Carry On - Rainbow Rowell

Simon Snow é um bruxo que estuda numa escola de magia na Inglaterra. Profecias dizem que ele é o Escolhido. Você pode até estar pensando que já conhece uma história parecida. O que você não sabe é que Simon Snow é o pior Escolhido que alguém já escolheu. Poderosíssimo, mas desastroso a ponto de não conseguir controlar sequer sua própria varinha, Simon está tendo um ano difícil na Escola de Magia de Watford. Seu mentor o evita, sua namorada termina com ele e uma entidade sinistra ronda por aí usando seu rosto. Para piorar, seu antagonista e colega de quarto, Baz, está desaparecido, provavelmente maquinando algum plano insano a fim de derrotá-lo. Carry On é uma história de fantasma, de amor e de mistério. Tem todos os beijos e diálogos que se pode esperar de uma história de Rainbow Rowell, mas com muito, muito mais monstros. (Skoob)
ROWELL, Rainbow. Carry on. Novo Século, 2016. 448 p.


Amar um livro antes mesmo dele existir é complicado e um sofrimento. Carry on era uma fanfic do livro Fangirl, que amei mais do que a história principal, mas não precisa lê-lo para entender esse, mal também não faz, é apenas mais SnowBaz. Eu amo esse livro e já o li muitas e muitas vezes, a cada vez percebo algum detalhe que não me dei conta anteriormente e me apaixono ainda mais.

"- O que você é, Simon Snow, é uma tragédia do caralho. Você literalmente não tinha como ser uma bagunça pior."

Simon Snow é o Escolhido. Com uma aparência normal e uma personalidade atacada, mas ainda sim o Escolhido. Talvez não o melhor para o cargo, contudo o único poderoso para ocupá-lo, embora não saiba como controlar seu poder. Ele foi retirado de um orfanato aos 11 anos pelo Mago e levado para Watford, a fim de aprender a controlar seu poder. Sete anos depois, no ultimo ano escolar, Simon não está mais perto disso do que no começo.

Profecias dizem que ele é o Maior Mago, aquele que chegará no momento de mais perigo para salvar o Mundo Bruxo. E todos os bruxos sentiram quando Simon Snow foi encontrado pelo Mago depois de um rompante, não restando duvidas a ninguém de que ele é a pessoa certa para essa posição. O Escolhido que enfrentará o Insípidum. O Insípidum que tem o mesmo rosto do Escolhido, não que mais alguém saiba desse fato além dele e de sua melhor amiga. E a profecia não ajuda Simon Snow em nada também.

“E surgirá alguém para acabar conosco. 
E alguém que o arruinará.
Que o maior poder entre os poderes reine,
Que ele salve a todos nós.”

Tudo que Simon mais quer é ficar em Watford até que precise enfrentar o inimigo do Mundo Bruxo, o Insípidum. Até porque seu inimigo realmente é seu colega de quarto, seu antagonista Tyrannus Basilton Grimm-Pitch. Ou Baz.

Baz é um bruxo poderoso de duas famílias poderosas, Grimm e Pitchi, e vampiro nas horas vagas, que está sempre tentando matar Simon. Quando Baz não retorna para Watford, Simon está crente que esse é mais um dos seus planos diabólicos que visam seu assassinato. Contudo o tempo passa e nada acontece. Simon parece ser o único preocupado com isso, ninguém lhe diz nada, ninguém se importa com o que aconteceu com Baz. Ninguém nem parecer lembrar que Baz existiu. Até que ele retorna. E eu tive um ataque de fangirl quando Baz apareceu.

Enfim, Baz retorna e Simon relembra-se de algo que aconteceu quando ele estava fora, contando-o sobre a Visita que ele perdeu. A cada 20 anos, o Véu entre os mundos fica frágil e os mortos que tem assuntos pendentes podem voltar. E uma pessoa voltou para Baz. Sua mãe. Numa trégua temporária, os dois fazem um juramento de não agressão enquanto tentam descobrir quem realmente é o culpado pela morte de Natasha Pitchi, assassinada num ataque de vampiros que também Transformou seu filho no sanguessuga que ele é atualmente.

"Snow diz que sou obcecado por fogo. Eu argumentaria que é um efeito colateral inevitável de ser inflamável. (...) A piada cruel disso tudo é que eu venho de uma longa linhagem de bruxos do fogo. (...) Não... A piada cruel disso tudo é que Simon Snow cheira a fumaça."

O livro é divido em quatro partes ou, como Carry on apresenta, quatro livros. O primeiro é basicamente a introdução do leitor ao mundo criado por Rowell, com Simon desesperado para encontrar Baz, muito mais desesperado do que deveria para saber onde está seu inimigo. Há muita semelhança com HP? Há, mas são nelas que também estão as diferenças. É aquela velha história de que "nada se cria do nada", além de que Carry on foi escrito para ser uma crítica à Harry Potter, pegando todos aquelas coisinhas que irritam na série e que te faz pensar "e se..." e fazendo sua própria trama.

O principal "e se" é o casal dourado. Eu não fiquei me perguntando o que era que o Baz tinha para o Simon persegui-lo tanto, mas posso imaginar outras pessoas fazendo essa pergunta. Talvez eu esteja procurando onde não tem nada ou simplesmente estou vendo mais claramente, já que sei o que acontece (li Fangirl, comprei o Carry on por isso), mas para mim foi óbvio que Simon é apaixonado pelo Baz. Isso deveria ser considerado spoiler? Ele fala/pensa mais nele do na própria namorada ou de si mesmo! Quando seu inimigo começa a falar de seus olhos... aí tem coisa.

