Conjuntando #66: Um conto de Natal


Nossas vidas são cheias de pequenos momentos que, embora pareçam insignificantes, podem mudar tudo, para você, para mim, para qualquer um. A riqueza de nossa sabedoria, é identificar esses momentos. Leia as pequenas histórias abaixo e, no final, talvez entenda como esses momentos podem ser decisivos.

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Aquela era a penúltima semana antes do fim do ano, e Fernanda estava de recuperação. Faltavam dois dias para as aulas acabarem, e quatro dias para o Natal. Eram sete horas da manhã, e ela teria prova às oito horas.

O vazio de colégio, uma vez que haviam poucos alunos na mesma situação que Fernanda, parecia muito maior do que quando dezenas de garotos e garotas andavam pelos corredores e pátios, conversando e rindo.

Fernanda sentia falta das amigas, como se tivesse sido abandonada. Mas sabia que não era culpa delas, mas de si própria.

Com esse pensamento, ela viu Bianca, uma menina gótica, sentada no chão, encostada na parede, em um canto afastado do pátio. Ela escrevia algo em um caderno, compenetrada, de rosto sério.

Fernanda nunca conversou com Bianca. Não havia um motivo específico. Bianca, simplesmente, por causa de seu estilo, não se encaixava no grupo de Fernanda. Era desajeitada, vestia-se sempre de preto, andava de cabeça baixa, escondia o rosto. Algumas meninas e meninos cochichavam sobre Bianca. Coisas que Fernanda não sabia se eram verdade. Como ela não gostava de boatos, e nem fuxicar a vida dos outros, ignorava.

Mas, naquele momento, Fernanda sentiu o que ela achou que seria a mesma coisa que Bianca sentiu todo o ano: solidão. Então, deu de ombros, cruzou o pátio e sentou-se ao lado de Bianca. No mesmo instante, a garota fechou o caderno e o apertou junto ao peito, sem olhar para Fernanda.

Aos poucos, com alguma dificuldade, Fernanda conseguiu começar uma conversa com Bianca. Assuntos triviais, mas suficientes para conseguirem interagir. Coisas sobre livros, cantores, filmes, séries. Cultura comum a todo jovem, independentemente de sua tribo. E até a hora da prova, as duas já riam juntas, como se o muro imaginários que as separava, nunca tivesse existido. Foram juntas para a sala, e saíram juntas, também.

Não muito longe dali, em uma avenida de trânsito intenso, Victor e Marina, um casal de idosos, andavam apressados, carregando algumas sacolas de compras, cheias de presentes de Natal para os netos.

Um pouco cansados, eles apenas desejavam que o ônibus, que iriam pegar, não estivesse muito cheio, para que pudessem descansar um pouco as pernas. Conversavam e faziam planos de como seria a ceia do dia vinte e quatro.

Quando estavam próximos, viram que o ônibus estava vindo, mas que não parou no ponto, porque este estava deserto. Sabendo que o próximo coletivo iria demorar mais de vinte minutos para passar, eles fizeram sinal com as mãos para que ele parasse, apesar de que isso não era permitido pela companhia.

Dentro do ônibus, Pedro, o motorista, exausto por estar trabalhando desde a madrugada, só desejava terminar aquela viagem, sua última do dia, para poder ir para casa e descansar. Quando ele viu os dois velhinhos, seu primeiro pensamento foi em ignorar. Afinal, parar fora do ponto, para um passageiro entrar, era proibido.

Mas, naquele momento, Pedro sentiu que o seu cansaço poderia ser o mesmo daquele casal. Num ímpeto, parou o ônibus e os deixou embarcar. Marina e Victor agradeceram com um enorme sorriso, que foi retribuído.

Na parte de trás do ônibus, quase vazio, haviam três pessoas: Vanessa, uma garota bastante bonita, olhando, distraída, pela janela; um homem, sentado ao lado da garota; e, no último banco, Caio, um garoto, lendo uma revistinha em quadrinhos.

Enquanto lia, de vez em quando, Caio desviava os olhos das páginas para Vanessa. Eles sempre viajavam juntos naquele ônibus. Ele tinha um crush por ela, mas nunca teve coragem de se aproximar, iniciar uma conversa. Só conseguia admirá-la ao longe e imaginar que um dia seria capaz de algo mais do que isso.

Mesmo distraído com a história que lia, Caio reparou que o homem, ao lado de Vanessa, encostava o ombro nela, embora ela se afastasse. Primeiro, pensou que deveria ser por causa do balançar do ônibus. Então, reparou que o homem fazia isso, mesmo quando o ônibus parava em algum sinal vermelho.

Caio fechou a revistinha e ficou prestando atenção. O homem se inclinou e cochichou algo no ouvido de Vanessa. Ela ficou visivelmente irritada, pareceu que iria se levantar, mas, de repente, mudou de ideia e ficou estática. O homem continuou sussurrando no ouvido dela.

Naquele momento, Caio saiu de onde estava e aproximou-se do banco de Vanessa. Respirou fundo. Controlou a tremedeira. Bem alto, falou o nome dela, disse que estava surpreso por encontrá-la ali, que sentia saudades, que havia muito tempo que não se viam. Perguntou pelos pais dela, pelo namorado, que era polícia militar, e que era uma boa chance deles colocarem a conversa em dia. Tudo inventado, claro.

