Eu Te Darei o Sol - Jandy Nelson


Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia. Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém. Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.

NELSON, Jandy. Eu Te Darei o Sol. São Paulo: Editora Novo Conceito, 2015. 384 p.

De todos os lançamentos da Novo Conceito para junho, o que eu mais queria ler era Eu Te Darei o Sol, sem sombra de dúvidas. Confesso que enrolei um pouquinho para começar por causa do tamanho do livro e, obviamente, a minha total falta de tempo. Apesar de já ter ouvido falar de O Céu Está em Todo Lugar, nunca tinha vontade de ler algo da Jandy Nelson até a editora anunciar esse livro aqui. O livro é bom, mas com algumas ressalvas. 

Nessa obra, somos apresentados aos irmãos gêmeos Noah e Jude. Apesar de serem inseparáveis, sentem bastante inveja um do outro, competem pela atenção dos pais (principalmente da mãe) e disputam uma vaga em uma escola de arte muito bem conceituada da Califórnia, apesar de só Noah desejar verdadeiramente tal vaga. Os capítulos são alternados entre os dois, mas com uma peculiaridade: a narração é feita em tempos diferentes. Jude narra o presente, com 16 anos, e Noah o passado, aos 13 anos. 

Apesar de serem irmãos, várias coisas acontecem e eles simplesmente param de se falar. Alguns desses acontecimentos podem até parecer pequenos e bobos na visão de alguns, mas fizeram diferença por terem se acumulado por tanto tempo. Além do mais, há um evento realmente muito forte que foi o estopim da indiferença entre Noah e Jude. A narração de ambos nos leva a várias respostas que desejamos desde o início.

— Platão falou sobre coisas que existiam e que 
tinham quatro pernas, quatro braços e duas cabeças. 
Eram coisas únicas, estáticas e poderosas. Poderosas demais,
 então Zeus as cortou pela metade e espalhou as metades pelo
 mundo, para que os humanos tivessem para sempre fadados a procurar suas 
metades, a metade com a qual compartilham a própria alma. 
Somente os humanos mais sortudos encontram suas metades, sabe?

Comecei a ler esse livro sem esperar nada dele. No início fiquei bastante irritada com o tamanho dos capítulos (na verdade fiquei irritada com isso o livro inteiro, mas...), todos com mais de 70 páginas. Porém, o livro é tão cativante que esse fato não deixou a leitura tão cansativa como achei que seria. A história dos irmãos, além de ser muito bonita, dá aquele gostinho de quero mais. Cada vez que a narrativa de um dos dois era interrompida, eu ficava ansiosa para saber o resto da história. Cada um contava um ponto diferente, o que deixou tudo muito mais interessante. 

Os personagens são um capítulo a parte. Tanto Noah quanto Jude possuem uma característica que os tornam especiais. Sou suspeita para falar do Noah porque ele é exatamente o tipo de personagem que eu adoro, super fofo e sensível. Gosto muito da Jude também, é super autêntica e animada, mas não concordo com muitas atitudes dela (não que o Noah seja totalmente inocente). Toda a arte e ambiente artísticos contidos no livro também acabam se tornando personagens, de tão importante que são, e eu adorei.

O tempo inteiro, enquanto lia, não deixava de imaginar o quando Eu Te Darei o Sol daria um filme perfeito. A adivinhem só? De acordo com o Deadline a Warner adquiriu os direitos para o filme, mal posso esperar para assisti-lo. O livro é tão maravilhoso que anotei vários trechos (na verdade teria marcado o livro inteiro, mas pra isso mesmo é que eu o tenho, hahahaha). Se não fossem os tais capítulos gigantes, com certeza seria um cinco estrelas.

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Isla e o Final Feliz - Stephanie Perkins

Sinopse: Tímida e romântica, Isla tem uma queda pelo introspectivo Josh desde o primeiro ano na SOAP, uma escola americana em Paris. Mas sua timidez nunca permitiu que ela trocasse mais do que uma ou duas palavras com ele, quando muito.
Depois de um encontro inesperado em Nova York durante as férias envolvendo sisos retirados e uma quantidade considerável de analgésicos, os dois se aproximam, e o sonho de Isla finalmente se torna realidade. Prestes a se formarem no ensino médio, agora eles terão que enfrentar muitos desafios se quiserem continuar juntos, incluindo dramas familiares, dúvidas quanto ao futuro e a possibilidade cada vez maior de seguirem caminhos diferentes.
Com participações de Anna, Étienne, Lola e Cricket, personagens mais do que queridos pelo público apresentados em livros anteriores da autora, Isla e o final feliz é uma história de amor delicada, apaixonante e sedutora, um desfecho que vai fazer os fãs de Stephanie Perkins suspirarem ainda mais. (Skoob)
PERKINS, Stephanie. Isla e o Final Feliz. Intrínseca: 2015. 304 p.

