Novidades #153: Lançamentos Arqueiro & Sextante Janeiro

Dezembro é um mês de pausas em algumas editoras, que estão se preparando para iniciar o próximo ano com lançamentos incríveis. É o caso, por exemplo, da Editora Arqueiro, que anunciou livros ótimos para janeiro de 2017. Vamos conferir?

Ninféias Negras, de Michel Bussi 

Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho.
É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece à primeira vista. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte – principalmente as protagonistas.
Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio de 11 anos que sonha ser uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.


Meio Mundo, de Joe Abercrombie

Thorn Bathu não é uma garota comum. Mesmo tendo sido criada numa sociedade machista, ela vive para lutar e treina arduamente há anos. Porém, após uma fatalidade, ela é declarada assassina pelo mesmo mestre de armas que deveria prepará-la para as batalhas.
Para fugir à sentença de morte, Thorn se vê obrigada a participar de um esquema do ardiloso pai Yarvi, ministro de Gettland. Ao lado dela se encontra Brand, um guerreiro que odeia matar, mas encara a jornada como uma chance de sustentar a irmã e conquistar o respeito de seu povo.
A missão dos dois é cruzar meio mundo a bordo de um navio e buscar aliados contra o Rei Supremo, que pretende subjugar todo o Mar Despedaçado. É uma viagem desafiadora, em que Brand precisa provar seu valor e Thorn fará o necessário para honrar a memória do pai e se tornar uma verdadeira guerreira.
Guiando os personagens por caminhos tortuosos em busca de amadurecimento e redenção, Joe Abercrombie mais uma vez nos maravilha com uma história grandiosa, que se sustenta sozinha por seu vigor, mas também dá continuidade à saga de Gettland e Yarvi. Finalista do prêmio Locus, Meio mundo deixará o leitor na expectativa do desfecho desta série épica.

O caminho para casa, de Kristin Hannah

Durante 18 anos, Jude pôs as necessidades dos filhos em primeiro lugar, e o resultado disso é que seus gêmeos, Mia e Zach, são adolescentes felizes. Quando Lexi começa a estudar no mesmo colégio que eles, ninguém em Pine Island é mais receptivo que Jude.
Lexi, uma menina com um passado de sofrimento, criada em lares adotivos temporários, rapidamente se torna a melhor amiga de Mia. E, quando Zach se apaixona por ela, os três se tornam companheiros inseparáveis.
Jude sempre fez o possível para que os filhos não se metessem em encrenca, mas o último ano do ensino médio, com suas festas e descobertas, é uma verdadeira provação. Toda vez que Mia e Zach saem de casa, ela não consegue deixar de se preocupar.
Em uma noite de verão, seus piores pesadelos se concretizam. Uma decisão muda seus destinos, e cada um deles terá que enfrentar as consequências – e encontrar um jeito de esquecer ou coragem para perdoar.
O caminho para casa aborda questões profundas sobre maternidade, identidade, amor e perdão. Comovente, transmite com perfeição e delicadeza tanto a dor da perda quanto o poder da esperança. Uma história inesquecível sobre a capacidade de cura do coração, a importância da família e a coragem necessária para perdoar as pessoas que amamos.

Ao seu encontro, de Abbi Glines

Há apenas alguns meses, um encontro inesperado numa casa em Rosemary Beach se transformou num romance de conto de fadas. Agora Reese está prestes a ir morar com Mase na fazenda dele, no Texas. Com o apoio e o amor da família do namorado e a recente descoberta de que ela mesma tem uma família com a qual contar, Reese pode enfim superar os horrores do passado e se concentrar no futuro promissor que a aguarda.
No entanto, no que depender de Aida, isso não vai acontecer. A beldade loura e Mase foram criados como primos, mas logo fica claro para Reese que o amor da jovem por ele está muito longe do que se deveria ter por um parente.
Ao mesmo tempo que Reese tenta entender a relação dos dois e não se sentir ameaçada, entra em cena Capitão, um estranho que parece estar, convenientemente, em todos os lugares que ela frequenta. Bonito, sensual, misterioso e dono de uma franqueza desconcertante, ele não tem medo de dizer o que pensa de Mase – nem como se sente a respeito de Reese.
Enquanto a competição pelo coração de Mase e de Reese esquenta cada vez mais, algumas perguntas em relação ao passado dela começam a ser enfim respondidas, revelando verdades chocantes que vão mudar para sempre a vida do casal.
Em Ao seu encontro, Abbi Glines conclui a história que começou em À sua espera. Com a escrita romântica e voluptuosa que a consagrou, ela constrói mais uma narrativa envolvente, com personagens que vão mexer com as nossas emoções até o final.

