sobre os fardos de feno no celeiro; 'Coça!', Debby sempre reclamava, depois pulava de novo. Nunca posso alimentar esses pensamentos. Classifiquei essas lembranças como se fossem um lugar particularmente perigoso: um lugar escuro. [...]"

Há algo sinestésico nos livros de Flynn, ela desperta os sentimentos mais conflitantes e eu não sei explicar como isso é bom. Suas obras são viciantes e perturbadoras, e acredito que isso se deve ao fato de que a autora tem a capacidade magistral de fugir daquilo que é comum. Os personagens nunca são óbvios, eles têm faces, algumas boas, outras não. São pessoas, geralmente traumatizadas, feridas e assustadas - e quando pessoas passam por situações assim, sua melhor defesa é o ataque; e é isso que Libby faz.

Lugares Escuros não é uma leitura fácil. Por outro lado, não é tão difícil também. Por mais tensa que seja, largar na metade não é uma opção, porque, apesar de tanta dor e tristeza, o que perturba mais é o não saber, a possibilidade da injustiça. E com todos os finais que eu imaginei, Gillian Flynn conseguiu me surpreender. Mais uma vez.

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Estação Onze - Emily St. John Mandel

Sinopse: Certa noite, o famoso ator Arthur Leander tem um ataque cardíaco no palco, durante a apresentação de Rei Lear. Jeevan Chaudhary, um paparazzo com treinamento em primeiros socorros, está na plateia e vai em seu auxílio. A atriz mirim Kirsten Raymonde observa horrorizada a tentativa de ressuscitação cardiopulmonar enquanto as cortinas se fecham, mas o ator já está morto. Nessa mesma noite, enquanto Jeevan volta para casa, uma terrível gripe começa a se espalhar. Os hospitais estão lotados, e pela janela do apartamento em que se refugiou com o irmão, Jeevan vê os carros bloquearem a estrada, tiros serem disparados e a vida se desintegrar.
Quase vinte anos depois, Kirsten é uma atriz na Sinfonia Itinerante. Com a pequena trupe de artistas, ela viaja pelos assentamentos do mundo pós-calamidade, apresentando peças de Shakespeare e números musicais para as comunidades de sobreviventes.
Abarcando décadas, a narrativa vai e volta no tempo para descrever a vida antes e depois da pandemia. Enquanto Arthur se apaixona e desapaixona, enquanto Jeevan ouve os locutores dizerem boa-noite pela última vez e enquanto Kirsten é enredada por um suposto profeta, as reviravoltas do destino conectarão todos eles. Impressionante, único e comovente, Estação Onze reflete sobre arte, fama e efemeridade, e sobre como os relacionamentos nos ajudam a superar tudo, até mesmo o fim do mundo. (Skoob)
MANDEL, Emily St. John. Estação Onze. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015. 320 p.

Como você se sentiria se o mundo que você conheceu simplesmente deixasse de existir? Do que sentiria mais falta?

99,9% da população mundial morreu com o surto de uma gripe altamente contagiosa e letal e, em pouco tempo, não havia mais energia elétrica, água encanada, sinais de telefone, internet. Os aviões deixaram de decolar e a gasolina estragou em pouco tempo, então também não havia mais carros e motores. É nesse "novo" mundo que se passa a história de Estação Onze, de Emily St. John Mandel.

Diferente de qualquer outro livro pós apocalíptico que eu já li, Estação Onze não é assustador, não traz aquele desespero comum em obras do gênero, que nos fazem sentir como se não existisse solução a não ser simplesmente sobreviver. Talvez por essa característica, ou pela ausência dessa característica, seja tão difícil definir a obra. Enquanto lia, eu percebia nas entrelinhas uma esperança infinita, uma vontade de fazer daquela nova vida uma vida.

"Todos os trailers da Sinfonia Itinerante estão assinalados com esse nome, 
SINFONIA ITINERANTE grafado em letras brancas dos dois lados, mas o trailer da frente leva dizeres adicionais: Porque sobreviver não é suficiente."

