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Manual para Românticas Incorrigíveis - Gemma Townley

Sinopse: Apesar dos protestos de amigos, Kate Hetherington ainda acredita ser possível achar seu príncipe encantado. Quando encontra um antigo guia, intitulado o "Manual para Românticas Incorrigíveis", Kate decide dar uma chance ao seu romantismo e seguir as dicas do livro para encontrar o parceiro ideal. E este será apenas o começo de uma aventura para a qual nenhum manual terá as respostas. (Skoob)
TOWLEY,  Gemma. Manual para românticas incorrigíveis. Record, 2009. 368p.


Kate é solteira e, segundo seus amigos, "uma romântica incorrigível", que não se contenta em namorar qualquer um e tem mil exigências e sonhos. Vendo um anúncio na Internet (que a convenceu pelo "Está cansada de ser chamada de romântica incorrigível?"), ela compra um manual provavelmente dos anos 1950, 1960, no máximo, que promete o amor ou seu dinheiro de volta.

Eu achei esse livro bem diferente dos outros chick lit que já li. Para começar, ele tem capítulos focados em cada personagem (não todos), apesar de a sinopse e tudo serem só sobre a Kate. Quer dizer, eles deveriam ser só coadjuvantes mas todos têm sua história própria, o que é raro de ver até em outros gêneros quando o livro especifica um único protagonista, tirando livros de fantasia tipo Harry Potter que, por serem mundos enormes, você acaba conhecendo as histórias e mentes de muita gente. Muitas vezes em livros e em filmes (série é um gênero ainda muito fixado em um conjunto, eu nunca vi uma em que os coadjuvantes ou protagonistas menores estão só em função do protagonista) os coadjuvantes só são aprofundados quando é relevante para o personagem principal e tudo que você souber sobre eles é porque ele se interessou em contar. Em comédia romântica, muito dos amigos só estão ali para dar conselhos, por exemplo. Aqui não. Inclusive eles são até personagens superbem construídos e com profundidade. Será que eles chegam a se tornar protagonistas por causa disso e de terem seus capítulos?

A Sal é uma personagem meio inédita para mim. Ela é uma pessoa que vive para preencher uma lista de afazeres que ela deseja e o casamento dela foi praticamente um desses. A gente vê gente fria ou realista, mas é difícil alguém ter tanta consciência do quão pragmático é quanto ela e sem nenhum motivo obscuro. É mais comum serem assim porque têm medo de se magoar, como o Tom. Uma personagem como a Sal não é nem um pouco comum num romance.

Tirando o que falaram da Kate rejeitar pretendentes por motivos exagerados como não gostar de uma cantora ou ir para a faculdade do namorado (e vamos ser sinceros, muita gente faz isso), ela não parece muito louca. Os amigos dela que são muito fechados pro amor e honestamente, pra mim eles que são os estranhos por acharem que por exemplo ela deveria se contentar com algo, como se alguém tivesse necessidade de se casar. Eu concordo com ela, casar por casar não tem nada a ver. Claro, alguns podem não precisar de um grande amor ou outro grande motivo, mas outros precisam.

Também é ótimo como a Kate não vive em função de romance (coisa que termos como esse do título podem sugerir). Ela tem um trabalho bem difícil que adora e odeia ao mesmo tempo e ele vai ocupar várias páginas também. Isso é algo que eu vi no outro livro da Gemma que já li, Curvas de Aprendiz. Só que a personagem daquele nem estava pensando em relacionamentos até um tempo depois de conhecer o personagem.

O livro foi divertido e irônico (principalmente sobre a cultura das celebridades), com alguns clichês do gênero e cenas que você imagina totalmente num filme, mas com consistência, uma história na qual a maioria dos personagens e acontecimentos não são relevantes só para a protagonista, mas poderiam até dar sua própria história, e capaz de emocionar por muito mais razões do que apenas o casal principal.

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Em outra vida, talvez? - Taylor Jenkins Reid

Sinopse: Hannah está perdida. Aos 29 anos, ainda não decidiu que rumo dar à sua vida. Depois de uma decepção amorosa, ela volta para Los Angeles, sua cidade natal, pois acha que, com o apoio de Gabby, sua melhor amiga, finalmente vai conseguir colocar a vida nos trilhos. Para comemorar a mudança, nada melhor do que reunir velhos amigos num bar. E lá Hannah reencontra Ethan, seu ex-namorado da adolescência. No fim da noite, tanto ele quanto Gabby lhe oferecem carona. Será que é melhor ir embora com a amiga? Ou ficar até mais tarde com Ethan e aproveitar o restante da noite? Em realidades alternativas, Hannah vive as duas decisões. E, no desenrolar desses universos paralelos, sua vida segue rumos completamente diferentes. Será que tudo o que vivemos está predestinado a acontecer? O quanto disso é apenas sorte? E, o mais importante: será que almas gêmeas realmente existem? Hannah acredita que sim. E, nos dois mundos, ela acha que encontrou a sua. (Skoob)
REID, Taylor Jenkins. Em outra vida, talvez? Rio de Janeiro: Editora Record, 2018. 322 p.


Eu não sei se vocês sabem, mas existe um ramo da Física Quântica que estuda uma teoria que afirma existirem universos múltiplos. Essa teoria diz que exatamente tudo o que é possível acontecer, realmente acontece. Isso significa que o universo em que estamos vivendo agora é uma parte do Multiverso, e que há infinitos universos, todos igualmente infinitos. Isso também significa que existem outras versões de nós em algum lugar, todas elas criadas no instante em que fazemos alguma escolha. De certa foma, é esse o assunto que Em outra vida, talvez? aborda.

Essa história toda parece coisa de maluco, mas faz um total sentido. Afinal, quais as consequências das nossas escolhas? Hannah tem 29 anos e nenhuma noção do que está fazendo da sua vida. Vive pulando de cidade em cidade até que resolve voltar para sua terra natal, Los Angeles, onde vai morar com sua melhor amiga, Gabby. Em uma noite, Hannah vai comemorar sua volta com alguns antigos amigos e reencontra seu ex-namorado da adolescência, Ethan. Em um ponto da noite, tanto Ethan quanto Gabby oferecem uma carona para Hannah voltar para casa.

A partir desse momento, a narrativa em primeira pessoa — pela visão de Hanna — se divide em duas realidades alternativas, uma onde a personagem escolhe Ethan e a outra onde ela escolhe voltar para casa com a Gabby. Assim, os capítulos começam a se intercalar entre os dois cenários, mostrando o que acontece após cada escolha da protagonista, e podemos acompanhar bem de perto tudo o que Hannah passa.

Eu gostei muito desse livro. Primeiro porque me fez pensar no que poderia ter acontecido se eu tivesse feito alguma escolha diferente no meu passado. Aliás, eu bem que acredito que existam várias de mim em infinitos universos lidando com as consequências das escolhas, quem garante que não? Segundo porque a escrita de Taylor Jenkins Reid é muito fluida e fácil de entender, além da narrativa ser bem direta. Isso fez com que eu lesse o livro todo numa sentada, coisa que não acontecia há mais de oito meses — e não tô exagerando.

Ao permitir que a gente conhecesse as duas possibilidades de Hannah, cada uma com situações bem diferentes da outra, a autora me fez questionar sinceramente se existe o tal do livre arbítrio ou até mesmo o destino. Quer dizer, será que a nossa vida é realmente feita de escolhas? Eu gostei bastante dos universos que a autora me mostrou, mas senti falta de um onde a Hannah não necessariamente precisasse um homem para o seu final feliz.

Outra coisa que fez eu me apaixonar por essa história foi a Gabby. Misericórdia, com certeza ela é a minha personagem preferida de todos os tempos de 2018 — até agora. Gabby é amiga de verdade, do tipo que, apesar de apoiar em todos os momentos, não passa pano para as atitudes erradas da Hannah. Amei o companheirismo entre as duas e isso me lembrou muito a minha relação com a minha melhor amiga. O romance também foi delicioso de acompanhar, mas confesso que eu tenho uma realidade paralela preferida, que vocês só vão poder me perguntar quando terminarem de ler o livro.

Em outra vida, talvez? foi uma surpresa para mim. É um livro completo, que tem enredo e personagens legais, que diverte o leitor e que deixa várias reflexões, como, por exemplo, sempre existir um final feliz independente das escolhas que fazemos. Ah, o bônus que esse livro me trouxe foi a vontade de saber um pouco mais sobre a teoria do Multiverso.

