Cidades de Papel - John Green

Sinopse: Nesse romance, o adolescente Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que, certa noite, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que Margo desapareceu. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele pensava conhecer. (Skoob)

GREEN, John. Cidades de Papel. Intrínseca, 2015. 368 p.

No início de Cidades de Papel, Quentin, o personagem principal e narrador da história, diz o seguinte:

 “Na minha opinião, todo mundo tem seu milagre. (...) Meu milagre foi o seguinte: de todas as casas em todos os condados em toda a Flórida, eu era vizinho de Margo Roth Spiegelman.” 

Acho que a maioria das pessoas, se não todas, já encontraram alguém em suas vidas que consideram seu pequeno milagre pessoal. Aquela garota ou garoto que você acha que nunca esquecerá, por ser seu amor ou por ser sua melhor amiga ou amigo. A moral de Cidades de Papel acaba por ser essa: até que ponto uma pessoa é assim tão especial, tão importante?

Após negar ajuda a Margo em uma situação logo no início do livro, a amizade dos dois quebra, e eles seguem caminhos separados. Nos anos seguintes, Quentin apenas idealizou o que Margo estava se tornando, uma vez que não sabia de verdade o que ela pensava nem por que fazia o que fazia, como fugir constantemente de casa para viver aventuras estranhas. No fim do colegial, Margo, do nada, decide pedir ajuda a Quentin novamente, num plano de 11 etapas que irá acertar as pendências da garota com vários desafetos. Quentin, desta vez, não consegue recusar.

Toda a primeira parte de Cidades de Papel, que termina no desaparecimento de Margo, após a aventura noturna ao lado de Quentin, manteve meu interesse. Determinados momentos, como na parte em que os dois estão no alto de um edifício, são românticos e conseguiram me fazer sentir empolgação pelo que eles estavam vivendo.

"Gostava de sentir tédio. Não queria gostar, mas gostava. E assim, o cindo de maio poderia ter sido um outro dia qualquer – até pouco antes da meia-noite, quando Margo Roth Spiegelman abriu a janela sem tela  do meu quarto pela primeira vez desde que me mandara fechá-la nove anos antes."

Entretanto, após o desaparecimento de Margo, quando Quentin convence os dois amigos, Ben e Radar, a participarem da busca por pistas do paradeiro da garota por quem é apaixonado, eu senti apenas tédio. Tudo transcorre de forma tão extensa, maçante, com diálogos sem interesse para prender minha leitura, que, em diversos momentos, senti vontade de dormir. E tudo complica ainda mais quando os três amigos, mais Lacey, a melhor amiga de Margo, começam a desconfiar que a moça não é assim tão especial quanto imaginavam.

Ao descobrirem o paradeiro de Margo, os quatro (Quentin, Ben, Radar e Lacey) inciam uma viagem de 21 horas para chegarem até o local. Mas, a exemplo dos capítulos anteriores, o que acontece não chega a empolgar. As situações são narradas de forma mais apressada, o que alivia um pouco a falta de interesse. E quanto encontram Margo, se defrontam com uma explicação que é decepcionante.

O que consegui abstrair de Cidades de Papel, e que é destacado de maneira bem contundente em diversas partes do livro, sem necessidade, uma vez que bastava apenas uma vez, são duas coisas: a superficialidade da vida da maioria das pessoas, que se entregam a uma rotina e a uma falsa ideia de que são felizes; e a decepção ao se descobrir que aquela pessoa que você idolatra tem todos os defeitos e faltas de qualquer outra.

"Margo sempre adorou um mistério. E, com tudo o que aconteceu depois, nunca consegui deixar de pensar que ela talvez gostasse tanto de mistérios que acabou por se tornar um."

Quentin, apesar de quase perder a amizade de Ben e Radar por causa de sua fixação, consegue se soltar e aprender que a vida pode ser muito mais do que aquilo que nos limitam desde a infância. Que nós podemos ir além dos muros que achamos que existem ao nosso redor, e que nos mantém numa falsa segurança e num conforto de limitações. Mas ele aprende algo mais importante: ninguém é um milagre para ninguém. Os relacionamentos são baseados em interesses ou em dependências emocionais. Não existe aquela pessoa feita exclusivamente para você, para sua felicidade. Isso não aparece na sua frente, mas se constrói através de respeito, lealdade e amor verdadeiro. Por causa dessa mensagem, vale a pena enfrentar as muitas páginas maçantes de Cidades de Papel.

Ah, e tem o filme.


Bem, eu achei a versão cinematográfica muito superior. Aquilo que não encontrei nas páginas do livro de John Green, encontrei no cinema. A química entre Quentin, Ben, Radar e Lacey existe, é convincente, é engraçada e faz você suspirar e rir em diversos momentos. A viagem deles empolga e entretém. E a aventura noturna ao lado de Margo é mais romântica e enigmática. Isso sem mencionar o final, que dignifica Quentin e esclarece que, apesar da decepção, existiu, sim, um enorme aprendizado e um fortalecimento da amizade dos quatro amigos.