É engraçado quando um autor consegue fazer de um enredo absurdamente simples, uma história encantadora. É engraçado porque você não consegue fazer uma análise objetiva dos detalhes que o fizeram gostar tanto do livro, porque se você para para analisar objetivamente, acaba por se questionar se o livro é realmente tão bom, já que ele não tem nenhum elemento concreto que o faça ser assim. Não dá para dizer que foi a originalidade da obra, ou que foi um personagem específico, ou que a escrita da autora se destaca por este ou aquele motivo. Não dá para definir por que ele te fisgou, mas isso aconteceu, simplesmente. É assim que eu me sinto em relação a Isla e o Final Feliz, da autora Stephanie Perkins.

Stephanie tem o dom de construir obras assim. Quando li Anna e o Beijo Francês, descrevi o livro como "um romance adolescente delicioso de ler, mas nada muito além disso", com destaque para o romance entre os personagens, "não daqueles avassaladores e de tirar o fôlego, mas dos que vão tomando espaço aos pouquinhos, se infiltrando e que, quando se percebe, deixa sem ar". Isla e o Final Feliz segue mais ou menos a mesma linha, mas diferente daquele, eu me senti mais como em um terremoto, já que as mais diversas sensações me perpassaram durante a leitura. 

"- Gosto de histórias de aventura. Ainda mais quando tem algum tipo de desastre no meio.
A sobrancelha continua arqueada.
Sorrio.
- Também leio as que têm final feliz.
Josh faz um gesto em direção a minhas prateleiras.
- Você lê bastante.
- É mais seguro do que me aventurar de verdade."

Nas primeiras 50 páginas, o romance entre Isla e Josh já havia deslanchado e, apesar de estar com o coração cheio de amor, apaixonada com o casal, fiquei com medo que isso representasse outras 250 páginas de tédio. Só que, é claro, Stephanie Perkins não faria isso. Ao mesmo tempo em que o início da relação dos dois é o enfoque do texto, a autora deu maior destaque, quanto a esse relacionamento, às dificuldades que pessoas tão diferentes têm em se acertar, às diversas variáveis que influenciam em um namoro (família, ex-namorados, compromissos, futuro...). Então o livro não trata apenas da maneira como Isla e Josh se apaixonam, mas o tanto que precisam sofrer e se esforçar para ficarem juntos.

A narrativa, em primeira pessoa por Isla, tem aquele toque doce e bem humorado característico da autora, e acredito que seja esse o tal "elemento objetivo" que mais encanta nos livros de Perkins. É impossível desgrudar das páginas, pois tudo o que a personagem sente é transmitido aos leitores. Em razão disso, a empatia é imediata e o leitor se sente tão apaixonado quanto Isla, ou tão devastado quanto ela. Eu amei e me envolvi com cada detalhe, ri e chorei com Isla. Eu queria ter ficado irritada com ela quando fez algumas besteiras, mas eu a entendia, então foi impossível. 

"- Não quis magoar você - diz ele, triste. - Essa é a última coisa que eu quero. Só estava tentando proteger você, mantê-la na parte boa da minha vida.
- Mas eu quero estar presente em todas as partes. Nas ruins também.
- Tem certeza disso? Porque eu tenho muitas partes ruins.
- Todo mundo tem."


Outro detalhe incrível é a ambientação: Paris. É difícil ficar imune a isso, especialmente quanto aos pontos turísticos citados na obra. Da mesma forma acontece quando outros personagens da autora se tornam presentes; foi bom rever Anna e St. Clair, ver Lola e Cricket, assim como conhecer outros acontecimentos das obras anteriores pelo ponto de vista de Josh.

Isla e o Final Feliz pode até ser um romance bobo, adolescente, mas é um romance bobo que enche nossos corações de amor, nos deixa com um sorrisinho no rosto e faz incrivelmente bem.
















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Conjuntando #45: Julho em Fotos

Como eu prometi para vocês no último mês, realmente consegui mostrar mais coisas lá no Instagram do blog. Particularmente, eu me acho péssima fotógrafa, mas estou aprendendo a mexer na câmera do celular e a ajustar algumas imagens, o que as deixa um pouco mais legais. rsrs

Enfim, o post de hoje não pretende falar sobre nada disso. O que interessa é mostrar para vocês, de uma vez só, as fotos que apareceram no Instagram. Vamos conferir?


 
 

Já tinham visto as imagens por lá? Do que gostaram mais?

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Novidades #109: Lançamentos Intrínseca - Agosto

Gente, a Editora Intrínseca veio preparada para Agosto, realmente preparada. Tem tanta coisa boa que eu fiquei até na dúvida sobre o que destacar aqui no blog. Neste mês tem Matthew Quick, Keri Smith, Miriam Leitão... Tem também continuação de séries e livros de todos os gêneros. Vamos conferir?


