O medo mais profundo - Harlan Coben

Sinopse: Na época da faculdade, Myron Bolitar teve seu primeiro relacionamento sério, que terminou de forma dolorosa quando a namorada o trocou por seu maior adversário no basquete. Por isso, a última pessoa no mundo que Myron deseja rever é Emily Downing. Assim, ele tem uma grande surpresa quando, anos depois, ela aparece suplicando ajuda. Seu filho de 13 anos, Jeremy, está morrendo e precisa de um transplante de medula óssea – de um doador que sumiu sem deixar vestígios. E a revelação seguinte é ainda mais impactante: Myron é o pai do garoto. Aturdido com a notícia, Myron dá início a uma busca pelo doador. Encontrá-lo, contudo, significa desvendar um mistério sombrio que envolve uma família inescrupulosa, uma série de sequestros e um jornalista em desgraça.Nesse jogo de verdades dolorosas, Myron terá que descobrir uma forma de não perder o filho com quem sequer teve a chance de conviver. (Skoob)
COBEN, Harlan. O medo mais profundo. Editora Arqueiro, 2016. 272 p.


O medo mais profundo não é o primeiro livro do Harlan Coben que leio, mas é o primeiro do personagem Myron Bolitar, um ex-jogador de basquete, que possui uma empresa de representação de atletas de luta livre e que realiza investigações para encontrar pessoas desaparecidas de vez em quando.


Este é o sétimo livro do personagem, mas, mesmo assim, não me senti perdido em nenhuma situação. Eventualmente, acontecem algumas menções a outras histórias, mas nada que atrapalhe a leitura ou a compreensão. E os personagens secundários, que entram e saem em alguns capítulos, são apresentados com os detalhes suficientes.

A história começa com Myron descobrindo que sua mãe escondeu dele que seu pai teve um infarto e que está encarando a vida de forma diferente. Por isso, eles irão vender a casa da família, onde vivem há 35 anos.

Nesse interim, Emily, uma antiga paixão de Myron, que o traiu às vésperas do casamento, aparece com a notícia de que ele tem um filho com ela, Jeremy, de 13 anos, que o menino está doente, morrendo, e que precisa de um transplante de medula de um doador que já foi identificado. Mas esse doador desapareceu misteriosamente.


Por conta disso, Emily pede que Myron esqueça as mágoas, inclusive o fato dela ter escondido que ele tinha um filho, e encontre o doador antes que seja tarde demais. Então, Myron começa uma corrida contra o tempo para conseguir salvar o filho.

A escrita de Harlan Coben, para quem não conhece, é extremamente direta. Isso não quer dizer que ela não seja descritiva. Até é. Inclusive, em alguns pontos, ele comete alguns pecados, como diálogos que não acrescentam nada à trama, e nem sequer ao relacionamento dos próprios personagens, como piadas e conversas sobre esporte ou a profissão de alguns de seus clientes. Isso acaba causando uma quebra sequencial de ação e quase, quase, se torna chato. Mas não chega a tanto.

O que quero dizer com escrita direta, é que ele não tem o hábito de carregar na emoção, mas, sim, no suspense, na curiosidade do leitor em descobrir o mistério da história. Isso é suficiente, e muito, para tornar seus livros bons. O leitor acostumado com o autor, sabe que são histórias para entreter, como aqueles bons filmes policiais de ação.


O medo mais profundo não decepciona no seu final. A conclusão surpreende na medida certa e traz uma novo rumo à vida do personagem. Acho que essa diversidade é o que permite que o personagem tenha tantas aventuras.

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Promoção: Aconteceu naquele verão


Depois de uma semana cheia de postagens especiais sobre o livro Aconteceu naquele verão, espero ter deixado vocês curiosos pelo livro. É uma leitura fofa e gostosa e, se alguém tiver oportunidade, vale a pena conferir.

Para fechar a semana com chave de ouro - e de quebra possibilitar que um dos leitores do blog possam conhecer essa obra - o Conjunto da Obra, em parceria com a Editora Intrínseca, vai sortear um exemplar do livro. Gostou?

Para participar é simples! Basta seguir o blog Conjunto da Obra pelo Google Friend Connect (clicar em "Participar deste site" na barra lateral direita) e preencher essa entrada no formulário. Depois, várias outras entradas serão abertas, para quem quiser ter ainda mais chances.



As inscrições serão feitas por meio da ferramenta Rafflecopter. Para os que ainda têm dúvidas sobre como utilizá-la, podem ver este tutorial aqui. As inscrições são válidas até dia 28 de fevereiro, e o resultado será divulgado em até 7 dias, neste mesmo post.

Após o resultado, o Conjunto da Obra entrará em contato com o vencedor por e-mail, que deverá ser respondido em até 24 horas. O exemplar será remetido pela Editora Intrínseca.



