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Minha vida mora ao lado - Huntley Fitzpatrick

“Minha mãe nunca ficou sabendo de uma coisa, algo que ela reprovaria radicalmente: eu observava os Garrett. O tempo todo.” Os Garrett são tudo que os Reed não são. Barulhentos, caóticos e afetuosos. São de verdade. E, todos os dias, de seu cantinho no telhado, Samantha sonha ser uma deles, ser da família. Até que, numa noite de verão, Jase Garrett vai até lá e... Quanto mais os adolescentes se aproximam, mais real esse amor genuíno vai se tornando. Contudo, precisam aprender a lidar com as estranhezas e maravilhas do primeiro amor. A família de Jase acolhe Samantha, apesar dela ter que esconder o namorado da própria mãe. Até que algo terrível acontece, o mundo de Samantha desmorona e ela é repentinamente forçada a tomar uma decisão quase impossível, porém definitiva. A qual família recorrer? Ou, quem sabe, Sam já é madura o bastante para assumir suas próprias escolhas? Será que está pronta para abraçar a vida e encarar desafios? Quem você estaria disposto a sacrificar pela coisa certa a se fazer? O que você estaria disposto a sacrificar pela verdade? (Skoob)
FITZPATRICK, Huntley. Minha vida mora ao lado. Valentina, 2015. 320 p.


Samantha Reed é uma garota de dezessete anos e não é a filha mais bonita, porque sua irmã ocupa esse cargo, nem a mais inteligente, esse fica para sua melhor amiga, mas é a protagonista da historia. Considerada a filha perfeita por sua mãe deputada, republicana e com TOC, ela esconde um segredo.

Do seu cantinho no telhado, Sam observava os Garrett desde que eles se mudaram para casa ao lado, como se eles fosse o seu reality show particular. Eles eram tudo que sua família, os Reed, não eram, contudo eram tudo que ela queria que fossem. Os Garrett eram numerosos, mais filhos do que se pode imaginar: Joel, Alice, Jase, Andy, Duff, Harry, George e Patty, além do Sr. e da Sra. Garrett. Eles eram cheios, desorganizados, barulhentos, afetuosos. E sua mãe os odiava.

Numa noite, Jase senta-se ao seu lado e ela se vê sugada para esse novo mundo. De uma hora para outra, Samantha começa a encontrá-los em todos os lugares, seus mundos se misturam e ela não quer que eles voltem a se separar. Sam começa a se apaixonar por essa família, principalmente por Jase, mas o que fazer quando sua mãe não os aprova? E quando ela se sente mais próxima a eles do que a sua própria família?

“-Eu sabia.
-Sabia o que? - pergunto me voltando para minha mãe.
-Sabia que se envolver com esses nossos vizinhos só traria problemas.”

Samantha expressa tudo o que uma garota faria naquele momento, ela é uma personagem inteligente e madura, sem todo aquele drama. Jase é o típico garoto que toda garota sonha e que quase nunca vira realidade, mas, o que me fez apaixonar-me pela historia,foi sua família.

Tantos personagens num só lugar, uma família tão grande que te faz pensar que não tem como ser descrita direito, mas a autora conseguiu criar uma personalidade única para cada um. Não ficou aquela coisa monótona, cada um age de uma maneira, se comporta de um jeito diferente. George foi o meu preferido, é claro. Ele é um menininho de 4 anos, mas é tão, tão fofo. Ele é inteligente demais para a idade, bondoso, carinhoso e muito emotivo!

Sinceramente, na primeira vez que li o livro online, não vi a frase escrita abaixo do tema na capa. Só fui perceber quando recomendei para minha amiga e ela comentou sobre isso. Apesar da frase "Um garoto, um verão, um segredo, uma decisão", o livro não se desenvolve através disso, esse não é o foco da historia, o drama ficou em segundo plano e não é diretamente sobre o casal principal, o que não é nenhum problema para mim. Gostei desse desenvolvimento.

"-Essa é Sailor Moon - diz George. - Ela sabe tudo sobre buracos negros.
-E mergulha de costas - acrescenta Harry.
-Mas você não pode ficar com ela, porque ela vai casar com o Jase - conclui George."

A historia ganha forma antes, o relacionamento do casal se desenvolve, assim como as personalidades dos outros personagens, antes que o inevitável aconteça. E você fica sem saber o que fazer. Você se pergunta o que faria no lugar da Sam, do Jase, de qualquer um daqueles envolvidos, mas... As coisas nunca acabam como imaginamos.

Enfim, estou ansiosa para ler a continuação, que conta a história da Alice, irmã do Jase, com Tim, além de mostrar mais sobre o drama TimXNanXSam, que não é completamente resolvido aqui, embora eu esteja quase sem esperanças que esse livro seja publicado aqui no Brasil, porque faz tempo que fui publicada no exterior e até agora nada.