O enredo se passa vinte anos depois da doença, e a passagem desse tempo foi essencial para demonstrar que os que sobreviveram - e alguns que, inclusive, nasceram naquela nova realidade - puderam se habituar ao "mundo novo". Intercalados a esses trechos, outros narravam momentos de alguns personagens naquele período em que doença alcançava grandes proporções.

No novo presente, acompanha-se Kirsten e a Companhia Intinerante, que viaja de cidade em cidade para levar arte; nos outros capítulos, sabe-se o que aconteceu aos outros personagens que tinham caminhos entrelaçados, como Arthur, Clark, Miranda, Elizabeth e Jeevan.

"Vinte anos após a calamidade, eles continuavam viajando para cima e para baixo, pelas margens dos lagos Huron e Michigan; para oeste, chegando até Traverse City; a leste e ao norte, além do paralelo 49, até Kincardine. [...] A Sinfonia apresentava músicas - clássica, jazz, arranjos orquestrais e canções pop anteriores à calamidade - e Shakespeare. Às vezes, nos primeiros anos, apresentavam peças mais modernas, porém, o que era espantoso, o que ninguém poderia prever, era que o público parecia preferir Shakespeare aos demais espetáculos teatrais.
- As pessoas querem o que houve de melhor no mundo - dizia Dieter."

O importante na obra não era o que aconteceria depois de toda aquela devastação, mas o que havia acontecido de fato. Mandel interpôs, com sutileza, sua visão sobre o que esperaria das pessoas, a capacidade que teriam de superar e se adaptar, independente da dor que as mudanças tivessem causado. Também não era importante o que teria causado aquela calamidade. Em momento algum se fala sobre isso.

Estação Onze aborda, na verdade, relacionamentos e a importância que se dá atualmente a coisas voláteis, como a fama e o dinheiro e que, de uma hora para outra, podem não fazer mais diferença alguma. É o tipo de leitura que faz refletir sobre o que está escrito e o que está nas entrelinhas. Arthur é o maior exemplo da grande mensagem que a autora quis passar, e seu último capítulo ilustra fielmente que existem coisas maiores que a efemeridade. E que, ao mesmo tempo, tudo é efêmero, e depende de nós fazer valer a pena.

Eu não consegui largar o livro quando comecei, e até agora sinto a chama da esperança acesa em mim. Porque não importa quão grandes sejam os problemas, não importa a dimensão da devastação, é preciso seguir em frente, sobreviver e, ainda mais importante, viver. Dr. Onze e sua Estação Onze são as maiores provas disso.

















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Novidades #108: Autores Nacionais

Vocês têm percebido que eu tenho divulgado várias novidades nacionais nas últimas semanas?

Pois é, é que eu tenho recebido tanta coisa legal por e-mail que quero compartilhar tudo com vocês, isso sem contar com as novidades que aparecem todos os dias nas redes sociais.

Hoje tenho duas novidades para mostrar para vocês, vamos lá?
O autor Peterson Silva, parceiro do blog, lançou há alguns dias o segundo volume da série Controlados, intitulado A Guerra da União. O primeiro volume, A Aliança dos Castelos Ocultos, já havia sido resenhado aqui no blog. Os dois livros estão disponíveis para download grátis no site da série.

Porém, para os leitores que gostam de livros físicos, o autor tem outra novidade: agora os livros podem ser comprados na versão impressa. O primeiro volume, com versão ampliada, e o segundo, podem ser encontrados no Bookess.

Na série Controlados, a magia está em todo lugar. Os magos podem alterar os seus sentimentos, os seus pensamentos ou as suas atitudes.

Não se pode confiar em ninguém.

No segundo volume da série, A Guerra da União, Desmodes é o novo mago-rei e seu objetivo é claro: unir Heelum. Mas nem todas as cidades estão de acordo com os termos da união, e vão lutar até o fim para não ceder aos mandos do novo mestre.

A segunda divulgação de hoje é sobre o livro A morte e os seis mosqueteiros, do autor Anatole Jelihavschi, publicado recentemente pela Editora Jaguatirica. A obra parece bastante original, com um enredo interessante:

Em seu novo romance policial, Anatole Jelihovschi mergulha fundo no cotidiano das infâncias perdidas, dos relacionamentos partidos, das oportunidades que tantos ainda acreditam distantes demais da realidade.

