Serafina e a Capa Preta - Robert Beatty

Sinopse: Serafina nunca teve motivos para desobedecer ao seu pai e se aventurar além da Mansão Biltmore. Há espaço de sobra para ser explorado naquela casa imensa, embora ela precise tomar cuidado para jamais ser vista. Nenhum dos ricaços lá de cima sabe da existência de Serafina; ela e o pai, o responsável pela manutenção das máquinas, moram secretamente no porão desde que a garota se entende por gente. Mas quando as crianças da propriedade começam a desaparecer, somente Serafina sabe quem é o culpado: um homem aterrorizante, vestido com uma capa preta, que espreita pelos corredores de Biltmore à noite. Após ela própria ter conseguido – depois de uma incrível disputa de habilidades – escapar do vilão, Serafina arriscará tudo ao unir forças com Braeden Vanderbilt, o jovem sobrinho dos donos de Biltmore. Braeden e Serafina deverão descobrir a verdadeira identidade do Homem da Capa Preta antes que todas as crianças... A busca de Serafina a levará ao interior da mesma floresta que tanto aprendeu a temer. Lá, descobrirá um esquecido legado de magia, que tem relação com a sua própria origem. Para salvar as crianças, Serafina deverá procurar as respostas que solucionarão o quebra-cabeça do seu passado. (Skoob)

Livro recebido em parceria com a Editora.
BEATTY, Robert. Serafina e a Capa Preta. Serafina #1. Editora Valentina, 2018. 240 p.


Sabe aquele tipo de livro que você começa sem esperar muita coisa, mas acaba com um sorriso no rosto porque ele conseguiu te cativar? Serafina e a Capa Preta é esse tipo de livro. Embora o enredo não seja realmente impressionante, tive a sensação de que estava assistindo a um daqueles episódios gostosos de Scooby Doo, em que o grande vilão é descoberto no final e tudo fica bem. Essa sensação de infância e de esperança me envolveu completamente e se tem um livro fofinho que quero indicar, com certeza é esse.

Serafina é uma menina da noite, pois este é o momento em que pode andar com mais liberdade pela mansão em que mora, sem ser vista. Ela e seu pai moram no porão da casa, mas os proprietários não sabem disso. A menina observa tudo e vê todas as crianças se divertirem, dançarem e se vestirem como ela nunca se vestiu, mas o que ela mais queria disso tudo era poder ter um amigo que se importasse com ela. Quando as crianças começam a desaparecer, Serafina é a única testemunha do que está acontecendo, ela sabe que precisa ajudar.

"Estavam no meio da madrugada agora, e ela sabia que deveria dormir, mas não se sentia cansada. O dia não a havia deixado exausta, mas sim agitada. De repente, o mundo inteiro estava diferente do que fora no dia anterior. Ela nunca se sentira tão viva na vida."


A história de Serafina vai muito além do que a sinopse pode sugerir. Em primeiro lugar, porque a menina não é uma garota "comum" e, embora o leitor saiba isso desde o começo, não entende o porquê. O autor insere elementos fantásticos em aspectos bastante incomuns, já que ninguém tem super poderes ou algo assim, e, por mais contraditório que isso possa parecer, é essa característica que dá um toque mais realista ao enredo.

Isso acontece porque não é a magia que realmente interessa ou que faz a diferença no livro. O que conquista na trama é sentir empatia pelos personagens, por suas dificuldades e inseguranças. E é lindo ver a forma como se relacionam - a amizade, a lealdade, o amor e a coragem - até mesmo de Gideão, o cachorro que ajudou muito Serafina e Braeden.

Também, ao mesmo tempo em que o livro tem um clima leve, por ser mais infantil, também tem um toque bem sombrio, cheio de mistérios e poderes malignos espreitando por entre as sombras. O enredo traz diversas mensagens importantes que podem ser utilizadas como ensinamentos para as crianças, desde a necessidade de tratar bem a todas as pessoas até a não confiar inteiramente em quem pouco se conhece simplesmente porque parecem ser pessoas boas. A maldade pode estar em qualquer lugar, afinal de contas.

Fico pensando que se eu, como adulta, gostei tanto do livro por ser recheado de mistérios, aventuras e mensagens positivas, imagino como não seria a leitura para uma criança. Tenho a impressão de que Serafina e a Capa Preta é aquele tipo de livro para todas as idades, e ainda tem uma arte maravilhosa, cheia de referências, que tornam a obra ainda mais completa.


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Conjunto de Séries #28: Séries que pretendo assistir em 2019

Eu adoro séries e estou sempre de olho nos lançamentos, mas não assisto todas que lançam, eu sou bem criteriosa a só assistir o que eu tenha quase certeza que vou gostar. Essas são as oito estreias de séries do ano que vem que eu pretendo ver.:

The Boys


The Boys é uma série de oito episódios que adapta a HQ de Garth Ennis (Preacher) e Darick Robertson, em que super-heróis se tornam corruptos e depravados. The Boys é um grupo de heróis que trabalha para a CIA que serve como uma espécie de fiscalização desses outros heróis, os colocando na linha. Não sou muito fã de super heróis tirando quando são adolescentes ou tem alguma coisa diferente. Eu pretendo ver essa porque é mais uma subversão de heróis. E porque tem a atriz Erin Moriarty.

Euphoria


Baseada numa série israelense homônima, o show acompanha a jornada de Rue (Zendaya), jovem de dezessete que percorre um mundo adolescente de sexo, drogas, traumas, redes sociais, amores, amizades e busca pela identidade. A maioria das séries aqui vão ser adolescentes, então claro esse já era um motivo. Mas além disso, é uma série adolescente pesada como eu também adoro, vai ser inclusive a primeira da HBO (só o que eu pude achar de antes foi novela adolescente). Degrassi é minha série preferida e também trata de muitos temas pesados (mesmo sempre sido passada em canais que não permitem muito), imagina então o Drake, que atuou nela, colocando algo parecido (ele é produtor), mas na HBO onde não tem nenhuma censura. Os eprsonagens adolescentes de séries da HBO já tem histórias bem mais pesadas que podem ser algum exemplo do que essa série pode ser. No caso, eu assisto Six Feet Under e no primeiro episódio, a Claire já usa drogas pesadas, e só na primeira temporada já tem overdose e suicídio como temas. Eu conheço e gosto de todas essas pessoas do elenco também: Sydney Sweeney, Austin Abrams, Astro, Maude Apatow, Lukas Gage, Alexa Demie. Eu nunca assisti a Zendaya acho, mas gosto dela e assistir ela interpretando uma viciada? Tô dentro! O Eric Dane de Grey's Anatomy, Algee Smith (O Ódio que Você Semeia), a Storm Reed (Uma Dobra no Tempo) e o Jacob Elordi (Barraca do Beijo) também estão no elenco. Também não seria nada mal que com o sucesso da série, resolvessem traduzir a original israelense, porque é difícil de imaginar uma série tão polêmica num país superreligioso que inclusive minha mãe visitou e disse que não podia mostrar o ombro.