Escândalos na primavera, de Lisa Keyplas

Daisy Bowman sempre preferiu um bom livro a qualquer baile. Talvez por isso já esteja na terceira temporada de eventos sociais em Londres sem encontrar um marido. Cansado da solteirice da filha, Thomas Bowman lhe dá um ultimato: se não conseguir arranjar logo um pretendente adequado, ela será forçada a se casar com Matthew Swift, seu braço direito na empresa.
Daisy está horrorizada com a possibilidade de viver para sempre com alguém tão sério e controlador, tão parecido com seu pai. Mas não admitirá a derrota. Com a ajuda de suas amigas, está decidida a se casar com qualquer um, menos o Sr. Swift. Ela só não contava com o charme inesperado de Matthew nem com a ardente atração que nasce entre os dois. Será que o homem ganancioso de quem se lembrava era apenas fachada e ele na verdade é tão romântico quanto os heróis dos livros que ela lê? Ou, como sua irmã Lillian suspeita, o Sr. Swift é apenas um interesseiro com algum segredo escandaloso muito bem guardado?
Fechando com chave de ouro a série As Quatro Estações do Amor, Escândalos na primavera é um presente para os leitores de Lisa Kleypas, que podem ter certeza de uma coisa: embora as estações do ano sempre terminem, a amizade desse quarteto de amigas é eterna.

Pequenas ideias para futuras mamães, de Bom & Bon

Repleto de ilustrações divertidas, dicas práticas e conselhos realmente úteis, este livro reúne algumas verdades essenciais para as mães de primeira viagem, que estão ao mesmo tempo cheias de dúvidas e expectativas com o nascimento do bebê.

O nascimento de um filho marca o antes e o depois da vida de qualquer mulher: muda seus horários, sua relação com o parceiro, seu estilo de se vestir, sua maneira de cozinhar... é uma montanha-russa de emoções e transformações sem igual.

Você nunca se sentirá tão exuberante quanto durante a gravidez – mas também jamais se sentirá tão insegura.

Para aliviar a tensão das mulheres que andam apreensivas com tantas mudanças, as autoras decidiram compartilhar dicas, conselhos e alguns segredinhos sobre a maternidade.

Agora me contem: por quais vocês estão ansiosos?

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Temporadas de Acidentes - Moïra Fowley-Doyle

Sinopse: Guardem as facas, protejam as quinas dos móveis, não mexam com fogo. A temporada de acidentes vai começar. Acontece todo ano, na mesma época. Todo mês de outubro, inexplicavelmente, Cara e sua família se tornam vulneráveis a acidentes. Algumas vezes, são apenas cortes e arranhões. Em outras, acontecem coisas horríveis, como quando o pai e o tio dela morreram. A temporada de acidentes é um medo e uma obsessão. Faz parte da vida de Cara desde que ela se entende por gente. E esta promete ser uma das piores. No meio de tudo, ainda há segredos de família e verdades dolorosas, que Cara está prestes a descobrir. Neste outubro, ela vai se apaixonar perdidamente e mergulhar fundo na origem sombria da temporada de acidentes. Por que, afinal, sua família foi amaldiçoada? E por que não conseguem se livrar desse mal? Uma narrativa sombria, melancólica e intensa sobre uma família que precisa lidar com seus segredos e medos antes que eles a destruam. (Skoob)
FOWLEY-DOYLE, Moira. Temporada de Acidentes. Intrínseca, 2016. 256 p.

Todo ano, no mês de outubro, começa a temporada de acidentes. É a época do ano em que a família de Cara mais sofre acidentes. Desde pequenos cortes e hematomas, até a morte de alguns membros da família.

"Nunca saímos de casa sem pelo menos três camadas de roupa. Temos medo da temporada de acidentes. Temos medo da facilidade com que os acidentes se transformam em tragédias. Já passamos por muitas."

O livro começa com uma constatação de Cara: Elsie está em todas as suas fotos, ou pelo menos uma parte delas. O cabelo sem brilho, o sapato, a barra de sua saia xadrez, ou a manga do casaco feio que ela sempre usa. Elsie foi amiga de Cara quando eram mais novas, mas hoje em dia não conversam mais, apesar de estudarem na mesma escola. E desde quando Cara percebe esse fato, decide que precisa falar com Elsie para saber o motivo da garota estar em todas as suas fotos.