"Sinto-me como quinze anos de novo, como se fosse ceder caso ele aproxime demais – e beijá-lo ou mordê-lo. A única razão para eu conseguir suportar aquele ano foi eu não ser capaz de decidir qual dessas opções iria finalmente por um fim ao meu sofrimento."

O que eu gostei é que a autora explica a relação do Simon com Baz. Todos os maus entendidos, não tão maus entendidos assim. Ela não joga os sentimentos do nada. Acompanhamos a confusão de Simon e nos apaixonamos por Baz. Não tem como não se apaixonar por Baz, que é um sanguessuga que só pensa no seu companheiro de quarto, e não apenas violentamente. Baz é apaixonado por Snow. E eu pelos dois juntos.

Baz é a piada cruel que você ama contar e rir para você mesmo. O humor negro em pessoa. É aquele vilão que você se apaixona, apega-se e torce para que tenha um final feliz. E tem uma voz única, cada personagem tem uma voz única. Não é preciso nem ler quem narra para saber quem narra. Simon passa tudo que um herói tem que ser: a coragem, o medo, o altruísmo e o desejo de ser normal, de poder viver além da profecia e de amar... sem ser um modelo perfeito.

A surpresa que eu tanto esperava, saber quem iria aceitar declarar o que fosse primeiro, me deixou louca. Outro ataque de fangirl, porque foram muito. Estava parecendo uma daquelas mocinhas recatadas de antigamente abanando-se. Estava tão, mas tão feliz! Deu para sentir, na cena, toda a dor e confusão nos personagens. E todo o amor.

"Ele não é um monstro. É apenas um vilão.
Ele não é um vilão. É apenas um garoto.
Estou beijando um garoto.
Estou beijando Baz.
Ele é tão frio, e o mundo é tão quente."

Há também, é claro, os personagens secundários que eu amo, como a Penélope. A amizade criada entre a ela e o Simon é invejável, e Penny é uma bruxa inteligente, esperta e poderosa. Simon teria morrido há tempo sem ela ao seu lado, como sua corajosa parceira. Mas também existe personagens que eu não soube como classificar, que é complexo demais para ficar entre gosto e não gosto, como a Agatha, ex do Simon. Eu vi tantas resenhas negativas sobre ela, que me surpreendi ao gostar de Agatha enquanto lia e depois fiquei irritada, porque ao mesmo tempo que eu concordo com o desejo dela de ser mais do que isso, de não se restringir apenas a magia, apenas a namorada do Escolhido, ela acabou se focando demais em si e esqueceu-se que Simon Snow não é simplesmente o Escolhido, mas seu amigo.

Sobre a ortografia, sinto que a editora teve bastante trabalho para traduzir os feitiços para o português e mantê-los coerentes com a historia. Em Carry On, além de ter algumas palavras não usuais no dia a dia que tive que pesquisar (ao menos agora sei o que significa asseado), os feitiços é a coisa mais surpreendente. Ninguém esperava por essa, tenho certeza. Palavras têm poder, sempre ouvimos e lemos isso em qualquer lugar, e em Carry On as coisas tomam um significado mais profundo. A magia acumula-se ao redor de expressões que tem peso, que são ditas e reditas pelas pessoas. É quase que nem “eu acredito em fadas” e Sininho fica boa.

"Quem não se escondeu, não se esconde mais! Está na hora do show! Scooby-Doo, cadê você?"

Eu li o livro pela primeira por causa do romance. Foi o primeiro livro com um casal homossexual que eu li, eu tentei outros, mas nenhum me prendeu como esse. Rowell tem uma escrita maravilhosa, embora eu só tenha lido Fangirl e Anexos (não gosto desse), com personagens reais e frases perfeitas, muito, muito perfeitas, bem como descrições apaixonantes. Teve cenas que releio umas quatro vezes toda vez que leio o livro.

Só não gostei do epilogo, porque preferiria imaginar por mim mesma o que aconteceria depois. A ultima frase de Penny foi perfeita: "Tudo começa a fazer sentido". Há pouco tempo eu diria "espero que não, espero que tenha uma continuação", mas eu tive a melhor notícia do ano passado quando li que vai haver, sim, continuação. E esse ano! Era para ser lançando em 2020, mas adiantaram e eu espero que seja o livro todo que nem o capítulo 61, idolatrado pelos fãs. Eu sou um desses fãs. O melhor de tudo é que o título vai ser totalmente baseado na música Carry on my wayward son de Kansas, chamando-se Wayward Son em complemento a esse. Mal posso esperar.

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Marley & Eu - John Grogan

Sinopse: John e Jenny eram jovens, apaixonados e estavam começando a sua vida juntos, sem grandes preocupações, até ao momento em que levaram para casa Marley, "um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro", que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos. 
Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, esgadanhava paredes, babava nas visitas, comia roupa do varal alheio e abocanhava tudo a que pudesse. De nada lhe valeram os tranqüilizantes receitados pelo veterinário, nem a "escola de boas maneiras", de onde, aliás, foi expulso. Mas, acima de tudo, Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional. Imperdível. (Skoob)
GROGAN, John. Marley & Eu: a vida e o amor ao lado do pior cão do mundo. Ediouro, 2006. 303p.


Eu adoro cães e tinha amado o filme Marley & Eu, pelo menos a parte que eu tinha visto, então quando vi o livro por apenas R$9,99 no Wallmart eu pedi para a minha tia e ganhei ele de aniversário. Eu já tinha ouvido falar muito bem desse livro e sabia que ele tinha ficado em 1º lugar e tudo o mais, então já esperava muito dele. E ele deve ter correspondido a todas as minhas expectativas ou até mais!