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O Lago Místico - Kristin Hannah

Esposa e mãe perfeita, Annie vê o seu mundo desabar de uma hora para outra quando é abandonada pelo marido. A fuga momentânea é para Mystic, a pequena comunidade onde ela cresceu e onde o seu pai ainda vive. Lá, Annie começa a se reerguer novamente, descobrindo o amor por si mesma, por um velho amigo solitário e por uma garotinha que acaba de perder a mãe. Tudo está se encaixando na vida de Annie. Nick e Izzy se tornaram uma parte importante de seu processo de cura, e ela também se tornou essencial para a sobrevivência da relação entre pai e filha. Até que o seu ex-marido reaparece... e a tranquilidade rapidamente dá lugar ao desespero. Kristin Hannah encanta mais uma vez com uma história comovente, sensível e verdadeira sobre perda, paixão e os fios frágeis que unem as famílias. (Skoob)
Hannah, Kristin. O Lago Místico. Novo Conceito, 2014. 365p.


Traição. Divórcio. Vinte anos de convivência jogados no lixo como se não tivessem nenhum significado importante. É assim que conhecemos Annie, uma mulher de trinta e nove anos que se anulou a maior parte da vida para colocar a família sempre em primeiro lugar. Precisando se redescobrir e, principalmente, se afastar de uma casa cheia de recordações que a fazem sofrer diariamente, ela parte para Mystic, lugar onde passou toda sua infância e adolescência ao lado do pai.

"Sozinha. Era só isso que sabia. Para onde quer que fosse, seria como uma mulher de meia-idade sozinha."

Em Mystic ela conhece a pequena Izzy, uma menininha que parou de falar completamente após a morte da mãe e que acredita estar sumindo aos poucos. Nick é pai de Izzy, trabalha como policial da cidade e um grande amigo do passado de Annie. As histórias desses três personagens se cruzam e juntos, em meio a tanto caos e tristeza em suas vidas, eles buscam um motivo para continuar seguindo em frente.

"O tempo todo ela pensava que estava sendo a esposa perfeita. Só agora conseguia ver como estava errada: tinha feito todos esses sacrifícios com sua força e amor, mas também por causa da fraqueza. Porque era mais seguro e mais fácil ser uma seguidora. Tinha se tornado o que planejara ser, e agora se envergonhava de suas escolhas."

É interessante acompanhar como a Annie vai se curando e aos poucos se redescobrindo sem nem mesmo perceber que isso está acontecendo. A forma como a autora foi estreitando aos poucos o laço entre Annie e Izzy é simplesmente encantadora! Uma precisa desesperadamente do carinho da outra já que as duas se sentem abandonadas pelas pessoas que mais amavam na vida.

De forma gradativa, os três vão estabelecendo uma relação de confiança mútua. Mas saber que Annie vai ter que partir dentro de alguns meses para oficializar o divórcio e explicar toda situação para a filha, que estava viajando quando tudo aconteceu, nos deixa o tempo todo com uma sensação amarga de que algo tão bom vai ter que ser interrompido. E tudo fica ainda pior quando uma situação inesperada faz com que Annie precise tomar a decisão de voltar para a vida que tinha antes do pedido de divórcio ou seguir em frente atrás de seus sonhos e desejos mais profundos.

Eu me apaixonei pela Izzy, senti orgulho do autocontrole do Nick, bati palmas cada vez que a Annie lutava com unhas e dentes para obter as rédeas da própria vida e torci muito para que eles pudessem ter um final feliz mesmo contra todas as probabilidades.

Além dos já anteriormente citados, a história ainda aborda temas como alcoolismo, depressão e suicídio. Os personagens tem uma carga emocional profunda e a autora nos permite ter um vislumbre da força pessoal que cada um deles tem que encontrar dentro de si para achar o caminho de volta e, quem sabe assim, trilharem um novo rumo para suas próprias vidas.

E amei essa leitura por ser completamente delicada e envolvente. Indico com todas as forças para quem gosta de uma boa história de superação com uma temática familiar.

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Semana Especial #3: Playlist Aconteceu naquele verão


Hoje é o último dia da Semana Especial organizada pela Editora Intrínseca sobre Aconteceu naquele verão. Se vocês ainda não enjoaram de ver postagens sobre o livro, confiram essa, porque está bem legal: trouxe uma playlist inspirada no livro!