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Entre Quatro Paredes - B.A. Paris

Sinopse: Um thriller sobre um sonho que torna-se pesadelo.
Grace é a esposa perfeita.
Ela abriu mão do emprego para se dedicar ao marido e à casa. Agora prepara jantares maravilhosos, cuida do jardim, costura e pinta quadros fantásticos. Grace mal tem tempo de sentir falta de sua antiga vida.
Ela é casada com Jack, o marido perfeito.
Ele é um advogado especializado em casos de mulheres vítimas de violência e nunca perdeu uma ação no tribunal. Rico, charmoso e bonito, todos se perguntavam por que havia demorado tanto a se casar.
Os dois formam um casal perfeito.
Eles estão sempre juntos. Grace não comparece a um almoço sem que Jack a acompanhe. Também não tem celular, que ela diz ser uma perda de tempo. E seu e-mail é compartilhado com Jack, afinal, os dois não guardam segredos um do outro. Parece ser o casamento perfeito. Mas por que Grace não abre a porta quando a campainha toca e não atende o telefone de casa? E por que há grades na janela do seu quarto?
Às vezes o casamento perfeito é a mentira perfeita.(Skoob)
PARIS, B.A. Entre Quatro Paredes. Editora Record, 2017. 266 p.


Grace e Jack são um casal perfeito. Nunca brigam, estão sempre juntos, têm uma casa linda. Oferecem jantares aos amigos, em que tudo é perfeito. Pelo menos é isso que eles mostram a todos.

Jack e Grace se conheceram por acaso e pouco tempo de relacionamento bastou para decidirem se casar. Grace abandonou o emprego a pedido de Jack, pois ele a convenceu de que ele era um advogado bem sucedido e teria dinheiro de sobra para os dois. Além do mais, ela teria bastante tempo para se dedicar à nova casa e ao marido. Outra coisa que a ajudou nessa decisão, foi saber que teria que cuidar de sua irmã com síndrome de Down logo que concluísse os estudos. Com todos esses prós, ela aceitou abandonar o emprego e viver para a família que formaria.

Mas logo após se casarem - na lua de mel, para ser mais precisa -, Jack mostra que não é aquele perfeito cavalheiro que demonstrava. Ele, enfim, revelou seu lado cruel e calculista, trazendo à tona todo o seu plano absurdo. O homem se mostrou muito inteligente, pensou em tudo por vários anos, aprimorando seus planos para que tudo desse certo. Criou uma vida perfeita, para que todos acreditassem em como ele era perfeito, e todos acreditaram. Impossível alguém desconfiar de um homem daquele, maltratar pessoas indefesas? Jamais! Jack era advogado de mulheres que sofriam abusos e agressões, não suportava ver alguém sendo machucado. Ou pelo menos era isso que ele queria que todos acreditassem.

Não posso entrar em detalhes sobre a história, pois acabaria estragando todo o mistério, mas posso dizer que senti muita pena de Grace, a moça se iludiu completamente por aquele estranho, e não posso dizer que ela foi boba, pois qualquer um cairia na lábia de Jack. Além de ser bonito, ele era muito gentil e antes nunca havia demonstrado sinais de violência ou algo do tipo. Grace estava completamente perdida, sem amigos, sem a família, não havia nada que pudesse fazer para deter Jack, tudo que ela tentava, parecia em vão, pois o marido já havia previsto e se precavido.

A forma como Grace cuida de sua irmã, Millie, mesmo estando longe, a forma como faz de tudo para protegê-la é o que tira um pouco do peso do livro, mas ao mesmo tempo traz de volta esse peso por saber que Jack está lá, esperando, com toda sua maldade. Millie é um amor, muito esperta e subestimada por todos, a única que a conhece de verdade é sua irmã.


A mente de Jack é completamente insana, a cada capítulo vamos tendo mais acesso e aos seus planos e é tudo muito chocante, a forma como tortura a esposa e como manipula todos ao seu redor nos faz perceber como ele é psicopata. A autora conseguiu criar um personagem muito assustador, até agora me sinto mal em pensar na maldade daquele homem. Eu me surpreendi muito com a escrita da autora, é realmente visceral e completei a leitura em pouco tempo.

Não sei se posso considerar esse relacionamento como abusivo, pois vai muito além disso. Os abusos, não sexuais, mas sim físicos e psicológicos, eram constantes de uma forma que Grace não conseguia sair daquilo. A sensação de sufocamento parecia exalar das páginas, vindo direto para o leitor.

Os capítulos são todos narrados em primeira pessoa por Grace e são revezados entre passado e presente, o que me despertou uma grande ansiedade, pois ao mesmo tempo que eu queria ler sobre tudo o que havia acontecido antes, também estava louca para saber o que estava acontecendo no presente e qual seria o final. 

Achei que a autora correu um pouco com a história, devido ao fato de se passar em tão pouco tempo, mas gostaria de ter mais detalhes sobre tudo, mas ao mesmo tempo fiquei feliz, pois estava muito curiosa para saber o final e me sentindo sufocada com tanta crueldade. Foi o tipo de livro que me prendeu e quando eu não estava lendo, estava pensando na história, em como terminaria. Recomendo a leitura, mas apenas para aqueles que gostam de thrillers e tem estômago forte.

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Minha vida (não tão) perfeita - Sophie Kinsella

Sinopse: Dramas, confusões e uma boa dose de amor são os ingredientes do novo romance de Sophie Kinsella. Uma divertida crítica aos julgamentos errados que uma boa foto no Instagram pode gerar. Cat Brenner tem uma vida perfeita mora num flat em Londres, tem um emprego glamoroso e um perfil supercool no Instagram. Ah, ok... Não é bem assim... Seu flat tem um quarto minúsculo sem espaço nem para guarda-roupa , seu trabalho numa agência de publicidade é burocrático e chato, e a vida que compartilha no Instagram não reflete exatamente a realidade. E seu nome verdadeiro nem é Cat, é Katie. Mas um dia seus sonhos se tornarão realidade. Bom, é nisso que ela acredita até que, de repente, sua vida não tão perfeita desmorona. Demeter, sua chefe bem-sucedida, a demite. Tudo o que Katie sempre sonhou vai por água abaixo, e ela resolve dar um tempo na casa da família, em Somerset. Em sua cidadezinha natal, ela decide ajudar o pai e a madrasta com a nova empreitada do casal: os dois planejam transformar a fazenda da família em um glamping, uma espécie de camping de luxo e estão muito empolgados com o novo negócio, mas não sabem muito bem por onde começar. E não é justamente lá que o destino coloca Katie e sua ex-chefe cara a cara de novo? Demeter e a família vão passar as férias no glamping, e Katie tem a chance de, enfim, colocar aquela megera no seu devido lugar. Mas será que ela deve mesmo se vingar da pessoa que arruinou sua vida? Ou apenas tentar recuperar seu emprego? Demeter - a executiva que tem tudo a seus pés - possui mesmo uma vida tão perfeita, ou quem sabe, as duas têm mais em comum do que imaginam? Por que, pensando bem, o que há de errado em não ter uma vida (não tão) perfeita assim? (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora.
KINSELLA, Sophie. Minha vida (não tão) perfeita. Editora Record, 2017. 406 p.


Ainda na adolescência, tive meu primeiro contato com Sophie Kinsella: lembro que O segredo de Emma Corrigan me arrancou gargalhadas e o nome de Sophie ficou marcado desde então como uma das autoras que devo ler sempre que tiver oportunidade. Mais tarde, o primeiro livro que li inteiramente em inglês foi da série Os Delírios de Consumo de Becky Bloom e eu também me diverti muito, mesmo tendo feito a leitura em outra língua que eu ainda não compreendia completamente. Assim, fiquei encantada quando recebi um exemplar de Minha vida (não tão) perfeita da Editora Record e esperava uma leitura tão engraçada quanto as anteriores, mas não foi bem isso que encontrei nesse livro. Como sempre acontece quando as expectativas são grandes, acabei um pouco decepcionada.

Minha vida (não tão) perfeita conta a história de Katie, que sempre sonhou morar em Londres e viver tudo de bom que a cidade oferece. Embora a realidade seja muito mais difícil do que ela deixa transparecer - apartamento pequeno que divide com dois desconhecidos, longe do trabalho, um emprego que não é bem aquilo que ela esperava, nenhum amigo e uma chefe horrível - ela se sente londrina e até adotou uma nova personalidade: Cat. Não bastasse isso, nunca sobra dinheiro para muita coisa e o pior acontece: Cat é demitida. Sem muitas opções, ela volta para a cidade onde cresceu para ajudar seu pai e sua madrasta com seu novo negócio e, por causa das coincidências da vida, é lá que ela tem oportunidade de se vingar da pessoa que mais a prejudicou.

"Morar em Londres é como morar em um set de filmagem, das ruas mais afastadas no estilo dickensiano até os reluzentes prédios de escritórios, passando pelos jardins secretos. Você pode ser quem quiser."