Vanessa concordava com tudo o que Caio dizia. E quando Caio deu sinal para o ônibus parar, Vanessa se levantou e saiu junto com ele, deixando o homem que estava ao lado dela, visivelmente irritado.

Já na rua, Vanessa abraçou Caio e agradeceu, agradeceu, agradeceu. E os dois foram caminhando juntos, pela rua, na direção da casa de Vanessa, sem repararem em Vinícius, um pai que deixou sua família, parado em frente a uma casa, segurando um pacote embalado com papel de presente.

Vinícius tinha uma filha de dez anos de idade, Renata, e havia sido casado durante dez anos com Amanda. Cinco anos atrás, devido a problemas no emprego, falta de dinheiro, uma vida rotineira e estressante, ele acabou saindo de casa. Perdeu a guarda de Renata, criou uma mágoa em Amanda, que impedia qualquer relacionamento.

No ano anterior, devido a algo que Vinícius descobriu, sua perspectiva da vida mudou. De certa forma, ele se tornou um homem diferente, mudou suas prioridades, compreendeu o que havia perdido por motivos insignificantes. Assim, após muitas tentativas sem sucesso, ele tentava mais uma reaproximação. Esperançoso de ser recebido, como todas as outras vezes, ele tocou a campainha da casa, e esperou.

Amanda olhou pela janela e viu Vinícius. Suspirou, impaciente. Mas, naquele momento, ela viu algo que não tinha conseguido das outras vezes. Ela viu um homem abatido, magro, sozinho. Não sentiu pena, apenas saudades de quando ele era importante em sua vida. Olhou para Renata, que assistia televisão, e pensou que ele era importante para a filha.

Ela abriu a porta e fez sinal para que ele entrasse. Vinícius não esperou um segundo sequer para obedecer, com um enorme sorriso no rosto.

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Fernanda, naquele momento que conversou com Bianca, não sabia que Bianca escrevia uma nota de suicídio no caderno, que seria encontrada junto ao seu corpo, depois que ela tivesse ingerido medicamentos e fosse encontrada morta no banheiro de sua casa. Depois da conversa com Fernanda, Bianca sentiu aquilo que lhe faltava: esperança de ser notada. Depois da prova, quando chegou em casa, ela rasgou o bilhete e tentou novamente.

Pedro, naquele momento que decidiu parar o ônibus e deixar Marina e Victor entrarem, não fez apenas uma bondade. Ele salvou a vida dos dois, porque, minutos depois, um caminhão, que perdeu os freios, passou por cima do ponto, que, graças a Pedro, estava vazio.

Caio, naquele momento que ajudou Vanessa a se livrar do assédio do estranho, não viu que ele segurava uma navalha e ameaçava a garota de a matar, se ela não saísse com ele do ônibus. E se Caio não tivesse intervindo, o homem levaria Vanessa e a estupraria.

E Amanda, naquele momento que decidiu dar uma nova chance a Vinícius, não sabia que no ano anterior, ele havia sido diagnosticado com câncer terminal, que aquela era a sua última tentativa de passar um Natal com a filha, antes de morrer.

Então, por tudo isso, não perca seus momentos de fazer amizades, de ajudar, mesmo quando estiver cansado, de ser corajoso, quando achar que tem medo demais, de perdoar, porque todos nós erramos.

Não se esqueça de ser feliz. Mas também não se esqueça de fazer os outros felizes!

FELIZ NATAL!

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A caminho do altar - Julia Quinn

Sinopse: Ao contrário da maioria de seus amigos, Gregory Bridgerton sempre acreditou no amor. Não podia ser diferente: seus pais se adoravam e seus sete irmãos se casaram apaixonados. Por isso, o jovem tem certeza de que também encontrará a mulher que foi feita para ele e que a reconhecerá assim que a vir. E é exatamente isso que acontece.
O problema é que Hermione Watson está encantada por outro homem e não lhe dá a menor atenção. Para sorte de Gregory, porém, Lucinda Abernathy considera o pretendente da melhor amiga um péssimo partido e se oferece para ajudar o romântico Bridgerton a conquistá-la.
Mas tudo começa a mudar quando quem se apaixona por ele é Lucy, que já foi prometida pelo tio a um homem que mal conhece. Agora, será que Gregory perceberá a tempo que ela, com seu humor inteligente e seu sorriso luminoso, é a mulher ideal para ele?
A caminho do altar, oitavo livro da série Os Bridgertons, é uma história sobre encontros, desencontros e esperança no amor. De forma leve e revigorante, Julia Quinn nos mostra que tudo o que imaginamos sobre paixão à primeira vista é verdade – só precisamos saber onde buscá-la. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
QUINN, Julia. A caminho do altar. Editora Arqueiro, 2016. 320 p.

"O amor existia. Ele sabia que sim. E estaria perdido se não existisse para ele."

Ainda não acredito que está série está chegando ao fim, ainda me lembro do primeiro livro que li, das emoções, das lágrimas e sorrisos compartilhados no decorrer destes oito livros.

Em A caminho do altar, conhecemos a história de Gregory, o irmão implicante, estamos acompanhando seu crescimento desde o livro O duque e eu, e neste momento ele já completou 26 anos de idade.