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Serafina e a Capa Preta - Robert Beatty

Sinopse: Serafina nunca teve motivos para desobedecer ao seu pai e se aventurar além da Mansão Biltmore. Há espaço de sobra para ser explorado naquela casa imensa, embora ela precise tomar cuidado para jamais ser vista. Nenhum dos ricaços lá de cima sabe da existência de Serafina; ela e o pai, o responsável pela manutenção das máquinas, moram secretamente no porão desde que a garota se entende por gente. Mas quando as crianças da propriedade começam a desaparecer, somente Serafina sabe quem é o culpado: um homem aterrorizante, vestido com uma capa preta, que espreita pelos corredores de Biltmore à noite. Após ela própria ter conseguido – depois de uma incrível disputa de habilidades – escapar do vilão, Serafina arriscará tudo ao unir forças com Braeden Vanderbilt, o jovem sobrinho dos donos de Biltmore. Braeden e Serafina deverão descobrir a verdadeira identidade do Homem da Capa Preta antes que todas as crianças... A busca de Serafina a levará ao interior da mesma floresta que tanto aprendeu a temer. Lá, descobrirá um esquecido legado de magia, que tem relação com a sua própria origem. Para salvar as crianças, Serafina deverá procurar as respostas que solucionarão o quebra-cabeça do seu passado. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora.
BEATTY, Robert. Serafina e a Capa Preta. Serafina #1. Editora Valentina, 2018. 240 p.


Sabe aquele tipo de livro que você começa sem esperar muita coisa, mas acaba com um sorriso no rosto porque ele conseguiu te cativar? Serafina e a Capa Preta é esse tipo de livro. Embora o enredo não seja realmente impressionante, tive a sensação de que estava assistindo a um daqueles episódios gostosos de Scooby Doo, em que o grande vilão é descoberto no final e tudo fica bem. Essa sensação de infância e de esperança me envolveu completamente e se tem um livro fofinho que quero indicar, com certeza é esse.

Serafina é uma menina da noite, pois este é o momento em que pode andar com mais liberdade pela mansão em que mora, sem ser vista. Ela e seu pai moram no porão da casa, mas os proprietários não sabem disso. A menina observa tudo e vê todas as crianças se divertirem, dançarem e se vestirem como ela nunca se vestiu, mas o que ela mais queria disso tudo era poder ter um amigo que se importasse com ela. Quando as crianças começam a desaparecer, Serafina é a única testemunha do que está acontecendo, ela sabe que precisa ajudar.

"Estavam no meio da madrugada agora, e ela sabia que deveria dormir, mas não se sentia cansada. O dia não a havia deixado exausta, mas sim agitada. De repente, o mundo inteiro estava diferente do que fora no dia anterior. Ela nunca se sentira tão viva na vida."


A história de Serafina vai muito além do que a sinopse pode sugerir. Em primeiro lugar, porque a menina não é uma garota "comum" e, embora o leitor saiba isso desde o começo, não entende o porquê. O autor insere elementos fantásticos em aspectos bastante incomuns, já que ninguém tem super poderes ou algo assim, e, por mais contraditório que isso possa parecer, é essa característica que dá um toque mais realista ao enredo.

Isso acontece porque não é a magia que realmente interessa ou que faz a diferença no livro. O que conquista na trama é sentir empatia pelos personagens, por suas dificuldades e inseguranças. E é lindo ver a forma como se relacionam - a amizade, a lealdade, o amor e a coragem - até mesmo de Gideão, o cachorro que ajudou muito Serafina e Braeden.

Também, ao mesmo tempo em que o livro tem um clima leve, por ser mais infantil, também tem um toque bem sombrio, cheio de mistérios e poderes malignos espreitando por entre as sombras. O enredo traz diversas mensagens importantes que podem ser utilizadas como ensinamentos para as crianças, desde a necessidade de tratar bem a todas as pessoas até a não confiar inteiramente em quem pouco se conhece simplesmente porque parecem ser pessoas boas. A maldade pode estar em qualquer lugar, afinal de contas.

Fico pensando que se eu, como adulta, gostei tanto do livro por ser recheado de mistérios, aventuras e mensagens positivas, imagino como não seria a leitura para uma criança. Tenho a impressão de que Serafina e a Capa Preta é aquele tipo de livro para todas as idades, e ainda tem uma arte maravilhosa, cheia de referências, que tornam a obra ainda mais completa.


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Sonhei que amava você - Tammy Luciano

Ele estava vivo nos meus sonhos. E que sonhos! Mas era pouco. Eu queria ele na minha vida. Uma história cativante e inesquecível, cheia de mistérios e perguntas a serem respondidas. Pode um grande amor existir somente enquanto sonhamos? Kira, aos 22 anos, está apaixonada, vivendo um momento único de amadurecimento pessoal e profissional. Quem é o sedutor garoto que transforma suas noites em poesia e êxtase? Mas, apesar do maravilhoso momento que está vivendo, a garota terá que enfrentar obstáculos e barreiras. Mas sabe que a vida reserva o melhor para o final. Um convite para dar asas à imaginação e aquecer o coração.

Livro recebido em parceria com a Editora
LUCIANO, Tammy. Sonhei que amava você. Valentina, 2014. 296 p.