Escolhi, para cada conto, uma música que eu acho que combina com a história de alguma forma. Espero que vocês gostem das escolhas:

Cabeça, escamas, língua, calda, de Leigh Bardugo
Música: Rather Be, de Clean Bandit ft. Jess Glynne


O fim do amor, de Nina Lacour
Música: The best think about me is you, de Rick Martin ft. Jess Stone


O último suspiro do cinemorte, de Libba Bray
Música: Till the world ends, de Britney Spears


Prazer doentio, de Francesca Lia Block
Música: Shape of you - Ed Sheeran


Em noventa minutos, vá em direção a North, de Stephanie Perkins
Música: Say you love me, de Jessie Ware


Lembranças, de Tim Federle
Música: Love Song, de Sara Bareilles


Inércia, de Veronica Roth
Música: Only love can huts like this, de Paloma Faith


O amor é o último recurso, de Jon Skovron
Música: Summer, de Calvin Harris


Boa sorte e adeus, de Brandy Colbert
Música: Good Days, de Sasha


Nova atração, de Cassandra Claire
Música: Counting Stars, de One Republic


Mil maneiras de tudo isso dar errado, de Jennifer E. Smith
Música: Say it again, de Natasha Bendingfield


O mapa das pequenas coisas perfeitas, de Lev Grossman
Música: Maps, de Maroon 5



O que acharam da playlist?

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Aconteceu naquele verão - Stephanie Perkins

Sinopse: Doze histórias apaixonantes de doze grandes escritores, entre eles Cassandra Clare, Veronica Roth e Stephanie Perkins.
Bem-vindos à estação mais ensolarada e apaixonante de todas! No verão, somos todos iguais, diz um dos personagens do conto “Mil maneiras de tudo isso dar errado”. No Brasil, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar do globo, uma coisa é certa: no verão, nossos corações ficam mais leves, mais corajosos, impetuosos e confiantes — talvez por isso esta seja a estação perfeita para se apaixonar... e Aconteceu naquele verão é o livro ideal para quem adora histórias de amor.
Mas essa coletânea tem algo ainda mais especial. Algumas histórias têm uma pitada de estranheza, de mistério, um toque sobrenatural. Em “Cabeça, escamas, língua, calda”, a lagoa de uma cidadezinha é morada de um monstro marinho que só uma menina vê. No intrigante “Inércia”, dois grandes amigos há muito afastados vão se encontrar num quarto de hospital para uma última visita. No belo “O mapa das pequenas coisas perfeitas” é sempre dia 4 de agosto. Presos num loop temporal, dois jovens vão comprovar do que a força do amor é capaz.
A lição é simples: o amor não escolhe lugar nem hora para surgir. Coloque seus óculos escuros e abra sua cadeira de praia, porque neste verão você terá doze motivos para suspirar e se apaixonar. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
PERKINS, Stephanie. Aconteceu naquele verão. Editora Intrínseca, 2016. 384 p.


Quem de nós nunca criou boas histórias de verão? Muitos estão em férias, muitos viajam, outros ficam no mesmo lugar. Mas uma coisa é certa: todo mundo sempre busca um modo de se refrescar e fugir do calor. Piscina, praia, rio... tudo isso resulta em interação humana, querendo ou não. E é daí que surgem as histórias de verdade, as boas histórias, as histórias de amor. Essa é a proposta de Aconteceu naquele verão, organizado por Stephanie Perkins, com a participação de outros onze autores, cada um responsável por um dos doze contos do livro, que têm em comum apenas isso: o verão e o amor.

Cada história é única e não falta originalidade. Todos os contos possuem perspectivas diferentes acerca do amor, e tenho certeza que todos os leitores se sentirão, de alguma forma, representados. O livro trata de amor de amigo, amor entre pais e filhos e, especialmente, de amor romântico. Existem casais de todos os tipos, sem preconceito, e tudo é narrado com tanta doçura que é difícil não se encantar com cada um deles.

Os elementos dos textos, por outro lado, não se limitam ao romance. Os autores imaginaram formatos atípicos para contar suas histórias e a liberdade criativa foi amplamente usada. Alguns contos envolvem mistério, fantasia, distopia e até mesmo terror. Cassandra Clare, por exemplo, criou um parque de terror com energia gerada por um demônio, em Nova Atração. Um filme amaldiçoado tornou O último suspiro do Cinemorte, de Libba Bray, um conto assustador. Cabeça, escamas, língua, calda, de Leigh Bardugo, teve um final surpreendente sobre o misterioso ser do lago.

Fiquei encantada com a forma como cada conto conseguiu me tocar. Assim que eu elegia um favorito do livro, lia outro em seguida e me apaixonava ainda mais. Na ordem de leitura, os que mais gostei foram O fim do amor, de Nina Lacour, Em noventa minutos, vá em direção a North, de Stephanie Perkins, Inércia, de Veronica Roth e Mil Maneiras de tudo isso dar errado, de Jennifer E. Smith. Esses, em especial, conseguiram despertar em mim a lembrança de estar apaixonada e, se eu consegui sentir o que os personagens sentiam, é porque realmente vivi aquela história.

Dos contos que não me agradaram tanto, Prazer doentio, de Francesca Lia Block, está em primeiro lugar, sem dúvidas. O conto até é fofo e bonito por um tempo, mas de uma hora para outra desanda  e eu só não consegui gostar do caminho que tomou. Lembranças, de Tim Federle, foi uma leitura boa e me trouxe boas sensações ao finalizar a leitura, mas acho que eu gosto mais de tramas sobre o nascer do amor, e não sobre o seu fim. Amor é o último recurso é engraçado e divertido, mas não conseguiu me encantar como os outros.