A ascensão da sombra - Série A Roda do Tempo (vol. 4), de Robert Jordan - Os lacres de Shayol Ghul enfraquecem, e o Tenebroso avança. A sombra se ergue para encobrir definitivamente a humanidade.
Em Tar Valon, Min tem visões de um destino terrível. Será o fim da Torre Branca? Em Dois Rios, os Mantos-brancos caçam o homem de olhos dourados e o Dragão Renascido. Em Cantorin, junto ao povo do mar, A Grã-lady Suroth vislumbra o retorno dos exércitos Seanchan ao continente. Enquanto na Pedra de Tear, o Lorde Dragão planeja seu próximo passo e ninguém será capaz de prevê-lo. Nem a Ajah Negra, as nobres de Tairen ou as Aes Sedai, nem mesmo Egwene, Elayne e Nynaeve.
Declarado o escolhido da antiga profecia, Rand al'Thor, o Dragão Renascido, precisa seguir em frente e cumprir seu destino: proteger o mundo do retorno do Tenebroso.
Em A ascensão da sombra, Jordan imprime ainda mais suspense à série trazendo uma ameaça até então desconhecida à cidade de Tar Valon, lar das poderosas Aes Sedai. Mergulhados no perigo constante representado pelos Mantos-brancos, os Amigos das Trevas e os Trollocs, entre outros inimigos mortais, ninguém está seguro de qual rumo seguir. Movimentos profundos e inesperados que fazem de A Roda do Tempo uma das mais extraordinárias séries já escritas.

A febre, de Megan Abbott - Deenie, Lise e Gabby formam um trio inseparável. Quando uma das três sofre uma inexplicável e violenta convulsão no meio da sala de aula, ninguém sabe como reagir… até que outras meninas começam a exibir sintomas similares. Envolto em teorias e especulações, o pânico se alastra pela cidade, e ameaça a frágil sensação de segurança de todos os envolvidos.

A Sorte do Agora, de Matthew Quick - Bartholomew Neil passou todos os seus quase 40 anos de vida morando com a mãe. Depois que ela adoece e morre, ele não faz ideia de como viver sozinho. Até que um dia, ele encontra, na gaveta de calcinhas da mãe, uma carta de Richard Gere. Convencido de que isso só poderia ser um sinal cósmico, Batholomew passa a escrever uma série de cartas íntimas ao ator, acreditando que ele vai ajudar. De Jung a Dalai Lama, de filosofia a fé, de abdução alienígena a telepatia com gatos, tudo é explorado nessas cartas que não só expõem a alma de Bartholomew, como, acima de tudo, revelam sua tentativa dolorosamente sincera de se integrar à sociedade.
Considerado por diversos veículos um dos melhores livros de 2014, entre eles a Entertainment Weekly, a Publishers Weekly e a Cosmopolitan, o novo livro do autor de O lado bom da vida é original, arrebatador e espirituoso. Uma história comovente e engraçada sobre família, amizade, luto, aceitação e Richard Gere.

Casa de Praia com Piscina, de Herman Koch - Marcado pela ironia afiada e pela trama de forte teor psicológico, Casa de praia com piscina é um romance inquietante e questionador que mais uma vez prova o talento de Herman Koch. Marc Schlosser, um renomado médico de Amsterdã, exerce sua profissão com certo cinismo. Quando um de seus pacientes, o famoso ator Ralph Meier, o convida para passar as férias com sua família, Marc aceita, apesar de contrariar a esposa, que não suporta a postura arrogante e sedutora de Ralph.
Assim, o casal e as filhas adolescentes dividem com o ator, sua mulher, um diretor de Hollywood e sua jovem namorada uma casa com piscina a poucos quilômetros de uma praia mediterrânea. Alguns dias monótonos se passam até que certa noite ocorre um grave incidente que interrompe as férias e marca a vida de todos para sempre. O romance foi eleito um dos melhores livros de 2014 pela Publishers Weekly. 

História do Futuro, de Miriam Leitão - Somente Míriam Leitão, a jornalista mais premiada do país, aceitaria o audacioso desafio de olhar para além do imediatismo do presente e mapear o que está por vir. Depois de quatro anos de pesquisas, viagens e entrevistas, a vencedora do Jabuti indica tendências que não podem ser ignoradas em áreas como meio ambiente, demografia, educação, economia, política, saúde, energia, agricultura e tecnologia.
Momentos de crise assustam e paralisam. Porém a História do futuro contada com linguagem acessível por Míriam Leitão deixa claro que o Brasil dispõe dos recursos necessários para garantir a nossos filhos e netos um país bem melhor. E este futuro começa com decisões tomadas hoje. 

E é claro que tem sempre mais novidades. Para conferir os outros títulos lançados pela Editora Intrínseca este mês, basta clicar no banner abaixo:

http://www.intrinseca.com.br/blog/2015/08/lancamentos-de-agosto/

E aí, de que gostaram mais?