Gregory é um romântico que acredita em amor verdadeiro, também não poderia ser de outra forma, já que cresceu vendo seus irmãos casados e felizes em seus respectivos casamentos, isso fez com que ele criasse sua própria opinião do que seria o amor, e a ideia de que com ele viveria feliz para sempre quando encontrasse a mulher com quem compartilharia a vida.

Por isso, quando ele se depara com a nuca da jovem Hermione, acha que está apaixonado justamente pelo sentimento que tem de plenitude e pela forma como reage a ela, reações essas parecidas com as que seus irmãos descrevem como amor.

Porém ele não contava com o fato de que a mulher por quem acha que está apaixonado não sentisse o mesmo por ele. Hermione acha que está apaixonada por um empregado do seu pai, o que a torna emocionante indisponível para Gregory e todos os outros pretendente.

É ai que Lucy entra, ela é uma bela jovem e melhor amiga da Hermione, mas sua beleza é ofuscada pela beleza da sua amiga. Não que ela se importe com isso, afinal, já está acostumada. Então quando Gregory entra na jogada, ela resolve ajudá-lo a conquistar o coração de Hermione, mas ela só não esperava perder o seu no caminho.

"Ela estava apaixonada por ele. Não poderia ser mais claro... ou mais cruel."

Lucy é o tipo de personagem prática, ela sempre usa a razão e a lógica... bom até se apaixonar.

Ela está acostumada a agradar tudo e a todos, colocando-se sempre em último lugar, seus anseios e desejos pouco importam. Mas quando Gregory aparece em sua vida essas prioridades mudam, ela se permite pensar no e se... Em controvérsia, continua lutando contra seus sentimentos e resolve ouvir a voz da razão, mesmo que tivesse encontrado em Gregory tudo o que secretamente sonhou, mesmo que isso signifique abrir mão da sua felicidade, pois ela está noiva de outro homem e já aceitou que não iria se casar por amor.

Gregory é o caçula dos homens, por isso há uma certa tensão nele, que deseja a aprovação dos irmãos, e isso fica claro do decorrer na leitura, ele tenta se achar, ao mesmo tempo que tenta corresponder às expectativas que sua posição traz.

Gostei de como a autora desenvolveu a trama, sem deixar de fora os personagens secundários, deu para matar um pouco a saudade que os personagens dos livros anteriores deixaram. A caminho do altar não é lá o melhor livro da série, mas me encantou à sua própria maneira.

Lucy me decepcionou em vários momentos, acho que no final eu aceitei que ela não merecia o Gregory, suas escolhas me deixaram tão frustrada, a sua mania de pensar nos outros antes de si mesma levaram o nosso mocinho a sofrer bastante, eu não a perdoaria tão fácil como ele fez, mas, enfim, todo mundo erra.

"Sorte sua que eu a amo tanto. Caso contrário, eu teria de lhe colocar uma mordaça."

A caminho do altar começou pelo fim, isto é, pelo desfecho dessa história, que é quando Gregory invade o casamento de Lucy para se declarar para sua amada, o que foi uma surpresa para mim. Outra coisa que adorei foi que nesse livro os capítulos começam como se a autora estive contando uma história, dentro de outra história.

"No qual nosso herói se apaixona.
No qual nosso herói e nossa heroína têm uma conversa muito intrigante.
No qual nossa heroína descobre uma verdade sobre o irmão (mas não acredita), nosso herói descobre uma segredo sobre a Srta. Watson (mas não está preocupado com isso) e os dois descobrem uma verdade sobre si mesmo (mas não se dão conta)."

O final foi um pouco corrido, mas isso não diminuiu a minha felicidade de conhecer mais essa história. O próximo livro da série é E viveram felizes para sempre, que é basicamente um epilogo dos oito livros mais a história de Violet Bridgertons, para leitores que, assim como eu, estavam ansiosos por esse livro.

Se você gosta de romances de época com uma família grande e bastante intrometida, e uma matriarca casamenteira, não deixe de conferir Os Bridgertons, tenho certeza que irão amar.

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Semana Especial Rick Riordan: O que você NÃO encontrará na obra do autor


Listas são uma ótima forma de mostrar o que nos agrada a respeito de determinado assunto, não é verdade? São fáceis, são claras e organizadas. Durante essa Semana Especial Rick Riordan, organizada pela Editora Intrínseca, já comentei sobre minha série favorita do autor e sobre a mitologia que dá base às suas histórias. Na última postagem da semana, acho que é o momento de comentar alguns elementos que você definitivamente não encontrará na obra de Riordan (em listas):

1) Romances melosos

Na, na, na, isso é território proibido. Na verdade, talvez não seja, mas romances melosos definitivamente não adentram no amplo rol de elementos que compõem os livros do autor. É bom lembrarmos que os livros são voltados para o público adolescente, então não faria sentido ficar incentivando aquele açúcar desnecessário das histórias de amor para pessoinhas que têm tanto mais a fazer do que se apaixonar (e ficar de melação).

Não quer dizer que não exista romance, peraí! Tem, sim, e tem umas histórias muito fofas, aliás. Mas são exatamente isso: histórias delicadas sobre a descoberta do primeiro amor, mas junto a muitas outras coisas que importam. Romances melosos, porém, não.

