Jackaby - Wiliiam Ritter


Sinopse: Abigail Rook deixou sua família na Inglaterra para encontrar uma vida mais empolgante além dos limites de seu lar. Entre caminhos e descaminhos, no gelado janeiro de 1892 ela desembarca na cidade de New Fiddleham. Tudo o que precisa é de um emprego de verdade, então, sua busca a leva diretamente para Jackaby, o estranho detetive que afirma ser capaz de identificar o sobrenatural. Contratada como assistente, em seu primeiro dia de trabalho Abigail se vê no meio de um caso emocionante: um serial killer está à solta na cidade. A polícia está convencida de que se trata de um vilão comum, contudo, para Jackaby, o assassino com certeza não é uma criatura humana. Será que Abigail conseguirá acompanhar os passos desse homem tão excêntrico? Ela finalmente encontrou a aventura com a qual tanto sonhara. Prepare-se para desvendar este mistério! Um livro destinado aos fãs de Sherlock Holmes e Doctor Who. Eleito o melhor livro jovem 2014 pela Kirkus Review e um dos 40 melhores YA da estação pela CNN e vencedor do prêmio Pacific Northwest 2015. (Skoob)
RITTER, William. Jackaby. Editora Única, 2015. 256 p.

Quando comprei o livro, não sabia bem o que esperar de Jackaby. A promessa na capa era a de uma mistura de Sherlock Holmes e Doutor Who, com aventuras passadas na velha Londres. Ou seja, poderia ser algo muito, muito ruim...ou não.

Felizmente, é uma das mais divertidas aventuras que já li. Só que na verdade, é uma mistura de Sherlock Holmes e Supernatural, porque é um detetive, com o dom de ver criaturas fantásticas, sua ajudante cética e muitos assassinatos e monstros sobrenaturais. E isso meio que me surpreendeu, porque não esperava que a história entrasse tanto quanto entra nesse mundo.

Jackaby é uma cópia fiel de Sherlock, inclusive com sua frieza de comportamento e raciocínio, seus tiques para descobrir pistas, seu escritório caótico e sua total inabilidade para interagir com as pessoas. E Abigail, a jovem donzela que entra à força na vida de Jackaby, é um reflexo mais divertido do Dr. Whatson. Isso, porque ela é simpática, atrevida, persistente, sarcástica, enfim, totalmente cativante e a melhor personagem do livro. Sua presença é tão marcante, não só por ser ela quem narra a aventura, que chega a ofuscar a de Jackaby. E isso não é ruim, porque, pelo tom rude do detetive, o leitor poderia não se interessar pela obra.

O mesmo acontece com os livros de Conan Doyle. A principal função do Dr. Whatson não é auxiliar Holmes, mas criar uma ponte de identificação do leitor com a história. Whatson é o próprio leitor, que acompanha o detetive e vai descobrindo, aos poucos, o que está acontecendo. Ele é a nossa personificação dentro do livro. Abigail tem exatamente a mesma função.

Quanto à narrativa, que por ser em primeira pessoa, e pela visão de uma mulher frágil em um mundo onde a mulher ainda não tem vez, torna-se bastante intimista, interessante e facilita a sensação de perigo e impotência. Além disso, todas as descrições dos locais, situações e monstros, são muito bem escritas, na medida certa, sem cansar a leitura ou criar parágrafos inúteis. A aventura é contada na sua essência, e isso torna a leitura mais ágil, mais interessante.

Os personagens secundários são interessantes e têm uma função específica dentro da história, como uma fantasma, um homem transformado em um pato, um policial jovem, que mantém um segredo, um delegado turrão, entre outros. O interessante, é que todos convergem em um ponto da história, criando uma dramaticidade que deixa as últimas páginas do livro difíceis de largar.

Dentre as criaturas, não pense que as conhece conforme elas vão aparecendo. O autor se baseou nas lendas escocesas e inglesas, dando uma novidade a alguns monstros que o leitor pensa conhecer por outras obras. Eu mesmo achei que dois deles seriam uma coisa, e depois descobrir que eles eram algo totalmente diferente. Inclusive na forma de matar. Ou seja, se eu fosse o detetive e me baseasse, por exemplo, no que pode matar um vampiro, teria me ferrado, porque não seria um vampiro que eu iria enfrentar, mas algo semelhante, de outras lendas.