A autora utiliza uma linguagem fácil e gostosa, então é difícil não se deixar envolver por sua história, pelo menos depois de algumas páginas. Isso porque, no primeiro capítulo, Kinsella lança dezenas de informações que poderiam ser melhor trabalhadas no decorrer da leitura, o que dá a impressão de estarmos na companhia de uma protagonista chata e reclamona. Com o decorrer do texto, percebe-se que Katie não é chata, mas fica difícil pensar isso quando ela joga tudo de ruim que acontece em sua vida logo nas primeiras páginas.

Depois desse início "antipático", a leitura logo engrena e passa rápido. Adorei a forma como a autora construiu seu enredo com foco no drama profissional de Katie e inseriu mulheres de garra em toda a história. Tenho que admitir que algumas delas não eram assim tão legais, mas, mesmo no caso daquelas que fizeram algumas vilanias, elas foram as protagonistas do livro, do início ao fim. Tratou-se de um livro sobre elas, sobre tudo de bom ou de ruim que uma mulher pode fazer, sem colocá-las como coadjuvantes ou como frágeis, e acho que o maior exemplo disso foi Demeter, que mesmo no momento de maior fragilidade conseguiu mostrar que não era uma coitadinha.

"É esse o problema de conhecer as pessoas na vida real: não temos o perfil delas ao lado da foto."

Demeter, aliás, se tornou minha personagem favorita, por ser inspiradora, inteligente e forte ao mostrar quão duro foi para ela conciliar uma carreira de sucesso com marido e filhos. Difícil, mas não impossível. Só que eu gostei mais ainda dela por se importar com as pessoas, por não se preocupar com rancor, mesmo que em alguns momentos ela tenha demonstrado que não tinha o menor tato para lidar com as pessoas.

O mais importante do enredo criado por Sophie Kinsella, porém, foi a crítica sobre a falsa realidade criada nas redes sociais e a inveja que é gerada por ela. Embora essa crítica tenha sido mais superficial do que eu esperava - já que eu imaginei que tudo aconteceria em decorrência da internet, e não foi bem assim - foi a inveja de uma falsa percepção que movimentou, indiretamente, todos os acontecimentos da obra. De fato, por mais perfeita que a vida de alguém pareça, todo mundo tem seus momentos ruins e, talvez, as pessoas tenham decidido mostrar apenas a parte que gostam.

"Acho que finalmente descobri como me sentir bem em relação à vida. Sempre que vir alguém muito feliz, lembre-se: essa pessoa também tem seus momentos não tão perfeitos."

O problema do livro, para mim, foi que eu esperava me divertir muito com o enredo, mas passei longe disso. Houve uma única cena que me trouxe algumas risadas e senti falta de mais disso. As partes que deveriam ser engraçadas me pareciam tão exageradas que eu só conseguia sentir constrangimento pelos personagens. E me irritou um pouco o fato de que todos pareciam mentir com uma enorme facilidade, inclusive para as pessoas mais próximas, sem se importarem, como se fosse normal. Como as mentiras sempre levavam a mais constrangimento, deveria ser engraçado, mas não era para mim, então elas só me irritaram.

Fora esse humor mal sucedido, Minha vida (não tão) perfeita ainda conseguiu trazer uma história bonitinha, cheia de mensagens importantes e fofa, mas não mais que isso. É uma leitura gostosa e otimista, mas não consegue ser marcante, nem pelo lado do drama, nem da comédia. Ainda assim, só por falar de família, sonhos e das perspectivas frustrantes de viver a vida com olhar na vida dos outros, o livro conseguiu trazer alguma coisa boa e foi uma ótima companhia por um tempo.

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Sonata em Auschwitz - Luize Valente

Sinopse: Um bebê nascido nas barracas de Auschwitz-Birkenau, em setembro de 1944. Uma sonata composta por um jovem oficial alemão, na mesma data, também em Auschwitz. Duas histórias que se cruzam e se completam. Décadas depois, Amália, jovem portuguesa, começa a levantar o véu de um passado nazista da família a partir de uma partitura que lhe é revelada por sua bisavó alemã. A dúvida de que o avô, dado como morto antes do fim da Segunda Guerra, possa estar vivo no Rio de Janeiro, a leva a atravessar o oceano e a conhecer Adele e Enoch, judeus sobreviventes do Holocausto. A ascensão do nazismo na Alemanha, culminando na fatídica Noite dos Cristais, a saga dos judeus húngaros da Transilvânia, os guetos na Hungria e Romênia, os trens para Auschwitz, os mistérios acontecidos no campo de extermínio da Polônia e o pós-guerra numa casa cheia de segredos num lago de Potsdam oferecem os trilhos que Amália percorrerá para montar o quebra-cabeça. (Skoob)
VALENTE, Luize. Sonata em Auschwitz. Editora Record, 2017. 378 p.


Imagine que um dia, todas as suas coisas são confiscadas pelo governo, inclusive sua roupa, sua casa, seu dinheiro, enfim tudo. Imagine que você é levado para um bairro rodeado por muros, onde existe hora de acordar e de dormir, sem luz, sem água e com comida escassa. Imagine que você precisa usar uma estrela na roupa para diferenciar você das outras pessoas. Ruim, não é? Agora, imagine que um dia você e sua família são arrancados desse bairro, levados para um trem com milhares de outras pessoas. Imagine que vocês chegam em um local no meio do inverno, sem roupas de frio, recebem a tatuagem de um número na pele e passam a dormir em camas de madeira no meio de centenas outras dentro de um galpão. Agora, imagine que sua família é levada para um outro galpão, de onde sai uma constante fumaça cinza, e você descobre que nesse local, eles serão queimados vivos. Imagine que você irá a seguir.

Seis milhões de pessoas passaram por essas situações e morreram. De forma mais clara: mais de quinhentas mil crianças, mais de dois milhões de mulheres, mais de três milhões de homens. Apenas em Auschwitz, morreram quase dois milhões de pessoas nas câmeras de extermínio. Sim, é terrível, inimaginável, mas é necessário ter consciência desses números. É necessário lembrar sempre e contar para as gerações futuras, para as pessoas nunca esquecerem dessa barbárie.

Parte da história de Sonata em Auschwitz se passa nessa época. Amália, a personagem principal, uma jovem portuguesa, viaja para a Alemanha e para o Brasil em busca de uma resposta sobre quem era seu avô e sobre o passado misterioso de sua família. Ela é determinada, persistente e curiosa. Isso faz com que ela descubra uma história de compaixão, sacrifício, amor e morte.

Os capítulos são alternados entre o passado e o presente, entre uma narrativa em primeira pessoa e uma narrativa em terceira pessoa. O leitor passa a viajar por lembranças e por fatos recentes, juntando as pistas, descobrindo, junto com Amália, o que realmente aconteceu para que um bebê judeu conseguisse sobreviver e escapar de Auschwitz, como um oficial nazista participou dessa fuga, quem eram os pais da criança e qual a ligação dela com todos eles.

A autora não poupa o leitor de detalhes de como foi a confinação no campo de extermínio, nem do que aconteceu até os personagens chegarem a esse fim de vida. Ela também coloca reflexões, sentimentos, frases que demonstram o quanto tudo isso afetou as pessoas que conseguiram sobreviver, mesmo depois de tantas décadas. A conversa que Amália tem com uma outra personagem é impregnada de emoção e dor, mas também de esperança e reconhecimento.

Uma das características que mais gostei da obra, são os fatos verídicos misturados com os ficcionais; das personalidades que realmente existiram, com os personagens criados pela autora. Inclusive, a sonata que o oficial nazista compõe para a criança, o leitor pode ouvir no site da autora (clique AQUI para acessar), onde também existem várias outras curiosidades.

As últimas páginas de Sonata em Auschwitz transmitem o quanto a realidade pode ser dura, mesmo quando adornada pela ficção. Nelas, também encontramos a Árvore Genealógica das famílias dos personagens, mas recomendo que você não as veja antes do fim do livro, porque contém informações que irão estragar algumas surpresas. Então, não seja curioso.

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Onde Está Elizabeth? - Emma Healey

Vencedor do Costa Book Awards e do Premio Salerno Libro dEuropa, o romance de estreia de Emma Healey é uma delicada narrativa sobre memória misturada a um thriller. Maud tem 80 anos e está ficando cada vez mais esquecida. Sua própria filha e sua casa lhe parecem irreconhecíveis, e ela escreve bilhetes para si mesma na tentativa de lembrar do cotidiano. Um dia, um dos bilhetes informa que sua amiga Elizabeth está desaparecida. Embora todos lhe assegurem que ela está bem, Maud embarca numa missão para encontrá-la. A iniciativa, no entanto, acaba se confundindo com a história de Sukey, sua irmã mais velha, desaparecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
HEALEY, Emma. Onde Está Elizabeth?. Editora Record, 2016. 308 P.