 In The Dark

A série segue uma deficiente visual que é a única “testemunha” do assassinato de sua amiga traficante. Depois que a polícia descarta sua história, ela sai com seu cachorro, Pretzel, para encontrar o assassino, enquanto também gerencia sua vida amorosa e o trabalho que ela odeia na escola de cães-guia de propriedade de seus pais superprotetores. Ok, o que eu posso dizer mais do que essa sinopse? Essa aqui eu quero ver só pela premissa mesmo, não conheço o elenco. Uma cega amiga de uma traficante que vai virar meio que é uma heroína e ainda ter uma vida amorosa e se libertar dos pais enquanto isso. A série é da produtora do Ben Stiller, que esse ano fez a série Escape at Dannemora que eu tô bem ansiosa pra ver.

Deadly Class

Essa série eu vi que estava sendo feito desde que eu fui ver quem ia ser a Lara Jean em Para Todos os Garotos que Já Amei e fiquei esperando por ambos ao mesmo tempo. É baseada em uma história em quadrinhos sobre uma escola de assassinos nos anos 80. Além da Lana Condor, eu conheço do elenco a Maria Gabriela de Faria (Isa TKM, Isa TK+) e o Liam James (O Verão da Minha Vida). Pelos teasers e trailers parece muito legal.










Good Trouble

Spin-off da série The Fosters, que acabou esse ano. Eu gostava muito de The Fosters então tenho que ver essa série. Pelo que eu percebi no final da série, que foram feitos vários saltos de tempo, um dos motivos pro encerramento dela e o desenvolvimento dessa é que os atores estivessem talvez ficando velhos demais para interpretar adolescentes. Então, nessa aqui, a Callie e a Mariana já estão formadas da faculdade e começando suas vidas profissionais, morando juntos em Los Angeles. The Fosters era uma série sobre um casal lésbico e sua família adotiva. Os outros membros da família (entre eles o irmão Jesus interpretado pelo Noah Centineo) aparecerão em alguns episódios, assim como um personagem que apareceu pela primeira vez nos episódios especiais de encerramento da série. Em um dos teasers ou trailers, mostraram o Jude, irmão mais novo delas. Eu acho que tem tudo pra eu gostar tanto quanto a anterior, talvez mais porque quem sabe finalmente a Mariana para um pouco de fazer burrice e se meter na vida dos outros agora que é adulta. A Callie provavelmente vai continuar, mas eu adoro um pouco a loucura dela porque pelo menos é sempre pelo bem, ela tem essa necessidade de tentar salvar todo mundo.

Looking for Alaska

Série inspirada no livro do John Green, no qual um adolescente vai estudar num colégio interno à procura do "grande talvez" e conhece essa Alaska. Esse é um dos livros do John Green que eu nunca quis ler, mas eu geralmente ainda assisto coisas que não tenho o interesse de ler porque pra assistir eu sou um pouco menos crítica talvez, em parte porque você não tem que comprar um livro e investir bastante tempo. Eu também gostei que eu conheço a Kristine Froseth, então ela é parte do motivo, apesar de eu ter lido que não foi uma boa escolha pelo livro porque a Alaska não era supermagra, o que é mais chato porque é tirar a diversidade que tinha, ao invés de só trocar uma cor de cabelo, por exemplo. Eu gosto das adaptações do John também, mesmo todo mundo dizendo que o livro de Cidades de Papel é muito melhor eu gostei do filme e só tive alguma vontade de ler quando eu vi a primeira pessoa que gostou mais do filme, porque por exemplo o personagem do Austin Abrams aparentemente é maior lá, e até o Radar, a namorada dele, e aquela amiga da Margo. Acho que eles não vão junto com o Quentin na viagem no livro, ou as meninas, algo assim. E eu de longe prefiro muito mais todas as amizades e esse relacionamento do Radar com a namorada do que a Margo, então... Mas enfim, eu não me lembro se foi isso que me fez pensar em ler ou se foi o que me fez desistir de vez porque o que eu gostava no filme não ia estar no livro. Voltando a essa adaptação, a série vai ser produzida pelo Josh Schwartz e a Stephanie Savage (roteiro também do Josh), que estão por trás de uma das minhas séries preferidas, The O.C., uma que já foi uma das minhas preferidas, Gossip Girl, e outras séries que eu gosto como Chuck, The Carrie Diaries e Runaways. De longe acho que esse foi o maior motivo do meu interesse, já que despertou bem antes de sair o elenco.

Sex Education

A trama acompanha Otis (Asa Butterfield), um virgem com ansiedade social que é filho de uma terapeuta sexual (Gillian Anderson). Por ter crescido cercado por manuais, vídeos e conversas abertas sobre sexualidade, ele torna-se um expert no assunto - mesmo que contra sua vontade. Assim que as pessoas de sua escola descobrem sobre sua mãe, ele decida usar seu conhecimento para melhorar sua reputação. Otis se junta com Maeve, uma inteligente e desobediente garota, para criar uma clínica clandestina de terapia sexual para lidar com os estranhos problemas dos demais alunos.
Eu amo o Asa desde O Menino do Pijama Listrado e sempre assisto as coisas dele que me interessam e essa série parece superdivertida e também o tipo de programa que te ensina de forma descompromissada. Eu vi uma entrevista dele sobre a série e só melhorou minha opinião sobre. Além disso, essa parte de "terapia clandestina na escola" me lembra um filme que eu amo chamado Charlie Bartlett, por mais que aqui provavelmente não vai chegar a fazer críticas a terapeutas e vai ser bem mais leve.

The Umbrella Academy

A trama segue os membros de uma família disfuncional de super-heróis, conhecida como The Umbrella Academy, trabalhando juntos para solucionar a morte misteriosa do pai e aprendendo como cooperar em equipe. Baseada em uma HQ. Eu fui convencida a assistir essa basicamente por ter a Ellen Page e pelo pouco que eu vi ela falando sobre ela em uma entrevista. Assim como em The Boys, os heróis aqui têm um diferencial, isso de eles serem disfuncionais. Eu acho que eles são do tipo que tem poderes bem inusitados também, pelo que ela falou. Talvez alguns meio inúteis, tipo em Misfits.








 

E vocês? Tem uma listinha para 2019? 

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Vejo Você no Espaço - Jack Cheng

Sinopse: Alex tem onze anos e adora o espaço sideral, foguetes, sua família e seu cachorro, Carl Sagan - uma homenagem a seu maior herói, o astrônomo autor de Cosmos e Pálido ponto azul. A missão de vida de Alex é enviar seu iPod dourado para o espaço, do mesmo jeito que Sagan (o cientista, não o cachorro) enviou os Discos de Ouro nas sondas Voyager, em 1977, com sons e imagens da Terra, a fim de mostrar aos extraterrestres como é a vida no nosso planeta. Por isso, Alex constrói um foguete. E por isso ele viaja do Colorado ao Novo México, de Las Vegas a Los Angeles, gravando tudo o que acontece pelo caminho. Ele encontra pessoas incríveis, gentis e interessantes, desencava segredos e descobre que, mesmo para um menino com uma mãe complicada e um irmão ausente, família pode significar algo bem maior do que se imagina. Um livro tocante e delicioso sobre aprendermos a discernir realidade e aparências, Vejo Você No Espaço é uma lição de que família também se constrói e de que, com honestidade, força e amor, nos tornamos tão grandes quanto o próprio universo.