Kira é uma jovem de 22 anos, muito carismática e determinada. Ela abriu uma loja com sua melhor amiga, Lelê, e estão indo muito bem neste novo negócio. Sua vida está se encaminhando de forma tranquila, porém tem uma coisa que às vezes a incomoda: ela nunca teve um namorado sério, nunca se apaixonou de verdade e sente que isso está longe de acontecer. Só que isso muda quando, em seus sonhos, um apaixonante rapaz aparece e trás um novo sentido para suas noites de sono. Depois de alguns desses sonhos, por uma grande coincidência, ela encontra o rapaz em um acidente. E passado alguns dias, ela se depara com o rapaz novamente e decide tentar entender o que está acontecendo, quer saber se o rapaz também tem os sonhos e se sente o mesmo que ela.

Para quem gosta de romance com uma pitada de sobrenatural, esse livro é uma boa pedida. Os sonhos lúcidos estão presentes durante toda a leitura, então a protagonista tem vários sonhos que consegue controlar tudo o que faz nele. Lá ela pode voar, ir para os mais diversos locais com o garoto misterioso e, quando acorda, consegue se lembrar de tudo.

O rapaz dos sonhos se chama Felipe e, tanto nos sonhos como na vida real, é encantador. O romance entre ele e Kira ocorre de forma gradual, e é tudo bem delicado. É impossível não torcer por eles, pois realmente parecem ter nascido um para o outro. Só achei que o romance deveria ser um pouco mais arrebatador, com mais paixão, mas foi bonito como a autora conduziu tudo.

O livro é todo narrado em primeira pessoa por Kira, com uma linguagem bem informal, o livro parece ser para um público jovem, ou para quem está iniciando agora no mundo da leitura. O começo é um pouco lento, pois os personagens ainda não se conhecem, mas depois o ritmo fica muito bom. Lá para a metade final do livro, a autora inseriu um mistério e saiu daquele romance, o que achei ótimo, pois deu um pouco de ação à trama e mostrou a versatilidade da autora.

As relações são bem abordadas, seja entre o casal principal, os familiares e os amigos. Kira tem uma ligação muito forte com a família e a autora fez questão de mostrar isso, pois em cada oportunidade ela abordava essa relação, então foi fácil sentir empatia por todos. A mãe de Kira tem um restaurante super badalado e é uma mãezona para todos. O pai é juiz e foi o que menos apareceu, mas ainda assim é possível ver como ele ama a família. Mas o destaque vai para os irmãos gêmeos Cafa e Cadu, que são umas figuras. Cafa é um conquistador, e Cadu é mais na dele, mas os dois tem um carinho enorme pela irmã e torcem muito por sua felicidade. A relação com Lelê também é maravilhosa. A garota é muito divertida e se mostrou ser uma amiga para todas as horas, além de alguns outros amigos que são grandes companheiros e deram um toque especial na leitura.

O livro não é inovador, mas é um bom passatempo. Trouxe um assunto diferente, que são esses sonhos lúcidos, e abordou as relações humanas em sua forma mais carinhosa. Além de ser de uma autora nacional, que merece todo o nosso carinho.     


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O fundo é apenas o começo - Neal Shusterman

Sinopse: Uma poderosa jornada da mente humana, um mergulho profundo nas águas da doença mental.
CADEN BOSCH está a bordo de um navio que ruma ao ponto mais remoto da Terra: Challenger Deep, uma depressão marinha situada a sudoeste da Fossa das Marianas.
CADEN BOSCH é um aluno brilhante do ensino médio, cujos amigos estão começando a notar seu comportamento estranho.
CADEN BOSCH é designado o artista de plantão do navio, para documentar a viagem com desenhos.
CADEN BOSCH finge entrar para a equipe de corrida da escola, mas na verdade passa os dias caminhando quilômetros, absorto em pensamentos.
CADEN BOSCH está dividido entre sua lealdade ao capitão e a tentação de se amotinar.
CADEN BOSCH está dilacerado.
Cativante e poderoso, O Fundo é Apenas o Começo é um romance que permanece muito além da última página, um pungente tour de force de um dos mais admirados autores contemporâneos da ficção jovem adulta. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
SHUSTERMAN, Neal. SHUSTERMAN, Brendan. O fundo é apenas o começo. Valentina, 2018. 272 p.


Sei que a Bela, colunista aqui no blog, recentemente resenhou O fundo é apenas o começo, de Neal Shusterman, mas por coincidência, também estava lendo esse livro e achei importante falar sobre ele novamente, em especial porque minhas impressões foram um pouco diferente das dela. O livro é ótimo e traz reflexões essenciais, mas tive alguns problemas durante a leitura que acho interessante mencionar.

"Fiquei pasmo de ver como as pessoas podem viver assim tão próximas, como é possível estar literalmente cercado por milhares de seres humanos a apenas centímetros uns dos outros - e ainda assim, completamente isolado. Eu achava difícil imaginar uma coisa dessas. Agora, não acho mais."

O fundo é apenas o começo trata as doenças mentais de uma forma muito lúcida. Através da narrativa de Neal Shusterman, é possível entrar na cabeça de uma pessoa que sofre dessa doença e é sufocante, por ser tão real. É como um mergulho aos cantos mais profundos da mente e, assim como o próprio personagem, é difícil ao leitor identificar o que é real ou não, porque ele vive tudo aquilo, mesmo que de uma maneira não convencional.