Maud é uma senhora de oitenta anos que costuma esquecer muitas coisas e por esse motivo, escreve diversos bilhetes para se lembrar de coisas importantes. Em um desses bilhetes está escrito que sua amiga Elizabeth está desaparecida. Elizabeth sempre a visitava, mas essas visitas não acontecem mais – ou Maud acham que não acontecem? - E ela fica muito preocupada. Por mais que todos ao seu redor digam que sua amiga está bem, Maud tem certeza que algo aconteceu a ela.

Quando mais jovem, Maud sofreu com o desaparecimento da irmã e ao decorrer do livro vamos descobrindo mais detalhes do que aconteceu. O título do livro é Onde está Elizabeth, mas poderia muito bem ser: Onde está Sukey? Pois ao decorrer de toda a história a lembrança do desaparecimento da irmã assombra Maud. Tudo parece se misturar na cabeça dela, muitos acontecimentos trazem lembranças de coisas que aconteceram naquela época, então conseguimos acompanhamos dois desaparecimentos ao invés de um.

Maud esquecia as coisas a cada minuto, então era bem difícil conseguir provas concretas. Muitas vezes ela olhava para os seus bilhetes sem saber o que significavam e acaba jogando tudo fora... Dava uma pena! Ninguém levava a sério o que ela dizia e ela se sentia totalmente perdida.  Foi interessante a forma como a autora desenvolveu a história, as memórias antigas de Maud eram muito mais claras do que os acontecimentos recentes, que é uma coisa bem comum de acontecer com pessoas que tem Alzheimer. Percebemos ao decorrer do livro, que a memória de Maud vai ficando ainda pior, tanto que nos últimos capítulos ela tem dificuldade de se lembrar até de sua filha e sua neta. 


O livro é narrado apenas por Maud, mas sempre mesclando passado e presente. Tem gente que não gosta desse tipo de escrita, eu não tenho problemas com isso, muito pelo contrário, acho bem interessante. Não conhecia a autora, mas gostei muito da sua escrita, pode até parecer cansativo o fato da narradora esquecer sempre o que estava fazendo, mas na verdade acaba sendo bem envolvente, principalmente quando acontece algo que a remete ao passado, pois a autora aproveita esses ganchos para falar sobre a irmã de Maud, achei isso muito legal, a autora foi muito perspicaz.

Não achei os personagens secundários tão legais, exceto pela neta de Maud, que era a única que parecia ter paciência com a avó. A filha de Maud muitas vezes era impaciente com ela, o que me deixou bem irritada. Frank, que era o marido de Sukey apareceu em diversas situações nas memórias de Maud, ele era um sujeito esquisito e briguento demais. E Douglas era um inquilino que morava na casa de Maud quando ela era adolescente e apareceu bastante nas memórias também, ele era um sujeito muito misterioso e Frank não gostava nem um pouco dele. 

Confesso que esperava um pouco mais do final, todo o suspense do livro me fez imaginar um final surpreendente, mas não foi o que ocorreu. Parece que a autora decidiu não arriscar e fiquei um pouco frustrada com o desfecho. No fim, descobrimos o que aconteceu nos dois casos, mas senti que algumas pontas ficaram soltas e achando que o final deveria ter sido mais trabalhado. Mas mesmo assim, recomendo a leitura, pode ser que o final seja melhor para você.

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O Príncipe Corvo - Elizabeth Hoyt

Sinopse: Anna Wren está tendo um dia difícil. Depois de quase ser atropelada por um cavaleiro arrogante, ela volta para casa e descobre que as finanças da família, que não iam bem desde a morte do marido, estão em situação difícil. O conde de Swartingham não sabe o que fazer depois que dois secretários vão embora na calada da noite. Edward de Raaf precisa de alguém que consiga lidar com seu mau humor e comportamento rude. Quando Anna começa a trabalhar para o conde, parece que ambos resolveram seus problemas. Então ela descobre que ele planeja visitar o mais famoso bordel em Londres para atender a suas necessidades “masculinas”. Ora! Anna fica furiosa — e decide satisfazer seus desejos femininos… com o conde como seu desavisado amante. (Skoob)
Hoyt, Elizabeth. O Príncipe Corvo. Trilogia dos Príncipes #1. Editora Record, 2017. 350p.


Que livro divertido! Acho que já mencionei aqui antes, mas não custa nada repetir: eu tenho um fraco por romances de época. Devorei O Príncipe Corvo em apenas um dia de tão leve e despretensiosa que foi a leitura.

Anna é o tipo de mocinha que dá até orgulho de acompanhar a trajetória. Após a morte do marido, ela faz o que pode para administrar as finanças que estão praticamente no vermelho e faz malabarismo com esse dinheiro para alimentar a sogra e a ajudante da casa – que é praticamente uma irmã para ela. Sem ter para onde apelar, Anna decide que precisa arrumar um emprego o mais rápido possível antes que todas comecem a passar fome dentro de casa. O problema é que estamos falando do ano de 1760, época em que mulheres que trabalhavam não eram bem vistas, a não ser como preceptoras ou damas de companhia.

O Conde Edward de Raaf tem status, dinheiro de sobra, empregados leais e uma propriedade que, apesar de precisar de alguns pequenos reparos, é invejável. Quando ainda era uma criança o Conde perdeu toda sua família para a varíola, sendo o único sobrevivente apesar das marcas que a peste deixou por toda a sua pele. Com um temperamento autoritário e muitas vezes explosivo, apenas Anna é capaz de ser a secretária perfeita para trabalhar com o Conde sem perder as estribeiras. Trabalhando lado a lado todos os dias, os dois logo estabelecem um ritmo de convivência extremamente agradável e o clima de romance paira o mais rápido possível no ar.

A narrativa alterna entre os dois personagens principais, o que nos deixa por dentro dos pensamentos mais secretos de ambos nos momentos certos. Fiquei encantada em como Anna era uma mulher a frente do próprio tempo. Por ter vivido uma vida muito certinha e ter sido oprimida pelo falecido marido no passado, ela entendeu que precisava ser dona da própria vida e não aceitar o julgamento precipitado da sociedade. É muito interessante ver como ela se revolta com as facilidades e liberdades que os homens têm direito, enquanto as mulheres praticamente precisavam se esconder e serem recatadas para serem dignas de alguma dignidade. 

A autora soube dar o tom cômico certo aos momentos de discussão entre Anna e o Conde. Apesar de serem temas muito importantes, há uma dosagem certeira entre as críticas feitas à sociedade patriarcal da época, com momentos de puro deleite e descontração. Os vilões da história, sinceramente, nem foram tão importantes assim em minha opinião. O verdadeiro desafio para que esse romance pudesse funcionar foram o temperamento e as opiniões divergentes entre Anna e Edward.

Outra coisa muito interessante é que dentro do livro existe um conto que abre cada capítulo novo, intitulado O Príncipe Corvo. Nós acompanhamos essa leitura através da Anna que encontra esse livro na biblioteca do Conde. Achei muito criativo e divertido da parte da autora, já que uma história estava em sua essência interligada com a outra.

O Princípe Corvo faz parte de uma trilogia e eu mal posso esperar para ler os próximos dois livros!

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Uma longa jornada para casa - Saroo Brierley

Sinopse: A história que deu origem ao filme Lion: uma jornada para casa, com Dev Patel. Aos 5 anos, Saroo pede ao irmão mais velho que o deixe acompanhá-lo à cidade onde ele passava os dias em busca de dinheiro e comida. Durante a viagem, o menino adormece. Ao despertar, confuso, se vê sozinho na estação de trem. Ele não sabe onde está o irmão, mas vê um trem parado. Imaginando que Guddu poderia estar lá dentro, Saroo embarca no vagão, e isso o faz atravessar a Índia. Sem saber ler nem escrever, e sem ideia do nome de sua cidade natal ou do próprio sobrenome, ele é obrigado a sobreviver sozinho nas ruas de Calcutá até ser levado para uma agência de adoção e ser escolhido por um casal australiano. Os anos se passam e, ainda que se sinta extremamente agradecido pela nova oportunidade que os Brierleys lhe proporcionaram, Saroo não esquece suas origens. Até que, com o advento do Google Earth, ele tem a oportunidade de procurar pela agulha no palheiro que costumava chamar de casa, e investiga nas imagens de satélite os marcos que poderia reconhecer do pouco que se lembra de sua cidade. Um dia, depois de muito tempo de procura, Saroo encontra o que buscava, mas o que acreditava ser o fim da jornada é apenas um novo começo. (Skoob)
BRIERLEY, Saroo. Uma Longa Jornada Para Casa. Editora Record, 2017. 229 p.