O livro conta a história de John Grogan e em especial de seu cão Marley, que esteve quase todo o tempo de casado com ele e sua esposa. Marley, de início, foi como um treino para ter um bebê, mas no final se tornou muito mais que isso, se tornou parte da família. O cão atrapalhado, enérgico e medroso conquistou o coração de muitas pessoas, inclusive o meu. A gente vai se envolvendo tanto na história que quer ler a toda hora e já emenda um capítulo no outro. Eu sempre levava ele para a escola e estava com ele quase sempre, lia no recreio, às vezes até na aula! Além da história que é MUITO boa, o livro ainda conta com fotos lindas do Marley! Eu acho o Marley muito fofo, labradores são lindos. O livro também traz crônicas de jornal do John que escrevia sobre o Marley, uma das provas de que as histórias são reais.

A gente ri em quase todo o livro, e aí vem o final, que a gente chora. Esse foi o primeiro livro (que eu me lembre, pelo menos) que me fez chorar. Acho que nem com O Diário de Anne Frank, que é muito triste, eu chorei. Eu também gostei bastante do filme, que após o livro finalmente assisti inteiro. Não chorei nele, mas em parte porque mais cedo já tinha chorado em um outro filme e na época eu era difícil de chorar com filmes, não como hoje em dia, então a minha cota meio que se foi.

O livro é bem descritivo e fala tudo sobre a vida do casal e da família, o que o deixa bem íntimo e aproxima o leitor da história. Tem situações engraçadas, e o mais legal é que é verídico,ou seja, não é forçado nem fantasioso. Me encantou e recomendo. É engraçado, fofo e lindo.

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Graça e Fúria - Tracy Banghart

Sinopse: Duas irmãs lutam para mudar o próprio destino no primeiro volume de uma série de fantasia repleta de romance, ação e intrigas políticas. Em Viridia, as mulheres não têm direitos. Em vez de rainhas, os governantes escolhem periodicamente três graças — jovens que viveriam ao seu dispor. Serina Tessaro treinou a vida inteira para se tornar uma graça, mas é Nomi, sua irmã mais nova, quem acaba sendo escolhida pelo herdeiro. Nomi nunca aceitou as regras que lhe eram impostas e aprendeu a ler, apesar de a leitura ser proibida para as mulheres. Seu fascínio por livros a levou a roubar um exemplar da biblioteca real — mas é Serina quem acaba sendo pega com ele nas mãos. Como punição, a garota é enviada a uma ilha que serve de prisão para mulheres rebeldes. Agora, Serina e Nomi estão presas a destinos que nunca desejaram — e farão de tudo para se reencontrar. (Skoob)
BANGHART, Tracy. Graça e Fúria #1. Editora: Seguinte, 2018. 304 p.


Em Graça e Fúria, conhecemos as irmãs Serina e Naomi, duas jovens moradoras do reino de Viridia, onde as mulheres são constantemente oprimidas e vivem as suas vidas sem direito praticamente nenhum. Serina, como irmã mais velha, foi criada para ser uma graça, uma das poucas mulheres que podem servir o rei e os seus herdeiros, em troca de riquezas e uma vida melhor para a sua família.

Em contrapartida temos Naomi, uma jovem de personalidade forte, que não se contenta com o papel que tem na sociedade e sonha com o dia em que poderá fazer as suas próprias escolhas e ser livre. Ela acompanhará a sua irmã na seleção, ou seja, será sua aia e a pessoa que auxiliará Serina se ela se tornar uma graça. 

Contudo, alguns acontecimentos fizeram com que o herdeiro do trono escolhesse Noami como sua graça, fazendo com que Serina, a jovem que sonhava com o dia em que se tornaria uma graça, virasse aia da sua irmã. Para piorar ainda mais a situação, Serina é pega com um livro na mão, que foi roubado da biblioteca pela sua irmã que, mesmo sabendo das regras, aprendeu a ler; como isso é considero um crime, Serina é mandada para uma prisão feminina onde terá que lutar pela sua vida.

Agora as irmãs terão que se adaptar às vidas que nunca quiseram para si, Serina na prisão, tendo que deixar a sua delicadeza e costumes de lado para sobreviver, e Noami, que está num ninho de cobras e terá que aprender rápido e se comportar como uma graça. 

Graça e Fúria é um livro que traz uma história de empoderamento feminino e que trabalha diversos assuntos, como o papel da mulher em meio a sociedade. A trama em si é muito clichê e bem previsível, mas, ainda assim, a autora conseguiu me cativar com alguns personagens e com a sua escrita, que extremamente rápida e fluída.

Serina foi uma personagem que me surpreendeu bastante pela força e coragem que demostrou ter nos momentos difíceis que passou. Naomi, por outro lado, foi uma personagem que não me cativou muito, ela tem uma coragem muito grande, mas o seu jeito impulsivo de ser a colocou em diversos problemas, pelas atitudes impulsivas que ela tomou no calor do momento, a começar pelo roubo do livro. Por outro lado, eu adorei a pessoa que ela se tornou quando o assunto era sua irmã, o amor que ambas demostraram ter uma com a outra, foi lindo de observar e isso foi, sem dúvidas, um dos pontos altos desse livro.

A trama de Graça e Fúria traz uma proposta muito interessante e eu acho que a autora introduziu bem o leitor a esse mundo. Nada foi trabalhado de forma muito profunda, contudo, tudo teve a sua devida introdução. O único ponto que deixou um pouco a desejar, foi plot twist que, a meu ver, estava muito óbvio e já trazia algo que vemos em muitos outros livros.