2) Donzelas indefesas

Meninos e meninas, estão todos convocados para a aventura! É isso mesmo: todos fazem parte da trama, sem distinção de gênero. As mulheres são tão fortes e guerreiras quanto qualquer menino e são elas, muitas vezes, que os salvam dos perigos. Afinal, por que não?

Aliás, a diversidade, de qualquer forma que seja, tem sido muito incluída nos livros do autor, o que abre espaço para que todo mundo se sinta, de alguma forma, acolhido nesse universo criado por ele.


3) Personagens medrosos

Ok, não vamos ser hipócritas de dizer que nenhum dos personagens das séries de Rick Riordan nunca teve medo. Claro que sim, porque isso faz parte da natureza humana, ainda mais quando quem está de frente a um monstro for um adolescente.

Isso, no entanto, não impede que os personagens enfrentem qualquer desafio, porque são eles que precisam acabar com o perigo e, bom, eles enfrentam com medo mesmo. A coragem, dizem, não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele.

4) Monotonia

Não, monotonia não é algo que cabe na obra de Rick Riordan. Se você for uma pessoa que fica entediado com uma aventura atrás da outra, pode até ser. Mas, se você não se enquadrar nessa hipótese, esquece, porque você verá tanta coisa acontecer que, quando se der conta, o livro já acabou e você quer logo ler outro.

5) Uma adaptação à altura

Vamos ser sinceros: uma coisa que ainda falta para as obras de Rick Riordan é uma boa adaptação. Apenas a história de Percy Jackson chegou aos cinemas até agora, mas até mesmo os fãs desgostaram dos filmes. Até Rick Riordan desgostou da adaptação. Aí, gente, fica complicado.

Ainda acho que os livros mereciam uma adaptação à altura.

Lembram de algo mais que os livros de Rick Riordan não possuem?



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Semana Especial Rick Riordan: Mitologia


A Editora Intrínseca convidou os parceiros para falarem, durante a semana, sobre um dos autores mais queridos da nova geração de leitores: Rick Riordan. E o assunto de hoje é a mitologia, que faz parte de seus livros.

Comentei na última postagem que as séries escritas pelo autor geralmente envolvem mitologia, seja ela qual for. Não existe preconceito e todas são abordadas de uma forma criativa, já que o autor não recria a mitologia original, simplesmente a insere no contexto atual como se não fosse mito, mas um fato. Os deuses, poderes, castigos, monstros e o que mais houver aparecem como elementos da história, mas os personagens principais geralmente são adolescentes que parecem ser como quaisquer outros, até serem atropelados por algum mistério antigo.

A mitologia grega, por exemplo, aparece em séries como Percy Jackson e os Olimpianos, Os Heróis do Olimpo e As Provações de Apolo. Por mais que às vezes a gente ignore o que foi aprendido na escola, é fácil ir rememorando alguns detalhes ao esbarrar nos acontecimentos dos livros. Cronos, Zeus, Hades e Poseidon, que fazem parte da início das histórias mitológicas, são citados com frequência, e outros seres como náiades, dríades, sátiros, fúrias, além de vários heróis de que tanto ouvimos falar, aparecem nas páginas dos livros.

Na série As Crônicas dos Kane, por sua vez, a aventura se volta à mitologia egípcia. Particularmente, conhecia muito pouco sobre essas crenças, e os livros de Rick Riordan me explicaram muito sobre elas. Na história, os deuses egípcios estão presos, mas ganham força para serem liberados. Hórus, Set, Rá e outros deuses se fazem presentes, e termos como Maat, ordem do universo, e Caos, personalizado na serpente Apófis, entre outros pertencentes àquela mitologia, fazem também parte da trama.



Magnus Chase e os Deuses de Asgard, que eu infelizmente ainda não tive oportunidade de ler, aborda ainda outro conjunto de crenças: a mitologia nórdica. Nesta trama, trolls, gigantes e outros monstros horripilantes são os principais desafios enfrentados pelo protagonista, que faz de tudo para impedir o fim do mundo. Ah, e deuses como Thor e Loki também se fazem presentes.

Independente da mitologia adotada por Riordan para contar suas histórias, o fato é que ele sabe fazer isso muito bem. É incrível como ele consegue manter a essência do mito e, ao mesmo tempo, criar histórias fascinantes, cheias de aventura e totalmente próprias. Claro que isso não poderia ser feito sem muito estudo e uma pesquisa profunda sobre os detalhes de cada mitologia, mas o autor é um estudioso de longa data da mitologia grega e atuou anos como professor na área, então não seria difícil investigar as demais.

Particularmente, não consigo eleger minha mitologia favorita. Tenho uma mente curiosa e qualquer trama construída com precisão me atrai - e, vamos combinar, mitologia é uma coisa que sempre faz algum sentido. Por isso, sempre que leio os livros de Rick Riordan fico louca de vontade de ler vários e vários livros sobre as mitologias, apesar de nunca fazer isso de fato.

De todo modo, os livros do autor sempre trazem conhecimentos profundos sobre as crenças que aborda e, considerando toda a liberdade criativa, dificilmente parecerá maçante como alguns livros de História.