Jackaby é uma série que já tem três volumes, mas apenas um publicado no Brasil, o que é uma pena, uma vez que fiquei ansioso para a leitura de uma nova aventura. Indico muito para quem gosta de livros policiais, de fantasia e de terror. Tudo misturado com mãos competentes, proporcionando uma leitura deliciosa.

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O Torcicologologista, Excelência - Gonçalo M. Tavares

Sinopse: “Tudo o que é sério tem dois lados divertidos”: duas excelências conversam sobre amenidades e vãs filosofias. Autoridades de coisa nenhuma, os personagens travam diálogos que beiram o absurdo, mas um absurdo com método e um (curioso) rigor científico. Há aqui, é claro, a prosa habilidosa, a fuga dos padrões e toda a inventividade de Gonçalo M. Tavares. Nas entrelinhas, o leitor encontra uma visão crítica da sociedade e suas incongruências em um texto que é, do início ao fim, marcado pelo humor.
Neste livro, Gonçalo coloca algumas “excelências” a debater, elucubrar, sofismar, sobre como se faz uma revolução, o tempo, o espaço, a linguagem, o corpo, entre dezenas de assuntos. E aí está o torcicologologismo da coisa: os diálogos nos fazem olhar para outros lados dos assuntos propostos e até mesmo para outros lados da ideia de lógica.
“É como se os personagens quisessem dizer que sofremos de torcicolo das ideias, sempre olhando para as mesmas ideias, para o mesmo lado de todas as questões”, explica na orelha do livro o curador da Coleção Gira, Reginaldo Pujol Filho. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora.
TAVARES, Gonçalo M. O Torcicologologista, Excelência. Dublinense, 2017. 252.


O Torcicologologista, Excelência é dividido em duas partes, sendo a primeira - a maior parte - um diálogo e a segunda traz uma cidade contemporânea.

Na primeira parte do livro há um diálogo entre Excelências, onde os personagens estão a discutir o cotidiano, desde como se faz uma revolução até a diferença entre bem e mal. Há uma constante crítica à sociedade atual e à forma como vivemos. A estupidez humana é tratada nas entrelinhas e por várias vezes rimos de nós mesmos.

"- Metade do seu corpo é corajosa. Por exemplo, os seus olhos são corajosos, mas entretanto suas pernas fogem. É isso?
- Exacto. Aliás, os meus olhos nunca fogem. Ficam sempre no mesmo lugar, o que foge são as minhas pernas. No fundo, sou um corajoso a nível óptico."

De uma forma única, o autor nos traz novas definições para conceitos conhecidos, tais como moda, beleza e coragem. Além de novas definições, tem-se também a reflexão sobre a propagação das ideias nos dias de hoje e sobre a forma como agimos diante de determinadas situações. Nesta parte há uma tentativa de se entender a existência humana e suas peculiaridades.

"- A gula é, então, um pecado semelhante ao mau ouvinte, àquele que não dá atenção aos outros. É afinal um pecado não da barriga, mas dos ouvidos, da audição.
- A gula é um pecado auditivo, eis uma boa definição."

Na segunda parte, o autor retrata a cidade moderna, tratando as pessoas por números ao invés de nomes. Um verdadeiro caos, onde a esperança é pouca e as pessoas são obcecadas, doentes. Nesta parte o mais interessante é ver que, mesmo que não seja uma história da forma com a qual a maioria de nós está acostumado, há uma ligação dos fatos, uma conexão entre uma linha e outra.

"O Número 1 diz que quer mudar de casa.
O Número 2 diz que quer mudar de emprego.
O Número 3 diz que quer mudar de cidade." 

O Torcicologologista, Excelência, apesar de ter uma leitura fluida, não é para qualquer um, pois não traz uma história pronta, um conto com o qual nos encantamos. Me identifiquei muito com a obra por causa da relação que os diálogos têm com o nosso cotidiano. Gonçalo M. Tavares tem um estilo bem diferente do que estou acostumada a ler, mas tive uma experiência única com esta obra e acho que todos deveríamos ler algo do gênero de vez em quando.