A história é narrada por Cara, uma adolescente que mora com sua mãe, Melanie, sua irmã, Alice, e Sam, seu ex-irmão postiço, que continua morando com elas desde que seu pai fugiu e formou uma nova família.

Também não posso deixar de citar Bea, que é muito importante na história. Ela é a melhor amiga de Cara, uma personagem bem diferente, espirituosa e divertida, mesmo com todos os problemas que tem com a mãe. A menina é chamada de bruxa, pois diz que consegue ver o futuro com suas cartas de tarô.

O livro é bem fantasioso, mas as questões familiares se sobressaem na leitura. A família é bem unida. Apesar de suas perdas, continuam juntos, mas os segredos de cada um pesam sobre a relação entre eles. Todos têm segredos e, quando vamos descobrindo no decorrer do livro, vamos nos apegando cada vez mais a todos.

"Então, brindemos à temporada de acidentes,/Ao rio que corre sob nossos pés, onde naufragamos nossas almas,/Aos hematomas e aos segredos, aos fantasmas no sótão,/Mais um brinde á estrada de água."

Cara tem uma imaginação muito fértil e tem consciência disso, mas algumas vezes as coisas acontecem, e ela acha que não foi real, tornando tudo ainda mais complicado para ela e para as pessoas ao seu redor. Ao ler essas confusões, fiquei um pouco perdida, tentando entender o significado de cada coisa. A autora usou uma espécie de metáfora para ilustrar coisas que estavam no subconsciente da garota, tornando a história ainda mais rica.


Gostei da escrita, muito simples, tornando-a fluida, mas com uma carga emocional muito grande. A autora soube levar a história com vários acontecimentos interessantes, e quando eu largava o livro, tinha vontade de pegar novamente para saber o que estava por vir.

Os personagens são incríveis, cheios de mistérios, traumas e segredos. A personalidade de cada um é bem definida e marcante, parabéns à escritora. Porém, achei-os um tanto imaturos e irresponsáveis em alguns momentos, bebendo, fumando (muito, a todo momento), e dando festas sem que os pais soubessem. E na temporada de acidentes, tudo isso é ainda mais perigoso!

Enfim, no final, tive vontade de abraçar os personagens e dizer que tudo ficaria bem. Com certeza esse ficará entre meus livros preferidos da vida.

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Serviço Secreto - Lee Child

Sinopse: Jack Reacher está acostumado a vagar sozinho de uma cidade a outra, sem destino, emprego, endereço ou identidade. Entretanto, ao ser procurado por M. I. Froelich, uma agente do Serviço Secreto, recebe um pedido bastante incomum: “Quero contratá-lo para assassinar o vice-presidente dos Estados Unidos da América”. Mais nova chefe de segurança do vice-presidente eleito, ela quer que Reacher tente encontrar as falhas na defesa de sua equipe, testando sua eficácia contra um potencial ataque. Reacher é a pessoa certa para isso: tem a habilidade e a furtividade de um ex-policial do Exército, além de ser totalmente anônimo. Ela só não fala que, na verdade, a ameaça é real e a vida do vice-presidente de fato corre perigo. (Skoob)
CHILD, Lee Serviço Secreto. Editora Bertrand, 2016. 420 p.


A primeira vez que tive contato com o personagem Jack Reacher foi no cinema, no filme com o Tom Cruise. Na verdade, nem sabia que existia uma série de livros sobre ele. Descobri quando recebi Serviço Secreto da Bertrand. Ai veio a curiosidade de descobrir como seria descrever o tipo de ação que vi no filme. Ou se existia assim tanta ação.


Devido ao filme, durante a leitura, não foi fácil desvincular a imagem do ator com a do personagem que Lee Child criou. Assim, nem tentei e visualizei o Tom Cruise o tempo todo. Não sei se isso é bom rsssssss

Bem, a história segue aquela linha de aventuras de ação misturadas com política que costumamos ver nos filmes americanos desse gênero. Jack é o cara que não tem moradia fixa, que se isola do mundo a seu jeito, mas que está sempre por dentro do que interessa a ele, principalmente para se proteger. Ele sempre tem a ideia certa, seja através de sua inteligência e perícia, seja nos chutes que dá.


Por causa de suas habilidades, o Serviço Secreto, para testar a confiabilidade de seus esquemas de segurança, contrata Jack para ele entrar na Casa Branca e chegar perto do vice-presidente dos EUA. Obviamente, ele consegue. Três vezes! Mais do que isso: ele descobre que realmente existe um plano em andamento contra a vida do vice-presidente.