Em relação à parte física do livro, eu adorei a capa, ela traz uma foto das irmãs, o que deu um charme a edição, as folhas são amareladas e as letras confortáveis. A narrativa é feita em terceira pessoa, alternando entre Serina e Naomi, o que nos possibilita conhecer e acompanhar as irmãs nessa dura jornada. Graça e Fúria foi uma leitura rápida, que trabalha um tema muito interessante e que, apesar dos vários clichês, me deixou muito curiosa para o próximo livro, que tem como título: “Queen of Ruin” em tradução livre “Rainha da Ruína”.

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Uma dobra no tempo - Madeleine L'Engle

Um clássico da fantasia e da ficção científica emerge! Era uma noite escura e tempestuosa; a jovem Meg Murry e seu irmão mais novo, Charles Wallace, descem para fazer um lanche tardio quando recebem a visita de uma figura muito peculiar. “Noites loucas são a minha glória”, diz a estranha misteriosa. “Foi só uma lufada que me pegou de jeito e me tirou da rota. Descansarei um pouco e seguirei meu rumo. Por falar em rumos, meu doce, saiba que o tesserato existe, sim.” O que seria um tesserato? O pai de Meg bem andava experimentando com a quinta dimensão quando desapareceu misteriosamente... Agora, com a ajuda de três criaturas muito peculiares, chegou o momento de Meg, seu amigo Calvin e Charles Wallace partirem em uma jornada para resgatá-lo. Uma jornada perigosa pelo tempo e o espaço. Uma dobra no tempo é uma aventura clássica, que serviu de inspiração para os mestres da fantasia e da ficção científica do mundo, agora adaptada para os cinemas pela Disney. Junte-se à família Murray nesta jornada, entre criaturas fantásticas e novos mundos jamais imaginados. (Skoob)
L'ENGLE, Madeleine. Uma dobra no tempo. Uma dobra no tempo #1. HarperCollins Brasil. 2017. 240 p.


Em Uma dobra no tempo, Meg Murry não tem contato com seu pai há um tempo. Ele é um cientista que trabalha para o governo e não existe notícias dele, nenhuma mensagem, nenhuma informação, nada. Todos na cidade pensam que Dr. Murry abandonou a família, mas Meg, sua mãe, seus irmãos gêmeos e o excêntrico Charles Wallace, seu irmãozinho, sabem que não.

Um dia, uma estranha senhora aparece na sua casa, é a Sra. Quequeé. E, no outro dia, Meg parte com Charles Wallace e um colega da escola chamado Calvin, com a orientação das Senhoras Quequeé, Quem e Qual, numa missão para encontrar seu pai e enfrentar Aquele, uma força sombria e assustadora, que corrompe a tudo e a todos.

"-Mostre o caminho, bobão! - gritou Calvin, alegremente. - Nunca cheguei a ver onde vocês moram, mas eu tenho a estranha sensação de que é a primeira vez na vida que vou para casa!"

Eu gostei do livro e, talvez, se não houvesse assistido o filme antes, eu teria gostado mais. Será para sempre um mistério. O filme tem mais diversidade nos personagens e eu esperava encontrar isso na leitura e acabei me decepcionado, porque no livro são todos brancos e há muita gente ruiva; além disso, o filme traz uma melhor apresentação do ponto central da trama, ficando mais fácil visualizar os acontecimentos.

Uma coisa do livro, e somente dele, que eu não gostei, foi a apresentação excessiva do cristianismo e socialismo, exaltando o primeiro e discriminando o outro. Eu fiquei me perguntando enquanto lia se eu estava sendo muito crítica e vendo coisas que não existiam ou não, todavia existe uma "carta" no final que aborda justamente isso, que enrola e enrola e tenta justificar, mas que não me convenceu.

Eu sou cristã (tecnicamente, porque minhas crenças são uma confusão e esse é o jeito fácil de exemplificar) e sempre que me encontro frente a um livro que aborda religião, eu gosto de aprender sobre ela e não tê-la apenas jogado lá, como se dissesse "sim, é assim, eu estou certa e aceite", desmerecendo as demais. Com Uma dobra no tempo, eu não aprendi nada; no final, ter ou não ter os acréscimos religiosos não faria diferença.

"-(...) não é porque não entendemos alguma coisa que essa explicação não existe."

Não que o livro seja uma negação e perca em tudo quando comparado ao filme. Na caracterização dos personagens, houve um aprofundamento neles que os tornou real, mostrando suas imperfeições, enquanto que o filme foi tão colorido e brilhante que pareceu um pouco falso, toda aquela inocência. Embora eu esteja suspirando por essa inocência, porque ele foi visualmente agradável.

Meg é uma personagem inteligente e insegura, que no decorrer da trama cresce; Calvin é um companheiro anômalo que promete crescimento, porque não houve muito foco nele nesse primeiro livro, embora tenha um ótimo fundo a se trabalhar nos livros posteriores; e a estrela do livro (e do filme) é Charles Wallace, porque ele é adorável e excêntrico, é aquele irmãozinho fofo que você quer proteger do mundo, quer impedir de crescer para não ser corrompido por Aquele.

"-(...) não podemos receber todo o crédito por nossos talentos. O que conta é como nós o usamos."

Eu gosto dessa ordem de filme primeiro e livro depois, porque o livro é muito mais completo e eu sempre posso me surpreender lendo apesar de já conhecer a história. Uma dobra no tempo é um bom exemplo disso, porque é uma história igual e totalmente nova. Algumas coisas estão lá e você pode reconhecê-las, mas ainda é algo a parte, diferente. Os personagens são diferentes e alguns dos acontecimentos também.