Acredito que, por ter acompanhado seu filho, Brendan, durante uma jornada semelhante à do personagem do livro, o autor escreva com tanta propriedade sobre o assunto e consiga demonstrar, de fato, o que é a doença mental e como ela pode surgir inesperadamente. Não há rótulos aqui, a doença do protagonista, Caden, não é classificada no livro e, em um trecho do livro, o personagem conversa sobre isso e fica claro que a classificação da doença é só uma tentativa de facilitar o tratamento, já que a mente humana é tão complexa.

"Você sabe que pode tornar o navio de piratas tão real quanto qualquer outra coisa, porque não há mais diferença entre o pensamento e a realidade."

No decorrer do livro, os acontecimentos ficam mais nítidos e as cenas começam a fazer mais sentido. Tudo o que o personagem descreve tem alguma justificativa, tudo se encaixa depois que se compreende o contexto. Acredito que essa construção do texto tenha contribuído em muito para a compreensão do personagem, já que o leitor dá um salto no escuro, sem nenhuma explicação prévia, e só quando já conhece os fatores envolvidos é que compreende o porquê deles. Como já comentei, o livro é ótimo, acho que nunca tinha tido contato com uma trama que me permitisse compreender tão bem o tema quanto essa.

O meu único problema durante a leitura foi o momento. Comecei o livro em uma fase de muito estresse na minha vida, então a mistura de realidade e imaginação e a sensação de angústia pela situação do personagem não ajudaram para que eu me envolvesse com a história. Eu tinha a mesma sensação de afastamento que Caden, o que me impediu de criar vínculos e obstou meu interesse em continuar o livro. Levei semanas para concluir a leitura, ficava dias sem tocar no livro e, só quando estava da metade para o final é que o enredo se tornou mais interessante. Por isso, acredito que a leitura será muito mais prazerosa para aqueles que estejam em uma fase leve e possam se envolver emocionalmente com uma história como essa.

De qualquer forma, O fundo é apenas o começo traz lições importantíssimas e esclarecimentos essenciais para diminuir preconceitos acerca das doenças mentais. Quem tiver interesse em conhecer mais sobre o tema, leitura mais do que recomendada.


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Novidades #195: Lançamentos Editoras Parceiras

Oi pessoal, como vocês estão? Hoje vou mostrar alguns dos últimos lançamentos das editoras parceiras do blog e, como sempre, tem muita coisa boa, confiram só.

Quem quiser mais informações sobre os livros, basta clicar sobre a capa:

Editora Arqueiro

 

Editora Intrínseca


Editora Valentina




Quais vocês gostariam de ler?

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O fundo é apenas o começo - Neal Shusterman e Brendan Shusterman

Sinopse: Uma poderosa jornada da mente humana, um mergulho profundo nas águas da doença mental. CADEN BOSCH está a bordo de um navio que ruma ao ponto mais remoto da Terra: Challenger Deep, uma depressão marinha situada a sudoeste da Fossa das Marianas. CADEN BOSCH é um aluno brilhante do ensino médio, cujos amigos estão começando a notar seu comportamento estranho. CADEN BOSCH é designado o artista de plantão do navio, para documentar a viagem com desenhos. CADEN BOSCH finge entrar para a equipe de corrida da escola, mas na verdade passa os dias caminhando quilômetros, absorto em pensamentos. CADEN BOSCH está dividido entre sua lealdade ao capitão e a tentação de se amotinar. CADEN BOSCH está dilacerado. Cativante e poderoso, O Fundo é Apenas o Começo é um romance que permanece muito além da última página, um pungente tour de force de um dos mais admirados autores contemporâneos da ficção jovem adulta. (Skoob)
SHUSTERMAN, Neal. SHUSTERMAN, Brendan. O fundo é apenas o começo. Valentina, 2018. 272 p.


"Há duas coisas que você sabe. A primeira: você esteve lá. A segunda: você não pode ter estado lá."

Acho que essa frase resume bem o livro. Você está lá, mas você não pode ter estado lá, mas você está e às vezes não. É totalmente o gato de Schrödinger, o gato morto vivo, sobreposição quântica... entenda como quiser. Ou simplesmente como doença mental.

Você está doente e sabe que está doente, sabe que nada daquilo é real, ao mesmo tempo que sabe que tudo é real, porque é real. Se você acredita que algo é real, então é real. Se você acredita que está no fundo, então você está preso num limbo para toda a eternidade, sem enxergar o tempo passar ou alguma luz chegar em você, por que você lembra? Você está no fundo. E o fundo é apenas o começo. E você está tentando, você se esforça, você não quer ficar ali, mas você não está ali para começo de conversa, então como sair?

"-Por que estou aqui? - pergunto. - Se tudo tem um propósito, com que fim estou neste navio?
Ele volta para suas cartas, escreve palavras e adiciona novas setas sobre o que já está lá, deposita em camadas seus pensamentos tão densos que só ele écapaz de decifrá-los.
-Fim, delfim, golfinho, golfada, entrada, porta: você é a porta para a salvação do mundo.
-Eu? Tem certeza?
-Tanto quanto de estarmos neste trem."

Eu realmente não sei dizer o que Caden tem. No começo, pensei que fosse depressão porque é isso que a sinopse diz (não diz, eu li errado), mas conforme fui lendo outros sintomas vão aparecendo. Ele está em mania, ele está depressivo, ele está tendo alucinações... Cada caso é um caso, como o livro mostra, e nomes são apenas para entender, para que os médicos consigam algum parâmetro para ajudar, e a única coisa que importa é que Caden precisa de ajuda, porque ele não está no controle do navio, apenas navegando sem rumo e sem saber em quem confiar.