A morte e os seis mosqueteiros é a história de seis garotos muito amigos de uma favela. Quando crianças, tudo era uma grande brincadeira. Os meninos gostavam de se imaginar nos mundos de capa e espada, ou na peça ‘O fantasma da ópera’, mas na verdade moravam em uma favela violenta, com bandidos e policiais trocando tiros e matando gente. Ainda quando a infância sequer os havia deixado, a violência e o tráfico na comunidade em que viviam, de uma forma ou de outra, acabariam por envolvê- los em uma teia de morte, assassinando seus sentimentos, valores e, principalmente, sua amizade.

 E aí, o que acharam?

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A Cidade de Marshmellow - Talys Cidreira


Sinopse: Yellow Blue cai na piscina de sua casa e é absorvida por um conjunto de Medusas para a Cidade dos Marshmellows, no limite das terras do açúcar com as terras do sal. A pequena garota não sabe como voltar para casa, mas descobre que apenas um coelho pode levá-la de à sua terra. RabittBee, o coelho, está desaparecido e a Páscoa sagrada na terra dos Marshmellows ameaçada. Será Yellow Blue conseguirá encontrar RabittBee e salvar as terras doces? E a garota ainda pode voltar pra casa? Nota do Autor: A Cidade dos Marshmellow nada mais é que uma figura da imaginação humana recheada de elementos fictícios que nos fazem refletir sobre a realidade. Os problemas sociais que os alimentos naturais como o açúcar e o sal podem causar, tornaram-se alienados dentro da sociedade que busca uma vida cada vez mais saudável. Já imaginou parar num mundo onde tudo é feito de doce? Ou em um mundo onde tudo é feito de sal? Esses dois elementos estão presentem em nossas vidas e ao mesmo tempo em que são essenciais, tornam-se perigosos dependendo da quantidade a ser ingerida. O que falar do paladar, um dos seis sentidos existentes. É simplesmente maravilhoso colocar na boca um alimento e apreciar o seu sabor. A Cidade dos Marshmellow é um critica construtiva desses elementos da natureza. (Skoob)

CIDREIRA, Talys. A Cidade de Marshmellow. Giostri, 2015. 90 p.

Uma história infantil não deve ter apenas a função de entretenimento para uma criança. Ela precisa conter uma lição, uma moral, uma mensagem bem definida que sirva para educar ou alertar. Assim é em A Cidade de Marshmellow. Em seu aniversário, a pequena Yellow Blue cai na piscina de sua casa e, ao afundar, é sugada para um mundo de açúcar e sal, povoado por incríveis criaturas coloridas.

RabittBee, o coelho responsável pela fábrica SweetSweet de ovos de Páscoa, que contém o segredo da vida, e o único que conhece a forma de Yellow Blue voltar para seu mundo, desapareceu. Suspeita-se que está preso na Terra do Sal, mas ninguém se habilita para ir procurá-lo.

"As Terras do Sal estavam localizadas depois das Terras do Mel, onde moravam as guardiãs abelhas. Quando Yellow Blue caiu na piscina em seu mundo, ela mergulhou nas Terras do Sal que ficam dentro do mar e foi salva pelos habitantes de lá, as medusas."

Yellow Blue decide seguir as pistas atrás do coelho e, pelo caminho, conhece vários personagens que ajudam-na nessa tarefa, como PinkWee, uma borboleta de açúcar com cheiro de frutas vermelhas; ViolettMig, uma gatinha rajada de laranja e amarelo, com olhos meigos e bravos de coloração azul escuro; OrangeLee, uma coruja de olhos castanhos; PurpleWee, um cavalo-marinho azul com asas transparentes; e RabittQee, o coelho de olhos vermelhos, irmão do desaparecido RabittBee.