Livro recebido em parceria com a Editora.
CHENG, Jack. Vejo Você no Espaço. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 2017. 288 p.


Eu simplesmente amo livros narrados por crianças. Tem uma coisa muito tocante na forma como as palavras são dispostas: uma ingenuidade nem um pouco forçada, a leveza da narrativa, mesmo quando há situações muito tristes no enredo. O mundo na cabeça das crianças é relativamente simples e isso realmente me faz pensar se não somos nós, os adultos, que complicamos tanto as coisas. Foram por esses motivos que aproveitei tanto a leitura de Vejo Você no Espaço

Alex é um menininho de 11 anos muito inteligente que vive com sua mãe e seu cachorro Carl Sagan no Colorado. Apesar da pouca idade, ele construiu um foguete sozinho e pretende enviá-lo ao espaço junto com seu iPod Dourado cheio de gravações da Terra, da mesma forma que Sagan - o cientista, não o cachorro - fez em 1977 com seus dois discos de ouro. O que Alex não sabia é que sua jornada seria bem mais comprida e suas descobertas bem maiores. 

Vejo Você no Espaço tem um tom muito nostálgico e eu não sei bem explicar o porquê. Na realidade, acho que foram os vários sentimentos que tive durante a leitura que me deram essa impressão. Por exemplo, em algumas partes eu fiquei muito triste pelo falo de Alex ter sido obrigado a amadurecer tão cedo. Ele praticamente cuida de si e da casa sozinho, pois a mãe dele tem algum transtorno psicológico que, de início, não é identificado. O irmão mais velho, por sua vez, mora há horas de distância. Eu fiquei mais triste ainda porque mesmo sendo muito maduro para os seus 11 anos, Alex não passa de uma criança cheia de sonhos.

Claro que também fiquei muito feliz durante a leitura. Ele conhece várias pessoas da internet que são realmente legais, o que, para mim, tira essa imagem péssima de que todas elas são assassinas perigosas. Alex faz vários amigos durante sua viagem, e aí está o ponto alto do livro: como os amigos conseguem nos ajudar até mesmo nos momentos mais difíceis. Como a narrativa se dá por meio das gravações que o protagonista faz no iPod, a gente consegue ter bem a noção de tudo o que está acontecendo ao redor dele - algo bastante inovador. Então, é como se os amigos de Alex fossem nossos amigos também, e eu amei isso!

O livro é recheado de referências científicas, acredito que as pessoas que conhecem um pouco mais do Carl Sagan e sua jornada achariam esse livro sensacional, assim como eu. Apesar de ser uma história comum, é diferente de tudo o que eu li, principalmente pela narrativa - inclusive, acho que a experiência em audiobook seria maravilhosa, justamente por causa das gravações. Uma história marcante sobre a importância do amor e de estar sempre perto das pessoas que amamos.


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Um Lugar para Mim - Melissa de la Cruz

Sinopse: Jasmine de los Santos sempre fez o que era esperado dela. Bonita e popular, ela estudou muito, deixou seus pais imigrantes filipinos orgulhosos e está pronta para colher os frutos do seu esforço na forma de uma bolsa integral para a faculdade.
E então tudo se desfaz. Um convite acadêmico força seus pais a revelarem a verdade: seus vistos expiraram há anos. Toda a sua família está no país ilegalmente. Isso significa que não terá bolsa nenhuma, talvez nem faculdade nenhuma e a ameaça muito real da deportação.
Pela primeira vez, Jasmine se rebela, experimentando todos os prazeres adolescentes para os quais ela nunca teve tempo no passado. Logo quando está tentando entender esse novo mundo, ele é virado de ponta-cabeça por Royce Blakely, o filho chamoso de um congressista de alto escalão. Jasmine já não tem mais ideia de onde, nem sequer se se encaixa no sonho americano. Tudo o que sabe é que não vai desistir. Porque quando as regras pelas quais você vivia não se aplicam mais, a única coisa a fazer é inventar suas próprias regras. (Skoob)
CRUZ, Melissa de la. Um Lugar para Mim. HarperCollins, 2017. 384p.


Eu estava em uma feira de livros, da qual eu levei vários porque estavam muito baratos (o mais caro que paguei em um foi 15 reais), quando essa capa me chamou a atenção, então eu li a sinopse e fiquei louca por ele. A maioria dos livros que eu comprei eu conheci ali na hora, porque os que eu conhecia não me interessavam muito. E por falar em se apaixonar pela sinopse, eu tenho que dizer mais uma vez que a sinopse no livro é bem melhor que essa do Skoob que tenta exagerar algumas coisas, tipo falando que ela se rebela. A Jasmine foi em uma única festa e tirou algumas notas que não eram 10 mas que ainda eram ótimas.

Bom, essa foi uma das melhoras compras de promoção com pouco conhecimento que eu já fiz. Eu adoro o quão bem o livro mostra a realidade de ser imigrante, acrescentando, claro, algumas coisas meio extraordinárias para ser uma ficção. A Jasmine sempre foi uma aluna perfeita, com várias atividades extracurriculares, principalmente ser capitã das líderes de torcida de um time que vai melhor que o próprio time do esporte da escola (não lembro se é futebol americano ou basquete) e, quando conseguiu uma bolsa, que é tudo para o quê ela sempre trabalhou, descobriu a bomba de que está ilegalmente no país e não pode se candidatar a nenhuma bolsa.  Mesmo assim, ela vai pra Washington conhecer o presidente Obama e depois que volta vai passar por várias fases e a família vai tentar resolver sua situação num processo bem complicado. Durante tudo isso, a Jasmine vai duvidar pela primeira vez de sua identidade americana que sempre foi mais forte que a filipina. Ela vai passar a não se sentir pertencente a lugar nenhum.

A diversidade desse livro é incrível. Não só a Jasmine e a empregada do interesse amoroso dela são filipinas, quanto a melhor amiga dela é latina, a mãe do interesse amoroso dela também (tudo bem que eles tinham que parar com a ideia errada que latinos são de um jeito, quando nós temos todas as raças e somos só tipo uma origem, mas lá isso é importante) e eu acho que uma personagem que trabalha com a bolsa de estudos nacional é negra. E também tem asiáticas. Apesar de os Estados Unidos serem esse caldeirão cultural, com certeza muitos de vocês já pegaram livros que todos eram brancos e ainda quase todos eram ou loiros ou morenos (nem mesmo os dois de uma vez, mas milhares de um só). Eu sei que tenho falado bastante disso ultimamente, mas foi bem coincidência mesmo. E eu não sou de exigir diversidade nem nada, mas é legal quando tem naturalmente e bem feita.