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O Demonologista - Andrew Pyper


Sinopse: "A maior astúcia do Diabo é nos convencer de que ele não existe", escreveu o poeta francês Charles Baudelaire. Já a grande astúcia de Andrew Pyper, autor de O Demonologista (DarkSide® Books, 2015), é fazer até o mais cético dos leitores duvidar de suas certezas. E, se possível, evitar caminhos mal-iluminados. O personagem que dá título ao best-seller internacional é David Ullman, renomado professor da Universidade de Columbia, especializado na figura literária do Diabo - principalmente na obra-prima de John Milton, Paraíso Perdido. Para David, o Anjo Caído é apenas um ser mitológico. Ao aceitar um convite para testemunhar um suposto fenômeno sobrenatural em Veneza, David começa a ter motivos pessoais para mudar de opinião. O que seria apenas um boa desculpa para tirar férias na Itália com sua filha de 12 anos se transforma em uma jornada assustadora aos recantos mais sombrios da alma. Enquanto corre contra o tempo, David precisa decifrar pistas escondidas no clássico Paraíso Perdido, e usar tudo o que aprendeu para enfrentar O Inominável e salvar sua filha do Inferno. Este é um daqueles livros que você não consegue largar até acabar a última página, ainda que vá precisar de muita coragem para seguir em frente. O Demonologista ganhou o Prêmio de Melhor Romance do International Thriller Writers Award (2014), concorrendo com autores como Stephen King. Entrou em diversas listas de melhores livros de 2013, foi finalista do Shirley Jackson Award (2013) e do Sunburst Award (2014), chegou ao topo da lista dos mais vendidos do jornal canadense Globe and Mail e foi publicado em mais de uma dezena de países.  (Skoob)

PYPER, Andrew. O Demonologista. DarkSide Books, 2015. 320 p.

Para um livro de terror funcionar, ele precisa incutir medo no leitor, sem que ele precise se esforçar muito para imaginar as cenas do que lê. Precisa ser algo familiar, mas, ao mesmo tempo, inesperado. O principal elemento dos filmes de terror, a música e o som em tom alto nos momentos de susto, não existem nos livros. Ou seja, tudo reside no uso das palavras certas e na imaginação. A história é importante, mas não é essencial, porque, mesmo que ela seja boa, complexa, sem o medo, o objetivo fracassa.

Bem, nesse ponto, O Demonologista passa com louvor. Os trechos onde o Inominável – assim chamado, porque, em grande parte do livro, David Ullman, o narrador e personagem principal, não sabe o nome de com qual demônio está lidando –, aparece e exerce sua influência nas pessoas mortas, é assustador. Ou mesmo nos pesadelos de David, quando alguns segredos vão sendo revelados sobre o motivo dele ter sido o escolhido. Mas o mais assustador, na verdade, são as leituras do diário de Tess, a filha desaparecida de David, onde tudo o que está acontecendo com ele, foi revelado ou indicado pela filha muito antes, como se ela já soubesse o que iria acontecer.

"Ao parar, os olhos do homem giram para trás em sua órbitas para mostrar o branco injetado. Faz uma pausa inacreditavelmente longa para respirar. Prende a respiração. Solta-a em palavras que carregam o cheiro acre de carne carbonizada."

As descrições do autor nos momentos de terror são precisas, claras, e surpreendem. Não tanto pelos detalhes, mas pela indução deles. Como exemplo, tem a passagem em que David está conversando com o Inominável em um parque deserto, e o demônio tem a forma de um menino que já morreu. Durante a conversa, ele sente a presença de algo ainda pior no meio das árvores da floresta em frente, mas não consegue olhar de tanto pavor, apenas ouve a respiração pesada e o peso dos passos do que está no meio das árvores. Essa parte é assustadora, e você se surpreende olhando para os lados durante a leitura, confirmando se está realmente sozinho com seu livro.

No início da leitura, fiquei decepcionado por o autor usar a passagem bíblica mais famosa sobre demônios, que é quando Jesus pergunta para um possuído o nome de quem está no comando, e ouve de resposta que é Legião, porque são muitos. Ela é usada à exaustão na maioria dos filmes de mesmo tema, mas, aos poucos, entendi que foi uma escolha acertada. Isso, porque ele mescla toda a história com Paraíso Perdido, a obra mais famosa do escritor inglês, John Milton. A história, dividia em dois arcos narrativos, sendo um de Lúcifer e o outro de Adão e Eva, é contada em versos métricos sem rima, reunidos em 12 livros a partir de 1674. Nela, existem diversos seguidores de Lúcifer, que o auxiliam na revolta contra Deus. David sabe que o Inominável é um desses seguidores, mas não sabe qual. E o demônio quer que David descubra o seu nome, porque se ele o pronunciar, terá poder sobre David. Então realmente existe uma coerência lógica e certa sobre a escolha.