Quem é seu amigo? Quem quer o seu bem? Em quem confiar? Quem matar? O papagaio ou o capitão?

Está parecendo um pouco confuso porque estou me sentindo eufórica e não sei como colocar meus pensamentos em ordem, eu sei. Tipo alguém em mania. No livro, há Caden e há Caden, dois personagens que não se conhecem até que o livro avança e percebe que são a mesma pessoa, o mesmo ser, que suas alucinações são a realidade - realidade no sentido que está acontecendo, mas não do jeito que ele imagina, e é isso que você percebe ao ler.

"-E então, por que estou aqui? - pergunto a ele.
-Exatamente - responde o papagaio. - POR QUE você está aqui? Ou devo perguntar: Por que VOCÊ está aqui? Ou talvez: Por que você está AQUI?"

O livro é narrado em terceira e segunda pessoa, mas a transição entre um e outro é tão natural que nem percebi, não me senti nenhum pouco incomodada em nenhum momento, não precisei me acostumar a esse tipo de narração.

Há realidade e fantasia no livro e nada faz sentido ao mesmo tempo que tudo faz. Eu amei a escrita, a confusão ordenada dela. Há ordem no caos. Você percebe isso pelos desenhos confusos, que foram feitos pelo filho do autor quando ele estava fundo demais, como ele tenta comunicar o que sente, porque quando você entende o que as imagens querem dizer, você o entende; enquanto você ler, você o entende.

Você entende quem são os personagens em seus delírios, você cria suposições e entra na mente de Caden e pensa como ele e começa acreditar no que ele diz, começa a perceber como é tão difícil separar realidade de alucinações, porque há ordem no caos e a luz e a escuridão estão lutando sempre e para sempre, e são tão apaixonadas uma pela outra que não conseguem ficar separadas.

"(...) eles não veem o que você vê quando olha nos olhos deles. Verdades que ninguém mais pode ver. Conspirações e conexões tão distorcidas e pegajosas como a teia de uma viúva-negra. Você vê demônios nos olhos do mundo, e o mundo vê um poço sem fundo nos seus."

Meu Deus. É lindo. Eu me senti... não triste, mas tão oprimida ao ler, tão pesada, aquela sensação de estar tão fincada em algo que perdesse de vista o que importa. Eu estava tendo algumas semanas péssimas e nem estava percebendo isso; quando eu percebi foi... uma leveza impressionante. Não estou comparando o que eu estava sentindo com o de Caden, nem de longe é daquele jeito, mas todos tem sua dificuldade e é tão ruim ver isso, tão difícil, e saber, perceber, não torna mais fácil, é apenas mais um passo para baixo para tomar impulso para cima, porque o fundo pode ser apenas o começo, pode ficar pior a cada momento, mas nada o impede de ser o começo para algo melhor, porque se ele é o começo, não pode ser o fim.

Gostaria de fazer uma observação adicional de o que for que você esteja sentindo é válido, não se menospreze. Talvez não seja algo grande do tipo do Caden, como eu disse, mas está tudo bem não está bem; você pode ficar ruim por um simples resfriado ou por algo mais complicado como uma tuberculose, por exemplo, a questão não é o tamanho, mas o simples fato de não estar bem. Se você está se sentindo mal, se você não sabe o que está sentindo, se você apenas sente que algo não está certo, procure ajuda.

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Novidades #193: Lançamentos Editoras Parceiras

Oi pessoal, como estão?

Hoje quero mostrar mais alguns dos títulos anunciados pelas Editoras parceiras recentemente, tem bastante coisa boa e com gêneros bem diversos. Para saber mais sobre os livros, basta clicar na capa. Confiram:

Editora Arqueiro


Editora Intrínseca

Ler Editorial


Editora Valentina


Harlequin Books Brasil




Quais vocês gostariam de ler?

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Proibido - Tabitha Suzuma

Sinopse: Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.
Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.
Eles são irmão e irmã.
Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade. (Skoob)
 Tabitha Suzuma. Proibido. Editora Valentina, 2014. 304 p.


"Como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?"

Proibido me deixou completamente sem palavras, foi o livro mais difícil que já li até hoje, demorei um ano para escrever a resenha, porque da última vez que tentei eu só chorava e estava muito abalada emocionalmente. 

Para ler esse livro tive que me despojar de todo preconceito, de todo julgamento e até mesmo do meu senso do que é certo e errado. Esse não é livro fácil de engolir, é tabu, ousado e algumas vezes eu me senti doente, mas lá no fundo a parte romântica de mim não conseguia não deixar de torcer por eles, mesmo que isso fosse contra tudo o que acredito. 

Lochan tem dezessete anos, ele é basicamente o homem da casa, ele e sua irmã Maya de dezesseis anos, são responsáveis pelos seus três irmãos menores, Kit, Tiffin e a Willa. A vida deles não é fácil, uma lar destruído, uma mãe alcoólatra e egoísta que não se importa com os filhos e quase não ajuda financeiramente, os irmãos para cuidar e um pai que os abandonou a própria a sorte.