Livro versus Filme? Em relação à Uma dobra no tempo, eu escolho o filme. Foi um pouco surpreendente para mim, porque eu tinha expectativas altas no livro e, embora seja um bom livro, acredito que a autora poderia ter retratado mais profundamente os temas referentes a esconder quem realmente é e ser quem os outros esperam que você seja.

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Top Comentarista - Janeiro


Oi pessoal, como começou 2019 para vocês? Como foram as festas? Espero que as expectativas estejam boas para esse novo ano!

E agora, ano novo... Top Comentarista novo!

Decidi fazer mais um daqueles para desapegar de alguns livros da estante, está bem? E para começar bem 2019, serão dois ganhadores esse mês. Serão dois kits: o primeiro sorteado escolhe qual dos dois quer ganhar e o segundo sorteado fica com o restante, ok?

Para se inscrever é preciso:

  • Seguir o Conjunto da Obra pelo Google Friend Connect (clicar em "Participar deste Site" na barra lateral direita).
  • Ter endereço de entrega em território Brasileiro.
  • Preencher o formulário abaixo.
  • Comentar em todos os posts publicados no mês de janeiro, inclusive a resenha de Quase Pronta.

Prêmios:

Kit 1 - Música do Coração e Cordas do Coração
Kit 2 - Perto de você, Quando um homem ama uma mulher e O jeito que me olha

Lembro que os livros são usados, então podem ter pequenos defeitinhos, mas em geral estão em bom estado.

  • Seguidas todas as regras iniciais, para participar, basta preencher a primeira entrada do formulário. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais.
  • Serão considerados válidos os comentários nas postagens do mês de janeiro se feitos até o dia 1º de fevereiro. Ou seja, será concedido um dia a mais para que os participantes consigam comentar nas últimas postagens do mês.
  • O participante deve fazer comentários válidos, que demonstrem que a postagem foi lida. Não adianta dizer que está curioso para conhecer a história, isso não é suficiente, e o participante será desclassificado.
  • Os vencedores serão definidos por sorteio, dentre os participantes que comentarem em todas as postagens do mês. Apenas depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.
  • O primeiro sorteado receberá o kit que escolher dentre os disponíveis acima. O segundo sorteado receberá o kit remanescente.
  • Os sorteados serão contatados por e-mail, tendo o prazo de 24h para fornecer seus dados. Caso não enviem resposta no prazo, será realizado novo sorteio.
  • O prazo para envio dos prêmios é de 60 dias após o recebimento dos dados dos vencedores.
  • O Conjunto da Obra não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador e o livros não será enviado novamente;
  • A Equipe do Conjunto da Obra se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.
  • Esta postagem também conta para o Top Comentarista.

a Rafflecopter giveaway

Boa sorte!

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Quase Pronta - Meg Cabot

Sinopse: Samantha foi convidada a passar o final de semana na casa de campo do seu namorado que não é ninguém menos que o filho do presidente! David tem mil atividades programadas para eles, mas Samantha desconfia que ele a tenha convidado por outro motivo. E, se for verdade, ela não tem certeza se vai estar preparada... (Skoob)
 CABOT, Meg. Quase Pronta. Galera Record, 2008. 288p.


Em A Garota Americana, Sam salvou o presidente e sua vida mudou. Agora ela está namorando o filho dele e acredita que ele quer fazer sexo. Ela acaba dizendo isso em voz alta em rede nacional de televisão e sua vida muda mais ainda.

Claro que salvar o presidente e namorar o filho dele já a deixa famosa, mas imagina então dizer para todo mundo que eles estavam transando (apesar de nem estarem ainda) numa época em que até cantoras pop tinham que fingir ser virgens e quando o sogro dela incentiva a abstinência dos adolescentes como melhor método de se evitar gravidez indesejada e DSTs.

São diversos momentos de vergonha alheia de conversas em família sobre sexo que me fizeram rir muito, principalmente os pais e a empregada repreendendo a Samantha e falando da má influência para a irmã mais nova, e esta respondendo que já sabe tudo sobre o assunto. Afinal, lembrando, ela é superdotada. A mídia também é engraçada, ao mesmo tempo que imprópria e intrometida, fazendo perguntas absurdas como "Vocês fizeram no quarto de Lincoln?" se referindo a um antigo presidente.

Nesse livro, a Sam arrumou um emprego na locadora Potomac. Eu li esse livro em 2008 e ainda frequentava locadoras, mas se vocês forem ler agora, vão ter muita nostalgia. A personagem fazia listas desde o primeiro livro e as desse são muito boas, porque várias são de filmes, e eu sempre volto nelas para ver quais eu já vi e quais quero ver. Na locadora, trabalha uma menina superdescolada que tem cabelo colorido e não mora com os pais, tudo que a Sam sonha em ser. Elas se tornam amigas. É interessante, principalmente porque ela é muito mais experiente que a Sam sobre sexo.

Outra que tenta aconselhar e ensinar algumas coisas é sua irmã mais velha, Lucy, que tem também sua própria história nesse livro. Ela precisa fazer aulas particulares e se apaixona pelo professor. Essa parte é fofa. 

Sam continua fazendo aulas de arte e agora tem que fazer pintura de modelos nus, algo que ela tem pavor, ainda mais porque agora está pensando em ter sua primeira vez.

Esse livro é bem criticado. Principalmente porque, quando você chega no final, você vê que não tinha necessidade de tudo aquilo, que foi dramático. Eu concordo, mas até gosto, e não acho que isso seja o bastante para dizer que essa continuação não deveria existir, porque outras histórias, como a da Lucy, foram legais. Na época que eu li, minhas amigas não gostaram do final por um outro motivo: que faltou fechar alguns pontos. Eu concordei, porém gostei mesmo assim, e eu geralmente não gosto quando o final não é muito fechado.