Boa sorte e adeus, de Brandy Colbert, e O mapa das pequenas coisas perfeitas, de Lev Grossman, também podem ser enquadrados como histórias belas e tocantes, repletas de mensagens profundas sobre realidades diversas das nossas vidas, como recomeços, mudanças e novas chances. Não entraram na lista de preferidos, mas são realmente muito bons também.

Uma das maiores diversões que tive enquanto lia o livro era identificar, nos desenhos da capa, onde cada casal está representado. Achei genial a ideia de incluir todos os contos na imagem e é incrível como alguns detalhes de cada história estão tão bem reproduzidos em um desenho tão pequeno, embora só seja possível saber o que procurar depois de ler. Acredito que aconteça o mesmo na capa de O presente do meu grande amor, mas como não li aquele livro, não sabia que era assim tão detalhista.

Aconteceu naquele verão é uma bela coletânea de contos sobre essa estação mágica que inspira amor. Uma ótima opção de leitura para relembrar aquele amor de verão ou, para quem nunca teve um, para vivenciar a sensação intensa e única de amar alguém nessa estação enérgica, quente e fugidia que é o verão.

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Semana Especial #2: Aconteceu naquele verão


A Semana Aconteceu naquele verão, organizada pela Editora Intrínseca, continua e o tema de hoje é Uma história interessante ou misteriosa que já aconteceu no verão. Eu fiquei muito, muito indecisa sobre qual história contar para vocês, mas, inspirada por esse livro de contos incríveis, decidi pôr a cabeça para funcionar.

~~*~~*~~

Era noite e eu dirigia havia duas horas depois de um dia especialmente difícil. O sol sumira do horizonte havia algum tempo e, mesmo sem ele, o calor não dava trégua. Com os vidros do carro abaixados até onde era possível (nem tudo funcionava bem no veículo, infelizmente) uma brisa quente sacolejava meus cabelos úmidos de suor.

O caminho até a casa de veraneio não era dos mais agradáveis, considerando meu carro simples e as estradinhas de terra pelas quais tinha que viajar, mas eu só conseguia pensar que em aproximadamente uma hora eu poderia me permitir o desejado descanso. Eu teria todo o mês para caminhar pela areia e nadar nas águas cálidas daquela praia onde meus pais e meu irmão mais novo me aguardavam.

Eu passava pelo lugar mais isolado do caminho quando o carro começou a desacelerar e, com um estalido baixo, parou completamente. Peguei o celular dentro da bolsa, mas, como eu imaginava, não havia resquício de rede. Era inacreditável a minha falta de sorte. Fazia pouco mais de quinze minutos que eu havia deixado para trás o último aglomerado de casas da região. O próximo provavelmente se localizava uns trinta quilômetros à frente. Tudo que eu podia ver, além da estradinha de terra, independente da direção para a qual olhasse, era um campo verde e algumas árvores. Eu estava sozinha, no meio do nada, com um carro quebrado.

Mesmo sem experiência e qualquer conhecimento sobre mecânica, abri o capô e espiei lá dentro. Nada fazia muito sentido para mim, mas mantive meu olhar sobre o motor e seus companheiros por mais dois ou três minutos. Voltei para o interior do carro e girei a ignição. Nada. Meus instintos me faziam querer chutar a lataria e gritar de raiva, mas eu sabia que precisava pensar com clareza para decidir o que fazer. Saí do carro para esticar as pernas enquanto me acalmava, quando ouvi uma voz intensa e masculina às minhas costas:

– Tenho a impressão de que você precisa de ajuda.

Olhei na direção de onde vieram essas palavras enquanto tentava fazer meu coração desacelerar depois do susto. A voz pertencia a um homem forte e alto, com olhos azuis escuros intensos e que parecia estar envolto em uma névoa esbranquiçada. A luminosidade que me permitia enxergar o homem com clareza parecia provir dele mesmo e meu coração parou por um instante, antes de começar a bater enlouquecido outra vez. Sempre achei que veria algo semelhante se estivesse diante um fantasma, mas era assustador demais pensar naquilo.

– Qu... Quem é você?

O medo era nítido em minha voz, mas não foi possível controlar aquele sentimento. Minha mente gritava "de onde esse cara saiu?" e eu não conseguia imaginar qualquer resposta lógica para essa pergunta.

– Você não acreditaria se eu dissesse.

O homem tinha uma voz suave e tranquila, mas isso não ajudava em nada. Aquela luz que ele emanava não podia ser considerada normal e, quanto mais eu tentava racionalizar o que meus olhos viam, mais eu percebia que aquilo não podia ser desse mundo. Além disso, a forma como ele respondeu a minha pergunta foi mais assustadora do que se ele tivesse dito que era realmente um fantasma, como eu imaginava.