Obviamente, em um mundo feito de açúcar, com casas em formato de cupcake, rios de chocolate branco, florestas de pirulitos, estradas de caramelo, escadas de barras de chocolate, entre outras delícias, a mensagem que o autor deseja passar, e que fica explícita em algumas passagens, é o mal que o excesso de açúcar pode provocar em nosso organismo, como o diabetes. O açúcar é a única fonte de alimento nesse mundo fantástico. Algumas criaturas conseguem produzir enzimas suficientes para transformar o açúcar em proteína, outras não, e acumulam gordura até morrerem. Na Terra de Açúcar não existe insulina para servir de tratamento.

"Continuou caminhando pela estrada, pulando amarelinha sobre os cubos iguais, até que se deparou com um cupcake gigante em formato de casa. O doce tinha uma cereja no alto, em cima do confeite; flocos granulados de chocolate nas laterais; as bordas pareciam fofas como um bolo; as janelas eram redondas, na cor branca, e feitas de marshmallow colorido."

A história é curta, simples, direta, utilizando palavras de fácil entendimento para qualquer criança. Entretanto, ela mantém uma parte apoiada na realidade, e não me refiro apenas à mensagem de que se deve controlar o açúcar para não ficar doente, mas também ao que pode acontecer quando os pais se distraem de olhar suas crianças em festas dentro de casas com piscinas.

O livro pode ser comprado diretamente com o autor. Mais informações, através da página no Facebook.

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Feedback: Pesquisa de Opinião 2015

Olá seus lindos, tudo bem com vocês?

O assunto de hoje é a Pesquisa de Opinião que eu realizei em março deste ano, vocês lembram dela? Pois é, já faz um bom tempo que eu tive conhecimento da opinião de vocês a respeito do blog, e gostei muito de ter feito a pesquisa. Pretendo refazer a experiência em um outro momento.

Desde aquela época, no entanto, não mostrei para vocês os resultados que obtive. Precisei me organizar com as atividades da faculdade, as pendências no trabalho e só agora tive um tempo de parar e elaborar esse feedback para vocês. Peço desculpas pela demora e agradeço muito a participação de todos.

As primeiras perguntas tinham o intuito de saber o perfil dos leitores do blog. A grande maioria está na faixa entre 21 e 30 anos (70%), e 100% das pessoas que responderam têm o hábito de ler todos os dias. 

O bloco de questões seguinte tinha como objetivo compreender o relacionamento dos leitores com os blogs em geral. A maioria respondeu que acessa um blog pela primeira vez pelo conteúdo (voltado para livros, por exemplo), ou pela formatação do blog. Houve respostas também que diziam que chegavam até um blog pelas indicações que recebiam ou pela divulgação realizada nas redes sociais. E todos, sem exceção, afirmaram que continuam a visitar um blog pela qualidade das resenhas e do conteúdo publicados.

Após essa introdução, eu busquei compreender o relacionamento dos leitores com o blog Conjunto da Obra. Foram várias perguntas a respeito do que vocês achavam do conteúdo do blog, da formatação, das colunas, dos colunistas, entre outras. Vou comentar as respostas por tópicos:

  • Tempo que conhecem o Conjunto da Obra: 60% respondeu que conhece há mais de 2 anos e os outros 40% conhecem de 1 a 2 anos.
  • Visitas ao Conjunto da Obra: 60% visita mais de 2 vezes por semana; 20% visita 2 vezes por semana e os outros 20% visita pelo menos 1 vez por semana.
  • Colunas que os leitores mais gostam: Resenhas (100%), Conjuntando (40%) e Leituras do Mês (40%).
  • Colunas que menos gostam: Novidades, Além das Páginas, Especial e Conjuntando, mas cada uma apareceu apenas uma vez.
  • Redes Sociais em que seguem o blog: Facebook (100%), Instagram (80%) e Twitter (80%).
  • O que gostariam de ver no blog: vídeos, mais fotos dos livros e mais promoções.
  • Participação dos colunistas: 100% respondeu que gosta da participação deles.
Em resumo, é isso.
Foi bastante importante para mim ter esse retorno de vocês para saber o que eu estou fazendo certo ou errado. Estou pensando em algumas coisas para trazer mais novidades para o blog, e a Pesquisa contribuiu muito para clarear minhas ideias quanto aquilo que vocês podem gostar mais.

Obrigada por tudo, gente!

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