"Não consigo ver, mas sei que algo observa por entre as árvores. Uma densidade tão forte que faz o ar se curvar, uma espécie de gravidade lateral que puxa e distende tudo em volta. Não comunica nada por meio de seu silêncio inchado, apenas privação, interminável e insaciável. Este é o território por onde ele vaga, sem cessar. Magoado e faminto."

Para resgatar Tess, sua filha, David precisa seguir as pistas deixadas pelo Inominável por meio país. A viagem não tem o objetivo da descoberta, mas da peregrinação, que causa um enorme desgaste físico e mental, deixando David cada vez mais suscetível à influência do demônio. Entretanto, o amor pela filha exerce uma força contrária, que o liberta nos momentos de maior desespero e o revigora para conseguir chegar ao final de sua flagelação.

Junto a David, temos dois personagens secundários de grande importância: Elaine O’Brian, a colega de trabalho por quem é apaixonado, mas com quem não pôde assumir o sentimento, por ser casado. E o Perseguidor, um assassino contratado para impedir David de tornar público a prova de que o demônio realmente existe e que ele quer se revelar ao mundo.

"Ela abre a boca para falar, mas um par de braços a cerca e a puxa de volta para o nevoeiro. Braços longos demais para pertencerem a um homem. Escurecidos por pelos que parecem os de um animal. Suas garras manchadas de terra, como as de um quadrúpede."

O’Brian está com câncer e acompanha David na busca por Tess, porque não tem nada a perder. Ela é a voz da razão, da lucidez, que o impele a descobrir os motivos e o nome do Inominável. Ela, de certa forma, é o próprio leitor, que faz as perguntas certas para o entendimento do que está acontecendo. O relacionamento entre os dois é cheio de nuances sobre o que podem ou não fazer, sobre o que podem ou não sentir.

O Perseguidor, embora apareça bem menos do que O’Brian, causa sempre uma tensão enorme, porque ele nunca se esconde, ele sempre revela sua presença e dá todas as chances que lhe são permitidas para que David entregue o documento visual da existência do demônio. As frases que ele solta tem sempre duplo sentido, sempre carregam uma mensagem ameaçadora e uma intimidação. E quando ele ataca, ele o faz sem misericórdia, sem chance de indulgência.

"As unhas de uma das mãos arranham a lateral do carro, buscando onde se agarrar. Um baque nauseante quando a roda traseira do Mustang passa por cima da garota. Paro. Saio do carro e vou pata trás. Eu me ajoelho para olhar debaixo do chassi, procuro ao longo das valas nos dois lados da estrada. Nada da garota."

Entretanto, nem tudo é perfeito. Uma coisa me incomodou um pouco. Os diálogos, embora muito bem elaborados, parecem ser pronunciados sempre pelo mesmo personagem. Eles parecem refletir sempre a mesma acidez. As respostas de todos são sempre atrevidas, desprovidas da personalidade que identifica quem a pronuncia. Não existe uma diferença entre a qualidade das palavras, como se todos os personagens fossem o mesmo, e o que dizem só muda de acordo com a situação. Isso, por um lado, torna as conversas inteligentes, mas ignora que cada um tem uma altura diferente de conhecimento e de capacidade de resposta.

E, ao contrário da maioria dos filmes de terror, onde o final sempre peca pela cena a mais, ou pela falta dessa cena, o fim de O Demonologista deixará você soltar um suspiro de tranquilidade e fará seu rosto criar um pequeno sorriso de felicidade.

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Sequestrados - Robert Crais

Quando Nita Morales contrata Elvis Cole para encontrar sua filha desaparecida, ela não está com medo, mesmo tendo recebido um telefonema pedindo resgate. Ela sabe que é uma farsa, que sua filha está com o cara que Nita chama somente de “aquele garoto” e que eles precisam de dinheiro. Mas ela está errada. A moça e o namorado foram sequestrados por bajadores – bandidos que se aproveitam de outros bandidos, profissionais da fronteira que se aproveitam não só de vítimas inocentes, mas um do outro. Eles roubam drogas, armas e pessoas – comprando e vendendo vítimas como mercadorias, e matando aqueles que não geram negócio. Elvis Cole e Joe Pike encontram o local onde o casal foi sequestrado. Há marcas de pneus, cápsulas de balas e manchas de sangue. Eles sabem que as coisas podem não ser tão ruins quanto parecem. Mas eles também estão errados, porque a situação está prestes a piorar. O próprio Cole é sequestrado quando, à paisana, localiza os dois jovens e tenta compra-los de volta. E agora cabe a Joe Pike refazer os passos de Cole, infiltrando-se no duro e perigoso mundo do tráfico de pessoas para encontrar seu amigo.O problema é que pode ser tarde demais... 
CRAIS, Robert. Sequestrados. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2015. 304 p.