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Um Menino em Um Milhão - Monica Wood

Sinopse: Quinn Porter é um guitarrista de meia-idade que nunca conseguiu deslanchar na carreira. Enquanto aguardava sua grande chance na música, foi um marido e pai ausente, e jamais conseguiu estabelecer um vínculo afetivo com o filho, uma criança obcecada pelo Livro dos Recordes e algumas peculiares coleções. Quando o menino morre inesperadamente, alguém precisa substituí-lo em sua tarefa de escoteiro: as visitas semanais à astuta Ona Vitkus, uma centenária imigrante lituana. Quinn assume então o compromisso do filho durante os sete sábados seguintes e tenta ajudar Ona a obter o recorde de Motorista Habilitada Mais Velha. Através do convívio com a idosa, ele descobre aos poucos o filho que nunca conheceu, um menino generoso, sempre disposto a escutar e transformar a vida da sua inusitada amiga. Juntos, os dois encontrarão na amizade uma nova razão para viver. Um Menino em Um Milhão é um livro sensível, poético e bem-humorado, formado por corações partidos e aparentemente sem cura, mas unidos por um elo de impressionante devoção pessoal. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora

Wood, Monica. Um Menino em Um Milhão. Editora Arqueiro, 2017. 352p.


Eu juro que tentei não gostar do Quinn por ter abandonado o filho, mas ao longo do livro foi praticamente impossível não entender o lado de um personagem que pecou, e muito, por ser extremamente sonhador. Quinn sempre foi um pai ausente por achar que não era capaz de compreender o jeito estranho do filho, uma criança com uma inteligência fora do normal desde pequena e com hábitos bastante peculiares. Além disso, sua paixão pela música sempre falou mais alto. Ser um guitarrista de sucesso sempre foi o grande objetivo da vida dele, deixando como segundo plano até mesmo a própria família. Tive que deixar meu julgamento de lado já que ele estava pagando um preço bem alto pelas escolhas que fez no passado.

"Em um dia normal ele teria convidado algum amigo para comer um sanduíche na rua, ou jantado com a família barulhenta de um deles, mas de repente ele se sentiu um homem transparente: não queria que os conhecidos olhassem para ele, e muito menos para dentro dele."

O Menino, como é conhecido durante toda a história, era uma criança de 11 anos tão especial que foi capaz de unir duas pessoas completamente diferentes mesmo após a sua morte. Na verdade, o vínculo que passa a interligar a vida de todos os personagens do livro é justamente o fato de eles não saberem como seguir em frente agora que essa criança não existe mais em suas vidas.

Uma das pendências que o menino deixa para trás é cuidar de sua amiga de 104 anos, Ona Vitkus, todos os sábados. Procurando por uma penitência, Quinn decide terminar o serviço do filho cuidando da velha senhora pelo tempo necessário. O que ele não esperava era encontrar nessa centenária uma melhor amiga e a mulher que iria lhe apresentar todos os sonhos e ambições de seu próprio filho.

Através de um projeto do menino com o intuito de colocar Ona Vitkus no Livro dos Recordes, Quinn e sua ex-esposa acabam encontrando uma maneira de permanecer mais um pouco com a memória do filho reavivada enquanto passam pelo período de luto. E é comovente acompanhar a dor da mãe pela ausência do filho, muitas vezes se apoiando no ex-marido – a pessoa que ela mais deveria odiar na face da terra -, e a dor do pai que sabe que perdeu alguém muito importante, mas não sabe muito bem como reagir a isso.

"Ela vinha se saindo muito bem sozinha. Até que apareceu aquele menino para reacender no peito dela a chama das possibilidades, uma chama desde muito apagada e difícil de acomodar aos 104 anos de idade."

Não tem como não se encantar com a forma pela qual Ona Vitkus começa a história, uma centenária que está contando os dias para partir, e de como a vida dela muda em poucas semanas após conhecer o menino, se tornando uma pessoa que conta os dias para viver cada vez mais tempo até alcançar um objetivo determinado. Sem contar que é algo belo e ao mesmo tempo trágico acompanhar a narração dela sobre a própria história de vida e de como o seu ponto de vista é capaz de mudar sobre o seu passado mesmo após tantos anos terem se passado. Isso porque ela passa a perceber o quanto era ingênua e sonhadora, e de como muitas vezes foi passada para trás e enganada sem nem ao menos se dar conta disso.

Um Menino em Um Milhão é um livro maravilhoso que nos ensina a dar valor as pessoas que mais amamos enquanto ainda há tempo, mesmo que muitas vezes sem compreendê-las por completo.  Um livro que nos ensina que ter um objetivo definido é algo fundamental em nossa vidas.