A narrativa é bastante direta e cheia de jargões. Existem vários trechos muito bem montados em termos de clímax, sem falar que o autor não se limita a matar personagens secundários, mas parte para os importantes também, o que é um ponto muito positivo, porque surpreende o leitor e dá um tom mais verossímil à história.


O único ponto da narrativa que não gostei, foi a tentativa de criar situações românticas que convencessem. Bem, isso, pelo menos para mim, não funcionou. Ficou superficial e mais do tipo: Jack é foda, todas as garotas querem ele. Achei forçado. Mas acho que é uma característica do autor e do personagem. Então, ignorem.

Após finalizar a leitura, cheguei à conclusão que Tom Cruise foi a escolha certa para interpretar Jack. O ator tem toda a confiança que o papel exige, além daquele olhar arrogante e atrevido.


De qualquer forma, isso não atrapalha em nada. Eu estranhei mais, porque não é o gênero de leitura que costumo ter, mas não considero ruim. É só questão de hábito mesmo. Para quem gosta de um thriller de ação, é um prato cheio.

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Conjunto de Séries #13: Blindspot


Uma mulher, completamente nua e com o corpo inteiramente tatuado, é deixada, desacordada, em uma mala no centro de Nova York. Ela não tem uma única lembrança sobre sua vida, mas uma tatuagem a leva diretamente para o agente do FBI Kurt Weller. Jane, como passa a ser chamada, tem em seu corpo inúmeras pistas de crimes, que começam a ser desvendados pela equipe que cuida de seu caso. Essa é a proposta de Blindspot, série adicionada este ano no catálogo da Netflix.

No início da primeira temporada, o espectador está tão confuso quanto o FBI e a própria Jane, que não sabem como ou por que ela teve seu corpo tatuado daquela forma, e nem ao menos se lembra de quem é. Esse mistério impulsiona a trama, pois enquanto outros elementos surgem das tatuagens da protagonista e levam os personagens por determinado caminho, poucas são as respostas para o verdadeiro mistério da série.

Com o tempo, no entanto, Jane começa a se lembrar de alguns detalhes de sua vida e a deixar seus instintos a guiar. Ela sabe lutar, sabe atirar, e não é nem de longe uma donzela indefesa. Ela também começa a perceber que pode não ser tão vítima quanto pensava, mas fica dividida entre o que a levou àquela situação e aquilo no que ela acredita agora.


Blindspot é uma série intensa, na qual cada episódio é um jorro de adrenalina. A série é repleta de ação, perseguições e riscos aos personagens, entre outros elementos que dão a trama uma velocidade incrível. Os mistérios que dão tom à história também fisgam quem assiste, já que, com cada resposta, surgem novas perguntas. Essa incerteza gera aquele tipo de curiosidade que leva a assistir um episódio após o outro, incessantemente.

A série também tem uma pitada de drama e romance que dão um equilíbrio aos capítulos. Não há nada muito meloso ou chato, mas algo sutil, como um toque mais leve a tantos acontecimentos.

Devo avisar, desde então, que o fim da temporada é uma enorme vírgula, que deixa tanta coisa em aberto que é quase frustrante ter de esperar pela segunda. A temporada finaliza com mais perguntas do que quando começou, mas é incrivelmente instigante e, pelo comentários que tenho lido sobre a segunda, acredito que logo essas perguntas começarão a ser respondidas.

Alguém já assistiu? O que achou?

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Uma canção de ninar - Sarah Dessen

Sinopse: Remy não acredita no amor. Sempre que um cara com quem está saindo se aproxima demais, ela se afasta, antes que fique sério ou ela se machuque. Tanta desilusão não é para menos: ela cresceu assistindo os fracassos dos relacionamentos de sua mãe, que já vai para o quinto casamento. Então como Dexter consegue fazer a garota quebrar esse padrão, se envolvendo pra valer? Ele é tudo que ela odeia: impulsivo, desajeitado e, o pior de tudo, membro de uma banda, como o pai de Remy — que abandonou a família antes do nascimento da filha, deixando para trás apenas uma música de sucesso sobre ela. Remy queria apenas viver um último namoro de verão antes de partir para a faculdade, mas parece estar começando a entender aquele sentimento irracional de que falam as canções de amor. (Skoob)
DESSEN, Sarah. Uma canção de ninar. Seguinte, 2016. 320 p. 