– O que é você?

Fiz um esforço para pronunciar essas palavras com alguma dignidade, mas elas saíram embargadas das lágrimas que tomavam meus olhos. Meus joelhos cederam e, quando tocaram o chão, toda a racionalidade já havia me abandonado, então me entreguei à vontade incontrolável de chorar. Em segundos os soluços tomaram conta de meu corpo e o rosto estava banhado em lágrimas.

Eu não estava com medo, eu estava apavorada. Sempre achei que fosse corajosa o bastante, mas nunca pensei que veria algo assim em toda a vida. Eu sabia que o homem à minha frente era diferente, mas que eu não sabia o que ele era, e quanto mais eu tentava me acalmar e dizer para mim mesma que eu não tinha razão para ficar assim, mais vergonha e medo eu sentia e mais chorava.

O estranho se aproximou cautelosamente e, com delicadeza, tomou minhas mãos.

– Ei... eu realmente sou algo que não posso explicar, mas você me conhece. Luiz, lembra?

Então eu me lembrei. Foi como se a menção ao nome abrisse uma comporta e fizesse desmoronar sobre mim uma enxurrada de lembranças. Lembrei dos verões que compartilhamos quando crianças, das brincadeiras na água e das guerras de sorvete. Lembrei dos passeios de bicicletas e dos piqueniques no parque e também da intensidade daquele olhar quando a ingenuidade da infância começava a ficar para trás. Lembrei da noite, há dez anos, em que fiquei esperando por ele e estava decidida que o beijaria, mas ele não apareceu. E ele nunca mais apareceu. Até esta noite.

– Por quê?

– Eu não posso te dizer o que sou, mas mesmo que você não me veja, estou o tempo todo com você. Sempre. E eu estou aqui agora porque quero te ajudar e porque sei que você precisa de ajuda – como se lesse meus pensamentos, ele sabia que minha pergunta não se referia a apenas agora, então a resposta abrangia diversas variáveis.

– E aquela noite... por que não foi? Por que desapareceu? 

Outro tipo de desespero começava a tomar conta da minha voz, e eu o via refletido também em seus olhos.

– Eu sabia o que aconteceria e era tudo o que eu mais queria. Mas eu não podia. Não podia ser visto à noite, e agora você sabe bem porquê. Não podia me apaixonar, mas já era tarde. Então meu castigo foi não ser visto, por ninguém, por dez anos.

– Eu achei que...

– Eu nunca fugiria de você – ele não me deixou concluir, mas pareceu ler meus pensamentos. – E eu preciso muito fazer uma coisa, mesmo que saiba que provavelmente nunca mais poderei encontrar você.

Ele mal terminou de pronunciar a última palavra quando senti seus lábios nos meus. Meu coração começou a bater enlouquecidamente outra vez, mas agora por outro motivo. Deixei-me levar por aquele sentimento, a intensidade dos nossos lábios colados um ao outro em misto de necessidade urgente e delicadeza. Depois de dez anos, pude finalmente sentir o sabor dele em minha boca e foi tão delicioso quanto eu esperava, com todas as frustrações da falta dele me deixando. Eu mesma me sentia em queda livre, como se uma espécie de torpor estivesse tomando conta do meu corpo.

Quando o beijo teve fim, senti meu corpo pesado e meu cérebro enevoado. A confusão parecia tomar conta de mim, pois eu não estava mais no meio do nada, e sim em minha cama, na casa de veraneio. Percebi que ainda vestia as roupas com que viajei na noite passada, e a chave do carro estava na mesinha de cabeceira ao meu lado. Abri a janela, e o carro estava estacionado no espaço de cascalho ao lado da casa. Corri até lá, e o motor funcionou sem qualquer problema. Havia sido apenas um sonho, então.

O sonho mais vívido que já tive, definitivamente. Acho que as recordações nos recônditos desse lugar devem ter despertado essas lembranças tão antigas e reacendido meus desejos esquecidos, tão mais aflorados no verão. Pode ter sido isso. Não pude evitar que uma pontada de desânimo se abatesse sobre mim, porque esses acontecimentos emocionantes e românticos sempre limitam a acontecer somente nos meus sonhos. Sentei-me no pequeno sofá posicionado na varanda e olhei para as mãos cruzadas no meu colo. Foi quando vi, nos joelhos do jeans usado na noite passada, ainda no corpo, as marcas de ter me ajoelhado na terra da estrada.


~~*~~*~~


Claro que eu não tenho nem metade do dom dos autores de Aconteceu naquele verão para escrever um conto, mas tentei aguçar a curiosidade com uma história minha. E aí, o que acharam?