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Bellissima - Nora Roberts

Sinopse: Depois de ter a casa assaltada, a Dra. Miranda Jones decide esquecer o incidente, indo às pressas para a Itália a trabalho. Lá, deverá constatar a autenticidade de um bronze renascentista de uma cortesã da família Médici, conhecido como A Senhora Sombria. Especialista em autenticação de obras renascentistas, Miranda atesta como original uma falsificação. Ao descobrir a farsa, ela decide encontrar a verdadeira peça e revelar o motivo para tal crime. Para isso, terá a ajuda do sedutor ladrão Ryan Boldari, que pensa em se apoderar da obra de arte. Porém, os planos dos dois ruem quando um perigoso assassino começa a persegui-los. (Skoob)
Roberts, Nora. Bellissima. Editora Bertrand, 2010. 546p.


O que falar sobre os romances da Nora Roberts? Ela sempre se supera no quesito construção de personagens, ambientação e enredo. É justamente por isso que ela é uma das minhas autoras favoritas quando o assunto é esse. Nessa história encantadora, a autora nos transporta com maestria para o mundo das artes.

Durante as primeiras 150 páginas somos apresentados a vários personagens. Confesso que fiquei até um pouco perdida e precisei anotar quem era quem para não precisar recorrer ao início toda vez que um personagem fosse mencionado lá na frente. Apesar de tantas informações sobre lugares e pessoas serem um pouco cansativas e deixar as primeiras páginas um tanto quanto arrastadas, é extremamente necessária essa apresentação ao leitor para que se possa criar uma familiaridade com todos os acontecimentos (e suspeitos) no desenrolar da história.

Em Bellissima os personagens principais são Miranda e Ryan. Miranda é forte, orgulhosa e vive tentando conseguir a aprovação da mãe em todos os seus passos. Ryan é um ladrão extremamente competente e que tem o apoio da família para os serviços escusos que pratica. A vida dos dois se cruza devido a uma armação para acabar com a reputação de Miranda, mas que acaba colateralmente afetando a reputação de Ryan no mundo dos crimes. Para tirar isso a limpo, os dois acabam se unindo para descobrir quem está por trás da falsificação de uma recém-descoberta obra de arte e de vários assassinatos envolvendo pessoas que são diretamente ligadas a Miranda na tentativa de incriminá-la.

“– Confiar em você é que complica tudo – ele a corrigiu. – Seu problema é que você tem uma consciência. Ela vai te perturbar de vez em quando e te tentar a confessar tudo para a polícia. – Ele esticou o braço para tocar a mão de Miranda. – Basta você me ver como o anjo mal do seu lado, o diabinho chutando o anjo bom no rosto toda vez que ele começar a falar sobre honestidade e verdade.”

O que eu particularmente achei mais incrível na história foi que pela primeira vez eu não fiquei tão focada no clima de romance que aos poucos vai fluindo entre o casal. Pelo contrário, o mistério por trás da falsificação e dos assassinatos é tão bem construído que eu estava completamente empolgada com a investigação do caso e em descobrir quem era o grande vilão. E ao contrário do que ocorreu nas primeiras páginas, o livro tem um desenrolar bem rápido e cativante do meio para o fim.

Mas a história não se prende apenas ao caso a ser solucionado. Também acompanhamos a luta de Andrew, irmão da Miranda, contra o alcoolismo e um passado um tanto quando conturbado com uma ex-namorada da adolescência. Além disso, temos o contraste entre duas famílias tão opostas: Os Jones, família da Miranda, que são muito ricos, soberbos e que acreditam que demonstrar afeto é um sinal de fraqueza; e os Boldari, família do Ryan, que apesar de já terem passado por muitos momentos de dificuldade financeira são completamente unidos e amorosos uns com os outros. É um verdadeiro choque e até mesmo engraçado quando esses dois mundos se cruzam na história.

Em resumo, esse livro é maravilhoso! Não tem como não se apegar a um personagem ou outro. Essa, definitivamente, é uma história que merecia virar série. Acredito que Bellissima tenha aberto as portas para a autora começar a explorar e apostar posteriormente em seus romances policiais.

Se você gosta de romance, mistério, ação e aventura, esse é o livro perfeito para te entreter por alguns dias.

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Semana Especial Rick Riordan: Minha série favorita


A Editora Intrínseca convidou os parceiros para falarem, durante a semana, sobre um dos autores mais queridos da nova geração de leitores: Rick Riordan. E o assunto hoje é sobre qual série seria a nossa favorita, entre todas as do autor.

Tenho que confessar que já faz algum tempo que não leio nada dele, então não acompanhei os enredos mais recentes como Magnus Chase e os Deuses de Asgard e As Provações de Apolo. Por outro lado, tive ótimas experiências com Percy Jackson e os Olimpianos, As Crônicas dos Kane e Os Heróis do Olimpo

Todas as séries escritas por Rick Riordan são incríveis e extremamente criativas, especialmente por tratar de mitologia num contexto atual (isso é assunto para outro dia). Aposto que até mesmo aqueles que nunca leram nada vão encontrar algo bastante atrativo na obra do autor.