Para quem não sabe, as Filipinas ficam na Ásia porém foram colonizadas pelos espanhóis; assim, eles são uma mistura de asiáticos com latinos. Eles são super exigentes quanto a educação dos filhos mas são super altos, comem comidas mais pesadas e um monte de comida sempre que se reúnem, são supercatólicos. A cultura filipina mostrada aqui tem algumas relações com a cultura brasileira no geral (claro que cada família e pessoa é diferente). Então também pode ser bem legal se ver em pessoas que moram longe da gente e nasceram mais longe ainda. Eles também falam um pouco de espanhol.

Eu tenho que dizer que adorei o casal que a Jasmine formou aqui, por mais que seja uma coisa meio clichê de embate de diferenças e tal, a verdade é que eu amo um bom casal meio proibido, às vezes até quando é meio errado, imagina então um desses que os dois são tão bons um para o outro, se complementam tão bem. O Royce é um cara legal, apesar de ter uma hora que os dois têm problemas por umas bobagens dele, mas enfim. Alguns outros personagens têm seus momentos não muito bons, como a Kayla, melhor amiga dela. Mas até o personagem Mason, que é o único que está para irritar especialmente, tem algo bem lá no fundo do coração ou mente dele e vai servir a algum propósito, não só para o mal. É difícil falar sem estragar, mas eu gosto de imaginar que o "depois" é que ele se tornou alguém bem melhor. Ou pelo menos se segura para fingir que sim.

Ao falar de imigração, é claro que o livro vai falar de preconceito, xenofobia, não necessariamente racismo, porque não vi nada específico aos filipinos (e também não sei se seria "racismo" mesmo assim). Também, por se tratar da ida para a faculdade, involuntariamente se acaba falando sobre o quanto as melhores faculdades, ou realmente qualquer uma que não seja comunitária, são muito caras, tudo isso porque a maioria das bolsas pede algum tipo de residência ou o green card e o motivo para a família se arriscar para consegui-lo então é porque se não o fizessem, ela não conseguiria frequentar uma faculdade e ter vindo pros EUA não teria sido de muita ajuda já que os pais já trabalham em empregos de "segunda categoria" porque é difícil contratarem um ilegal. Quando eles vieram, tinham um visto de trabalho, porém ele expirou e eles não conseguiram outro. Uma ironia que eu achei é que grande parte dos vencedores dessa bolsa nacional são ricos e estudam em escola particular. Por mais que a faculdade possa ser cara até para eles, é sem graça isso, não sei. Talvez devessem ser tipos diferentes de bolsa pelo menos, porque é chato. Essa não é qualquer bolsa, é uma das bolsas mais difíceis, que te levam pra Washington, etc. e esses riquinhos ficaram lá fazendo pouco caso do passeio porque já conhecem tudo devido a seus pais políticos. Conseguir essa bolsa deve dar ainda mais prestígio para um desses alunos do que simplesmente passar naquelas faculdades sem ela, mas eu nunca me inscreveria nisso sem precisar. E é esse o tipo de gente que xinga os imigrantes ilegais de preguiçosos ou malandros.

Nos agradecimentos a Melissa de la Cruz comentou que a maior parte da trama é inventada (mas fala todos os pontos no qual se identifica), mas que tem um livro sobre a história da família dela mesmo que se chama Fresh Off The Boat e procurando no Skoob da autora para ver se tinha, eu descobri que só tem em inglês, infelizmente, e que no Brasil ela tem dois livros sobrenaturais publicados e um deles a capa me pareceu familiar, As Feiticeiras de East End. Ainda nos agradecimentos ela cita vários autores que talvez vocês gostem, alguns amigos e outros colegas de publicação: Marie Lu, Tahereh Mafi, Veronica Roth, Rachel Cohn, Eoin Colfer. 

Tem uma nota da autora que mostra que é realmente tão difícil quanto no livro conseguir  o green card e ela também conta sobre outros detalhes da história dela, é bem legal de ler. A Melanie e a família são muito fortes como qualquer um que passa por essas situações. É difícil não ficar com medo do que acontecerá com eles ou pensar o que você faria no lugar. A imigração é um tema muito delicado no mundo todo, e é difícil pensar em uma solução, principalmente quando ocorre em um país que mal consegue sustentar seus próprios nativos bem, como o nosso. Não é tudo tão preto no branco, mas é bom continuar a haver livros como esse para que essas pessoas possam ser vistas e suas palavras expressadas. E também é bom lembrar que a América toda foi tomada de seus verdadeiros habitantes por imigrantes "ilegais". Eles - e nós - não precisam aceitar e ajudar, mas deviam pelo menos lembrar disso para não serem preconceituosos.

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Conjuntando #78: Livros para presentes

Natal está chegando e para os apaixonados pela leitura é sempre uma época que gera aquela expectativa sobre se ganharemos algum livro, não é? E pensando naqueles nossos amigos que ainda não se aventuram tanto por esse mundo mágico, torna-se também uma ótima oportunidade de presentear com um livro para atraí-los para o nosso lado, não acham?

Pensando nisso, resolvi trazer algumas dicas de livros que podem ser tornar opções de presentes para pessoas com os mais variados gostos literários.

Cartas secretas jamais enviadas
Onde comprar: Amazon


Sinopse: Você já desejou poder voltar no tempo e dar conselhos para si mesmo? Já quis ter coragem de falar como é forte o amor que sente por alguém? Alguma vez já se perguntou por que uma pessoa importante na sua vida parou de falar com você? A partir de contribuições anônimas, Emily Trunko reuniu nesta coletânea cartas que revelam segredos profundos de quem as escreveu. Afinal, muitas vezes o único jeito de lidar com nossos sentimentos mais intensos — seja um amor incondicional ou uma perda irreparável — é botando tudo no papel. A leitura destas cartas nos permite mergulhar na vida de seus remetentes e, ao mesmo tempo, redescobrir nossa própria história e perceber que, mesmo nos piores momentos, não estamos sozinhos.


Além de ser um belíssimo exemplar, com capa dura e uma mistura de cores linda, Cartas Secretas Jamais Enviadas é também um livro intenso, que explode em sentimentos, mesmo quando diz pouco.

Amor em Manhattan
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Calma, competente e organizada, Paige Walker adora um desafio. Depois de passar a infância em hospitais, ela quer mais do que tudo provar seu valor – e que lugar pode ser melhor para começar sua grande aventura do que Nova York? Mas quando ela perde seu emprego dos sonhos, Paige vai descobrir que o maior desafio será ser sua própria chefe! Só que abrir sua própria empresa de organização de eventos e concierge não é nada comparado a esconder sua paixonite por Jake Romano, o melhor amigo do seu irmão e o solteiro mais cobiçado de Manhattan. Mas quando Jake faz uma excelente proposta para a empresa de Paige, a química entre eles acaba se tornando incontrolável. Será que é possível convencer o homem que não confia em ninguém a apostar em um felizes para sempre? O primeiro livro da série para "Nova York, com amor" traz um enredo empolgante e divertido, com personagens superando situações inusitadas em busca do seu final feliz.

