![]() |
| Créditos da Imagem: Momentum Saga |
Nesse dia 8 de março, a Editora Intrínseca convidou os blogs parceiros para falarem sobre o Dia Internacional da Mulher e, sendo esta uma data tão especial para aquelas que batalham diariamente por seu lugar no mundo, como eu, acho que não poderia deixar esse momento passar.
Toda mulher sabe as bênçãos e os pesares que carrega consigo pelo simples fato de ser mulher. Não é algo que você fez, não é algo que conquistou ou desmereceu, você simplesmente é, e isso traz consigo uma enormidade de empecilhos e dificuldades que homem nenhum precisaria enfrentar, não por questão de gênero, pelo menos. É difícil, é injusto, é doloroso. E o simples fato de não concordar com um discurso machista ou discutir sobre ideias erradas que maculam a sociedade colocam sobre a mulher mais uma etiqueta, quando é exatamente isso que se quer eliminar.
As dificuldades se irradiam para todas as áreas, inclusive para a literatura. Não faz muito tempo que foi permitido às mulheres que se dedicassem a escrever, mesmo porque muitas delas nem podiam guiar a própria vida até algumas décadas atrás. Além disso, a atividade era reservada aos homens. Mesmo depois que conquistaram algum espaço no mercado, por muito tempo as obras femininas ficaram restritas aos romances de "mulherzinha". Até hoje, alguns resquícios dessa consciência limitada persistem. Para quem quiser refletir sobre o assunto, encontrei alguns textos interessantes no site Confeitaria, intitulados Mulheres, literatura e mais uma provocação e Escrever como um homem?.
Felizmente, algumas coisas estão mudando. Aos poucos, mas estão. Hoje as mulheres têm consciência do quanto foram podadas e brigam, não para tomar o espaço masculino, mas conquistar seu próprio lugar. Não se quer discutir superioridade, mas igualdade, apenas.
Graças a Deus tenho vivido essa época de mudanças e, entre os grandes presentes que temos ganhado nos últimos anos, posso citar as diversas autoras que têm sido publicadas e nos brindam com obras incríveis, das quais seríamos privadas se as mudanças não tivessem ocorrido. Mulheres que, por meio de suas obras, trazem ainda novas reflexões e discussões sobre o que se tem vivido atualmente.
Dentre essas autoras, podemos citar Liane Moriarty, que traz em seus livros temas complexos, como a importância de nossas próprias escolhas, sobre convenções sociais, sobre o peso dos relacionamentos, da violência doméstica, de manter as aparências, entre muitos outros assuntos cotidianos e tão importantes de serem debatidos.

Dentre essas autoras, podemos citar Liane Moriarty, que traz em seus livros temas complexos, como a importância de nossas próprias escolhas, sobre convenções sociais, sobre o peso dos relacionamentos, da violência doméstica, de manter as aparências, entre muitos outros assuntos cotidianos e tão importantes de serem debatidos.


Também entre elas, Jojo Moyes pode se apresentar como uma autora de romances aparentemente de "mulherzinha", mas suas obras vão muito além de uma história de amor qualquer. Suas tramas são complexas, com enredos paralelos bem construídos e o amor está lá sim, mas ele é apenas um dos elementos que compõem o todo. Até porque, no caso da autora, é o amor que dá aos personagens a garra necessária para lutar por aquilo que querem, por aquilo que acreditam, ou a força necessária para simplesmente aceitar o inaceitável, em alguns casos.



Podemos citar também Gillian Flynn, que definitivamente foge do convencional do que se espera de uma mulher. Suas obras não são doces, açucaradas e nem ao menos femininas. Suas personagens são fora do padrão, problemáticas, algumas vezes até psicóticas. Mas vamos ser sinceros: são geniais. A autora escreve um suspense como ninguém e consegue traçar voltas simplesmente inacreditáveis - e incríveis.



Sejam ainda Anna Lyndsey, que conseguiu vencer as dificuldades de uma forte sensibilidade à luz e narrou em um livro suas memórias, Kate Bolick, que deu a cara a tapa e abordou o universo feminino e as imposições sociais de maneira sincera, para demonstrar que as mulheres têm o direito de escolher a própria vida, ou Elena Ferrante, que desconstrói o mito da maternidade perfeita em uma obra ousada e genuína, todas essas autoras têm uma coisa em comum: elas mostram que nós podemos ter a vida que quisermos, seguir a carreira que escolhermos para nós mesmas, expor ou não nossas dificuldades. Tudo isso é uma escolha nossa, e só depende de nós ir atrás do que queremos.



Talvez tenhamos que lutar mais que os homens para chegar ao mesmo lugar, isso é verdade. Talvez sejamos julgadas por alguns atos no meio do caminho. Mas isso vai nos impedir de fazer alguma coisa? Tenho certeza que não, porque somos mulheres, somos guerreiras e temos a nosso favor a falsa impressão de que somos o sexo frágil, mas na verdade, todas nós guardamos nossas leoas para o momento certo.
Eu usei da literatura para descrever algumas das mudanças que temos conquistado, mas elas são muito mais profundas do que um simples texto poderia descrever. Ainda há muito pelo que lutar, isso é certo, mas nos acomodarmos com a maneira como as coisas estão não é uma opção.
Parabéns mulheres, pelo nosso dia. Parabéns pelas lutas diárias que temos que empreender e muita força para lutar, com unhas e dentes, por aquilo que queremos.


