Existem alguns autores que são sempre destaque nos blogs literários, e Sarah Dessen faz parte desse grupo, especialmente com obras como Just Listen e Os Bons Segredos. Curiosa que sou, não perdi a oportunidade de ler Uma canção de ninar, publicado pela Editora Seguinte, porém minha primeira experiência com a obra da autora não foi das melhores, infelizmente.

Na primeira metade do livro, não consegui me envolver com a história. A escrita da autora flui e é gostosa de acompanhar, mas a trama boba e um pouco fraca me impediram de mergulhar a fundo na leitura. Por conta disso, não tive aquela expectativa de ler um pouquinho do livro sempre que surgisse um tempo e até me perguntei algumas vezes se não seria melhor passar para outra leitura.

O livro tem como núcleo os acontecimentos cotidianos de uma garota que acabou de se formar no ensino médio e pretende curtir o verão antes da faculdade, sem qualquer compromisso, claro, porque é sempre assim que Remy faz. Os dilemas todos da trama giram em torno dos relacionamentos da protagonista, seja com sua mãe, seu irmão, suas amigas ou seus (ex-)namorados.

"[...] Eu já não tinha mais nenhuma ilusão a respeito do amor. Ele vinha, ele ia, deixava vítimas ou não. As pessoas não eram feitas para ficar juntas para sempre, independente do que diziam as músicas."

Tendo em vista a construção do livro, resta-me aceitar que meu maior problema na leitura, sem dúvida alguma, foi que eu não tenho mais paciência para drama adolescente. Antipatizei de cara com Remy, que narra o livro em primeira pessoa, e suas regras para relacionamentos. Eu até compreendi a falta de fé que ela tinha no amor, por conta da história de sua mãe e de suas próprias experiências, mas não consegui lidar com sua fixação por aquelas regras.

Isso porque, a partir do ponto em que ela se deixou envolver, foi bastante irritante que ela quisesse continuar a seguir seus padrões em vez de simplesmente viver aquilo. Até porque, ela fugia dos relacionamentos para não se machucar, mas com Dexter, ao fugir, ela mesma provocou seu sofrimento. Sei que nessa fase da vida é tudo muito preto no branco, mas não consigo mais compreender a lógica dessas firulas todas e, consequentemente, o mimimi em que se passa a história do livro me pareceu totalmente desnecessário.

"[...] Qual seria a sensação, me perguntei, de amar alguém tanto assim? A ponto de não conseguir se controlar quando a pessoa chegava perto, como se pudesse simplesmente se livrar de qualquer coisa que a estivesse segurando e se jogar sobre o outro com força suficiente para tomar conta dos dois?"

Da metade em diante, apenas, comecei a aceitar a proposta do livro e a simpatizar com o casal da história. Dexter, em especial, conseguiu me cativar, com sua tranquilidade mal disfarçada mesmo quando sofria por amor. Foi ele quem conseguiu amolecer meu coração, por ser tão diferente de Remy, por acreditar tanto nesse sentimento.

Além disso, os demais personagens também proporcionaram alguns momentos divertidos e reflexivos. As amigas de Remy sempre me faziam rir, e os colegas da banda de Dexter eram inacreditáveis. Gostei muito também do relacionamento de Remy com o irmão, a parceria entre os dois, e até com a mãe, que deixou os filhos um pouco de lado para se dedicar à carreira, mas que fez ponderações valiosas à filha.

"- Eu acho que é preciso se proteger - eu disse. - Não dá para simplesmente se entregar.
- Não - ela disse com sinceridade. - Não dá. Mas afastar as pessoas e negar o amor não te torna mais forte. Na verdade, te deixa mais fraca. Porque você estar agindo por medo.
- Medo de quê? - perguntei.
- De arriscar - ela disse. - De se soltar e ceder, e é isso que nos transforma no que somos. Riscos. Isso é viver Remy. Ficar com tanto medo a ponto de nem tentar é um desperdício. Posso dizer que cometi muitos erros, mas não me arrependo de nada. Porque pelo menos sei que não passei a vida toda à margem, imaginando como seria viver."

Uma canção de ninar não foi um dos melhores livros que li este ano, mas, apesar de minha resistência inicial, fui agraciada com um final muito fofo, daqueles de deixar um sorriso no rosto. Para aqueles que não se importam com tramas adolescentes e bobas, tenho certeza que será uma ótima leitura. Tenho outros dois livros da autora na estante e pretendo, em breve, ter uma segunda perspectiva sobre seus títulos.