Para aqueles que amam um filme de comédia romântica, Amor em Manhattan é a indicação perfeita. Leve e divertido, o livro parece aqueles filmes de sessão da tarde.

A forma da água
Onde Comprar: Amazon

Sinopse: Richard Strickland é um oficial do governo dos Estados Unidos enviado à Amazônia para capturar um ser mítico e misterioso cujos poderes inimagináveis seriam utilizados para aumentar a potência militar do país, em plena Guerra Fria. Dezessete meses depois, o homem enfim retorna à pátria, levando consigo o deus Brânquia, o deus de guelras, um homem-peixe que representa para Strickland a selvageria, a insipidez, o calor — o homem que ele próprio se tornou, e quem detesta ser.
Para Elisa Esposito, uma das faxineiras do centro de pesquisas para o qual o deus Brânquia é levado, a criatura representa a esperança, a salvação para sua vida sem graça cercada de silêncio e invisibilidade. Richard e Elisa travam uma batalha tácita e perigosa. Enquanto para um o homem-peixe é só objeto a ser dissecado, subjugado e exterminado, para a outra ele é um amigo, um companheiro que a escuta quando ninguém mais o faz, alguém cuja existência deve ser preservada.
Mistura bem dosada de conto de fadas, terror e suspense, A forma da água traz o estilo inconfundível e marcante de Guillermo del Toro, numa narrativa que se expande nas brilhantes ilustrações de James Jean e no filme homônimo, vencedor do Leão de Ouro em 2017. Uma história cinematográfica e atemporal sobre um homem e seus traumas, uma mulher e sua solidão, e o deus que muda para sempre essas duas vidas.

Sabe aquele tipo de livro que parece poesia? Assim é A forma da água. O livro faz pensar sobre a sociedade, mas traz aquele sopro de esperança de algo melhor por vir, usando, para isso, de metáforas bem construídas.

Sonhos de Avalon
Onde Comprar: Amazon

Sinopse: Quem nunca sonhou em viver na Idade Média com Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda? E se todas as versões já retratadas fossem uma tentativa de Merlin, poderoso feiticeiro do rei, de mudar o destino?
O primeiro volume de Sonhos de Avalon traz a história de Melissa, uma jovem do século XXI, predestinada a voltar à Idade Média para se casar com Arthur e salvar a Britânia e a magia. Porém, quando sentimentos são envolvidos os resultados podem ser imprevisíveis.
Dividida entre a responsabilidade que lhe foi dada e a voz de seu coração, Melissa terá que tomar uma decisão que mudará sua vida e a de todos que a cercam.




Para aqueles que gostam de uma boa fantasia, cheia de aventuras e mistérios, Sonhos de Avalon, que faz uma nova leitura da lenda do Rei Arthur, é uma ótima dica.

Outlander: A viajante do tempo
Onde Comprar: Amazon

Sinopse: Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, a enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido, com quem desfruta uma segunda lua de mel em Inverness, nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosos. Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros. Tão logo percebe que foi arrastada para o passado por forças que não compreende, Claire precisa enfrentar intrigas e perigos que podem ameaçar a sua vida e partir o seu coração. Ao conhecer Jamie, um jovem guerreiro das Terras Altas, sente-se cada vez mais dividida entre a fidelidade ao marido e o desejo pelo escocês. Será ela capaz de resistir a uma paixão arrebatadora e regressar ao presente?


O primeiro livro de Outlander é sempre uma dica a ser considerada. Além de ter uma história com um tiquinho de fantasia e um romance apaixonante e envolvente, a trama ainda é detalhista ao abordar aspectos históricos e nunca falha em adicionar cenas de lutas e aventura. É aquele tipo de livro que cativa todo o tipo de leitor e pouco importa que a série tenha mais de sete livros enormes - na verdade, todo mundo quer mais.

Essas são algumas das minhas dicas. E vocês, quais livros recomendam para presente nesse natal?

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Uma coisa absolutamente fantástica - Hank Green

Em seu aguardado livro de estreia, Hank Green traz a história original e envolvente de uma jovem que se torna uma celebridade sem querer — mas logo se vê no centro de um mistério muito maior do que poderia imaginar. Enquanto volta para casa depois de trabalhar até de madrugada, a jovem April May esbarra numa escultura gigante. Impressionada com sua aparência — uma espécie de robô de três metros de altura —, April chama seu amigo Andy para gravar um vídeo sobre a aparição e postar no YouTube. No dia seguinte, a garota acorda e descobre que há esculturas idênticas em dezenas de cidades pelo mundo, sem que ninguém saiba como foram parar lá. Por ter sido o primeiro registro, o vídeo de April viraliza e ela se vê sob os holofotes da mídia mundial. Agora, April terá de lidar com os impactos da fama em seus relacionamentos, em sua segurança, e em sua própria identidade. Tudo isso enquanto tenta descobrir o que são essas esculturas — e o que querem de nós. Divertida e envolvente, essa história trata de temas muito relevantes nos dias atuais: como lidamos com o medo e o desconhecido e, principalmente, como as redes sociais estão mudando conceitos como fama, retórica e radicalização. (Skoob)

Livro recebido como cortesia da Editora
GREEN, Hank. Uma coisa absolutamente fantástica. Seguinte, 2018. 344 p.


Uma coisa absolutamente fantástica tem um título irônico; ao menos para mim, por falta de uma palavra melhor, porque enquanto lia esse termo mudou de significado, parou de significar algo bom. É uma coisa absolutamente fantástica? Sim! E ainda é, mas não é algo realmente bom, algo que você possa separar nesse dualismo bom e mau, e estou falando de diferentes assuntos: Carls, internet, fama... quem é Carl? É o ponto principal da história.

A primeira pessoa a vê-lo(s), a parar e prestar atenção, foi April May, que encontrou um dos Carl no meio de uma rua de madrugada. Ela iria passar direto sem ligar, ela passou, mas então voltou, olhou-o e ligou para seu amigo Andy, para fazer um vídeo sobre ele, porque Carl (como ela nomeou) era um robô gigante estilo Transformers e aquilo era absolutamente fantástico, e como alguém que admira/trabalha com arte, ela tinha que divulgar aquela obra belíssima. O que April, Andy ou ninguém sabia, era que aquele robô apareceu em diferentes cidades no mundo todo e ninguém pode dizer de onde eles vieram.

Por ser a primeira pessoa a gravar um vídeo, a postá-lo, April vira uma celebridade do dia para noite, a porta-voz dos Carls, chamada em todo canto para ser ouvida e por que não ir? Ela não se importa com tudo isso de fama e famosos e pode muito bem ganhar em cima enquanto a querem. Até que April May se importa demais com tudo isso e sua vida já não é mais a mesma. E o quê e de onde os Carls vieram mesmo?

