Até que a culpa nos separe - Liane Moriarty

Sinopse: Amigas de infância, Erika e Clementine não poderiam ser mais diferentes. Erika é obsessivo-compulsiva. Ela e o marido são contadores e não têm filhos. Já a completamente desorganizada Clementine é violoncelista, casada e mãe de duas adoráveis meninas. Certo dia, as duas famílias são inesperadamente convidadas para um churrasco de domingo na casa dos vizinhos de Erika, que são ricos e extravagantes.
Durante o que deveria ser uma tarde comum, com bebidas, comidas e uma animada conversa, um acontecimento assustador vai afetar profundamente a vida de todos, forçando-os a examinar de perto suas escolhas - não daquele dia, mas da vida inteira.
Em Até Que a Culpa Nos Separe, Liane Moriarty mostra como a culpa é capaz de expor as fragilidades que existem mesmo nos relacionamentos estáveis, como as palavras podem ser mais poderosas que as ações e como dificilmente percebemos, antes que seja tarde demais, que nossa vida comum era, na realidade, extraordinária. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
MORIARTY, Liane. Até que a culpa nos separe. Editora Intrínseca, 2017. 464 p.


Graças à parceria do blog com a Editora Intrínseca, tive oportunidade de ler todos os livros de Liane Moriarty logo que eles foram publicados aqui no Brasil e tanto O segredo do meu marido quanto Pequenas Grandes Mentiras foram leituras que me envolveram e me surpreenderam, cada uma a seu modo. Quando soube do lançamento de Até que a culpa nos separe, fiquei ansiosa para conhecer essa nova história, que mantém a qualidade dos demais livros, com um pequeno porém: tenho a sensação de que, desta vez, ela foi boazinha demais.

Até que a culpa nos separe conta a história de três casais - Erika e Oliver, Clementine e Sam e Vid e Tiffany - que vêem suas vidas mudarem em uma tarde comum num churrasco na casa de Vid. Como nas outras obras da autora, sua narrativa intercala o passado e o presente para contar o que aconteceu, sem dar detalhes sobre qual o foi o incidente que fez tudo mudar e para o qual cada personagem carrega sua própria culpa.

Para descobrir, é preciso acompanhar a vida desses casais antes e depois daquele dia, ver tudo o que levou àquele momento e saber as consequências dele antes mesmo de saber o que de fato ocorreu. Essa construção prende o leitor e aguça a curiosidade, afinal, o que teria acontecido? É a ansiedade por saber mais que leva a leitura ao ápice e é angustiante demais não saber. Tive diversos palpites segundo as pistas deixadas no texto, mas nenhum se concretizou.

Embora o enredo de Até que a culpa nos separe seja bom como os demais livros da autora, devo admitir que estava esperando algo bem impactante para o mistério da trama, o que não aconteceu. O problema, para mim, foi que, depois de passado o susto inicial, minha reação foi de desapontamento e meu principal pensamento foi algo como "foi só isso?". Não que a situação não tenha sido grave ou que o comportamento dos personagens não se justificasse, mas eu senti como se tivesse sido enganada, com muito drama se, no fim, tudo ficou bem.

Esse pequeno contratempo às minhas expectativas de leitura não torna o livro menos atraente, mesmo porque os aspectos mais interessantes dos textos de Liane Moriarty são as estruturações psicológicas dos personagens. Percebi que a autora tem um padrão de narrar sempre por três perspectivas e, nesse livro, seu enfoque foi sobre os três casais.

É possível visualizar os personagens a partir de dois panoramas diferentes, o social e o individual. Embora todos eles se mostrem extremamente sociáveis, como se cumprissem seu papel e agissem corretamente uns com os outros, há sempre a análise intrínseca dos personagens, seus pensamentos mais íntimos, sejam eles socialmente aceitáveis ou não. E Liane não nos poupa de conhecer os pensamentos mais cruéis e egoístas dos personagens que criou, mas mostra que eles não se resumem a isso, o que os torna mais humanos, com todas as suas qualidades e defeitos.