Recebido da Editora para resenha



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The Kiss of Deception - Mary E. Pearson

Sinopse: Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro? Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor. O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo. (Skoob)
PEARSON, Mary E. The Kiss of Deception. DarkSide Books, 2016. 406 p.


Apesar de não ler muito do gênero, gosto demais de um bom livro de fantasia, principalmente quando há uma mistura de romance, mistério e aventura no meio. Eu tinha certeza que ia adorar The Kiss of Deception, mas a leitura me surpreendeu mais que o normal. Claramente caí em todas as armadilhas preparadas pela Mary E. Pearson e eu simplesmente adorei esse fato. 

A essa altura todo mundo já deve saber que a trama gira em torno de Lia — mais especificamente princesa Arabella Celestine Idris Jezelia, Primeira Filha do reino de Morrighan. Acontece que, justamente pelo fato de ser uma Primeira Filha, acabou sendo amarrada em um casamento arranjado unicamente por questões políticas e é claro que esse não é nem um pouco o seu desejo. No dia do casamento, Lia junta seus pertences mais preciosos e foge para Terravin junto com Pauline, sua fiel amiga. 

Pouco depois de sua chegada, surgem dois homens totalmente estranhos no vilarejo. O que Lia nem imagina é que um deles é o príncipe com quem devia ter se casado e o outro um perigoso assassino enviado por Venda, um dos reinos inimigos, para matá-la. A principal sacada da autora foi não deixar claro quem é o príncipe e quem é o assassino e sim, caí totalmente na estratégia dela. Confesso que o início do livro é um pouco lento, mas aproximadamente da metade para o final a história dá uma guinada e é impossível parar de ler até terminar.

"As verdades do mundo desejam ser conhecidas, mas elas não se forçam sobre a gente como as mentiras fazem. Elas vão nos cortejar, sussurrar para nós, brincas por trás de nossas pálpebras, deslizar para dentro de nós e aquecer nosso sangue, dançar ao longo de nossas colunas e acariciar nossos pescoços até que a pele fique toda arrepiada."

Um dos pontos altos do livro é a própria protagonista. Desde o início Lia se mostra guerreira e certa do que quer. Prova disso é fugir do seu casamento, sabendo que colocaria o reino em risco — quero deixar claro que eu faria a mesma coisa, ninguém é obrigado a casar com uma pessoa que nem ao menos conhece. Apesar de ser um pouco ingênua, Lia amadurece bastante com o passar do tempo e certamente continuará crescendo no decorrer da saga. Para falar a verdade, todos os personagens femininos do livro são marcantes a sua maneira. 

O príncipe e o assassino obviamente são apaixonantes e o fato de você não saber identificá-los provavelmente deixará o leitor animado, mas ao mesmo tempo com o pé atrás — pelo menos foi o que aconteceu comigo. Há quem diga que o público alvo do livro é o feminino. Pode até ser verdade, mas tenho certeza que a história agradaria até mesmo os leitores mais críticos. Também há todo um mistério ao redor do Dom, que é como se fosse um sexto sentido que passa para todas as Primeiras Filhas. O cenário medieval é outro ponto positivo. 

A arte de The Kiss of Deception é totalmente maravilhosa, assim como todos os livros da DarkSide. Eu simplesmente não vejo a hora de ler a continuação da história, principalmente para saber o que acontece com Pauline, que acabou se tornando a minha personagem preferida na trama. A única coisa que eu tenho para dizer é que já me viciei nessa história apenas no primeiro livro e mal posso esperar para ver o que Mary E. Pearson está preparando para nós.

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Leituras do Mês: Novembro

Dezembro chegou, com todas as suas expectativas para festas de fim de ano e início de novo ano. Coisa boa! rsrs Eu adoro essa época, principalmente porque o verão chega junto com isso tudo.

Já estou vendo algumas tags e postagens legais sobre fim de ano em alguns blogs e estou pensando em fazer por aqui, espero conseguir organizar tudo.

Voltando a novembro, consegui finalizar cinco leituras, todas elas ótimas. O primeiro livro do mês foi Belgravia, que recebi em parceria com a Editora Intrínseca. A história é ótima, mas eu ainda não consegui postar a resenha.

Em seguida li A maldição da pedra, para resenha no blog Roendo Livros. A resenha já está disponível por lá e, quando puder, libero aqui também.