"Quero que a ideia de April May contrabalance a ideia dos Carls. Se eles são poderosos, vou ser fraca. Se são assustadores, vou ser fofa. Se são extraterrestres, vou ser humana."

Eu quero matar Hank Green. Tipo assim. Só de leve. Só fazê-lo sofrer um pouco. Como ele pode finalizar o livro desse jeito? Eu quero mais! Eu quero mais, eu quero uma continuação, eu quero saber o que vem depois e nem gostei do livro tanto assim. Vai entender. Para mim, ficou faltando um resolução dos problemas e dos mistérios; eu entendi a história que ele quis passar sobre internet e fama e como elas mudam as pessoas sem perceber, mas comigo não cola isso. Se você me apresenta um problema, eu quero a solução, não adianta dizer que não importa, porque se não importasse não estaria lá.

Outra coisa que não gostei foi... bem, April. Antes de mais nada, saiba disso, esteja ciente disso: April May é uma cretina. Eu gostei da história, mas não da protagonista. Foi estranho. Foi a primeira vez que algo assim aconteceu. Eu já encontrei personagens com ações duvidosas que gostei, que penso até o que isso significa de mim, mas... não consegui sentir nenhuma empatia por April. Ela cavou o próprio buraco ciente disso. O estranho é que eu gostei da narração dela, mas não dela como protagonista, agindo, porque, meu Deus, que cretina. Aí, quando eu estava quase gostando dela, quase o finalzinho do livro, foi como se nada tivesse mudado e ela fosse novamente a cretina de sempre.

Mas eu gostei da história. Eu já disse o quanto isso é novo para mim e foi uma coisa absolutamente fantástica?

"(...) só dá para fingir até certo ponto antes de se tornar quem se está fingindo ser."

Eu adoro livros de ficção científica e esse é um deles, que engloba outros gêneros, como mistérios, um pouco de suspense, "o que vai acontecer depois?", com uma pitada de romance no meio, além de te fazer refletir sobre esse tema de mídias e popularidade, que dizemos que não nos importamos, mas vivemos com medo de sermos julgados. Só estou citando por alto esses pontos, porque não quero entregar spoiler, e a construção de tudo é ao decorrer das páginas, é algo que você vai assimilando aos poucos sem ser dito, o que com certeza conta muito, porque nem todos escritores conseguem seguir aquela regra do "mostrar e não dizer" que os perseguem.

Um ponto a mais do autor foi quanto ao fato de April não ser hétero, porque eu não sabia disso ao ler a sinopse e até me pegou de surpresa, porque normalmente está lá. E eu amei isso não estar. Porque a orientação sexual de April não importa para a história, não é o ponto central do livro, não faria diferença significativa se ela fosse hétero ou não, essa é apenas mais uma característica dela. E precisamos de personagens LGBTQIA+ (eu gosto do alfabeto completo) que apenas são diversos em suas sexualidades sem precisar abordar isso, tê-los apresentados como normal, porque isso é, eles são; ter personagens assim é tão importante quanto ter personagens que descobrem e aceitam quem são.

"Somos todos indivíduos, mas o fato de estarmos junto é muito maior. Se isso não for protegido e acalentado, nosso futuro é tenebroso."

Enfim, não leia pensando que está lendo John Green, quer você goste dele ou não, porque são histórias diferentes, com focos diferentes. Eu gostei de Uma coisa absolutamente fantástica e definitivamente leria a continuação, embora eu vá querer bater na April um pouquinho se ela continuar desse jeito. Ou pior. Deus nos livre dela estar pior.


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A Duquesa Feia - Eloisa James

Sinopse: Baseado na história O Patinho Feio, esse é o terceiro volume da série Contos de Fadas.
Como ela ousa achar que ele a ama, quando Londres inteira a chama de Duquesa Feia?
Theodora Saxby é a última mulher com quem se poderia esperar que o lindo James Ryburn, herdeiro do ducado de Ashbrook, se casasse. Mas depois de um pedido romântico feito na frente do próprio príncipe, até a realista Theo se convence de que o futuro duque está apaixonado.
Ainda assim, os tablóides dizem que a união não durará mais do que seis meses.
Em seu íntimo, Theo acredita que os dois ficarão juntos para sempre… até que ela descobre que o que James desejava não era seu amor, mas seu dote.
E a sociedade, que primeiro se chocou com seu casamento, se escandaliza com sua separação.
Agora James precisará enfrentar a batalha de sua vida para convencer Theo que ele amava a patinha feia antes que ela se transformasse em cisne. E Theo logo descobrirá que, para um homem com alma de pirata, vale tudo no amor – e na guerra.

Livro recebido em parceria com a Editora
JAMES, Eloisa. A Duquesa Feia. Contos de Fadas #3. Editora Arqueiro, 2018. 272 p.


Por diversas vezes senti que os romances de época estavam entrando na linha da mesmice e, por essa razão, quase pensei em não ler mais livros do gênero. É estranho, ainda mais quando romances nesse estilo sempre me divertiram e foram uma fonte de leituras descontraídas e descompromissadas. Só que esses livros não estavam mais conseguindo me prender e as leituras estavam se tornando um tanto arrastadas. Por isso, comecei A Duquesa Feia meio reticente, já pensando que seria mais uma decepção que me faria largar de vez os romances de época. Sorte a minha estar enganada, não?

O livro conta a história de Theo e de James, que cresceram quase como irmãos, mas que perceberam estar apaixonados. O único problema é que James só se declarou para Theo por uma imposição de seu pai e as palavras de amor nem eram verdadeiras até ele proferi-las e perceber que, na verdade, eram. Por isso, o que parecia um belo conto de fadas acaba logo depois da noite de núpcias, quando Theo descobre a imposição do Duque a James. Theo manda James embora para sempre e decide refazer sozinha o patrimônio que o Duque dilapidou.

"Nas semanas e nos anos seguintes, quando olhasse para trás, ela identificaria aquele instante como o momento exato em que seu coração se partiu em dois. O momento que separou Daisy de Theo, o tempo Antes e o tempo Depois."

Como todo romance de época, a trama não traz grandes inovações e é bastante previsível, mas tem algo na escrita de Eloisa James que envolve e faz querer saber o que acontece em seguida. Os capítulos não são muito longos, o que dá velocidade à leitura, e intercalam entre os pontos de vista dos dois protagonistas. Devo confessar que aconteceram algumas coisas um tanto quanto inesperadas nessa história - como piratas e tudo o mais -, mas exatamente por essa inovação a história saiu da mesmice e conseguiu me fisgar.

A protagonista, Theo, é uma mulher forte e determinada. Tanto que, quando foi magoada, ela não teve medo de mandar todo mundo embora e enfrentar sozinha as dificuldades de cuidar de um ducado - e fez isso muito bem. Eu a adorei por ser fora dos padrões, por ser imprevisível e irônica, por erguer a cabeça e seguir em frente, sem perder sua leveza.

"Os dias haviam sido longos, por vezes preenchidos com aventuras violentas, mas de algum modo os anos tinham sido curtos."