A construção dos personagens vai ainda além disso: a narrativa chega ao âmago de cada um, às origens de seus piores problemas, ao trazer a tona lembranças desde a infância que justificam aquilo que eles se tornaram. Por isso, apesar de não serem pessoas admiráveis, é bem fácil sentir empatia por todos eles.

Em minha opinião, Até que a culpa nos separe não é o melhor livro de Liane Moriarty, porque faltou aquele impacto presente em seus outros livros. Mas com certeza é tem uma boa história, com todas as características principais de suas obras e que pode ser um ótimo livro para quem quer conhecer ou para quem, como eu, só queria mesmo matar as saudades das tramas da autora.


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Uma longa jornada para casa - Saroo Brierley

Sinopse: A história que deu origem ao filme Lion: uma jornada para casa, com Dev Patel. Aos 5 anos, Saroo pede ao irmão mais velho que o deixe acompanhá-lo à cidade onde ele passava os dias em busca de dinheiro e comida. Durante a viagem, o menino adormece. Ao despertar, confuso, se vê sozinho na estação de trem. Ele não sabe onde está o irmão, mas vê um trem parado. Imaginando que Guddu poderia estar lá dentro, Saroo embarca no vagão, e isso o faz atravessar a Índia. Sem saber ler nem escrever, e sem ideia do nome de sua cidade natal ou do próprio sobrenome, ele é obrigado a sobreviver sozinho nas ruas de Calcutá até ser levado para uma agência de adoção e ser escolhido por um casal australiano. Os anos se passam e, ainda que se sinta extremamente agradecido pela nova oportunidade que os Brierleys lhe proporcionaram, Saroo não esquece suas origens. Até que, com o advento do Google Earth, ele tem a oportunidade de procurar pela agulha no palheiro que costumava chamar de casa, e investiga nas imagens de satélite os marcos que poderia reconhecer do pouco que se lembra de sua cidade. Um dia, depois de muito tempo de procura, Saroo encontra o que buscava, mas o que acreditava ser o fim da jornada é apenas um novo começo. (Skoob)
BRIERLEY, Saroo. Uma Longa Jornada Para Casa. Editora Record, 2017. 229 p.


Em Uma longa jornada para casa, conhecemos a história de Saroo Brierley, que se perdeu do irmão mais velho em uma estação de trem na Índia quando tinha apenas cinco anos. Ao entrar em um trem para procurar o irmão, acaba pegando no sono e parando em um lugar totalmente desconhecido. Sem saber sua cidade de origem e muito menos o seu nome completo, Saroo passou semanas sozinho nas ruas de Calcutá até ser levado para um orfanato, onde encontrou uma nova família. 

O livro que deu origem ao filme Lion: Uma jornada para casa é autobiográfico, e Saroo nos conta tudo o que lembra desde o dia em que se perdeu até o dia que conseguiu se reencontrar com sua família biológica, passando por várias dificuldades e períodos de adaptação até se tornar quem é hoje. A todo momento pensava como era comum (não sei se continua assim) as crianças na Índia saírem sozinhas, sem nem avisar aos pais. Chegavam ficar uma semana inteira sem voltar para casa e isso era visto como normal. Tanto que, ao reencontrar sua mãe biológica, Saroo conta que ela começou a se preocupar com o sumiço dos filhos — o irmão mais velho de Saroo também não voltou para casa — só uma semana depois.

"O que tinha acontecido comigo era extraordinário e poderia oferecer esperança a pessoas que desejavam encontrar sua família perdida, mas que achavam isso impossível. Talvez até mesmo pessoas em situações diferentes pudessem encontrar inspiração na minha experiência de agarrar oportunidades, por mais temerosas que parecessem, e nunca desistir."

Minha experiência ao ler a história de Saroo foi tão incrível que não consigo explicar. Eu não conseguia acreditar que uma criança tão nova tinha parado a mais de 1200 quilômetros de casa e não acreditava mais ainda que fosse possível achar a cidade natal, 25 anos depois, com a ajuda de um aplicativo tão conhecido por nós, o Google Earth. Foi tudo muito emocionante, principalmente as partes que Saroo contava sua vida na Índia. Gente, eu não consigo aceitar a verdade, tendo em vista a minha criação e a minha vida, que é normal sentir fome o tempo todo no país mais populoso do mundo. A banalização da miséria foi uma coisa que me chocou bastante.