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Semana Especial #1: Aconteceu naquele verão


Esta semana a Editora Intrínseca convidou os blogs parceiros para falar sobre Aconteceu naquele verão, livro de contos organizado por Stephanie Perkins e publicado em janeiro pela Editora. A Semana Especial começou ontem, com a publicação da resenha do livro por alguns blogs. Por conta da programação semanal aqui, não pude publicar a minha ontem, mas ainda deve ir ao ar nos próximos dias. O tema de hoje é sobre o conto favorito do livro, porém eu acho absurdo ter que escolher um só. Não posso fazer isso porque, sempre que eu encerrava um conto muito bom, que tinha tudo para ser um favorito, logo lia outro tão apaixonante quanto. Por isso, vou falar sobre os três contos que mais gostei.

Sou uma pessoa solar e amo o verão. As melhores lembranças que tenho da vida ocorreram nessa estação, então mesmo com os aspectos não tão bons da época - calor demais e suor demais - eu sempre espero pelo período com infinitas expectativas. Por isso, viver outras histórias incríveis de verão por meio da leitura do livro foi uma experiência sem igual, que me trouxe de volta a leveza e as recordações que só o verão pode trazer.

Quero deixar claro que minha escolha de tramas favoritas leva em consideração apenas uma coisa: o quanto me envolvi com o texto e os personagens, o quanto eles me fizeram sentir aquilo que sentiam. É totalmente subjetivo e não existem razões lógicas, então não sei se os outros leitores concordariam comigo. De todo modo, o livro possui doze histórias e duvido (MUITO) que todo mundo não se encante com pelo menos uma.

Em noventa minutos, vá em direção a North, de Stephanie Perkins, entra nessa lista. Li em algum lugar que Marigold e North, protagonistas desse conto, também aparecem em O presente do meu grande amor, e eu fiquei ainda mais curiosa para conhecer o início da história desses dois. A intensidade dos sentimentos deles é cativante e o modo como a autora consegue mostrar, pelos olhares e gestos de cada um, o quanto eles se gostam, tocou-me profundamente. Eu compreendi toda a insegurança de Marigold para fazer o que tinha que fazer, depois do que tinha ocorrido entre os dois, e fiquei com meu coração apertado durante toda a leitura. Depois de sentir tudo o que senti ao ler esse texto, fui obrigada a colocá-lo na lista.

Inércia, de Veronica Roth, foi outro que me deixou de coração partido. No início, só se sabe que Matt sofreu um acidente e que está prestes a morrer. A trama se passa em algum futuro não determinado, e o programa Última Visita permite que os escolhidos pelo paciente tenham uma última conversa,  com ajuda da tecnologia, revisitando as recordações que compartilharam. Mesmo depois de um tempo afastados, Claire ainda consta na lista de Matt e, quando é chamada, não pensa duas vezes e corre para o hospital. Foi lindo viajar pela recordação desses dois e eu derramei boas lágrimas ao ler esse conto. Veronica Roth estraçalhou meu coração e eu não podia deixar de falar sobre esse conto nesta lista.

Um dos últimos contos do livro, Mil maneiras de tudo isso dar errado, de Jennifer E. Smith, também conseguiu me conquistar. Não tive problemas para entender o "segredo" de Griffin, mas isso não tirou o brilho da história, pelo contrário. Porque exatamente aquilo que poderia ser um problema, foi o que chamou atenção de Annie para ele. Eu amei a leveza desse conto, a delicadeza do romance e a sinceridade dos personagens. Foi simplesmente lindo.

Alguém já leu o livro? De quais contos gostou? Se não, essa é uma ótima opção para quem gosta de histórias curtas, fofas e apaixonantes. 


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A Face dos Deuses - Gleyzer Wendrew

Sinopse: Heros Kinnhäert, rei de Maäen, ainda é atormentado pelos horrores vividos durante a Longa Guerra, e tudo que deseja é descansar em paz. Mas ao saber da terrível aliança entre dois grandes senhores, vê-se preso em uma teia de conspirações nunca antes vista, e não medirá esforços para evitar a destruição de seu país… No Norte, Koran K’Voöhk é um orgulhoso guerreiro que retorna à sua cidade após o exílio que lhe foi imposto ainda garoto, e depara-se com a mais pura decadência: sua Família está em declínio; seu castelo, abandonado aos ratos; seus inimigos, ainda mais poderosos… Conseguirá ele reerguer o nome de sua Família e recuperar o prestígio que ela um dia tivera? Mentiras, laços frágeis, falsas emoções e adagas traiçoeiras permeiam um mundo cercado de religião, política e deuses misteriosos. (Skoob)
WENDREW, Gleyzer A face dos deuses. Editora Kiron, 2016. 180 p.


Através de uma narrativa em terceira pessoa, com capítulos alternando personagens, cidades e reinos específicos, o leitor é inserido, gradualmente, no incrível mundo de Dünya, e no meio de um jogo de interesses, planos, traições, violência e morte.