Em Uma longa jornada para casa, conhecemos a história de Saroo Brierley, que se perdeu do irmão mais velho em uma estação de trem na Índia quando tinha apenas cinco anos. Ao entrar em um trem para procurar o irmão, acaba pegando no sono e parando em um lugar totalmente desconhecido. Sem saber sua cidade de origem e muito menos o seu nome completo, Saroo passou semanas sozinho nas ruas de Calcutá até ser levado para um orfanato, onde encontrou uma nova família. 

O livro que deu origem ao filme Lion: Uma jornada para casa é autobiográfico, e Saroo nos conta tudo o que lembra desde o dia em que se perdeu até o dia que conseguiu se reencontrar com sua família biológica, passando por várias dificuldades e períodos de adaptação até se tornar quem é hoje. A todo momento pensava como era comum (não sei se continua assim) as crianças na Índia saírem sozinhas, sem nem avisar aos pais. Chegavam ficar uma semana inteira sem voltar para casa e isso era visto como normal. Tanto que, ao reencontrar sua mãe biológica, Saroo conta que ela começou a se preocupar com o sumiço dos filhos — o irmão mais velho de Saroo também não voltou para casa — só uma semana depois.

"O que tinha acontecido comigo era extraordinário e poderia oferecer esperança a pessoas que desejavam encontrar sua família perdida, mas que achavam isso impossível. Talvez até mesmo pessoas em situações diferentes pudessem encontrar inspiração na minha experiência de agarrar oportunidades, por mais temerosas que parecessem, e nunca desistir."

Minha experiência ao ler a história de Saroo foi tão incrível que não consigo explicar. Eu não conseguia acreditar que uma criança tão nova tinha parado a mais de 1200 quilômetros de casa e não acreditava mais ainda que fosse possível achar a cidade natal, 25 anos depois, com a ajuda de um aplicativo tão conhecido por nós, o Google Earth. Foi tudo muito emocionante, principalmente as partes que Saroo contava sua vida na Índia. Gente, eu não consigo aceitar a verdade, tendo em vista a minha criação e a minha vida, que é normal sentir fome o tempo todo no país mais populoso do mundo. A banalização da miséria foi uma coisa que me chocou bastante.

Fiquei feliz por Saroo Brierley ter se tornado um homem digno, por ter sido adotado por uma família tão amorosa e afável. Admiro muito a força de vontade que ele teve para tentar reencontrar sua família biológica — mesmo amando muito seus pais de criação —, principalmente porque, se fosse eu, teria desistido na primeira decepção. O mais incrível de tudo é que Saroo narra tudo de forma muito leve e despretensiosa, tanto que, apesar de ser uma história triste, dá pra ler em uma sentada só. 

Tive uma surpresa muito agradável ao ver que a edição traz fotos nas páginas finais e isso enriqueceu muito a leitura. Além disso, Saroo, ao falar mais sobre sua cultura — que sinceramente desconhecia a maior parte —, acabou introduzindo os leitores num mundo totalmente diferente. Uma longa jornada para casa fala sobre superação, persistência mas, principalmente, sobre esperança.

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Curvas de Aprendiz - Gemma Townley

Sinopse: A escritora Gemma Townley definitivamente conquistou nosso público leitor. Neste novo e aguardado livro, A londrina Jen Bell foi abandonada pelo pai e cresceu ouvindo sua mãe descrevê-lo como um monstro. Envolvida com a luta pela ecologia, sua principal ocupação era viajar com o namorado. Quando terminam, ela volta para Londres para trabalhar na Futuro Verde, a empresa engajada da mãe. Jen logo se envolve em um plano para investigar uma suspeita de corrupção na Bell, firma bem-sucedida do pai. Mas após se infiltrar na empresa, ela descobre que todas as histórias têm dois lados. (Skoob)
TOWNLEY, Gemma. Curvas de Aprendiz. Editora Record, 2009. 415p.


Jennifer Bell tem uma mãe muito chata,chamada Harriet, que consegue convencê-la a fazer qualquer coisa, desde banais como ir a um jantar beneficente, a bizarras como começar um MBA (curso de Mestre de Administração em Negócios) apenas para descobrir corrupções na empresa do pai. Acho que, em alguma medida, todo mundo pode se identificar um pouco com isso de ter uma mãe controladora. O arrependimento dela depois de ir nos eventos e só tendo gente chata pra conversar (que você não quer, mas não param de puxar assunto) é muito eu. E como todo livro chick lit, ela paga mico demais.

No entanto, Harriet não é o único motivo para ela ter aceitado essa loucura. Os pais da Jen se separaram quando ela tinha 13 anos e, desde então, o pai nunca mais falou com ela e, estando na empresa seria uma oportunidade de encontrar com ele. Ela também se sente perdida profissionalmente, e então se agarra a isso porque parece mais interessante que ficar todo dia no escritório da mãe, do qual ela está cansada.

Sobre os personagens, a Jen é uma bem fácil de se identificar. A Harriet eu sinceramente não suporto por todo o livro, eu acho. Ela usa a Jen sem a menor vergonha, só liga pra ser o centro das atenções, e não admite que possa estar errada. Mas um personagem bem interessante aqui é o George Bell: eu passei o livro mudando entre duas opiniões à respeito dele como pessoa e também do seu envolvimento com corrupção, nada a respeito dele foi muito óbvio. Isso foi uma boa mudança do gênero e algo que destaca o livro, para mim, porque chick lit muitas vezes só tem um casal que você sabe que vai terminar junto e o máximo mistério que tem é se eles vão mesmo ou não. E mesmo assim, ele consegue ser muito engraçado. Obviamente, aqui vai ter também um romance, e admito que, nessa parte, vai ser clichê sim. Mas tem essas outras.

Um medo que eu tinha sobre esse livro é de que a parte administrativa seria muito chata, mas eu não achei. A autora faz metáforas entre o que eles estão estudando e situações da história, bastante piadas (por exemplo, a empresa que eles sempre usam de exemplo é de camisinhas) e para nós que gostamos de ler, a nossa protagonista focou bastante nos seus trabalhos em livrarias, então acho que deve ser interessante.

É isso, eu gostei da leitura. É bem fácil, rápida, apesar do tamanho, boa para qualquer momento.

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Vida Dupla - S. J. Watson

Sinopse: Quando Kate é assassinada, a única forma que sua irmã Julia encontra de lidar com o luto é fazer o trabalho da polícia: procurar o assassino. Porém, ao descobrir que a irmã tinha perfis em sites de relacionamentos para conhecer homens e fazer sexo com eles, virtual ou não, o que antes era uma busca por um criminoso se torna uma exploração de suas fantasias sexuais mais secretas. Mas isso coloca em risco seu casamento, sua família e sua própria vida. (Skoob)
WATSON, S. J. Vida Dupla. Record, 2016. 434 p.


Não adianta mais para mim aquele papinho de "não julgue o livro pela capa". Infelizmente vou continuar escolhendo o que ler assim, porque é a primeira coisa que chama a minha atenção. O que eu mais gostei na capa de Vida Dupla foi a confusão que ela me causou: se você prestar muita atenção nela, começa a embaralhar tudo. O melhor - ou pior, depende do ponto de vista - é que combina cem por cento com a historia. 

Preciso confessar para vocês que comecei a leitura desse livro com preguiça, e olha que isso raramente acontece comigo. Aqui, conhecemos a história de Julia, fotógrafa e mãe de família, que leva uma vida tranquila com seu marido e filho até que recebe a notícia que sua irmã mais nova, Kate, foi assassinada. Kate havia sido encontrada em um beco, sem nenhum sinal de abuso, com um trauma na cabeça. 

Apesar de o marido lhe dar certeza que a polícia está investigando o caso, passam-se meses sem uma mísera resposta sobre o assunto e cansada de esperar, Julia resolve procurar o assassino ela mesma. Tentando entender melhor a vida da irmã, Julia começa uma amizade com a ex-colega de quarto de Kate e, em uma das conversas, descobre que a jovem serpenteava em sites de relacionamento a procura de sexo casual e, em grande partes das vezes, virtual. Assim, Julia não coloca na cabeça que um desses homens é o assassino de Kate.

Mesmo com a polícia de olho nessas redes, Julia resolve criar uma conta para entrar em contato com alguns dos homens que Kate conversava. A partir daí, a mulher vira outra pessoa e começa a se envolver demais com os caras dos sites de relacionamento. Apesar de usar a desculpa de que tudo o que está fazendo é para esclarecer a morte da irmã, começa a esconder as coisas do marido e do filho. Então, sim, Julia começa a viver uma segunda vida, uma vida que precisa manter em segredo. 