Fiquei feliz por Saroo Brierley ter se tornado um homem digno, por ter sido adotado por uma família tão amorosa e afável. Admiro muito a força de vontade que ele teve para tentar reencontrar sua família biológica — mesmo amando muito seus pais de criação —, principalmente porque, se fosse eu, teria desistido na primeira decepção. O mais incrível de tudo é que Saroo narra tudo de forma muito leve e despretensiosa, tanto que, apesar de ser uma história triste, dá pra ler em uma sentada só. 

Tive uma surpresa muito agradável ao ver que a edição traz fotos nas páginas finais e isso enriqueceu muito a leitura. Além disso, Saroo, ao falar mais sobre sua cultura — que sinceramente desconhecia a maior parte —, acabou introduzindo os leitores num mundo totalmente diferente. Uma longa jornada para casa fala sobre superação, persistência mas, principalmente, sobre esperança.

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Sempre Haverá Você - Heather Butler

Sinopse: A mãe do George e do Theo é genial. Ela conta histórias incríveis, acena mais rápido do que qualquer pessoa do planeta e, o mais importante, foi ela que sugeriu que eles adotassem um cachorro porcalhão chamado Goffo. Os meninos acham que ela é invencível. Mas eles estão errados. Porque a mamãe está doente. E cabe ao George e ao Theo fazer a mamãe continuar sorrindo. O que, muito provavelmente, vai envolver galochas, tortas de carne e a participação do Goffo no Concurso de Talento Animal... Agora que a mamãe ficou doente, está cada vez mais difícil sorrir e inventar versos com o Theo. Sempre haverá você conta sobre uma família diferente da sua, mas um pouquinho parecida. E de um menino que está aprendendo algumas coisas. Você quer ser amigo dele? (Skoob)


Livro recebido em parceria com a Editora
Butler, Heather. Sempre Haverá Você. Novo Conceito, 2017. 256p.


Que história mais linda! 

Sempre Haverá Você é um livro contado de forma tão ingênua e cativante. Todo receio que eu tive ao me dar conta de que o narrador principal era um menino de 11 anos desapareceu completamente conforme eu avançava pelas páginas nessa leitura incrível e deliciosa de se acompanhar.

George é extremamente inteligente para a pouca idade que tem. Seu passatempo favorito é um jogo no qual ele e a mãe aprendem palavras novas, um jogo só deles e de mais ninguém. Seu pai, apesar de trabalhar muito e viajar constantemente, está sempre presente nos momentos mais importantes com a família. Seu irmão mais novo, Theo, é super esperto e praticamente vive no próprio mundo onde nada de mau acontece com ninguém. E pra fechar essa família linda, ainda tem o integrante mais barulhento e atrevido da casa: Goffo, um cachorro que vive pra cima e pra baixo aprontando todas com os meninos.

Acompanhar pelos olhos de uma criança o quanto uma doença grave pode afetar um dos pais, que até então eram completamente invencíveis para ele, é de partir o coração. Conforme a doença da mãe vai avançado, George se vê cada vez mais perdido no meio de rotinas quebradas, um pai cabisbaixo, parentes que antes só apareciam em datas comemorativas passando a frequentar a casa o tempo todo para “ajudar na recuperação da mamãe”. Ver o medo, a insegurança e o desespero de não saber muito bem o que está acontecendo com a mãe só aumentavam a minha vontade de abraçar o George e dizer que tudo ia ficar bem.

"Eles me fazem sentir como se todas as outras pessoas estivessem se divertindo. 
E sorrindo.
E eu não quero me juntar a elas.
Porque eu só consigo pensar na mamãe.
E no que vai acontecer."