O fato de eu ter gostado de várias das séries escritas por Riordan não me impede de ter uma favorita e, sem sombra de dúvidas, Percy Jackson e os Olimpianos sempre terá um lugarzinho especial no meu coração. A série foi a primeira do autor que eu tive oportunidade de ler e, além de eu ter um carinho enorme por todos os personagens (Percy, Annabeth e Grover, em especial), toda a história é voltada para a mitologia grega, pela qual sempre tive muito interesse.

Na série, o autor consegue ousar, criando situações novas com os antigos mitos. Claro que ele faz isso em todas as séries, mas acho que foi nessa que ele conseguiu realmente me surpreender ao mostrar esse tipo de construção literária. Além disso, não faltam aventura, diversão e até romance na história, o que faz os cinco livros da série parecerem pouco diante de tanta história para contar.

Aliás, falar sobre Percy Jackson me deu vontade de reler todos os livros (mais uma vez). Se alguém ainda não leu algo do "tio Rick", como os leitores carinhosamente o chamam, saiba que as chances de não gostar são praticamente nulas.

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Inácio: O Cantador-Rei da Catingueira

Sinopse: Inácio de Catingueira, menino-escravo, um dos precursores do repente no sertão da Paraíba, deixou sua história na boca do povo, como memória cultural coletiva. E é a partir da tradição oral que a história surge neste livro, como uma biografia romanceada, mais ligada às tradições do que a fatos documentados e informações oficiais, trazendo traços da cultura de um povo que, há muito, é renegado pelo racismo e pelo preconceito. (Skoob)
HOLANDA, Arlene. Inácio: O Cantador-Rei da Catingueira. Editora Gaivota, 2014. 76 p.


Através de uma narrativa simples, sem muitos floreios, Arlene Holanda dá a conhecer a breve história de Inácio, um escravo, filho apenas de mãe, uma vez que o pai era desconhecido, mas suspeitava-se ser o senhor do engenho, que tornou-se um dos maiores repentistas do nordeste.


Metade das poucas páginas que compõem este livro, concentram-se em explicar como funcionavam as fazendas e o regime de escravatura da região. Logo em seguida, somos apresentados ao nascimento de Inácio, a venda de sua mãe, uma vez que a esposa do fazendeiro sentia ciúmes dela, sua exclusão por parte dos outros escravos e, finalmente, a descoberta do talento repentista.


Foi através dos duelos entre cantadores, que Inácio construiu sua vida. Se não como homem totalmente livre, pelo menos o mais próximo que a época permitia. Seu senhor permitia que ele se ausentasse e acumulasse os bens que adquiria das pelejas e apresentações, o que permitiu que construísse uma moradia própria e mantivesse algum dinheiro consigo.


O acontecimento mais famoso, e que até hoje perdura pelas histórias da catingueira, foi o duelo que ele travou com o maior repentista da época, Romano da Mãe D'Água, e que durou dias. Uns dizem três dias. Outros dizem até oito dias. O que se tem certeza, é que Inácio venceu o duelo e imortalizou seu nome.


A pequena obra, Inácio: O Cantador-Rei da Catingueira, possui ilustrações belíssimas, além de reproduções de alguns dos versos usados pelo repentista. A leitura é extremamente rápida e agradável, indicada para qualquer um que ame o Brasil e a diversidade cultural que possuímos. Sem mencionar o quão bem seria se a obra fosse inserida em nossas escolas.

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Divulgação: Os meus olhos que não eram os meus

Oi pessoal, como vocês estão?

O tema da postagem de hoje é a divulgação de um livro nacional: Os meus olhos que não eram meus, da autora Helenah.

Algumas pessoas levam uma vida inteira buscando o sentido para suas vidas. Há outras que priorizam apenas o aqui e agora, na ânsia pela satisfação plena de seus variados desejos.
Mas o que rege a trajetória de uma existência? As incertezas do futuro ou as consequências das experiências vividas pelas escolhas realizadas? Em meio a estes questionamentos, este livro retrata a história de Saulo Johnson Pierre, um homem poderoso e renomado, que não vê limites para realizar seus desígnios e intentos.
Em contrapartida, o romance e o suspense surgem na figura de Anny, sua companheira, uma mulher essencialmente bela, sensível e que enxerga cada instante, cada experiência como única, de maneira a reverenciar sempre a magnitude do desconhecido, do sublime, do mistério da vida.
Duas personalidades distintas que aproximam e se distanciam no tempo, até que um fato inesperado e imprevisível muda suas vidas para sempre! Fatalidade? Destino? Ou simples acaso? A única certeza que se pode ter é o relato de uma experiência incrível e transformadora! Desvende este segredo e descubra o sentido de “Os Meus Olhos que não eram os meus”.
 
Helenah nasceu em São Luiz dos Montes Belos, em Goiás, cresceu em Colinas. Cursou Pedagogia na UNIRG, TO. Casou, tem dois filhos, lecionou em escolas do Tocantins até mudar-se para Brasília, acompanhando o marido. Na Capital Federal, especializou-se em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário Euro-Americano, UNIEURO, trabalhou no Ministério dos Transportes e em outros órgãos públicos, sempre escrevendo, dando vazão à sua alma poética e aos sentimentos líricos. Além de poeta, é também romancista e autora de livros de literatura infanto-juvenil.
 