Primeiramente, já queria começar deixando claro que, apesar de ter gostado muito do livro, muito mesmo, não concordei em nenhum momento com as atitudes da personagem principal. No começo eu até entendia as atitudes de Julia, ela só queria uma resposta, assim como qualquer pessoa que teve um amigo ou familiar assassinado. Só que a partir de certo ponto do livro, ela simplesmente parece "esquecer" a morte da irmã, que foi o motivo de ter começado a fazer tudo o que fez, e começa a dar mancada atrás de mancada.

Este parágrafo contém spoiler, se não quiser saber um detalhe importante da história, é só ir para o próximo. Bom, não é difícil de imaginar que a Julia começa a se relacionar com alguém que conhece na internet, e que trai o marido, e que esconde vários segredos, não é? O tempo inteiro fiquei me questionando o porquê da traição sendo que ela fala que Hugh é o melhor companheiro do mundo, que o ama, que não sei o quê lá mais. Eu não sou ninguém para julgar, longe disso, mas eu sinceramente acho que se você ama uma pessoa, não sente necessidade de outras - mesmo em situações mais delicadas, não justifica. 

O livro, que é dividido em cinco partes, só começa a pegar aquele ritmo frenético na terceira parte, que é onde as coisas sérias começam a acontecer. Só que mesmo com esse início lento, a gente fica tão envolvido com a história, tão curioso pra saber o que vai acontecer que não consegue parar de ler de jeito nenhum. A medida que os acontecimentos vão surgindo, vai dando aquele misto de raiva, angústia, medo pela personagem - ao mesmo tempo em que surge aquele sentimento de "será que ela está merecendo tudo isso que está acontecendo?" - e ansiedade para saber o desfecho da história. 

E o final, meus caros, foi realmente surpreendente. Uma pena eu ter lido o infeliz antes da hora — juro juradinho que foi totalmente sem querer, mas é uma longa história. De repente, todas as coisas envolvendo Julia, Kate e Connor, o filho de Julia, fazem sentido. Foi preciso um tempinho para digerir todos os fatos e a explicação dada. Creio que S. J. Watson conseguiu criar uma trama bastante complexa e sem furos, pelo menos na minha percepção. Vida Dupla é aquele tipo de livro que você pega para ler sem nenhuma expectativa, mas que acaba prendendo e deixando aquele gostinho de quero mais.

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Uni-duni-tê - M.J. Arlidge

Sinopse: Um assassino está à solta. Sua mente doentia criou um jogo macabro no qual duas pessoas são submetidas a uma situação extrema: viver ou morrer. Só um deverá sobreviver. Um jovem casal acorda sem saber onde está. Amy e Sam foram dopados, capturados, presos e privados de água e comida. E não há como escapar. De repente, um celular toca com uma mensagem que diz que no chão há uma arma, carregada com uma única bala. Juntos, eles precisam decidir quem morre e quem sobrevive. Em poucos dias, outros pares de vítimas são sequestrados e confrontados com esta terrível escolha. À frente da investigação está a detetive Helen Grace, que, na tentativa de descobrir a identidade desse misterioso e cruel serial killer, é obrigada a encarar seus próprios demônios. Em uma trama violenta que traz à tona o pior da natureza humana, Grace percebe que a chave para resolver este enigma está nos sobreviventes. E ela precisa correr contra o tempo, antes que mais inocentes morram. (Skoob)
ARLIDGE, M.J. Uni-duni-tê. Editora Record, 2016. 322 p.


Eu gosto de histórias policiais que dão chance ao leitor de tentar descobrir o que está acontecendo, de tentar desvendar quem é o assassino e quais suas motivações para os crimes que comete. Uni-duni-tê é um desses livros. Na verdade, o único ponto onde não encontrei uma explicação, foi para o título da obra. Isso, porque não existe acaso na escolha das mortes, mas, sim, uma escolha.


Em todos os assassinatos, duas pessoas são presas em algum local, sem qualquer chance de escaparem ou serem resgatadas. Para saírem daquela situação, uma delas precisa usar uma arma, que é deixada com elas, para matar a outra. Ou seja, há uma escolha racional, ou de sobrevivência.

Bem, excluindo esse detalhe, todo o resto da história é muito bem construído. Não consegui encontrar nenhum furo na busca das pistas, que vão sendo apresentadas gradualmente, um pouco a cada capítulo.


A narrativa é em terceira pessoa, mas existem capítulos onde é o assassino(a) quem descreve alguns acontecimentos de seu passado. Especificamente, sua terrível infância à mercê de um pai sádico e estuprador. Por esse motivo, o leitor consegue estabelecer perfeitamente os motivos que o(a) levaram a cometer os assassinatos, mas só no final consegue descobrir o real motivo e qual sua verdadeira motivação.

Helen, a personagem principal, e a detetive responsável pela investigação, é uma personagem dura, coerente com a profissão que realiza, e interessante. Principalmente seu lado libidinoso. Ela frequenta sessões de sexo masoquista, e o leitor fica um pouco perdido no sentido que isso traz para a história, uma vez que esse lado da personagem não é refletido na sua vida profissional. O entendimento só acontece no fim da história. E ele faz todo o sentido.


Existem dois personagens secundários de grande importância: Mark e Charlie. São dois outros detetives da divisão, que interagem com Helen a todo momento. Para não atrapalhar a dinâmica da história, a vida pessoal dos dois é levemente comentada, apenas o suficiente para o leitor acreditar que eles podem ser reais. E eles não possuem apenas a função de suporte ao personagem principal. Eles são responsáveis por dar aos capítulos finais uma emoção a mais, e uma urgência que faz com que o leitor devore cada página.


Uni-duni-tê consegue sucesso em todos os caminhos que percorre. Ele consegue, até, o mais importante: dar ao assassino(a) um motivo que, embora não justifique as mortes que comete, deixa uma sensação de pena, de que é possível que alguém na mesma situação possa ter as mesmas reações; faz de Helen uma personagem imperfeita, com falhas, com remorsos e dona de uma consciência fraturada pelas falhas que cometeu na sua imaturidade da adolescência; e, finalmente, permite ao leitor acompanhar uma investigação inteligente, onde todos os pormenores são investigados, e onde todas as pistas para a solução do mistério são apresentadas.

Leitura mais do que recomendada para os amantes do gênero.

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Holy Cow - David Duchovny

Sinopse: lsie Bovary é uma vaca muito feliz em sua bovinidade. Até o dia que resolve sair sorrateiramente do pasto e se vê atraída pela casa da fazenda. Através da janela, observa a família do fazendeiro reunida em volta de um Deus Caixa luminoso – e o que o Deus Caixa revela sobre algo chamado “fazenda industrial” deixa Elsie e tudo o que ela sabia sobre seu mundo de pernas para o ar. A única saída? Fugir para um mundo melhor e mais seguro. Assim, um grupo para lá de heterogêneo é formado: Elsie; Shalom, um porco rabugento que acaba de se converter ao judaísmo; e Tom, um peru tranquilão que não sabe voar, mas que com o bico consegue usar um iPhone como ninguém. Munidos de passaportes falsos e disfarçados de seres humanos, eles fogem da fazenda e é aí que a aventura deles alça voo – literalmente. (Skoob)

DUCHOVNY, David Holy Cow. Editora Record, 2015. 208 p.

Uma fábula tem duas características principais e muito bem definidas: os personagens são animais que agem e pensam como seres humanos; e a construção da narrativa culmina em alguma mensagem moral. Por isso mesmo são mais voltadas para o público infantil ou infanto-juvenil. Mas não só. É o caso da obra do ator David Duchovny, Holy Cow.

Apesar dos personagens principais do livro serem animais, a mensagem entregue abrange todas as idades. A narrativa simples, recheada de piadas baseadas na cultura pop, além de referências diretas a outras obras literárias, pode ser compreendida pelo mais novo leitor, bem como apreciada pelos mais velhos.


Em resumo, a moral gira em torno de como o abate de animais, no mundo atual, atingiu níveis absurdos de crueldade. Usando a vaca Elsie como protagonista, Duchovny intercala a aventura com informações de como os animais são tratados à base de reprodução acelerada, sem respeitar qualquer limite de dignidade perante um ser vivo.

Elsie, a vaca, Tom, o peru, e Jerry, ou Shalom, o porco, são personagens divertidos, que cativam rápido e possuem, cada um, uma personalidade bem distinta e engraçada. Os diálogos são inspirados, e as soluções que encontram para os problemas que enfrentam na viagem são hilários de tão absurdos.