Ainda assim, em meio a tanta dor e tristeza, somos presenteados com momentos delicados e inevitáveis como a entrada para a adolescência de George, a descoberta do sexo oposto e, princialmente, a maturidade que ele aos poucos vai desenvolvendo para aprender a conviver com mais responsabilidade ao lado do irmão mais novo, para enfrentar o valentão da escola e para mostrar a mãe que continua fazendo as escolhas certas em meio a tantas mudanças radicais em sua vida.

Sempre Haverá Você nos apresenta a família do George: uma família comum passando por um momento delicado. Nos ensina o quanto os laços entre parentes, animais de estimação, bons vizinhos, amigos e professores podem fazer situações aparentemente tão trágicas tomarem um rumo menos doloroso e suportável. Nos faz aprender junto com um menininho de onze anos que fazer alguma coisa junto com alguém é mais divertido do que fazer sozinho.

Acredito que todo mundo tenha uma coisa ou outra para aprender junto com o George. Fica aí a dica dessa leitura encantadora!

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Conjunto de Séries #14: Sherlock


Depois que terminei de assistir todos os episódios de Elementary disponíveis na Netflix, fiquei um pouco órfã das excentricidades de Sherlock Holmes e decidi testar outra série que retrata o detetive na época contemporânea: Sherlock. Diferente da versão americana, a série britânica não inova tanto e mantém a essência dos principais personagens e os detalhes da versão original, quase com ares de clássico, ousando mesmo apenas na questão do tempo em que se passa a trama.

Sherlock conta atualmente com quatro temporadas e ainda existem dúvidas se serão apenas essas ou se outras poderão vir. Ainda que seja o fim do seriado, tenho certeza que os fãs do detetive se encantarão com suas aventuras e que vale sim a pena assistir.

Dividida em poucos episódios de longa duração - geralmente três episódios por temporada de mais de 1 hora cada -, cada caso parece ser um filme, com uma riqueza de detalhes e repleto de genialidade como só Sherlock seria capaz de proporcionar.


As imagens geradas nessa série são mais sombrias, talvez para enaltecer as características climáticas de Londres e do próprio Sherlock, que parece ainda mais misterioso e cheio de segredos. O personagem interpretado por Benedict Cumberbatch mantém todos as manias e loucuras de Sherlock, o que encanta ainda mais os fãs da obra de Arthur Conan Doyle.

Também é interessante analisar que alguns episódios foram inspirados nos livros do autor e adaptados na série. Episódios como Um Estudo em Rosa e O cão dos Baskervilles são o melhor exemplo disso, nitidamente inspirados nos livros de títulos semelhantes.

E é claro, Sherlock aqui continua a resolver os casos mais difíceis de uma forma completamente inesperada, garantindo as reviravoltas e as surpresas dos desfechos, sempre interessantes.

Para quem gosta de Sherlock e de séries inusitadas e criativas, a série é mais do que indicada.

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Mundo cão - Matheus Peleteiro

Sinopse: Unindo elementos de literatura marginal com sentimentos altruístas, surge Mundo Cão, que narra, em primeira pessoa, a história de Pedro Contino, um jovem que so­fre desde cedo por conta das peripécias da vida, e, por mais que busque o melhor, vê, em sua sombra, o caos. Morador da favela Roda Vida, Pedro poderia ter traçado qualquer caminho, mas a vida escolheu um em especial. Mesmo em meio à ausência de recursos, é apresentado à literatura por um vizinho mais velho, e, por conta dela, cria uma importante consciência social. Guiado por músicas e livros, ele logo percebe como tudo funciona. Indigna-se e, amargamente, percebe que não tem poder para realizar uma mudança no mundo… (Skoob)
PELETEIRO, Matheus. Mundo Cão. Editora Novo Século, 2015. 168 p.


A escrita de Matheus Peleteiro possui traços únicos que tornam sua identificação clara. Ele utiliza uma narrativa crua, direta, por vezes, até rude, mas sem ser ofensiva. Poderia dizer que é sincera, sem rodeios ou floreios.