Também existe, nos últimos segundos do filme, todo um diálogo em off de Quentin, enquanto acompanhamos o final do colegial e a partida para a faculdade, deixando na saída do cinema uma vontade de acompanhar os próximos anos dos quatro amigos.

Carlos H. Barros
Carlos H. Barros

Carlos tem várias paixões: livros, gibis (muitos gibis), filmes, séries e jogos (muitos jogos de PC e consoles), fotografia, natação, praia e qualquer chance de viajar para conhecer novos lugares e pessoas. Lamenta o dia ter apenas 24 horas - é muito pouco -, e não saber desenhar. Autor também do blog Gettub

13 comentários:

  1. Gostei de Cidades de Papel, mesmo não sendo nem de longe o melhor livro de John Green, estou super curiosa em conferi o filme, assim como você estou vendo todo mundo dizendo que ele é bem melhor que o livro.

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    1. Eu achei! Tudo está melhor resolvido, principalmente o final. Se ainda não viu e gostou do livro, está esperando o quê para ir no cinema? rssss
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  2. Adorei a resenha!
    Bom geralmente nessas adaptações de livros que viram filmes, o livro sempre é melhor que o filme e as vezes o filme decepciona demais quem leu o livro, eu li Cidades de Papel, e gostei apesar de ter me decepcionado um pouco no final e fiquei muito feliz em saber que o filme é até melhor que o livro e explica algumas coisas do livro, adorei demais e fiquei mais ansiosa ainda para assistir o filme.

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    1. Verdade, Mariele!
      Este é um dos poucos que achei que ficou bem melhor do que o livro. Mas tem outros, como As Vantagens de ser invisível e O lado bom da vida. Ambos ficaram melhores que os livros.
      Abs

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  3. Oi Ju
    Vou te dizer que eu troquei este livro, assim como fiz com a culpa é das estrelas (não me matem, mas não sei, não curti). Este livro não me prendeu, tentei ler e acabei trocando.
    Mesmo assim fui ao cinema assistir para ver no iria dar a história, até gostei do filme em si, mas não curti a premissa, acho que eu teria odiado o livro. Apesar que sei que isso pode acontecer na vida real e que nem sempre os finais são felizes, eu esperava mais. mas já vi que o autor gosta desses finais nada clichês... Ainda sim tenho curiosidade para ler outro livro do autor.

    Beijos

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  4. Oie Carlos =)

    Confesso que depois que li ACEDE não li mais nada do John Green. Tipo não me dá vontade sabe... Até tenho Cidades de Papel em e-book mas sempre acabo passando outro livro na frente dele. Talvez eu ainda vá assistir ao filme, ai se eu gostar pode ser que me anime em ler o livro rs...

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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    1. Anne,
      Eu não aprecio os livros de Green. A culpa é das estrelas foi um dos piores livros que já li em termos de narrativa, mas queria ver o filme de Cidades de Papel e decidi pegar o livro pra ler. Não me arrependi, mas ele é bem fraquinho mesmo...rssss
      Bjs

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  5. Oi, tudo bom?! Conheci o blog agora e já adorei ^^ Já estou seguindo no gfc, no twitter e curtindo a pagina do facebook.

    Eu já li o livro, esses dias, e achei regular. Achei a parte dois e o final bem chatinhos, rsrs. Acho que é um livro mais metafórico, que não combina muito com adolescentes.

    Abraços do Dan :)
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  6. Olá Carlos,


    Só li A culpa é das estrelas do autor e gostei bastante, quero ler esse com certeza, mas fiquei surpreso em saber que o filme é melhor....abraço.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  7. Bah, adoei essa capa mas confesso que detestei o livro... Como você disse que o filme é melhor, fiquei bem ansiosa pra ler!

    Beijão, Guta! ♥
    www.opinada.com

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  8. não me odeiem ok mas tenho muita dificuldade de ver o "OOWW" que os livros do Jonh Green provocam na maioria das pessoas. não amo mas também não odeio. li A Culpa é das Estrelas achei bonito, emocionante, mas mais do mesmo, previsível. Cidades de Papel e me arrastei pra ler. Margo é uma das personagens mais chatas, mimadas e manipuladoras que li =/ o livro não funcionou pra mim mesmo. mas tenho vontade de ver o filme, pode ser um dos raríssimos casos onde o filme seja mais carismático que o livro.

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    1. Aninha,
      O filme é mais carismático, sim, e menos maçante. Só que Margo é ainda pior do que no livro! rssssss
      Abs

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  9. Oiee
    Tenho esse problema de tédio com todos os livros do Green,não que sejam totalmente ruins mas na minha opinião todos eles tem aquele momento onde a história não segue nem pra um lado nem pra outro.Esse é o único que ainda não li,mas pretendo fazer isso logo para poder ver o filme e começar as minhas comparações kk
    bjos

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