Holy Cow é uma fábula com uma didática simples, que não possui nenhuma característica que demonstre se o autor possui habilidade para elaborar algo mais complexo. As piadas, embora engraçadas, enveredam pelo caminho da obviedade e não apresentam uma real novidade. Mesmo assim, a obra serve, com certeza, como alerta para os mais novos de como estamos nos tornando pessoas insensíveis e desinteressadas sobre como o alimento chega às nossas mesas. Ao mesmo tempo, puxa as orelhas dos mais velhos, para que tomem uma providência para amenizar a comercialização de carne animal.

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Voo Fantasma - Bear Grylls

Sinopse: Mãe e filho são sequestrados de dentro de uma barraca numa montanha nevada. Um soldado leal é torturado e executado num pântano remoto. Um avião de guerra desaparecido, contendo um segredo de proporções catastróficas, é descoberto no coração da Floresta Amazônica. Uma única trama une esses três acontecimentos, e só um homem será capaz de desvendá-la: Will Jaeger, o caçador. Jaeger, ex-combatente do Serviço Aéreo Especial britânico, se vê envolvido numa conspiração que pretende fazer renascer das cinzas o Terceiro Reich de Hitler – e que vai levá-lo da África, via Reino Unido, para as profundezas da Amazônia, onde se escondem segredos macabros da Segunda Guerra Mundial. (Skoob)
GRYLLS, Bear. Voo Fantasma. Editora Galera, 2016. 352 p.

O irlandês Edward Michael Grylls, ou Bear Grylls, fez parte das Forças Especiais Britânicas e tem um programa de TV, no canal Discovery, onde ele filma suas viagens até regiões selvagens do planeta, demonstrando como encontrar o caminho de volta para a civilização, usando, para sobreviver, apenas o que tem às mãos. Seu currículo é extenso, bem como suas aventuras. Sua mais recente incursão tem sido escrever histórias de ação, tão frenéticas quanto sua vida.

Voo Fantasma tem como protagonista principal, Will Jaeger, um soldado que perdeu a esposa, o filho e se encontra sob cativeiro em uma ilha africana, por ter participado de uma missão política que deu errado. Resgatado por seu amigo mais próximo, Raff, ele volta para Londres bem a tempo de ser convidado para substituir um amigo, que cometeu suicídio, na participação em uma espécie de Reality Show, onde os integrantes terão que encontrar um avião alemão da Segunda Guerra Mundial perdido na Amazônia, bem como os segredos que ele guarda.

Will aceita, principalmente com o objetivo de tentar descobrir se seu amigo não foi, na verdade, assassinado. A partir de então, conhecemos os dez integrantes desse show, que são, na verdade, soldados e mercenários de diversas nacionalidades, inclusive uma brasileira.

Toda a trama está repleta de reviravoltas, perigos, conspirações, traições, armas químicas, planos nazistas, além de lugares inóspitos, que reservam todo o tipo de surpresa. O autor descreve todas essas coisas sem ser cansativo, apenas com as informações necessárias para que o leitor se sinta dentro do ambiente, e conheça, principalmente, os insetos e animais que habitam a selva amazônica.

Entretanto, exatamente por toda essa adrenalina, não há muito espaço para o desenvolvimento apropriado de cada personagem, nem mesmo de Will. Ele parece estar sempre ligado em alta voltagem, e leva o leitor junto. Isso pode ser bom para aqueles que apreciam jogos de tiros, por exemplo, ou aqueles livros baseados em jogos, onde o foco é apenas na ação e na sequência dos acontecimentos.

Bear Grylls tem uma forma de escrita um pouco confusa e, em certos pontos, fiquei perdido dentro da quantidade de coisas que aconteciam. Entretanto, na sua maior parte, a leitura é agradável. Recomendo para aqueles dias em que você sente necessidade de gastar sua energia, quando precisa de extravasar, como quando assistimos aqueles filmes de ação de antigamente, com os heróis bombados, cuja munição nunca acaba ;)

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Sangue na neve - Jo Nesbø

Sinopse: O mestre do thriller escandinavo está de volta. Olav tem apenas um talento: matar pessoas a sangue-frio. Não há nada que ele preze mais que ter o poder sobre a vida e a morte. Porém, sua natureza sensível é proporcional às suas habilidades como matador de aluguel. Uma vez tentou roubar bancos, mas não deu certo – ele se sentiu tão culpado que foi visitar uma das vítimas no hospital. Agenciar mulheres para prostituição, idem – Olav se apaixona muito fácil. O assassinato foi tudo que lhe restou. Ele leva uma vida solitária em Oslo até se ver envolvido em um trabalho importante para um dos mais perigosos chefes do crime organizado na cidade, Daniel Hoffman. Ao aceitá-lo, Olav finalmente conhece a mulher da sua vida, mas logo se depara com dois problemas. O primeiro é que ela é a esposa do chefe. E o segundo é que ele foi contratado para matá-la. (Skoob)
NESBO, Jo. Sangue na neve. Record, 2015. 154 p.

A leitura de Sangue na neve não é apenas rápida, ela é muito rápida. Não só pela narrativa ágil, nem pela ansiedade de chegar ao fim da história, mas porque o livro realmente tem poucas páginas. E isso acaba por ser um defeito.

Olav é um assassino que, por sua sensibilidade diante de situações inusitadas, sua ingenuidade diante do chefe e suas ações que antagonizam com sua profissão, lembra bastante o personagem Léon, do filme O Profissional, vivido por Jean Reno, com a ainda criança Natalie Portman. Isso não é um defeito, pelo contrário, consegue dar uma áurea cômica, dramática e carinhosa a um homem que mata a sangue-frio.

A ele temos duas personagens femininas que são contrárias em todos os sentidos: Maria, uma garçonete que Olav ajudou no passado; e Corina, a esposa bonita e sexy do chefe, a quem Olav precisa matar e por quem se apaixona.

Obviamente o desfecho dessa história não teria como terminar de forma satisfatória, apesar de eu torcer para que sim. Mas o que não me deixou feliz com o livro, foi o fato dele ser superficial em quase todos os momentos. Não existem páginas suficientes para desenvolver qualquer personagem, com exceção de Olav, a ponto de nos importarmos com eles.

"Enquanto eu estava ali, imerso em pensamentos felizes, Corina Hoffmann entrou na sala vindo do quarto, e tudo mudou. A luz. A temperatura. As considerações."

A relação de Olav com Maria é composta de memórias e momentos de observação à distância. Isso até que faz algum sentido quando você chega ao final do livro, mas deixa uma sensação de que a coisa poderia ser melhor se houvesse um pouco mais de contato entre os dois.

Corina é ambígua e sua entrega à paixão de Olav soa tão artificial que ficam óbvias as verdadeiras intenções dela. A relação dos dois começa tão rápido, de forma tão intensa, que não tem como o leitor acreditar na sinceridade das palavras da garota. Mais ainda: torna o próprio Olav um cara burro e coloca em dúvida como ele conseguiu se manter vivo por tanto tempo.

"Nós fizemos amor. Não é por modéstia que escolho esse eufemismo romântico, casto, em vez de uma palavra mais direta, técnica. Mas porque fazer amor realmente é a descrição mais adequada."

Apesar desses pontos que não me agradaram, o resultado ainda poderia ser positivo, se não fosse tão frio. Sem querer me alongar, uma vez que, para isso, teria que contar um pouco do desfecho, ele é vazio. Explico: numa história, no clímax, ou você apresenta algo que deixe o leitor surpreso, como uma reviravolta, ou entrega o fim da luta dos personagens principais pelo que eles batalharam durante todo o livro. Mas isso não acontece em Sangue na neve. A forma como termina, deixa sem objetivo tudo o que você leu. A pergunta que ficou na minha mente, foi: como assim? Então, essa história é sobre o quê?

Acho que Olav é construído de forma bastante cativante e que merecia uma história muito mais contundente, com mais conteúdo. Ele tem bagagem suficiente para, até, ser personagem de mais de um livro. Acho que houve um total desperdício de ideias. O que é uma pena.

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Asterix e o Papiro de César - R. Goscinny e A. Uderzo

Sinopse: César decide publicar suas memórias, censurando um capítulo importante sobre as aventuras de Asterix. Sem saber, o capítulo é roubado e levado até a aldeia dos gauleses, que decidem levar o papiro até a floresta dos druidas, onde o conteúdo poderá ser decorado e passado de geração em geração (Skoob)
GOSCINNY, René. UDERZO, Albert. FERRI, Jean-Yves. CONRAD, Didier. Asterix e o Papiro de César. Editora Record, 2015. 50p.