Visitamos, principalmente, os reinos de Vatra, onde Cleyo, o responsável pelo início da Longa Guerra, que matou milhares de pessoas, governa ao lado de mais dois regentes; De Venn, renio governado por Kazoya, um homem que vive sob o manto da dúvida, mas que possui um vasto poder ao seu dispor; e Maäen, onde Heros sobrevive ao luto da perda de seu irmão.

Em paralelo à trama desses três reinos, acompanhamos a trajetória de Koran, o Ceifador de Almas, em busca de vingança pelo assassinato de toda a sua família.


A primeira coisa que o leitor irá reparar, é na similaridade da história com livros como Game of Thrones, onde o enredo é movido à base de planos ocultos para a aquisição de poder, mesmo que, para isso, seja necessário matar quem aparecer na frente.

Entretanto, a obra tem uma singularidade, que é a inserção da religião em volta de sete diferentes deuses, que são adorados e que possuem profundo significado no desenrolar da trama.

A face dos deuses é uma trilogia, e neste primeiro volume, somos apenas inseridos nesse vasto mundo, muito bem construído, com personagens instigantes e como ações que já prevemos que irão desencadear consequências terríveis.


Para ajudar o leitor a se localizar nos nomes incomuns dos personagens e localidades, existe, no fim do livro, um pequeno compêndio com os nomes dos setes deuses, bem como os símbolos e a cronologia de cada família dos principais reinos.

Outro destaque, é o cuidado com que foi produzido o mapa desse mundo. Ao contrário de todas as obras que já li, aqui, o mapa é colorido, o que facilita, muito, a identificação de cada localidade por parte do leitor.

A face dos deuses começa a série com o pé direito e promete ser um destaque nos livros de fantasia nacionais.

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Novidades #156: Novo Conceito em Fevereiro

Oi pessoal, como estão? Viram como a semana foi intensa e cheia de postagens? Semana que vem deve ser tão cheia de conteúdo quanto, pois temos posts muito especiais em vista!

Para tornar o domingo mais leve, vamos apenas apreciar novos lançamentos e fazer contas para colocar mais alguns desejados na estante. Que tal? 

Hoje vim mostrar os lançamentos da Editora Novo Conceito programados para fevereiro e preciso dizer: tem livros para todos os gostos. Desde adultos e hot, passando por dramas, até juvenis. Confiram:

A menina que não acredita em milagres, de Wendy Wunder

Gênero: Drama
Páginas: 288
ISBN: 9788581638126

Sinopse: Campbell tem 17 anos.
Ela não acredita em Deus.
Muito menos em milagres.
Cam sabe que tem pouco tempo de vida, por isso, quer viver intensamente e fazer tudo o que nunca fez no tempo que lhe resta. Mas a mãe de Cam não aceita o fato de perder a filha, por isso, ela a convence a fazer uma viagem com ela e a irmã para Promise um lugar conhecido por seus acontecimentos miraculosos.
Em Promise, Cam se depara com eventos inacreditáveis, e, também, com o primeiro amor. Lá ela encontra, finalmente, o que estava procurando mesmo sem saber.
Será que ela mudará de ideia em relação à probabilidade de milagres?
A Menina que não Acredita em Milagres vai fazer você rir, chorar e repensar sua conduta de vida.

Espero por você, de Jennifer L. Armentrout

Gênero: Romance
Páginas: 384
ISBN: 9788581638201

Sinopse: Algumas coisas valem a pena esperar.
Algumas coisas valem a pena experimentar.
Algumas coisas não devem ser mantidas em silêncio.
E, por algumas coisas, vale a pena lutar.
Avery Morgansten precisa fugir. Ir para uma faculdade a centenas de quilômetros de casa foi a única forma que encontrou para esquecer o acontecimento fatídico que, cinco anos antes, mudara a sua vida para sempre. O que não estava em seus planos era atrair a atenção do único rapaz que pode mudar totalmente a rota do futuro que Avery está tentando construir.
Cameron Hamilton tem um metro e noventa de altura, impressionantes olhos azuis e uma habilidade notável para fazer com que Avery deseje coisas que ela acreditava terem sido roubadas irrevogavelmente dela. Envolver-se com ele é perigoso. No entanto, ignorar a tensão entre eles — e despertar um lado dela que nunca soube que existia — é impossível.
Até onde ela estará disposta a ir e o que fará para esquecer o passado e viver aquela relação intensa e apaixonada, que ameaça ruir todas as suas certezas e fazê-la conhecer um mundo de sensações que julgava estar negadas para sempre?

Darkmouth - Os caçadores de lendas, de Shane Hegarty
Gênero: Aventura
Páginas: 336
ISBN: 9788581636771

Sinopse: Elas estão chegando!
As Lendas (ou melhor, monstros aterrorizantes que se alimentam de humanos) invadiram a cidade de Darkmouth. Elas querem dominar o mundo.
Mas não entre em pânico! Finn, o último dos Caçadores de Lendas, vai nos proteger.
Finn tem doze anos, adora animais, não leva muito jeito para lutar; mas é muito, muito esforçado. E todos nós sabemos que ser esforçado é a melhor arma contra um Minotauro faminto, né?
Hum... Pensando bem, pode entrar em pânico.
Entre em pânico agora! Corra!