"Não há leis nem limites para os sentimentos. Nós podemos amar um ao outro tanto e tão profundamente quanto queremos. Ninguém, Maya, ninguém vai tirar isso de nós."


Isso é apenas o olho do furação e nesse meio tempo Lochan e Maya só tem um ao outro como apoio, afinal quem mais os entenderia? Lochan começa a desenvolver ataques de ansiedade e ele só tem Maya em quem se apoiar e essa relação distorcida faz com que ambos comecem a desenvolver sentimentos um pelo outro, mas não sentimentos de irmão, mas sim de homem para mulher e vice-versa.

"Mas o vazio se escancara como uma caverna dentro do meu peito. Sinto uma solidão terrível o tempo todo. Mesmo estando cercado por outros alunos, há uma tela invisível entre nós, e por trás da parede de vidro estou gritando - gritando em meu próprio silêncio, gritando para que me notem, que sejam meus amigos, que gostem de mim."

Eu nem sei por onde começar, foi difícil ver dois jovens se despojarem de suas vidas, abrir mão de tudo para manter unida o que eles ainda chamavam de família, se escondendo do serviço social, que se descobrissem separaria os irmãos, abrindo mão da sua vida como adolescentes e vivendo com o peso do mundo em suas costas, com uma responsabilidade que não cabia e eles.

Eu jamais esperei a bagunça de sentimentos que este livro me trouxe, ao fazer a releitura fiquei dias pensando, tentando achar uma razão lógica para tudo isso, mas não tem. E eu entendi que jamais irei chegar a uma opinião concreta, pois quem sou eu para julgar algo assim? Eu vi e vivi o relacionamento deles, os sentimentos conflitantes, o fato de que eles sabia e tinham plena noção que isso é errado, que nunca seria bem visto pela sociedade, mas mesmo assim não abrandaram, não tinha controle.

"Eu me recuso a permitir que um rótulo do mundo exterior estrague o dia mais feliz da minha vida. O dia em que beijei o homem que sempre abracei em meus sonhos, mas nunca me permiti ver. O dia em que finalmente parei de mentir para mim mesma, parei de fingir que era apenas um tipo de amor que sentia por ele, quando na verdade eram todos os tipos possíveis e imagináveis de amor. O dia em que finalmente nos libertamos das nossas amarras e demos vazão aos sentimentos que havíamos negado por tanto tempo, apenas porque por acaso somos irmão e irmã."

Eu não apoio uma relação de incesto, jamais. É algo absurdo, até por que eu acredito que existam algumas linhas no conceito de moralidade que não devem ser cruzadas de forma alguma... Acredito que esse livro não é para qualquer pessoa, se eu pudesse por escolha própria jamais teria lido, por que essa foi a  história mais triste e incrivelmente inacreditável que já li, e sei que levarei as marcas que ela deixou para a minha vida.

"Mas então por que é tão terrível para mim estar com a garota que eu amo? Todos os outros têm permissão para ficar com quem quiserem, expressar seu amor se quiserem, sem medo de assédio, ostracismo, perseguição ou até mesmo da lei. Mesmo emocionalmente abusivas, as relações adúlteras são muitas vezes toleradas, apesar do dano que causam aos outros. Em nossa sociedade, progressiva e permissiva, todos esses tipos nocivos e insalubres de 'amor' são permitidos - mas não o nosso. Não consigo pensar em nenhum outro tipo de amor que seja tão completamente rejeitado, mesmo que o nosso seja tão profundo, apaixonado, carinhoso e forte que nos obrigar a nos separar nos causaria uma dor inimaginável. Nós estamos sendo punidos pelo mundo por apenas uma razão simples: por termos sido produzidos pela mesma mulher."


O livro é narrado em primeira pessoa por Maya e Lochan, aqui vemos os pensamentos e anseios de cada um, os medos os problemas, e acima de tudo os sentimentos.

Eu não estou aqui para julgar, por isso digo que apesar de querer voltar no tempo e não ler esse livro, esse foi sem sombra de dúvidas o melhor livro que eu poderia ter lido, ele me tirou da minha zona de conforto, me emocionou, me angustiou, e quebrou o meu pobre coração, eu não concordo com a relação deles, apenas aceito, por que ela é o que é, quem sou eu para dizer que o amor deles não é valido?


"O corpo humano precisa de um fluxo constante de alimentos, ar e amor para sobreviver. Sem Maya eu perco os três. Morro lentamente."