Não sou muito de ler romances policiais. Não que eu ache o gênero ruim, mas nenhum livro desse tipo nunca conseguiu me prender de verdade e podem ter certeza que eu tentei, e tentei muito. Já abandonei muitos livros da Agatha Christie (por favor, não me julguem) e gostei bem mais ou menos de algumas histórias do Sir Arthur Conan Doyle. Justamente por esses motivos comecei a leitura de Sequestrados bem despretensiosamente, quase que por obrigação. Apesar de não ter sido uma leitura 100%, posso dizer que me surpreendeu bastante. 

O livro começa nos apresentando o casal Jack e Krista, que foram sequestrados por bajadores (pessoas que roubam imigrantes ilegais dos coiotes) junto a um grupo de imigrantes ilegais apenas pelo fato de estarem no lugar errado, na hora errada. Após algum tempo após o sequestro, a mãe de Krista, Nita Morales, resolve contratar Elvis Cole (o melhor detetive do mundo) para encontrar a sua filha. 

Elvis Cole descobre, então, que o que Nita achava ser apenas uma brincadeira de adolescentes é algo muito maior e mais perigoso do que eles mesmos imaginam. Sendo assim, Cole se junta com o seu companheiro Joe Pike para encontrar Krista e Jack, a todo custo. Salvar os dois se torna prioridade assim que Cole e Pike descobrem sobre a quadrilha de tráfico humano.

A obra é narrada sobre diversos pontos de vista que se alternam entre Elvis Cole (o único em primeira pessoa), Jack e Krista e alguns parceiros que Cole conseguiu para o ajudarem na missão. Há também as famosas mudanças temporais, que foram muito bem sinalizadas, portanto não causam nenhum tipo de confusão. A narrativa é tão fluida que não conseguia me desgrudar do livro e sofria quando tinha que interromper a leitura. Se eu não tivesse na casa da minha tia que tem criança pequena (e eu adoro criança pequena), com certeza teria lido tudo em uma sentada. 

"— E se o seu amigo não conseguir nos encontrar?
— Ele vai. Há certas pessoas que nunca deixam você na mão."

Fazendo algumas pesquisas para a resenha, descobri que Sequestrados não é o primeiro livro com os personagens Elvis Cole e Joe Pike, e sim o 15º. Na verdade, foram lançados 16 livros com os personagens, mas apenas Sequestrados e Suspeitos foram publicados aqui no Brasil, ambos pela Companhia Editora Nacional. Ler os livros fora de ordem aparentemente não atrapalha no entendimento da história, mas gostaria muito de ter lido a série completa, desde o primeiro. 

Sequestrados é um romance de tirar o fôlego. Me senti um pouco retraída nas cenas mais pesadas, geralmente as do ponto de vista de Krista ou Jack que retratava o cativeiro. Se preparem pois há bastante morte e sangue, algumas coisas narradas com muitos detalhes. Gostei muito de toda a história porque sabemos que essas coisas realmente acontecem, mesmo que no livro tenha sido totalmente inventado. 

Ah, vocês me desculpem, mas não consegui não sentir ódio de Krista o tempo todo, porque para mim a culpa de os dois terem sido sequestrados foi dela. Tudo bem, ela não podia imaginar que daria de cara com bajadores em uma noite qualquer, mas o tanto de hora que ela fez dava para eles terem saído ilesos. Para vocês terem ideia, ela ficou parada tirando fotos da situação enquanto Jack chamava por ela!

Se estiverem procurando um livro com a história marcante, Sequestrados está mais que indicado. Tem suspense do início ao fim e o romance não se torna o foco da narrativa em nenhum momento. Apesar do final um pouco corrido, tive aquela sensação que eu mais amo em uma leitura: a sede de saber o que acontecerá com os personagens no final. 


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Leituras do Mês: Julho


Eu achei que em Julho eu iria arrasar e teria uma pilha de leitura para mostrar para vocês tipo aquela que eu mostrei em janeiro, com oito livros ou mais, já que eu estava de férias. Mas não foi bem assim, infelizmente. Minha TBR da Maratona Literária de Inverno foi quase inteira abandonada, já que surgiram outros livros que eu queria ler e deixei alguns daqueles de lado, mas li alguns deles também. O problema foi que eu queria assistir tantos filmes e séries que estavam na minha lista do Netflix que as leituras ficaram em segundo plano.

No total, foram quatro livros lidos, o que eu não acho exatamente ruim, mas esperava ter lido mais. Em compensação, todas as leituras que fiz foram incríveis, ótimas, maravilhosas e eu amei <3 rsrs

Em formato impresso, li Estação Onze, que já tem resenha no blog, Delírio, que eu pretendo comentar em breve, e Lugares Escuros, que tem resenha e promoção publicadas.

Li ainda Plutão, em formato digital, e fiquei apaixonada por essa fofura. A resenha também já está disponível aqui.