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Tempestade de Guerra - Victoria Aveyard

Crédito da Imagem: blog Amiga da Leitora
Sinopse: Mare Barrow aprendeu rápido que, para vencer, é preciso pagar um preço muito alto. Depois da traição de Cal, ela se esforça para proteger seu coração e continuar a lutar junto aos rebeldes pela liberdade de todos os vermelhos e sanguenovos de Norta. A jovem fará de tudo para derrubar o governo de uma vez por todas — começando pela coroa de Maven.
Mas nenhuma guerra pode ser vencida sem ajuda, e logo Mare se vê obrigada a se unir ao garoto que partiu seu coração para derrotar aquele que quase a destruiu. Cal tem aliados prateados poderosos que, somados à Guarda Escarlate, se tornam uma força imbatível. Por outro lado, Maven é guiado por uma obsessão profunda e fará qualquer coisa para ter Mare de volta, nem que tenha que passar por cima de tudo — e todos — no caminho. (Skoob)
AVEYARD, Victoria. Tempestade de Guerra. A Rainha Vermelha #4. Editora Seguinte, 2018. 699 p.


Sempre me sindo dividida quando chego ao fim de uma série que adoro - entre a vontade enlouquecedora de saber o que a autora preparou para o tão aguardado final e o medo, tanto pela possibilidade de sofrer muito ou de achar muito ruim. Não poderia ser diferente com Tempestade de Guerra, último volume da série A Rainha Vermelha, ainda mais quando a autora conseguiu preencher os volumes anteriores com reviravoltas e traições, além de muita agitação. Num contexto geral, gostei do final, mas não muito, e quero explicar para vocês por quê.

Tempestade de Guerra consegue manter o bom ritmo que me agradou nos livros anteriores, intercalando cenas de lutas, ação e um pouco de humor com toques de drama, grandes reflexões e discussões políticas, o que deu um equilíbrio entre o sério e o divertido. Além disso, o livro teve espaço para tratar de assuntos que ainda estavam incompleto, até porque foram mais de 700 páginas nesse volume.

Desde o início, sabemos que qualquer coisa pode acontecer e a autora não decepciona nas muitas cenas de luta - afinal, os personagens estão em uma guerra declarada. As alianças, que são bastante frágeis, podem mudar a qualquer tempo, mesmo porque cada grupo defende seu próprio interesse e são as circunstâncias que determinam a união ou a desunião no meio desse jogo.

Gostei da forma como as questões políticas foram abordadas na trama, ainda mais quanto permitiram à autora explorar mais os reinos vizinhos de Norta. Montefort, Piedmont e Lakeland, que já tinham sido citados nos volumes anteriores, ganham papel de destaque na luta e são melhor compreendidos, alguns até "visitados". Além disso, embora se trate de uma série de fantasia, a trama aborda com propriedade questões sociais bastante atuais, em especial aquilo que decorre do preconceito. Na história, é a cor do sangue que gera segregação - mas nada impede a comparação com as discriminações com as quais convivemos todos os dias.

Tempestade de Guerra também traz capítulos narrados por outros personagens, intercalados pela perspectiva de Mare, o que enriquece a trama, por trazer ópticas bastante variadas. É interessante ver as coisas por outros pontos de vista, inclusive os dos inimigos.

Não vou negar para vocês que comecei o livro com um receio gigante, pois é o último livro da série e os personagens estavam em guerra e seria fácil para a autora deixar mais alguém morrer. Eu estava me preparando tanto para a dor que não consegui me preparar para o que realmente encontrei - e foi pouco, muito menos do que eu esperava. 

Achei que a autora optou por encerrar com o caminho fácil, sem enfrentar as questões mais problemáticas que trouxe aos seus protagonistas. Quando terminei a leitura, fiquei procurando a continuação, porque achei que muitas coisas ficaram em aberto. Considerando o número de páginas, acho que o livro poderia ter algumas a mais para encerrar completamente a trama principal, até porque não vi a profecia de Jon se concretizar e achei a cena final bastante vazia.

Em resumo, Tempestade de Guerra foi um bom livro e uma ótima continuação para uma série incrível, mas que deixou um pouco quanto ao encerramento da história.

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Se não eu, quem vai fazer você feliz? - Graziela Gonçalves

Sinopse: Um dos maiores ícones do rock nacional, Alexandre Magno Abrão, o Chorão, conquistou o Brasil sobretudo pela sua entrega na hora de compor e cantar. Essa mesma intensidade marcou a história de amor ímpar vivida com Graziela Gonçalves, que conta neste livro como o relacionamento de quase vinte anos dos dois a transformou para sempre.
Ela conheceu o cantor antes de sua banda estourar e se tornar uma das mais populares do país. Com suas ideias e seu apoio, Grazi teve participação importante na construção do sucesso do Charlie Brown Jr. Foi a grande musa de Chorão, que escreveu inúmeras letras inspirado nela. Como companheira de Alexandre, passou com ele os melhores e os piores momentos, e o ajudou a enfrentar a dependência química, que o levou, tragicamente, à morte em 2013.
"Se não eu, quem vai fazer você feliz?" não vai tocar apenas os fãs de Chorão. Mesmo sem conhecer sua música, é impossível não se emocionar com a força desse amor que sobreviveu à fama, às crises e até à morte — e que é homenageado neste livro. (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora.
GONÇALVES, Graziela. Se não eu, quem vai fazer você feliz?, Editora Paralela, 2018. 264 p.