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Não Pare! - FML Pepper

Sinopse: Nina Scott não suportava mais a vida nômade e solitária que sua mãe, Stela, a obrigava a ter. Mudar de cidade ou de país a cada piscar de olhos, conviver com tantas perguntas que a consumiam, assombrada por mistérios de um passado guardado a sete chaves. Agora, aos 16 anos, a garota das estranhas pupilas verticais exigia respostas.
E, para sua péssima sorte, elas já estavam a caminho!
Quando Stela decide ficar em Nova York, Nina acredita que seu sonho de ter uma vida normal vai se tornar realidade. Finalmente terminará o ano letivo em um mesmo colégio, poderá fazer amigos sem ter que abandoná-los em seguida, viver um grande amor, amadurecer, criar raízes... Enfim, curtir a juventude.
Mas o “normal” está muito longe da vida de Nina!
Perdida no olho de um furacão de mortes e inexplicáveis acidentes, tendo que esconder os terríveis fatos da mãe paranoica, Nina começa a desconfiar da própria sanidade mental, de tudo e de todos. O que explicaria os paralisantes calafrios, a perda de visão e de memória que experimentava sempre que alguém morria ao seu redor? O que ela teria a ver com os bizarros e sobrenaturais acontecimentos? Estariam eles interligados?
Seria a Morte sua companheira para toda a vida?
É chegada a hora da verdade. (Skoob)
PEPPER, FML. Não Pare! Valentina: 2015. 280 p.

Mesmo antes do lançamento de Não Pare!, de FML Pepper pela Editora Valentina, já havia visto comentários sobre a trilogia autopublicada pela autora. O livro esteve parado no meu kindle há meses, mas só quando comprei o livro físico é que decidi conhecer a tão falada história. Sabia que o enredo era um sucesso e que os leitores em geral adoravam, mas comecei a leitura sem muita noção, e isso foi a melhor coisa que fiz.

Não Pare! conta a história de Nina, uma garota de 16 anos que não tem nada de normal: suas pupilas são verticais, vive como nômade, de cidade em cidade, país em país, e a todo o tempo está próxima demais da morte. Além disso, ela sabe que sua mãe esconde algo, o verdadeiro motivo que não as deixa permanecer em lugar algum, só que não sabe como descobrir o que é. E pior: quando a verdade começa a ser revelada, Nina não sabe mais se tudo não passa de criação da sua cabeça ou se as coisas podem ser tão absurdas quanto parecem ser.

Acompanhar a história criada por FML Pepper me trouxe um misto de emoções. Eu gostei da leitura e me envolvi com o desenrolar dos acontecimentos, mas alguns aspectos deixaram um pouco a desejar. Do mesmo modo como Nina não tem as respostas, tudo o que o leitor tem são perguntas. O livro é narrado em primeira pessoa, portanto só conseguimos conhecer aquilo que a própria protagonista conhece e as deduções que ela faz - que nem sempre são muito acertadas. Isso traz certa frustração, já que Nina sempre faz as perguntas erradas, se preocupa em saber coisas que nem são tão relevantes, enquanto se esquece de investigar o que realmente importa.

Um detalhe que me incomodou muito durante a leitura foi o fato de a mãe de Nina nunca ter contado nada para ela e que só tenha resolvido falar quando não era mais possível. Isso porque uma garota de 16 anos tem maturidade o suficiente para compreender a verdade, ainda que pareça insana, especialmente se a pessoa que conta é sua mãe. Ademais, as coisas estavam graves demais para fingir que nada estava acontecendo - e Stela sentia quando sua filha estava correndo perigo, então mesmo que Nina mentisse, ela sabia.

"A avidez com que meus olhos procuravam Richard me surpreendia. Não conseguia evitar as estranhas sensações que aquele garoto gerava em mim. Apesar de rude, ele era lindo. Como a morte poderia ser tão bela? O certo seria que ela fosse horripilante, como nos filmes de terror. Mas lá estava ele. Para contradizer tudo e todos. Lindíssimo! [...]"

Por outro lado, essa falta de informação impulsiona a leitura. O sobrenatural contado na história é original e quase não aparece em outros livros, e as dimensões criadas por Pepper dão à fantasia um enredo ainda mais instigante. Por conta disso, durante a leitura, tentamos compreender como tudo funciona e por que Nina está sendo perseguida, e os acontecimentos se sucedem em tal velocidade que é realmente difícil parar.

Não Pare! não traz todas as respostas que buscamos em suas páginas, mas eu espero que cada detalhes seja esmiuçado nos outros dois volumes que estão por vir. Ainda assim, tenho a triste impressão de que nem tudo será explicado nas sequências, já que alguns detalhes parecem ser pequenos demais para ser lembrados nos próximos livros, como no caso, por exemplo, de Stela, que aparece tão pouco neste livro e deixou tantos mistérios em aberto.

Tive também meus problemas com a protagonista. O mundo estava desmoronando em volta de Nina e ela pensava mais em garotos do que em descobrir o que realmente acontecia. Kevin também me deixou na dúvida, ok, mas Richard demorou demais para me descer pela goela, porque, apesar de gato, o garoto era um ogro master, e não consigo acreditar que a atração se baseie apenas nos aspectos físicos da pessoa. Depois, muito depois, quase lá no final do livro, comecei a ver algo mais no personagem, mas confesso que demorou.

Ainda que eu comente esses detalhes que são um pouco irritantes, a aventura presente no livro é tão intensa que é fácil mergulhar na fantasia e relevar esses aspectos. A leitura é fácil e rápida e se envolver com a história do livro não se trata de uma questão de escolha, ou seja, mesmo com alguns pontos negativos, Não Pare! é delicioso e vale a leitura. Tanto que Não Olhe! já está me aguardando na estante.