Pedro, o personagem principal e narrador, mora em uma favela de Salvador. Rodeado pela violência típica de quem tem por vizinhos traficantes, além de conviver com tiroteios e a constante visita da morte a conhecidos, o rapaz de 18 anos decide escolher seus próprios caminhos. E ele quase consegue, principalmente com a ajuda de Luis, um professor de Sociologia. Mas, apaixonado por Carol, uma garota que mora perto de seu barraco, ele encontra na bebida a coragem necessária para paquerá-la. A partir desse ponto, Pedro começa uma descida vertiginosa de encontro à perdição daquilo que mais desejava.

Os pensamentos de Pedro levam a narrativa de Mundo Cão bem próxima da realidade do que é viver em uma favela. O personagem é machista, preconceituoso, possui uma visão política e religiosa limitada ao que ele sente e a como as pessoas se comportam de forma dogmática à sua volta, mas isso não o transforma em alguém amoral, apenas real.

Por mais que sua mente e seu coração sejam recheados e boa vontade, boas ideias, bondade, quando você vive em um ambiente impregnado de maldade, de precariedade, de falta de qualquer indicação de que o certo pode obter resultados, você acaba se corrompendo, acaba sendo obrigado a se submeter ao meio, ao contrário de transformar esse meio.

Dizem que uma pessoa pode mudar o mundo, mas a realidade é que o mundo muda as pessoas. E um mundo corrompido, corrompe totalmente. É por esse caminho que Pedro acaba seguindo, levando a um final que era esperado, mediante as escolhas que o personagem é obrigado a tomar.

Além da escrita crua, o autor carrega toda a narrativa com várias referências a cantores e obras de outros autores, com o acréscimo de frases de efeito, bem colocadas e com um significado suficiente para se fazer pensar, sem parecer forçado. Isso consegue levar o leitor a e se perguntar se realmente conhece como o mundo funciona, e o quanto cada um de nós representa numa sociedade parcialmente corrupta.

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Promoção: Quando a Bela domou a Fera


Peops, lembra que eu comentei aqui que, por conta dos atrasos dos correios, recebi dois exemplares de Quando a Bela domou a Fera?

Por isso, em parceria com a Editora Arqueiro, vou sortear um desses exemplares para vocês!

Para participar é simples! Basta seguir o blog Conjunto da Obra pelo Google Friend Connect (clicar em "Participar deste site" na barra lateral direita) e preencher essa entrada no formulário. Depois, várias outras entradas serão abertas, para quem quiser ter ainda mais chances.


a Rafflecopter giveaway
As inscrições serão feitas por meio da ferramenta Rafflecopter. Para os que ainda têm dúvidas sobre como utilizá-la, podem ver este tutorial aqui. As inscrições são válidas até dia 6 de agosto, e o resultado será divulgado em até 7 dias, neste mesmo post.

Após o resultado, o Conjunto da Obra entrará em contato com o vencedor por e-mail, que deverá ser respondido em até 24 horas. O prazo de envio do exemplar é de 40 dias úteis após o recebimento dos dados do vencedor.

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Quando a Bela domou a Fera - Eloisa James

Sinopse: Eleito um dos dez melhores romances de 2011 pelo Library Journal, "Quando a Bela domou a Fera" é uma releitura de um dos contos de fadas mais adorados de todos os tempos.
Piers Yelverton, o conde de Marchant, vive em um castelo no País de Gales, onde seu temperamento irascível acaba ferindo todos os que cruzam seu caminho. Além disso, segundo as más línguas, o defeito que ele tem na perna o deixou imune aos encantos de qualquer mulher.
Mas Linnet não é qualquer mulher. É uma das moças mais adoráveis que já circularam pelos salões de Londres. Seu charme e sua inteligência já fizeram com que até mesmo um príncipe caísse a seus pés. Após ver seu nome envolvido em um escândalo da realeza, ela definitivamente precisa de um marido e, ao conhecer Piers, prevê que ele se apaixonará perdidamente em apenas duas semanas.
No entanto, Linnet não faz ideia do perigo que seu coração corre. Afinal, o homem a quem ela o está entregando talvez nunca seja capaz de corresponder a seus sentimentos. Que preço ela estará disposta a pagar para domar o coração frio e selvagem do conde? E Piers, por sua vez, será capaz de abrir mão de suas convicções mais profundas pela mulher mais maravilhosa que já conheceu? (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora
JAMES, Eloisa. Quando a Bela domou a Fera. Editora Arqueiro, 2017. 320 p.