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Novidades #176: Lançamentos Editoras Parceiras

No fim de agosto terá início a Bienal do Rio de Janeiro, e as editoras já estão com tudo na preparação para o evento. Algumas editoras anunciaram inúmeros lançamentos, e vou aproveitar para mostrar alguns divulgados pelas editoras parceiras para esse mês. Quem quiser ver mais informações sobre os livros, basta clicar nas capas:

Novo Conceito


Editora Pandorga

 
 

Ler Editorial

 

Grupo Editorial Pensamento




De qual capas mais gostaram? Quais querem ler?

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A Poção Secreta - Amy Alward

Sinopse: A Princesa do Reino de Nova toma acidentalmente uma poção do amor, e se apaixona por si mesma! Para encontrar o antídoto que possa curá-la, o rei mobiliza todos numa expedição chamada Caçada Selvagem. Competidores do mundo todo saem em busca dos mais raros ingredientes em florestas mágicas e montanhas geladas, enfrentando perigos e encarando a morte para encontrar a fórmula da poção secreta. Dentre eles, está Samantha, uma garota comum que herdou dos seus ancestrais alquimistas o talento para preparar poções. Esta pode ser a oportunidade para reerguer a decadente loja de poções da família, afinal o mundo todo estará acompanhando a Caçada nas mídias sociais. Será que ela conseguirá descobrir a cura e salvar a Princesa? (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
ALWARD, Amy. A Poção Secreta. Diário de uma Garota Alquimista #1. Editora Jangada, 2017. 368p.


A Poção Secreta é um livro do qual eu não iria necessariamente atrás, mas a Ju precisava de ajuda e ele pareceu legal, então pensei: Por que não? Também achei que podia ser um jeito de ver se eu gosto desse tipo de livro, já que eu tenho interesse na coleção Magic in Manhattan da Sarah Mlynowski, que é sobre bruxas. Acredito que a abordagem dos mundos pode ser parecida, além de que muitas bruxas são espécies de alquimistas, já que fazem poções.

O livro é o primeiro de uma trilogia, que eu creio que se chamará Diário de uma Garota Alquimista. É meio confuso porque esse nome é usado também como um "subtítulo". Nesse primeiro volume, nós somos apresentados à Samantha e acontece a Caçada Real. Ele é dividido em capítulos em primeira pessoa da Samantha e da Princesa Evelyn.

Um ponto negativo para mim foram os capítulos da princesa, pois eles só servem para mostrar o que a poção fez com ela e o perigo caso não achem uma cura, mas algumas vezes, no capítulo, não aconteceu nada além de mostrar ela apaixonada por si mesma. O jeito que fizeram essa paixão eu também não gostei muito. Talvez só eu tenha pensado assim, mas eu achei que ela ia ficar apaixonada por si mesma mais num sentido egocêntrico, mas ela ficava achando que a pessoa no espelho era mesmo outra pessoa, e ao ouvir si mesma dizendo que o nome era Evelyn resolveu que como elas eram xarás, ela iria chamar a amada de Lyn e chamar a si de Evie. Quando ela reflete no passado, ela pensa sobre a pressão para se casar, por exemplo, e parece com a cabeça bem no lugar nesses momentos, mas não consegue perceber que quem ela está apaixonada, além de menina (que, obviamente, haveria preconceito, além de não gerar herdeiros biológicos e a questão de que a princesa só consegue virar rainha ao se casar com alguém. Precisa de um rei para haver uma rainha), é igual a ela. Mas como eu acho que você tem que esquecer um pouco da lógica nesse tipo de livro, isso não faria muita diferença na leitura para mim, não fosse os capítulos repetitivos dela.

Esse foi o primeiro livro que eu li que mistura os dias de hoje com os dias antigos (tipo a monarquia), e também o primeiro misturando modernidade e magia, já que em Harry Potter, os dois mundos são bem separados, e eu amei como foi escrito o mundo de A Poção Secreta. Os países tem nomes diferentes, como Nova e Bharat, mas poderiam ser qualquer país que nós conhecemos. Dá para relocionar Nova com a Inglaterra, por ser fria e chuvosa, e Bharat com países da África ou América Latina, por ser tropical e não muito desenvolvido. Eles usam redes sociais e carros tanto como teletransporte. Os "comuns" e os Talentosos vivem na mesma sociedade e têm plena consciência do que se passa com os outros, apesar de haver uma segregação. Eu realmente adorei essa mitologia. A autora até inventa propriedades de ingredientes de poções para coisas do nosso dia-a-dia como chocolate.