O terceiro livro do mês foi À Sua Espera, da Editora Arqueiro. Não tinha lido nada da Abbi Glines até então, e o livro teve alguns pontos altos e baixos, mas no geral eu gostei da leitura. A resenha pode ser lida aqui.

Li também Uma canção de ninar, que achei meio bobinho, mas com um final muito fofo e que compensou a leitura. Devo publicar a resenha ainda esta semana.

O mês foi finalizado com A filha perdida, também da Editora Intrínseca, um livro bem diferente do que eu imaginava, mas que eu gostei bastante de ler. A resenha está disponível neste link.

E vocês? O que leram em novembro? E quais são as perspectivas para o último mês do ano?

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Caminho das águas - Eva Zooks

Sinopse: O que fazer quando a vida está ligada a um segredo? Quando todas as decisões conduzem a um caminho desconhecido e misterioso? Anne é uma historiadora obcecada por um tema em particular: a história de um homem que visita seus sonhos desde a adolescência. Ethan Brown, um soldado condecorado da guerra da Secessão. Mas que estranha relação existe entre ela e alguém que viveu em 1864? É isso que Anne terá a oportunidade de descobrir ao ser convidada por Henry Starre, um rico colecionador de obras de arte, para passar uma temporada em Maryland e conhecer de perto o local de suas pesquisas. (Skoob)
ZOOKS, Eva Caminho das águas. Ler Editorial, 2016. 184 p.


Os dois personagens principais de Caminho das águas possuem várias características semelhantes, entre elas a determinação, teimosia e o fato de serem assombrados pelo sonho de um soldado morto na Guerra da Secessão, ocorrida entre 1861 e 1865 nos Estados Unidos. Os acontecimentos do sonho acontecem na região de Maryland, no que ficou conhecido como a Batalha de Antietam, no dia 17 de setembro de 1862, e que se tornou a batalha mais sangrenta da Guerra Civil Americana e de toda a história dos Estados Unidos.


No início da história, Anne não consegue mais conduzir sua vida sem descobrir o motivo de sonhar com Ethan Brown, o tal soldado que viveu dois séculos atrás. Para isso, ela começa uma pesquisa atrás de pistas que revelem quem realmente era Ethan. É assim que ela conhece a família Starre, cujo patriarca viúvo, Henry, é um colecionador de obras de arte, que promete a Anne ter os meios necessários para que ela desvende esse mistério.


Henry tem dois filhos homens: James, o mais velho, que é arredio, reservado e mantém Anne afastada com seu jeito rude; e Ronald, o caçula, que é o contrário do irmão, mas por quem mantém um amor e uma lealdade que comove.

Embora Anne e James se estranhem no início, fica logo claro a paixão que um nutre pelo outro. E a descoberta de que James tem o mesmo sonho de Anne, acaba criando um laço para que descubram o motivo desse martírio.


Já Ronald é um personagem à parte. O amor, amizade e cumplicidade que ele tem com o irmão mais velho é comovente. Na verdade é como se tivessem papeis trocados, uma vez o Ronald é mais protetor e maduro do que James. Inclusive, a continuação de Caminho das águas tem Ronald como personagem principal.

O romance de Anne e James é convincente e, aos poucos, ganhamos simpatia pelo casal e torcemos para que fiquem juntos. Como este é o primeiro volume, muita coisa fica por explicar. Mesmo assim é um início promissor, que prendeu minha atenção e me deixou ansioso pela conclusão.

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Top Comentarista - Dezembro


Dezembro é mês de festas, e aqui no Conjunto da Obra teremos muitos prêmios este mês. Tem promoção de Dez formas de fazer um coração se derreter de A Química com inscrições abertas neste início de mês, então corram e se inscrevam, que ainda dá tempo! Também tem Promoção de Natal, com livros incríveis!

Por ser uma época tão comemorativa, o prêmio do Top Comentarista de Dezembro também será um pouquinho diferente! O ganhador receberá um vale presente do Submarino, no valor de R$25,00, para gastar como quiser e usar para comprar aquele livro desejado há tanto tempo! O que acham?