Charlie Brown Jr. foi uma banda muito presente na minha vida, principalmente na adolescência. Numa época onde internet era para poucos, o rádio e a TV eram as opções mais viáveis para conhecer novas bandas e Charlie Brown Jr. sempre estava nas paradas de sucesso das rádios e TV, além de tocar diariamente na abertura da novela Malhação. Todo mundo conhecia, todo mundo cantava.

Nesse livro, temos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre essa banda incrível, mas que infelizmente teve um final trágico. Grazi Gonçalves, viúva do vocalista e compositor Chorão, nos conta como foi o começo de tudo. Sua participação foi intensa e fundamental para o sucesso da banda; Ela sempre acreditou no potencial de todos os integrantes e não mediu esforços para ajudá-los a conquistar seu espaço no cenário musical. Além disso, ela foi a grande musa inspiradora do Chorão, que compôs várias músicas que se tornaram grandes sucessos e são muito bem lembradas até hoje. Grazi também conta muita coisa sobre seu relacionamento com o Chorão, com todas suas fases boas e ruins, foram quase vinte anos juntos e durante a leitura é possível sentir que o amor dos dois era uma coisa muito real, que mesmo com os altos e baixos, permanecia vivo. 

Achei muito legal a forma como ela expôs os fatos, iniciando quando ainda era uma criança e seguindo, até a morte do Chorão, em 2013. Ela explica como se conheceram, como foi o primeiro encontro e todas essas coisas boas de casal. Em certos momentos me peguei pensando que o livro podia muito bem se tratar de uma ficção, onde almas gêmeas se encontram, mas aí voltava para o mundo real e ficava ainda mais feliz, por saber que os dois viveram tudo aquilo. Grazi nos presenteia com histórias cheias de significado, onde cita algumas músicas, contando um pouquinho dos motivos de terem sido escritas. Durante a leitura fui ouvindo as músicas junto, foi uma experiência muito boa.

A edição possui algumas fotos, que complementaram bem a obra, mas tem uma coisa que sempre me incomoda quando o livro tem imagens: a foto fica numa página aleatória e geralmente divide as frases que antecedem as fotos, então quebra o ritmo da leitura, por ter que passar para a página seguinte e terminar o parágrafo e ter que voltar depois para olhar melhor para a foto. Para muitos isso pode não ser problema, mas eu realmente não gosto. De resto, está tudo muito bonito, a editora, junto com a autora, criaram uma bela homenagem para esse ícone que foi o Chorão.



Foi importante contar sua versão dos fatos, pois como ela mesmo escreveu, muita gente a criticou quando o Chorão morreu, a acusou de várias coisas sem fundamento, quando na verdade ela estava sofrendo por perder seu grande amor. É impressionante ver a falta de empatia das pessoas, num momento tão delicado, julgando alguém que suportou tudo ao lado de uma pessoa e ainda assim, o perdeu para o vício, e quando mais precisou de apoio, acabou sendo acusada por algo que não fez.

"As pessoas podem sim ter uma depressão ou uma síndrome do pânico, ninguém é super-homem. A gente vive num mundo de muitas exigências, não há ser humano que consiga lidar com tanta coisa e sair ileso.A vida é complicada, a nossa caminhada tem coisas incríveis, mas também tem dificuldades, desafios e perdas.Temos de aprender o que realmente nos faz felizes e parar de engolir padrões que acabam nos colocando dentro de caixas e nos sufocando."

Me emocionei muito com a história, principalmente no final, onde o vício do Chorão estava tornando a relação insustentável. Aparentemente o consumo de drogas havia aumentando consideravelmente nesse período, já que isso quase não foi citado durante todo o livro. Creio que a Grazi fez tudo o que pôde e mais um pouco por ele, mas ele estava doente e não achava que precisava de ajuda ou não conseguia pedir. É triste pensar que o Chorão conseguiu tirar várias pessoas da depressão com sua música, mas infelizmente não conseguiu fazer isso por si mesmo. Esse é um livro que recomendo para os fãs da banda, é um presente, que deve ser guardado com muito carinho.


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Promoção de Natal


Meus queridos, espero que este Natal esteja sendo incrível para todos, cheio de amor e de luz.

Para comemorar essa data, o Conjunto da Obra se uniu a alguns blogs amigos para presentar um leitor sortudo com oito livros muito legais. Feliz Natal para todos vocês, muita paz e amor, e espero que continuem acompanhando o blog no próximo ano também!

Regras
- A promoção terá duração de um mês, do dia 25/12/2018 ao dia 25/01/2019;
- As opções obrigatórias valem 1 ponto cada, enquanto as opcionais valem 5 pontos cada;
- A entrada "tweet about de giveaway" só será válida se a pessoa estiver seguindo todos os os Twitters;
- Na opção "Visitar a Página" não basta apenas passar por ela, é preciso curtir;
- Após o término da promoção, os blogs participantes têm até 15 dias úteis para divulgar o resultado;
- O ganhador tem 48h para responder o e-mail com os dados de envio, caso contrário o sorteio será refeito;
- Após feito o contato, os prêmios serão enviados dentro de até 60 dias úteis;
- É obrigatório residir em território nacional ou ter endereço de entrega no Brasil;
- Os blogs participantes não se responsabilizam pelos livros enviados pelos blogs e editoras parceiras;
- Para o livro ser enviado, é necessário que o ganhador passe o número do CPF para a Ana, já que agora os Correios solicitam uma declaração de conteúdo (saiba mais aqui) Só participe do sorteio se estiver de acordo;
- Roendo Livros e os parceiros não se responsabilizam por extravio ou atraso na entrega dos Correios, bem como danos causados nos livros. Assim como não se responsabilizam por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador, e/ou ausência de recebedor. Os livros não serão enviados novamente;
- Roendo Livros se reserva o direito de dirimir questões não previstas neste regulamento;
- Este concurso é de caráter recreativo/cultural, conforme item II do artigo 3º da Lei 5.768 de 20/12/71 e dispensa autorização do Ministério da Fazenda e da Justiça, não está vinculada à compra e/ou aquisição de produtos e serviços e a participação é gratuita.