Isolados - O enigma, de Bibi Tatto

Gênero: Infanto Juvenil
Páginas: 144
ISBN: 9788581638492

Sinopse: Bibi Tatto retorna ao Minecraft para uma aventura ainda mais eletrizante!
Um Intruso invadiu o Novo Mundo criado por Bibi e ameaça detoná-lo caso a youtuber gamer mais conhecida do Brasil não encontre o avatar do seu irmão Gagui, que foi sequestrado e está preso em algum lugar desse universo digital. Mas para isso, Bibi terá que enfrentar os desafios do mundo virtual e desvendar uma série de enigmas deixado pelo caminho enquanto tenta descobrir quem é o misterioso invasor entre os milhões de inscritos que a seguem.
Assim como no primeiro livro, Bibi Tatto enriquece as páginas da nova história com segredos e momentos divertidos de sua vida, enquanto nos apresenta uma aventura digna das melhores séries do Minecraft!

Pessoalmente, fiquei mais curiosa por Espero por você e A menina que não acredita em milagres, nessa ordem.

E vocês? Quais gostariam de ler?

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Loja de Conveniências - Guilherme Smee

Sinopse: Como um romance erótico às avessas, 'Loja de conveniências' é a história de um jovem que se deixa levar pela inércia até o momento em que é abordado por uma garota, que se dispõe a fazer dele seu 'projeto pessoal'. Ante a expectativa da chegada do namorado dela, seu mundo vai se modificando aos poucos, e passa a viver num pós-apocalipse emocional. Com personagens que vagam sempre isolados e devastados, colocam-se em discussão o amor, o sexo e a culpa pelas escolhas que são (ou deixam de ser) feitas. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
Smee, Guilherme. Loja de Conveniências. Não Editora, 2014. 128p.


Guilherme é um jovem de dezoito anos que vive em um mundo repleto de opções e escolhas a serem feitas, mas não consegue encontrar a motivação nem a força de vontade para tomar qualquer tipo de atitude. Até mesmo o cursinho pré-vestibular que faz é uma grande perda de tempo, já que ele não tem a menor ideia do que pretende cursar na faculdade.

Em meio a essa inércia, eis que surge em seu caminho Heloísa, uma jovem audaciosa que parecer o conhecer melhor do que ele mesmo e que está disposta a fazer alguma coisa para socorrer Guilherme de um futuro tedioso e sem expectativas. Tudo o que ele precisa fazer é deixar tudo por conta dela e seguir suas ordens sem questionamentos.

"Esse é o problema. Você deixou de acreditar nas coisas.
Sim, Mestre Yoda, eu sei que a força está dentro de mim.
Não, é sério, olha pra você, olha pra sua vida. Você está assim porque deixou de acreditar nas coisas. E o pior, deixou de acreditar em você."

Guilherme não é um personagem fácil de aceitar, pelo menos não foi para mim. Ele é preguiçoso ao extremo e, apesar de afirmar ter medo de fazer escolhas e das consequências que isso possa trazer para o seu futuro, não teve medo nenhum de colocar a própria vida nas mãos de uma desconhecida e praticamente acatar de olhos fechados todas as ordens que ela lhe dava. Totalmente surreal!

Através de muitos questionamentos sobre o que seria verdadeiramente amar alguém e sobre a importância do sexo em um relacionamento, aos poucos vamos descobrindo quais são as reais intenções de Heloísa e que ela não é tão livre e descolada quando aparenta ser. O retorno de Davo, namorado dela e que por sinal é um traficante de drogas foragido, do meio para o fim da história só faz o clima ficar mais confuso do que já era inicialmente. 

O uso desenfreado de drogas e álcool me incomodou bastante. Em muitos momentos Guilherme mais parecia estar vivendo uma alucinação do que a realidade. Apesar de saber que essa é uma idade em que a maioria dos jovens tem dúvidas sobre o que será do futuro e, consequentemente, acabam experimentando coisas novas para descobrir exatamente em qual lugar se “encaixam”, acredito que depois de toda essa aventura o nosso personagem principal terminou mais perdido ainda do que já estava no começo de tudo. 

A menção a clássicos do rock traz certa familiaridade com o ambiente no qual a história se passa, criando todo um clima grunge e melancólico que remete muito aos anos 1990. Fico pensando que esse livro ficaria muito mais interessante se estivesse em formato de quadrinhos como na imagem de capa. 

Loja de Conveniências apesar de ser bem curtinho não é um livro leve e indicado para todas as idades. Definitivamente, a história não funcionou para mim. Levando isso em consideração, a leitura fica como alerta para as consequências das escolhas (ou falta delas) em nossas vidas.


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