 
Para quem quiser conhecer um pouquinho mais da obra da autora, pode visitar seu site, seu Instagram ou a página do livro no Facebook.

Alguém já conhecia o livro? O que achou?

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A geografia de nós dois - Jennifer E. Smith

Fonte da imagem: Gettub
Sinopse: Lucy Mora no vigésimo quarto andar. Owen, no subsolo... E é a meio caminho que ambos se encontram - presos em um elevador, entre dois pisos de um prédio de luxo em Nova York. A cidade está escuras graças a um blecaute. E entre sorvetes derretidos, caos no trânsito, estrelas e confissões, eles descobrem muitas coisas em comum. Mas logo a geografia os separa. E somos convidados a refletir... Onde mora o amor? E pode esse sentimento resistir á distância? Em A geografia de Nós Dois Jennifer E. Smith cria tramas cheias de experiências, filosofia e verdade. (Skoob
E. SMITH Jennifer. A geografia de nós dois. Editora Galera, 2016. 272 p.


Sabe aquela pessoa que você já viu várias vezes, mas a quem nunca deu atenção ou tentou conversar, por medo de uma recusa ou só por timidez? 

Assim são Lucy e Owen. Eles não se conheciam, embora morassem no mesmo prédio: Lucy no vigésimo quarto andar; e Owen no subsolo com seu pai, que é administrador do prédio. Em uma noite, ambos ficam presos no elevador quando acontece um blecaute na cidade de Nova York. E é nesse lugar confinado que nasce uma amizade improvável.

Após serem retirados do elevador, e depois de um rápido passeio para comprar mantimentos, eles resolvem subir para o terraço, e lá eles se deparam com um cenário totalmente novo: a cidade está em completa escuridão, sem todas aqueles luzes da cidade grande, então eles passam a noite olhando as estrelas, uma visão impossível em um dia normal. 

Lucy e Owen se separam de maneira abruta. Lucy se mudará para a Escócia com os pais, e Owen, pelo fato que o pai foi despedido, também irá se mudar, mas sem um destino em mente, apenas ele, o pai e a estrada. A partir daí, eles irão manter contato apenas por cartões postais e e-mails, já que Owen não tem um endereço fixo, mas, também, para mostrar o quanto um gostaria que o outro estivesse por perto.

"Eram como dois asteroides que tinham colidido, ela e Owen soltando faíscas breves antes de ricochetearem cada um para um lado outra vez, um pouco lascados, um pouco machucados e marcados, talvez ainda com cem quilômetros a percorrer. Quanto tempo se pode de fato esperar que uma única noite dure? Até que ponto se pode esticar um conjunto tão pequenos de minutos? Ele era apenas um garoto no terraço. Ela era apenas uma garota em um elevador. Talvez tenha sido o fim."

O livro é uma leitura leve e divertida, mas a história custou muito a me prender.

A geografia de nós dois é dividido em cinco partes: as duas primeiras foram ótimas, mas a partir da terceira parte, a leitura começou a ficar maçante, clichê e simplesmente não fluía. O livro em si é bastante previsível, mas não deixa de nos fazer refletir sobre nossa vida e sobre nossos problemas familiares.

"Em Londres, Lucy pensava em Owen."

Lucy, como personagem, foi bem pé no chão. Sua personalidade cativa o leitor, mas achei que faltou algo nela. Acho que o fato de que ela aceitava tudo numa boa, na maioria das vezes sem questionar, me incomodou. Tudo bem que eles eram seus pais, mas ela era muito passiva em relação a quase tudo, e isso, no decorrer da trama, vai ficando chato. 

Uma coisa que me incomodou um pouco foi o fato de que os pais da Lucy viajavam pelo mundo e a deixavam sozinha, sendo que ela tinha apenas dezesseis anos. Depois que os seus irmãos foram para a faculdade, ela ficava sem ninguém, e esse é um dos pontos chave do livro: ela está rodeada de pessoas, mas, ao mesmo tempo, está sozinha.

"E bem longe, em Seattle, Owen também pensava nela."

Ao contrário de Lucy, Owen foi um amorzinho. Tudo bem que no início peguei uma antipatia por ele, pelo fato de estar sempre reclamando, nada nunca estava bom, mas, no decorrer da trama, ele vai mostrando quem ele é de verdade, um jovem que perdeu sua mãe, que lida com seus próprios problemas e que tenta estar lá para o pai, que se tornou distante desde a morte da sua amada. 

Jennifer E. Smith abordou muito bem os problemas familiares, mas a desculpa que os pais da Lucy deram simplesmente não me convenceu, mas, enfim, todos tem seus problemas, e cada um lida da sua maneira.

"Nunca sabemos a resposta até fazer a pergunta."

A geografia de nós dois tem uma narrativa em terceira pessoa intercalada entre ambos os personagens, o que esclarece muitos fatos vagos, e foi uma das coisas que gostei bastante. A capa do livro é linda, de uma maneira simples, e muito caprichada. Tem tudo há ver com a história. As páginas são amareladas e a fonte é média, o que ajuda muito na hora da leitura. 

Se você curte uma leitura leve, com muitas reflexões, um romance super fofo, eu te convido a conhecer essa obra, e se você não curte, leia assim mesmo. Tenho certeza que esse livro irá te surpreender.