a Rafflecopter giveaway

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Os Números do Amor - Helen Hoang

Um romance que prova que o amor muitas vezes supera a lógica. Já passou da hora de Stella se casar e constituir família — pelo menos é isso que sua mãe acha. Mas se relacionar com o sexo oposto não é nada fácil para ela: talentosa e bem-sucedida, a econometrista é portadora de Asperger, um transtorno do espectro autista caracterizado por dificuldades nas relações sociais. Se para ela a análise de dados é uma tarefa simples, lidar com os embaraços que uma interação cara a cara podem trazer parece uma missão impossível. Diante desse impasse, Stella bola um plano bem inusitado: contratar um acompanhante para ensiná-la a ser uma boa namorada. Enfrentando uma pilha cada vez maior de contas, Michael Phan usa seu charme e sua aparência para conseguir um dinheiro extra. O acompanhante de luxo tem uma regra que segue à risca: nada de clientes reincidentes. Mas ele se rende à tentação de quebrá-la quando Stella entra em sua vida com uma proposta nada convencional. Quanto mais tempo passam juntos, mais Michael se encanta com a mente brilhante de Stella. E ela, pela primeira vez, vai se sentir impelida a sair de sua zona de conforto para descobrir a equação do amor. (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora.
HOANG, Helen. Os Números do Amor. Paralela, 2018. 280 p.


O que me chamou atenção sobre Os Números do Amor é que se trata de um livro de romance, em que a protagonista é uma mulher com Asperger, que seria o espectro do autista, uma forma mais leve dele. É difícil encontrar livros que apresentem uma diversidade nos personagens, não se tratando apenas de gêneros/sexualidade, que felizmente está tendo um grande mercado atualmente. Eu sabia que não seria 100% fiel, não seria tão bom quanto ler algo cientifico para entender sobre o tema, porque a autora provavelmente, com quase toda certeza, pesquisou bastante para saber do que falava... adivinhe minha surpresa ao ler na orelha do livro antes que a própria autora tem Asperger? Quem melhor que a própria para descrever uma personagem com essa característica?

Stella tem Asperger. Ela tem trinta anos, trabalha como econometrista, uma área da economia que analisa dados e desenvolve programas de compras, e tem dificuldades para se relacionar. É justamente por esse último e por sua mãe cobrando netos e um genro, que Stella decide contratar alguém para ensiná-la. E quem melhor do que um acompanhante de luxo para isso?

"Ela tinha uma síndrome, mas a síndrome não era aquilo que a definia. Ela era Stella. Um indivíduo único."

Tenho que confessar que quando li acompanhante de luxo, não havia caído a ficha de que era realmente um acompanhante de luxo, aqueles que você paga em troca de sexo. Ao perceber isso, a primeira coisa que veio na mente foi aquele casal numa novela das nove da globo, em que o cara era médico e a garota tinha autismo, e por um momento, tenho vergonha de admitir, veio aqueles conceitos preconcebidos (preconceito) que temos, embora tentamos tanto não, quase de forma reflexa, porque somos condicionados a pensar assim: será que não vai haver um aproveitamento? Até que li a história e tudo caiu, sobrando apenas conhecimento.

Stella é uma garota crescida com Asperg. Ela sabe se cuidar sozinha, sabe se defender, tem até uma arma de choque rosa na bolsa. Ela só não gosta de luzes, gostos e cheiros fortes, de surpresas, que sua rotina seja quebrada, não sabe conversar sem parecer mal educada às vezes, porque é muito sincera e não percebe o clima... eu me reconheço em alguns desses aspectos, sinceramente. Me sinto até hipocondríaca, ainda mais ao ler que a autora Helen Hoang só foi diagnosticada aos 34 anos.

E Michael, o acompanhante de luxo, é um fofo. E fez um ótimo trabalho em desconstruir o que imaginei. Em relação ao fundo do romance, algo além dos protagonistas, a família dele que construiu o ponto central, devido aos problemas que enfrentam. É a primeira vez que fui apresentada a cultura vietnamita e foi maravilhoso, único; quero mais! 

"O amor era uma prisão. Uma coisa que enjaulava e cortava suas asas. Empurrava a pessoa para baixo, forçava-a ir a lugares onde não queria estar - como aquele clube, que claramente não era seu lugar."

O livro parece ser muito fofinho e é, fui conquistada por essa capa, mas não se engane, há S-E-X-O. Me deu até um momento de choque, quase traição, ao ver conteúdo adulto na parte de trás do livro. Se tiver algum desconforto por isso, talvez não seja o melhor para você, porque há muitos momentos calientes. Foi um pouquinho a mais do que eu preferiria, sinceramente. Em algumas cenas, você ver o quanto esse momento era importante para o desenvolvimento da história e dos personagens, e em nenhuma situação pareceu algo forçado, embora ela devesse ter diminuído um pouco.

Enfim, as aparências enganam e diversos padrões são quebrados, como aqueles que dizem que as mulheres devem ser mais jovens do que os homens e receber menos. Os Números do Amor não se contenta com isso. Helen Hoang queria justamente fazer uma versão de Uma Linda Mulher com os gêneros dos personagens trocados. Gostaria de destacar que vai haver uma continuação para 2019, embora eu não saiba quem serão os protagonistas.


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