Claro que não gostei de algumas coisas no livro, como a ausência de James e sua falta de coragem de lutar por Theo de início. Mas, ao mesmo, tempo, senti que isso foi necessário, para que os personagens pudessem crescer e se tornar a melhor versão de si mesmos. O reencontro foi a parte mais divertida do livro, e ela não teria acontecido se a parte "ruim" não tivesse ocorrido.

Embora o romance entre os dois aconteça de forma rápida, Eloisa James conseguiu construí-lo de um modo factível. Percebi-me completamente envolvida com o casal, torcendo por eles, e eles têm uma química incrível.

Li o livro em três noites - o que é muito, considerando que estava em uma semana intensa de estudo, em que não conseguia dar atenção para quase nada além de leis e livros de Direito. Mas a trama é tão fluida, divertida e envolvente, que nem vi a história passar, e fiquei querendo mais.


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Céu sem Estrelas - Iris Figueiredo

Sinopse: Um romance sensível e envolvente sobre autoestima, família e saúde mental.
Cecília acabou de completar dezoito anos, mas sua vida está longe de entrar nos trilhos. Depois de perder seu primeiro emprego e de ter uma briga terrível com a mãe, a garota decide passar uns tempos na casa da melhor amiga, Iasmin. Lá, se aproxima de Bernardo, o irmão mais velho de Iasmin, e logo os dois começam um relacionamento.
Apesar de estar encantado por Cecília, Bernardo esconde seus próprios traumas e ressentimentos, e terá de descobrir se finalmente está pronto para se comprometer. Cecília, por sua vez, precisará lidar com uma série de inseguranças em relação ao corpo — e com a instabilidade de sua própria mente.
“Uma história brilhante sobre encontrar a sua força mesmo quando não há esperanças. Iris escreve com uma sensibilidade incrível e dá voz aos jovens que vivem a busca constante pelo seu lugar no mundo.” – Vitor Martins, autor de Quinze Dias (Skoob)

Livro recebido como cortesia da editora
FIGUEIREDO, Iris. Céu sem estrelas. Seguinte, 2018. 351p.


Céu sem estrelas é contado em primeira pessoa a partir das perspectivas de Cecília e Bernardo. Cecília é uma menina acima do peso, com problemas de autoimagem, familiares e até sofre de doença mental. Bernardo é irmão da melhor amiga dela e tem problemas também familiares e de saber quem é e o que quer ser. Eles vão ter um relacionamento curto que vai fazer toda a diferença e, na parte 2 do livro, em que eles estão separados, nós vimos o quanto ele afetou cada um.

O livro é bem pesado. Eles mencionam a instabilidade da mente da Cecília na sinopse, mas não o suficiente para você imaginar o quanto ele é pesado. Se você tem algo que acha que não pode ser "engatilhado" de maneira nenhuma, talvez seja melhor não ler. E se você acha que pode lidar porque consegue em um filme ou série, eu acredito que por aqui ser narrado em primeira pessoa é muito mais difícil porque você se identifica mais ainda.

Eu gostei de tudo no livro. A construção do relacionamentos deles, deles como personagens. A Iasmin me irritou em uma parte do livro, mas no geral ela é uma ótima amiga, que simplesmente não sabe como ser uma amiga às vezes. Além da Cecília ser gordinha, ela tem uma amiga cadeirante e outra negra. E a negra, Stephanie, até tem um pouco de história e que faz diferença a raça dela. Já a Rachel é bem secundária. Cecília também tem uma prima lésbica que sofre preconceito da mesma tia que fala do peso dela.

A Cecília e o Bernardo são ambos leitores e vão conversar sobre e também emprestar entre si. A Cecília gosta de livros que fazem sentido com como ela se sente, em especial Sob a Redoma da Sylvia Plath, que é o que ela empresta para o Bernardo. Ele passa a saber mais sobre ela pelos livros. O Bernardo é fã de fantasia e empresta para ela uma distopia, A Revolução dos Bichos, e um do Arthur Conan Doyle, A Nuvem Envenenada. Além disso, ela também gosta de Jane Austen.

Apesar da seriedade do livro, tem uns momentos leves, engraçados, fofos. Alguns são esses que os dois conversam sobre cultura e eles fazem até um acordo meio Lara Jean e Peter de ver o filme que o outro gosta.

A Cecília tem vários problemas difíceis, mas ela também possui um bem comum que é a dúvida do curso que escolher na universidade, que muitos podem se identificar. O Bernardo também sente um pouco disso porque desistiu de cursar Psicologia por Engenharia Mecânica. Ele se sente vazio, também porque não possui amigos como os da Cecília, mas só pessoas com quem sair e jogar conversa fiada. Já a Cecília ainda não fez nenhum amigo na faculdade e não tem vida social. 

Pela capa e o pouco que eu sabia da história, eu nunca imaginaria que teria uma carga emocional tão grande. Esse livro não só é entretenimento, como é necessário, principalmente pelas opções de ajuda que ele aponta. Ele é realista, não ultra-otimista ou ultra-pessimista. Eu tenho um blog aqui onde eu coloquei um podcast que ajuda as pessoas que possuem alguma doença mental e como lidar com isso, que é uma coisa que a Cecília comenta que é bem difícil para as pessoas ao redor. O endereço é esse. Eu sei da importância de se tratar desses problemas há muito tempo, e por isso resolvi fazer isso.

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Top Comentarista - Dezembro


Demorei, mas estou de volta, e agora reorganizando tudo que deixei atrasar (inclusive os sorteios!).

Dezembro chegou e é hora de Top Comentarista. Tendo em vista que o natal é a época de trocar presentes, resolvi deixar o ganhador escolher os livros que irá receber, ao disponibilizar um vale presentes no valor de R$25,00 do Submarino para o prêmio da promoção esse mês, em vez da tradicional lista de livros. Gostam da ideia?

As regras da Promoção são semelhantes às dos meses anteriores. Para se inscrever é preciso:

  • Seguir o Conjunto da Obra pelo Google Friend Connect (clicar em "Participar deste Site" na barra lateral direita)
  • Ter endereço de entrega em território Brasileiro.
  • Preencher o formulário abaixo.
  • Comentar em todas as postagens publicadas no mês de dezembro, inclusive na resenha de Crooked Kingdom: Vingança e Redenção, exceto os de lançamentos de novas promoções. Seguidas todas as regras iniciais, para participar, basta preencher a primeira entrada do formulário. A primeira entrada confirma sua participação no Top Comentarista, enquanto as demais constituem chances extras, sendo opcionais.