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Belgravia - Julian Fellowes

Sinopse: Uma nova saga histórica, fascinante e irresistível, repleta de segredos e escândalos
Ambientada nos anos 1840, quando os altos escalões da sociedade londrina começam a conviver com a classe industrial emergente, e com um riquíssimo rol de personagens, a saga de Belgravia tem início na véspera da Batalha de Waterloo, em junho de 1815, no lendário baile oferecido em Bruxelas pela duquesa de Richmond em homenagem ao duque de Wellington.
Pouco antes de uma da manhã, os convidados são surpreendidos pela notícia de que Napoleão invadiu o país. O duque de Wellington precisa partir imediatamente com suas tropas. Muitos morrerão no campo de batalha ainda vestidos com os uniformes de gala.
No baile estão James e Anne Trenchard, um casal que fez fortuna com o comércio. Sua bela filha, Sophia, encanta os olhos de Edmund Bellasis, o herdeiro de uma das famílias mais proeminentes da Bretanha. Um único acontecimento nessa noite afetará drasticamente a vida de todos os envolvidos. Passados vinte e cinco anos, quando as duas famílias estão instaladas no recente bairro de Belgravia, as consequências daquele terrível episódio ainda são marcantes, e ficarão cada vez mais enredadas na intrincada teia de fofocas e intrigas que fervilham no interior das mansões da Belgrave Square. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
FELLOWES, Julian. Belgravia. Editora Intrínseca, 2016. 368 p.


Já ouvi muito falar sobre Downtown Abbey, série de TV criada por Julian Fellowes, mas só tive real curiosidade de assistir depois de começar a ler Belgravia, escrito pelo mesmo autor e publicado este ano pela Editora Intrínseca. Imediatamente notei algumas semelhanças na construção de ambas as histórias e, apesar de só ter visto o primeiro episódio da versão televisiva, tenho a impressão de que, se a experiência for semelhante à da leitura do livro, Julian Fellowes entrará na lista de autores históricos favoritos sem qualquer dificuldade.

O enredo de Belgravia tramita pela complexa constituição social existente no século XIX e, para bem ilustrar todas as suas ramificações, o autor não se esquiva de criar dezenas de personagens diferentes, cada um deles bem desenhado e abordado. Claro que pode parecer confuso, inicialmente, tentar compreender tantas personalidades diferentes, mas com o passar das páginas Fellowes mostra que cada detalhe foi bem planejado e que, de alguma forma, todos estão interligados. O autor consegue dar consistência às ações dos personagens, motivar suas decisões e especificar seus sentimentos de uma forma como pouco se vê na literatura, especialmente porque não se concentra em um ou dois personagens principais, mas o faz com todos os envolvidos na trama que criou.

Um dos aspectos mais interessantes do livro é a clara distinção entre as classes sociais existente à época. É nítida a diferenciação entre senhores e criados e, mesmo dentro de cada classe dessas, há ainda subdivisões intransponíveis, como em um critério de castas em que, independente da situação financeira ou da posição que ocupa, só é possível fazer parte pela loteria do nascimento.

"Como a estruturação do mundo deles era estranha... Uma moça de vinte e poucos anos era o auge da ambição social. Estar na presença de uma jovem dessas era o ponto alto que buscavam homens como James, inteligentes, talentosos, bem-sucedidos, como se isso fosse um coroamento glorioso depois de uma vida de sucesso. Mas o que a moça tinha feito? Nada. Apenas nascido."

A relação entre patrões e empregados, aliás, faz parte do contexto central da trama. Não há dúvidas das diferenças de posições e da submissão dos criados aos seus patrões, tão escancaradas na narrativa do autor, ao mesmo tempo em que as regras sociais exigem um comportamento de lealdade que é posto frequentemente à prova.

Grande parte das intrigas que dão tom ao livro enveredam por essas convenções e regramentos sociais e é interessante observar quanta coisa mudou, embora também seja possível perceber muita coisa que, ainda hoje, acontece exatamente da mesma forma, em especial no que se trata de dar importância ao que os outros pensarão.

A narrativa detalhista e quase poética também tem seu charme e combina com uma época em que vestidos, salões de bailes e aparências eram supervalorizados, e o livro não deixa de nos presentear com um belo romance, reencontros familiares e outros acontecimentos tocantes.

"Nada realmente importava, não mais. Ela o amava. E ele a amava. Ela o reconhecera como seu amante. Isso era tudo o que ele precisava saber. Mesmo que ela o magoasse, teria valido a pena por aquele momento. O que aconteceria depois, ele não tinha como adivinhar, mas estava apaixonado e era correspondido. Por enquanto, isso bastava."

Belgravia tem também uma trama permeada por segredos que, muitas vezes, nem mesmo o leitor conhece. Enquanto as peças do quebra-cabeças se encaixam e mudam todas as perspectivas da história, é fácil se flagrar surpreendida pelas artimanhas de Fellowes, que traz uma peça cheia de surpresas, mesmo para os leitores mais atentos.

Gostei muito da leitura do livro e leria qualquer outra obra do autor sem pestanejar. Para quem gosta de romances históricos, Belgravia com certeza é uma ótima opção de leitura.

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