Quem acompanhar o blog sabe que eu tenho um estilo de leitura bem variado - vou da fantasia ao thriler e do romance ao clássico, passando por vários outros gêneros nesse meio, em um mesmo mês. Acredito que cada leitura tem seu momento e, depois de algumas leituras mais densas, resolvi resgatar um romance de época da estante. O escolhido foi Quando a Bela domou a Fera, de Eloisa James, e que escolha mais perfeita! O livro é tão amorzinho e tão gostoso de ler que me fez largar tudo o que eu tinha para fazer para ler.

Na trama, Linnet se vê envolvida em um escândalo - no qual é absolutamente inocente - e precisa de um marido, ou provavelmente não terá outra oportunidade de se casar. Para resolver a situação, seu pai resolve oferecer sua mão ao conde de Merchant, Piers, um nobre tão conhecido por seus dotes médicos quanto pelo temperamento que lhe conferiu o apelido de "a fera".

Claro que a trama de Eloisa James é cheia de clichês, principalmente porque é um romance de época e uma releitura de A Bela e a Fera, então não tem como fugir muito disso. Mas aviso desde já: não se deixem afastar por esse detalhe, pois se gosta de romances, vale a pena apostar nesse, juro! Apesar de um ou outro toque batido de outras histórias de amor, a trama tem um toque único e especial e o que mais gostei logo de cara foi que, apesar de implicarem um com o outro, Linnet e Piers combinam muito e criam uma cumplicidade desde o início.

Nessa brincadeira de concordar em discordar dos personagens, é possível conhecer mais a fundo seus carismas. Linnet é uma mulher extremamente bonita e, apesar de achar que essa é sua característica mais importante, na verdade não vê o poder que tem. Ela não se resume à beleza, já que tem um senso de humor cativante e um conhecimento que confere força às suas palavras, afinal, é uma leitora voraz. O engraçado é que todos os seus genes de família não surtem qualquer efeito em Piers, que se encanta, na verdade, por sua audácia.

Piers, por sua vez, é totalmente fora dos padrões de sua época e fica longe do socialmente aceitável. Trata-se de um médico muito eficiente, mas dotado de humor negro e pouca compaixão, características que ficam acentuadas pela dor causada por um problema antigo na perna. Não tem filtros ao expor o que pensa e sua sinceridade quase dói. Mas isso não assusta Linnet, na verdade a atrai, já que é a primeira vez que um homem fala tudo o que pensa de verdade.

Eu simplesmente adorei a forma como personagens aparentemente tão diferentes puderam se mostrar tão iguais - ela escondia seu lado negro por trás do ar adorável, enquanto ele escancarava seus defeitos em sua insensibilidade. Ver as mudanças que um provocou no outro, o modo como o encontro entre eles fazia submergir a verdadeira essência de cada um, foi tocante. E muito, muito divertido. As cenas entre Linnet e Piers resultavam em diálogos ácidos, inteligentes e sem joguinhos, que inevitavelmente levavam a boas gargalhadas.

A narrativa de Eloisa James não é só romântica, mas tem um quê de picante, e não me refiro aqui apenas às cenas de amor entre os personagens. Seu texto tem intensidade, envolve o leitor, revira o íntimo dos protagonistas e nos conecta aos sentimentos deles. É apaixonante, definitivamente.

Li algumas resenhas que comentavam que Piers foi baseado no personagem do Dr. House. Não posso dizer que é verdade porque não assisto à série, mas talvez seja mais um motivo para ler o livro, não?

Quando a Bela domou a Fera é uma leitura que faz esquecer as responsabilidades e os compromissos, pois tudo que se quer é mergulhar nessa história de amor intensa e apaixonante.

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