TOWLEY, Gemma. Manual para românticas incorrigíveis. Record, 2009. 368p.Sinopse: Apesar dos protestos de amigos, Kate Hetherington ainda acredita ser possível achar seu príncipe encantado. Quando encontra um antigo guia, intitulado o "Manual para Românticas Incorrigíveis", Kate decide dar uma chance ao seu romantismo e seguir as dicas do livro para encontrar o parceiro ideal. E este será apenas o começo de uma aventura para a qual nenhum manual terá as respostas. (Skoob)
Kate é solteira e, segundo seus amigos, "uma romântica incorrigível", que não se contenta em namorar qualquer um e tem mil exigências e sonhos. Vendo um anúncio na Internet (que a convenceu pelo "Está cansada de ser chamada de romântica incorrigível?"), ela compra um manual provavelmente dos anos 1950, 1960, no máximo, que promete o amor ou seu dinheiro de volta.
Eu achei esse livro bem diferente dos outros chick lit que já li. Para começar, ele tem capítulos focados em cada personagem (não todos), apesar de a sinopse e tudo serem só sobre a Kate. Quer dizer, eles deveriam ser só coadjuvantes mas todos têm sua história própria, o que é raro de ver até em outros gêneros quando o livro especifica um único protagonista, tirando livros de fantasia tipo Harry Potter que, por serem mundos enormes, você acaba conhecendo as histórias e mentes de muita gente. Muitas vezes em livros e em filmes (série é um gênero ainda muito fixado em um conjunto, eu nunca vi uma em que os coadjuvantes ou protagonistas menores estão só em função do protagonista) os coadjuvantes só são aprofundados quando é relevante para o personagem principal e tudo que você souber sobre eles é porque ele se interessou em contar. Em comédia romântica, muito dos amigos só estão ali para dar conselhos, por exemplo. Aqui não. Inclusive eles são até personagens superbem construídos e com profundidade. Será que eles chegam a se tornar protagonistas por causa disso e de terem seus capítulos?
A Sal é uma personagem meio inédita para mim. Ela é uma pessoa que vive para preencher uma lista de afazeres que ela deseja e o casamento dela foi praticamente um desses. A gente vê gente fria ou realista, mas é difícil alguém ter tanta consciência do quão pragmático é quanto ela e sem nenhum motivo obscuro. É mais comum serem assim porque têm medo de se magoar, como o Tom. Uma personagem como a Sal não é nem um pouco comum num romance.
Tirando o que falaram da Kate rejeitar pretendentes por motivos exagerados como não gostar de uma cantora ou ir para a faculdade do namorado (e vamos ser sinceros, muita gente faz isso), ela não parece muito louca. Os amigos dela que são muito fechados pro amor e honestamente, pra mim eles que são os estranhos por acharem que por exemplo ela deveria se contentar com algo, como se alguém tivesse necessidade de se casar. Eu concordo com ela, casar por casar não tem nada a ver. Claro, alguns podem não precisar de um grande amor ou outro grande motivo, mas outros precisam.
Também é ótimo como a Kate não vive em função de romance (coisa que termos como esse do título podem sugerir). Ela tem um trabalho bem difícil que adora e odeia ao mesmo tempo e ele vai ocupar várias páginas também. Isso é algo que eu vi no outro livro da Gemma que já li, Curvas de Aprendiz. Só que a personagem daquele nem estava pensando em relacionamentos até um tempo depois de conhecer o personagem.
O livro foi divertido e irônico (principalmente sobre a cultura das celebridades), com alguns clichês do gênero e cenas que você imagina totalmente num filme, mas com consistência, uma história na qual a maioria dos personagens e acontecimentos não são relevantes só para a protagonista, mas poderiam até dar sua própria história, e capaz de emocionar por muito mais razões do que apenas o casal principal.