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Minha vida mora ao lado - Huntley Fitzpatrick

Sinopse: Os Garrett são tudo que os Reed não são. Barulhentos, caóticos e afetuosos. São de verdade. E, todos os dias, de seu cantinho no telhado, Samantha sonha ser uma deles, ser da família. Até que, numa noite de verão, Jase Garrett vai até lá e... Quanto mais os adolescentes se aproximam, mais real esse amor genuíno vai se tornando. Contudo, precisam aprender a lidar com as estranhezas e maravilhas do primeiro amor. A família de Jase acolhe Samantha, apesar dela ter que esconder o namorado da própria mãe. Até que algo terrível acontece, o mundo de Samantha desmorona e ela é repentinamente forçada a tomar uma decisão quase impossível, porém definitiva. A qual família recorrer? Ou, quem sabe, Sam já é madura o bastante para assumir suas próprias escolhas? Será que está pronta para abraçar a vida e encarar desafios? Quem você estaria disposto a sacrificar pela coisa certa a se fazer? O que você estaria disposto a sacrificar pela verdade? (Skoob)
FITZPATRICK, Huntley. Minha vida mora ao lado. Editora Valentina, 2015. 320 p.

Não tinha intenções de ler um romance pelos próximos meses, mas o título de Minha vida mora ao lado me chamou a atenção por sua intensidade. Isso porque é difícil você encontrar um sentimento tão forte em alguém que justifique chamar de sua vida. Hoje em dia, as palavras perderam um pouco a força, pelo uso constante e sem significado. Basta você sair uma vez com uma garota(o) para ouvir, ou dizer, eu amo você. Amor é algo profundo, que não pode ser dito de forma leviana. Pelo menos para mim.

O que encontrei na história de Samantha e Jase, embora narrado de forma tímida, principalmente nas partes mais sensuais, chega perto dessa minha definição.

Sam é filha de uma mãe solteira, que está iniciando sua subida na vida política. O relacionamento das duas é distante, ditado por regras rígidas e sob o efeito de falsidade que a profissão da mãe exige. Para piorar, a mãe de Sam começou um romance com um homem mais jovem, mas bem mais cínico e ambicioso que ela, que não mede atitudes para atingir seus objetivos.

Jase é filho do dono de uma loja de ferragens e madeira, e um dos muitos integrantes de uma família grande, barulhenta, bagunceira, mas fundada na educação e no amor. Ele é vizinho de Sam desde criança, mas nunca se falaram. Isso, porque a mãe de Sam não suporta a família dele, exatamente por representar toda a desordem que ela odeia.

Embora não possa participar da vida dos vizinhos, Sam sempre subiu no telhado de sua casa à noite para observar a vida deles. Isso, até o dia em que, acidentalmente, se vê frente a frente com Jase, um dos filhos mais novos. A química entre os dois é instantânea, e os diálogos que se seguem, convencem pela naturalidade que a vida de cada um deles permite.

"Jase estuda meu rosto, depois pega minha mão e me puxa. Ele me abraça cuidadosamente, fazendo com que minha cabeça repouse no seu braço e a sua cabeça deite no meu ombro. Seus dedos passam lentamente pelos meus cabelos. O paradoxo é que, apesar de eu estar, ao mesmo tempo, consciente do calor do seu peito nas minhas costas e dos músculos sob o short que cobrem as pernas entrelaçadas às minhas, me sinto tão segura e confortável que caio quase imediatamente no sono."

O que salva o livro da mesmice, é exatamente o acerto na linha que une os dois jovens de mundos tão diferentes. Mas, infelizmente, ele fica nessa linha por mais de metade da história, deixando o leitor com a sensação de que nada irá acontecer.

Além dessa perspectiva errada que o livro transmite até pouco depois de sua metade, também existe a presença constante de Tim, o irmão da melhor amiga de Sam. Ele é um personagem irritante, antipático, quase insuportável, que desagrada em todas as aparições. A ponto de eu me perguntar qual o motivo de sua existência, uma vez que ele não contribui para nada na evolução da história, a não ser aborrecer o leitor.

Como disse, tudo muda depois da metade do livro. A história engrena e a autora consegue transformar Sam e Jase em um casal que convence pela segurança do que sentem um pelo outro. É visível o amadurecimento de Sam e a sua difícil independência da mãe, transformando-a de uma adolescente, numa mulher. E mais surpreendente: a autora consegue transformar Tim, o antipático, em um personagem que finalmente diz para o que veio, tem uma importância fundamental na felicidade de Sam e Jase e acaba sendo o melhor achado do livro.

"Nos filmes, as roupas simplesmente somem quando os casais estão prestes a fazer amor. A iluminação dá às silhuetas uma aura dourada e a música vai às alturas. Na vida real, não é assim. Jase tem que tirar a camiseta e demora a conseguir soltar o cinto, e eu pulo pelo quarto para tirar as meias, pensando em como aquilo é pouco sexy. As pessoas nos filmes nem têm meias. Quando Jase tira a calça, as moedas que estavam no bolso caem, fazendo barulho e rolando pelo chão."

Isso é notável para uma autora iniciante que, no clímax de sua história, consegue apagar totalmente as más impressões anteriores e deixa um quero mais na mente do leitor. Com isso, não me arrependo de ter voltado atrás e lido mais um romance. Mais um, não. O romance de Sam e Jase, com uma belíssima participação de Tim. ;)

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