Outra coisa ótima nesse livro é que ele tem um final totalmente fechado, algo que eu não tinha certeza se aconteceria, até porque alguns momentos parecia que os personagens estavam muito longe de achar a poção certa. E não só foi um final que não obriga você a ler o próximo volume, como também foi um bom final, na minha opinião.

Ainda não sei se lerei os próximos livros da série, acho que lerei despretensiosamente, se aparecer uma oportunidade, como foi com esse. Mas eu adorei esse primeiro livro e gostei até do romance que, apesar de não me incomodar na maioria das vezes, ultimamente não tem me deixado muito empolgada também, e em A Poção Secreta eu realmente torci pelo casal.


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Five Nights at Freddys: Olhos Prateados - Scott Cawthon e Kira Bredd-Wrisley

Sinopse: No popular videogame criado por Scott Cawthon, o jogador assume o papel de um segurança contratado para tomar conta de uma pizzaria durante a noite, enquanto os animatrônicos perambulam e ganham ímpeto violento. Mas o mistério por trás dessas criaturas e dos assassinatos que ocorreram ali nunca foi desvendado... até agora. Olhos prateados extrapola o universo que conquistou fãs no mundo todo e traz à tona os medos mais obscuros que só brinquedos sinistros são capazes de provocar. O primeiro livro da trilogia Five Nights at Freddy’s leva o leitor ao mundo de Charlie, uma adolescente que volta para sua cidade natal quando é convidada para participar de uma homenagem a um de seus amigos de infância, morto dez anos atrás, em circunstâncias misteriosas, dentro da pizzaria do pai dela. Tomados pela nostalgia e determinados a desvendar o crime jamais solucionado, Charlie e seus amigos acabam voltando à pizzaria, agora totalmente abandonada. Eles logo vão descobrir que as coisas lá dentro não são mais as mesmas. Os quatro animatrônicos mudaram. Os bonecos que antes encantavam as crianças agora guardam um segredo sombrio... e um plano mortal. (Skoob)
CAWTHON, Scott e BREED-WRISLEY, Kira. Five Nights at Freddy's: Olhos Prateados. Editora Intrínseca, 2017. 368 p.


Eu não costumo me interessar por adaptações de jogos para o formato literário. Dos que li, nenhum foi bom. Mesmo assim, resolvi me arriscar com Five Nights at Freddy's, mais por ser um terror juvenil e por se tratar de um enredo relativamente simples. O resultado é que tem mais pontos positivos do que negativos.

Algumas crianças desaparecem dentro da pizzaria Freddy Fazbear e nunca mais são encontradas. Dez anos mais tarde, as famílias fazem uma homenagem aos desaparecidos. Por causa disso, Charlie, a filha do dono da pizzaria, retorna à cidade e reencontra seus amigos da época: Jéssica, Carlton, John, Lamar, Marla e Jason.

Juntos, rodeados por recordações incertas, eles resolvem voltar à pizzaria, agora abandonada e escondida dentro das construções inacabadas de um shopping. Nela, reencontram os quatro animatrônicos que encantavam as crianças: Freddy, um urso; Bonnie, um coelho; Chica, uma galinha; e Foxy, uma raposa. Mas eles estão parcialmente destruídos pelo tempo, e agora não possuem mais aquela aparência convidativa. Ah, sim, eles também criaram vida e matam! Rsssss

Vamos começar pelo que é bom, ok? A maior parte do livro se concentra em estabelecer as relações entre os sete amigos, principalmente no trauma de Charlie por causa de tudo o que aconteceu com a pizzaria e o pai dela, mais o relacionamento amoroso que tem com John. São bem macabras as recordações que ela tem da infância, quando dividia seu lar com os bonecos construído pelo pai. Em muitos trechos, o leitor não sabe se essas recordações realmente aconteceram, ou se foi a imaginação fértil de uma criança de sete anos de idade.

Muitas coisas do passado ficam em suspenso, não são explicadas. Acredito que seja proposital, uma vez que Olhos Prateados é o primeiro livro de uma trilogia. Então, fica a expectativa de que a história evolua e responda o que fica em aberto sobre o que aconteceu. Já quanto ao presente, o relacionamento dos sete é convincente, dá ao leitor a credibilidade de que eles realmente são amigos e se importam uns com os outros.

Todos os diversos ambientes da pizzaria, bem como as partes em que cada um dos jovens fica em perigo, são bem construídas, as descrições suficientemente claras para que o leitor consiga visualizar o que está acontecendo, e isso é muito importante para que o clima de terror seja repassado. Fica impossível sentir medo de algo que não se compreende.