Este é o prólogo de todas as edições dos livros de Asterix, o gaulês: "Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos ... Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos nos campos fortificados de Babaorum, Aquarium, Laudanum e Petibonum ..."


Asterix reside com seus amigos em uma pequena aldeia gaulesa situada em uma península na Armórica, ao norte da antiga Gália. Para resistir ao domínio romano, os aldeões contam com a ajuda de uma poção mágica que lhes dá uma força sobre-humana, preparada pelo druida Panoramix. A exceção é Obelix, que caiu dentro de um caldeirão cheio da poção quando ainda era um bebê, e daí adquiriu permanentemente a superforça.


Asterix foi criado por Albert Uderzo e René Goscinny em 1959. Hoje, com 35 álbuns publicados e mais de 350 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, é um dos personagens mais populares e amados de sempre.

Após Goscinny falecer em 1977, Uderzo continuou, sozinho, a criação de novas histórias, lançando sempre um álbum por ano. Em 2010, já com 84 anos, Uderzo anunciou sua aposentadoria e passou a responsabilidade dos personagens para a dupla francesa, Jean-Yves Ferri e Didier Conrad, cujo primeiro trabalho pode ser conferido em Axterix entre os Pictos, de 2013.


Em Asterix e o papiro de César, lançado mundialmente em outubro, com uma tiragem de quatro milhões de exemplares, César decide publicar suas memórias das guerras romanas de conquista, e reserva um capítulo inteiro sobre sua frustração de não conseguir vencer os irredutíveis gauleses. Seu editor, para evitar uma humilhação pública, sugere o corte desse capítulo. Assim, vai a público a edição censurada, que vira um grande sucesso em Roma. Mas o capítulo censurado acaba sendo roubado e vai até as mãos dos gauleses.


A história é uma crítica sútil sobre as publicações atuais de livros e em como as notícias se espalham rapidamente, e as referências são muito engraçadas, como o uso de pombos no lugar do Twitter. Existe a preocupação da dupla de criação em manter todos os elementos usados pelos criadores dos personagens, mas eles não realizam a tarefa com tanta sutileza, e algumas piadas ficam forçadas.


Isso pode ser mais notado quando Asterix, Obelix e Panoramix, o druida da aldeia, viajam até uma floresta, para que os druidas possam memorizar o capítulo roubado, que narra todas as aventuras dos gauleses. Todas as tentativas de piada nesse trecho remetem para situações já vividas pelos personagens em outros álbuns. A parte em que os dois caçoam de Panoramix ficou exagerada e muito mal empregada dentro do contexto. É louvável a preocupação com a herança, mas acho que seria mais natural que surgissem ideias novas, uma vez que seguir a linha já fortemente estabelecida pelos criadores originais é quase impossível.


Para quem nunca leu Asterix, esta edição terá mais graça do que para aqueles que acompanham desde o primeiro número. Mesmo para esses, a aquisição do álbum é obrigatória. E mesmo com os pontos negativos citados acima, a história ainda é muito superior às versões cinematográficas dos personagens. A rapidez das piadas e das situações continua sem igual nos quadros belissimamente desenhados, e isso é muito difícil de ser transportado para os telões.


Asterix e o papiro de César é uma aquisição obrigatória para os fãs e novatos. Se você ainda não conhece os irredutíveis gauleses, estão perdendo o que de melhor existem em quadrinhos no mundo.

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Uma Manhã Gloriosa - Diana Peterfreund

Sinopse: Becky Fuller trabalha como produtora de um programa de televisão numa emissora local de Nova Jersey. Ela é despedida, mas vê seu sonho de trabalhar em Nova York se tornar realidade quando surge uma vaga no Daybreak, programa com péssimos índices de audiência, equipamentos ultrapassados e uma equipe excêntrica. A única descoberta agradável para Becky é Adam Bennet, seu lindo colega de trabalho. Agora ela terá de salvar sua carreira, sua vida amorosa e, não esqueçamos, o Daybreak. (Skoob)
PETERFREUND, Diana. Uma manhã gloriosa. Record, 2011. 267 p.


Trabalhando na produção de um programa matinal local de New Jersey, Becky Fuller se esforça mais do que o necessário para fazer tudo funcionar. Sua rotina é milimetricamente programada, qualquer encontro que ela possa ter precisa acontecer antes das 18h, já que os horários de programas matinais não facilitam sua vida e precisa estar sempre disponível em seu Blackberry, que toca a cada três segundos. Mas quando achava estar preparada para galgar um degrau de sua história profissional dentro da empresa, ela é demitida. Demitida pois o programa precisava de alguém mais "especializado", e só havia orçamento para manter uma pessoa, que não era ela.

Desesperada, já que todos os lugares onde pretendia se candidatar esperavam alguém com uma graduação concluída, Becky se vê totalmente sem alternativas, até que recebe um telefonema da IBS, que buscava um novo produtor para o Daybreak. O detalhe era que o programa tinha a pior audiência da televisão, uma equipe descompromissada e desmotivada e, o que ela veio a saber depois de aceitar a proposta: estava prestes a ser cancelado. Se isso acontecesse, qualquer oportunidade que Becky um dia sonhava ter nas produções matinais estaria exterminada. Ela precisava então correr contra o tempo e transformar o Daybreak em um programa respeitável.

"- Faz alguma ideia da sorte que tem por estar aqui? - Minha voz subiu uma oitava. - Da sorte que todos nós temos com esses empregos? Da rapidez com que tudo pode ser eliminado?
Duvidei que ele se importasse com isso. Afinal, seu contrato continuaria muito tempo depois de o Daybreak baixar em seu caixão.
Percebi ligeiramente que todos no estúdio estavam me olhando, mas eu já havia passado há muito de preocupações insignificantes com dignidade.
- Humm, vamos voltar em 30 - disse Pete.
[...]
Esse era para ser o emprego dos meus sonhos - eu berrei com Mike. - A vida dos meus sonhos! Trabalhar num programa de rede de TV em Nova York. [...] E tem um cara... um cara ótimo, que na verdade é meio gato... e ele me suporta por tempo suficiente para transar comigo. [...] E em vez disso - eu disse, ou melhor, gritei - está tudo uma zona. Por sua causa." (pág. 184)

Diferente da maioria dos livros que inspiram adaptações cinematográficas, Uma Manhã Gloriosa, de Diana Peterfreud foi escrito com base no roteiro do filme de mesmo nome, de 2010. Nesse post, ano passado, comentei brevemente minhas impressões sobre o filme, e resolvi ler o livro exatamente por causa da boa impressão que tive.

Durante a leitura, me dei conta de um detalhe um tanto quanto interessante: quando lemos livros e assistimos a adaptações, dificilmente gostamos das mudanças que são feitas no enredo. Mas, nesse caso, por ter sido criado a partir do procedimento inverso, o livro não possui mudança alguma em relação ao filme, que foi o que mais me desagradou, pois era como se eu estivesse vendo tudo novamente.

Narrado em primeira pessoa pela própria Becky Fuller, o livro mostra o esforço da personagem, maluca, os pensamentos neuróticos dela, e dá uma ênfase um pouco maior ao romance, o que no filme foi quase impercepitível. Essa ênfase talvez se dê exatamente pelo tipo de narração, já que é possível acompanhar os pensamentos e sentimentos de Becky. Adam, par romântico de Becky, entretanto, ainda ficou como uma incógnita para mim. Ele pouco aparecia, soltava uma ou outra frase inteligente e sarcástica, era um fofo, mas não senti que o conhecia durante a leitura. Infelizmente, acabou quase dispensável da trama.

Collen, a apresentadora, é tão divertida quanto no filme, mas as cenas deste, que demonstravam rapidamente as mudanças que ocorriam na produção, foram mostradas de maneira superficial no livro, o que tirou um pouco do brilho da história. Da mesma forma aconteceu com Mike, que mantinha o tipo resmungão por esperar fazer jornalismo de verdade, e não um programa de variedades, mas que, no livro, não tinha o brilho dado pela interpretação de Harrison Ford. Os outros personagens foram apenas citados no livro, o que me impediu de visualizar suas funções na história, diferente do que ocorria no filme. Apesar disso, o livro consegue transmitir a mesma graça, a mesma leveza, e me arrancou algumas boas risadas.

Quero pedir desculpas por não fazer uma resenha de verdade, já que foi mais uma comparação livro x filme, mas tudo que me passava enquanto eu lia o livro era como tais cenas haviam sido mostradas na versão cinematográfica - o que seria impossível não fazer quando ambos são tão pouco diferentes. Recomendo essa leitura para aqueles que não assistiram o filme, que querem uma história divertida e leve para descontrair.

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