Acho que Agosto pode render um pouco também, já que minhas aulas recomeçam na próxima semana, mas o primeiro mês é sempre mais tranquilo.

E para vocês, como foram as leituras durante o mês?

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Promoção: Lugares Escuros


Quando consultei os leitores do blog sobre alguns dos livros que gostariam de ler no Facebook, grande parte me respondeu que tinha curiosidade de conhecer Lugares Escuros, da autora Gillian Flynn. Eu li o livro há alguns dias e publiquei a resenha na última semana, neste link.

E agora, em parceria com a Editora Intrínseca, o Conjunto da Obra vai poder sortear um exemplar deste ótimo livro para um de vocês.

Para participar é simples! Basta seguir o blog Conjunto da Obra pelo Google Friend Connect (clicar em "Participar deste site" na barra lateral direita) e preencher essa entrada no formulário. Depois, várias outras entradas serão abertas, para quem quiser ter ainda mais chances.

a Rafflecopter giveaway

As inscrições serão feitas por meio da ferramenta Rafflecopter. Para os que ainda têm dúvidas sobre como utilizá-la, podem ver este tutorial aqui. As inscrições são válidas até dia 20 de agosto, e o resultado será divulgado em até 3 dias, neste mesmo post. 

Após o resultado, o Conjunto da Obra entrará em contato com o vencedor por e-mail, que deverá ser respondido em até 48 horas. O exemplar será remetido pela Editora Intrínseca.

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Top Comentarista - Agosto + Resultado


Gente, eu adorei a participação de vocês no Top Comentarista de Julho. Adorei mesmo! Estou contando com vocês de novo em Agosto, pode ser? rsrs

Para se inscrever é preciso:
  • Ter endereço de entrega em território Brasileiro.
Serão cinco títulos disponíveis:
1. Maximum Ride: Projeto Angel;
2. Todo Dia;
3. O amor mora ao lado;
4. Sonhos Despedaçados;
5. Alma Menina.

  • Para participar basta preencher qualquer entrada no formulário Rafflecopter abaixo. A primeira entrada (qualquer uma) me mostrará o interesse do participante de concorrer aos prêmios.
  • Serão dois comentaristas premiados. O primeiro vencedor escolherá um dos livros da promoção para receber em casa; o segundo vencedor escolherá outro livro entre os restantes.
  • O primeiro vencedor será selecionado pela quantidade de entradas no formulário. Cada divulgação ou participação por seguir o blog em alguma rede, por exemplo, valerá uma entrada de 1 ponto cada. As entradas de comentários, no entanto, valerão 3 pontos cada. A pontuação será calculada automaticamente pelo Rafflecopter, basta preencher uma vez a cada atividade realizada.
  • Serão válidos comentários de 1 de agosto a 2 de setembro, incluindo nesta postagem e na que foi ao ar ontem.
  • Só serão aceitos comentários com conteúdo, que demonstrem que a publicação foi lida.
  • Será válido apenas um comentário por participante em cada nova postagem do blog.
  • O formulário ficará aberto até o dia 2 de setembro, para que os participantes possam comentar também nas últimas postagens do mês.
  • É imprescindível que o formulário seja preenchido a cada participação, seja por comentário ou por divulgação, já que somente com base nele farei a contagem de pontos.
  • Ao final do prazo, será apurada a pontuação de cada participante. Aquele que tiver mais pontos por participação preenchidos no formulário, será o primeiro vencedor.
  • Caso os dois participantes que alcancem mais pontuação tenham até 10 pontos de diferença, serão eles os presenteados, por ordem de pontuação. Se a pontuação for a mesma, será definida a ordem de escolha dos prêmios por sorteio. Caso mais de 2 participantes alcancem a mesma pontuação, serão sorteados, entre eles, os vencedores.
  • Se a diferença de pontuação entre o primeiro colocado e o segundo colocado ultrapassar 10 pontos, o primeiro colocado terá direito à escolha do prêmio; o segundo premiado será sorteado entre todos os outros participantes.
  • Por isso, quanto mais participarem, maiores serão as chances de levar prêmios, ok?


a Rafflecopter giveaway

  • Os livros serão enviados aos ganhadores em um prazo de 40 dias úteis após o recebimento dos dados.
  • O Conjunto da Obra não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador e os livros não serão enviados novamente;
  • O ganhador terá o prazo de 24h para responder ao e-mail que lhe será enviado;

Foram 6 participantes do Top Comentarista de Julho e, como já comentei, fiquei bem feliz com a participação de todos.

Dos participantes, cada um obteve a seguinte pontuação:


Amanda Oliveira - 7
Ana Lucia - 83
Mariele Antonello - 92
Milena Soares - 100
Letícia Souza - 34
Vanessa Pereira - 6

Gente, teve gente que se inscreveu e comentou em todas as postagens do mês, mas as regras diziam que só seria contada a pontuação pelo Rafflecopter, que esqueceram de preencher. Eu sinto muito por isso, mas não posso fazer de uma forma para alguns participantes e de outra para outros. Fico bem triste de não poder considerar a pontuação, mas espero que me entendam, tá?