As partes em que os bonecos começam a atacar, seus movimentos, suas feições, enfim, tudo o que fazem, também consegue transmitir um certo horror, principalmente se o leitor já tiver visto bonecos semelhantes em parques de diversão. Os olhos, principalmente eles, sempre são o que mais incomoda, porque fica a dúvida se eles estão se mexendo ou não. Certo?

No começo da resenha, citei que o enredo é relativamente simples, e esse é o problema em Olhos Prateados. Exatamente por não existir muito para ser explicado, existem páginas e mais páginas narrando coisas que não importam para a história. Conversas que não explicam nada, além de várias idas e vindas à pizzaria sem uma real necessidade. Tanto, que o terror propriamente dito, só começa depois de dois terços da leitura.

Ah, e também faltou um pouco de sangue. Para quem está acostumado a assistir a filmes americanos de adolescentes que são mortos por um maníaco a cada cinco minutos de projeção, irá se decepcionar um pouco.

Mesmo com isso, eu gostei da leitura. Livros com informação em demasia não me incomodam, basta pular alguns parágrafos. O que importa, realmente, é se as partes que fazem a diferença, se são boas. E isso, elas são. Então, se gosta de jogos, se gosta de terror, pegue logo seu exemplar e se divirta! Ah, sim, e se arrisque no jogo, também. É muito divertido!

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Conjunto de Séries #18: Suits


Quem acompanha essa coluna aqui no blog já deve ter percebido que meu gosto para séries é bem diversificado. Vou da fantasia ao drama e da ficção científica à comédia sem problema algum. Mas, desde Drop Dead Diva (que pende mais para a comédia), nunca mais tinha assistido a uma série jurídica. Suits veio para suprir essa falta, com a diferença que tem uma carga muito maior de seriedade e drama e, ainda assim, consegue ser divertida na medida.

Na série, Mike Ross (Patrick J. Adams) não concluiu a faculdade de Direito, mas é extremamente brilhante na área, tanto que conseguiu surpreender um dos melhores advogados de Nova York, Harvey Specter (Gabriel Macht). Harvey, apesar de saber desse empecilho e do risco que corre de ser descoberto, contrata Ross como seu associado no escritório e é aí que toda a confusão realmente começa.

O interessante de Suits é que, além dos casos que sempre aparecem em cada episódio - e que muitas vezes se estendem por toda a temporada -, há muita trama também sobre os advogados da firma, histórias que vão e voltam e se entrelaçam em uma construção inteligente e, na verdade, são essas as mais interessantes. A maior parte dos episódios são dentro do próprio escritório - grande parte dos litígios são resolvidos fora do Tribunal, então o que se vê são muitos jogos de palavras, sacadas inteligentes e muita maquinação para ver quem tem mais força para levar a melhor.


Além disso, os personagens são impagáveis e riquíssimos, daqueles que alternam entre o amor e o ódio com certa frequência, que amamos odiar ou coisa assim. Eu simplesmente amo a rivalidade entre Louis (Rick Hoffman) e Harvey, por exemplo. Louis sempre faz tudo errado e mais atrapalha do que ajuda, mas no fim das contas ele só quer ser admirado. Além disso, o ator Rick Hoffman é simplesmente incrível, e eu morro de rir só com as expressões e a intensidade de Louis (mesmo quando a cena não deveria ser engraçada).

Donna (Sarah Rafferty) é outra personagem essencial para a trama, sempre com ótimas tiradas e um humor inteligente. O melhor é que, apesar de divertir, ela não é superficial, pois carrega muito drama consigo, mas não se deixa abater - afinal, ela é a Donna. Ainda estou esperando a história dela e de Harvey deslanchar - há seis temporadas! E bom, a série tem ainda a dupla Harvey e Mike, uma briga de egos e de línguas afiadas, mas de uma lealdade e amizade que chega a emocionar.

Suits conta ainda com uma trilha sonora deliciosa - várias músicas de lá foram parar na minha playlist - e um pouquinho de romance. A única coisa que eu realmente não gosto é quando aparecem flashbacks, mas isso pode ser relevado, já que não é sempre que acontece.

Para quem gosta de assistir a séries dramáticas e ao mesmo tempo divertidas, acho que Suits pode ser uma ótima opção. Alguém já viu?

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