As regras serão as mesmas de sempre:

Para se inscrever é preciso:
  • Seguir o Conjunto da Obra pelo Google Friend Connect (clicar em "Participar deste Site" na barra lateral direita)
  • Ter endereço de entrega em território Brasileiro.
  • Preencher o formulário abaixo.
  • Comentar em todos os posts publicados no mês de dezembro, incluída a resenha de A Filha Perdida, exceto os de lançamentos de novas promoções.
  • Seguidas todas as regras iniciais, para participar, basta preencher a primeira entrada do formulário. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais.
  • Serão considerados válidos os comentários nas postagens do mês de dezembro se feitos até o dia 1º de janeiro. Ou seja, será concedido um dia a mais para que os participantes consigam comentar nas últimas postagens do mês.
  • O participante deve fazer comentários válidos, que demonstrem que a postagem foi lida. Não adianta dizer que está curioso para conhecer a história, isso não é suficiente, e o participante será desclassificado.
  • O vencedor será definido por sorteio, dentre os participantes que comentarem em todas as postagens do mês. Apenas depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.
  • O sorteado será contatado por email, tendo o prazo de 24h para fornecer seus dados. Caso não envie resposta no prazo, será realizado novo sorteio.
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A filha perdida - Elena Ferrante

Sinopse: “As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas.
Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca. Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.
No estilo inconfundível que a tornou conhecida no mundo todo, Elena Ferrante parte de elementos simples para construir uma narrativa poderosa sobre a maternidade e as consequências que a família pode ter na vida de diferentes gerações de mulheres. (Skoob)
FERRANTE, Elena. A filha perdida. Intrínseca, 2016. 176 p.

Confesso que a curiosidade pelo livro de Elena Ferrante foi oriunda mais do mistério que envolve o nome da autora do que pela sinopse em si. Ninguém sabe quem ela é, não há fotos, entrevistas diretas, nada que possa vincular o nome a uma pessoa. A filha perdida, publicado pela Editora Intrínseca, foi então uma boa oportunidade, e não pude deixar passar.

Para ser sincera, a trama é simples e até mesmo bastante monótona, se observada com uma perspectiva crua. O enredo é narrado em primeira pessoa por Leda, uma professora universitária que decide tirar férias, sozinha, no litoral da Itália. Lá, passa a observar e, comedidamente, a interagir com uma família napolitana bastante semelhante àquela em que cresceu.

Preciso destacar, porém, que a construção textual de Elena Ferrante exclui todo o marasmo de um enredo absurdamente cotidiano e dá brilho às coisas mais banais. Ler A filha perdida é fácil, pois a trama flui envolta nas reflexões de Leda sobre as vidas que passa a acompanhar naquela praia e, especialmente, sobre a própria vida.

"Abri um livro, mas, àquela altura, já estava me sentindo dentro de um emaranhado de sentimentos amargos que, a cada som impactante, cor ou cheiro, amargavam ainda mais. Aquela gente me irritava. Eu havia nascido em um ambiente como aquele, meus tios, meus primos, meu pai, todos agiam daquela maneira, com uma cordialidade prepotente. Eram cerimoniosos, em geral muito sociáveis, e cada pedido que saía de sua boca soava como uma ordem ligeiramente disfarçada de falsa bondade e, quando necessário, sabiam ser vulgarmente ofensivos e violentos."

É interessante observar como uma trama aparentemente tão simples e curta traz consigo tanta profundidade. Ao recordar as passagens de sua vida, Leda se questiona como mãe e como mulher, especialmente em comparação ao papel que a sociedade lhe impôs. Fica nítido o quanto se importa com as coisas socialmente condenáveis que fez e o quanto tenta reparar cada erro, mas sua força de vontade não impede que outros pensamentos condenáveis passem por sua mente.

A filha perdida é, acima de tudo, um relato genuíno sobre a maternidade. Não somente sobre a parte nobre e "compartilhável" de se ter um filho, mas sobre todas as coisas boas e ruins que vêm junto da responsabilidade por uma nova vida que surgiu de si. A autora não poupa o leitor dos pensamentos mais cruéis que às vezes passam na cabeça das mães, a vontade de deixar tudo para trás e de deixar de ser mãe para voltar a ser você mesma.

O título também parece um pouco irônico: quem é a filha perdida? Leda, que saiu do seio de sua família por querer ser diferente deles? Marta e Bianca, que ela parecia não alcançar mais? Elena, a criança que ela gostava tanto de observar? Nina, tão diferente daqueles napolitanos? Ou a boneca? Isso não fica tão explícito no livro, e talvez não se refira a nenhuma delas, mas acho mais provável que se trate de todas.

Trata-se, enfim, de um relato interessante e questionador. Não é aquele tipo de livro que vai fazer o sangue vibrar nas veias do leitor, mas com certeza vai lhe dar motivo para pensar de outra forma acerca de conceitos aparentemente tão bem estabelecidos.

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