Pelas regras, aquele que alcançasse maior pontuação, seria o primeiro premiado. E pelo terceiro mês consecutivo a premiada será a Milena

Ainda de acordo com as regras, se a diferença entre o primeiro e o segundo colocado não ultrapassasse 10 pontos, o segundo colocado automaticamente levaria o prêmio. E foi o que aconteceu: Parabéns Mariele, e muito obrigada pela participação!

Meu muito obrigada a todos que participaram, espero poder enviar um prêmio para todos logo, ok?


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Penadinho: Vida - Paulo Grumbim e Cristina Eiko


Sinopse: Sétimo título do selo Graphic MSP, em que quadrinhistas convidados reinterpretam os clássicos personagens de Mauricio de Sousa, em seus próprios estilos. Os responsáveis pela releitura, desta vez, são Paulo Crumbim e Cristina Eiko, que construíram uma trama que mescla aventura, humor, romance e suspense, com desenhos lindos. Na trama, Alminha vai reencarnar. E Penadinho nunca teve coragem de dizer que ela é o amor da sua... morte! Pra piorar, a fantasminha sumiu e precisa ser encontrada até o amanhecer, quando a Dona Cegonha a levará. Os autores reimaginam os personagens criados por Mauricio de Sousa de forma terna, apaixonante e divertida. O texto de quarta capa da edição é assinado pelo roteirista e diretor Luiz Bolognesi, do ótimo Uma História de Amor e Fúria. Além disso, o álbum traz esboços, a biografia de Crumbim e Eiko e uma matéria com a primeira aparição dos personagens nas tiras de jornais e revistas. (Skoob)
CRUMBIM, Paulo e EIKO, Cristina. Penadinho: Vida. Panini, 2015. 82 p.

Para mim, Penadinho sempre teve um fascínio especial dentro do universo da Turma da Mônica. Por ser fã de histórias de terror, a turminha do cemitério, junto com as cores mais sóbrias e, por vezes, escuras, puxavam mais meu interesse do que os planos infalíveis do Cebolinha para pegar o Sansão.

Dois anos atrás, quando começaram a publicar os álbuns escritos e desenhados por convidados de Maurício de Souza, fiquei animado ao saber que Penadinho seria um desses personagens reinventados. E ansioso. Esperava que criassem algo que correspondesse à atmosfera sombria dos quadrinhos originais.


Felizmente, Paulo Crumbim e Cristina Eiko foram muito além de minhas expectativas. Tanto na parte do roteiro, como na parte gráfica. Seguindo a linha dos clássicos de terror, eles uniram o romance ao suspense, acrescentaram alguns novos personagens e criaram uma sequência de perseguição que transmite urgência e causa ansiedade para se chegar à conclusão. Isso sem mencionar o medo dos dois personagens principais, Penadinho e Alminha, não ficarem juntos no final, que, não por acaso, é muito lindo!


O carisma dos personagens clássicos foi mantido, inclusive o humor entre suas desavenças, próprias de amigos de longa data. As cores são sempre escuras ou, no máximo, sóbrias, jogando com sombras nos rostos e com cenários de uma única cor, mudando apenas a tonalidade. Isso destaca os personagens, sem tornar os quadrinhos pobres. É uma técnica belíssima e muito eficiente.

Apesar de serem personagens de terror (um fantasma, um monstro, um vampiro, uma múmia e um lobisomem), todos apresentam a mesma personalidade inocente, sem perder a nobreza e a seriedade nos momentos em que precisam entrar em ação para se salvarem, ou salvarem seus amigos.


O vilão da história não traça nenhum plano mirabolante, mas, mesmo assim, e talvez por isso, não decepciona. Ele assusta na medida certa e a forma como é derrotado não desaponta, apesar da facilidade. Ao contrário do normal, ele não esperava ser confrontado. Não havia nenhum oponente conhecido para suas artimanhas. Então é compreensível o quanto ele estava despreparado para enfrentar a turminha do cemitério.


Os dois capangas dele são personagens curiosos e os mais assustadores da história. Isso, porque não possuem uma linha de caráter, por serem estúpidos, burros mesmo. Assim, o que fazem, fazem sem pensar, sem pesarem as consequências, e isso é sempre assustador, porque não há o que dialogar, não existe forma de convencimento, a não ser que se apresente para eles um interesse diferente que os desmotive a continuar. Achei a presença dos dois, ameaçadora.

Por fim, somos presenteados com algumas páginas que demonstram como foi a criação de Penadinho: Vida. Não é muita coisa, mas é o suficiente para entender a complexidade existente em se criar uma pequena peça de arte.


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