Observações:

  • Serão considerados válidos os comentários nas postagens do mês de outubro se feitos até o dia 1º de janeiro. Ou seja, será concedido um dia a mais para que os participantes consigam comentar nas últimas postagens do mês.
  • O participante deve fazer comentários válidos, que demonstrem que a postagem foi lida. Não adianta dizer que está curioso para conhecer a história, isso não é suficiente, e o participante será desclassificado.
  • O vencedor será definido por sorteio, dentre os participantes que comentarem em todas as postagens do mês. Apenas depois de feito o sorteio será conferido se o sorteado comentou em todas as postagens do mês. Caso essa regra não seja cumprida, o mesmo será desclassificado, e um novo sorteio será realizado.
  • O sorteado receberá um vale presentes virtual no valor de R$25,00 para compras no site Submarino.
  • O sorteado será contatado por e-mail, tendo o prazo de 24h para fornecer seus dados. Caso não envie resposta no prazo, será realizado novo sorteio.
  • O prazo para envio dos prêmios é de 60 dias após o recebimento dos dados dos vencedores.
  • O Conjunto da Obra não se responsabiliza por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador e o livros não será enviado novamente;
  • A Equipe do Conjunto da Obra se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.
  • Esta postagem também conta para o Top Comentarista.

a Rafflecopter giveaway

Boa sorte! ❤

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Crooked Kingdom: Vingança e Redenção - Leigh Bardugo

“Confiar na pessoa errada pode custar a própria vida.” Após se safarem milagrosamente de um ousado e perigoso assalto na notória Corte do Gelo, Kaz Brekker e sua equipe se sentem invencíveis. Mas o destino está prestes a dar uma perigosa guinada e, em vez de dividir uma vultosa recompensa, os seis comparsas terão que se munir de forças, de armas e de seus talentos para lutar pelas próprias vidas. Traídos e devastados pelo sequestro de um valioso membro da equipe, o Clube do Corvo agora conta com poucos recursos e aliados, e quase nenhuma esperança. Enquanto isso, forças descomunalmente poderosas se abatem sobre Ketterdam para desenterrar os segredos mais sombrios da potente droga conhecida como jurda parem, ao passo que antigos rivais e novos inimigos surgem para desafiar a perspicácia de Kaz e testar a frágil lealdade de seus parceiros. Agora, todos terão de enfrentar seus próprios demônios, e será preciso muito mais do que sorte para sobreviver à guerra que está se armando nas ruas obscuras e tortuosas desse implacável submundo – uma batalha por vingança e redenção que decidirá o futuro do mundo Grisha.
BARDUGO, Leigh. Crooked Kingdom: Vingança e Redenção. Six of Crows #2. Gutenberg, 2017. 448 p.


Em Six of Crows: Sangue e Mentiras, Inej foi sequestrada.

Depois da invasão a Corte de Gelo e o fato de todos estarem vivo e de terem sequestrado Kuwait, um Grisha Fabricador, filho do produtor de jurda parem, eles são traídos por Van Eck e Inej é pega como refém. Agora, os Corvos que restam devem unir-se mais uma vez para resgatar a Espectro e fazer Van Eck se arrepender de alguma vez vez ter cruzado o caminho deles.

O livro é maior do que o resgate de Inej. Isso é só o primeiro movimento de um jogo muito maior. O que Van Eck fez é uma traição, um pecado pelos olhos da cidade - eles fizeram um acordo, arriscaram suas vidas, e... e não ganharam nada? Kaz Brekker não trabalha de graça, nem nenhum dos seus aliados.

E eles querem o dinheiro que merecem, que sangraram e sofreram para ter.

E vingança, não redenção.

Mas todos têm seus próprios demônios para lidar e, do seu jeito, buscam a própria redenção, uma forma de expiar seus pecados, diminuir sua sombra, aliviar seu coração.


"Não há tempo para ficar constantemente se desculpando por existir. Mas, quando alguém faz algo errado, quando cometemos um erro, não dizemos que lamentamos. Prometemos reparações."

Inej se pergunta se seus Santos perdoarão seus pecados, todas as pessoas que matou, todas as mentiras que contou, o fato de que faria tudo de novo.

Nina está numa luta contra si mesma, porque, depois de consumir jurda parem, ela não é mais a mesma. Ela vive querendo mais uma dose, seus poderes não estão mais ao seu alcance, não a liga mais a outras vidas, tudo parece tão... feio, morto. Solitário.

Matthias... ele traiu seus votos, seu povo, tudo por uma garota e... tem que lidar constantemente com seu instinto, com as crenças que lhe ensinaram, que diz que Grishas são do mal, devem ser mortos, que a mulher que ama não é humana.

Jesper tem que lidar com a culpa. A culpa de que foi por sua causa que Inej foi capturada, que é por sua causa que seu pai perdeu a fazenda, que é por sua culpa que Kaz não confia nenhum pouco ao menos nele, que é por sua culpa que ele merece tudo isso.

Wylan... é outro culpado. Porque seu pai o ama, o amava, fez de tudo para que ele aprendesse a ler e... Van Eck merece um herdeiro capaz. E esse não é e nem nunca poderá ser Wylan.

E Kaz? Kaz tem a si mesmo para se preocupar. Ele é o seu pior inimigo, sua maior fraqueza; ele e sua busca por vingança, ele e seu repúdio por tocar em alguém com suas mãos nuas, ele e apenas ele.

"Os monstros realmente maus nunca se parecem com monstros."

Em comparação ao primeiro livro, eu não gostei muito desse, eu senti que faltou algo, o final-final, últimos capítulos, depois de resolver todos os rolos e tudo, foi um pouco rápido, não teve nem tempo de entrar em luto e eu já estava saindo dele, mas... que história.

Pode ficar sem sentido, contrariando o que eu já disse, mas eu gostei desse livro (sem comparar ao primeiro). Crooked Kingdom: Vingança e Redenção é bem escrito, com boas reviravoltas e planos birabolantes, a única coisa que te deixa meio assim, sem saber como reagir, é o final mesmo.

O final foi... teve um gosto agridoce. Dá uma esperança para uma continuação, te dá uma sensação que ainda não acabou, te faz pensar que esse não pode ser o fim. Não foi um final ruim, mas é apenas como se a autora não soubesse ou não quisesse ou, não sei, ela apenas não queria deixar muito triste ou muito feliz e cuidadosamente balanceou tudo.

"-Eu teria ido atrás de você - disse ele, e quando viu o olhar desconfiado que ela lhe lançou, disse de novo. - Eu teria ido atrás de você. E se eu não pudesse andar, rastejaria até você, e não importa o quanto estivéssemos machucados, nós lutaríamos juntos para escapar, facas em punho, pistolas ardendo. Porque é isso que fazemos. Nunca paramos de lutar."

Há algumas coisas tristes? Sim. Felizes? Também. Intermediário? Muito. Acho que o final foi sólido com a história, manteve a realidade, porque esses seis jovens são criminosos e bandidos do Barril, não príncipes ou princesas perdidas com finais felizes.

Depois de um dia sofrido, vem mais um. Depois de uma vida, só resta a morte.

Eu realmente recomendo essa duologia e estou ansiosa para arrumar um tempinho na minha lista de leitura para ler a Trilogia Grisha. Apesar de estar meio assim com esses finais nem lá nem cá de Leigh Bardugo, mas fazer o quê? Alguns mundos recompensam, algumas autoras foram feitas para estarem num limbo de ódio-amor.

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